PROEZAS NÃO TENHO

Foto: Wikipédia
Um dia, ali pela década de 1960, telefonei para o poeta e jornalista Antonio Girão Barroso (foto), marcando um encontro com ele. Não o conhecia pessoalmente. O assunto: desejava mostrar ao poeta uma música que eu compusera para um de seus poemas.
Era um poema que tinha estes versos:
Proezas não tenho / minha vida é assim.
Antonio Girão morava no Centro, numa casa ao lado da Rádio Uirapuru. E, na hora combinada, estávamos eu e o violonista Cláudio Costa, a quem cabia me acompanhar (posto que eu ainda não tinha versatilidade para tanto) na apresentação da inédita canção ao compelido parceiro.
Finda a audiência, Antonio Girão disse que gostara muito da música. E autorizou-me, verbalmente, a fazer o uso que eu julgasse necessário à divulgação da mesma.
Quer dizer, nada. Pois essa canção, por desídia minha, é algo que até hoje só sobrevive em minha cabeça.
À saída, o poeta me perguntou o que eu achava de Caetano Veloso.
Sem saber o que ele também achava do compositor baiano, eu lhe respondi que não era a favor nem contra, muito menos, pelo contrário.

BOAS LEITURAS

CONTRA A PERFEIÇÃO - Ética na era da engenharia genética. Ninguém é perfeito, e neste livro Michael J. Sandel argumenta de forma instrutiva e envolvente que ninguém deveria ser.
Um belo presente de Natal que recebi da amiga Maristane Macedo.
ANTOLOGIA POÉTICA - Prêmio Sarau Brasil 2013. O resultado de um processo seletivo que confirma a vitalidade da poesia no Brasil.
Um dos autores é Fernando Gurgel Filho, cearense radicado em Brasília e também colaborador de Linha do Tempo.
Meus agradecimentos a Maristane e Fernando.
PGCS

"MEIA-VOLTA, VOLVER!"

Médicos Contam Causos da Caserna
...  Por trás dos muros altos, das guaritas com sentinelas, do corpo da guarda das unidades militares, onde os pilares da hierarquia, disciplina e rigidez dos horários são levados ao fiel cumprimento de servir à Pátria pelos cidadãos fardados, Marcelo Gurgel mostra o lado engraçado do dia-a-dia de hospitais e quartéis, através de fatos narrados por médicos que, em sua ampla maioria, serviram ao Exército e à Aeronáutica.
... Aos leitores de "Meia-Volta, Volver!", a certeza de que terão momentos de leitura prazerosa de acontecimentos de uma instituição de credibilidade secular inabalável, que é o grupo formado pelas Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica).
Francisco Einstein do Nascimento
Tenente Coronel Farmacêutico do Exército Brasileiro
Autores (17)
– Ana Margarida Furtado A. Rosemberg
– Breitner Gomes Chaves
– Erik Frota Haguette
– Fernando Antônio Siqueira
– Francisco Jean Crispim Ribeiro
– Francisco José Costa Eleutério
– Francisco José P. de Andrade Reis
– Francisco Sérgio R. de Paula Pessoa
– José Adão Lopes
– José Luciano Sidney Marques
– José Ramon Porto Pinheiro
– Luiz Gonzaga Moura Jr.
– Luiz Gonzaga Porto Pinheiro
– Marcelo Gurgel Carlos da Silva (org.)
– Natanael Charles Monte Cruz
– Paulo Gurgel Carlos da Silva
– Walter Gomes de Miranda Filho
Ficha técnica
Capa: Isaac Furtado | Projeto e editoração: Gilberlânio Rios | Revisão: Marcelo Gurgel e Márcia Gurgel Adeodato | Tiragem: 500 exemplares | Gráfica: Expressão | Ano: 2013 | ISBN: 978-85-901655-7-6 | Lançamento: 09/12/2013, às 19h30, no Auditório do Edifício-Sede da Unimed Fortaleza

DIONÍSIA E A PRESENÇA DE ACOPIARA NA SIQUEIRA GURGEL

por JB Serra e Gurgel
(jornalista e escritor em Brasília)
João Francisco de Souza nasceu no Icó em 24 de junho de 1897, filho de Antonio Francisco de Souza e Ana do Rosário de Souza. Dionísia Gurgel Valente nasceu em Quixeramobim em 1900, filha de Henrique Gurgel do Amaral Valente e Joana Gondim, tendo como irmãos Francisco, Almerinda, Minervina, Mariinha, Francisca, Antonia, Lídia, Eduardo, Perpétua e Raimundo. Em 1908, Henrique, que fornecia secos e molhados para os trabalhadores da estrada ferro, em construção, chegou com a família a Afonso Pena, depois Acopiara. A estrada foi inaugurada em 1909.
No final da década de 1910, João de Souza chegou a Afonso Pena e, através de seu futuro sogro, Henrique, conseguiu emprego na prefeitura, sendo responsável pelo plantio de árvores e manutenção da praça Monsenhor Coelho, onde fica a igreja matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, principal referência de Acopiara. Nas horas vagas, era seresteiro festejado.
Em 6 de maio de 1972, João de Souza casou-se com Dionísia. O casal teve os seguintes filhos: Fernando, (*) nascido às 21 horas de 29 de janeiro de 23; Agenor, às 8 horas de 1º. de fevereiro de 24; Valmir, às 14 horas de 27 de julho de 25; Aldemir, às 21 horas de 30 de julho de 26; Terezinha, às 13 horas de 23 de dezembro de 29; Almir, às 19 horas de 23 de dezembro de 31; Henrique, às 4 horas de 23 de abril de 34; Maria Otília às 15 horas de 17 de dezembro de 35; Zélia, às 21 horas de 22 de dezembro de 37; Mariinha, às 2 horas de 18 fevereiro de 40; Nair, às 14 horas de 23 de outubro de 41 e Clarice, às 3 horas de 23 de agosto de 43.
João e Dionísia viveram modestamente em Acopiara até 1942, quando incentivados por Waldizar Brasil, então chefe da estação da EFB, depois RVC, cunhado de Dionísia, casado com sua irmã, Francisca, mudaram se para Fortaleza, em 27 de julho, obtendo emprego na Siqueira Gurgel, empresa fundada em 1925 por seu tio Theophilo, irmão de seu avô Henrique, com a família Diogo Siqueira. Waldizar trabalhava na RVC e foi chefe da estação de Acopiara, Senador Pompeu, Otávio Bonfim e Engenheiro João Felipe, em Fortaleza. João e Dionísia, inicialmente moraram na Bezerra de Menezes, 223, em casa que fora de Theophilo, indo mais tarde para a casa onde morou Afonso Carvalhedo, dentro da Siqueira Gurgel, na José Bastos.
Os filhos de Theophilo Gurgel, especialmente José Teófilo, com seu primo José Gurgel, filho de Maria, sua irmã e que casara com Odir Diogo, filha de Antonio Diogo de Siqueira, primos de Dionísia tocavam a empresa e foram acolhedores com os primos. João de Souza foi tudo no chão da fábrica, de chefe de pessoal a fiscal geral. Mesmo se aposentando pelo INPS, em 27 de fevereiro de 1962, trabalhou até 27 de julho de 1972, mais 10 anos. Os filhos por lá passaram, até encontrar seus caminhos: Fernando, casa de força, Agenor, setor de óleo e gordura vegetal, Valmir, produção, Aldemir, escritório, trabalhou até o fechamento da empresa, Almir, eletricista, Terezinha, Henrique, fresador, Maria Otilia, controladora de entrada e saída de mercadorias, Zelia a substituiu na mesma função. Uma irmã de Dionísia, Perpétua, foi acolhida, com seus filhos Rui e Ayrton, outros sobrinhos, como João, filho de Eduardo.
Na casa de Dionísia, hospedaram-se Janete, Rosemarie, Adelaide e Teó, filhos de Nenem e Janete, Alzemira e Maria Gurgel, filhos de Eduardo. Era reduto da "Gurgelândia", na busca de oportunidades em Fortaleza. A Siqueira Gurgel foi o primeiro emprego e a sobrevivência de muitos Gurgel que trocaram Acopiara por Fortaleza. Muitos ganharam casa na Vila Gurgel, construída por Theophilo para a família dos trabalhadores, no começo da Duque de Caxias, em frente ao Estádio Theophilo Gurgel, do Usina Ceará, clube de futebol da 1ª. Divisão do futebol cearense, junto com Ceará, Fortaleza e Ferroviário, Nacional, Calouros do Ar, América, Gentilândia e Maguary, e cuja sede social era na casa que foi de Theophilo, na Bezerra de Menezes ao lado da casa de Zequinha Gurgel, e cujo presidente eterno foi o Ademir Gurgel.
Tia Dionísia viveu para a família, não só os 12 filhos, que criou e buscaram outros caminhos.
Hoje são falecidos seus filhos Agenor e Fernando,que moraram em Brasília, cujos filhos cá estão, Henrique, que morou no Rio de Janeiro, Fortaleza e Juazeiro do Norte, Terezinha e Zélia, que criaram seus filhos, Mariinha e Nair, que tiveram poucos anos de vida. Em Fortaleza, vivem Valmir, que se aposentou como ex-combatente pela Marinha, Aldemir, Almir, Maria Otilia, e Clarice. Tocam a vida com dignidade. Os centenários de João de Souza, em 1997, e de Dionísia, em 2000, foram discretamente lembrados.
No fim dos anos 90, a Siqueira Gurgel foi vendida para o empresário Ernani Queiroz Viana e as instalações transferidas para Caucaia. Ele manteve a marca. O terreno do Otávio Bonfim foi vendido para os supermercados Bompreço, hoje Walmart. O progresso desfigurou tudo: a fabrica, o estádio, a vila. Os Gurgel de Acopiara migraram para outros quadrantes de Fortaleza.
Os produtos da Siqueira Gurgel foram populares entre os cearenses. Os nomes dos produtos fabricados, tais como: o sabonete Sigel, o óleo Pajeú, a gordura de coco Cariri e o famoso sabão Pavão. O sabão Pavão carregava na publicidade: Sabão Pavão, o melhor sabão do Brasil, ”uma mão lava a outra com perfeição, e as duas lavam a roupa com o sabão Pavão” Já a Neguinha do Pajeú, imagem de uma negra na embalagem amarela do óleo Pajeú, deu força de venda ao produto e se transformou-se em uma expressão muito usada pelos cearenses.
(*) Fernando Gurgel de Souza é pai de Fernando Gurgel Filho, colaborador dos blogs EntreMentes e Linha do Tempo.

VÍDEO. CONFRATERNIZAÇÃO ANUAL DA SOBRAMES CEARÁ

Local: Auditório do Edifício Sede da Unimed Fortaleza
Data e horário: 9 de dezembro de 2013 (segunda-feira), às 19h30

Videomaker: Dra. Ana Rosemberg
Programação
Abertura e formação da mesa
Discurso da Dra. Celina Côrte Pinheiro, presidente da Sobrames-CE
Apresentação do Coral da Unimed acompanhado do tecladista Tony Maranhão
Posse de 6 novos membros da Sobrames-CE
Lançamento da coletânea "Meia-Volta, Volver!" pelo Dr. Marcelo Gurgel, organizador do livro. Ver VÍDEO
Coquetel de encerramento

MEMÓRIA – USINA CEARÁ (2)

Fundado em 1º. de setembro de 1949.
O Usina Ceará tinha como função primordial o lazer entre os funcionários da Indústria Têxtil Siqueira Gurgel, situada em Otávio Bonfim. Mas os bons resultados nos primeiros torneios foram tão expressivos – venceu dois campeonatos suburbanos e a 2ª. divisão de futebol – que a diretoria da empresa resolveu encarar a formação do time como algo profissional, funcionando como ferramenta de divulgação da Siqueira Gurgel.
Participou de 12 edições do campeonato cearense de futebol (primeira divisão) de 1953 a 1964, sendo vice-campeão em quatro anos: 1956, 1957, 1961 e 1962.
1953 5
1954 8
1955 5
1956 VICE
1957 VICE
1958 5
1959 3
1960 7
1961 VICE
1962 VICE
1963 4
1964 4
O Usina Ceará não resistiu ao conturbado clima político nacional do regime militar. O dono da fábrica, deputado Moyses Pimentel, era opositor ao regime e, perseguido durante a ditadura, teve que encerrar as atividades do time.
Fontes
Ranking e Futebol
Bola Cultural - Usina Ceará, por Ciro Câmara
MEMÓRIA - USINA CEARÁ (1)
Comentários
1 - Caro Paulo,
O Edmar Gurgel, seu parente e meu colega de Banco do Brasil, jogou futebol por algum tempo no Usina Ceará. É possível que ele tenha alguma memória fotográfica da época, vou pesquisar.
Afrânio Bizarria
2 - Edmar,
Fiz um comentário no blog do Paulo Gurgel sobre você. Verifique se tem alguma contribuição para o assunto.
Afrânio Bizarria
3 - Homem,
Vão já descobrir minha idade, pois sou do tempo do Doca, Luís Garapa, Adonias, Vicente Trajano, Adir, Novíssimo e muitos outros.
Creio que tenho uma foto do "Torneio Início do Campeonato Cearense de 1956 ou 1957.
Vou procurar.
Edmar Gurgel
4 - Aldemir Gurgel, meu tio, foi presidente do Usina Ceará. Vou tentar entrar em contato com ele, para verificar se ele tem alguma foto ou lembrança histórica da época.
Fernando Gurgel Filho
5 - Li o material sobre o Usina 2.
Não achei o Usina 1, que deveria ter salvado à época. (V. TERCEIRO LINK ACIMA)
O pessoal de O POVO queria regatar a historia do Usina Ceará.
Estive em Fortaleza com o Aldemir Gurgel, filho de tia Dionísia, que foi presidente do Usina Ceará.
Assim como o procurei para fechar o artigo sobre tia Dionisia (A SER AQUI PUBLICADO AMANHÃ). Vou voltar a ele para falar sobre o Usina.
JB Serra e Gurgel