A PRIMEIRA PLANTA DA CIDADE DE FORTALEZA

WIKIPÉDIA
Primeira representação de Fortaleza, de 1726, no período de instalação da Vila de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção do Siará Grande. No desenho, são notáveis os principais símbolos de poder da vila colonial: o forte, o pelourinho, a casa de câmara e cadeia, a igreja e a forca.

MEMÓRIAS DA CIDADE: REPRESENTAÇÕES DE FORTALEZA NO MUSEU DO CEARÁ
por Natália Maia Sousa
Vê-se, na figura acima, a primeira planta da cidade – desenho atribuído ao capitão-mor Manuel Francês –, oriunda de 1726, coincidindo com a instalação da Vila de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Os traços do desenho da vila, sem a qualidade técnica que denota o trabalho de um profissional, apontam, entretanto, as construções mais importantes da época. Mostram-se, dentre outros elementos, as edificações destinadas a usos religiosos e político-administrativos, localizadas nas imediações do Forte de Nossa Senhora da Assunção, evidenciando a influência da edificação militar na disposição dos prédios e no crescimento urbano. No entorno do Forte estão localizadas, por exemplo: a igreja matriz, o pelourinho, a casa de câmara e cadeia, a forca etc.
A primeira planta da cidade aparece como importante representação simbólica do núcleo urbano, pois expressa de forma direta, a partir da disposição dos edifícios e equipamentos da época, os lugares do
poder militar, político, administrativo e religioso, mostrando como o controle colonial se impunha diante da vila. Sobre isso, é importante ressaltar que, contrariamente a diversas outras vilas do Ceará, a vila de Nossa Senhora da Assunção não nasceu de uma missão religiosa e sim a partir de uma função estratégico-militar, com a fixação de um forte para proteção e defesa do território.
Assim, pode-se ver como a ordem urbana era fixada pela metrópole, por meio de marcos no espaço físico. No entorno do forte, estavam o local da ideologia cristã, representada pela igreja matriz, a sede do poder político local, representada pela casa de câmara e cadeia, a autoridade local materializada na violência e força, representada pela forca, e o símbolo da emancipação local, representada pelo pelourinho. Assim, as principais instituições públicas da época concentravam-se ao redor do forte, configurando um núcleo que definia os lugares de exercício do poder, além de assegurar a ordem urbana.
Extraído de: http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/6376/1/2011-DIS-NMSOUSA.pdf

FAZENDINHA DO JOÃO VICTOR

As porteiras da minha fazendinha estarão abertas para comemorarmos meu 1º aninho!
João Victor
23/08/2015, às 18 horas
Golden Kids Buffet
Rua Gilberto Studart, 280 - Cocó
Meu sobrinho-neto João Victor é filho dos médicos José Orlando da Costa Filho e Vanessa Gurgel Adeodato.

PESAR POR VITÓRIA HOLANDA GURGEL COELHO (19/01/1997–13/08/2015)

"Quero tua risada mais gostosa / Esse teu jeito de achar /Que a vida pode ser maravilhosa / Que a vida pode ser maravilhosa..."
("Vitoriosa", de Ivan Lins e Vítor Martins)
Faleceu na quinta-feira passada (13), em Mossoró-RN, a jovem VITÓRIA HOLANDA GURGEL COELHO. Era filha de Maria Tereza Vieira Holanda e Sílvio Gurgel Coelho.
Hoje (20) foi celebrada a missa de sétimo dia, na igreja da Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Fortaleza, pela alma de Vitória.
"Obrigada, filha, por nos fazer seus pais e por nos fazer mais humanos, mais crédulos de que o Amor tem a profunda capacidade e transformar e de nos fazer vitoriosos. E muito obrigada por você ter vindo, nossa filha, e nos confiar essa missão de investir em você e de lhe fazer uma grande Vitória.
Um beijo muito grande em seu coração e nunca esqueça do nosso amor e e de que você sempre foi a luz de nossos caminhos e de que vai continuar sendo, só que agora como um anjo e um Ser de luz."
(trecho final da mensagem a Vitória escrita por seus pais, Maria Tereza e Silvio)

A CANECA DENTADA

Na visita que fiz ao Museu Municipal de Uberlândia um dos objetos em exposição logo me prendeu a atenção por alguns minutos. Era uma caneca de flandres com dentes nas bordas. Para que, diabos, serviriam aqueles dentes, por sinal bem pontiagudos, num utensílio doméstico em geral utilizado para matar a sede de alguém. Uma placa por perto dava toda a explicação. Aquela caneca era para ser usada apenas para tirar a água de um pote, quando precisava transferi-la para uma quartinha, por exemplo. Quem quisesse beber daquela água (boa e fresca do pote de barro) sem ferir os lábios que fosse apanhar outra caneca para esse fim.
Como o púcaro, por exemplo. O púcaro era uma caneca de alça comprida, tipo concha, para tirar água do pote. Uma modalidade de caneca menos agressiva, portanto.
Procurei na internet alguma imagem de caneca dentada para ilustrar esta nota, mas em vão. De maneira que lanço mão de uma foto de má qualidade que eu mesmo tirei na ocasião.
Para finalizar, transcrevo do site Malagueta um artigo de Raul Lody, que é antropólogo, museólogo, pesquisador na área de alimentação com diversos livros publicados e, entre outras atividades, idealizador do Museu de Gastronomia Baiana.
Água de pote, água de beber
A boa água é essencialmente limpa, e quando fresca melhor ainda. São muitos os imaginários sobre a água, e a esses imaginários integram-se os cenários culturais e sociais que ritualizam esse tão precioso líquido.
Água de pote é uma categoria regional, uma tipologia de "lugar" para a água na casa. É a água guardada em potes de barro com várias características estéticas. Geralmente um pote de barro pode comportar de dez a vinte litros de água.
Além de ser um utensílio, o pote é também um objeto fundamental por preservar a água de beber; ele exibe e comunica: "temos água, água boa porque está no pote".
Quase sempre os potes têm tampas de madeira que são feitas especialmente para o uso doméstico. Ainda, é comum que a boca do pote esteja protegida por uma toalha de pano, pano alvíssimo, como se atestasse uma qualidade de limpeza, assim, a água ali guardada é tão limpa, tão pura, quanto a brancura do pano.
Normalmente, o pote está na cozinha ou, como ocorre em muitas casas do Nordeste, ou em ambiente único da casa. O pote quase sempre, nesse contexto, ocupa um tipo de mobília chamada de banca de pote, que é "entronizado" com destaque na casa.
Geralmente no entorno do pote estão às fotografias da família, os quadros de santos, ou outras informações visuais importantes que são concentradas e exibidas próximas ao espaço da água; assim, como os copos, as canecas, as cuias, e as meias cabaças, que são para se beber a água, e também os utensílios para se retirar a água dos recipientes.
Vê-se o aproveitamento do coco seco para se fazer o "coco d’água" – tipo de caneca especial para se retirar a água do pote. Há outro tipo de utensílio para se retirar água do pote que é feito de flandres, e apresenta as bordas dentadas, justamente para evitar que se coloque na boca, e assim se mantém a água limpa e boa para o consumo.
Sem dúvida, o pote participa do processo de decantação das impurezas da água, pois as águas chegam de muitos e diferentes lugares.
O pote confere à água odor e sabor especial que vem do barro. Essa água é comparada à “água de quartinha”, que é outro tipo de recipiente de barro, só que de uso individual, para conter e servir água.
Há a tradição de se dizer que: "água de quartinha e água de pote são mais gostosas". Atribui-se por isso uma qualidade especial a esse tipo de armazenagem.
Esses recipientes mostram as possibilidades de preservação da pureza desse tão preciosos líquido para o consumo humano. Esse é um processo tradicional de filtragem. Como ainda acontecem com os tradicionais filtros de barro, alguns artesanais e outros industrializados.
Beber água de pote é um componente da construção do paladar, é a inclusão de um novo sabor que também está na comida preparada com esta água de sabor especial e peculiar.
O pote na maioria dos casos é a única opção de se ter água "potável" em casa. São milhares de casas no Nordeste, na região amazônica, e em outras regiões que utilizam esse utensílio como sendo a única maneira possível de acondicionar água.
A água de pote é um forte retrato da vida de milhares de brasileiros que ainda recorrem a esse costume para se ter certa qualidade na água que é destinada ao consumo na casa. Água para se beber e para se fazer comida.
Em outros cenários é crescente o cuidado gastronômico no consumo da água, inclusive numa valorização que requer até os serviços de um "sommelier" especializado para água.

VÍDEOS. FAMÍLIA GURGEL DO AMARAL VALENTE, DE ACOPIARA-CE


Parte 1

Parte 2

(vídeos lembrados por Fernando Gurgel Filho, de Brasília)

RECORDANDO MEU PAI

Celina Côrte Pinheiro
celinacps@yahoo.com
médica e filha do sr. Cândido Côrte

Confesso, sem pejo, minha especial admiração por meu pai. Simples, elegante no vestir, simpático, bem-humorado, profissional comprometido, dinâmico, era querido e respeitado em Ribeirão Preto, sua cidade por adoção. De segunda a sexta-feira, eu era obrigada a manter minha vida escolar em dia a fim de me dedicar ao lazer, sem qualquer culpa, nos fins de semana.
O sábado e o domingo eram destinados ao Clube de Regatas, onde aprendi a pescar, colocar minhoca no anzol sem sentir nojo, remar, nadar, jogar bocha etc. Acordava cedo para acompanhá-lo ao clube e, se meu sono ultrapassasse 8 horas da manhã, ouvia ruídos insistentes de meu pai batendo em uma lata, segundo ele, para atrair as andorinhas. Uma mentirinha saudável, pois o que ele queria mesmo era me acordar. Minhas primeiras aulas de disciplina pessoal!
Sempre o admirei por seus diferentes saberes, não obtidos através da educação formal, mas de sua inteligência e autodidatismo. Era um homem bom e cultivava valores como a honestidade, a pontualidade, a sinceridade... Não era religioso, mas cioso de seus deveres para com os outros. Um cristão, na verdadeira acepção da palavra!
Aos 18 anos, saíra de uma cidadezinha escondida no mapa para seu primeiro emprego na megalópole São Paulo. Foi o único entre 12 irmãos a ter a coragem de enfrentar novos e inquietantes desafios. E venceu! Ensinou-me também a ter essa coragem e força para enfrentar o que meu próprio enredo reservava, ensinando-me intuitivamente a identificar pessoas. Uma grande e útil lição!
As regras em nossa casa eram claras. Às refeições, não permitia brigas ou conversas em demasia. Apreciava o silêncio. O abandono de restos de alimento no prato era proibido e ele exemplificava com a própria vida na pobreza da Itália. Ensinou-me a não ter “olho grande” para a comida e a colocar no prato apenas o suficiente para me alimentar. Se quisesse mais, poderia repetir, sem desperdiçar.
Tolerância zero para desperdícios em geral.
Nunca me estimulou a namoros precoces. Eram vedados e, quando os namoricos adolescentes aconteceram, não lhe eram revelados. Mas ele percebia a mudança de meu comportamento e me olhava diferente. Eu sorria meio desconcertada, pois não apreciava trair-lhe a confiança.
O tempo se encarregou de lhe impor limites e sua vida se transformou em um incômodo fardo. Não se preparara para isto, reagia contra sua incapacidade e o dever de aceitá-la, sabe-se lá por quanto tempo. Tinha pressa, mas a vida não foi feita para atender nossos caprichos, mas nossos merecimentos.
Na madrugada de um dia, acordou, sentou-se à borda do leito, pediu água, bebeu-a e se calou. Realizou sua última queda livre na própria cama. Minha mãe pensou tratar-se de mais uma de suas brincadeiras. Não era... Desligou-se do fio da vida com a mesma pressa de sempre. Não se prendeu ao leito, nem deu trabalho aos familiares. Fez-se pássaro e voou célere para outra dimensão.
Artigo publicado em 08/08/15, no Jornal de Hoje, O POVO on line

BRINCADEIRA TEM HORA

Coronel médico R1 Dr. Sidney Marques
In: "Humor na Caserna"
Em 1998, a seleção de Quixeramobim classificou-se para a final do XXV Campeonato Cearense Intermunicipal de Futebol, tendo como adversário a seleção de Boa Viagem.
Um grupo de abnegados dirigentes procurou-me no Hospital Regional dr. Pontes Neto, solicitando ajuda para hospedar a seleção em Fortaleza. No mesmo instante, liguei para o comandante do 23º Batalhão de Caçadores que, de pronto, atendeu a solicitação.
Para tornar o apoio ainda mais significativo, designei a psicóloga do Hospital Militar, tenente Isoletina, para fazer uma palestra motivacional para o grupo.
Acertados os detalhes com os dirigentes da seleção, fui tirar o meu plantão de final de semana naquela cidade do sertão central.
A delegação chegou a Fortaleza sábado à tarde e, após a palestra, todos saíram para jantar nas proximidades da Igreja de Nossa Senhora de Fátima.
Ao retornarem ao quartel, um gaiato, em vez de entrar pelo portão das armas, resolver pular o muro próximo à guarita, que fica vizinha à residência dos oficiais.
Ilustração: Benes
O insolente por pouco não levou um tiro do soldado sentinela e ainda conseguiu criar um incidente de grandes proporções, com o envolvimento do oficial de dia e de toda a guarda do batalhão. Até mesmo o comandante teve que se deslocar ao quartel para resolver o imbróglio. Por muito pouco, não foram desalojados do 23º BC.