DESPEDIDA DE FRANCISCO SISVILAN DE MORAIS COIMBRA

Faleceu aos 84 anos, na manhã de ontem, 25, o DR. FRANCISCO SISVILAN DE MORAIS COIMBRA. Ele estava hospitalizado, em tratamento contra o câncer, e afastado de suas atividades desde setembro do ano passado.
Graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1971, e tinha como especialidade a cardiologia.
Em 2021, foi um dos sete médicos de Maringá-PR a receber o Diploma de Mérito Ético-Profissional pelos 50 anos de formação. A prova de que ele não apenas exerceu a medicina, mas a praticou com retidão, ética e dedicação.
Era casado com a Dra. Maria Tereza de Melo Cerqueira, também médica. Sisvilan, sua esposa e eu fomos companheiros de viagem em nossa travessia de seis anos na UFC.
Neste momento de despedida, envio meus pêsames à Dra. Maria Tereza pela perda do ente querido.

BRANCA BILHAR

Branca Lopes de Alcântara Bilhar nasceu no Crato-CE, filha de Joaquim Lopes de Alcântara Bilhar e de Cândida de Alcântara Bilhar. Há divergências sobre a data do seu nascimento (28/11/1886, segundo J Flavio P Vieira, em comentário escrito a Nirez).
Depois da morte do pai, Branca foi morar com as tias Ana e Epifânia, transferindo-se com elas para o Rio de Janeiro (1911), onde fez sua formaçào musical.
Era sobrinha do violonista Satyro Bilhar, um conhecido personagem da boemia carioca do começo do século XX. Dado o cenário do momento, Branca teve contato com diversos grandes nomes da música brasileira da época.
Estudou piano e, por duas vezes, obteve medalha de ouro no Instituto Nacional de Música. Também ministrava aulas de música e consta que Eunice Katunda foi sua aluna.
Ela faleceu em 22/12/2028, no Rio de Janeiro.
Suas obras, majoritariamente compostas para piano, têm como características marcante um “sotaque” bem brasileiro. Há registros de que Branca Bilhar compôs ao menos 16 obras:
Alayde. Valsa de salão
Allegro de concerto
Ao violão
Bailado indígena. Peça característica
Dedicação. Valsa lenta
Ensaio de composição
Estudo de concerto
Improviso (1916)
No sertão,
Cateretê da noite (1927)
Os heroes de Copacabana. Hymno heroico (1922)
Perpetuum mobile
Primeira valsa
Recordação sertaneja
Reminiscência...
Serenata espanhola (1926)
Samba sertanejo. Peça característica VÍDEO

PARA ONDE VAI A MEMÓRIA DE UMA CIDADE?

Por Mário Mamede (*) 
A identidade de um povo tem como pilares fundamentais suas características étnicas, sua língua, sua cultura e a capacidade de ser guardião de suas memórias, preservando-as e transmitindo-as às gerações vindouras. A partir destes pilares, estão firmadas as condições para nos reconhecermos e sermos reconhecidos como um grupo identitário e fortalecermos num projeto de nação com uma visão de futuro.
Essa identidade estabelece a coesão necessária para termos consciência do que somos e do que desejamos para nós e para os nossos descendentes.
E esta percepção nos impulsiona para firmarmos um sentimento de pertencimento, alimentarmos a nossa autoestima e construirmos uma cidade que seja um lugar bom de viver para todas as pessoas.
A partir dessas breves reflexões, vamos ao que julgo mais importante e urgente, do que sinto necessidade de comentar.
Em Fortaleza, temos um acervo importante da memória de nossa cidade do ponto urbanístico, fotográfico, social, e um arquivo musical organizado por um funcionário público de nome Miguel Ãngelo de Azevedo, mais conhecido por Nirez, hoje uma importante referência e fonte de pesquisa sobre a nossa Capital.
Com a felicidade de viver seus 91 em plena lucidez e uma invejável memória para fatos recentes e passados, Nirez organizou e alimentou o seu acervo, acumulado ao longo de toda uma vida, com muita dedicação. Muitas e muitas histórias de Fortaleza estão guardadas em seu computador, em documentos físicos e em fotos.
Nirez é o guardião da maior e mais bem conservada coleção de discos de cera do Brasil, desde os primeiros gravados no Rio de Janeiro, nos anos 30 do século passado. Mais do que uma coleção, um tesouro!
Ocorre que todo esse patrimônio está hoje guardado em sua própria casa, e chega a um momento de vida em que já não tem mais como dar conta de mantê-lo.
Em comum entendimento com o Nirez, procurei o diretor do Museu da Imagem e do Som, que demostrou vivo interesse, levantando a possibilidade de sua incorporação ao acervo do MIS. Avançamos animados para uma agenda com uma relevante expressão política do Governo Estadual, acontecida no mesmo local no 6 de junho do ano passado.
As ideias convergiram e, pela sua importância, o assunto seria levado para análise do Governador. Adentramos 2026 e, até hoje, a resposta tem sido o silêncio, um silêncio que incomoda. Por isso faço publicamente um apelo às nossas autoridades, instituições acadêmicas e setor empresarial para não deixarmos que esse pedaço da nossa memória vire poeira.
O que se tornou antigo não pode continuar sendo traduzido equivocadamente como obsoleto, sem valor, isso é história que forma a identidade de uma cidade e de um povo.
(*) Médico ortopedista
Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/01/2026. Opinião. p.15
Comentário
28/03/2008 - Levado pelo clínico Eduilton Girão, um dia fui conhecer o Arquivo Nirez. Estimo que possa ter sido há uns vinte anos; numa manhã de sábado, certamente. O jornalista Blanchard Girão e o Sr. Ferrer, de Oeiras - Piauí, foram as outras agradáveis companhias do grupo formado para visitar este museu no bairro Rodolfo Teófilo. O próprio Nirez, como é conhecido Miguel Ângelo de Azevedo, foi quem nos ciceroneou na inesquecível incursão que fizemos àquele mundo de sons, imagens e objetos da comunicação. Pensar que tudo começou por volta de 1958. Quando Nirez passou a colecionar  seus primeiros discos de cera, os quais constituem a base do acervo que reúne na casa de n° 560 da rua Prof. João Bosco (onde ele até hoje reside). E que, com o passar do tempo, foi este acervo expandido para outros campos como fotografias, rótulos, revistas e objetos diversos. ~ Paulo Gurgel

CIDADES XARÁS

O Brasil tem 5.569 municípios. Na designação deles, o nome mais utilizado é "Bom Jesus". Há "Bom Jesus" no Piauí, no Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Se considerados os complementos como "da Penha", "da Lapa", "do Tocantins", "da Serra" etc. o Brasil tem 20 registros com esse nome.
Na lista dos municípios homônimos no Brasil, o Estado do Ceará apresenta 19 deles com nomes iguais em outros Estados. Um deles, Nova Olinda, é o município do Ceará que tem mais xarás: o nome se repete em dois outros Estados (na Paraíba e em Tocantins),.
Em ordem alfabética, eis a relação destes municípios:
Aurora: no Ceará e em Santa Catarina; além de Aurora do Pará e Aurora do Tocantins.
Cascavel: no Ceará e no Paraná.
Cedro: no Ceará e em Pernambuco;além de Cedro do Abaeté (MG) e Cedro de São João (SE).
Hidrolândia: em Goiás e no Ceará.
Iguatu: no Ceará e no Paraná.
Independência: no Ceará e no Rio Grande do Sul.
Ipueiras: no Ceará e em Tocantins.
Iracema: no Ceará e em Roraima.
Jardim: no Ceará e em Mato Grosso do Sul.
Juazeiro do Norte, no Ceará, e Juazeiro da Bahia apresentam complementos diferentes. 
Milagres: no Ceará e na Bahia; além de São Miguel dos Milagres (AL).
Morrinhos: em Goiás e no Ceará.
Mulungu: no Ceará e na Paraíba; há também Mulungu do Morro (BA).
Nova Olinda: no Ceará, na Paraíba e em Tocantins; há também Nova Olinda do Maranhão e Nova Olinda do Norte (AM).
Pacatuba: no Ceará e em Sergipe.
Pedra Branca: no Ceará e na Paraíba.
Redenção: no Ceará e no Pará. há também Redenção da Serra (SP), Redenção do Gurgueia (PI) e Nova Redenção, na Chapada Diamantina (BA).
São Gonçalo do Amarante: no Ceará e no Rio Grande do Norte.

GALERIA DA LIBERDADE

A Galeria da Liberdade foi aberta no dia 18 de junho de 2025. O espaço faz parte do conjunto arquitetônico do Palácio da Abolição e é gerido pelo Museu da Imagem e do Som do Ceará. A Galeria da Liberdade se estabelece como um espaço de difusão, com mostras que têm como eixo a luta pelos direitos humanos no Ceará, no Brasil e no mundo, evidenciando as tramas políticas, geográficas e afetivas da História.
Endereço: Avenida Barão de Studart, 505, em Fortaleza.
Entrada gratuita.
Ressignificação do espaço
Humberto Castelo Branco foi originalmente sepultado no Rio de Janeiro, mas seus restos foram transladados para o Ceará em 1972, sendo colocados no mausoléu em Fortaleza. Em 2023/2024, o Governo do Ceará decidiu ressignificar o espaço, criando a Galeria da Liberdade, um local focado na democracia e nos direitos humanos, em linha com o orgulho dos cearenses pela abolição da escravatura. Contactada, a família do ex-presidente concordou com o retorno de seus restos mortais para o Rio de Janeiro. E novo translado ocorreu em 2025, com os restos sendo levados de volta ao Rio de Janeiro para o Cemitério São João Batista.

ELANO DE PAULA (1923 - 2015)

Elano de Paula, o irmão mais velho de Chico Anysio, nasceu no dia 1.° de fevereiro de 1923, em Maranguape, área metropolitana de Fortaleza, mas passou boa parte de sua vida dividido entre o Rio de Janeiro e o Ceará. Fez parte do Exército entre 1943 e 45, no fim da Segunda Guerra. Depois, ingressou na Rádio Guanabara, no Rio de Janeiro, passou pela Rádio Mayrink Veiga e pela Rádio Club do Brasil.
Formou-se em engenharia civil pela Escola Nacional de Engenharia do Rio de Janeiro. Um dos seus primeiros trabalhos como engenheiro no Ceará foi a construção da ponte de Aquiraz; também fez a construção dos conjuntos Luciano Carneiro e José Walter e, entre seus muitos trabalhos, foi diretor da Indústria e Comércio Incosa.
Na área dos entretenimentos, passou pela Televisão Excelsior no Rio de Janeiro, onde foi diretor. Produziu o programa "O Homem e o Riso!", da TV Record em São Paulo, e o Chico Anysio Show, na TV RIO. Foi sócio gerente da Master Engenharia, presidente da Credimus - Cia de Crédito Imobiliário, presidente da Iplac do Brasil, em João Pessoa, e vicepresidente da Indústria Plástica Cearense S/A.
Foi o primeiro a trazer o sistema de financiamento da habitação para o Ceará.
Elano compôs as letras de "Canção de amor”, com o comediante Chocolate, e de "Me empresta teu lenço", com Mansueto e Nicolau Durso. Lançada por Elizeth Cardoso, “Canção de amor” (vídeo), projetou a cantora em todo o Brasil, a ponto de tornar-se seu prefixo musical;. E "Me empresta teu lenço", que foi um samba gravado em 1955 para o carnaval do ano seguinte.