Essa identidade estabelece a coesão necessária para termos consciência do que somos e do que desejamos para nós e para os nossos descendentes.
E esta percepção nos impulsiona para firmarmos um sentimento de pertencimento, alimentarmos a nossa autoestima e construirmos uma cidade que seja um lugar bom de viver para todas as pessoas.
A partir dessas breves reflexões, vamos ao que julgo mais importante e urgente, do que sinto necessidade de comentar.
Em Fortaleza, temos um acervo importante da memória de nossa cidade do ponto urbanístico, fotográfico, social, e um arquivo musical organizado por um funcionário público de nome Miguel Ãngelo de Azevedo, mais conhecido por Nirez, hoje uma importante referência e fonte de pesquisa sobre a nossa Capital.
Com a felicidade de viver seus 91 em plena lucidez e uma invejável memória para fatos recentes e passados, Nirez organizou e alimentou o seu acervo, acumulado ao longo de toda uma vida, com muita dedicação. Muitas e muitas histórias de Fortaleza estão guardadas em seu computador, em documentos físicos e em fotos.
Nirez é o guardião da maior e mais bem conservada coleção de discos de cera do Brasil, desde os primeiros gravados no Rio de Janeiro, nos anos 30 do século passado. Mais do que uma coleção, um tesouro!
Ocorre que todo esse patrimônio está hoje guardado em sua própria casa, e chega a um momento de vida em que já não tem mais como dar conta de mantê-lo.
Em comum entendimento com o Nirez, procurei o diretor do Museu da Imagem e do Som, que demostrou vivo interesse, levantando a possibilidade de sua incorporação ao acervo do MIS. Avançamos animados para uma agenda com uma relevante expressão política do Governo Estadual, acontecida no mesmo local no 6 de junho do ano passado.
As ideias convergiram e, pela sua importância, o assunto seria levado para análise do Governador. Adentramos 2026 e, até hoje, a resposta tem sido o silêncio, um silêncio que incomoda. Por isso faço publicamente um apelo às nossas autoridades, instituições acadêmicas e setor empresarial para não deixarmos que esse pedaço da nossa memória vire poeira.
O que se tornou antigo não pode continuar sendo traduzido equivocadamente como obsoleto, sem valor, isso é história que forma a identidade de uma cidade e de um povo.
(*) Médico ortopedista
Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/01/2026. Opinião. p.15
28/03/2008 - Levado pelo clínico Eduilton Girão, um dia fui conhecer o Arquivo Nirez. Estimo que possa ter sido há uns vinte anos; numa manhã de sábado, certamente. O jornalista Blanchard Girão e o Sr. Ferrer, de Oeiras - Piauí, foram as outras agradáveis companhias do grupo formado para visitar este museu no bairro Rodolfo Teófilo. O próprio Nirez, como é conhecido Miguel Ângelo de Azevedo, foi quem nos ciceroneou na inesquecível incursão que fizemos àquele mundo de sons, imagens e objetos da comunicação. Pensar que tudo começou por volta de 1958. Quando Nirez passou a colecionar seus primeiros discos de cera, os quais constituem a base do acervo que reúne na casa de n° 560 da rua Prof. João Bosco (onde ele até hoje reside). E que, com o passar do tempo, foi este acervo expandido para outros campos como fotografias, rótulos, revistas e objetos diversos. ~ Paulo Gurgel






















