Desde cedo, ela começou a contrariar a família do lado paterno, ao frequentar as rodas de lundu, umbigada e outros ritmos oriundos da África. Aos 11 anos, compôs ao piano a sua primeira melodia, intitulada "Canção dos Pastores", feita especialmente para a noite de Natal de 1858 em família.
Chiquinha Gonzaga não foi apenas uma pianista e maestrina, mas também uma inspirada compositora e boêmia das noites cariocas. Ela é considerada uma das maiores influências da música popular brasileira e foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.
Sua vida ficou marcada pelo sucesso na música, mesmo tendo que enfrentar preconceitos por ser mulher, e teve participação destacada na luta pela causa abolicionista.
Também lutou pela causa republicana, defendendo o fim da monarquia no país. Ela chamava a atenção nas rodas boêmias do Rio de Janeiro por ser independente e por fumar em público, algo que não era considerado de bom-tom para as mulheres da sociedade daquela época.
Após casamentos e separações, a partir de 1877, ela passou a fazer da música uma profissão, sendo a primeira mulher a assumir essa condição, ainda inédita para a figura feminina no Brasil.
Sua primeira composição de sucesso foi "Atraente", no ano de 1877. Em seguida, vieram outras composições, tais como: "Sultana", de 1878, e "Camila", de 1879.
Em 1885, lançou-se no teatro de variedades e revista, ao compor a trilha sonora da opereta "A Cor na Roça". No ano seguinte, compôs o choro "Sabiá na Mata" e montou um concerto para 100 violões no Teatro São Pedro.
A sua consagração como musicista e compositora chegou em 1899, quando compôs a marcha "Ô Abre Alas", fazendo alusão ao cordão da Rosa de Ouro, uma agremiação carnavalesca do Andaraí, o bairro onde Chiquinha Gonzaga morava.
Ô abre alas, que eu quero passarEsta marcha entrou para a história da música brasileira, como a primeira composição criada especificamente para o carnaval.
Ô abre alas, que eu quero passar
Eu sou da Lira, não posso negar
Rosa de Ouro é que vai ganhar.
Outra música de Chiquinha Gonzaga que ficou muito conhecida é "Casa de Caboclo", que relata o grande amor de um caboclo por Sinhá Rita, que acaba em tragédia.
Numa casa de cabocloTodavia, o grande sucesso de Chiquinha Gonzaga até hoje é sem dúvida a modinha "Lua Branca", que também figura entre as mais conhecidas dentro do grande acervo musical da artista.
Um é pouco
Dois é bom
Três é demais!
Ela partiu, me abandonou assim,
Ó lua branca, por quem és, tem dó de mim.
Neste mundo de misériasQuem imperaÉ quem é mais folgazão,É quem sabe cortar jaca.
Mas, o "Corta-Jaca" de que eu ouvira falar há muito tempo, o que vem a ser ele? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba.
Em 1914, Hermes da Fonseca foi sucedido na presidência da República por Venceslau Brás e, em seguida, viajou para a França com sua esposa, Nair de Teffé, onde permaneceram por seis anos em Paris, perdendo contato com Chiquinha Gonzaga.
Extraída de: Primeira Maestrina do Brasil (321 - 340), in: FERNANDES, José Veríssimo. Os Amaral Gurgel. Fragmentos da história de uma família ao longo dos séculos. Natal: Sebo Vermelho, 2022. 599 p. ISBN 978-65-89712-16-9
Webgrafia
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12624.htm

























