A BICA

Joel Beltrão Borba

Quando Deus resolveu fazer o mundo
Assim nos diz a velha, antiga lenda
Na Serra de Portalegre armou a tenda
E tudo se fazia num segundo.

Adão seria do barro oriundo
E Deus o fez para que o povo entenda
Sua obra-prima tal qual uma comenda
Feita de amor com esmero profundo.

Mas, para amassar o barro de Adão
Que Deus fez com sua própria mão,
Cantofa (*) humildemente até suplica:

"Senhor, não temos água nesta serra".
Deus então fez surgir água da terra
Bebeu dela, gostou... Surgiu a bica.

(*) Cantofa foi uma índia tapuia brutalmente assassinada em 3 de novembro de 1825. Segundo a tradição popular, o local da morte de Luíza Cantofa corresponde àquele local onde hoje existe a chamada Fonte da Bica, distante cerca de 400 metros do centro da cidade de Portalegre-RN.
Em passeio que fizemos nos dias 22 e 23, em Portalegre-RN, vimos este soneto em uma placa que a Prefeitura Municipal, em homenagem à família Borba, mandou afixar no Terminal Turístico da Bica. O passeio será descrito na nota ALTO OESTE POTIGUAR, a ser posteriormente publicada em "Linha do Tempo".

A ISLÂNDIA SULAMERICANA

Islândia, com 2.310 habitantes, é a capital do distrito de Yavari, departamento de Loreto, no Peru. É limítrofe com o município de Benjamin Constant-AM, onde trabalhei como médico militar nos idos de 1974/75.
Não cheguei a visitar esta pequena cidade (que os peruanos apelidam de "segunda Veneza"), apesar de estar localizada ao lado da sede de Benjamin Constant. Os moradores de Islândia, muitos deles índios da tribo Tikuna, eram frequentemente atendidos no Hospital de Guarnição de Tabatinga, que era o único hospital da região do Alto Solimões.
Certa vez, ao subir o rio Javari, numa lancha dirigida por um funcionário da Funai, que me convidou para um passeio em Atalaia do Norte, devo ter visto a city line de Islândia (sem ter a noção de que estava a ver a cidade peruana). Outra ocasião, a vista deu-se do alto. Quando voei no Cesna de um missionário para ir buscar um militar que se encontrava gravemente enfermo no pelotão de Ipiranga.
Islândia foi uma cidade que nasceu e inicialmente prosperou à margem esquerda do rio Javari, no interior de um meandro. Ontem como atualmente, sua ligação com outros núcleos urbanos do Peru e do Brasil era feita por meio de embarcações, em sua maioria canoas com motor de popa ou com rabetas.
Designa-se por "meandro" a curva acentuada de um rio que corre numa planície aluvial. O termo deriva do rio Meandro, na Turquia, caracterizado por apresentar um curso muito sinuoso.Como a velocidade do fluxo fluvial é maior na parte externa do que na parte interna do meandro, este apresenta tendência nítida e constante para ser erodido na margem externa e receber depósito de sedimentos na margem oposta, o que conduz ao pronunciamento do meandro. Por esta razão, o curso fluvial tem tendência permanente para se deslocar na direção da margem côncava do meandro. Por vezes, o meandro atinge, praticamente, os 360º, deixando a corrente fluvial de o utilizar, passando a fluir pela via mais fácil e direta. O meandro acaba, consequentemente, por ficar inativo. Origina-se, assim, um meandro abandonado, correspondente a um lago em forma de U. (J. Alveirinho Dias, Geologia Ambiental)
O rio Javari, afluente do rio Solimões, tem particularidades que vão além de sua fisiografia. Configura a fronteira do Brasil com o Peru e com a Bolívia, e isso passa a ser decisivo à medida que o rio ajusta e reajusta os limites.
Por volta de 1930, segundo depoimentos de pessoas mais antigas na região, o rio Javari, num processo comum para a geomorfologia fluvial da planície amazônica, isolou o meandro com relação ao Peru, deixando Islândia na margem direita do rio. Em períodos, o meandro reintegrava-se ao curso anterior do rio e a comunidade podia estar novamente na margem esquerda. Mas, aos poucos, a passagem da cidade peruana para a margem direita foi-se consolidando. É possível que o evento de Curuçá, que fez desparecer a histórica Remate de Males, tenha contribuído para esse desfecho.
Hoje, Islândia encontra-se definitivamente no "lado brasileiro" (imagem), entre o Javari e o Javarizinho, ainda que permaneça com a nacionalidade peruana. Aguiar, em seu livro "Rio Javari ..." cita os mutirões que os moradores de Islândia fazem em determinadas épocas para não deixar que sua cidade se transforme num meandro abandonado.
Fontes==============================================
Aguiar, Francisco Evandro. Rio Javari: o rio martirizante na bacia amazônica. Curitiba, Appris, 2018. 171p. ISBN: 978-85-473-1420-0
http://es.wikipedia.org/wiki/Distrito_del_Yavar%C3%AD
http://correiodaamazonia.com/veneza-amazonica-nas-lentes-de-moises-maciel-da-costa/
http://rpp.pe/peru/loreto/reportaje-islandia-esta-en-peru-tiene-selva-y-se-cree-venecia-noticia-1060026
http://encicloturismoperu.blogspot.com/2009/08/historia-del-valle-del-rio-yavari.html
http://www.researchgate.net/figure/Figura-9-Orla-da-cidade-de-Islandia-Peru_fig18_307511631
http://w3.ualg.pt/~jdias/GEOLAMB/GA3_cheias/GA33_SistFluviais/SistFluviais.html IMAGEM
http://blogdopg.blogspot.com/2019/08/o-evento-do-curuca.html
http://youtu.be/GLyWz1jNT64 (vídeo)
http://youtu.be/DzxXD1nONg8 (vídeo)

SIÁ MARIQUINHA

Em 1947, Luiz Assunção teve a sua primeira composição gravada, a rancheira "Sá Mariquinha", lançada pelo grupo vocal "Quatro Ases e Um Curinga", na Odeon. Em 1950, essa rancheira foi gravada pelo cantor Jamelão, também na Odeon. Em 1958, o violinista Gabriel Antônio de Azerêdo gravou o LP "Um violino no samba Nº 2", no qual "Sá Mariquinha" foi incluída.
Em 1966, a rancheira "Sá Mariquinha", recebeu uma adaptação de Evenor Pontes e virou "Siá Mariquinha", e foi gravada por "Canhoto E Seu Regional", no LP "As festas de junho - Canhoto e Seu Regional" da gravadora RGE. Em 1970, "Siá Mariquinha" foi gravada pela "Lyra de Xopotó" no LP "As 14 maiorais juninas com a Lyra de Xopotó", da gravadora Copacabana.
Em 1975, os cantores cearenses : Rodger Rogério e Teti, no LP "Chão sagrado - Rodger e Teti do Pessoal do Ceará", do selo RCA Vik, gravaram "Siá Mariquinha". Em 1987, a rancheira foi gravada por Alcymar Monteiro, no LP "Portas e janelas", da Continental. Em 1996, a rancheira "Siá Mariquinha" foi incluída na trilha sonora da novela "Rei do gado", da TV Globo, na interpretação de Dominguinhos.
Fonte: http://dicionariompb.com.br/luiz-assuncao
Em 2001, o violonista Nonato Luiz gravou "Siá Mariquinha". É a faixa 6 do álbum "Ceará", em que Nonato Luiz homenageia nosso Estado com arranjos e execução no violão de músicas de 18 compositores cearenses. Embora Luiz Assunção tenha nascido em São Luís, Maranhão, foi em Fortaleza que ele desenvolveu seu talento de músico e compositor. Atuava como pianista em pensões, cinemas e estação de rádio (Ceará Rádio Clube), além de participar intensamente da vida boêmia de nossa cidade. Luiz Assunção é também lembrado como o autor dos sucessos "Adeus, Praia de Iracema" (onde é nome de um Largo) e "Vive Seu Mané Chorando".

Leitura recomendada:
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/luiz-assun-o-pianista-carnavalesco-bo-mio-e-compositor

EUSÉBIO (CEARÁ)

O Eusébio, com seus 79 km2 e 52.667 habitantes, é um município que tem uma das melhores infraestruturas de acesso rodoviário no Estado do Ceará, sendo servido pela BR-116 e pelas rodovias CE-040 e CE – 010. Localizado a 15 minutos de Fortaleza, o município vem se consolidando em seu desenvolvimento social e econômico com cerca de 150 indústrias de grande porte instaladas em seus três polos industriais (Jabuti/Pedras, onde está localizada a Fábrica Fortaleza, Grande Sede – Autódromo e Santa Clara, no Anel Viário).
O topônimo Eusébio pode ser uma alusão a:
• Um antigo morador, Seu Eusébio, dono de uma casa que servia de pousada para os comerciantes em trânsito do interior do Estado para Fortaleza.
• O ex-ministro da justiça e senador Eusébio de Queirós, autor da lei que proibiu o tráfico de escravos para o Brasil.
Em 1933, Eusébio, então distrito de Aquiraz, assumiu o nome de Eusébio de Queirós. Em 1938, tornou a se chamar apenas Eusébio. Atualmente, como município, integra a Região Metropolitana de Fortaleza.
É o único município do Norte/Nordeste que tem o transporte público gratuito. Basta ser morador, trabalhador/servidor público da cidade para ter direito à gratuidade nos ônibus do Transporte Urbano do Eusébio - TRUE, que rodam pelos bairros da sede, distritos e zona rural do Eusébio.
O município conta com um shopping Open Mall, Mercado Central, supermercados, restaurantes, concessionárias de veículos, G7-Garage (um museu privado de automóveis), polo de recreação, lojas de artesanato etc. E, para os amantes da velocidade, conta ainda com o autódromo Vigílio Távora e o kartódromo Júlio Ventura. Como atrativos naturais, apresenta as lagoas do Parnamirim, do Polo de Lazer, da Precabura e o rio Pacoti.
Na visita que fiz ao Eusébio, em 16/10/2019, tive a oportunidade de percorrer os seguintes pontos:
✓Shopping Eusébio
✓Pasta e Pizza Emporium (para o almoço)
✓Núcleo de Artes, Educação e Cultura Aloísio Bruno (NEAC)
✓Biblioteca Municipal Patativa do Assaré (para a doação de um exemplar do livro "Portal de Memórias")
✓Mercado Central
✓Polo de Lazer Ivens Dias Branco
✓Praça da Igreja de Sant'Ana e São Joaquim
✓Quiosques a Praça (para a compra de tapiocas)
✓Café do Sertão
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/12/g7-garage.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/12/casamento-de-thalita-e-gaudencio-junior.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/05/o-criador-de-capotes.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/09/carros-brecheiros.html

LANÇAMENTO DO LIVRO "PONTOS DE VISTA"

Local: Auditório da Unimed Fortaleza.
Av. Santos Dumont, 949 - Aldeota
Data: 31 de outubro de 2019 (quinta-feira), às 19h30
Traje: Esporte fino
🕮 Um alentado livro de 350 páginas organizado e apresentado pelo Dr. Marcelo Gurgel, atual presidente da Regional do Ceará da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, com o prefácio do médico e blogueiro Paulo Gurgel e a arte de capa do cirurgião e artista plástico Dr. Isaac Furtado.
"Pontos de Vista" contém poemas, contos, crônicas, causos, ensaios, artigos, reminiscências, discursos e reflexões de 64 autores. Destes, 60 são médicos-escritores e 4 são sobramistas não médicos.
Nesta 36.ª antologia da Sobrames Ceará, há autores antigos, novos e um, digamos, "neoantigo". Trata-se de Winston Graça, um dos dez esculápios que estiveram, nos idos de 1981, em colóquio com as musas da poesia nas páginas de "Verdeversos", onde tudo começou.

O PASSEIO PÚBLICO DE FORTALEZA

A Praça dos Mártires, também conhecida como Passeio Público, é a mais antiga praça de Fortaleza. Além da bela vista para o mar, a praça possui como atrativos naturais diversas árvores centenárias, como o famoso baobá plantado por Senador Pompeu em 1910. Apesar de sua restauração em 2007, realizada  pela Prefeitura de Fortaleza com o apoio da Casa Cor no Ceará, o logradouro encontra-se atualmente com as fontes e os jardins mal cuidados e suas estátuas, que lembram La Belle Epoque, muito danificadas.
Em 1825, o local foi palco da execução de revolucionários da Confederação do Equador: Azevedo Bolão, Feliciano Carapinima, Francisco Ibiapina, Padre Mororó e Pessoa Anta. Foi essa Confederação um movimento revolucionário de caráter republicano e separatista que eclodiu no dia 2 de julho de 1824 em Pernambuco, alastrando-se em seguida para outras províncias do Nordeste do Brasil.
Em todas as plantas de Adolpho Herbster, sabe-se que houve menções à construção de uma futura praça. Em 1864, o então governador encomendou ao engenheiro da Província que orçasse as obras. Em 1879, o nome Praça dos Mártires foi definido pela Câmara Municipal de Fortaleza.
Planejada por Silva Paulet, a praça foi construída em estilo neoclássico na década de 1890. Em 1940, foi reformada nos moldes do Passeio Público do Rio de Janeiro
Em 2007, houve a última restauração da praça. Recuperada, e contando com uma melhor vigilância, a Praça dos Mártires voltou a ser bem frequentada. Parcerias com a iniciativa privada também ajudaram nesse sentido..
O Café Passeio (foto) ocupa uma parte do Passeio Público, com suas mesas dispostas nas áreas mais sombreadas e que propiciam melhor vista para o mar. O restaurante adota o sistema  self service, mas dispõe de cardápio para atender os pedidos de tira-gostos, bebidas e sobremesas. Aos sábados e domingos, serve também feijoadas e prestigia os músicos da terra, em geral chorões, que deliciam o público apresentando música instrumental. Os garçons atendem com presteza, os preços das comidas e bebidas são justos. A gorjeta é livre. E o restaurante cobra um couvert artístico de R$ 4,50 por pessoa quando há música ao vivo.
Se tiver um tempo a mais, visite outras praças do centro de Fortaleza. Uma delas é a Praça General Tibúrcio ou Praça dos Leões. Leva este apelido por abrigar estátuas de leões, a respeito das quais tenho uma história para contar. Neste logradouro, há também uma estátua em homenagem ao General Tibúrcio Ferreira de Sousa, um herói da Guerra do Paraguai, e outra, em tamanho natural, da escritora cearense Raquel de Queiroz. O Flórida Bar, antes de mudar de endereço para a Praia de Iracema, por muito tempo funcionou no lado oeste da Praça dos Leões, onde ainda estão alguns dos sebos da cidade.
http://destemperados.clicrbs.com.br/experiencias/feijoada-completa-no-cafe-passeio
http://spazziohotel.com.br/conheca-o-passeio-publico-em-fortaleza/

A PÉROLA DO JAVARI

Atalaia do Norte é um município do Amazonas situado na região do Alto Solimões, assim como Benjamin Constant e Tabatinga. Por algum tempo, a cognominada "Pérola do Javari" foi subordinada a Benjamin Constant, tendo sido elevada a município com a denominação de Atalaia do Norte, somente em 19/12/1955, pela lei estadual n.º 96.
Anteriormente, de 1890 a 1930, Atalaia do Norte foi o núcleo do povoamento Remate de Males, distrito de Benjamin Constant e sede deste município em dois períodos.
Anísio Jobim, em "Panoramas Amazônicos”, informa que o povoado se originou de uma cabana à margem do Itacoaí (Itaquaí), onde habitava o filho de um oficial superior brasileiro, e que a denominação de Remate de Males foi dada em 1890, pelo maranhense Alfredo Raimundo de Oliveira Bastos, que encontrou neste local relativo bem-estar, resolvendo fixar-se como um remate a seus males. Colocou, então, na fachada de seu barracão o letreiro "Remate de Males", cuja designação se estendeu a todo o lugar.
Embora, aí por volta de 1930, fosse a terceira cidade do Amazonas, Remate de Males desapareceu abruptamente com a passagem dos restos de um cometa, que caíram nas cabeceiras do Javari, onde um de seus gigantescos fragmentos produziu uma cratera de 1 km de diâmetro e um terremoto de 6,5 graus, na escala Richter, registrado no observatório de La Paz.
Resultado: nessa catástrofe, que ficou conhecida como o evento de Curuçá (nome de um afluente do Javari), o barranco de Remate cedeu, e a cidade foi engolida pelo rio Itacoaí, em 12 horas. Sua população fundou a nova Atalaia do Norte e distribuiu-se também por Benjamim Constant.
A palavra "Atalaia" é um sinônimo para guardião ou vigia e ressalta o importante papel desempenhado pela cidade na proteção das fronteiras brasileiras. É a localidade do mais extremo núcleo do Oeste, a guarita da marcha para o Oeste, no dizer de Álvaro Maia, em discurso proferido em 1943.
É a maior reserva de índios isolados do mundo.
http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/amazonas/atalaiadonorte.pdf
http://site.mast.br/pdf_volume_1/evento_curuca.pdf
http://periodicos.uea.edu.br/index.php/revistageotransfronteirica/article/view/778/673
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Atendendo ao convite de um amigo de nome Valmir*, funcionário da Funai em Benjamin Constant, fui conhecer Atalaia do Norte, a "Pérola do Javari".
Fomos num sábado para voltarmos no domingo. Em linha reta, Atalaia fica a menos de 30 km de Benjamin Constant, mas não havia, em 1974, uma estrada entre as duas cidades. A única via de acesso era pelo sinusoso Javari.
Tivemos uma viagem agradável, que durou algumas horas, em um "deslizador" (gíria local para pequeno barco com motor de popa) dirigido por meu amigo.
Subindo o rio Javari, com destino a Atalaia, teria sido impossível não termos passado por Islândia. No entanto, eu tomei esta cidade peruana como sendo uma continuidade de Benjamin Constant, já que estava do mesmo lado do rio.
Uma consequência dessa anômala situação: o trecho do rio Javari ao passar por Islândia é completamente peruano, um aspecto geográfico que então eu não sabia. E fico a pensar se não havia o desconhecimento desse fato por parte da Marinha brasileira, cujos navios singravam aquelas águas em demanda de Atalaia e mesmo de pontos mais afastados, como Estirão do Equador e Palmeiras, sedes de dois pelotões do EB à margem direita do Javari.
O "patriotismo" de Atalaia do Norte era digno de nota. Quase tudo por lá ostentava as cores verde e amarela inclusive as placas indicativas das ruas. E a cidade contava com apenas uma médica que não cheguei a conhecer, porque  na ocasião ela se encontrava em Manaus.
Á noite, fomos a um restaurante da cidade, talvez o único, para um jantar ao som do carimbó. O tempo a nosso dispor seria das 18 às 22 horas, por ser este o horário de fornecimento da energia elétrica em Atalaia do Norte.
Um pouco antes da hora prevista para iniciar o blecaute, fomos procurados por alguém: era um emissário do prefeito. Ele vinha nos comunicar que, em caráter excepcional, o gerador da cidade iria funcionar até às 24 horas. Agradecemos.
E imagino que os atalaienses também ficaram gratos pela inesperada prorrogação da luz elétrica em suas casas.
* O nome "Valdir" foi corrigido para "Valmir", atendendo a um esclarecimento prestado por sua filha Erika Luzeiro.

NA TRILHA DO ALDYSIO

Aldysio Gurgel do Amaral, nascido em 21/07/1912, em Fortaleza-CE.
Seus pais: Gervásio Gurgel do Amaral e Francina Gurgel do Amaral.
Cursos preparatórios no Colégio Cearense e no Liceu do Ceará. Formado pela Escola de Agronomia do Ceará, turma 1933. Diplomado pela Faculdade de Direito do Ceará, turma 1933. Ingressou no Ministério da Agricultura em 01/01/1934, tendo exercido o cargo de engenheiro agrônomo no Ceará, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Pernambuco, no Posto de Análise de Vinhos, de Recife, onde foi enólogo. Dedicou-se também ao magistério secundário, lecionando Geografia e História nos Colégios Porto Carreiro, Moderno e Escola Técnica de Comércio N. Sra. Auxiliadora, de Recife.
Esposa: Thereza Aleluia Barros Montenegro.
Filhos do casal: Francinalice, Aldysio Filho, José Luciano, Cláudio, Gervásio Neto, João, Sérgio e Ernesto Sobrinho.
Aldysio é autor de "Genealogia da Família Gurgel - Na Trilha do Passado" (1986, com edição esgotada). Lucas de Araújo Gurgel digitalizou este livro e publicou-o no MediaFire (LINK).

HERÓIS DO CEARÁ

Grandes páginas de aço formam o "Livro dos heróis e das heroínas da Pátria", guardado no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O Ceará tem os nomes de sete filhos inscritos neste Livro.
Antônio de Sampaio. Nascido em 24/05/1810, em Tamboril/CE, e falecido em 06/07/1866, a bordo do vapor Eponina, o Brigadeiro Antônio de Sampaio é herói da Guerra do Paraguai e o patrono da arma de Infantaria do Exército Brasileiro.
Bárbara Pereira de Alencar. Nascida em Exu/PE, foi criança para o Crato/CE. Na revolução pernambucana de 1817, Bárbara de Alencar foi presa e torturada numa das celas da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, em Fortaleza. Era mãe dos também revolucionários José Martiniano Pereira de Alencar e Tristão Gonçalves, e avó do escritor José de Alencar.
http://blogdopg.blogspot.com/2012/05/republica-do-crato.html
Antônia Alves Feitosa. a Jovita Feitosa, primeira mulher a se alistar nas Forças Armadas. Nascida em 1848, no sertão cearense dos Inhamuns, Jovita era adolescente quando o Exército iniciou um movimento para aumentar seus combatentes para a Guerra do Paraguai. A convocação gerou um entusiasmo patriótico, que chegou até o Piauí, onde a jovem de 17 anos morava com seu tio. Ao saber das baixas sofridas pelos brasileiros no front, ela cortou os cabelos com uma faca, vestiu-se com roupas masculinas e se alistou para a guerra.
Francisco José do Nascimento. O Dragão do Mar, líder comunitário abolicionista. Junto com seus companheiros, impediuo comércio de escravos nas praias do Ceará. Graças a ele, o Ceará foi o primeiro Estado a abolir a escravidão no paí­s, quatro anos antes da Lei Áurea.
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2016/05/dragao-do-mar.html
Martim Soares Moreno. Militar português considerado o fundador do Estado do Ceará. Imortalizado no romance de José de Alencar como o guerreiro branco que casou com Iracema.
Miguel Arraes de Alencar. Polí­tico brasileiro que governou Pernambuco em três períodos. Destacou-se na defesa das classes menos favorecidas da população como os camponeses. Arraes manteve uma relação próxima ao povo do sertão com iniciativas para mudar a realidade daquela população humilde. Impôs o “Acordo do Campo” que obrigava os usineiros a pagar salário mí­nimo aos trabalhadores rurais.
Antônio Vicente Mendes Maciel. O Antônio Conselheiro, que foi incluído nesta relação dos heróis do Brasil por iniciativa da deputada Luizianne Lins. Ele virou tema da "Guerra do Fim do Mundo", do escritor peruano Mario Vargas Llosa. Sua história está também no livro "Os Sertões", que Euclides da Cunha escreveu em 1902.
Para um nome ser incluído no Livro, o Congresso Nacional precisa aprová-lo em Lei. Outros três nomes de cearenses, segundo Wilson Ibiapina, aguardam aprovação: Cego Aderaldo, Patativa de Assaré e Mestre Jerônimo.
Fontes
Wilson Ibiapina, Ceará em Brasília, ano XXX, ed. 324 de junho de 2019
https://senadofederal.tumblr.com/post/66681987378
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br

O PÃO

Olha o padeiro entregando o pão
De casa em casa entregando o pão
Menos naquela, aquela, aquela, aquela não
Pois quem se arrisca a cair no alçapão? [bis]
Ednardo, Artigo 26
Em meus tempos de menino, comia-se em Fortaleza (berço da Padaria Espiritual) os seguintes tipos de pão: sovado, doce, de forma e pão d'água. E o pão de coco que só aparecia no período da Semana Santa.
De manhã cedo, era meu dever filial ir à padaria do Seu João Gurgel, em Otávio Bonfim, comprar o pão que seria logo mais consumido na casa dos Gurgel Carlos. Invariavelmente, pães d'água. Retirados de um grande cesto de vime, eram vendidos por unidade naquela  padaria.
Na volta para casa, se a fome fosse grande, eu arrancava o bico de alguma bisnaga (ainda quentinha) para comer.
Os chamados pães carioquinhas surgiriam tempos depois. A meu ver, não passavam de pães d'água reduzidos a pãezinhos de 50 gramas. No entanto, como eram vendidos por quilo, depois disso certas desavenças entre padeiros e consumidores se dissiparam.
O nome pão carioquinha é fortemente arraigado no Ceará. Em outras plagas pode ter diferentes designações. A propósito, veja como esse pãozinho é chamado em várias regiões do Brasil.
É o mapa do pão francês no Brasil segundo o Twitter. Finalmente, temos um estudo sério no país.
https://twitter.com/i/moments/1092436001098743809
O artigo 26
... da "Declaração Universal dos Direitos Humanos", dispõe que: "Todo ser humano tem direito à instrução."
... dos "Estatutos da Padaria Espiritual", dispõe que: "São considerados, desde já, inimigos naturais dos Padeiros, o Clero, os alfaiates e a polícia. Nenhum Padeiro deve perder ocasião de patentear seu desagrado a essa gente."
A Padaria Espiritual, um movimento cultural surgido na capital cearense no final de século XIX, marcado pela ironia, irreverência e senso crítico, além do sincretismo literário tinha o seu jornal, "O Pão", que era entregue de casa em casa pelos próprios "padeiros" – jovens escritores, pintores e músicos, reunidos num levante cultural contra a burguesia, o clero e tudo mais.
O compositor Ednardo, inspirado nos Estatuto da Padaria Espiritual, criou a canção "Artigo 26" ("Olha o padeiro entregando o pão / De casa em casa entregando o pão").
Como a atrevida aventura (da distribuição do jornal) contava com alguns poucos desafetos – sobretudo aqueles para quem a instrução do povo sempre foi algo assustador –, conforme relata Eliton Menezes, havia o receio de se entregar o "Pão" naquela casa e ser alvo de indecorosos desaforos... ("Menos naquela, aquela, aquela, aquela não / Pois quem se arrisca a cair no alçapão?")
https://chicoeliton.blogspot.com/2013/08/artigo-26.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/espi.html

AS HEROÍNAS DE TEJUCOPAPO

Tejucopapo é um distrito do município de Goiana-PE, localizado a 60 km de Recife.
Em 1646, o distrito possuía apenas uma rua larga, quase uma praça, ladeada por casas simples, destacando-se ao final dela a Igreja de São Lourenço de Tejucupapo, de arquitetura jesuítica, como acontecia com as igrejas erguidas no início da colonização.
Naquele ano, os holandeses já haviam praticamente perdido o domínio, que durante algum tempo mantiveram sobre quase todo o território pernambucano e, como se encontravam cercados e necessitando desesperadamente de alimentos, cerca de 600 deles, saídos por mar do forte Orange, na ilha de Itamaracá, tentaram ocupar Tejucupapo, onde esperavam encontrar a farinha de mandioca e o caju que as circunstâncias do momento haviam transformado em produtos pelos quais valiam a pena arriscar-se em combate. Segundo os historiadores, eles escolheram justamente o domingo para realizar a investida porque era, nesse dia da semana, que os homens do vilarejo costumavam ir a Recife, a cavalo, para vender nas feiras da capital os produtos da pesca. Sendo assim, a localidade estaria menos protegida, acreditavam os holandeses.
Todavia, os holandeses frustraram-se em sua intenção porque, segundo alguns relatos, a informação de que se aproximavam iniciou a reação da pequena e valente população local que, tendo à frente quatro mulheres - Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina -, lutou bravamente contra os invasores, enquanto os poucos homens que haviam permanecido na localidade ocupavam-se em emboscar os assaltantes, atacando-os à bala e com paus, chuços (aguilhões) e roçadeiras. Os registros informam que elas ferveram água em tachos e panelas de barro, acrescentaram pimenta, e escondidas nas trincheiras que haviam cavado, atacavam os holandeses com a mistura jamais esperada por eles. Seus olhos eram os principais alvos, e a surpresa o melhor ataque. A batalha durou horas mas, naquele 24 de abril de 1646, as mulheres guerreiras do Tejucupapo saíram vitoriosas. (1)
Memorial em homenagem às Heroínas de Tejucupapo (3)
Sobre esse acontecimento histórico foram feitos os filmes "Tejucupapo" e "Epopeia da Heroínas de Tejucupapo". Mais recentemente (2019), os cineastas Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles filmaram "Bacurau" em que a batalha de Tejucopapo parece ter sido uma das fontes inspiradoras.
"As mulheres de Bacurau miram-se no exemplo das heroínas de Tejucopapo, as destemidas que expulsaram, a pau e pedra, os holandeses que pretendiam saquear o vilarejo a 60 km do Recife, em 1646. Aí vemos Carmelita (Lia de Itamaracá), a matriarca que representa a utopia da água e da fartura da nação semiárida; Domingas (Sônia Braga), com sua blasfêmia alcoolizada e a valentia do cuidado rotineiro com o povo; a Teresa (Bárbara Colen) que retorna mais forte ainda... Sem falar na Deisy (Ingrid Trigueiro), que dá um tiro de escopeta ao melhor estilo Chigurh (Javier Barden) no faroeste americano Onde os fracos não têm vez (2007)." - Xico Sá (4)
(1) Wiki/Batalha de Tejucupapo
(2) Uol/A Batalha de Tejucopapo
(3) mapio.net/pic/p-62737675 (imagem)
(4) Esta terra vai tornar-se uma imensa Bacurau, EL PAÍS Brasil
PS. As duas grafias (Tejucopapo e Tejucupapo) aparecem indistintamente nas várias fontes consultadas.