O ÉTIMO DE "BIZU" É ÓTIMO

Antes de contar duas histórias sobre bizus (publicadas no Blog de Marcelo Gurgel), o médico e escritor Dalgimar Menezes fez saber das dúvidas que tinha sobre a etimologia do vocábulo bizu. Com as seguintes palavras:
"Até hoje não sei a origem da palavra bizu. Sei que tem um fonema 'z' tão forte e óbvio que só pode ser escrito com 'z'. Mas, claro poderia ser escrito com 's'. E que é uma palavra discreta, sutil, segredeira. Vários dicionários consultados não a registram. Não está no Aurélio nem no Houaiss. E eu me pergunto: onde andaria? Os estudantes também se perguntam, às vésperas de cada prova: onde andaria?
Houve quem me dissesse que é termo onomatopaico, que quereria significar os sonidos do voo de um besouro. O som que traz uma notícia alvissareira. Não fiquei satisfeito. Andei em busca do étimo em outros dicionários, com baldados esforços. A única palavra que encontrei símile foi a que designa calouro em francês: bizut ou bizuth, que, a propósito dá origem também ao termo francês para trote.
Conhecida ou desconhecida a sua origem, o bizu corre, o bizu escorre, o bizu flui. Mais filosoficamente, o bizu permeia, o bizu pervaga. Pervaga o cérebro dos estudantes. Permeia o curso médico.
Trocando em miúdos, todavia, bizu (bisu?) é a dica, é a deixa que o professor deixou propositada ou involuntariamente escapar sobre a questão que vai cair na prova. Mas não é só isso. O termo tem seus mistérios."
Mestre Dalgimar,
Esse étimo que relaciona o "bizu" ao sonido de um bezouro achei ótimo. Num átimo, lembrei-me de que, ao escrever "O bizu do Sarja", eu dei acolhida a uma certa especulação sobre o assunto. Aqui segue a dita:
Étienne Bézout (Nemours, 31 de março de 1730 — Avon, 27 de setembro de 1783) foi um matemático francês. Em 1758 Bézout foi eleito adjunto em mecânica da Académie des Sciences. Dentre diversos outros trabalhos, escreveu "Théorie générale des équations algébriques", publicado em Paris, em 1779. Seu livro didático se tornou referência a ponto de os professores da época usarem a expressão "vou dar explicação como o Bézout". A expressão foi transformada, aos poucos, em "vou dar o Bézout". Especialmente em escolas militares (Bezout era também o autor de "Cours de mathématiques à l'usage des Gardes du Pavillon et de la Marine", uma obra de quatro volumes que apareceu em 1764-67), onde logo se tornou comum usar o termo "bizu".
Quando a Família Real veio para o Brasil, trouxe, em sua comitiva, diversos professores de Coimbra. Esses docentes foram colocados na Real Academia Militar.
As aulas de Matemática eram o terror dos alunos, até descobrirem que os mestres usavam, como base das aulas e provas, um livro de um autor francês chamado Etienne Bezout.
Assim, corria pelos alunos a informação de que ter o livro do Bezout era fundamental para ter sucesso na matéria. Ter o Bezout era o diferencial e todos queriam o Bezout, que passava de mão em mão.
Essa é a origem (provável) do termo "bizu". 
Paulo Gurgel

BIBLIOTECA DA FMUFC

Os livros-texto indispensáveis à nossa graduação médica não cabiam no orçamento de uma parte dos alunos, então comprávamos os livros menos dispendiosos, e olhem lá. Foram exceções alguns títulos russos que, por algum tempo, apareceram à venda na Faculdade de Medicina. Traduzidos para o espanhol, podiam ser lidos pelos interessados (e não somente pelo Carlos Maurício, que fazia traduções do russo para o Instituto de Biologia Marinha). De tão baratos, comprei alguns deles para ler nas férias em Senador Pompeu.
Como os livros indicados por nossos mestres eram quase sempre muito volumosos, os apelidávamos de "tijolões" (os livros, bem entendido).
Quem não podia comprá-los, recorria à "carteira de empréstimos" da Biblioteca da FMUFC, à época dirigida pela saudosa Professora Cleide Ancilon de Alencar Pereira (falecida em 24/04/2018).

Entrada da Biblioteca da Faculdade de Medicina (1970). Acervo fotográfico do Memorial da UFC

Para os livros mais procurados, existia inclusive uma fila de espera. E, quando só restava um ou poucos exemplares de um determinado título nas prateleiras da Biblioteca, praticava-se então o "overnight". Explico: o aluno tomava aquele livro de empréstimo por uma noite, com o compromisso de devolvê-lo na manhã do dia seguinte.
E, por ocasião das matrículas, tínhamos que provar que estávamos quites com a Biblioteca. Sob pena de sofrermos multas pela negligência.
Da inesquecível Prof.ª Cleide Ancilon (que esteve à frente da Biblioteca da Faculdade de Medicina / Centro de Ciências da Saúde, de 1957 a 1983), aqui transcrevo o seu relato para a publicação de "70 anos da Biblioteca de Ciências da Saúde da UFC":
"O problema de atraso na devolução dos livros, sobretudo os livros-texto, os mais demandados, era constante e difícil de evitar. Foram feitas diversas tentativas, desde conscientizar os alunos de sua responsabilidade para com os colegas, até suspensão do empréstimo pelo dobro do atraso, medida antipática, prejudicial e também ineficaz, vez que os atrasados sempre conseguiam colegas que tiravam os livros em seus nomes. Sendo tudo em vão, tivemos que implantar a multa, cobrando certa importância por dia de atraso. Foi baixada uma Portaria pelo Diretor da Faculdade (Dr. Waldemar Alcântara) neste sentido, ficando outrossim determinado que o dinheiro proveniente da multa seria investido na compra de livros-texto, a serem sugeridos pelos próprios alunos, no ato de pagamento da multa. Foi a maneira encontrada para que a multa fosse aceita, como, de fato, foi e funcionou bem.
Os alunos sugeriam livros, e a Biblioteca comprava os mais solicitados. Um carimbo era posto na página de rosto do livro: “livro adquirido com dinheiro proveniente de multa”, com a data de compra, livraria e preço. Era feito um balanço todos os meses, sendo uma via afixada no flanelógrafo e outra via arquivada. Foi tudo muito bem, até que, um belo dia, após mudança na Administração Superior, fui convocada pelo novo Pró-Reitor de Planejamento sob ameaça de processo administrativo, porque todo o dinheiro arrecadado deveria ser recolhido aos cofres da Reitoria. Confesso que desconhecia a Lei, portanto a ilegalidade do meu procedimento fazia de mim uma ré confessa, com todas as provas contra mim; carimbo nos livros e balanço, tendo como defesa a Portaria do Diretor. Daí em diante, até hoje, o dinheiro da multa é recolhido aos cofres da UFC, o que é pena."
https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/57890/1/2019_liv_agmoreira.pdf

Salão de leitura da biblioteca da Faculdade de Medicina da UFC (1970). Acervo fotográfico do Memorial da UFC

Outro recurso largamente usado pelos alunos era o de copiar as aulas em borrões. Para dar mais agilidade ao ato de anotar, devo confessar que desenvolvi uma taquigrafia particular em que o "i" se restringia ao próprio ponto e os advérbios em "mente" eram escritos assim: "m—".
Quem possuía um gravador de voz, utilizava-se da ferramenta nas palestras mais importantes. E depois se reunia com o os colegas do grupo de estudos para que ouvissem as gravações realizadas. Por vezes, o dono do gravador datilografava as aulas e distribuía as cópias com os colegas.
Louvo aqui o Dr. Aluísio Pinheiro que, além das boas aulas de Psicologia que nos ministrava, disponibilizou as apostilas em que podíamos rever o assunto.

WALDEMAR RESSURREIÇÃO (1914 - 1980)

Conterrâneo do compositor e multi-instrumentista José Menezes, Waldemar Ressurreição nasceu na região do Cariri (Jardim), no Ceará. Com 13 anos seguiu com os pais para a cidade baiana de Ilhéus. Por essa época ganhou de presente um cavaquinho, e, logo que aprendeu a tocar um pouco, começou a compor. Em 1932, mudou-se para o Rio de Janeiro.
Em 1944, criou o grande sucesso carnavalesco "Que Rei sou eu?", em parceria com Herivelto Martins, um samba que foi gravado por Francisco Alves na Odeon. Esse samba fazia alusão ao rei CaroI II da Romênia, que abdicou do trono por causa da pressão sobre seu reino pelos nazistas. Refugiando-se no Rio de Janeiro com Madame Lupescu, hospedou-se no Copacabana Palace como uma pessoa comum, sem nenhuma realeza ostensiva, o que intrigava o carioca: afinal, que rei era aquele?
Foi o que inspirou a criação deste samba, gravado por Chico Alves na Odeon, que foi um grande sucesso no carnaval de 1945.
"Que rei sou eu? / Sem reinado e sem coroa / Sem castelo e sem rainha / Afinal que rei sou eu?"
Ainda em 1945, Waldemar compôs com Herivelto o samba "Rei sem coroa", uma espécie de prolongamento do samba "Que Rei sou eu?", o qual foi também gravado por Francisco Alves na Odeon.
"Que rei sou eu? / Que vive assim à toa / Sem reinado e sem coroa / Sem castelo e sem ninguém?"
"Que Rei sou eu?" e "Rei sem coroa" estão disponíveis no canal do Luciano Hortencio no YouTube, neste pseudovídeo:


Em 1998, "Rei sem coroa" constou do show de João Gilberto no Teatro do Sesc Vila Mariana. Com a recente edição do álbum "Relicário" pelo @selosec, o aúdio pode ser apreciado aqui (LINK). É a faixa 14.

GENEALOGIA E PATRONÍMICO CONJUGAL

Pelas regras internacionais das boas práticas em Genealogia, ao menos no Ocidente, as mulheres devem ser apontadas por seus nomes completos de solteiras.
Em Portugal e no Brasil, os "nomes de casadas" só começaram a aparecer depois da segunda metade do século XIX. Portanto, o patronímico conjugal ("nome de casada") trata-se de um fenômeno recente. Foi praticamente introduzido pelo código napoleônico e, por essa influência, estendeu-se aos países ocidentais.
Usar o nome de solteira nas árvores genealógicas apresenta as seguintes vantagens:
  • Impede que sejam perdidos os ramos matrilineares dessas árvores.
  • Conecta as mulheres às suas famílias de nascimento.
  • Ao gravar o nome pré-matrimonial, mantém-se a consistência da árvore familiar a que ela pertence.
  • Essa orientação é válida especialmente nas plataformas de Genealogia, como Family Search, My Heritage, GenPro, Geni e outras.
Assim, se não souber o nome de solteira de uma mulher, deixe o sobrenome em branco. Escreva o seu nome de casada apenas em campo próprio (quando houver).
O nome de solteira sempre! 

POSSE DE J.B. SERRA E GURGEL NA ACLJ

O Prof. J.B. Serra e Gurgel informa e convida para a sua posse como membro titular da cadeira n.º 23 da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ), a qual tem como patrono Dorian Sampaio.
Dia: 4 de maio de 2023, a partir de 19h
Local: Palacio da Luz, Rua do Rosário (Praça dos Leões), no centro de Fortaleza
Traje: esporte fino (para convidados); passeio completo com pelerine (para acadêmicos)
Confirmar presença pelo WhatsApp 9 9712 1262
Minibio
João Bosco Serra e Gurgel nasceu em Acopiara, Ceará, de onde saiu aos 10 anos para estudar no Crato e, depois, aos 17, para estudar em. Fortaleza. Aos 17, começou a trabalhar na Gazeta de Notícias, com Dorian Sampaio, Tarcísio Holanda e Juarez Barroso e, aos 19, no jornal O Estado e na rádio Dragão do Mar.
Aos 20, estava no Rio de Janeiro. Levado por Tarcísio Holanda, entrou para o Última Hora. Depois, trabalhou na sucursal do Diário de São Paulo e na Editora Top, como repórter da coluna de Ibrahim Sued, em O Globo.
Aos 25, graduou-se em Ciências Sociais, com habilitação em Sociologia e Antropologia, pelo Instituto se Ciências Sociais da Universidade do Brasil, hoje UFRJ.
Através de Ibrahim Sued, chegou à Cia de Turismo do Estado do RJ, a Flumitur, onde foi diretor, e depois ao Ministério da Fazenda e à Embratur. Desta última, foi para o Instituto Brasileiro do Café, o IBC, e depois para o Instituto Nacional da Previdência Social.
Em 1974, fez concurso para o INPS, ingressando no Serviço Público Federal.
Aos 36, ingressou como professor de Relações Públicas e de Publicidade e Propaganda da Universidade de Brasília.
Foi colunista do Jornal de Brasília, do Jornal do Comércio do RJ, de A Crítica, de Manaus, e diretor da sucursal de O Fluminense, de Niterói, em Brasília.
Produziu e publicou mais de duas centenas de publicações nos Ministérios por onde passou e na Presidência da República.
Tem os seguintes livros publicados (entre muitos outros):
  • Cronologia da Evolução Histórica das Relações Públicas
  • Dicionário de Gíria (em sua 9.ª edição)
  • Livro Negro da Previdência Social
  • Livro Evolução da Previdência Social
  • Nas Terras do Senhor Meu Pai
  • Nas Terras do Senhor Meu Rei (volumes I e II)
Em Brasília, participa como voluntário da Casa do Ceará, sendo responsável pelo jornal Ceará em Brasília. 
É membro da Associação Brasileira de Imprensa e também organiza o banco de dados da família Gurgel do Amaral Valente, de Acopiara.
Mantém na web os sites www.dicionariodegiria.com.br, www.cruiser.com.br e www.familiagurgeldeacopiara.com.br 

BARRACA KABULETÊ

A partir da década de 1970, restaurantes com o nome (parcial ou completo) do título desta canção de Toquinho e Vinicius foram abertos no Brasil. Como o "Kabuletê", na Praia do Futuro, em Fortaleza, a "Pizzaria Tonga da Mironga do Kabulete", em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, e o "Tonga da Mironga do Kabuletê", em Boa Vista, Roraima.
Em "Passado, presente e futuro de uma praia" (publicado em "O Povo", de 20/03/2017), Adriano Nogueira escreveu:
Com a metropolização e a consequente expansão da Loura (Desposada do Sol, a cidade de Fortaleza, no dizer de Paula Ney) nos anos de 1970, a vocação turística da cidade insinuou-se como o nicho possível para sua inserção no mercado das oportunidades de desenvolvimento. Estendeu-se a Avenida Santos Dumont até o seu encontro com a Dioguinho, criando-se a Praça 31 de Março (hoje mais bem denominada de Praça da Paz D. Helder Câmara). Surgiram botequins e boates praianos famosos como o Carnaubinha, o Kabuletê (que deu lugar ao Rebu), o Playboy e a Tatarana. E clubes de segmentos profissionais como o do Médico (o dos Magistrados, o dos Oficiais da Polícia e o de Engenharia) também foram sendo criados. As barracas pioneiras, frágeis e de singelo projeto, começaram a dar o ar da graça na parte velha do bairro. O ir e vir de norte a sul ainda era complicado, pois não havia urbanização. As praias do Meireles passaram a ser trocadas paulatinamente pela PF (Praia do Futuro), como passou a ser chamada.
Os grifos são nossos.
https://www.opovo.com.br/jornal/colunas/romeuduarte/2017/03/passado-presente-e-futuro-de-uma-praia.html
Leitura recomendada:
https://docplayer.com.br/66439638-Tempos-e-espacos-da-praia-do-futuro.html

CANINHA SERESTEIRA

No site Brasil cult, em sua página dedicada à cachaça, encontro esta quadrinha com versos de pé quebrado:
Ó lua cheia,
Cheia de graça,
E o meu bucho
Está repleto de cachaça.
De época e autor desconhecidos, como todas as demais quadrinhas que o Brasil cult selecionou no livro "Traçado Geral das Batidas", de Roberto Costa.

Ora, quem acompanhou o violão seresteiro de Claudio Costa (sem parentesco conhecido com o escritor de igual sobrenome), sabe que esses versos não acabam assim. 
Não representam uma quadrinha. 
Aliás, fazem parte da letra de uma canção até hoje grudada em minha mente: 
Ó lua cheia,
Cheia de graça,
E o meu bucho
Está repleto de cachaça.
Apague a luz
Que ninguém viu
Eu estou doido, estou doidinho
Estou seco pra beber
Um garrafão não satisfaz
Eu não encontro amigos desleais
Um vagabundo que está
No botequim para cair
Ele promete não beber de hoje pra trás.
Ó flor!

CANÇÕES, PARÓDIAS E VIRUNDUNS

Canções
A música tinha um papel relevante nas atividades recreativas da Turma de Médicos de 71 da UFC. Tanto em nossos passeios, piqueniques e tertúlias, quanto na grande excursão que fizemos pelo Brasil, Uruguai e Argentina, no verão de 1970.
Tínhamos, por assim dizer, a nossa trilha musical, da qual constavam canções da Época de Ouro da música brasileira (Noel, Pixinguinha, Ary), sambas-canções (Ataulfo, Lupiscínio, Dolores, Maysa) e boleros (Evaldo e Jair), guarânias (Vieira, Taiguara), ritmos nordestinos (Gonzaga, Jackson), marchinhas de carnaval (Lamartine, Braguinha), bossa nova (Tom, Vinicius, João, Menescal e Bôscoli, Toquinho, Lyra e os irmãos Valle), músicas da jovem guarda (Roberto e Erasmo), do rock patropi (Seixas, Rita), músicas de festivais (Chico, Edu, Vandré, Milton), da tropicália (Gil, Caetano, Gal e Betânia), do Pessoal do Ceará (Fagner, Ednardo e Belchior), e da emergente MPB.
Que alternávamos com os hits que chegavam do exterior: músicas inglesas (Beatles, Rolling Stones), estadunidenses (Sinatra, Ray, Elvis, Dilan), latino-americanas (Trini Lopez, Bienvenido, Mercedes), francesas (Aznavour, Piaf), portuguesas (Amália) e italianas (Pavone, Endrigo, di Capri, Ornella). 
Sim, contávamos também com as apresentações do colega ítalo-brasileiro, Roberto Misici, um profundo conhecedor  de óperas e que fazia incursões no bel canto com sua maviosa voz de barítono.
E... na hora que nos víamos no ônibus fretado, de volta para casa? Certamente, estaríamos todos entoando a clássica "Está chegando a hora". Uma adaptação para o samba da valsa "Cielito Lindo", de A.Sedos e F. Tudela.

Quem parte leva saudades de alguém
Que fica chorando de dor
Por isso eu não quero lembrar
Quando partiu meu grande amor.
Ai, ai, ai ai, ai ai ai
Está chegando a hora
O dia já vem raiando, meu bem
Eu tenho que ir embora.


"Cielito Lindo", para quem não sabe, é mexicana. E o tema da letra original é bem diferente.
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Paródias
Entre os recursos da intertextualidade estão as paródias. Nestas, há sempre uma melodia feita anteriormente, cuja letra é modificada a fim de produzir humor, uma vez que o objetivo da paródia é divertir.
Lei 9610 de 19/02/1998 - Art. 47. São livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito.
Assim é que circulavam entre nós as recriações com efeito humorístico de algumas canções. Dentre as mais lembráveis, as paródias de "Máscara Negra" (de Zé Kéti e Pereira Matos, gravada pelo próprio Zé Kéti e depois por Dalva de Oliveira), sem título certo ao ser recriada, e de "O Trovador" (de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, sucesso na voz de Altemar Dutra), que foi convertida para "O Trocador".

Quantos tiras!
Oh, quantos gorilas!
Mais de mil milicos em ação!
Estudante está apanhando pelas ruas da cidade
Gritando por liberdade.

[...]
Vou gritar, agora!
Não me leve a mal
Fora o Marechal!(bis)


O Marechal era Castello Branco.

Sonhei que um dia eu era um trocador
Dos velhos bondes que não voltam mais.
Passava assim a toda hora:
– Olha a ficha, senhor.
– Olha a ficha senhora.
Tinha uma mocinha que sentava atrás,
Não pagava porque a brecha era demais.

Nos anos 1960, também surgiu a paródia de um samba de Ataulfo Alves. Assim que circulou um boato (falso como quase todos) da prática de necrofilia por uma conhecida pessoa da sociedade cearense. Nos versos seguintes, reconhece-se facilmente onde foram buscar (ô raça) a fonte inspiradora:

Quando morrer
Me enterrem nu'a cova bem funda
Que é pro (a gente fazia um "L")
Não mexer na minha bunda.

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Virunduns
Além dessas, havia a "Lorota Boa" (de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), que alguém puxava o verso para a turma toda arrematar: "Que mentira / Que lorota boa / Que mentira / Que lorota boa"; as fesceninas: "Abra os olhos e sinta / um metro e trinta"; e os virunduns: "Telma, eu não sou gay" (uma pseudotradução de "Tell me once again") e o"Tá com pulga na cueca / já vi, vou catar", inspirado no "Pata Pata" de Miriam Makeba.
E, não sendo paródia nem virundum, mas apenas uma canção de domínio público, a "Maria Chiquinha": "Que 'ocê foi fazer no mato, Maria Chiquinha?"

ELDA: UM ANO DE SAUDADES

Por Magna Gurgel, em nome do clã Gurgel Carlos

Todo dia sentimos tua falta, seja numa frase, num gesto, num canto de mesa.
Ufa! Quanta saudade!
Querida Eldinha, sabemos que estás no Céu, pois como cristãos entendemos e acreditamos na ressurreição em Cristo. Há um ano, em 9/04/2022, a senhora partiu para o plano divino, mas nossa certeza de que estás com o Pai Eterno vem também da vida terrena que tiveste, considerando que te conduziste no caminho da bondade, do amor ao próximo e dos serviços aos entes queridos e, principalmente, a Deus.
Tua convivência conosco foi marcada pelo exemplo da retidão e do espírito de abnegação, de doação.
Cabe destacar que nos surpreendia sempre com tua atitude sábia e um exemplo "franciscano" de viver, demonstrando desprendimento das coisas materiais e ainda a importância da união familiar e dos valores éticos, morais e espirituais.
Eldinha, não temos palavras suficientes para expressar a grandeza da tua vida e da enorme satisfação em sermos teus filhos.
Por fim, reafirmamos o sentimento de que o teu amor por nós, teus filhos, continua presente no cuidado, no olhar afetuoso, no zelo maternal, só que agora vem de outro plano.
Obrigado por tudo, querida mamãe, estamos tentando seguir teus ensinamentos, conscientes do grande legado recebido por nós.
Paz e bem!
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Ontem (10/04/2023), após longo período de sofrimentos impostos por uma enfermidade neurológica (ELA) e suas intercorrências, faleceu minha prima Tânia Maria Gurgel Coelho. Nascida em 1960, era filha de meus tios Edmar e Marta e deixou um filho, Renato. O velório e a missa de corpo presente aconteceram na Funerária Paz Eterna. (PGCS)

CHEGOU, CHEGOU

O chegadinho chegou
Este, que é um doce típico da culinária brasileira, especialmente na Região Nordeste do Brasil, chegou também ao "Linha do Tempo".
Em outros pontos do Nordeste, o doce é também conhecido por chegadinha, chegadim, cavaco chinês, cavaco, cavaquinho ou taboca; no Norte, por cascalho; em São Paulo e proximidades, por beiju (diferente do "biju", feito de tapioca); e, no Sul, por casquinha (por assemelhar a uma casquinha de sorvete).
Seus ingredientes básicos são farinha de trigo, goma (polvilho), açúcar e água. Pronta a massa, esta é finalmente assada em chapas quentes.
Suas porções são comercializadas por vendedores ambulantes que os levam em tambores metálicos, presos às costas por uma correia apoiada em um dos ombros. Percorrendo as ruas e praças da cidade, eles vão percutindo um triângulo (desses que são usados em trios de forró) por que precisam chamar a atenção dos potenciais fregueses.
Por vezes, o triângulo é substituído por uma matraca.
Notícia de jornal
"O humorista Renato Aragão foi hóspede, ao lado de sua mulher Lilian, do Hotel Caesar Park durante o feriadão. Ocasião em que foi autor de gesto surpreendente. Da sacada do hotel ouviu o barulho de um triângulo. Era um garoto vendendo o conhecido 'chegadinho'. Renato não se conteve, desceu do apartamento e comprou todo o estoque. 'Assim posso matar a saudade da minha infância', disse." (O Povo, 18/11/1993)
Dissertação e monografia:
ARAGÃO, Thaís Amorim. DOCE SOM URBANO: o triângulo e a territorializações dos vendedores de chegadinho em Fortaleza (dissertação), 190p. Faculdade de Arquitetura da UFRGS, Porto Alegre, 2012.
ARAGÃO, Thaís Amorim. Como vendedores de chegadinho usam o som em seu percurso urbano, (monografia), 15p. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011

CORRESPONDÊNCIA COM CONRADO

Postagem iniciadora da troca de mensagens:
http://blogdopg.blogspot.com/2013/05/os-girassois-de-van-gogh.html

Olá, Paulo, boa tarde, tudo bem?
Li no seu blog "EntreMentes", ao qual cheguei através do portal do querido Luis Nassif, o artigo sobre os girassóis de Van Gogh e a pesquisa genética que motivaram e achei muito interessante.
Por acaso vi uma espécie de "charge" com o tema, não é bem uma "piada", é mais uma ideia nonsense que achei simpática e achei que o Sr. gostaria de ver.
Mando a imagem.
Outrossim, gostaria de saber se o Sr. tem contato com os Gurgel de São Paulo. Sou músico e há muitos anos toco junto com a pianista Débora Gurgel, esposa do engenheiro Carlos Gurgel (ela é engenheira também, além de musicista). Conheço o Carlos Gurgel há mais de 30 anos, não lembro exatamente o grau de parentesco, mas sei que ele é parente do lendário Conrado Gurgel, meu xará.
Obrigado pela atenção.
Um abraço,
Conrado Paulino, por e-mail

Olá, Conrado, tudo bem!
Inicialmente, sua mensagem me fez lembrar de certo detalhe. Eu ando há algum tempo afastado do Portal do Luís Nassif. Isso não é coisa que eu faça, sô. Vou ver então se o editor ainda me aceita.
O cartum foi simpático, assim como a ideia de me enviar (resisti ao "mo enviar"). 
Pesquisando no Google, descobri que o autor é Angel Boligan, um cartunista cubano. Nele há Van Gogh em profusão: nos quadros do suposto museu (um autorretrato do pintor e uma natureza-morta), além do ramalhete de girassóis com que um galanteador pretende surpreender uma senhorita.
Agora, sobre a família. Os Gurgel em São Paulo com quem tenho contato moram todos em Campinas. São uma irmã (que atende pelo inabitual nome de ******), uma sobrinha e dois sobrinhos-netos.
Quanto a Conrado Gurgel, o engenheiro realmente faz jus ao conceito de lendário pela "muitonacional" que ele criou e administrou, a Gurgel Motores S/A (1969-1994).
Com minha muita consideração,
Paulo Gurgel

CEARÁ E AMAZONAS, PROVÍNCIAS PIONEIRAS NA LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS

O dia 25 de março é considerado a Data Magna do Ceará porque marca a data da abolição da escravidão no Estado, em 1884. É feriado estadual.
Em 30 de agosto 1881, um grupo de jangadeiros responsáveis pelo embarque de mercadorias no porto da capital da província do Ceará entrava em greve.Liderados por José Luís Napoleão, um escravo liberto que comprara a própria liberdade – e a de quatro irmãs – com suas economias, e por Francisco José Nascimento, filho de pescadores da cidade de Aracati, eles se recusavam a transportar os negros escravizados que seriam levados dali para outras províncias.
Em 1883, os "catraieiros" do Amazonas, que desempenhavam a mesma função dos jangadeiros cearenses – ligavando o cais do porto aos navios com suas pequenas embarcações – também entraram em greve e se negaram a transportar os negros escravizados que seriam enviados do Norte a outras regiões do país.
No ano seguinte, as duas províncias aboliram a escravidão – quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.
Esse pioneirismo foi resultado de uma conjunção de fatores, que vão do papel secundário dos escravizados na economia local ao ativismo dos abolicionistas.
A articulação com o movimento nacional, capitaneado por figuras como José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e André Rebouças, foi um fator determinante. E o baiano Manuel Sátiro de Oliveira Dias, então presidente do Ceará, em 25 de março de 1884, assinou a abolição nesta província.
Havia até uma expectativa nacional pela promulgação no Ceará. Meses antes, na Gazeta de Notícias, José do Patrocínio inaugurou uma coluna semanal com uma "contagem regressiva" que enumerava as cidades cearenses em que a abolição já havia sido decretada.
A primeira foi Acarape, atual Redenção.
No Amazonas, o presidente da província, Theodoreto Souto – que era cearense -, promulgou a abolição em 24 de maio, quando foram libertos os últimos escravos da província.
"Abolição dos escravos no Ceará", tela do artista plástico cearense Raimundo Cela (1890-1945)
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MUSICOGRAFIA DE LUIZ SÉRGIO BEZERRA

Luiz Sérgio Bezerra de Morais (30/04/1955 - 10/10/1991) foi um dos grandes compositores de nossa terra. Israel Batista, que o conheceu bem, estima que ele tenha criado cerca de 60 canções. Pena que os limites de uma vida tão curta não tenham permitido que ele produzisse uma obra maior.
Nascido em Várzea Alegre, no Ceará, ele tinha os apelidos de "Pato Rouco" (devido ao timbre de sua voz) e "Serginho Piau" (nome retirado de uma espécie de peixe comum no Riacho do Machado). Era também um bom violonista, sendo antológica a interpretação que ele fazia de "Quando o Carnaval Chegar", do seu ídolo Chico.
No "III Festival Credimus da Canção", realizado em Fortaleza (1980), ele classificou três canções: "Rio Coração", "Noite Feliz" e "Flor da Idade" (que obteve o segundo lugar). E, no programa da televisão de Rolando Boldrin,  arrancou efusivos aplausos da plateia com a apresentação de seu xote "Saúde de Ferro".
Em 1983, Luiz Sérgio e o compositor Maurício Tapajós (créditos da foto: Blog do Israel Batista) apresentaram-se no Theatro José de Alencar. O show contou com a participação de Jorge Helder e Claudio Costa.
Segue-se um esboço muito restrito de sua musicografia, na esperança de que leitores contribuam com mais informações. 
MUSICOGRAFIA, com o significado de coleção da obra musical de um artista.
(em ordem alfabética)
Baião de Cem (LS Bezerra) c/ Rogério Franco (voz)
https://youtu.be/_rTpO3gKenA (pseudovídeo)
Boas Vindas (LS Bezerra e Nonato Luiz) c/ Rogério Franco (voz) e Nonato Luiz (violão)
https://youtu.be/F_AQxcN8e8o (vídeo)
Caminho do Sol (LS Bezerra e Amaro Penna, o Peninha) c/ Amelinha (voz), a canção que deu título ao LP de Amelinha (de 1985)
https://youtu.be/wvdrHdnj5fI (pseudovídeo)
Palavras Iguais bolero (LS Bezerra e Peninha)
Flor da Idade (LS Bezerra) c/ Rogério Franco (voz) e Nonato Luiz (violão), apresentada no III Festival Credimus
https://youtu.be/-eqG-l82Q8o (vídeo)
Noite Feliz samba de breque, apresentada no III Festival Credimus
https://docs.google.com/document/d/1QI0jr3l_ZTRLp6ERH9vHYsT4PsLKaYC6/edit?usp=sharing&ouid=117588042564800188312&rtpof=true&sd=true (letra)
Rio Coração (LS Bezerra), apresentada no III Festival Credimus; a canção que deu título ao LP de Terezinha de Jesus (de 1981, com arranjos de Sivuca); é a mais bela das canções de LS, dentre as que eu conheço. 
https://youtu.be/-Csu2jAYGts (pseudovídeo)
Samba pra Esbanjar (Raimundo Cassundé e LS Bezerra)
Saúde de Ferro (LS Bezerra) c/ Rogério Franco
https://youtu.be/3MBlarkCdY8
https://youtu.be/_fCW1ci89_k
Sonho Bom (LS Bezerra)
Valsinha para Célia (LS Bezerra e Paulo Viana), apresentada no Festival Universitário (1978); LS Bezerra compôs também com o conterrâneo Raimundo Cassundé a trilha sonora de "O robô que queria ser gente", uma peça infantil de Paulo Viana
Viajar(LS Bezerra), canção e título de CD póstumo (2018)
WEBGRAFIA
http://radionos.com.br/site/blog/compositor-talhado-em-festivais-luiz-sergio/
http://varzeaalegrecoisanossa.blogspot.com/2019/04/64-anos-se-serginho-piau-festa-no-ceu.html
http://blogdoisraelbatista.blogspot.com/2010/02/biografia-sergio-piau-luis-sergio.html
http://blogdoisraelbatista.blogspot.com/2011/10/sonho-bom.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/03/luiz-sergio-bezerra-de-morais.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/05/festival-credimus-da-cancao-1980.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/05/amaro-penna-peninha.html

BRASIL, DE NORTE A SUL

Vi esta cena num supermercado atacadista de Fortaleza.
Veja você também: aí existe um conjunto de caramanchões, em meio a um jardim bem cuidado, nos quais os funcionários da empresa descansam em seus intervalos de trabalho.
Enquanto isso, em certas vinícolas gaúchas...


SEPTUAGINTA

O livro Um septuagenário sob distintas ópticas trata-se da edição comemorativa dos 70 anos de vida e dos 45 anos de atuação no magistério e na medicina de Marcelo Gurgel Carlos da Silva. Organizado e apresentado pelo autor (também homenageado) Marcelo Gurgel, o livro tem o prefácio de Francisco de Assis Camelo Parente, capa do cirurgião e artista plástico Isaac Furtado (imagem), projeto e editoração de Alexssandro Lima, revisão de Angelita Aníbal e ilustrações de Jesper Sampaio.
Data de lançamento: 11/03/2023.
No prefácio da obra, o psicólogo Camelo Parente arremata:
"Os conhecimentos técnicos e científicos que Marcelo conquistou ao longo de sua vida se aliam com seus atributos pessoais como empatia, aceitação do outro do jeito que é e, acima de tudo, um elevado grau de congruência e autenticidade fazem de Marcelo um profisssional completo, um ser humano vitorioso." 

O livro é composto de seis partes:

I - HOMENAGENS IN PECTORE
II - PERFIS INSTITUCIONAIS
III - VERBETES E MINIBIOGRAFIAS
IV - SAUDAÇÕES INSTITUCIONAIS
V - UMA SEPTUAGINTA AO SEPTUAGENÁRIO
VI - ANEXOS / APÊNDICES

Uma palavra final sobre a septuaginta ao septuagenário: para dar as mensagens fraternas ao Marcelo  aqui acorreram membros do clã Gurgel Carlos, amigos de longas datas, irmãos de fé religiosa, colegas da Turma Dr. José Carlos Ribeiro, amigos do Instituto do Câncer do Ceará, docentes da Universidade Estadual do Ceará, confrades da Academia Cearense de Medicina, amigos médicos escritores e membros da Academia Cearense de Letras e do Instituto Histórico do Ceará, totalizando 66 colaboradores. Algo na grandeza numérica da original septuaginta, a designação que se deu à primeira tradução do Antigo Testamento do hebraico para o grego, tida como realizada por 70 tradutores.

SETENT'ANOS DE MARCELO GURGEL

CONVITE

Os familiares, amigos e colegas de Marcelo Gurgel Carlos da Silva convidam para as comemorações do seu septuagenário, marcadas para às 8h30 do dia 11 de março de 2023 (sábado), na Capela do Colégio Santo Inácio, situada na Av. Desembargador Moreira, Nº 2.355 (em frente à Praça da Imprensa), no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza, com missa gratulatória, seguida do lançamento do livro "Um septuagenário sob distintas ópticas", organizado por Marcelo Gurgel, após o que será servido um "brunch" aos convidados.
Não há intenção do aniversariante de receber presentes. Ser-lhe-ia mais gratificante se eles fossem convertidos em donativos (dinheiro em espécie ou transferência bancária ou por PIX), a fim de colaborar com a construção da Igreja de São Francisco de Assis, em Jacarecanga, em Fortaleza-CE, obra retomada depois de décadas de paralisação, ora em fase de acabamento.
1) PIX: 07.210.925.0005-30 (CNPJ: da Mitra Arquidiocesana de Fortaleza) ou
2) Transferência Bancária: Banco do Brasil Ag. 2925-4 c/c 26590-X ou Bradesco Ag. 0452-9 c/c 117310-3.
R.S.V.P.: Confirmar com Marcelo Gurgel (Fone: 99986-8566).

DE SANATÓRIO A HOSPITAL DE MESSEJANA DR. CARLOS ALBERTO STUDART GOMES. CRONOLOGIA

Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva
(médico pneumologista do HM, no período de 1977 a 2007)
Fundado em 1.º de maio de 1933 como um sanatório, o Hospital de Messejana é um equipamento voltado atualmente para a assistência de alta complexidade, o ensino, a pesquisa e a inovação, sendo especializado no diagnóstico e no tratamento de doenças cardiovasculares e toracopulmonares. A estrutura acolhe pacientes dos 184 municípios cearenses e de outras regiões do Brasil, tanto na Emergência como em suas Unidades de Internação com 463 leitos (sendo 70 deles de Terapia Intensiva) e nos 25 ambulatórios do Serviço de Pacientes Externos.
1929 - Início das obras de construção do Sanatório de Messejana.
1933 - Inauguração em 1.º de maio do Sanatório, com 20 leitos para pacientes tuberculosos. Proprietários: Drs. João Octávio Lôbo, Lineu de Queiroz Jucá e Pedro Augusto Sampaio.
1940 - Aquisição do Sanatório pelo Instituto de Previdência do Estado do Ceará (IPEC), então presidido pelo Dr. Plácido Aderaldo Castelo.
1944 - Assume a direção do Sanatório o médico tisiologista Dr. Carlos Alberto Studart Gomes.
1948 - Aquisição do Sanatório pelo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários (IAPB).
1965 - Criação do Centro de Estudos Manuel de Abreu.
1968 - Duas unidades de internação do Sanatório são transformadas em enfermarias cardiológicas.
1970 - Estruturado o Serviço de Cardiologia. Em agosto, é realizada uma cirurgia cardiovascular com circulação extracorpórea (CEC), a primeira do gênero no Hospital Sanatório. A equipe que operou o caso foi composta pelos cirurgiões Drs. Maurício Mota, Régis Jucá, César Gondim e João Petrola, tendo como anestesiologista o Dr. Onofre Sampaio.
1972 - Mudança do nome Hospital Sanatório para Hospital de Messejana (HM).
1972 - Criação da Residência Médica do HM.
1978 - Criação da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), a exemplo do que estava começando a ocorrer em alguns outros hospitais do País. Membros da Comissão: Dr. Eduilton Girão e Dra. Rosélia Cavalcante.
1983 - Término do período em que o Hospital foi dirigido pelo Dr. Carlos Studart.
1996 - Inaugurada a UTI Mário Rigatto, a 1.ª UTI respiratória do Norte-Nordeste do país. Diretor do HM: Dr. Frederico Augusto de Lima e Siva. Chefe do Serviço de Pneumologia: Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva.
1999 - O cirurgião Dr. Juan Mejia e equipe realizam com sucesso o 1.º transplante cardíaco do HM. O setor tem a coordenação clínica do Dr. João David.
1999 - Falece em Fortaleza, aos 82 anos, Dr. Carlos Studart, diretor do HM por 39 anos.
2006 - A instituição passa a ser chamada Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, em homenagem a seu ex-diretor. Lei estadual assinada pelo governador Lúcio Alcântara.
2011 - O cirurgião torácico Dr. Antero Gomes Neto e equipe realizam com sucesso no HMCASG o 1.º transplante de pulmão do Norte-Nordeste do País.
2017 - Comemorado o centenário de nascimento de Dr. Carlos Studart por familiares, funcionários e amigos nos jardins do HMCASG.
2022 - HMCASG alcança a marca de 500 transplantes cardíacos realizados, confirmando ser o 2.º maior hospital cardiotransplantador do Brasil.
2023 - Aministração (Dr. Carlos Augusto Lima Gomes como diretor-geral), colaboradores e pacientes comemoram, em 1.º de maio, os 90 anos do Hospital
Biblio-webgrafia
Gomes, Carlos Alberto Studart. Sanatório de Messejana - 50 anos: uma história a ser contada. Fortaleza: edição do autor, 1998. 474p.
Morais, José Maria Bonfim de. Carlos Alberto Studart Gomes: o arquiteto de esperanças. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 165p. ISBN: 978-85-420-1002-2
Torres, João Martins de Souza. Cirurgia cardíaca no Ceará. Breves considerações históricas. Revista Cearense de Cardiologia, vol 13 2012 http://sociedades.cardiol.br/ce/pdf/RevistaCearense_Vol13.pdf
Silva, Paulo Gurgel Carlos da. Sobre um Hospital de Setent'anos. Revista Histórias da Saúde
Silva, Paulo Gurgel Carlos da. Sobre um Hospital de Setent'anos. Revista da Sociedade Cearense de Cardiologia
Revista Histórias da Saúde, ano II, nº 3/S1 2001
Blog Linha do Tempo. Postagens diversas, 2007 - 2023 http://gurgel-carlos.blogspot.com/
Blog EntreMentes. Postagens diversas, 2006 - 2023 http://blogdopg.blogspot.com/
Blog Nova Acta. Postagens diversas, 2010 - 2023 http://airblog-pg.blogspot.com/
Respingos de Lembranças, de Eduilton Girão. Disponível em: http://giraofamilia.com/respingosdelembrancas/21_162a164.pdf ou http://www.giraofamilia.com/novo/?p=939

CARNAVAL DE PRAIA NOS ANOS 1980

Nesse vídeo gravado em Paracuru-CE, o cearense Fausto Nilo, acompanhado por dois músicos da terra - o pianista e médico Antonio José e o violonista Nonato Luiz, canta "Zanzibar", que ele compôs com Armandinho. Aliás, se não fosse a palavra "aliás", a letra desta canção talvez tivesse ficada inconclusa, e a história de como isso aconteceu é bem interessante. Vejam aqui contada pelo próprio Fausto Nilo.

Nesse outro vídeo, Fagner e o jogador de futebol Zico cantam "Batuquê de Praia", de autoria do compositor Petrúcio Maia. Fagner e Petrúcio são cearenses, Zico é carioca e há na letra  a citação de praias cearenses (Iracema, Morro Branco e Mucuripe) e praias cariocas. No entanto, a gravação desse vídeo aconteceu no Club Méditerranée, em Itaparica-BA.

O ANÍSIO - PEIXADA

Nas noites das segundas-feiras, após retirar-se o último cliente, Aquino abria o seu consultório odontológico para os amigos. E nós - um pequeno grupo formado pelo anfitrião, que tocava uma sanfona de botão, os médicos Wilson Medeiros, Emanuel Melo, Lucíola Rabelo, Rose Mary da Silveira, Sônia Almeida e por mim, que comparecia com o violão-, ali nos reuníamos para cultivar a boa música brasileira.
Por vezes, tivemos convidados. Como o pianista e compositor cearense Petrúcio Maia, o matemático Oswald de Souza e o violonista e compositor Luiz Sergio Bezerra. O Petrúcio havia sido meu colega no Colégio Batista, era irmão do LPM Maia, um consagrado autor de livros escolares de Física, e criara canções belíssimas como "Dorothy Lamour" (c/ Fausto Nilo), "Cebola Cortada" (c/ Clodo), "Lupiscínica" (c/ Augusto Pontes), entre outras. O Oswald de Souza era o celebérrimo Oswald de Souza do programa "Fantástico", o homem que calculava as probabilidades de acertos na loteria esportiva. Na noite com Oswald, o grupo mudou o local da reunião para o "Bar do Anísio", na Av. Beira-Mar. Tendo como cicerone em Fortaleza o colega Emanuel, o matemático foi logo declarando-se fã de Fagner e Belchior. Pena que o "Assum Preto" (cuja presença no "Anísio" era de alta probabilidade) não tivesse aparecido por lá para dar um reforço na "canja".
Mas o que era o "Bar do Anísio", senão aquele espaço libertário que os intelectuais, músicos e boêmios de Fortaleza gostavam de frequentar nas décadas de 1970, 1980 e tal?
Anísio, que tinha sido ascensorista do Edifício Diogo, era o proprietário, relações públicas e, por vezes, garçom da casa. Ele estava sempre disponível para um carteado com os amigos. Dona Augusta, sua esposa, era uma exímia cozinheira, e a biquara frita que ela fazia ficava uma delícia. Foi lá onde eu comi o melhor camarão ao molho da minha vida. E o restaurante foi palco de versões do concurso "Garota Cultural", que muitos desavisados levavam a sério. Tempos depois, o agitador cultural Claudio Pereira, em sua "cadeira voadora", de freguês se tornaria vizinho do casal.
Colhi estas outras informações no Blog Fortaleza Nobre:
O Bar do Anísio ficava na parte da frente da casa. Na cozinha Dona Augusta fazia delícias gastronômicas para os fregueses e também as refeições da família."Da cozinha para frente era o bar. Para trás era a casa. Mas a nossa casa era tudo, porque a gente vivia mais no bar do que na casa", lembra Nísia, filha do casal. Várias canções de Ednardo foram compostas por lá: "Carneiro"(c/ Augusto Pontes), "Alazão" (c/ Antonio José Brandão) e "Beira-Mar". Também a canção "Cavalo Ferro", de Fagner e Ricardo Bezerra. E a célebre  "Mucuripe", de Fagner e Belchior, foi mostrada pela primeira vez ali. 
Descrição da foto: 
A fachada da casa-bar do Anísio, ainda sem o famoso letreiro "O Anísio - Peixada". Dona Augusta parece fitar a imensidão azul de onde vêm os frutos do mar. Gaiolas penduradas em vários pontos (com campina, graúna, sabiá, golinha, bigodeiro...) denunciam que Anísio tinha o passatempo de criar passarinhos. Não sei como eles (os inhos pássaros) conseguiam dormir à noite com aquela cantoria dos boêmios.

BRAZ TACHEIRO. O VÍDEO

"Fui lá para ver de quem tanto falavam - o Braz tacheiro. Claro que havia também outros motivos para a viagem: dezessete anos sem visitar o lugar onde a minha memória fez um ninho e lhe deu o nome de Ubajara. Queria ver também quem não me via: parentes e amigos do meu pai."
Pergunta besta, tolerância zero: conheça o cearense de Ubajara que não tem papas na língua
O rabugento Mestre Braz (que Nelson meio que entrevistou em 2010) foi tempos depois entrevistado pelo Samuquinha, repórter do programa "Domingo Espetacular", do Paulo Henrique Amorim.
Confira no vídeo: não poucas vezes o tacheiro acabou deixando o bem-humorado repórter com cara de tacho.

MEDALHA EDSON QUEIROZ PARA IGOR LUCENA

O atual presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Igor Macedo de Lucena, será agraciado nesta segunda-feira (6), a partir das 19h, na Câmara Municipal de Fortaleza, com a Medalha Edson Queiroz.
Esta medalha é uma honraria destinada "a pessoa física ou jurídica que, em Fortaleza, se tenha destacado pelo empreendedorismo em prol do desenvolvimento industrial e comercial e pelas ações na promoção dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa (fonte: cmfor)".

Economista, empresário e professor universitário, Igor (foto) é também PhD em Relações Internacionais - Geoeconomia pela Universidade de Lisboa, pós-graduado em Finanças - Empresas de Capital Aberto pelo Saint Paul Escola de Negócios e mestre em Economia de Empresas - Mercado Financeiro pelo CAEN - UFC (fonte: Linkedin), além de membro da Chatham House – The Royal Institute of International Affairs.

BREVE PERFIL DE HILDEBRANDO MONTENEGRO

José Hildebrando Guedes Montenegro (foto) foi meu colega de turma na Faculdade de Medicina da UFC de 1971. Dedicou-se à especialidade da Psiquiatria e, ainda neófito na profissão, passou a exercer o cargo de diretor do Manicômio Judiciário do Ceará. Lidando com doentes que haviam cometido delitos sob a influência de transtornos mentais, esse manicômio (que é atualmente o Instituto Psiquiátrico Governador Stênio Gomes) foi uma experiência gigante para ele.
Depois de quatro anos dirigindo essa instituição, ele recebeu um convite para ir trabalhar na região amazônica - no Amapá. Naquele território à época não existia psiquiatra. "Eu era o melhor e o pior, porque só tinha eu" (risos), comentou Hildebrando em entrevista à "Sustentação" (uma revista do COSSEMS). Os pacientes eram levados de barco, navegavam entre 24 e 36 horas amarrados no porão e eram internados na Colônia Juliano Moreira, em Belém do Pará.
Desde que chegou ao Amapá, ele cultivava a ideia de criar uma clínica psiquiátrica que funcionasse dentro de um hospital geral. Depois de muita esforço, conseguiu concretizar esse desejo ao inaugurar uma enfermaria com 14 leitos, nos padrões de um pequeno hospital. Mas, em seguida, começou a questionar até que ponto aquela enfermaria se manteria eficaz para a comunidade. Devido ao risco de, por estar funcionando dentro de um hospital, vir a ser uma espécie de microasilo.
Vivenciando o início da Reforma Psiquiátrica, Hildebrando candidatou-se e foi selecionado, em 1982, para cumprir Residência Médica em Psiquiatria Social pelo Ministério da Saúde, em convênio com a OPAS e a Fiocruz, na Colônia de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Na época, o Brasil começava a ter uma certa abertura política, o que propiciava o surgimento de projetos reformistas na área da Psiquiatria.
O modelo "hospitalocêntrico" x o modelo "capsolocêntrico"
Houve várias Conferências até chegar ao Projeto de Lei do Deputado Paulo Delgado e à Lei Estadual do Deputado Mário Mamede. Com a progressiva desativação dos leitos psiquiáticos no país, o modelo hospitalar para o tratamento da doença mental foi perdendo a sua prevalência (como aconteceu com outras doenças estigmatizantes como a tuberculose e a hanseníase), ao tempo em que os CAPS foram sendo implantados por todo o território nacional.
Admirador declarado do Projeto Quatro Varas, uma comunidade terapêutica em Fortaleza-CE, Dr. Hildebrando Montenegro ainda teve a oportunidade de aplicar o modelo social da Psiquiatria, do qual foi indubitavelmente um adepto, em Cruz e no Marco, municípios do interior do Ceará.
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Ele faleceu em 02/02/2023. Homenageio-o com o presente texto, que preserva o espírito da entrevista que José Hildebrando Guedes Montenegro concedeu à revista "Sustentação" n.º. 21 (edição do 1.º quadrimeste de 2008).
http://www.cosemsce.org.br/revista/sustentacao-21.pdf

CAMINHANDO E APRENDENDO - 21

Em minha última estada em Brasília, lembrei-me de incluir nas caminhadas o Parque Olhos D'Água. 
Localizado a 1,5 km do apartamento de Henrique e Maninha (meus anfitrões na cidade), na SQN 115, precisei apenas de atravessar o Eixão por duas passagens subterrâneas para ir desfrutar das pistas e equipamentos do Parque.
O Plano Piloto em sua totalidade é um paraíso para os caminhantes. 
Não me recordo de ter visto anteriormente, logo à entrada do Parque Olhos D'Água, um quiosque para os praticantes de ioga.
http://blogdopg.blogspot.com/2012/08/caminhando-e-aprendendo-14.html
Assim como na vez passada, tornei a fazer o percurso que leva ao Relógio do Sol. Eram 10 horas em ponto quando cheguei lá. Isso tendo consultado um relógio estruturalmente simplérrimo, diante do Relógio Horizontal do Sol (que eu conheci dias antes em Palmas-TO).
Maio até setembro são os meses com menores precipitações  e umidades relativas do ar em Brasília. Com as chuvas dos últimos dias, essa umidade andava pelos 60%.
Uma coisa não desfaz a outra. Ao sair, tomei uma água de coco gelada.
Na década de 1990, os moradores da Asa Norte de Brasília demandaram a criação de um parque na região. Em 1994, o Parque foi inaugurado ajudando a proteger a lagoa, as nascentes, córregos e a biodiversidade ali existentes. Um de seus principais atributos naturais,a Lagoa do Sapo é resultado de duas nascentes que se encontram no local. Atinge sete metros em seu ponto mais profundo e conta com uma variedade de animais, entre eles peixes, tartarugas e patos Seu nome têm origem na antiga Sociedade Amigos do Parque Olhos D'Água (SAPO).

RESTAURANTES TEMÁTICOS EM FORTALEZA

Hard Rock Café. Localizado no térreo do Shopping RioMar, é um ponto de encontro dos fãs do rock. Apresenta decoração "instagramável" (com características ideais para render boas fotos para o Instagram). Em intervalos seus garçons participam de sessões performáticas. Data: xx/xx/2021, c/ Antônio Pinto, sua esposa Eliane e Denise.

Depot Medieval. Na Rua Walter de Castro, 374, na Cidade dos Funcionários. Dispõe de vários ambientes (restaurante, pizzaria e hamburgueria). É um lugar para imergir nas fantasias da Idade Média. Datas: 26/12/2021, c/ o neto Renan e familiares, e 17/04/2022, c/ o neto Matheus e Elba.

Reino do Nunca. Pizzaria na Av. Caminho do Sol, S/N, no Porto das Dunas, em Aquiraz. Rodízio com 60 sabores de pizza. Show (história de Aladin) no salão principal mediante reserva e ordem de chegada. Data: 15/01/2023, c/ o neto Renan e familiares. Foto abaixo.

Pixel Burger.  Av. Eng. Luiz Vieira, 920 - De Lourdes. Hamburgueria e games. Data: 14/07/2024, c/ o  neto Benício e familiares.

Elliot. Rua Monsenhor Bruno, 458, Meireles. Encantos e sabores mágicos. Data: 22/08/2024, c/ os netos Renan e Benício, pais, avó Elba e nossos consogros.

COLÉGIO ESTADUAL JOAQUIM ALBANO

Em 1967, quando cursava o segundo ano da Faculdade de Medicina da UFC, fui contratado como professor temporário da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Ceará. O ano letivo havia começado, e várias unidades da rede estadual de ensino estavam com necessidade de professores.
Valendo naquelas circunstâncias a indicação do meu nome, feita pelo Prof. José Carlos da Silva (Tio Zezinho), para ocupar um dos cargos disponíveis.
Foi como passei a lecionar nas cadeiras de Ciências Físicas e Biológicas e de Biologia, do Colégio Joaquim Antônio Albano, então dirigido pelo Prof. Sebastião Praciano de Sousa, para turmas dos ciclos ginasial (Ciências) e científico (Biologia).
Além de professor, Praciano era também coronel e tio da futura médica ginecologista Dra. Rosélia (que adiante eu viria a conhecê-la). E o diretor do turno da noite, o período em que eu ministrava as aulas, era o Prof. Wilson Leite Linhares. Com este, encontrei-me depois, por diversas vezes, nas caminhadas que separadamente fazíamos pelas ruas do bairro do Cocó (ultimamente, não o tenho mais visto).
No Colégio Joaquim Albano, eu cumpria uma carga semanal de 20 horas, sendo quatro delas ministradas diariamente, de segunda à sexta-feira. Além de preparar e dar essas aulas, eu tinha que montar e corrigir as respectivas provas.
Nas décadas de 1960 e 1970, lembrai-vos de que havia um mimeógrafo a álcool (foto menor) em cada escola. Com este aparelho e utilizando-se de estênceis (que continham carbono) e álcool, um funcionário da escola rodava as cópias das provas. Essas cópias eram inconfundíveis: cheiravam a álcool, e as letras vinham em um azul-arroxeado característico.
Ah, eu era mais jovem do que muitos dos meus alunos, especialmente aqueles que estavam matriculados no ciclo científico (alguns deles já casados).
Conciliar os deveres de estudante universitário com as responsabilidades de professor de colégio público não foi para mim uma empreitada fácil. Dependia de ônibus para ir de minha casa à Faculdade de Medicina, onde estudava em tempo integral, e também para fazer o percurso inverso ao fim de cada dia. Felizmente, existia a linha Granja Paraíso para facilitar-me nos deslocamentos. À noite, outros ônibus me levavam até a Aldeota, onde fica o Colégio Joaquim Albano, e de lá me traziam de volta a Otávio Bonfim.
Era frequente, especialmente nas vésperas de provas na Faculdade, ao retornar do Colégio Joaquim Albano, que eu descesse na casa de Mário Mamede Filho. Lá, eu me juntava a ele e a outros colegas (César Forti, Sílvio Aguiar e Álvaro Andrade) para "virar a noite" em estudos relacionados com a prova que teríamos no dia seguinte. Apesar de ser o último a chegar, era o primeiro do grupo a largar os estudos (por conta do dia extenuante) para me recolher.
Minha amizade com o Mário me permitia que eu pedisse uma antecipação do lanche da madrugada.
Foto recente do Colégio Joaquim Albano. Créditos a Sylvio Montenegro (Face "Fortaleza Antiga)

COMPLEXO AMBIENTAL E GASTRONÔMICO DA SABIAGUABA

Situado às margens do Rio Cocó, em Fortaleza, este espaço de lazer foi aberto ao público em julho do ano passado.
Ocupando 2,5 hectares em Sabiaguaba (*), o Complexo Ambiental e Gastronômico conta com um píer e 17 quiosques. É administrado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), em parceria com o Instituto Dragão do Mar e com a participação da comunidade.
Os permissionários dos quiosques receberam treinamento em conservação ambiental e aprofundaram seus conhecimentos na chamada culinária tradicional do mangue (peixes, crustáceos e mariscos).
(*) Uma praia do litoral leste de Fortaleza. Segundo frei Hermínio Bezerra, secretário para a Língua Portuguesa na Cúria Geral, etimologicamente, Sabiaguaba é uma palavra do tupi que significa "comedouros de sabiás".
01/01/2023. Fui com a minha família ao Complexo no primeiro dia do ano. Havia muita gente por lá, ainda mais por se tratar de um domingo ensolarado.
Para o almoço, pedimos duas tilápias assadas (o preço era a combinar de acordo com o tamanho das tilápias), que vieram acompanhadas de baião de dois, batatas fritas e farofa.
No estacionamento ao ar livre, a um dos lados dos quiosques nos cobraram 5,00. É por qualquer tempo que o veículo ficar.

MERCEARIA

Você se lembra do nome do dono da mercearia em que você comprava na infância?
"Seu" Edmundo.
(Dom Jerônimo, esquina com Domingos Olímpio, em Fortaleza/CE)
Lá o freguês tanto podia jogar no bicho quanto "matar o bicho".
Autor do quadro: Maurício Lima
linhadotempo.blogspot.com.br
Roda, roda
Roda o baleiro, atenção
Quando o baleiro parar ponha a mão
Pega a bala mais gostosa do planeta
Não deixe que a sorte se intrometa
Bala de leite Kids, a melhor bala que há
Bala de leite Kids, quando o baleiro parar.

Autores do jingle: Renato Teixeira e Sérgio Mineiro
propagandashistóricas.com.br

FIM DE 2022: BOAS FESTAS E CASAMENTO EM BEBERIBE

24/12 - Inicialmente, estivemos no apartamento do nosso filho Érico, Aline e do neto Benício, no Cocó. Lá também estiveram alguns familiares da nora Aline, com os quais trocamos votos de Boas Festas. Convidados por Moacir e Maristane Macedo * para uma ceia de Natal, fomos depois ao apartamento do casal, na Avenida Beira-Mar. Na ocasião, conhecemos a família alemã Keller, da qual faz parte o jovem Pascal, que se casará com a cearense Arícia Castelo na próxima sexta-feira.

* Ganhei de Maristane como presente de Natal um exemplar de "O Mosquito - A incrível história do maior predador da humanidade", de Timothy C. Winegard. Será difícil vencer o desafio de ler este livro (representado pela figura ampliada de um hematófago em sua capa) de um único tapa. É que ele tem 608 páginas.

30/12 - Casamento de Arícia Castelo e Pascal Keller na Igreja de São Pedro, em Beberibe, às 15 horas. Elba e eu estamos incluídos entre os padrinhos do casamento. Após a cerimônia religiosa, acontecerá a recepção aos convidados na casa de praia de Moacir e Maristane, em Morro Branco. Uma van de turismo foi contratada para nos levar (com os filhos Érico e Natália e seus cônjuges) a Beberibe e Morro Branco e nos trazer de volta.

31/12 - Inclusão de uma fotografia do casamento de Arícia e Pascal:

Da direita para a esquerda: Natália e Rodrigo; Arícia e Pascal; Elba e eu (Paulo)

NOTA DE PESAR PELO FALECIMENTO DE DONA GRAZIELA

Faleceu na manhã de hoje (27), aos 95 anos de idade, a Sra. Graziela de Oliveira Carlos. Era viúva de José Carlos da Silva, o Zezinho, como ele era mais conhecido em nossa família.
Graziela trabalhou por muitos anos como chefe do serviço de nutrição da fábrica Mecesa. E tio Zezinho, falecido em 2003, foi professor de Geografia e História Geral e do Brasil em vários estabelecimentos de ensino de Fortaleza, inclusive no Colégio Estadual José Valdo Ramos, do qual foi Vice-Diretor e Diretor de Turno, por várias gestões.
Dona Graziela e Prof. Zezinho, desde o seu casamento em 1953, fixaram residência em Carlito Pamplona, onde se tornariam um casal de referência deste bairro da zona oeste de Fortaleza.
Graziela era gentil, elegante e culta. Tinha uma grande sensibilidade literária, o que demonstrava ao compor refinados versos.
A matriarca da família Oliveira Carlos deixou sete filhos (Maria das Graças, Antônio, Eduardo, Rosângela, Daniela, Gardênia e Valéria), que são nossos primos, além de netos.
Sua missa de exéquias foi celebrada pelo Pe. José Dantas na capela do cemitério Parque da Paz, onde seu corpo foi a seguir sepultado.

CORRESPONDÊNCIA COM PAULA

20 de fevereiro de 2015 
Postagem iniciadora da troca de mensagens:
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2015/02/prof-frota-pinto.html

2 de julho de 2019 08:20
Paula Borges disse...
Obrigada pelas informações. Sou neta do prof. Frota Pinto e me identifico muito com o que ele deixou escrito. Guardei comigo um exemplar do livro "Psiquiatria Básica", mas também me interesso por artigos de opinião e informações como as que constam de "Linha do Tempo".

2 de julho de 2019 21:34
Paulo Gurgel disse...
Olá, Paula Borges.
Grato pelos comentários.
Fui aluno de seu avô na disciplina de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFC.
No período de 1979 a 1983, colaborei na edição dos livros da Editora Centro Médico Cearense (como poderá conferir na mensagem do editor Emanuel Melo em "Psiquiatria Básica").
No bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza, há uma rua denominada Prof. Frota Pinto.
Trata-se de uma homenagem a seu avô?
A pergunta é pertinente pois é preciso excluir a possibilidade de ser uma homenagem a um homônimo.
Um abraço.

21 de junho de 2022 04:12
Anônimo disse...
Sim! Homenagem ao falecido médico psiquiatra.

28 de agosto de 2022 08:42
Paula Borges disse...
Olá! Espero que o sr. esteja bem! Só agora, anos depois e após a pandemia da Covid-19, estou relendo os comentários. É um prazer conseguir trocar estas palavras com o sr.! Só agora fiquei sabendo desta rua e irei lá conferir! Meu e-mail é [...]. Por gentileza, me envie informações sobre acervos onde posso encontrar documentos e ou artigos do meu avô, caso o sr. saiba. Quero pesquisar sobre ele. Obrigada!

29 de agosto de 2022 06:49
Paulo Gurgel disse...
Olá!
Há uma segunda postagem em "Linha do Tempo" com breves informações sobre a vida profissional do Prof. Frota Pinto e homenagens ao mestre no Ceará. Talvez você não tenha lido.
Acesse por este link:
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/09/prof-frota-pinto-2.html

5 de outubro de 2022 17:14
Paula Borges disse...
Preciso encontrar um artigo que ele escreveu para a revista "Psychiatry on line Brasil", o título é "O enigma de Kafka". Acabei de notar que sumiu da internet. Estou arrasada. Adorava este artigo. Se o sr. achar em algum lugar peço por caridade que me envie. paulaborgesfp@gmail.com Obrigada!!!

5 de outubro de 2022 22:41
Paulo Gurgel disse...
Boa noite, Paula.
Pesquisando em "Psychiatry on line Brazil" o artigo "O enigma de Kafka, do Prof. Frota Pinto, de fato não o encontrei. Nem pelo título nem pelo autor.
No entanto, fui localizá-lo através do site POL+BR.
Eis o link: http://www.polbr.med.br/ano03/mour0603.php

25 de dezembro de 2022 03:42
Paulo Gurgel disse...
Publiquei um comentário de Marcelo Gurgel.

RAÍZES DE ELDA: SENADOR POMPEU

Paulo Gurgel Carlos da Silva
Nas margens do rio Codiá, em terras de Thomé Callado Galvão, no século XVIII, surgiram as primeiras casas do povoado de Humaitá. Esse topônimo é de origem indígena e seu significado é: hu = negro + ma = agora + itá = pedra = a pedra agora é negra. Em 1900, a estação ferroviária foi aberta com esse nome no município que fora criado em 1896, por desmembramento do município de Maria Pereira, atual Mombaça. Posteriormente, a cidade e a estação passaram a ser designadas de Senador Pompeu, em homenagem ao Senador da República Tomaz Pompeu de Souza Brasil (1818 - 1877), um dos idealizadores da E. F. Baturité.
http://www.estacoesferroviarias.com.br/ce_crato/senador.htm
http://cidades.ibge.gov.br/brasil/ce/senador-pompeu/historico
http://cidades.ibge.gov.br/brasil/ce/pedra-branca/historico
Crédito da imagem: Consuelo Lima, Fckr
Elda Gurgel Coelho
Nasceu em 11 de setembro de 1930, no município de Senador Pompeu-CE, tendo sido a segunda filha do casal Paulo Pimenta Coêlho e Almerinda Gurgel Valente.
O seu pai, Paulo, era natural de Pedra Branca-CE e havia nascido em 11 de maio de 1906, sendo o segundo filho de Francisco Coêlho e Clotilde Pimenta, modestos agricultores, e era irmão de João, Manuel, José, Atalia, Cinda e Maria José. Aos 14 anos, Paulo sofreu um ataque de febre reumática que o deixou com sequelas cardíacas e a saúde geral debilitada. Depois desse episódio, a família dele decidiu mudar-se de Pedra Branca para Senador Pompeu. E, para ajudar no sustento da família, Paulo empregou-se como balconista na loja Humaitá, do Sr. Sá, então o maior empório dessa cidade do Sertão Central.
Almerinda, sua mãe, nasceu em Maranguape-CE, em 29 de agosto de 1897, sendo filha de José Gurgel do Amaral (o José Tristão, como era conhecido) e de Maria Gurgel Valente, ambos primos e oriundos de Aracati. O Sr. José Tristão era fornecedor de dormentes para a Estrada de Ferro, em construção, que avançava para a região sul do Ceará, o que o obrigava a seguir o mesmo trajeto, ao tempo em que os filhos do casal foram nascendo durante o percurso. Com uma pausa em Senador Pompeu, onde José Tristão adquiriu o Sítio Catolé, uma gleba privilegiada em termos de fertilidade do solo, e converteu-se em agricultor. Aí se fixando, o casal completou e criou sua crescente prole: Francisco (1892), Antônio (1894), Claucídia (1896), Almerinda (1897), José (1900), Olímpia (1904) e Raimundinho (1906).
Foi em Senador Pompeu que Paulo conheceu Almerinda. Diferenças de idade (Paulo tinha apenas 21 anos e Almerinda, 30 anos), cor (ele era moreno e ela, de tez muito alva) e situação financeira das duas famílias foram sobrepujadas pelo amor daquele jovem pobre pela bela moça de posses maiores e mais velha do que ele. Contrariando a vontade dos pais, principalmente da mãe da nubente, o consórcio dos enamorados ocorreu em 19 de novembro de 1927, providenciado pela tia materna da noiva, D. Alzira.
Em 1930, Paulo foi trabalhar na Lundgren Tecidos, representando as Casas Pernambucanas em várias cidades da região. Contudo, a sua função de caixeiro-viajante o obrigava a longas ausências da família, em fatigantes viagens por locais inóspitos, que aportavam risco adicional à sua vulnerável condição física. Convidado por seu irmão José Pimenta para se estabelecer em Morada Nova-CE, a fim de substituí-lo na administração de uma farmácia, Paulo transferiu-se para esta cidade.
Em 1932, para assumir o cargo de escriturário na Siqueira Gurgel, emprego oferecido pelo cunhado José Gurgel Valente, um dos proprietários da fábrica de Otávio Bonfim, ele veio morar em Fortaleza. Trabalhando durante o dia na Siqueira Gurgel e, à noite, cumprindo o ofício voluntário de porteiro do Cine Familiar, de propriedade dos frades franciscanos do Convento N. Sra. das Dores, Paulo viu sua família crescer para seis filhos. Elda acompanhou os pais e os irmãos nessas sucessivas mudanças de empregos e residências.
No dia 17 de fevereiro de 1946, aos 39 anos, Paulo morre de causas naturais. Para criar os filhos deixados na orfandade (Elza, Elda, Elma, Edson, Edmar e Espedito), Almerinda contaria com a ajuda do seu prestativo irmão José Gurgel.
Cronologia
(período 1897 – 1947)
1897: Almerinda nasce em Maranguape (29 de agosto).
1906: Paulo nasce em Pedra Branca (11 de maio).
1920: Paulo muda-se para Senador Pompeu. Trabalha na loja Humaitá para ajudar no sustento da família. 1927: Paulo e Almerinda casam-se (19 de novembro).
1930: Elda nasce em Senador Pompeu (11 de setembro). Paulo trabalha na Lundgren Tecidos (Casas Pernambucanas), em seguida numa farmácia em Morada Nova e tem curta permanência em Pacatuba.
1932: A família Gurgel Coelho muda-se para Fortaleza. Paulo trabalha na Siqueira Gurgel.
1946: Elda conhece Luiz. Ensina na Alfabetização no Instituto Padre Anchieta, de propriedade do futuro esposo.
1947: Paulo morre (8 de fevereiro).
1947: Luiz e Elda casam-se (14 de agosto).
Fonte
SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Otávio Bonfim, das Dores e dos Amores: sob o olhar de uma família. Fortaleza: EdUECE, 2008. (p. 18-22) ISBN 978-85-7826-007-1

LAERTE ANTÔNIO JOSÉ, UM EXEMPLO DE FORTALEZA

De ascendência italiana e natural de Rio Claro-SP, LAERTE ANTÔNIO JOSÉ entrou para nossa família pela porta nupcial - ao casar-se em 2001 com minha irmã Meuris.
Conheceram-se em Campinas, onde a engenheira química Meuris Gurgel Carlos da Silva é professora titular e pesquisadora da Unicamp.
Profissional de Ciências Contábeis, Laerte possuía grande sensibilidade artística. Trabalhou como dublador profissional de desenhos animados e colecionava fitas com "reclames"(jingles) do rádio e DVDs de filmes e seriados.  
Era fotógrafo e videomaker. Fotografou as tapeçarias criadas pela matriarca de nossa família, organizando-as num álbum fotográfico a ela dedicado. Adiante, produziu um vídeo em que Dona Elda era entrevistada (pelo próprio Laerte, no melhor estilo Fernando Faro), tendo como gran finale as imagens das tapeçarias feitas pela sogra.
Laerte faleceu na madrugada de hoje, 15. Depois de um longo período de sofrimento, com internações hospitalares e sessões de hemodiafiltração, que ele soube suportar com determinação.
Um ser humano benquisto por todos, este torcedor pontepretano que sabia como poucos movimentar as rodas de conversa com a contação de histórias engraçadas.
Costumava vir com Meuris ao Ceará, principalmente nos meses de dezembro. Em Fortaleza, eles dispunham de apartamento e carro de que se valiam para atenuar a síndrome da lonjura.
Descanse em paz, meu "campineiro torto".

À Meuris, enviamos esta mensagem:
Nossos profundos sentimentos pela partida de LAERTE ANTONIO JOSÉ. Que as boas memórias da convivência que tivemos com seu estimado esposo ajudem a dissipar as tristezas ora presentes nos espíritos de todos nós!
a) Paulo e Elba
Que assim respondeu:
Paulo e Elba, muito obrigada pela mensagem. O Laerte realmente nos deixou uma grande saudade, mas também nos deixou um exemplo de fortaleza, alegria e principalmente amor como legado para nossa vida.
a) Meuris
Ler também: MEU ADEUS AO LAERTE ANTÔNIO JOSÉ, por Marcelo Gurgel

"OURO PARA O BEM DO BRASIL"

1942 - Iniciam-se, em Fortaleza, os exercícios de defesa passiva anti-aérea. Por esta época proliferam as "pirâmides de metal", nos principais pontos do centro de Fortaleza, onde as pessoas colocam peças de alumínio, cobre e zinco que servirão de ajuda na fabricação de artefatos de guerra, como capacetes, armamentos, navios etc. Os simpatizantes do nazismo, chamados de quinta-colunas, jogavam penicos (urinóis) nas "pirâmides" no intuito de ridicularizá-las. As pirâmides de metal já existiram antes como ajuda para a construção de navios da Armada, porém com pouquíssimos resultados. (Nirez)

1964 - Tem início em São Paulo, no dia 13 de maio, a campanha "Ouro para o bem do Brasil", um movimento arrecadatório liderado pelos Diários Associados que logo se espalhou por todo o Brasil. É a partir dessa campanha que são denunciados os perigos pelos quais a nação passava, com a promessa de que ela poderia voltar ao seu caminho natural de potência grandiosa, que fora interrompido por governos "demagógicos" e "comunistas". Ao doar  anel de ouro, dinheiro ou cheque, o doador recebia uma anel de latão com a inscrição DOEI OURO PARA O BEM DO BRASIL - 1964. 

O texto a seguir foi extraído do Trabalho de Conclusão de Curso de Éderson Ricardo Schmitt, realizado sob a orientação da professora Liane Maria Nagel e apresentado na Universidade Federal de Santa Catarina, como parte das exigências para a obtenção do título de Bacharel em História.
"Nesse sentido surge a figura de um herói, um ser incorruptível que deseja o bem do país e de seus habitantes. É ele que evocam como o guardião do tesouro, sendo esse nada menos do que a própria imagem do futuro grandioso o qual aguarda o Brasil. Castelo Branco então passar a ser essa figura. Apesar de uma presença tímida nos idos da campanha – apenas alguns minutos, no qual doou um pequeno chaveiro de ouro – sua figura é colocada em um panteão superior. Ao doar, passa a ser apenas um brasileiro desejoso do bem do Brasil. Aliado a esses simbolismos, a campanha buscou dar legitimidade ao novo governo.
Essa busca norteou os objetivos da campanha, com um simbolismo de certa forma mais importante do que os bilhões de cruzeiros arrecadados em todo o território nacional. Foi a partir dela que se quis dar um apoio especial ao marechal Castelo Branco. Pautada no discurso de que o povo desejou a ação dos militares, e que, devido a isso, as doações seriam um voto ao novo governante, onde os cofres representariam as urnas.
O sonho de um milenarismo brasileiro, ou seja, um período de paz e prosperidade, na década de sessenta começa a se transformar em dúvida. Logo após o término da campanha a questão referente ao destino dos recursos arrecadados – um valor considerável – começa a ser posta em xeque. De uma dúvida passará então à acusações formais aos envolvidos na arrecadação e resguardo dos bens doados.
Desejando ficar na história, quando os patriotas deram seus valores para salvar o país, a campanha acaba ficando na memória como uma grande armação, onde toda uma população foi enganada. A medida em que a ditadura vai perdendo sua legitimidade a campanha é evocada, agora como um simbolismo do fracasso e da mentira que foi o governo militar. E a memória da campanha sobreviveu, mas de uma forma que seus organizadores não previram."

ANTIGAS ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS EM FORTALEZA

CRONOLOGIA
E. F. de Baturité (1873-1909)
Rede de Viação Cearense (1909-1975)
RFFSA (1975-1997)
CBTU/Metrofor (1997-2013)
===================================================================
ESTAÇÃO CENTRAL
Professor João Felipe km 0
A antiga Estação Central de Fortaleza foi inaugurada em 1873 pela Estrada de Ferro de Baturité. Em 1946, passou a se chamar Professor João Felipe, nome de um engenheiro ferroviário cearense. Desta estação partiam duas linhas de trens: a LINHA SUL até Crato e a LINHA NORTE (que passava por Sobral, a terra natal de Belchior) até Oiticica.
30/03/2022 - "A noite dessa quarta-feira foi histórica para a Cultura do nosso Estado. Inauguramos o Complexo Cultural Estação das Artes Belchior, na antiga Estação João Felipe, em Fortaleza. A área, de 67 mil m2, passou por restauração estrutural e modernização. O equipamento conta com Mercado das Artes, Pinacoteca do Estado, mercado gastronômico, salas de exposição, biblioteca, museu e as sedes da Secult e do Iphan, além de urbanização do entorno." @CamiloSantanaCE, no Twitter
LINHA SUL
Otávio Bonfim km 3,5
03/08/1917 - Inauguração da nova linha de trens partindo do Jacarecanga e indo encontrar-se com um antigo caminho na altura do Benfica, na avenida Carapinima/avenida José Bastos, desativando a linha que passava no centro da cidade, na Avenida Tristão Gonçalves. Popularmente chamou-se "linha nova". O curioso é que o antigo traçado corresponde ao do atual metrô de Fortaleza, só que este é subterrâneo. Na ocasião, foi inaugurada a Estação do Matadouro, depois chamada de Otávio Bonfim.
1925 - Vítima de infecção paratífica, morreu, aos 41 anos de idade, o engenheiro civil Otávio Bonfim, chefe de tráfego da Rede de Viação Cearense - RVC. Nascera em 1884. É hoje é nome (não oficial) do bairro onde ficou a estação ferroviária.
Couto Fernandes km 7,1
29/07/1956 - Conforme lei votada pela Câmara Municipal de Fortaleza e sancionada pelo prefeito Acrísio Moreira da Rocha, o bairro Quilômetro Oito passa a se chamar Couto Fernandes, numa homenagem ao engenheiro Henrique Eduardo Couto Fernandes, que foi diretor da Rede de Viação Cearense.
Parangaba km 9
Mondubim km 13
LINHA NORTE
Álvaro Weyne (antiga Floresta) km 4,1
Antonio Bezerra (antiga Barro Vermelho) km 7,5
http://www.estaçoesferroviarias.com.br
http://www.facebook.com/miguelnirez.azevedo
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/10/complexo-cultural-estacao-das-artes.html

MOVIMENTOS APENDICULARES

Em "Contando Causos: de médicos e de mestres", ao descrever o emérito Prof. Newton Gonçalves, diz Marcelo Gurgel:
"Depois de aposentado, o Prof. Newton Gonçalves não perdeu o hábito diário de, após o café matinal, arrumar-se, impecavelmente, de paletó e gravata, como se fosse para a universidade, ou estivesse esperando visitas já agendadas. Na verdade, ele andava apenas uns poucos passos para ficar no seu aconchegante gabinete, repleto de estantes de livros valiosos, sendo alguns de notável valor estimativo, onde se comprazia, por horas a fio, com a prazerosa leitura de suas preciosas obras, não se dando conta da marcha do tempo. No turno vespertino, essa prática prosseguia, deixando-o absorto, imerso em tantas leituras."
Como não contei a seguinte história a Marcelo (que a repassaria a vocês, certamente), cuido eu mesmo de relatá-la:
Em 1971, o Serviço de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC tinha a regência de três luminares: Haroldo Juaçaba, Paulo Machado e Newton Gonçalves. O destino me colocou no serviço do Prof. Newton Gonçalves para cumprir meus obrigatórios dois meses de internato na Cirurgia.
Certa vez, o Prof. Newton me interrogou sobre o significado de uma expressão que eu havia escrito num prontuário médico. Na véspera, eu havia feito a admissão de um paciente para uma cirurgia eletiva e, relativo ao exame físico, registrei em seu prontuário a expressão "movimentos apendiculares". 
"Que é isto?", quis saber Newton Gonçalves. "Estou me referindo aos movimentos dos membros do paciente que, no caso, estão normais, pois ele não apresenta paralisias nem plegias."
De fato, existem o esqueleto axial e o esqueleto apendicular, este último formado pelos ossos dos membros superiores e inferiores, pela cintura escapular e pela cintura pélvica (em contraposição ao esqueleto axial que é composto de cabeça, caixa torácica e coluna vertebral) O esqueleto apendicular, portanto, é o que reúne os ossos dos membros superiores, inferiores e os elementos de apoio, denominados cíngulos, que os conectam ao tronco.
Eu havia lido isto em algum compêndio médico e quisera impressionar o erudito mestre.
Prof. Newton sorriu, mas foi um sorriso que dizia tudo. E nunca mais utilizei-me da referida expressão que só fica bem no linguajar de uma pessoa pedante.
Em sua sapiência, o elegantérrimo Newton Gonçalves era tolerante com docentes e discentes. Exceto, como pude observar, em duas situações distintas: com um cirurgião do serviço que, escalado para uma operaçao, chegou atrasado; e com um interno que, de uma maneira folgada, se sentou na borda do leito de um paciente.
A ingênua Irilinda, responsável pela arrumação de sua sala, quando ouvia Newton Gonçalves se queixar de uma bursite que recorrentemente o afligia, tinha a solução na ponta da língua:
"Desligue este ar-condicionado, Dr. Newton. É como o senhor vai melhorar."