Sobre a família Gurgel Carlos, os bairros de Otávio Bonfim e Cocó, em Fortaleza, as cidades de Acarape, Redenção e Senador Pompeu, no Estado do Ceará, a Faculdade de Medicina (UFC), minhas caminhadas e viagens, assuntos culturais e artísticos notadamente locais, memórias e fatos pitorescos.
LISBOA (STOPOVER)
Chegamos ao aeroporto de Lisboa às 9h50.
Nesta cidade, tendo Natália e Rodrigo que pegar a conexão para Roma dentro de poucas horas, optaram por transformar a espera em momentos de descanso e relaxamento num dos lounges do aeroporto. Enquanto Elba e eu, que esperaríamos por um prazo maior (cerca de onze horas) para o voo que nos levaria a Roma, aproveitamos para um stopover na cidade.
Assim, tomamos um táxi para visitar o Centro Histórico de Lisboa.
- Elevador de Santa Justa
- Praça dos Restauradores
- Praça do Comércio.
Neste último logradouro contratamos um tuk tuk (pequeno veículo adaptado à moda tailandesa para o transporte de turistas) dirigido por um brasileiro de Tocantins, que nos levou por ruas, largos e miradouros (dentre os quais o de Senhora do Monte, que apresenta a vista mais bonita da cidade, além de ser bastante sombreado).
O passeio com guia terminou no Museu do Fado, uma visita que recomendamos.
Atendidos por um garçom nepalês, almoçamos bacalhau num restaurante de Almofala. E retornamos de táxi para o Aeroporto Humberto Delgado ao anoitecer.
ITÁLIA E SUÍÇA
Contudo, fomos impedidos pelo vilão da pandemia.
Mas, estamos de volta com o projeto que sofreu alterações. Será posto em prática, entre 26 de setembro e 9 de outubro, por mim e Elba, e até até 12 de outubro, por Natália, Rodrigo e Renan, que passarão 4 dias nos Alpes Suíços e mais 1 dia em Milão.
(Houve a desistência do casal Henrique e Eveline, pais de Rodrigo.)
Eis as cidades do novo roteiro:
Roma (Vaticano) (4 dias)
Florença (1 dia)
Veneza (3 dias)
-- com excursão a Liubliana, na Eslovênia (por mim e Rodrigo)
Milão (2 dias)
Genebra, na Suíça francófona (2 dias), de onde Elba e eu voltaremos a Fortaleza.
-- com excursão a Annecy, na França.
NORDESTE DE ANTIGAMENTE: O GALÃO
Paulo Gurgel,
Conheço um improviso de outro violeiro que, na hora da "louvação" ao dono da casa, este (ao ver chegar um tenente) disse ao cantador: "Queria ver mais um galão no ombro do tenente..." Que replicou: "Não gosto de adulação!" Aí, o violeiro explicou: "Esse galão é um galão diferente, é um pau com duas latas, uma atrás e a outra na frente."
Francisco Barroso,
Eu tinha uma vaga lembrança de que "galão" também pudesse ter esta acepção no Nordeste. Fui pesquisar e encontrei a seguinte informação no Blog do Cícero Lajes:
"No Nordeste, galão não significa somente galo grande, é também uma forma de transportar água. Trata-se de um pau mais ou menos reto (de preferência de caraúba), de mais ou menos um 1,30 m, com um pedaço de ferro, corrente ou corda em cada extremidade; e a ponta do ferro ou corrente é dobrada para encaixar-se no grampo colocado nos baldes ou latas. Antigamente eram usados os baldes de zinco, depois, as latas de tinta, e mais recentemente os baldes de plástico. Quando o local da água era um olho d'água em lugar remoto, os jumentos transportavam a água em barris. Com a construção das cisternas pelo Governo Federal e o Programa Carro Pipa, os galões foram perdendo a serventia de levar água das cacimbas, barreiros e açudes para as casas. Hoje o galão é usado mais para levar o comer dos porcos, uma vez que os chiqueiros ficam mais afastados das casas devido ao mau cheiro."
LANTERNINHAS DE CINEMA
Quando alguém desejava ir ao banheiro também ofereciam ajuda indicando o caminho.
Aos palradores, o rigor do silêncio. Caso contrário, seriam de imediato postos para fora.
E cumpriam também o trabalho de um "juizado de menores". Com os menores de idade que, tendo um pouco antes ludibriado o porteiro, não podiam na sequência lhes fazer "vista grossa".
Hoje, esses acomodadores de cinemas e teatros foram substituídos pela iluminação nos degraus que levam às poltronas. E a disciplina? Bem, fica por conta da consciência dos espectadores.
Uma exceção:
UM IMPROVISO DE LOURIVAL BATISTA
Rogaciano Leite - Crônica publicada no Jornal O ESTADO - Fortaleza, 01 de abril de 1945 - Edição nº 2528 - Via Facebook Centenário Rogaciano Leite
Esta facilidade de improvisar de que é dotado Lourival Batista, parece, muitas vezes, incrível. De outra feita, em Campina Grande, Lourival manejava sua viola cercado de intelectuais que foram curiosamente saber se era ou não justa a fama a que fazia jus o repentista. Como é de praxe e tradição nas cantorias dos violeiros, havia no meio da sala um centro onde uma bandeja enfeitada era o receptáculo das notas com que os ouvintes gratificavam os repentistas. No momento em que todos se aproximavam para deixar-lhes a sua remuneração, um 3.º sargento do Exército levou à bandeja 2 cédulas de 10 cruzeiros, gesto franco e despretensioso que Lourival agradeceu incontinenti:
"As notas deste sargentoE assim, deixo aqui patente que, por estes sertões afora perdem-se, anonimamente, valores que poderiam encher de fulgor as páginas de nossa poesia sertaneja.
Eu gostei de recebê-la...
Deus queira que estas três fitas
Transformem-se em três estrelas,
Dos braços passem pros ombros
E eu seja vivo pra vê-las."
FRANCIS VALE (1945 - 2017)
Conheci-o nas rodas boêmias de Fortaleza. Tempos depois, soube que ele era irmão de Euclea Vale, destacada enfermeira do Hospital de Messejana.
De 1979 a 2016, dirigiu nove filmes, sendo estes em maior parte documentários, além de participar de um filme como ator. Deu entrevistas e depoimentos em quatro vídeos. E escreveu muitos artigos para jornais cearenses.
É também autor do livro "Cinema Cearense – Algumas Histórias", onde narra vivências e lutas em favor da Sétima Arte.
Em 1988, lançou com Alano Freitas o disco "Liberado", uma produção independente com 13 faixas. O título do LP é uma alusão à resistência contra a ditadura militar, com sua censura e sua "liberação", ou não, de canções. Uma destas, "Apaixonadamente" (c/ Stelio Valle), foi depois gravada por Fátima Santos, no CD "No Ceará é assim" (1995) e por Fagner, no CD "Fagner" (1996). Com Neo Pi Neo, compôs "Camelô erótico", que foi gravada pelo parceiro no CD "O Pinto" (2005).
Assim é que virou verbete do Dicionário Cravo Albin da MPB.
Presença constante nos points de Fortaleza (Estoril, Anysio etc.) e nos shows dos artistas da terra, Francis teve ainda o seu período de dono de restaurante. Com o "Tempero da Terra", que ele abriu em uma casa espaçosa no início da Avenida Beira-Mar - "para receber os amigos". Uma iniciativa que, por razões particulares, não deu continuidade.
Em panegírico a respeito dele, Ivan Lima Verde escreveu:
"Na verdade, o Francis valeu e continua valendo pela saudade e pelo legado deixado a todos nós que tivemos o privilégio de com ele conviver até sua partida, tristemente ocorrida em 8 de dezembro de 2017."
Fontes:
https://www.blogdolauriberto.com/2017/12/morre-francis-vale.html (Artigo de Paulo Verlaine)
https://dicionariompb.com.br/artista/francis-vale/
https://www.francisvale.com/ (Acervo de Francis Vale)
A CAPELA DA CRUZ DEITADA
Quanto ao significado da cruz horizontal ou deitada, existem várias teorias. Muitas pessoas consideram a cruz horizontal apenas outra versão da cruz vertical - um símbolo de Jesus Cristo e do cristianismo. Outros atribuem um significado mais detalhado: a cruz lateral torna-se um símbolo da obra consumada de Jesus - tendo adquirido nossa salvação, Ele colocou Sua cruz - ou é um símbolo de como devemos tomar nossa cruz e seguir Jesus ( Lucas 9:23)—uma cruz carregada sobre o ombro normalmente estaria na posição horizontalizada.
Alguns apontam que a cruz nórdica (como também é conhecida), encontrada nas bandeiras nacionais de todos os países escandinavos, trata-se de uma representação do cristianismo que aqueles países adotaram.
Outras explicações são mais humanísticas. Alguns veem a cruz horizontal como uma representação da terra (em oposição ao céu) e o fato de que é aqui que a vida deve ser vivida. Uma visão relacionada é que a cruz horizontal é um símbolo da humanidade, que vive no reino entre o céu e o inferno. Ainda outra visão é antagônica aos cristãos – a cruz lateral é uma cruz "que caiu", o que significa que o cristianismo falhou e não é mais uma influência poderosa no mundo.
E, claro, há indivíduos que ignoram qualquer tentativa de infundir significado em suas joias. Para eles, qualquer cruz, deitada ou não, nada mais é do que um acessório da moda. Usar uma, ou ter uma tatuada, nada mais é do que uma declaração de tendência, modismo e aparência chique.
Com tantas opiniões diversas sobre o que significa a cruz lateral, é impossível saber ao certo por que alguém usa uma, a menos que ela expresse sua opinião sobre o assunto. Pessoas diferentes têm noções diferentes, e suas razões para ostentar uma cruz na posição horizontal variam.
É bom para um cristão usar uma cruz de lado? Não há nada abertamente pecaminoso nisso. E se dá oportunidade de expressar fé em Cristo, tanto melhor. A quantidade de confusão e a ambiguidade em relação ao significado de uma cruz lateral pode fazer alguns cristãos hesitarem. Como com qualquer coisa que fazemos, devemos perguntar: "Isso traz glória a Deus?" (1 Coríntios 10:31). Uma cruz lateral traz glória a Deus? Pode, dependendo de quem o usa e de seus motivos para usá-lo.
(Pesquisa realizada com o termo "sideways cross" no Got Questions.)Foto - Capela de São Pedro dos Pescadores da Paróquia de Nossa Senhora da Saúde, situada na Avenida Presidente Kennedy (Beira-Mar), n.º 4600, no bairro Mucuripe, em Fortaleza-CE.
ALISTANDO=NOS
Um sargento tomou meus dados pessoais e, ao preencher a ficha de alistamento no quesito cútis, ele datilografou: “pardo claro”. Como eu estranhasse a opção escolhida, ele foi taxativo: "Deixe de ser besta. No Brasil não há raça branca, todos são pardos". O fenótipo, idiota (livre pensar é só pensar). Com tez clara, cabelos lisos, nariz e lábios finos, digamos que eu seja uma exceção.
É verdade que o Brasil, resultou de uma grande miscigenação. Como se deu com a música brasileira, essa "flor amorosa de três raças tristes", no versejar de Bilac. Mas o que o sargento alegou pode ter sido por orientação de um superior hierárquico.
Ele também me perguntou se eu era voluntário para o serviço militar. Ora, eu estava me preparando para o vestibular de Medicina, que aconteceria no início do ano seguinte e, por conseguinte, não estava em meus planos servir à Pátria. Meu objetivo ali, para ser franco, era conseguir uma dispensa de incorporação.
Ao final, ele me entregou o certificado de dispensa de incorporação.
Dispensado de incorporação, retornei aos estudos que me conduziram à Faculdade de Medicina. Mesmo sabendo que, após a formatura, ainda teria que prestar contas com as Forças Armadas. Até então, eu tive que validar anualmente o meu Certificado de Alistamento Militar.
Em novembro de 1971, foi a vez de meu irmão Marcelo se apresentar na Junta. Sem pendor para a carreira militar e já focado no vestibular de 1972 (também para a Medicina), algo aconteceu em seu processo de alistamento que facilitou as coisas.
Ao passar pelos procedimentos antropométricos, o cabo que fez a leitura na balança proclamou:
- Vixe!... 42 quilos. Peso de bode.
Ao que o sargento, de pronto, corrigiu a apreciação do subordinado:
- Bode magro, não é?!
Diante desse resultado, a Junta confirmou sua dispensa do Serviço Militar Inicial, "com um laudo de insuficiência física temporária, podendo exercer atividades civis".
E Marcelo foi cuidar da vida. O que para ele significa ser: médico sanitarista, economista, professor universitário, pesquisador, escritor, membro de academias, polígrafo, blogueiro, causeur etc.
No início de 1972, na condição de candidato aprovado para o Curso de Formação de Oficial Médico, a ser realizado no Rio de Janeiro-GB, eu me apresentei no Hospital Geral de Fortaleza (do Exército) para me submeter ao exame médico admissional. Lembro-me de que o médico militar que me atendeu, inicialmente desconfiou que eu não teria 160 cm, a estatura mínima exigida para um oficial.
No entanto, eu media 161 cm, como ele afinal constatou. Fosse hoje eu teria sido eliminado. Quando a pessoa para de crescer, estabiliza a estatura por alguns anos, mas aí, pela ação conjunta da idade e da gravidade, passa a decrescer. Li alhures que seria a uma taxa de 1 cm por década.
Tempos depois, vim a conhecer melhor o tal médico examinador, que se chamava Dr. Eleazar. Ele era magérrimo, tocava um violino dos diabos e houve uma ocasião em que eu o acompanhei ao violão.
Quanto a Marcelo, sem nunca ter sido militar, tornou-se no maior contador/compilador de causos da caserna de que se tem notícia. Uma de suas histórias, em que ele foi o protagonista, está disponível em seu "Causos e Curiosidades Militares" (no prelo), com o título "Peso de bode magro". Está dado o spoiler.
Agora, o que é a relatividade das coisas:
Durante alguns anos, eu atendi como médico pneumologista um senhor octogenário, o qual era acompanhado também por um cardiologista. Esse paciente nunca chegou a aprender o meu nome nem o do meu colega. Quando queria se referir a nós, ele se utilizava dos termos "moreninho" e "branquinho". Eu era o "moreninho".
CEGO ADERALDO vs. ROGACIANO LEITE
Aderaldo nunca casou, mas criou 24 filhos adotivos. Por ser cego, ele precisava de guias e, para tanto, recrutava crianças abandonadas. Após ouvir uma provocação de Rogaciano sobre a sua solteirice, Aderaldo saiu-se com esta:
"De casar tive o desejo / Essa vontade eu não nego / Mas com minha experiência / Batata quente eu não pego / Passam chifre em quem tem vista / Que dirá em quem é cego!"
Num depoimento que deu em 1984, o cantor e compositor Silvio Caldas (parceiro de Rogaciano em "Cabelos cor de prata") relata que, no calor de um repente, Rogaciano deixou escapar umas desfeitas com Aderaldo. Que o cego imediatamente se vingou, respondendo assim:
"Andei procurando um besta / Porém, um besta capaz / E de tanto procurar um besta / Encontrei esse rapaz / Que nem serve pra ser besta / Porque é besta demais!"
Aderaldo e Rogaciano eram grandes amigos. Juntos percorriam os sertões nordestinos divulgando a cultura popular.
Legenda: Rogaciano Leite, em 1949, com Domingos Fonseca, Cego Aderaldo e Mário Aderaldo, num congresso, em São Paulo. Foto: Acervo Rogaciano Leite
PESAR PELO FALECIMENTO DE FRANCISCO DANIEL NETO
Lamento a partida do colega Dr. FRANCISCO DANIEL NETO, da nossa turma de Médicos de 1971, da Universidade Federal do Ceará.
Era pós-graduado pela Universidade Federal Fluminense em Ortopedia e Traumatologia, Medicina do Trabalho e Administração Hospitalar e Saúde Pública.
Residia e trabalhava em Fortaleza-CE.
Meus sentimentos à família de Daniel.
MEMÓRIA. EU, 50
Convidei amigos e a família para a comemoração de meus cinquenta anos no Revoir Buffet, a uma quadra do edifício em que eu morava no Cocó. Vieram os músicos: o violonista Claudio Costa, o flautista Hélio Menezes (que são primos entre si) e outro violonista que eu conheci naquela noite.
Antes da festa, o cinegrafista da ASN Vídeo gravou umas cenas em família conforme o combinado. Para uma delas, fiz um solo de "Rosa", a famosa valsa de Pixinguinha e Otávio de Souza. Contudo, dei um andamento tão rápido à música, atribuível ao nervosismo de um aniversariante, que ela ficou parecida com uma valsa-turbilhão.
Violão (solos e improvisos): Claudio Costa
Flauta transversa: Hélio Menezes
Quanto ao Revoir Buffet, hoje é a creche risonha e franca em que meu neto Benício estuda.
VOLTA DA JUREMA, 1948
ESTÁTUAS DA ÍNDIA IRACEMA EM FORTALEZA. PRIMEIRA PARTE
Praia de Iracema
Visitada por turistas e moradores, a estátua da Iracema Guardiã é dos anos 60, em comemoração aos 25 anos do bairro Praia de Iracema e aos 100 anos da obra de José de Alencar. O monumento foi restaurado em 2012.
O artista plástico responsável pela obra é Zenon Barreto que, em vida, presenteou o amigo e artista Descartes Gadelha com doze desenhos detalhados do projeto de sua escultura a fim de que ela fosse fundida em bronze. Jacqueline Medeiros, curadora da restauração, explica que "A partir desse projeto é que reconstruímos o arco e as 'curvas' de Iracema proporcionalmente, tentando aproximar o máximo às dimensões estabelecidas pelo desenho".
Segundo Jacqueline, o significado da posição da Estátua da Iracema Guardiã "é o de uma guerreira prestes a alçar a flecha em defesa da sua terra (acredito que, por isso, o artista tenha colocado o título de Guardiã) ou um ato de contrição diante da partida do seu amor.
Mucuripe (Volta da Jurema)
A escultura é do artista plástico pernambucano Corbiniano Lins e mostra uma cena do romance, na qual Iracema está com seu marido, o português Martim Soares Moreno, o cachorro Japi e o filho do casal, Moacir. Em meio ao cenário do Mucuripe, onde predominam as embarcações marítimas, a escultura retrata o momento da partida da família em uma jangada.
A enseada do Mucuripe foi escolhida para colocar a escultura por ser o local onde Iracema contemplava o horizonte aguardando o retorno de seu amado "Guerreiro Branco".
Lagoa de Messejana
O seu espelho d'água emoldura a maior estátua de Iracema de Fortaleza, com mais de doze metros de altura e 16 toneladas de peso. Também representa a personagem imortalizada pela pena de José de Alencar e suas formas foram inspiradas, conforme um concurso para esse fim, nas formas da modelo brasileira Natália Nara (ex-BBB).
LANÇAMENTO DO LIVRO "MEMÓRIAS DE UM SANITARISTA"
Com PREFÁCIO da Mestre em Epidemiologia e Doutora em Enfermagem Augediva Maria Jucá Pordeus, o presente livro engloba parte de suas memórias de médico sanitarista da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA), a partir do seu ingresso por concurso de Sanitarista realizado em julho de 1978, servindo atualmente para celebrar os 45 anos de sua atividade em Saúde Pública.
SOVACO DE COBRA
Dentre as mesas disponíveis, uma delas se destinava a Maciel e os músicos.
Esse era o ponto: o Maciel, além de proprietário, era a grande atração da casa com seu imenso repertório de chistes, canções fesceninas e paródias obscenas. Uma destas, "José meu mano", era uma releitura de "Cortando pano", do repertório de Luiz Gonzaga:
JOSÉ MEU MANOComprei pinico pra José meu manoMas devolvi porque houve enganoEu não sabia que José meu manoTinha o cu tão grande feito americano.- Ai, ai, que boca estreita que o penico tem!Quando ele caga, o pau fica de foraQuando ele mija, o cu fica também. (bis)
Não. Não pesquisem por Sovaco de Cobra no Google, pois vocês não o encontrarão. Aliás, vão encontrar um outro, o Suvaco de Cobra, localizado na avenida Gomes de Matos, no Montese, e que não guarda relação com o bar do Mucuripe.
No restaurante que o Google informa, você poderá ter mais opções de bebidas, um cardápio maior de petiscos e até shows programados de diversos artistas, mas não estará nele o bom e, se ainda estiver vivo, o velho Maciel, com sua verve e seu bumbo divertindo a todos.
ENCONTRO DA TURMA DE MÉDICOS DE 1983.1 DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Raison d'être: Comemoração dos 40 anos de formatura da Turma de Médicos de 1983.1 da UFC
Local: Salão de festas de La Brasilerie, na rua Tibúrcio Cavalcante, 736, Aldeota, em Fortaleza-CE
Data e horário: 08/07/2023, 20:00 - 01:00+1
A banda Zé da Zefa animou com sambas, carimbós e música nordestina a festa dos 40 anos da colação de grau da Turma.
ACENDER AS VELAS
Situada na Praça Padre Miguel, e dedicada à Nossa Senhora da Candelária, é a maior igreja barroca do Estado de São Paulo. Encontra-se bastante íntegra, preservando os seus altares e oratórios, imagens dos séculos XVIII e XIX, diversos quadros, móveis e adornos.
Enquanto Elba em silêncio orava, reparei para um objeto que fazia parte do mobiliário do templo. Uma espécie de urna de vidro contendo 24 velas elétricas. Em sua base, que era de ferro e madeira, havia uma fenda com uma pequena placa de orientação aos fiéis.
Não sei para vocês, mas não sendo um frequentador de igrejas, sinagogas e mesquitas aquilo para mim mostrou-se uma novidade. Assim como a cruz da primeira missa realizada no Brasil, na Praia da Coroa Vermelha - BA, deve ter sido para os índios da região.
Estando em Itu, logo intuí o que seria. Era o que eu imaginava.
A seguir, nesse afã de baixar o sarrafo, ela inseriu uma moeda de 0,25. Não pediu nada, agindo assim na última vez só para testar o algoritmo do sistema. Aí este, prontamente, acendeu a terceira vela.
CENTRO DE MEMÓRIA RAÍZES DA SABIAGUABA
Num dos quiosques do polo gastronômico comemos pastéis de carne do sol (muito bons), moqueca de arraia, cavalas fritas, baião de dois, salada e macaxeiras; e bebemos águas de coco, caipirinhas, cervejas e refrigerantes.
Este segundo passeio ao Complexo foi marcada por duas novidades com relaçao ao primeiro:
1) A constatação de que agora há um barco que leva os turistas até o ponto em que o rio desemboca no mar. Durante o passeio fluvial, que dura cerca de meia hora, tem-se uma continuada visão das dunas e do manguezal.
2) A descoberta de que já funciona no local o Centro de Memória Raízes da Sabiaguaba. Inaugurado no governo estadual de Izolda Cela, trata-se de um museu vivo, digamos assim, em um espaço completo de gastronomia, cultura e natureza.
DISCURSO DE POSSE DO EDUCADOR TALES NA PRESIDÊNCIA DA ACL
Angela aclama Batista de Lima que acolhe Beatriz Alcântara que admira Carlos Augusto que agrada Celma que se alegra com César Ásfor que apoia o outro César, o Barros Leal, que aprecia Cid Carvalho que aprova Diatahy que se associa a Durval que celebra Flávio Leitão que colabora com Geraldo Amâncio que se congratula com Giselda que conta com Grecianny que contempla João Soares que coopera com José Augusto que dá atenção a Juarez Leitão que destaca Laéria que é fã de Linhares que elogia Lourdinha que enobrece Luciano que estima Lúcio Alcântara que exalta Manfredo que se fascina com Marcelo Gurgel que felicita Marly que gosta de Mauro Benevides que homenageia Murilo Martins que ilumina Napoleão que inspira Noemi Elisa que se irmana com Pádua Lopes que louva Pio que manifesta consideração a Regine que se maravilha com Révia que prestigia Sadoc que preza Sânzio que quer bem a Tales que ressalta Teoberto que simpatiza com Ubiratan que tem amizade com Vera que torce por Virgílio.
Ver a íntegra desse discurso em:
SOLDADINHO-DO-ARARIPE
Neste documentário (inDICAção da colega Célia Ciarlini) você vai conhecer: várias histórias e o comportamento do soldadinho-do-araripe, além de assistir a uma entrevista com o biólogo Weber Girão, um dos responsáveis pela descoberta e descrição dessa espécie para a ciência.
SÃO PAULO - SEGUNDA PARTE
✥Parque de Ibirapuera. Encravado entre os bairros de Moema e Vila Mariana, é o parque mais famoso da capital paulista. Ao entrarmos pelo Portão 6, nos deparamos com o Ibira (termo íntimo, né?) lotadíssimo, possivelmente por ser um dia santo (Corpus Christi). Além das clássicas pistas para caminhadas e corridas, das ciclovias para os usuários de bicicletas, skates e patins, e dos gramados para a gente ficar à toa, o parque apresenta quadras poliesportivas, museus, lagos, pavilhões temáticos, restaurantes, planetário, auditório e outras atrações.
✥Beco do Batman, no coração da Vila Madalena, é uma das principais atrações turísticas da cidade. Entre vielas e travessas, o local atrai turistas que buscam participar da vida boêmia do Beco, ver suas paredes grafitadas e circular pela feirinha de artesanato que se estende por suas pequenas ruas, onde o trânsito só é permitido para pedestres. Atendendo a uma recomendação de nosso filho Érico, almoçamos no "Ziv Gallery" (1.º andar: galeria; 2.º andar: restaurante).
✥Museu Catavento, o museu de ciência e tecnologia do Estado de São Paulo. Situado no centro da capital, ocupa o antigo Palácio das Indústrias. Sua área expositiva encontra-se dividida em quatro grandes seções: Universo, Vida, Engenho e Sociedade. Como fechou exatamente às 17 horas, não conseguimos ver todas as seções.
✥West Plaza Shopping. Situado na Barra Funda, é um dos 193 shoppings da cidade (ranking da Wikipédia). Fomos a este local no início da noite.
9 de junho, sexta-feira
✥Avenida Paulista. Percorremos nos dois sentidos esta importante artéria de São Paulo. Do Instituto Moreira Salles (IMS), que só abriria para o público às 10h, até a Casa das Rosas, e desta de volta ao IMS.
✥Casa das Rosas, no 37 da Paulista. É um casarão no estilo clássico francês com belíssimos jardins, dedicado a diversas manifestações culturais com enfoque em literatura.
✥Instituto Moreira Salles, no 2424 da Paulista. Com as seguintes exposições fotográficas no atual período: "Evando Teixeira, 1973"; "Iole de Freitas, anos 1970" e "Fotografia habitada, antologia de Helena Almeida". Além de suas três unidades - em São Paulo (cuja sede é um deslumbrante edifício com o "térreo" no quinto andar), Rio de Janeiro e Poços de Caldas -, o IMS abriga diversos sites como a Radio Batuta, o Portal da Crônica Brasileira e a Discografia Brasileira, entre outros. https://ims.com.br/
✥Rua 25 de Março, onde Elba comprou camisas para os nossos netos.
✥Bar Brahma, Localizado na esquina mais famosa do país, da Ipiranga com a avenida São João (eternizada por Caetano Veloso em "Sampa"), o Bar Brahma começou com um proprietário alemão, em 1948, isso mesmo, no ano em que nasci! A garçonete Letícia veio com chopes e virado paulista para matar a sede e a fome, enquanto um telão divulgava nomes e imagens dos artistas que fariam shows na casa (Demônios da Garoa, Ângela Rô Rô et al.). À saída, uma sessão de fotos abrangendo a estátua de Adoniran Barbosa (o autor de "Trem das Onze") com o cãozinho Peteleco.
✥Parque da Água Branca. Neste parque (próximo ao Hotel Ibis Barra Funda), encontram-se árvores típicas de Mata Atlântica e o local também conserva características que remetem ao ambiente rural, com a presença de galos/galinhas, patos e pavões (não vimos estes).
Ao meio-dia, em Guarulhos, embarcamos no avião da Latam para o voo de volta a Fortaleza.
SÃO PAULO, ITU E SALTO
Check-in às 13h no Hotel Ibis Styles SP Barra Funda.
Visita à Estação da Luz. Inaugurada em 1901 e é considerada um marco arquitetônico e histórico da cidade de São Paulo. Sua fachada é composta por colunas e frontões ornamentados, com destaque para a torre do relógio que se tornou um ícone da cidade. No interior, há um grande saguão central com uma ampla claraboia que proporciona iluminação natural.
A Estação da Luz também serve como ponto de partida para os trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que conectam a cidade de São Paulo a várias regiões metropolitanas da Grande São Paulo. Além disso, ela abriga o Terminal Rodoviário da Luz, de onde partem ônibus intermunicipais para muitas cidades do Estado de São Paulo, e o Museu da Língua Portuguesa, que é dedicado à preservação e celebração da língua portuguesa. Este museu foi inaugurado em 2006, mas sofreu um incêndio em 2015 e foi fechado para reconstrução. Em 2020, foi reaberto ao público.
https://www.cptm.sp.gov.br
Visita ao Museu da Língua Portuguesa. Situado em uma antiga estação de trem, o Museu da Língua Portuguesa oferece um agradável trajeto pela origem desse idioma. Você poderá conhecer como o português foi se expandindo da Europa para a América e para as diferentes regiões da África e da Ásia. Esse espaço abriga várias áreas interativas cujo objetivo é mostrar a grande diversidade da língua portuguesa, uma língua falada por mais de 260 milhões de pessoas no mundo inteiro. Depois de percorrer as áreas de sua exposição permanente e de assistir a dois audiovisuais em seus auditórios (um deles projetado à maneira de um planetário), nos dirigimos ao terraço para uma sessão de fotos ao pôr do sol. Por fim, sentamo-nos a uma mesa do Café Flor para o consumo de umas esfirras de escarole e croquetes de carne.
https://wcww.museudalinguaportuguesa.org.br/
À noite, jantamos no Celeiro da Fazenda, próximo ao hotel. O restaurante mantém um rodízio de pizzas, hambúrgueres, carnes, saladas, sobremesas etc. Somente as bebidas são pagas separadamente. E não cobram couvert artístico.
07/06, quarta-feira
Itu, com 180 mil habitantes, fica a 100 km da capital de São Paulo. No Terminal Rodoviário de Barra Funda, tomamos um ônibus convencional da Viação Vale do Tietê para uma viagem de duas horas até o Terminal Rodoviário de Itu.
✥Nesta histórica cidade, conhecemos o Museu Republicano, a Praça Padre Miguel, com a Igreja Matriz, e fomos fuçar no entorno em "lojas de suvenires exagerados".
Por ter sido a sede da Convenção Republicana (1873), Itu é conhecida como o "Berço da República". Além disso, em 1894 legou ao Brasil o seu primeiro presidente civil, o ituano Prudente de Morais.
Salto, com 140 mil habitantes, é um município vizinho a Itu. Há um trem - o trem republicano - que transporta os turistas entre Itu e Salto, e vice-versa. Preferimos os carros por aplicativo para nos deslocarmos entre os dois municípios.
Pontos que conhecemos em Salto:
✥Ponte Estaiada do Tietê com o Mirante ao lado. Neste, há um elevador que transporta os visitantes a uma altura equivalente a doze andares e de onde se descortina a cidade.
✥Centro comercial, onde almoçamos.
Fim do passeio nestas duas estâncias turísticas e o retorno noturno para a capital paulista.
MEIO QUE CELEBRANDO A VIDA
Mas é no atual ano que eu registro os seguintes marcos:
- 75 anos de vida;
- 57 anos de trabalho;
- 52 anos da profissão de médico;
- 39 anos de convivência conjugal;
- 17 anos de blogueiro;
- 12 anos da publicação de "Portal de Memórias", livro biográfico organizado por meu irmão Marcelo Gurgel.
Matutemos, matusquelas:
É assim que funcionam as tábuas de vida de um país.
O ÉTIMO DE "BIZU" É ÓTIMO
"Até hoje não sei a origem da palavra bizu. Sei que tem um fonema 'z' tão forte e óbvio que só pode ser escrito com 'z'. Mas, claro poderia ser escrito com 's'. E que é uma palavra discreta, sutil, segredeira. Vários dicionários consultados não a registram. Não está no Aurélio nem no Houaiss. E eu me pergunto: onde andaria? Os estudantes também se perguntam, às vésperas de cada prova: onde andaria?
Houve quem me dissesse que é termo onomatopaico, que quereria significar os sonidos do voo de um besouro. O som que traz uma notícia alvissareira. Não fiquei satisfeito. Andei em busca do étimo em outros dicionários, com baldados esforços. A única palavra que encontrei símile foi a que designa calouro em francês: bizut ou bizuth, que, a propósito dá origem também ao termo francês para trote.
Conhecida ou desconhecida a sua origem, o bizu corre, o bizu escorre, o bizu flui. Mais filosoficamente, o bizu permeia, o bizu pervaga. Pervaga o cérebro dos estudantes. Permeia o curso médico.
Trocando em miúdos, todavia, bizu (bisu?) é a dica, é a deixa que o professor deixou propositada ou involuntariamente escapar sobre a questão que vai cair na prova. Mas não é só isso. O termo tem seus mistérios."
Étienne Bézout (Nemours, 31 de março de 1730 — Avon, 27 de setembro de 1783) foi um matemático francês. Em 1758 Bézout foi eleito adjunto em mecânica da Académie des Sciences. Dentre diversos outros trabalhos, escreveu "Théorie générale des équations algébriques", publicado em Paris, em 1779. Seu livro didático se tornou referência a ponto de os professores da época usarem a expressão "vou dar explicação como o Bézout". A expressão foi transformada, aos poucos, em "vou dar o Bézout". Especialmente em escolas militares (Bezout era também o autor de "Cours de mathématiques à l'usage des Gardes du Pavillon et de la Marine", uma obra de quatro volumes que apareceu em 1764-67), onde logo se tornou comum usar o termo "bizu".
Quando a Família Real veio para o Brasil, trouxe, em sua comitiva, diversos professores de Coimbra. Esses docentes foram colocados na Real Academia Militar.
As aulas de Matemática eram o terror dos alunos, até descobrirem que os mestres usavam, como base das aulas e provas, um livro de um autor francês chamado Etienne Bezout.
Assim, corria pelos alunos a informação de que ter o livro do Bezout era fundamental para ter sucesso na matéria. Ter o Bezout era o diferencial e todos queriam o Bezout, que passava de mão em mão.
Essa é a origem (provável) do termo "bizu".
BIBLIOTECA DA FMUFC
Como os livros indicados por nossos mestres eram quase sempre muito volumosos, os apelidávamos de "tijolões" (os livros, bem entendido).
Quem não podia comprá-los, recorria à "carteira de empréstimos" da Biblioteca da FMUFC, à época dirigida pela saudosa Professora Cleide Ancilon de Alencar Pereira (falecida em 24/04/2018).
Para os livros mais procurados, existia inclusive uma fila de espera. E, quando só restava um ou poucos exemplares de um determinado título nas prateleiras da Biblioteca, praticava-se então o "overnight". Explico: o aluno tomava aquele livro de empréstimo por uma noite, com o compromisso de devolvê-lo na manhã do dia seguinte.
E, por ocasião das matrículas, tínhamos que provar que estávamos quites com a Biblioteca. Sob pena de sofrermos multas pela negligência.
Da inesquecível Prof.ª Cleide Ancilon (que esteve à frente da Biblioteca da Faculdade de Medicina / Centro de Ciências da Saúde, de 1957 a 1983), aqui transcrevo o seu relato para a publicação de "70 anos da Biblioteca de Ciências da Saúde da UFC":
"O problema de atraso na devolução dos livros, sobretudo os livros-texto, os mais demandados, era constante e difícil de evitar. Foram feitas diversas tentativas, desde conscientizar os alunos de sua responsabilidade para com os colegas, até suspensão do empréstimo pelo dobro do atraso, medida antipática, prejudicial e também ineficaz, vez que os atrasados sempre conseguiam colegas que tiravam os livros em seus nomes. Sendo tudo em vão, tivemos que implantar a multa, cobrando certa importância por dia de atraso. Foi baixada uma Portaria pelo Diretor da Faculdade (Dr. Waldemar Alcântara) neste sentido, ficando outrossim determinado que o dinheiro proveniente da multa seria investido na compra de livros-texto, a serem sugeridos pelos próprios alunos, no ato de pagamento da multa. Foi a maneira encontrada para que a multa fosse aceita, como, de fato, foi e funcionou bem.https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/57890/1/2019_liv_agmoreira.pdf
Os alunos sugeriam livros, e a Biblioteca comprava os mais solicitados. Um carimbo era posto na página de rosto do livro: “livro adquirido com dinheiro proveniente de multa”, com a data de compra, livraria e preço. Era feito um balanço todos os meses, sendo uma via afixada no flanelógrafo e outra via arquivada. Foi tudo muito bem, até que, um belo dia, após mudança na Administração Superior, fui convocada pelo novo Pró-Reitor de Planejamento sob ameaça de processo administrativo, porque todo o dinheiro arrecadado deveria ser recolhido aos cofres da Reitoria. Confesso que desconhecia a Lei, portanto a ilegalidade do meu procedimento fazia de mim uma ré confessa, com todas as provas contra mim; carimbo nos livros e balanço, tendo como defesa a Portaria do Diretor. Daí em diante, até hoje, o dinheiro da multa é recolhido aos cofres da UFC, o que é pena."
Quem possuía um gravador de voz, utilizava-se da ferramenta nas palestras mais importantes. E depois se reunia com o os colegas do grupo de estudos para que ouvissem as gravações realizadas. Por vezes, o dono do gravador datilografava as aulas e distribuía as cópias com os colegas.
Louvo aqui o Dr. Aluísio Pinheiro que, além das boas aulas de Psicologia que nos ministrava, disponibilizou as apostilas em que podíamos rever o assunto.
WALDEMAR RESSURREIÇÃO (1914 - 1980)
Em 1944, criou o grande sucesso carnavalesco "Que Rei sou eu?", em parceria com Herivelto Martins, um samba que foi gravado por Francisco Alves na Odeon. Esse samba fazia alusão ao rei CaroI II da Romênia, que abdicou do trono por causa da pressão sobre seu reino pelos nazistas. Refugiando-se no Rio de Janeiro com Madame Lupescu, hospedou-se no Copacabana Palace como uma pessoa comum, sem nenhuma realeza ostensiva, o que intrigava o carioca: afinal, que rei era aquele?
Foi o que inspirou a criação deste samba, gravado por Chico Alves na Odeon, que foi um grande sucesso no carnaval de 1945.
"Que rei sou eu? / Sem reinado e sem coroa / Sem castelo e sem rainha / Afinal que rei sou eu?"Ainda em 1945, Waldemar compôs com Herivelto o samba "Rei sem coroa", uma espécie de prolongamento do samba "Que Rei sou eu?", o qual foi também gravado por Francisco Alves na Odeon.
"Que rei sou eu? / Que vive assim à toa / Sem reinado e sem coroa / Sem castelo e sem ninguém?""Que Rei sou eu?" e "Rei sem coroa" estão disponíveis no canal do Luciano Hortencio no YouTube, neste pseudovídeo:
Em 1998, "Rei sem coroa" constou do show de João Gilberto no Teatro do Sesc Vila Mariana. Com a recente edição do álbum "Relicário" pelo @selosec, o aúdio pode ser apreciado aqui (LINK). É a faixa 14.
GENEALOGIA E PATRONÍMICO CONJUGAL
Usar o nome de solteira nas árvores genealógicas apresenta as seguintes vantagens:
- Impede que sejam perdidos os ramos matrilineares dessas árvores.
- Conecta as mulheres às suas famílias de nascimento.
- Ao gravar o nome pré-matrimonial, mantém-se a consistência da árvore familiar a que ela pertence.
- Essa orientação é válida especialmente nas plataformas de Genealogia, como Family Search, My Heritage, GenPro, Geni e outras.
POSSE DE J.B. SERRA E GURGEL NA ACLJ
Dia: 4 de maio de 2023, a partir de 19h
Local: Palacio da Luz, Rua do Rosário (Praça dos Leões), no centro de Fortaleza
Traje: esporte fino (para convidados); passeio completo com pelerine (para acadêmicos)
Confirmar presença pelo WhatsApp 9 9712 1262
João Bosco Serra e Gurgel nasceu em Acopiara, Ceará, de onde saiu aos 10 anos para estudar no Crato e, depois, aos 17, para estudar em. Fortaleza. Aos 17, começou a trabalhar na Gazeta de Notícias, com Dorian Sampaio, Tarcísio Holanda e Juarez Barroso e, aos 19, no jornal O Estado e na rádio Dragão do Mar.
Aos 20, estava no Rio de Janeiro. Levado por Tarcísio Holanda, entrou para o Última Hora. Depois, trabalhou na sucursal do Diário de São Paulo e na Editora Top, como repórter da coluna de Ibrahim Sued, em O Globo.
Aos 25, graduou-se em Ciências Sociais, com habilitação em Sociologia e Antropologia, pelo Instituto se Ciências Sociais da Universidade do Brasil, hoje UFRJ.
Através de Ibrahim Sued, chegou à Cia de Turismo do Estado do RJ, a Flumitur, onde foi diretor, e depois ao Ministério da Fazenda e à Embratur. Desta última, foi para o Instituto Brasileiro do Café, o IBC, e depois para o Instituto Nacional da Previdência Social.
Em 1974, fez concurso para o INPS, ingressando no Serviço Público Federal.
Aos 36, ingressou como professor de Relações Públicas e de Publicidade e Propaganda da Universidade de Brasília.
Foi colunista do Jornal de Brasília, do Jornal do Comércio do RJ, de A Crítica, de Manaus, e diretor da sucursal de O Fluminense, de Niterói, em Brasília.
Produziu e publicou mais de duas centenas de publicações nos Ministérios por onde passou e na Presidência da República.
Tem os seguintes livros publicados (entre muitos outros):
- Cronologia da Evolução Histórica das Relações Públicas
- Dicionário de Gíria (em sua 9.ª edição)
- Livro Negro da Previdência Social
- Livro Evolução da Previdência Social
- Nas Terras do Senhor Meu Pai
- Nas Terras do Senhor Meu Rei (volumes I e II)
Mantém na web os sites www.dicionariodegiria.com.br, www.cruiser.com.br e www.familiagurgeldeacopiara.com.br
BARRACA KABULETÊ
Em "Passado, presente e futuro de uma praia" (publicado em "O Povo", de 20/03/2017), Adriano Nogueira escreveu:
Com a metropolização e a consequente expansão da Loura (Desposada do Sol, a cidade de Fortaleza, no dizer de Paula Ney) nos anos de 1970, a vocação turística da cidade insinuou-se como o nicho possível para sua inserção no mercado das oportunidades de desenvolvimento. Estendeu-se a Avenida Santos Dumont até o seu encontro com a Dioguinho, criando-se a Praça 31 de Março (hoje mais bem denominada de Praça da Paz D. Helder Câmara). Surgiram botequins e boates praianos famosos como o Carnaubinha, o Kabuletê (que deu lugar ao Rebu), o Playboy e a Tatarana. E clubes de segmentos profissionais como o do Médico (o dos Magistrados, o dos Oficiais da Polícia e o de Engenharia) também foram sendo criados. As barracas pioneiras, frágeis e de singelo projeto, começaram a dar o ar da graça na parte velha do bairro. O ir e vir de norte a sul ainda era complicado, pois não havia urbanização. As praias do Meireles passaram a ser trocadas paulatinamente pela PF (Praia do Futuro), como passou a ser chamada.
https://www.opovo.com.br/jornal/colunas/romeuduarte/2017/03/passado-presente-e-futuro-de-uma-praia.html
Leitura recomendada:
https://docplayer.com.br/66439638-Tempos-e-espacos-da-praia-do-futuro.html
CANINHA SERESTEIRA
Ó lua cheia,De época e autor desconhecidos, como todas as demais quadrinhas que o Brasil cult selecionou no livro "Traçado Geral das Batidas", de Roberto Costa.
Cheia de graça,
E o meu bucho
Está repleto de cachaça.
Ora, quem acompanhou o violão seresteiro de Claudio Costa (sem parentesco conhecido com o escritor de igual sobrenome), sabe que esses versos não acabam assim.
Ó lua cheia,
Cheia de graça,
E o meu bucho
Está repleto de cachaça.
Apague a luz
Que ninguém viu
Eu estou doido, estou doidinho
Estou seco pra beber
Um garrafão não satisfaz
Eu não encontro amigos desleais
Um vagabundo que está
No botequim para cair
Ele promete não beber de hoje pra trás.
Ó flor!
CANÇÕES, PARÓDIAS E VIRUNDUNS
A música tinha um papel relevante nas atividades recreativas da Turma de Médicos de 71 da UFC. Tanto em nossos passeios, piqueniques e tertúlias, quanto na grande excursão que fizemos pelo Brasil, Uruguai e Argentina, no verão de 1970.
Tínhamos, por assim dizer, a nossa trilha musical, da qual constavam canções da Época de Ouro da música brasileira (Noel, Pixinguinha, Ary), sambas-canções (Ataulfo, Lupiscínio, Dolores, Maysa) e boleros (Evaldo e Jair), guarânias (Vieira, Taiguara), ritmos nordestinos (Gonzaga, Jackson), marchinhas de carnaval (Lamartine, Braguinha), bossa nova (Tom, Vinicius, João, Menescal e Bôscoli, Toquinho, Lyra e os irmãos Valle), músicas da jovem guarda (Roberto e Erasmo), do rock patropi (Seixas, Rita), músicas de festivais (Chico, Edu, Vandré, Milton), da tropicália (Gil, Caetano, Gal e Betânia), do Pessoal do Ceará (Fagner, Ednardo e Belchior), e da emergente MPB.
Que alternávamos com os hits que chegavam do exterior: músicas inglesas (Beatles, Rolling Stones), estadunidenses (Sinatra, Ray, Elvis, Dilan), latino-americanas (Trini Lopez, Bienvenido, Mercedes), francesas (Aznavour, Piaf), portuguesas (Amália) e italianas (Pavone, Endrigo, di Capri, Ornella).
Quem parte leva saudades de alguém
Que fica chorando de dor
Por isso eu não quero lembrar
Quando partiu meu grande amor.
Ai, ai, ai ai, ai ai ai
Está chegando a hora
O dia já vem raiando, meu bem
Eu tenho que ir embora.
Paródias
Lei 9610 de 19/02/1998 - Art. 47. São livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito.Assim é que circulavam entre nós as recriações com efeito humorístico de algumas canções. Dentre as mais lembráveis, as paródias de "Máscara Negra" (de Zé Kéti e Pereira Matos, gravada pelo próprio Zé Kéti e depois por Dalva de Oliveira), sem título certo ao ser recriada, e de "O Trovador" (de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, sucesso na voz de Altemar Dutra), que foi convertida para "O Trocador".
Quantos tiras!
Oh, quantos gorilas!
Mais de mil milicos em ação!
Estudante está apanhando pelas ruas da cidade
Gritando por liberdade.
[...]
Vou gritar, agora!
Não me leve a mal
Fora o Marechal!(bis)
O Marechal era Castello Branco.
Sonhei que um dia eu era um trocador
Dos velhos bondes que não voltam mais.
Passava assim a toda hora:
– Olha a ficha, senhor.
– Olha a ficha senhora.
Tinha uma mocinha que sentava atrás,
Não pagava porque a brecha era demais.
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ELDA: UM ANO DE SAUDADES
Ufa! Quanta saudade!
Querida Eldinha, sabemos que estás no Céu, pois como cristãos entendemos e acreditamos na ressurreição em Cristo. Há um ano, em 9/04/2022, a senhora partiu para o plano divino, mas nossa certeza de que estás com o Pai Eterno vem também da vida terrena que tiveste, considerando que te conduziste no caminho da bondade, do amor ao próximo e dos serviços aos entes queridos e, principalmente, a Deus.
Tua convivência conosco foi marcada pelo exemplo da retidão e do espírito de abnegação, de doação.
Cabe destacar que nos surpreendia sempre com tua atitude sábia e um exemplo "franciscano" de viver, demonstrando desprendimento das coisas materiais e ainda a importância da união familiar e dos valores éticos, morais e espirituais.
Eldinha, não temos palavras suficientes para expressar a grandeza da tua vida e da enorme satisfação em sermos teus filhos.
Por fim, reafirmamos o sentimento de que o teu amor por nós, teus filhos, continua presente no cuidado, no olhar afetuoso, no zelo maternal, só que agora vem de outro plano.
Obrigado por tudo, querida mamãe, estamos tentando seguir teus ensinamentos, conscientes do grande legado recebido por nós.
CHEGOU, CHEGOU
Este, que é um doce típico da culinária brasileira, especialmente na Região Nordeste do Brasil, chegou também ao "Linha do Tempo".
Em outros pontos do Nordeste, o doce é também conhecido por chegadinha, chegadim, cavaco chinês, cavaco, cavaquinho ou taboca; no Norte, por cascalho; em São Paulo e proximidades, por beiju (diferente do "biju", feito de tapioca); e, no Sul, por casquinha (por assemelhar a uma casquinha de sorvete).
Seus ingredientes básicos são farinha de trigo, goma (polvilho), açúcar e água. Pronta a massa, esta é finalmente assada em chapas quentes.
Suas porções são comercializadas por vendedores ambulantes que os levam em tambores metálicos, presos às costas por uma correia apoiada em um dos ombros. Percorrendo as ruas e praças da cidade, eles vão percutindo um triângulo (desses que são usados em trios de forró) por que precisam chamar a atenção dos potenciais fregueses.
Por vezes, o triângulo é substituído por uma matraca.
Dissertação e monografia:
ARAGÃO, Thaís Amorim. DOCE SOM URBANO: o triângulo e a territorializações dos vendedores de chegadinho em Fortaleza (dissertação), 190p. Faculdade de Arquitetura da UFRGS, Porto Alegre, 2012.
ARAGÃO, Thaís Amorim. Como vendedores de chegadinho usam o som em seu percurso urbano, (monografia), 15p. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011
Comandante Jota http://mobile.twitter.com/JotaKar/status/1043557402510073857
Linha do Tempo http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/01/vendedores-de-porta-em-porta.html
CORRESPONDÊNCIA COM CONRADO
http://blogdopg.blogspot.com/2013/05/os-girassois-de-van-gogh.html
Olá, Paulo, boa tarde, tudo bem?
Li no seu blog "EntreMentes", ao qual cheguei através do portal do querido Luis Nassif, o artigo sobre os girassóis de Van Gogh e a pesquisa genética que motivaram e achei muito interessante.
Por acaso vi uma espécie de "charge" com o tema, não é bem uma "piada", é mais uma ideia nonsense que achei simpática e achei que o Sr. gostaria de ver.
Mando a imagem.
Obrigado pela atenção.
Um abraço,
Conrado Paulino, por e-mail
CEARÁ E AMAZONAS, PROVÍNCIAS PIONEIRAS NA LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS
Em 1883, os "catraieiros" do Amazonas, que desempenhavam a mesma função dos jangadeiros cearenses – ligavando o cais do porto aos navios com suas pequenas embarcações – também entraram em greve e se negaram a transportar os negros escravizados que seriam enviados do Norte a outras regiões do país.
No ano seguinte, as duas províncias aboliram a escravidão – quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.
Esse pioneirismo foi resultado de uma conjunção de fatores, que vão do papel secundário dos escravizados na economia local ao ativismo dos abolicionistas.
A articulação com o movimento nacional, capitaneado por figuras como José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e André Rebouças, foi um fator determinante. E o baiano Manuel Sátiro de Oliveira Dias, então presidente do Ceará, em 25 de março de 1884, assinou a abolição nesta província.
Havia até uma expectativa nacional pela promulgação no Ceará. Meses antes, na Gazeta de Notícias, José do Patrocínio inaugurou uma coluna semanal com uma "contagem regressiva" que enumerava as cidades cearenses em que a abolição já havia sido decretada.
A primeira foi Acarape, atual Redenção.
No Amazonas, o presidente da província, Theodoreto Souto – que era cearense -, promulgou a abolição em 24 de maio, quando foram libertos os últimos escravos da província.
"Abolição dos escravos no Ceará", tela do artista plástico cearense Raimundo Cela (1890-1945)
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