COMPLEXO CULTURAL ESTAÇÃO DAS ARTES

No Twitter, em 26/10/2021:
Um dos maiores artistas da história do nosso Ceará e do país, o cantor e compositor Belchior completaria hoje 75 anos. Como homenagem a este ícone da MPB, sancionei a lei que batiza o Complexo Cultural Estação das Artes, no Centro de Fortaleza, de "Antônio Carlos Gomes Belchior".
Um justo reconhecimento a quem tanto contribuiu para a música do país. O Estação das Artes Belchior, que terá 67.000 m², está sendo construído na área da antiga Estação Ferroviária João Felipe e contará com o Mercado das Artes, a Pinacoteca do Estado, mercado gastronômico salas de exposição, biblioteca, museu, cinemas e as sedes da Secult e do Iphan.
O empreendimento vai garantir uma importante reocupação do Centro da Cidade, estimular a economia e tornar a arte mais acessível para a população.
Antiga Estação Central de Fortaleza, este prédio foi inaugurada em 1873 pela Estrada de Ferro de Baturité. Em 1946 passou a se chamar Professor João Felipe, nome de um engenheiro ferroviário cearense. Desta estação partiam duas linhas de trens: a linha sul até Crato e a linha norte (que passava por Sobral, a terra natal de Belchior) até Oiticica. PGCS

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No Twitter, em 30/03/22:
A noite desta quarta-feira foi histórica para a Cultura do nosso Estado. Inauguramos o Complexo Cultural Estação das Artes Belchior, na antiga Estação João Felipe, em Fortaleza. A área, de 67 mil m2, passou por restauração estrutural e modernização. O equipamento conta com Mercado das Artes, Pinacoteca do Estado, mercado gastronômico, salas de exposição, biblioteca, museu e as sedes da Secult e do Iphan, além de urbanização do entorno. Aproveitem esse belíssimo espaço cultural de nossa capital.

CALARAM-SE AS LÍNGUAS

Em outubro do corrente ano, a Turma Carlos Chagas (Andreas Vesalius) de médicos diplomados pela Universidade Federal do Ceará, em dezembro de 1971, celebrou o seu cinquentenário de formatura. No bojo da programação comemorativa traçada por essa turma, da qual fazem parte quatro ilustres membros da Academia Cearense de Medicina (ACM), os doutores Adriana Costa, Lúcia Alcântara, Roberto Bruno Filho e Roberto Misici, foi incluída uma sessão de fortes lembranças, quando o Dr. Paulo Gurgel, em nome dos colegas, prestou homenagem póstuma a 17 companheiros de jornada que partiram, antecipadamente, ao encontro do Pai.
Dentre os falecidos pranteados, está o Prof. Dr. Carlos Maurício de Castro Costa, o "Mauricinho", que deixou esse mundo menor ainda menor, com a sua inopinada partida, em 15/03/2010, minado por uma doença traiçoeira, contra a qual lutou, obstinadamente, durante um ano, sem demonstrar abatimento ou revolta, mas tocando, com denodo, os seus muitos afazeres acadêmicos, tanto na assistência, no Serviço de Neurologia do Hospital Universitário Walter Cantídio, como na pesquisa, no Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFC.
Dele, além das lembranças de um passado que remonta à minha meninice, como catecúmeno e membro da “Cruzadinha” da Igreja de Nossa Senhora das Dores, no bairro Otávio Bonfim, passando pelos trabalhos que em conjunto executamos na feitura de cursos, congressos e concursos, guardarei na memória os registros dos nossos dois últimos encontros, ocorridos em 26 e 27 de fevereiro de 2010, quando ele esteve hospitalizado no ICC. No dia 26/02/2010, sexta-feira, ao saber do seu internamento, fui visitá-lo, colocando-me à sua disposição, caso tivesse alguma necessidade, e entabulamos uma agradável conversa, sobre assuntos variados, o que dava a entender que, para ele, o internamento era uma mera intercorrência de sua enfermidade, a ser superada, à custa dos cuidados médicos, visto que perseguia o cumprimento de suas tarefas, tendo me indagado sobre a publicação de um livro que eu organizava, e para o qual contribuía com um texto. Notei que sobre o criado-mudo, junto ao leito, repousavam três livros que trouxera para leitura: eram dois de gramática árabe e um de gramática japonesa, todos escritos em francês. Aproveitei o momento, para brindá-lo com o livro "Smile: tributo à memória do Prof. Eilson Goes", lançado em outubro do pretérito ano de 2009.
Na manhã do sábado, dia 27/02/2010, voltei ao hospital do Instituto do Câncer do Ceará, para revê-lo e saber como passara a noite. Ele disse-me que tivera uma noite tranquila, e lera boa parte do "Smile", acusando ter feito isso com muito gosto. Os sinais de emaciação em seu corpo, frutos da doença consumptiva, eram já evidentes; porém, o seu espírito destemido e a sua vontade inquebrantável não pareciam fraquejar, aguardando a alta, para esse mesmo dia, enquanto confessava e planejava suas ações de trabalho para os meses vindouros.
Desse nosso encontro, que não esperava ser o último, saí esperançoso, porém preocupado, e até lembrando a "fase da barganha", de Elizabeth Kübler-Ross, imaginei, cá com os meus botões, o seguinte: Por que Deus não o deixa entre nós, até que ele aprenda o basco? Isso, por certo, seria uma boa negociação, porque há uma lenda que Deus, para castigar o diabo, determinou que o "anjo decaído" estudasse a língua basca durante sete longos anos; alguns dizem que o "demo", apesar do tempo despendido, não teria conseguido aprendê-la.
Para o Carlos Maurício, dada à sua extrema facilidade em aprender idiomas, talvez tivéssemos, com tal acordo vantajoso, a garantia de tê-lo conosco, quiçá, por mais uns três anos, enquanto perdurasse o aprendizado do "euskera".
Com efeito, Mauricinho era um dos maiores poliglotas do Ceará, sendo fluente em espanhol, francês, inglês, italiano, alemão, holandês, russo e sueco; o latim e o grego clássico, religiosamente estudados nos seus tempos de seminarista diocesano, lia e escrevia razoavelmente; e ainda compreendia o árabe e o japonês.
Munido desse arsenal linguístico, quem sabe não terá ele chegado aos páramos celestiais e, diante de Pedro, ter repetido as mesmas palavras atribuídas a Rui Barbosa, na II Conferência da Paz, ocorrida em Haia em 1907: Em que língua quereis que vos fale?
Como reconhecimento póstumo a tão excepcional figura humana, a ACM, em Sessão Solene acontecida em 14 de maio de 2010, conferiu ao Dr. Carlos Maurício de Castro Costa o título de Acadêmico Honorário in memoriam.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
(da Academia Cearense de Medicina)

DIPLOMA DE MÉRITO ÉTICO-PROFISSIONAL

Bom dia, Dr. PAULO GURGEL CARLOS DA SILVA,
Estamos enviando-lhe o convite formal para a homenagem DIPLOMA DE MÉRITO ÉTICO-PROFISSIONAL.
Segue o link de acesso ao evento, que pode ser compartilhado com os familiares, caso desejado.
Hora: 18/10/2021
Horário: 19h30
Plataforma Zoom:
https://us02web.zoom.us/j/82028847617?pwd=ZkZqbjVCQi8yUVZSekRrTG5ndkhPZz09
CREMEC
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O Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará realizará hoje (Dia do Médico), às 19h30, a outorga das Medalhas de Honra ao Mérito Profissional e dos Diplomas de Mérito Ético-Profissional, em solenidade pela web, com a transmissão aberta aos homenageados, seus familiares, à classe médica e demais interessados. O formato on-line decorre da necessidade de cumprir as medidas sanitárias relativas à pandemia.
O Diploma de Mérito Ético-Profissional foi instituído pela Resolução CREMECN.º 20/1999 com o propósito de reverenciar médicos com 50 anos de profissão sem qualquer sanção ética e, assim, estimular o exemplo entre aqueles que se iniciam ou estão na atividade.

DA MILANO A FORTALEZA

Obra de estreia do milanese-fortalezense Roberto Misici no mundo da arte literária.
No dizer do colega Pedro Henrique Saraiva Leão, o autor "sobre ser um excelente coloproctologista, possui dois corações, um na Itália e um no Brasil (e o daqui também pertence à Academia Cearense de Medicina)".
A apresentação oral deste livro por mim (Paulo Gurgel) acontecerá na tarde de sábado (16), logo após a minha exposição UMA HOMENAGEM EM 2021 AOS COLEGAS INESQUECÍVEIS, no XI Encontro da Turma Andreas Vesalius / Carlos Chagas, a realizar-se no Hotel Dom Pedro Laguna, em Aquiraz.
Conteúdo
Prefácio, por Marcelo Gurgel
Parte I - Ensaios (3)
Parte II - Discursos e Crônicas (4)
Parte III - Homenagens e Entrevistas (4) 
Ficha técnica
Título: Da Milano a Fortaleza (De Milão para Fortaleza)
Organização e revisão por Marcelo Gurgel
Capa: cores das bandeiras nacionais da Itália e do Brasil (modificadas); imagens desfocadas das catedrais de Milão (Duomo di Milano) e de Fortaleza; abas com depoimentos de amigos (6)
Diagramação, impressão e acabamento pela Expressão Gráfica, uma editora em Fortaleza
Tiragem: 400 exemplares
144 páginas, ilustrado
ISBN: 978-65-5556-258-3

UMA HOMENAGEM EM 2021 AOS COLEGAS INESQUECÍVEIS

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." Guimarães Rosa, in "Grande Sertão: Veredas"

"Nenhum homem é uma ilha, cada homem é uma partícula do continente, uma parte da Terra. Se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio. A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti." John Donne, 1624

"Saudade é um elogio ao passado." Mario Rigatto

MÉDICOS FORMADOS PELA UFC. ENCONTROS DA TURMA DE 1971

(n = 12)
Anos e locais
1981 (10 anos) - Jantar dançante no Ideal Clube, em Fortaleza. Churrasco em um sítio na AM de Fortaleza.
1986 (15 anos) - Jantar no restaurante do Náutico Atlético Clube, em Fortaleza.
1991 (20 anos) - Coquetel (quinta-feira) na residência de Roberto e Sônia Lôbo, em Fortaleza. Fim de semana no Hotel Praia das Fontes, em Beberibe-CE.
1996 (25 anos) - Fim de semana (13 a 15 de dezembro) no Ytacaranha Hotel de Serra, em Meruoca-CE.
2001 (30 anos) - Jantar dançante (13 de dezembro, quinta-feira) no Alice's Buffet, na Cidade dos Funcionários, em Fortaleza. Almoço na casa do colega Nilo Dourado, na Praia das Fontes, em Beberibe-CE.
2011 (40 anos) - Fim de semana (11 a 13 de novembro) no Porto d'Aldeia Resort, em Sabiaguaba, Fortaleza.
2013 (42 anos) - Fim de semana (15 a 17 de novembro) no Hotel Dom Pedro Laguna, em Aquiraz-CE.
2015 (44 anos) - Fim de semana (13 a 15 de novembro) no Carnaubinha Praia Resort, em Luís Correia-PI.
2016 (45 anos) - Fim de semana (20 a 23 de outubro) no Vila Galé, em Cumbuco, Caucaia-CE.
2018 (47 anos) - Fim de semana (11 a 14 de outubro) no Hotel Luzeiros, em São Luís-MA.
2021 (50 anos) - Fim de semana (15 a 17 de outubro) no Hotel Dom Pedro Laguna, em Aquiraz-CE. Homenagem prestada pelo CREMEC no Dia do Médico (18).
2024 (53 anos) - Fim de semana (22 a 24 de novembro) no Hotel Vale das Nuvens, em Guaramiranga-CE

RETROSPECTIVA DE MINHA PARTICIPAÇÃO EM "CAUSOS DA CASERNA"


Paulo Gurgel Carlos da Silva
Portal de Memórias, 2011
Parte II: "Causos do Paulo" (p.49-66).
Dez causos originalmente publicados no blog EM, depois de copidescados por Marcelo Gurgel para o livro "Portal de Memórias". Destes relatos, três se referem a fatos ocorridos em hospitais do Exército: "Recebendo a carga", "O Pai do Vento" e "A nova receita para uma vida saudável".
ISBN 978-85-901655-4-5

Meia-Volta Volver!, 2013
"O corneteiro de Pirajá" e "Pium e carapanã", juntamente com os três causos acima citados (depois de revertidos às formas originais). Além disso, constou do meu capítulo no livro a "Fraseologia militar", uma compilação de frases típicas da vida castrense (p.81-89)
ISBN 978-85-420-0289-8

Ordinário, Marche!, 2015
"O índio nu", "O índio e o português" e "Os índios mateiros" (p.92-94).
Três curtas histórias sobre a presença dos índios no Exército brasileiro, que me foram contadas pelo "Capitão Lima" (posto e nome de guerra colocados entre aspas, para fazer o tempo parar no tempo em que trabalhamos no Hospital Geral de Fortaleza). Estas histórias aconteceram na área do Comando de Fronteira do Solimões, no Amazonas, onde ambos prestamos serviços em épocas diferentes.
ISBN 978-85-420-0549-3

Ombro, Arma!, 2018
Nove cases militares (p.79-88). Marcelo Gurgel selecionou-os dentre as minhas postagens no blog EM. Não aconteceram no Brasil.
ISBN 978-85-420-1300-9

Fora de Forma!, 2020
Mais oito cases militares ocorridos fora do Brasil, anteriormente  postados no blog EM (p.74-84), e dois textos que constam do capítulo "Biografias"; "Antônio Sales e sua época" e "Wilson da Silva Bóia, o polímata" (p.106-110). Para finalizar, em "Memórias", estão cinco crônicas que remontam ao período que vivi na região do Alto Solimões/AM:  "Voos amazônicos 1974-75", "Benjamin Constant, Tabatinga e Letícia", "Iquitos", "A Pérola do Javari" e "A Islândia sulamericana" (p.111-125). Embora se desviem dos padrões geralmente aceitos para os causos, escrevi-os com o espírito de um "causeur".
ISBN 978-65-5556-107-4
Post scriptum
A partitura abaixo representa o toque de descansar pela corneta durante uma formatura (ou ordem unida). Há cerca de 35 toques da corneta no EB. Os favoritos (desde que Adão era cadete) são: "descansar", "à vontade", "fora de forma", "avançar rancho" e "término de expediente". Com a escolha da expressão "Fora de forma" para título do livro, o meu "Descansar" não pôde ir para a capa. Foi uma pena, pois a partitura está na íntegra.


Nota
Conheci na caserna muitos militares dignos, honrados e patriotas. Meu interesse pelo registro destes causos é um reconhecimento tardio à boa convivência que tive com eles. Não deve ser visto como um endosso àqueles que, nos momentos difíceis da vida nacional (1964, 2016), atuaram fora do Estado Democrático de Direito.

RAIMUNDO PEREIRA DE QUEIROZ FILHO

Conheci-o  quando iniciamos o curso de Medicina da UFC, no ano de 1966. Discreto, reservado, mais do que colegas, somos amigos.
Muitas vezes, geralmente às vésperas de provas importantes na Faculdade, reuníamo-nos para estudos em sua casa na Rua Lauro Maia. Era casado com a Sra. Adelaide Lima Queiroz.
Raimundo Queiroz teve uma vida de muita luta e sacrifícios quando precisou conciliar os estudos na Faculdade de Medicina com as obrigações de sargento da Aeronáutica e, como esposo e pai extremoso, dedicar-se também à família. Lembro-me de que acompanhava os filhos (Lídia Maria, Hermeto Luís, Herialdo e Helder) em seus deveres escolares, além de levá-los de casa para a escola e trazê-los de volta.
No segundo semestre do sexto ano de Medicina, fomos aprovados no concurso da Escola de Saúde do Exército. Concludentes da Faculdade de Medicina em 1971, fizemos parte da turma de 1972 da Escola de Saúde, juntamente com os colegas Valdenor e Ozildo. Findo o Curso de Formação de Oficial Médico, Queiroz veio servir em Fortaleza . Quanto a mim, permaneci na Guanabara, lotado no Hospital Central do Exército (onde havia realizado no ano anterior meu estágio técnico-profissional).
Em 1975, o destino nos reuniu no HGeF, o Hospital Geral de Fortaleza. Tínhamos concluído nossos períodos de serviço em áreas consideradas especiais: no meu caso, em Benjamin Constant-AM, por doze meses; e Queiroz, em Imperatriz-MA, por dezoito meses.
Fomos promovidos a capitães médicos no HGeF. Adiante, com o meu desligamento a pedido do Exército em 1977, nossos contatos tornaram-se escassos, sendo esta a última ocasião em que estivemos juntos:
Raimundo Queiroz (atrás: um de seus filhos) e Paulo Gurgel (atrás: Elba, minha esposa). Recorte de uma fotografia panorâmica realizada por Leocácio Ferreira, em 21 de dezembro de 1986, no Náutico, por ocasião da comemoração dos 15 anos de formatura dos médicos da turma de 1971 da Faculdade de Medicina da UFC.
Lembro-me também de Queiroz organizando seu consultório médico em Maracanaú, entusiasmado com a ideia de assistir as pessoas do município. Depois de sua passagem para a reserva do Exército, seria em Maracanaú onde ele daria continuidade à sua carreira profissional, prestando relevantes serviços na área da Saúde como médico, diretor e secretário.
Quando atuava à frente do Departamento Administrativo da Secretaria de Saúde, Raimundo Queiroz participou da implantação da Estratégia de Saúde da Família em Maracanaú (Revista Brasileira Saúde da Família, p. 23-37) e ajudou a organizar o atendimento nos postos durante a epidemia de cólera, ocorrida em 1993. Ele foi ainda um grande incentivador do Projeto Farmácia Viva.
Como reconhecimento de seus serviços profissionais e e de seu trabalho em prol da emancipação do município em 1983, foi-lhe outorgada em 2007 a Medalha Almir Dutra pela Câmara Municipal de Maracanaú.
P.S.
Atualmente sob assistência médica domiciliar, Raimundo Queiroz vive em seu antigo endereço no bairro de Fátima, em Fortaleza (estas últimas informações foram prestadas, em 22/09/2021, pelo filho Hermeto Luís).
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Linha do Tempo de RPQF
  • Sargento da Aeronáutica
  • FMUFC (1966-1971)
  • Escola de Saúde do Exército (1972 Guanabara-RJ)
  • GO Fortaleza
  • Imperatriz-MA (18 meses)
  • HGeF
  • Maracanaú (1977-2009)
  • Pernambuco (?)
  • Medalha Almir Dutra (2017)
  • Esposa: Adelaide († 2020). Filhos: Lídia Maria, Hermeto Luís, Heraldo e Hélder

A 19.ª TURMA DE MÉDICOS DA UFC (1971)

No início do ano letivo de 1966, após selecionados pelo Concurso de Habilitação da Universidade Federal do Ceará (UFC), (1) estávamos reunidos em um auditório da Faculdade de Medicina para a aula inaugural de nosso curso de graduação.
Éramos 100 alunos, em maior parte nascidos no Ceará, jovens e com a predominância numérica do gênero masculino. Começávamos ali a dar os primeiros passos de um projeto comum que nos conduziria à profissão médica.
Como estava previsto, escolhemos os representantes da turma para as várias cadeiras ou disciplinas do primeiro ano (Anatomia, Embriologia e Histologia, Bioquímica e Estatística) e também o nome pelo qual a nossa turma seria designada. Por aclamação, foi escolhido o nome Andreas Vesalius, que era o nome de Andries van Wezel em sua forma latinizada.
Vesalius, o médico belga que é considerado o "pai da anatomia moderna", foi o autor de "De Humani Corporis Fabrica", um atlas de anatomia humana publicado em 1543. Sobre a escolha de seu nome para a designação da turma, aparentemente pesou a circunstância de ser a Anatomia, dentre as cadeiras da grade do primeiro ano, justamente a que mais empolgava os novatos da Faculdade de Medicina. (2)
O médico de Bruxelas foi, sem dúvida, merecedor àquele momento de nossa homenagem. Seu nome contribuiu para manter a coesão da 19.ª Turma de Medicina da UFC, em torno de algumas propostas que foram surgindo. Como, por exemplo, fazer uma grande excursão em ônibus fretado, por seis Estados brasileiros até o Uruguai e a Argentina. (3)
Foram longos anos de estudos em que procuramos aprender com afinco as 39 disciplinas que os mestres nos ensinaram.
Quando chegamos ao internato, ao ensejo da preparação do convite de formatura, deliberou-se pela adoção do nome Prof. Carlos Chagas, como forma de prestigiar o renomado médico e cientista brasileiro.
Em dezembro de 1971, recebemos o grau de médico pela UFC. Devido a inclusões e exclusões de colegas por motivos diversos ao longo da graduação, contávamos 97 em nossa formatura. (4)
Notas ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
(1) O Concurso constou de cinco provas: Física, Química, Biologia, Português e Inglês. Surpreendendo os candidatos com o poema "Surpresa", o processo seletivo de 1966 ficou conhecido como o "Vestibular da Cecília Meireles".
(2) Outros "pais" como o histologista Malpighi, o bioquímico Krebs e o estatístico Gauss não eram páreos.
(3) A excursão foi realizada no término do quarto ano. Ao que parece, fomos a primeira turma da Faculdade "a passar ainda além de Taprobana".
(4) Data de colação de grau: 18/12/1971. Reitor: Dr. Walter de Moura Cantídio. Diretor: Dr. Walder Bezerra de Sá. Patrono: Prof. João Barbosa Pires de Paula Pessoa. Paraninfo: Prof. Raimundo Porfírio Sampaio Neto.
Web/Bibliografia---------------------------------------------------------------------------------------------------
http://www.ufc.br/memoria-da-ufc
http://www.ufc.br/noticias/noticias-de-2013/3587-historia-e-homenagens-abrem-comemoracoes-dos-65-anos-da-faculdade-de-medicina
http://www.medicina.ufc.br/wp-content/uploads/2019/10/alunos-egressos-1953-20171-min.pdf
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/07/medicos-formados-pela-ufc-em-1971-turma.html
Martins, JM. Faculdade de Medicina da UFC - Professores e Médicos Graduados. Edição do Cinquentenário (vol. III). Fortaleza: Imprensa Universitária, 2000. 304p.
Silva, MGCS (org.). Portal de memórias: Paulo Gurgel, um médico de letras. Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2011. 200p. il. ISBN978-85-901665-4-5

A PORTA ESTREITA

"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que por ela entram. E quão estreita é a porta, quão apertado é o caminho que leva à vida e quão poucos a encontram!" (Mateus 7: 13,14)
A porta do Mosteiro de Alcobaça, em Portugal, que abre para o refeitório tem 32 cm de largura por 2 m de altura. Por quê?
Diz a lenda que essa foi a maneira de controlar o peso dos monges. Quem não passasse pela porta ficava sem comer até atingir o peso ideal que lhe permitisse entrar no refeitório. A história é repetida pelos guias turísticos e diverte os visitantes desse belíssimo mosteiro do século XII. A verdade, porém, é que essa porta, que dava para a rua, era para entregar refeições aos pobres evitando que os monges saíssem ou que outras pessoas entrassem. André Luiz, no Face
Comentários
Para passar a comida para fora bastava um postigo.  A versão do controle do peso/volume dos monges faz todo o sentido! (Helena Fragôso)
A ideia foi boa, dava para os dois casos. (António Manuel Coelho)
Na ideia de que um moderno problema requer uma solução medieval, foi onde OSMAR DO CAMARÃO foi buscar inspiração? Ou foi só uma coincidência? (Paulo Gurgel)

PAREIDOLIAS E ASSUNTOS CORRELATOS

Miniconferência a ser proferida hoje, segunda-feira (6), às 8 horas, no XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores (Sobrames).

RESUMO (*)

SLIDESHOW

VÍDEO (online)

(*) Também nos Anais do Congresso

XXVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE MÉDICOS ESCRITORES (SOBRAMES)


Este ano o evento será realizado no formato 100% digital, de 4 a 7 de setembro. O congresso terá programação interativa com lançamento de livros, cursos, palestras, concurso literário e muitas outras atividades com grandes nomes da literatura e cultura nacional. O congresso conta com a presidência do médico e escritor Dr. Arruda Bastos, que preside ainda a gestão nacional e regional Ceará da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames).
SOBRAMES/CONGRESSO (inscrições)

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"LINHA DO TEMPO" ULTRAPASSOU A MARCA DAS 500 MIL VISUALIZAÇÕES

DESTRUIÇÃO E RESTAURAÇÃO DA "MULHER RENDEIRA"

Instalada desde 1966 no pequeno jardim da agência do Banco do Brasil, localizada na Praça do Carmo, Centro de Fortaleza, a escultura "Mulher Rendeira", obra do artista pernambucano Corbiniano Lins (1924-2018), foi reduzida a pedaços. Em 29 de maio de 2020, operários de uma empresa de engenharia contratada pelo Banco para uma reforma, desmembraram-na a golpes de marretas.
O fato foi inicialmente denunciado por Davi Lopes, leitor do Diário do Nordeste. Ao tomar conhecimento do caso, o educador de arte José Viana deslocou-se até o local onde os destroços da escultura se encontravam e impediu que virassem entulho.
José Hortencio fez um voto de louvor no Jornal GGN a este "cidadão fortalezense José Viana da Silva Neto, que, por esforço próprio, impediu fosse a estátua MULHER RENDEIRA perdida para sempre".
Com isso, a estátua feita de alumínio cozido foi enviada a Recife para restauração por Chico Lins, filho do escultor pernambucano. E, cerca de ano depois do episódio de destruição da escultura "Mulher Rendeira", a cidade de Fortaleza recebeu de volta o seu símbolo cultural restaurado.
Foto: PGCS, 25/08/2021
http://twitter.com/EntreMentes/status/1268030693310902272
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/quase-um-ano-apos-ser-destruida-escultura-da-mulher-rendeira-retorna-a-fortaleza-restaurada-1.3085306
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/05/a-renda-de-bilros.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/04/mulher-rendeira.html

VIOLONISTAS CEARENSES

(página em construção)
Allan Sales
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/11/celebrando.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2014/03/allan-sales-talento-e-criatividade.html
Amaro Penna (Peninha)
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/05/amaro-penna-peninha.html
Carlinhos Patriolino
http://blogdopg.blogspot.com/2009/01/rhuinas.html
Claudio Costa (Claudio Castro)
http://blogdopg.blogspot.com/2007/01/velho-palhao.html
http://blogdopg.blogspot.com/2007/04/um-show-que-no-acabou.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2009/06/comigo-sim-violao.html
http://blogdopg.blogspot.com/2009/07/louco-de-dar-do.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2010/12/memoria-recitais-de-claudio-costa.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/06/o-pombo-cheio.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/12/proezas-nao-tenho.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2015/06/dozinho-da-gia.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2017/01/um-violao-no-sertao-central.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/10/violonistas-cearenses-vilamar-lucia-e.html
http://preblog-pg.blogspot.com/2010/11/o-violonista-maior-claudio-costa.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2023/04/caninha-seresteira.html
Claudio Costa: foto do Jornal Parque Araxá
Eugênio Leandro
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/08/canoa-quebrada.html
Evaldo Gouveia
http://blogdopg.blogspot.com/2011/03/tributo-evaldo-gouveia.html
http://blogdopg.blogspot.com/2019/03/tributo-evaldo-gouveia-2.html
http://blogdopg.blogspot.com/2020/05/tributo-evaldo-gouveia-3.html
Índios Tabajaras
http://blogdopg.blogspot.com/2009/05/indios-tabajaras.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/05/indios-tabajaras.html
Joãozinho
https://blogdopg.blogspot.com/2007/05/nesse-bar-pequenino.html
Jorge Helder
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/08/jorge-helder-bolero-blues.html
José Mário
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/07/violonista-jose-mario.html
José Menezes
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2022/07/ze-menezes-o-craque-das-cordas.html
José Renato
http://blogdopg.blogspot.com/2010/04/adeus-jose-renato.html
José Wilson Cirino
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2022/09/wilson-cirino-entre-velas-e-tubaroes.html
Lúcia Arruda
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/10/violonistas-cearenses-vilamar-lucia-e.html
Luiz Sérgio (Pato Rouco)
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/03/luiz-sergio-bezerra-de-morais.html
Manassés
http://blogdopg.blogspot.com/2007/12/pssaro-vermelho-1.html
Nonato Luís
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/07/paracuru-e-muito-mais-que-o-azul-de.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/11/sia-mariquinha.html
Sátiro Bilhar
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2016/01/o-musico-cearense-satiro-bilhar.html
Stelio Valle
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2025/04/memoria-stelio-valle.html
Tarcísio Sardinha
http://twitter.com/EntreMentes/status/1606417407777677314
Tony
http://blogdopg.blogspot.com/2009/04/fenix.html
Vilamar Damasceno
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/10/violonistas-cearenses-vilamar-lucia-e.html
Zivaldo
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2014/10/canhoto-da-paraiba-e-zivaldo-maia-no.html
Outros
Afonso Aires; Alberto Lima (médico); Alê Ferreira (Fuxiko Beer); Aleardo Freitas (criador do ritmo Balanceio); Calé; Ciribah Soares; Expedito (7 cordas); Francisco Gadelha (médico); Francisco Soares (erudito); Manoel Guerreiro; João Lima; José Carlos (médico); Luciano; Márcio Ramalho (7 cordas); Miranda Golignac (erudito); Nenem "Macaco"; Mamede, Wôlmer e Oscar Cirino (erudito); Moreira Filho; Pedro Ventura (7 cordas); Raimundinho; Ribamar (7 cordas); Rodger Rogério (ator); Silvio Duarte; Titico (agrônomo).

FUMAÇA NOS OLHOS

Marcava o início e o término das sessões do Cine Familiar, em Otávio Bonfim, a versão instrumental de "Smoke gets on your eyes", um fox standard da canção popular norte-americana. Acho que a única vez em que tal não aconteceu, foi quando Frei Hildebrando Kruthaup (foto) requisitou o cinema para dar uma demonstração para o bairro, mas não para o mundo, de suas finas habilidades na técnica da hipnose.
Inicialmente, Hildebrando comandou uma preliminar de hipnose coletiva. Não era ainda o filme principal do Guardião do Convento. Naquele momento, o hipnotizador cuidava de fazer a triagem que selecionava as pessoas mais sugestionáveis para a demonstração que viria.
Bem, nada que pudesse ajudá-lo aconteceu comigo.
Vi subirem ao palco algumas pessoas, em cujas mãos Hildebrando espetou longas agulhas sem que essas pessoas referissem qualquer dor. 
Um brouhaha percorreu o recinto.
Naquela noite, aprendi que a hipnose, ao contrário do que o menino suspeitava, não devia constar do Index Librorum Prohibitorum. E pude sem remorsos, uns dez anos depois na Guanabara, frequentar um curso e comprar um robusto livro sobre hipnose médica e odontológica. 
Nas noites em que não ocorria desvio de função, o cinema mantinha a programação normal. Aventuras do Tarzan, comédias protagonizadas por Zé Trindade, "Marcelino Pão e Vinho" e , na Sexta-feira Santa, a "Paixão de Cristo" passando de hora em hora.
Filmes que atentassem contra os princípios da tradicional família cristã não tinham vez no Familiar. Apenas os que respeitassem a moral e os bons costumes e, assim mesmo, depois de subtraídos das cenas picantes pela tesoura de quem o projetava, o Vavá. Além disso, caso o bom Vavá se mostrasse tolerante nos cortes, ainda podia entrar em ação a censura presencial de algum franciscano frade. Com este pondo a mão à frente do projetor pelo tempo que fosse necessário.
Mas um dia...
Que dia, meus leitores! A censura do Cine Familiar deixou passar um filme que o menino quase não acreditou. Com Cleópatra sendo entregue nua ao imperador romano embrulhada num tapete (o Sedex da época). Mas acho que isso só aconteceu por que era na cena final.
O bonequinho viu e aplaudiu. 
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2009/09/no-escurinho-do-cinema.html
htts://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/08/in-illo-tempore.html
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http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/01/driblando-censura-do-familiar.html


Algumas palavras sobre a canção temática do Familiar a que nos reportamos no início desta crônica:
"Smoke gets on your eyes", assinada por Jerome Kern e Otto Harbach. No Brasil, a letra recebeu uma versão de Nazareno de Brito, cantada por Tito Madi  e que foi lançada pela "Continental" em junho de 1959.Há ainda outras letras brazucas de "Fumaça nos olhos", assinadas por Nélson Motta e Jayro Aguiar.

http://youtu.be/GPrhgp7LSDg

NOTA DE PESAR POR JOSÉ FREIRE CASTELO

É com muito pesar que comunico o falecimento de José Freire  Castelo, professor aposentado da Universidade Estadual do Ceará. Ele faleceu aos 81 anos, de causas naturais, na noite de quarta-feira, 4, em Fortaleza.
Era filho do governador cearense Plácido Aderaldo Castelo com Joana Freire (Netinha) e casado com Margarida Maria Fernandes Macedo. 
Conheci-o na década de 1980, e dele recordarei a lhaneza, o respeito, a lealdade e o companheirismo, entre os muitos predicados. José Castelo estava sempre disposto a compartilhar com os amigos os saberes que acumulara em sua extraordinária experiência de vida.
Foi velado na quinta-feira, 5, no Jardim Metropolitano, com missa de corpo presente às 16 horas. Seu sepulmento ocorreu logo após a celebração desta missa no cemitério do Eusébio.
Meus pêsames a seus familiares. Saibamos todos que a saudade eterniza a presença daquele que nos deixa.

REVISTA SARAU

Saiu a primeira edição da Revista Sarau, do editor Nonato Nogueira, grande cearense e Mestre em História e Culturas (UECE).
É uma revista de música, poesia, contos, crônicas e artes visuais de publicação trimestral e distribuição gratuita (on-line). 
Pode ser lida no site: http://www.resistenciamandacaru.com/revista-sarau
Obs. Clicando sobre o título dos textos no sumário o leitor tem acesso direto à página do texto.
Fernando Gurgel*
Canal no YouTube

EDITORIAL
"Era uma vez um homem e o seu tempo". Assim anunciava, numa de suas composições, Antônio Carlos Belchior que, ao mesmo tempo, vociferava: “Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve!” Certo é que o bardo sobralense, com sua arte, com suas letras, tornou-se uma voz de seu tempo, de seu povo e não só do nordeste, mas uma voz nacional, enfim.
A arte, sabe-se, acompanha a humanidade desde as mais remotas eras. Ela é a voz e o registro de um tempo, de um povo, de uma civilização. A arte é também libertária. Desse modo, o homem, a quem ela humaniza e harmoniza, também a persegue em tempos de tirania. Nesse sentido, vivemos tempos difíceis, em que o obscurantismo emerge e o autoritarismo avança e ameaça manifestações literárias e artísticas em geral. Ao mesmo tempo, porém, vemos aqueles outrora relegados ao apagamento ressurgirem e retomarem espaços. É o caso de Maria Firmina dos Reis e do crescente surto de valorização da nordestinidade sob as mais diversificadas formas.
É nesse contexto que surge a Revista Sarau, cujo intuito é a partir das diferentes vozes de seus colaboradores, através de suas contribuições com artes visuais, contos, crônicas e poemas, constituir um espaço para a difusão e valorização da arte e da literatura produzidas na região Nordeste. Nesta primeira edição, homenageamos o já mencionado Belchior, que foi poeta, músico, artista plástico, intelectual e um dos maiores compositores que nosso país produziu.
Caro(a) leitor(a), desejamos-lhe uma boa leitura e que, ao final desta, você possa dizer-se como o fez nosso homenageado:
"Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos!
Não sou das nações dos condenados!
Não sou do sertão dos ofendidos!
Você sabe bem: Conheço o meu lugar!"


* Neste número Fernando Gurgel colabora com o texto "Autoridades" (p.46)

SEU VICENTE, O JARDINEIRO DA CASA VELHA DA PONTE

Um dia os Meninos Verdes apareceram no quintal da Casa Velha da Ponte.
SEU VICENTE: E agora, Dona Cora, o que é que se faz com esses serezinhos estranhos? São gente, bicho ou salta-caminho?
Videobook disponível no YouTube.
Imagem - "Os Meninos Verdes", de Cora Coralina, numa adaptação para o teatro de bonecos.
Vovó Cora conta a seus netos o que ela chama de acontecido e não de uma história.
De repente, seu Vicente, o jardineiro da Casa Velha da Ponte, deparou com uma situação incomum: no quintal, entre as plantas que nascem lá, boas e más, apareceram duas plantas diferentes. Quis arrancá-las, mas vovó Cora disse que as deixasse crescer. Depois de um tempo, sob as duas plantas, seu Vicente e vovó Cora, surpresos, encontraram seres vivos, com todas as formas de crianças em miniatura. O que fazer? Destruí-los? Escondê-los? Cuidar deles?
A postura sem preconceito e compromissada de vovó Cora em relação à estranha realidade nos ensina a encarar com naturalidade situações inusitadas, a respeitar diferenças e a agir com responsabilidade e consciência.
Ver também:
MOCHILEIRO DO CERRADO - 1
MOCHILEIRO DO CERRADO - 2
O CASTIGO DO COLAR DE CACOS
MARIA GRAMPINHO

VIOLONISTA JOSÉ MÁRIO

José Mário de Araújo nasceu na cidade de Acaraú – CE, no dia 13 de outubro de 1939. Com base nas informações prestadas numa entrevista por Maria Cleomar Vasconcelos de Araújo (esposa de JMA), afirma o pesquisador Eddy Lincoln que, desde a primeira infância, ele foi criado pelos avós, e viveu até a sua juventude em uma fazenda. A constituição do gosto pelo violão veio desse período de tempo, quando ele ainda construía imitações do instrumento, sem imaginar que ali seria o início de algo maior, que lhe conferiria uma profissão, um reconhecimento por parte da sociedade que se estenderia mesmo após a sua morte.
Ainda de acordo com a entrevistada, "[...] ele começou tocando lá no interior, mas assim, sem ser por música, só de ouvido mesmo. Quando ele veio pra cá já tocava, e veio com a vontade de estudar com um professor."
No ano de 1956, aos 17 anos, veio morar em Fortaleza. Com o mesmo intuito de muitos que nascem no interior; José Mário veio tentar novas possibilidades na capital, estudar e trabalhar. Sobre esse momento, Maria Cleomar Vasconcelos de Araújo relatou também, em sua entrevista para o pesquisador, Eddy Lincoln, que, na ocasião, ele teve na ocasião a influência de um primo, o qual já residia na capital e estava trabalhando no Hotel Fortaleza. Foi nesse hotel que José Maria conseguiu o seu primeiro emprego. Ele cumpria o seu horário de trabalho durante o dia e, à noite, cursava o supletivo no Colégio Fênix Caixeral.
O início do estudo sistemático de violão ocorreu com o professor Oscar Cirino, que adiante orientou-o a procurar o Conservatório de Música Alberto Nepomuceno (CMAN).
Seu ingresso no Conservatório para fazer o Curso Fundamental se deu em 1959. Com a duração de oito anos, o Curso envolvia o estudo de teoria e canto coral, e sua formatura aconteceu em1967.
O título obtido possibilitou que ele fosse contratado para ministrar aulas de violão no CMAN (à época, dirigido pelo maestro Orlando Leite). 
É possível afirmar que o professor José Mário de Araújo foi o principal agente legitimador do campo de ensino do violão em Fortaleza - CE.
JOSÉ MÁRIO DE ARAÚJO: MEMÓRIA E TRAJETÓRIA NA CONSTITUIÇÃO DO CAMPO DE ENSINO DO VIOLÃO NO CEARÁ
Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial à obtenção do título de doutor em Educação, por Eddy Lincoln Freitas de Souza. Orientador: Prof. Dr. Pedro Rogério.
http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/38269/3/2018_tese_elfsouza.pdf
JMS ministra uma aula de violão no CMAN. Print screen de uma foto (p.113)
José Mário morou na Justiniano de Serpa (rua em que eu nasci). Pela porta aberta de sua casa, ao transitar na calçada, por diversas vezes vi este seguidor de Tárrega absorto em seus estudos violonísticos. Certa vez, convidado pelo maestro Orlando Leite, ele acompanhou ao violão o Coral Universitário (do qual fiz parte) em um recital.

UM ANO SEM DONA ZAÍRA

Preito de gratidão à Sra. Zaíra Macedo Pinto, escrito por Antonio Pinto Macêdo em nome dos filhos da saudosa matriarca.
Arquivo: http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/07/pesar-pelo-falecimento-de-zaira-macedo.html

NOS TEMPOS HEROICOS DAS APRESENTAÇÕES ORAIS

Dizem as más línguas que os médicos vão aos congressos para rever os colegas, exibir as novas esposas e passar os velhos slides.
Os velhos slides não são mais prestigiados. Mas é preciso dizer do trabalho que se tinha para fazê-los nos tempos heroicos das apresentações orais.
Inicialmente, o conferencista tinha que levar a um datilógrafo os textos que constariam dos slides. (Se possível, um que possuísse uma máquina de escrever elétrica). 
Com o material já datilografado, toca a juntar: a documentação fotográfica, os livros e as revistas que continham as tabelas e os diagramas de interesse, as radiografias... Então, com mil recomendações, passava-se tudo às mãos do fotógrafo responsável pela confecção dos slides.
As radiografias eram um caso à parte. O fotógrafo precisava ter em seu ateliê um negatoscópio (para iluminar por trás as radiografias). Na Faculdade de Medicina da UFC, um único fotógrafo, o Sr. Milton, fazia os slides para todos os professores e alunos da instituição.
Não eram baratos, e pagava-se à vista.
Chegava o o momento da apresentação. Um pouco antes, o conferencista se trancava numa saleta ao lado do auditório com a finalidade de montar os slides no carrossel do projetor. Eles tinham de ser colocados na ordem e na posição exatas - sob pena de tumultuar a conferência.
Apesar dos rigorosos cuidados, era comum os slides engancharem-se no projetor e, na tentativa de soltá-los, serem danificados. Isso quando o calor da lâmpada do projetor por si só  já não causava um estrago maior.
No tempo que vivi na Amazônia, comprei uma máquina fotográfica e um projetor na Zona Franca. E dediquei-me a fazer slides daquela região em que o rio comanda a vida.
Quando o rolo fotográfico chegava ao fim, entregava-o a um peruano em Benjamin Constant que mandava revelar em Manaus. Duas semanas após, ele me entregava os slides acondicionados numa caixinha de papelão. Nessa ocasião, eu já tinha um novo rolo à espera de ser revelado, e a história retorna ao início do parágrafo.
Voltando a residir em Fortaleza, meus slides recreacionais deram lugar a slides científicos. Em 1989, necessitei de muitos deles para uma jornada sobre tuberculose que eu estava a organizar para a Secretaria da Saúde (SESA-CE). Eram slides que ilustrariam palestras minhas, e lembrei-me do Sr, Milton. Fui procurá-lo na Faculdade de Medicina e entreguei-lhe o material que seria convertido em diapositivos.
Próximo ao período da jornada, ele foi ao Hospital de Messejana com os slides prontos. Perguntou-me pelo cheque. É com a SESA, Sr. Milton, então, não é o Hospital que vai pagar, não, então, Dr. não vai ser possível eu lhe entregar os slides, qual é o problema, Sr. Mlton, é que o Hospital me paga logo e a SESA, não.
Paguei do meu bolso para receber os slides, e o Sr. Milton tinha razão. Levei tanto tempo para ser reembolsado, que eu já estava para desistir.
Hoje em dia, com um computador conectado à internet, a câmera de um telefone móvel e o onipresente Power Point, um slideshow é rapidamente concluído. Então, arquiva-se uma cópia no pen drive que o apresentador vai levar para o congresso. E os erros, assim que sejem detectados, são logo corrigidos com a ajuda do notebook.

MUNICÍPIOS CEARENSES COM CABO DE FRIGIDEIRA

Cabo de frigideira é um tipo de formação geográfica, que está presente em todo o mundo (países, estados e municípios) - - inclusive em quatro estados e muitos municípios brasileiros. Consiste de uma extensão territorial que se projeta de uma divisão administrativa para divisões administrativas vizinhas. 
É algo semelhante a uma península, só que rodeada de outros territórios e não de água. Lembra o cabo de uma panela ou frigideira, de onde deriva o nome.
Em inglês: panhandle (o caso de Oklahoma, por exemplo).
No Ceará: Tianguá, Granja (citadas por Olavo Soares no vídeo abaixo), Salitre, Mombaça, Acaraú ...

http://youtu.be/4aX8wGD7htg
http://www.nationalgeographic.com/travel/article/americas-panhandles-rated-oklahoma-florida

CABOCLOS D'ÁGUA

P - Em sua cidade natal (Acarape-CE), meu pai conheceu um cara que conseguia atravessar um rio, andando sobre o leito (não era uma travessia seca nem a vau, esclareço). Isto é possível?
~ Paulo Gurgel
Sergio Correa de Siqueira, atualmente fazendeiro e escritor em Ouro Preto-MG. (2010 - até o momento), respondeu no Quora:
R - Depende do rio. Em Cataguases havia um sujeito que atravessava o Pomba a pé, no leito. Tinha o apelido de "Caboclo d'Água". Atravessava sob a ponte bem ao lado da fazenda do meu tio, a Barão de Camargos:
(Felizmente, a horrenda estação da Votorantim na margem esquerda não existe mais).
Pois bem: a placa do DNER diz que a ponte tem 116 m. Mas temos a cabeça de ponte dos dois lados, e mais a água rasa das margens. Mesmo o rio sendo profundo (o esporte dos "radicais" da família, inclusive eu na juventude, era mergulhar do vão central), a parte funda correspondia no máximo a uns 50 m.
Um dia que o "Caboclo d'Água" fez esta gracinha de atravessar, eu, como bom estudante de engenharia, cronometrei. Apesar de ser um fato notável, ele passou longe dos recordes mundiais.
O de prender a respiração é de 24' 3", o de atravessar um curso d'água com um fôlego só 96 m em 3' 34''. Mas o recorde foi batido pelo croata Milos Milosic, atleta profissional, e numa piscina.
O "Caboclo d'Água" levou 2' 46'', nada mal para um capiau mineiro num leito irregular, e com corrente.

CORRESPONDÊNCIA COM KALLIANE

Kalliane Sibelli Amorim
16 de maio de 2021 15:37 para mim
Boa tarde, Sr. Paulo Gurgel.
Estava pesquisando informações acerca de meus antepassados e encontrei seu blog. Vi numa das postagens que o senhor possui um exemplar do livro "Na Trilha do Passado", de Aldysio Gurgel. Minha mãe tinha também um exemplar desse livro, porém emprestou a alguém da família que nunca mais devolveu, nem ela sabe mais a quem foi. Gostaria de lhe pedir o inestimável favor de me enviar uma cópia das páginas que contêm a genealogia de minha avó Eulira Gurgel de Amorim, que era filha de Celecina Gurgel do Amaral e João Mafaldo de Amorim, ambos casaram-se em 1910, na cidade de Martins-RN, porém Celecina morava com seus pais em Portalegre-RN. Seu pai chamava-se Antônio Rozendo. Eu me lembro de que, quando li esse livro, ele trazia os descendentes da família Gurgel até os da geração de minha avó materna. Meu interesse é pesquisar a ascendência de meu bisavô, João Mafaldo, e a descendência deles, que são meus tios-avós, todos criados na Fazenda Camponesa, em Umarizal-RN. Ficarei imensamente grata se o senhor puder me enviar uma cópia que mostre os dados genealógicos de minha família.
Aguardo retorno e deixo minhas saudações. Apesar de não ter Gurgel em meu nome, sinto-me como uma, afinal minha mãe ainda traz o sobrenome. Fraterno abraço!
Kalliane Sibelli de Amorim Oliveira
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Paulo Gurgel Carlos da Silva
16 de maio de 2021 18:04 para Kalliane
Prezada Kalliane Sibelli, boa noite.
Lucas de Araújo Gurgel digitalizou o "Genealogia da Família Gurgel - Na Trilha do Passado" e publicou-o no MEDIAFIRE.
Segue o LINK para leitura e download:
Caso não dê certo o acesso à versão eletrônica do livro, avise-me para que eu providencie uma cópia das páginas que contêm a genealogia de sua avó Eulira Gurgel de Amorim. Esta alternativa não me será possível antes de 25/05, pois não estou agora no Ceará.
Abraço!
Paulo Gurgel
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Kalliane Sibelli Amorim
17 de mai. de 2021 13:20 para mim
Prezado Sr. Paulo Gurgel,
Agradeço imensamente o envio do link com o arquivo em PDF do livro sobre a genealogia da família Gurgel. Gostaria de tirar uma dúvida com o senhor. Ângela do Amaral Gurgel, quarta filha do patriarca Toussaint Gurgel, teve um filho chamado Cláudio Gurgel do Amaal, que inclusive tem sua história de vida muito bem relatada na obra. Pelos registros, Cláudio casou-se com Ana Barbosa da Silva e teve com ela 4 filhos: Manoel, José, Teresa e Maria. Os relatos dizem que José, devido a uma inimizade política, teria assassinado seu opositor e, por isso, teria sido levado preso para Salvador onde foi executado em 1722. Narra-se que, por causa dessas perseguições políticas, a família teria saído do Rio de Janeiro em direção a Minas. De repente, a narrativa passa a mencionar o nome de Maria Gurgel do Amaral dizendo que ela se casou com um homem chamado Davi Lopes de Barros (menciona que este era um nome disfarçado), tendo gerado como filho João Lopes de Alencastro Gurgel.
Minha dúvida é se esse Davi Lopes de Barros se trata do próprio José Gurgel do Amaral, irmão de Maria. Já pesquisei sobre a ascendência desse Davi Lopes de Barros e nada encontrei, e o que reforça essa ideia é que na página 55 do livro, onde aparece a filogenia de Toussaint Gurgel, aparece justamente a figura de João Lopes de Alencastro Gurgel como descendente de José Gurgel do Amaral (pai) e Cláudio Gurgel do Amaral (avô). Como José era um fugitivo da política e da polícia na época, é plausível que tenha realmente mudado de nome para não ser identificado e também não se descarta a ideia de sua relação com a irmã, tendo em vista a continuidade do clã. Outro detalhe da história é que João Lopes de Alencastro dá a seu primeiro filho o nome de José Gurgel do Amaral, em homenagem ao próprio pai.
No livro, p. 55, aparece:
Patriarca - Toussaint Gurgel
Filha IV - Ângela do Amaral Gurgel
Neto - Cláudio Gurgel do Amaral
Bisneto - Alferes José Gurgel do Amaral
Trineto - João Lopes de Alencastro
Tetraneto - José Gurgel do Amaral
Quintaneto - José Gurgel do Amaral Filho - Patriarca do Aracati - CE
As indicações levam a crer que realmente a história se desenrolou assim. Por gentileza, se o senhor também compreende dessa forma e se tem alguma confirmação, me informe.
Desde já agradeço a atenção e a solicitude.
Fraterno abraço,
Kalliane Amorim.
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Paulo Gurgel Carlos da Silva 
27 de mai de 2021 22:58 para Kalliane 
Prezada Kalliane Sibelli, olá. 
Não acho plausível que DAVI LOPES DE BARROS (nome disfarçado), que acompanhou MARIA GURGEL DO AMARAL em sua vinda para Alagoas, tenha sido o irmão dela, pois este, o Alferes JOSÉ GURGEL DO AMARAL encontrava-se foragido desde 1716. No ano de 1718, o irmão foi descoberto e aprisionado e, em 1722, foi levado ao patíbulo em Salvador. 
Em NO FATÍDICO ANO DE 1716 transcrevi os fatos narrados por Aldysio Gurgel, às páginas 35-37 do livro "Na Trilha do Passado". 
É minha única fonte para este assunto.
Atenciosamente,
Paulo Gurgel

CHEGANDO AOS 73

06/06/2021. Almoço em família no Carbone, conhecida steak house de Fortaleza.
Fotografia: aniversariante, o neto Simplício (semioculto no carrinho de bebê), a nora Aline, o filho Érico, o neto Matheus e a esposa Elba.
Agradeço a todos que demonstraram carinho ligando-me ou enviando mensagens.
Minha filha Natália (também aniversariante do dia) comemorou seu natalício em Belém. Ao lado do esposo Rodrigo e de Renan, filho do casal, e com a presença de um grupo de amigas.

ALAMEDA DO PAU-BRASIL

Há cinco séculos, o Pau-Brasil faz parte da identidade da nação brasileira e, agora, também fará parte da identidade do Parque Estadual do Cocó. Neste sábado, 5 de junho, quando o mundo celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, será inaugurada a Alameda do Pau-Brasil, no Espaço Adahil Barreto, do Parque Estadual do Cocó. A solenidade acontece às 10h, fazendo parte da programação do Junho Ambiental 2021, promovido pela Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) e contará com a presença do Secretário Artur Bruno.
O Pau-Brasil (Paubrasilia echinata) pode alcançar entre 10 e 15 metros de altura e possui tronco reto, com casca cor cinza-escuro. As folhas possuem coloração verde médio, brilhantes. As flores possuem quatro pétalas amarelas e uma menor vermelha, ambas muito aromáticas. Os frutos são vagens cobertas por longos e afiados espinhos e contém de uma a cinco sementes, de cor marrom.
Apesar de ser uma espécie nativa das florestas tropicais brasileiras, está na lista de árvores com risco de extinção e, por isso, é a única árvore no Brasil protegida por uma lei exclusiva, que considera ilegais a exploração e a exportação de sua madeira.
http://www.ceara.gov.br/2021/06/04/sema-inaugura-alameda-pau-brasil-no-espaco-adahil-barreto-do-parque-do-coco/

SALVATERRA E CACHOEIRA DO ARARI

21/05, sexta-feira - Viagem para Salvaterra e Cachoeira do Arari
Às 8h15, embarcamos (Rodrigo não foi conosco) numa lancha Expresso Golfinho para Salvaterra. A viagem durou 2 horas, e nosso desembarque se deu no trapiche do Caldeirão. Deste ponto até o centro de Salvaterra (a 3 km), utilizamo-nos de um microônibus. Em Salvaterra, contamos com o apoio do pessoal do Marajó Hostel, localizado na orla da sede do município. Natália aqueceu a comida de Renan, e almoçamos no restaurante da pousada: filé marajoara e empanado de filhote (um peixe de água doce da região amazônica).
Um táxi veio nos pegar às 12h45. O destino final desta excursão seria Cachoeira do Arari, a cidade em que Natália trabalha como investigadora da polícia civil.
Mas antes de partirmos tiramos algumas fotos. 
Paulo, Elba e nosso neto Renan em Salvaterra
Salvaterra era, desde 1901, distrito de Soure. Apenas em 1961 foi elevada à categoria de município, tendo atualmente a população de cerca de 24 mil habitantes. É uma das principais entradas para o Marajó, através do porto de Camará, localizado no extremo sul do município, na foz do rio Camará. É separada de Soure, outro importante município turístico do arquípélago do Marajó, pelo rio Paracauari.
 A distância entre Salvaterra e Cachoeira é de cerca de 70 km pela PA-154. Campos alagados com grandes arrozais e búfalos pastando dominam a paisagem local. Aos 30 km do percurso, a rodovia é interrompida pelo rio Camará, e há duas formas para prosseguir a viagem. Utilizando-se de uma balsa (que transporta carros e tem horário fixo) ou de rabetas (canoas que partem a qualquer hora). Pagamos a corrida do táxi e subimos numa rabeta para uma travessia de 3 minutos.
Na outra margem, esperava-nos Djalma, um colega de trabalho de Natália, que nos levou de carro até Cachoeira do Arari. Muito gentil, ele trafegou conosco pela cidade antes de nos deixar na Pousada Fazendas.
À noite, comemos uma pizza, o único prato do único restaurante aberto. E deitamos cedo, pois tínhamos que pegar, às 5h da manhã do dia seguinte, a  lancha Expresso Rei dos Reis.
Selfie em dia nublado. Ao fundo o Marco Histórico de Cachoeira do Arari
erigido por ocasião do sesquicentenário da cidade (1833 - 1983)
Arari é o nome do principal lago marajoara e de um dos mais importantes rios do Marajó, assim como faz parte do nome da cidade de Cachoeira do Arari localizada na sua beira esquerda, e de Santa Cruz do Arari que está na boca do lago.O nome do município teve origem de um declive existente no leito do Rio Arari, em frente ao local onde hoje está situada a cidade e que, no verão, provoca uma precipitação de água, como se fosse uma cachoeira. O município possui uma população estimada em 22 449 mil habitantes distribuídos em 3 100,261 km² de extensão territorial. O Município abriga o Museu do Marajó, fundado em 1972 pelo padre italiano naturalizado brasileiro Giovanni Gallo no galpão onde funcionava uma fábrica de óleo. Na cidade também viveu o escritor Dalcídio Jurandir a qual homenageou com o livro "Chove nos Campos de Cachoeira".
22/05, sábado - Retorno para Belém e  para Fortaleza
O dia ainda estava escuro quando Natália nos acompanhou até o trapiche. Ela ficaria em Cachoeira nos próximos seis dias por motivo de trabalho.  Aos poucos, enquanto a lancha da Expresso Rei dos Reis singrava o Rio Arari, a escuridão cedeu o lugar ao alvor, e era dia claro quando entramos na Baía do Marajó. Chegamos ao Terminal Hidroviário de Belém após 2h15 de viagem.
Café da manhã: no apartamento dos Macedo Soares no Umarizal.
Almoço no Roxy, que fica no Shopping Bosque Grão-Pará, escolhido por ficar próximo ao Aeroporto de Belém. Uma entrada de iscas de salmão com molho de mostarda com mel e um filé alto com arroz puxado a azeite com pedaços crocantes de pepperoni e batatas palhas foram comida suficiente para três pessoas.
O avião partiu (de Belém) e chegou (a Fortaleza) com pontualidade.
Lembrete dos anos em que fui a Belém: 1984, 2013, 2014, 2016, 2018, 2020 (3x), 2021.
(2 de 2)

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DE RENAN

16/05, domingo - Voo de Elba para Belém.
. . .
18/05, terça-feira - Meu voo para Belém. Passeio no fim da tarde pela Avenida Nazaré. À noite, Elba foi com Rodrigo, Natália e Renan ao Shopping Bosque Grão-Pará. Fiquei no apartamento a circum-navegar na internet.
19/05, quarta-feira - Terminal Hidroviário de Belém (Av. Marechal Hermes), no guichê da Master Motors, para a compra de passagens a Salvaterra (48,00 x 3). Manhã de sol. Muitas líbelulas voejando sobre os espelhos d'água e gramados do Parque Porto Futuro. Uma hora e meia de caminhada e exercícios, com pausa para reidratar-me com uma água de coco num quiosque do Parque. Após uma passada no Shopping Boulevard (que fica na Av. Visconde de Souza Franco), concluo meu retorno pela Av. Boaventura da Silva. À tarde, um passeio com a família no Parque Estadual do Utinga.
✤Utinga
A entrada é paga, porém barata. Ocupa uma área de 14 km2 e seus lagos abastecem de água a cidade de Belém. Dois triciclos foram alugados (30,00 x 2 por 1h) para a família pedalar por uma estrada pavimentada no interior do Parque. É muito bonito o local, tendo passado por uma ampla reforma recentemente. E, durante a visita, a chuva ajudou não chovendo.
Rodrigo, eu, Natália com Renan no canguru, e Elba montada num dos triciclos.
20/05, quinta-feira - Caminhada de 50 minutos pela Travessa 14 de Março, de Umarizal até o bairro Telégrafo Sem Fio, onde a travessa encontra o Canal do Galo (um esgoto a céu aberto). Ali, atrás de tapumes e aguardando a inauguração, há uma praça que será denominada 14 de Março. Espera-se que, antes de sua entrega ao público, a prefeitura tenha resolvido o problema de uma rampa de lixo onde os urubus passeiam disputando a comida.
Renan
Seu aniversário de 1.º ano de vida foi comemorado à tarde no apartamento em que reside. Estiveram presentes o aniversariante, seus pais, os avós maternos, dois amiguinhos do condomínio, três babás e dois adolescentes, um dos quais tirou esta foto.
Em seguida, Renan foi levado pelos pais e avós à Praça Batista Campos, onde uma  profissional nos esperava para uma sessão de fotos destinadas a um álbum comemorativo. Em sessões do tipo, a destruição do bolo pelo aniversariante costuma marcar o final do registro fotográfico. São dadas as condições para que aconteça, mas tem que parecer uma cena espontânea. Apesar de muitos incentivos, Renan não aceitou cumprir esse papel.
(no seguimento: SALVATERRA E CACHOEIRA DO ARARI)

SETEMBRINA

Aí pela década de 1950, "Setembrina" tocava loucamente  nas rádios. Em meu tempo de menino, ouvia-a com frequência no Sítio Pau Branco, onde tio Válter tinha um rádio conectado a uma bateria de caminhão. Lá e em muitos outros lugares escutei esta canção que havia alcançado um sucesso danado.
Aos poucos, ela foi saindo da parada de sucessos. Guardei na memória a melodia, alguns trechos da letra, e nada mais a respeito dessa canção.
Recentemente, passei a vasculhar "Setembrina" na internet.
Foi composta pelo médico pernambucano José de Souza Dantas Filho, o Zé Dantas (tão importante para Luiz Gonzaga quanto o cearense Humberto Teixeira o foi). Música e letra são de Zé Dantas, conforme encontro no Dicionário Cravo Albin da MPB.
Não sei se o "Rei do Baião" chegou a gravar esse xote. Mas, no YouTube (no canal do conterrâneo Luciano Hortencio), descubro que outro nobre cuidou disso. Trata-se do Sr. Jair Alves, cantor que se intitula o "Barão do Baião".
Li também o que o sempre bem informado Samuel Machado Filho comentou. É um "xote gravado pelo 'Barão do Baião' na RCA Victor, em 31 de julho de 1956, e lançado em outubro seguinte no 78 rpm 80-1681-B, matriz BE6VB-1236, integrando depois o LP de dez polegadas 'Canta o Barão do Baião'".
Então, o que agora posso dizer sobre a personagem da canção?
Era: 
Setembrina, filha de seu Sete / Nasceu no dia sete, no sete, sim senhor / Tanto sete veio com Setembrina / Que o sete em sua sina / Muitas vezes sete marcou.
A quem foi acontecendo o seguinte:
Setembrina noivou com Mane Sete / No dia dezessete de setembro ela casou / Com sete meses, sete dias, sete horas / Sete menininhos choram, Setembrina descansou. / Sete Lagoas onde mora Setembrina / Ao ver as sete meninas, sete dias festejou.
E... tiririm, tiririm... a historinha chegou ao fim!
É sete filhos, sete roupas, sete leitos / Sete meninos de peito, sete bocas pra Mané / Mas Mane Sete, com botas de sete léguas / Disse "vôte, sai-te égua", deu o fora na mulher.

O BESOURO MANGANGÁ E O CAVALO DO CÃO

Em sua nova beleza, o umarizeiro estava a sediar uma convenção de besouros-do-cão.
Aqueles besouros grandes, escuros, zunidores e que nos assustam pela mania de voar em nossa direção. E que são também chamados de mangangás (ou mangagás, os quais significam grandes, enormes) pela nossa gente.
Havia-os ali em grande número, voejando e zumbindo em torno da copa do umarizeiro. E eles pairavam, de instante a instante, sobre aqueles cachos de flores amarelas. Detive-me alguns minutos para apreciar o espetáculo, e também para fotografar árvore e besouros. Estes eram muitos, muitíssimos, alguns simplesmente enormes, porém eu não sentia medo algum.
http://blogdopg.blogspot.com/2008/01/caminhando-e-aprendendo-12.html
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Em outra ocasião, ao caminhar no Parque do Cocó, em Fortaleza, numa área em que há uma grande concentração de mangueiras, vi uma vespa arrastando uma aranha caranguejeira. A aranha, que estava inerme, era várias vezes maior do que a vespa. Apesar de ser uma cena inédita para mim, logo deduzi que, momentos antes, a vespa havia caçado a aranha, inoculado nela o seu veneno para paralisá-la e agora estava levando a aranha para uma toca. Daí em diante a presa serviria de abrigo e alimento à sua descendência.
A vespa caçadora é também conhecida, no Norte e Nordeste brasileiro, por cavalo do cão.
O apelido pouco amigável não é em vão, já que o o inseto é conhecido por sua agressividade e pela intensa dor causada por sua picada.
A boa notícia quando se trata de uma ferroada de cavalo do cão é que a dor não dura mais do que 5 minutos.
Esses insetos caçam grandes aranhas com até três vezes o seu tamanho.
http://pt.quora.com/Qual-%C3%A9-o-inseto-que-possui-a-picada-mais-dolorosa

FESTIVAL CREDIMUS DA CANÇÃO (1980)

O FESTIVAL CREDIMUS DA CANÇÃO, uma realização da Caderneta de Poupança Credimus, com o patrocínio da TV Verdes Mares - Canal 10, Rádio Verdes Mares AM e FM, Secretaria de Cultura do Estado do Ceará e Fundação do Serviço Social do Estado do Ceará, nasceu da ideia de incentivar e promover o compositor cearense, no sentido de mostrar sua participação no cenário da MPB e do desenvolvimento de sua criatividade musical; tornando-o assim apto a participar de qualquer evento musical a ser realizado aqui ou em outros estados.
Coordenador geral: Franzé Santos
Músicas por dia
2 de julho, quarta-feira: 15
3 de julho, quinta-feira: 15
4 de julho, sexta-feira: 15
5 de julho, sábado: apresentação das 15 melhores músicas segundo a escolha da Comissão Julgadora
6 de julho, domingo: apresentação das 5 músicas finalistas
Comissão Julgadora
Raimundo Fagner (presidente) - compositor e cantor
Suely Costa - compositora e cantora
Abel Silva - compositor
Regina Echeverria - jornalista da Veja
José Márcio Penido - jornalista de "Música" e "Canja"
Jamil Dias - diretor de teatro, revelação "Prêmio Mambembe"
Fausto Nilo - compositor
Alceu Valença - compositor e cantor
Jane Lane - artista plástica
Mino - cartunista
Claudio Pereira - jornalista
Síria Giovenardi - psicóloga e representante da Credimus
Compositores
Lúcio Ricardo; Patativa do Assaré; Luiz Sérgio (3); Paulo Gurgel, Idalina Cordeiro e Airton Monte; Eugênio Stone; Luiz Fidélis (2); Heitor Catunda e Aleardo Freitas; Mona Gadelha (2); Cassundé; Gilberto Fonteles (2); Maria José Fonteles (2); Bernardo Neto; Chico Pio; Amilton Melo; e outros.
Nas décadas de 1960 e 70, levas de artistas cearenses moviam-se compondo e cantando em festivais, como os patrocinados pela Credimus. Sobressaíram: o "I Festival do Jovem Compositor Cearense", em 1978, em que os vencedores foram convidados para integrar o projeto cultural da "Massafeira", idealizado por Ednardo, e o III Festival, chamado de "Festival Credimus da Canção", ocorrido em 1980.
Leitura recomendada
No tom da canção cearense: do rádio e tv, dos lares e bares na era dos festivais (1963 -1979) / Wagner José Silva de Castro. ─ Fortaleza: UFC: Departamento de História, 2007. 250f. : il.; 30cm
http://www.digitaldamusicacearense.com.br/wp-content/uploads/No_Tom_da_Cancao_Cearense-Wagner_Castro.pdf 

JANGADEIROS

Um documentário de 1993 que relembra os bastidores de um longa-metragem que o cineasta Orson Welles filmou parcialmente no Brasil e cujas imagens ficaram guardadas por anos, em segredo, nos estúdios Paramount.
Chama-se o filme (inacabado) "It’s all true – É tudo verdade" e foi uma encomenda feita a Orson Welles em plena Segunda Guerra Mundial, como parte da Política de Boa Vizinhança dos Estados Unidos com a América Latina. Realizado em 1942 e composto de três episódios, tem uma parte filmada no México, chamada My friend Bonito, e duas no Brasil, Carnaval (The story of samba) e Jangadeiros (Four men on a raft). Era para ser o terceiro filme feito pelo diretor para a RKO Pictures, com a qual ele rodou Cidadão Kane (1941), mas a filmagem se complicou, suas relações com a companhia ficaram tensas, e o projeto terminou engavetado.
A mais interessante das histórias, ao menos do ponto de vista dos bastidores, é Jangeiros. A história foi pinçada da imprensa, a partir de uma manchete da revista Time, para servir os propósitos de ressaltar a dignidade do trabalhador e a diversidade étnica e cultural da América, que estavam no programa norte-americano. No Brasil, o Governo no poder era o de Getúlio Vargas, e o país lutava por direitos trabalhistas. Four man on a raft (quatro homens numa jangada) foi a chamada de capa da Time, que contava como quatro pescadores navegaram em uma jangada de Fortaleza ao Rio de Janeiro, em setembro de 1941, para protestar contra a exploração econômica que sofriam, obrigados a pagar metade de seus ganhos aos donos das jangadas para poder trabalhar.
Na reconstituição cinematrográfica da navegação, que ficou famosa, os homens subiram novamente na jangada, mas foram virados por uma onda, e o líder dos quatro – Jacaré – desapareceu. Welles quis a todo custo terminar a filmagem, segundo ele, em homenagem a Jacaré, e a RKO se opôs, terminando a já fragilizada relação com ele e abortando o projeto. As imagens só foram redescobertas em 1985 por um diretor da Paramount, Fred Chandler, e usadas em 1993 neste documentário de Bill Crohn e Myron Meisel, com o título de "É tudo verdade – Um filme inacabado de Orson Welles".
Extraído de: A experiência brasileira de Welles, por Camila Moraes, publicada em El País.

RUÍNAS DAS SALINAS

Local: Parque Estadual do Cocó - Fortaleza - CE
Nos anos de 1960 aqui se encontrava a Salina Diogo. Nesse período o curso do rio Cocó foi alterado para facilitar o manejo do sal na área. Em 1980, devido à competição com os produtores de sal do Rio Grande do Norte, a Salina Diogo saiu do mercado. 
O fim das atividades na salina permitiu a regeneração do manguezal.
Da trilha principal do Cocó, próximo ao acesso do parque pela Av. Sebatião de Abreu, o visitante ainda vê estas ruínas de alvenaria da Salina Diogo. Foto:PGCS

NOTA DE PESAR POR WILL NOGUEIRA

Morreu, na manhã desta segunda-feira (5), o radialista e apresentador de TV cearense Will Nogueira, aos 69 anos, após complicações da Covid-19.
Li esta notícia em primeira mão no Face do meu consogro Henrique Soares.
Funcionário do Sistema Verdes Mares (SVM) durante 36 anos, Will chegou a dirigir a Rádio FM 93. Além disso, também fez carreira na televisão, atuando como apresentador dos programas "Sábado Alegre", na TV Diário, e no "Terral", na TV Ceará (ex-TV Educativa).
O seu programa "Terral" ia ao ar nas tardes de sábado. Numa das edições do programa toquei violão, acompanhado do amigo flautista Hélio Menezes. Executamos em "C" duas músicas do compositor pernambucano Luiz Vieira: "Paz do meu amor" e "Menino Passarinho". Cordial com os músicos profissionais e amadores (nosso caso) que participavam de seu programa, Will deixou-nos bem à vontade para que déssemos o recado.
Descanse em paz, meu bom Will Nogueira.

14/04/2021 - Inseri comentário enviado por Henrique Soares.

RODOVIAS FEDERAIS NO CEARÁ

A nomenclatura das rodovias é definida pela sigla BR, seguida de três algarismos, e cada um possui um significado que indica a direção ou disposição da rodovia. O primeiro indica a categoria da rodovia, radial (0), longitudinal (1), transversal (2), diagonal (3) e de ligação (4). Os dois outros algarismos definem a posição, a partir da orientação geral da rodovia, relativamente à Capital Federal e aos limites do País.
BR-020 (radial)
Seu ponto inicial fica na cidade de Brasília (Distrito Federal), e o final, em Fortaleza (Ceará). Passa pelo Distrito Federal e pelos estados de Goiás, Bahia, Piauí e Ceará. No Ceará, passa por Tauá, Boa Viagem, Madalena, Canindé, Caridade, Caucaia e Fortaleza.
Sua extensão é de 2.038 km.
BR-116 (longitudinal)
Tem início no município de Fortaleza, no Ceará, e termina em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai (mapa descritivo). Passa por dez estados, ligando cidades importantes como Fortaleza, Feira de Santana, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.
É a maior rodovia totalmente pavimentada do Brasil,com 4.486 km de extensão.
BR-222 (transversal)
Estende-se atualmente de Fortaleza, capital do Ceará, à cidade de Marabá, no Pará, interligando, além do Ceará e Pará, os estados do Piauí e Maranhão.
Sua extensão atual é de 1.811 km.
Outras rodovias federais que passam pelo Ceará:
BR-122, BR-226, BR- 230 (transamazônica, a maior rodovia do país, com 5.662 km incluindo os trechos não concluídos), BR-304, BR-402, BR-403 (parte é estadualizada), BR-404, BR-434, BR-437.
Wikipédia. Categoria: Rodovias federais no Ceará
https://pt.quora.com/Qual é um fato curioso sobre as rodovias federais brasileiras?

LUIZ SÉRGIO BEZERRA DE MORAIS

Conheci Luiz Sérgio em um sarau no gabinete odontológico do meu amigo Aquino. Não estou brincando, era em seu gabinete de trabalho que essas reuniões aconteciam. Nas noites das segundas-feiras, após retirar-se o último cliente, Aquino abria o consultório para receber os amigos. E nós - um pequeno grupo formado pelo anfitrião, que tocava uma sanfona de botão, os médicos Wilson Medeiros, Emanuel Melo, Lucíola Rabelo, Sônia Almeida e por mim, que comparecia com o violão-, ali nos reuníamos para cultivar a boa música brasileira.
Por vezes, tivemos convidados. Como o pianista e compositor cearense Petrúcio Maia, o matemático Oswald de Souza e o violonista e compositor Luiz Sergio. O Petrúcio havia sido meu colega no Colégio Batista, era irmão do LPM Maia, um consagrado autor de livros escolares de Física, e criara canções belíssimas como "Dorothy Lamour" (c/ Fausto Nilo), "Cebola Cortada" (c/ Clodo), "Lupiscínica" (c/ Augusto Pontes), entre outras. O Oswald de Souza era o celebérrimo Oswald de Souza do programa "Fantástico", o homem que calculava as probabilidades de acertos na loteria esportiva.
Na noite com Oswald, o grupo mudou o local da reunião para o "Anísio", na Beira-Mar. Tendo como cicerone em Fortaleza o colega Emanuel, o matemático foi logo declarando-se fã de Fagner e Belchior. Pena que o "Assum Preto" (cuja presença no "Anísio" era de alta probabilidade) não tivesse aparecido para reforçar a "canja" que foi dada.
Encantou-me, desde minha primeira escuta, Luiz Sérgio com a beleza de suas composições. Algum tempo depois, ao encontrar-me com ele no restaurante "Caminho â Saúde", falou-me que estava preparando um show e pediu-me sugestões sobre músicos que poderiam acompanhá-lo. Coloquei o violonista Claudio Costa na jogada. Em seu show, Luiz Sergio fez questão de dar um espaço para "estes dois grandes músicos da terra": Claudio Costa e Jorge Helder, baixista que acompanha Chico Buarque há muitos anos. Pensem na sessão de improviso que estas duas feras criaram no palco do Theatro José de Alencar.
Luiz Sérgio, que era apelidado de "Pato Rouco" devido ao timbre da voz, em data não identificada cantou o seu bem-humorado xote "Saúde de Ferro" no programa "Empório Brasileiro", de Rolando Boldrin (vídeo disponível no YouTube). 
No "III Festival Credimus da Canção", realizado no Ginásio Coberto do SESC, em julho de 1980, ele concorreu com "Rio Coração", "Noite Feliz" e "Flor da Idade"(2.º lugar). Também participei desse Festival com a música "Angra de Desejos", com letra de Airton Monte e Idalina Cordeiro. Acho que foi a última vez que estive com Luiz Sérgio.
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/09/memoria-o-parceiro-airton-monte.html
Ouviu-se uma história de que Luiz Sérgio foi prejudicado por uma flauta que desafinou em sua apresentação. Na hora que ouviu a flauta, o Alceu tirou o headphone e deu zero para música, que acabou ficando a um ponto de diferença do Quinteto Agreste, que ganhou o 1.º lugar (com "Seu doutô me conhece?", um poema de Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa de Assaré, musicado por Mesquita Neto). O Abel Silva, por exemplo, não se conformou com o que aconteceu. Quanto ao Fagner, que presidia o Festival, ele disse que a melhor música era "Flor da Idade".
Em 1981, sua canção "Rio Coração" foi gravada pela cantora potiguar Terezinha de Jesus (vídeo). 


Tenho no peito guardado / um lago fundo, imenso. / Tudo que eu sinto e que penso / some na escuridão / das águas que vem de um rio / que se chama coração.  / É um lugar encantado; / nada triste, nada feio. / O poço está quase cheio / de saudade e de paixão / que vêm nas águas de um rio / que se chama coração. / Tem dias de calmaria / e outros de grande enchente / que é quando o meu peito sente. / E sangram pelos meus olhos, / choram numa canção / as águas que vêm de um lago. / Um lago feito de um rio / que se chama coração.
Completando este breve perfil de Luiz Sérgio, transcrevo abaixo uma nota que Israel Batista postou em seu blogue:
Luis Sergio Bezerra de Morais, ou Sergio Piau como era conhecido, foi um dos grandes artistas que nossa terra já produziu pro mundo, tocava um violão com maestria que nos encantava de uma forma incrível. Filho de Pedro Alves de Morais (Pedro Piau) e Iracy Bezerra de Morais. Foi casado com a jovem Cleyre Menezes e com ela teve uma filha por nome Luciana. Eu no livreto que fiz em sua homenagem compus o seguinte poema [...] . http://artemisia-palavraspalavras.blogspot.com/2011/08/luiz-sergio-rio-coracao.html
Não resisto a uma comparação de Luiz Sérgio com Sidney Miller - na música e na vida. Ambos foram músicos/letristas inspirados e, no esplendor de suas existências, partiram deste mundo por decisões que tomaram.