"HINO DA FACULDADE DE MEDICINA"

Composto por Belchior nos anos 1960s e, informalmente, reconhecido como "hino" por seus contemporâneos na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Eis um trecho:
"Sou candidato a médico e doutor
Mas o que eu sei de fato é samba, meu senhor
Como estudante eu não entro bem
Porque na minha estante tem Chopp Chopin."
A letra completa, enviada por Estêvão Zizzi, de Vila Velha - Espírito Santo, é encontrada no site "Recanto das Letras". 
https://www.recantodasletras.com.br/letras/7822696
E o "hino" pode ser ouvido (com outras canções inéditas do Belchior) no vídeo de uma  entrevista que a cantora Lucia Menezes deu a "O Globo Cultura", em 05/06/2017. https://oglobo.globo.com/cultura/musica/amiga-de-belchior-lucia-menezes-apresenta-ineditas-do-cantor-21435308
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A FUGA DO CAVALETE

Paulo,
Teu comentário me despertou uma ideia que acabou virando um pequeno conto. Achei justo te enviar antes de qualquer outra coisa, já que a faísca veio de ti.
Abraço,

Nelson

A Fuga do Cavalete 
O cavalete incomodava-se com o silêncio.
Preso ao tampo de um violão esquecido no fundo de um armário do escritório, escutava apenas o pó assentando, o ranger distante da casa e o tempo passando sem música. Até que, certa tarde, vindo de alguma sala próxima, ouviu um som majestoso: outro violão tocava. Reconheceu de imediato -era uma valsa vienense, cheia de giros, salas amplas e aplausos imaginados.
A inveja veio primeiro. Depois, a fúria.
Tomado por esse duplo impulso, o cavalete decidiu libertar-se das cordas que o sujeitavam ao tampo. Já não suportava sustentar um silêncio que não era escolha, mas abandono.
O tampo, por sua vez, também se ressentia da longa inatividade. Suas fibras ressecadas, seu lenho esquecido, tudo nele clamava por vibração. Como se compartilhasse o mesmo descontentamento, reuniu forças que julgava perdidas. Num esforço inaudito, moveu-se. Estufou o peito de madeira com coragem nunca antes exigida e, num estalo seco, libertou-se do pobre cavalete.
-Vai, meu cavalete - disse o tampo, numa voz que só os objetos conhecem. Segue o teu caminho. És feito de madeira nobre. Algum luthier há de te encontrar e usar-te, quem sabe, num Stradivarius. Conhecerás o mundo, as grandes plateias, os mais belos teatros.
O cavalete hesitou. Nunca imaginara existir fora dali.
-Eu não posso ir - continuou o tampo. - Muitas peças ainda me prendem. Parafusos, trastes, hábito. Mas tu, não. Vai. E não demores.
Houve uma pausa breve, carregada de tudo o que não se diz entre coisas condenadas a durar.
-Porque o dono deste violão pode se lembrar dele - completou o tampo - e voltar. E, se isso acontecer, morrerás comigo, novamente aparafusado.
Nelson José Cunha
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O CAVALETE DO VIOLÃO

Paulo,
Seu texto (UM PRESENTE DE NATAL) me inspirou a fazer uma homenagem a todos os cavaletes do mundo (melhor seria chamá-los como os ianques - bridge). Segue o meu texto.
Nelson Cunha
Peça inerte que suporta sobre os ombros o peso tenso das cordas. É o carteiro injustiçado: entrega as notas ao bojo que acolhe, alimenta e as devolve ao vento. Os olhos da plateia buscam as mãos que ferem o aço - o malabarismo, o ritmo, a coreografia vistosa dos dedos. Os aplausos pertencem à destreza que se exibe.
Enquanto isso, o cavalete (bridge), humilde e anônimo, permanece imóvel, cravado no tampo como um osso discreto. Não cria o som, torna-o possível. Recebe as vibrações e as conduz adiante, fiel e necessário como uma ponte, que liga o pouco ao muito. Sustenta a tensão, traduz o golpe em ressonância e faz chegar a mensagem às entranhas do instrumento. Nunca se apropria do que conduz. Resiste, estoico, à tentação de reter para si algum brilho, alguma nota, algum quinhão de glória. Sem ele, a música sepulta-se no fosso do silêncio.
Lá está ele:o risco essencial que ninguém nota. Dorme sem o eco dos aplausos. Sonha, talvez, em ser corda e vibrar, mas amanhece traço - firme, mudo e soberano naquilo que entrega, enquanto o som que ajudou a nascer já voa longe.

Nelson,
O cavalete do violão (do bandolim, do violino e de outros instrumentos musicais de corda) é feito principalmente de madeiras nobres e densas, como jacarandá, pau-ferro, caviúna e ébano, escolhidas por sua dureza e ressonância para transmitir as vibrações das cordas. Materiais como o osso e material sintético também são usados para o rastilho (a peça onde as cordas se apoiam) e a madeira do cavalete pode ser reaproveitada das sobras de outros instrumentos, sendo moldada com precisão e colada com adesivos específicos para marcenaria.
Já tive um violão cujo cavalete tinha o péssimo costume de desprender-se do tampo. Por duas vezes, levei o a um "luthier" (estas aspas são necessárias) para recolocar o cavalete no devido lugar.  Inutilmente, pois o cavalete tornava a se soltar. Foi quando eu tive uma ideia (de jerico), a de sugerir que ele reforçasse as propriedades adesivas da cola com a inclusão de dois parafusos. Aí morreu a voz do violão.
Paulo Gurgel

A publicar: A FUGA DO CAVALETE

UM PRESENTE DE NATAL (parte 2)

Enquanto mostrava este bandolim ao ChatGPT, o genro Rodrigo Soares manteve a meu pedido uma proveitosa conversação com a inteligência artificial. Na sequência, transcrevo as respostas do ChatGPT.

Esse aí é um instrumento bem clássico, na verdade, é uma mandolina (ou bandolim, como a gente também chama por aqui). É um tipo de instrumento musical.

É, a essência da mandolina ou do bandolim continua basicamente a mesma. Claro, um instrumento com 80 anos tem um charme e talvez um som um pouco mais encorpado ou uma madeira mais envelhecida, mas não muda muito do conceito do bandolim atual. É só manter afinadinho e aproveitar o som!

Olha, se você já toca violão, você já tem uma boa vantagem. A mandolina tem cordas duplas e uma afinação diferente, mas a lógica de apertar as notas com os dedos é um pouco parecida. Então, com um pouquinho de prática, você se adapta e logo está tirando um som legal também.

Então, geralmente isso é a marca do luthier ou do fabricante, que gravava o nome ou as iniciais no instrumento. Pode ser que "Omi" seja a marca mesmo de quem fez essa mandolina, então provavelmente é a assinatura do fabricante original e não de algum dono anterior.

Exatamente, você acertou! Essa parte aí onde ficam as tarraxas se chama mesmo cravelha. É onde você ajusta a afinação das cordas, então pode chamar de cravelha sem medo.

Ah, então, essa partezinha de metal ali embaixo é chamada de tailpiece ou, em português, a gente também pode chamar de cordal. É basicamente o suporte onde as cordas ficam presas na parte de baixo do instrumento.

Isso mesmo! Essa pecinha aí no meio, onde as cordas ficam apoiadas, a gente chama de cavalete. É ele que mantém a altura das cordas e transmite a vibração para o corpo do bandolim.