MANGUEIROSA - 2

15/02, sábado
Tendo desistido de ir à ilha do Marajó (fica este passeio para maio, talvez), juntei-me aos meus que iriam para a ilha de Combu. A travessia para esta ilha se dá por embarcações que saem de um porto na Praça Princesa Isabel (atualmente sob reformas), em Belém.
A ilha do Combu é a quarta maior de Belém, entre as 39 que circundam a capital paraense, e um dos destinos turísticos mais procurados pelos belenenses e turistas. Um paraíso de mata virgem que fica a pouco mais de um quilômetro da capital paraense, em uma viagem de 15 minutos pelas águas turvas do rio Guamá. O local oferece diversos bares e restaurantes localizados de frente para Belém e ao longo do igarapé do Combu, que corta a ilha. São cerca de 25 estabelecimentos funcionando na ilha, e oss cardápios dos restaurantes privilegiam os peixes da região amazônica, açaí e sucos de frutas regionais.  Há locais que contam, ainda, com atrativos como piscinas naturais, trilhas, música ao vivo, playground para crianças e redários.
https://redepara.com.br/Noticia/199824/ilha-do-combu-os-sabores-que-encantam-do-outro-lado-do-rio
O restaurante mais conhecido da ilha do Combu, o "Saldosa Maloca" (com L mesmo), foi onde estive em 2014. Saboreando a culinária local e maravilhando-me com a visão de uma gigantesca sumaúma que sombreava ao lado.
Desta vez, o local escolhido pelo casal anfitrião Rodrigo e Natália, foi o "Solar da Ilha" (foto). Um restaurante rústico à maneira de outros que são frequentados no lugar.
O sol abriu. Natália e Matheus foram chapinhar nas águas da piscina do restaurante. E todos (menos Leon, que tem uma comida específica) almoçamos.
De volta a Belém, demos uma breve parada na arborizada Batista Campos para comprar brownies numa doceria da praça. Tive de ensaiar uma caminhada no lobby do Angra dos Reis, porque uma chuva renitente não me deixou sair. Teria voltado à Batista Campos, mas o tempo não melhorou.
À noite, continuei em recesso. Os demais saíram com destino a um shopping e uma pizzaria.
16/02, domingo
Iniciamos o passeio deste domingo pelo Mangal das Garças, na Cidade Velha. Com lagos, fonte, viveiros, borboletário, passarelas, mirante do rio e outros atrativos como o Farol de Belém e o Museu da Navegação, o Mangal é um parque naturalístico belíssimo.
Vide Mapa do Mangal.
Com acesso por elevador, o Farol de Belém (foto) é uma torre em estrutura metálica de 47 metros de altura e dois níveis de observação,  de onde se descortina a cidade de Belém, a Baía do Guajará (rio Guamá) e o Mangal das Garças.
Memorial Amazônico da Navegação, integrado ao Mangal das Garças
Detalhes transformam o Memorial Amazônico da Navegação num ambiente atrativo e diferente. Toda a estrutura do local é feita em ipê. O telhado do prédio é todo revestido de palha, já o piso da parte interna é de pedra-sabão, e os painéis com os textos históricos são feitos de ferro. Os visitantes encontram também os três aspectos da evolução dos meios de transporte de navegação na Amazônia: o aspecto militar, (representado pela Marinha do Brasil); o comercial representado por um breve histórico da Enasa; e o regional, revelado na exposição de barcos que são muitos utilizados na região Norte.
Vide Calafate no Blog EM.
Outros espaços visitados  na Cidade Velha:
Museu de Arte Sacra, integrado à Igreja de Santo Alexandre, originalmente Igreja de São Francisco Xavier, construída pelos padres jesuítas com participação do trabalho indígena entre o fim do século XVII e início do século XVIII.
Casa das Onze Janelas, palacete que abriga um museu de arte contemporânea e restaurante.
Forte do Presépio, a primeira construção de Belém (1616). Após os vários usos militares, essa fortificação foi revitalizada em 2002 para uso museológico.
Almoçamos no Tio Armênio, no armazém gastronômico da Estação das Docas, um complexo cultural e turístico que já foi parte do porto da cidade de Belém. E, mais tarde, houve tempo para darmos uma passada no Boulevard Shopping, que fica no Reduto.
Às 23h25, estávamos no Aeroporto Val-de-Cães embarcando em nosso voo de volta para Fortaleza.
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MANGUEIROSA - 1

Esta foi a nossa sexta estada na cidade de Belém, onde nossa filha Natália, formada em Direito e investigadora da Polícia Civil do Estado do Pará, mora com seu esposo Rodrigo Soares.
Período: 13 a 16/02/2020
Visitantes: Paulo, Elba e o neto Matheus
Caso o leitor queira ler sobre as visitas anteriores que fizemos à capital paraense (com Macapá, Paramaribo e Salinópolis nos roteiros), disponibilizo os links abaixo:
OLÁ, BELÉM
CIDADE DAS MANGUEIRAS
BELÉM E MACAPÁ - 1
BELÉM E MACAPÁ - 2
PARAMARIBO E BELÉM
BELÉM E SALINÓPOLIS - 1
BELÉM E SALINÓPOLIS - 2
13/02, quinta-feira
Partindo com atraso de Fortaleza (devido a uma passageira que teve de desembarcar por problema de doença), e tendo voado em áreas de turbulência, chegamos a Belém às 16 horas. Natália e Rodrigo nos esperavam no aeroporto. O casal reside num apartamento adquirido em 2019, no bairro de Umarizal, e o tem decorado com muito bom gosto, faltando apenas concluir o quarto do futuro herdeiro Renan.
Aproveitei o fim da tarde para dar uma caminhada pelas ruas de Umarizal e Nazaré. Comprei laranjas, refrigerantes sem açúcar e castanhas do Pará, no supermercado Nazaré da Travessa 14 de Março.
(No linguajar de Belém, "travessa" não é uma rua estreita, secundária e transversal a duas ruas importantes, é também uma rua tão importante quanto.)
À noite, fomos jantar no Bar do Parque, ao lado do Theatro da Paz. Um tornedor de filé mignon, um T-bone com baião e fritas, e um filé de peixe gratinado foram os pratos que pedimos, além de sucos diversos.
No Bar do Parque
14/02, sexta-feira
Visita ao Espaço São José Liberto e ao Museu Paraense Emilio Goeldi, o jardim zoobotânico da cidade.
O São José Liberto é o antigo presídio de Belém, que, em 2002 (Governo Almir Gabriel), depois de uma ampla reforma deu lugar ao Polo Joalheiro - Casa do Artesão - Museu de Gemas do Pará - Capela (onde se realizam concertos de música sacra).
Situado no centro de Belém, o Museu Emílio Goeldi é uma amostra da floresta amazônica em meio urbano. Dispõe de pavilhões com aquário, terrário, museu de arte e com utensílios de povos indígenas, e os visitantes podem ver a exuberância das plantas, além de animais presos (onças, jacarés, gaviões, macacos, antas, tartarugas, ariranhas, jabotis etc) e bichos que circulam livremente como cotias e preguiças. Por diversas vezes, tivemos de interromper o passeio nas trilhas do parque por causa da chuva que recrudescia. Numa dessas paradas, fomos nos abrigar no "Castelinho".
No Museu Emilio Goeldi
Inaugurado em 1901 como uma das principais atrações do Parque Zoobotânico, o conhecido "Castelinho" era, na verdade, uma caixa d'água disfarçada. O próprio Emilio Goeldi concebeu a edificação, aproveitando a estrutura elevada para ciar um mirante que permitisse a vista do parque e da rua. A construção simula as ruínas de um castelo, com catacumbas de teto abobadado. O conjunto incluía ainda um lago com vitórias-régias. A visita a esse local logo se tornou um hábito para muitos moradores de Belém, que ali permaneciam até à noite para testemunhar a aberturadas flores da planta aquática.
No período da tarde, após almoçarmos no self service do "Boi Novo", fomos conhecer ao lado o Parque da Residência. Antiga residência dos governadores do Pará, e onde hoje funciona a Secretaria da Cultura, o parque apresenta amplos jardins, coreto, orquidário, uma antiga estação do gasômetro (transformada em teatro), na qual é exibido um vistoso automóvel Cadillac que o governador usava em duas datas específicas do ano. Inteiramente reformado, o modelo em exposição é exemplar único no país.
No Parque da Residência
Antes do dia escurecer, caminhei por mais de uma hora pela Quatorze de Março, até os limites do bairro de Cremação.
E fomos jantar no tradicional "Remanso do Peixe" (que já conhecíamos), ao qual chegamos por um complicado percurso traçado pelo Waze.
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O VENTO ARACATI

O vento pontual
Se não estivesse retratando uma cena diurna, uma certa pintura a óleo de Edward Hopper viria a calhar. Mostrando como eram aqueles momentos em que a gente, no Sítio Catolé, em Senador Pompeu-CE, esperava a passagem do vento Aracati para depois ir dormir.
O vento passava às 20 horas.
http://blogdopg.blogspot.com/2010/05/o-vento-pontual.html

Compondo o real e o imaginário do sertanejo
Antes de o sol se pôr, e mesmo depois dele, um grande sopro que vem do mar corta o Ceará ao meio, levanta poeira, vestido de moça, roda cata-vento, espalha o cabelo da mulher sentada na calçada, despede do calor com sua brisa marítima fresca no sertão. É o "vento Aracati", que todos os dias percorre mais de 300 quilômetros. Canalizado pelo Rio Jaguaribe, o vento compõe o real e o imaginário dos sertanejos, desde bem antes de ser retratado no romance "Iracema", de José de Alencar, e de ser objeto de estudos científicos na Universidade Estadual do Ceará (Uece). Patrimônio imaterial do Estado, o vento virou versos, depois documentário, que soprou a história do fenômeno para outros países e está prestes a virar um longa metragem. ~ Melquíades Júnior
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/vento-aracati-compoe-real-e-imaginario-dos-sertanejos-1.216432

Estudo para o vento
Curta-metragem de Aline Portugal e Julia de Simone
Sinopse - É fim de tarde quando o vento passa.
http://www.miradafilmes.com.br/filme/estudo

Seguindo a rota do vento, Aline e Júlia depois dirigiram o longa-metragem "Aracati".

Bônus: A PRAÇA E O VENTO
Houve um tempo na mui leal e heróica cidade de Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção em que os rapazes ficavam na Praça do Ferreira à espera do vento que levantava as saias das moças.
http://slideshows-pg.blogspot.com/2011/08/praca-e-o-vento.html

O CASTIGO DO COLAR DE CACOS

A poetisa Cora Coralina nasceu em 20 de agosto de 1889, na casa por ela chamada carinhosamente de Casa Velha da Ponte, na antiga capital do Estado de Goiás, hoje cidade de Goiás. Ali viveu por vinte e dois anos, quando em 11 de dezembro 1911, parte "em busca de seu destino", ao lado do seu companheiro de "vida toda", Cantidio Tolentino Figueiredo Bretas, e vive no interior de São Paulo e na própria capital por quarenta e cinco anos. Viúva e já "vestida de cabelos brancos" (Coralina, 1994) contando com 67 anos, retorna à terra natal, obedecendo ao chamado de suas raízes, de sua ancestralidade. Dá-se o seu reencontro com a casa natal em l956.
Em 2014, tendo como objeto de pesquisa uma estatueta conhecida como "menina do caco" (foto), que está no Cemitério da Cidade de Goiás, Samuel Campos Vaz desenvolveu sua dissertação de mestrado A "MENINA DO CACO": IMAGEM, IMAGINÁRIO E RELIGIOSIDADE NO CEMITÉRIO SÃO MIGUEL DA CIDADE DE GOIÁS - GO. Protegida por grades, a estatueta corresponde a uma figura de criança, de cabeça baixa (como se estivesse chorando), enquanto segura na mão esquerda um objeto quebrado. Ela representa uma menina que, por deixar cair uma xícara de porcelana, foi submetida a um castigo, reconhecido como exemplar, para que outras crianças não cometessem o mesmo erro de quebrar uma louça.
Esta narrativa popular se encontra com os contos e uma nota de Cora Coralina, que estão no livro "Poemas dos becos de Goiás e estórias mais", de 1988. Em sua obra, a autora apresenta uma série de razões para o valor que era dado à porcelana. "O castigo do colar de cacos pode ser tomado como referência: foi um costume criado para diminuir, inibir, coibir, ameaçar e prevenir os incidentes com as louças." (Coralina, 1988, p. 86)
 Em "Nota: De como acabou, em Goiás, o castigo dos cacos quebrados no pescoço", Cora Coralina conta a estória da menina Jesuína, filha de escrava forra e órfã, criada pela madrinha de mesmo nome, senhora "apatacada, dona de Teres-Haveres". A menina Jesuina, um dia, por azar, quebra a tampa de uma terrina, e recebe como castigo, um colar de cacos quebrados no pescoço. Numa noite, uma das pontas do caco corta-lhe uma veia do pescoço, ficando ela a noite inteira a esvair-se em sangue e quando a madrinha acorda, encontra-a morta.
Com o sacrifício da menina Jesuína, acaba-se em Goiás o castigo do colar de cacos no pescoço.
Webgrafia
http://toleranciaecontentamento.blogspot.com/2012/07/nota-de-como-acabou-em-goias-o-castigo.html
http://www.uesc.br/seminariomulher/anais/PDF/MARLENE%20GOMES%20DE%20VELLASCO.pdf
http://tede2.pucgoias.edu.br:8080/bitstream/tede/884/1/SAMUEL%20CAMPOS%20VAZ.pdf
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/06/mochileiro-do-cerrado-1.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/06/mochileiro-do-cerrado-2.html

ESTORIL RESTAURANTE

Construída pelo pernambucano José Magalhães Porto e sua esposa, Francisca Frota Porto, apelidada "Morena", às vésperas dos anos 20, na Praia do Peixe, a Vila Morena serviu de residência durante muitos anos, conservando em redor lindo jardim onde também eram criadas algumas aves. Localiza-se na Rua dos Tabajaras nº 406, na Praia de Iracema.
Veio a Segunda Guerra Mundial e com ela os estrangeiros que aqui aportaram, principalmente os soldados americanos que tinham base no Pará, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte e alugaram a Vila Morena para ser o United States Office - USO, em 1943, quando a Praia do Peixe já era Praia de Iracema, nome dado pela cronista Adília de Albuquerque, esposa do jornalista Tancredo Moraes.
Após a Guerra, dois portugueses alugaram a casa e colocaram um restaurante com especialidade em pratos portugueses. Em 1952, Zé Pequeno assumiu a direção da casa que passou a receber a boêmia de Fortaleza composta principalmente por intelectuais. Surgia assim o "Estoril".
Apesar de várias crônicas alertaram à municipalidade do perigo que corria a casa que aos poucos se deteriorava, nada foi feito pela Prefeitura que simplesmente deixou que ele ruísse em 1992, para depois reconstruí-la em concreto armado, quando a casa original era de taipa.
A casa era de taipa - paredes armadas de madeira (varas) com barro e pedaços de tijolos e pedras - tinha portas e janelas com vidros importados, duas escadas "caracol", "frades de pedra" na frente, calçadas em pedra cristal em preto e branco tendo no centro as iniciais JMP que também eram usadas nos portais, vitrais coloridos com a inscrição "Vila Morena" no alto da torre.
A primeira foto é do tempo do United States Office - USO e a segunda é do primeiro Estoril.
A partir da administração do prefeito Antônio Cambraia, em 1994, a casa foi reconstruída e passou a ser administrada pela municipalidade, sendo hoje, além do Estoril Restaurante, a Vila Morena, um local de encontros culturais, com exposições de fotografias, pinturas, esculturas, lançamento de livros etc. Grande pé de castanhola à sua frente, cobre parcialmente sua fachada na foto atual colhida por Osmar Onofre.
http://www.ceara.pro.br/fortaleza ⮞ Curiosidades
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Estoril, nas décadas de 1970/80
Habituées: Airton Monte, Rodger Rogério, Chico Pio, Diassis Martins, Francis Vale, Claudio Castro, Antonio Girão, Bisão, Alano Freitas, Rogaciano Leite Filho, Carlos Augusto Viana, Lucíola Rabelo, Márcio Catunda, Maurício (da Física), Luciano Maia, Diogo Fontenelle, Mário Mamede, Hélio Rola, Rosemberg Cariry e outros, muitos outros.
Garçons: Sitônio (irmão do Zé Pequeno), Alemão e Baleia, recordo-me destes três.
Luisinho fotografava. Juarez Leitão escreveria um livro sobre o Estoril.
Neste local,  conheci Carlos Vaz, O CARIMBADOR POETA. Que as musas o tenham!

PARCEIROS CEARENSES DE LUIZ GONZAGA

Nascido em Exu, município pernambucano limítrofe com Crato, Luiz Gonzaga guardava muitas recordações das coisas do Ceará. Nos tempos de menino, acompanhava o pai Januário na famosa feira de Crato, onde Januário fazia pequenos negócios. Na adolescência, fugindo de casa, pegou um trem, rumo à Fortaleza, na antiga estação ferroviária do Crato. Entre 1930 e 1931, morou em Fortaleza, servindo o exército (era o corneteiro do quartel) no 23.º Batalhão de Caçadores.
São frequentes as citações de pessoas ("padim" Padre Cícero, Padre Vieira) e lugares (Crato, Juazeiro, Canindé, Várzea Alegre) do Ceará em suas canções. E vários de seus parceiros são cearenses.
Humberto Teixeira, cearense de Iguatu:
A procura por um letrista levou Gonzaga a Lauro Maia, que recusou o convite e encaminhou-o ao cunhado Humberto Teixeira. Em agosto de 1945, cruzavam-se os caminhos destes dois. Juntos (foto), trabalhariam em 133 canções, incluindo "Asa Branca", que era uma canção de trabalho. Luiz levou o tema para Humberto, que criou a letra. Num novo encontro, nasceria "Baião", com a intenção didática de ensinar o público a dançar esse gênero musical. "Assum preto", "Baião de dois", "Estrada de Canindé", "Juazeiro", "Légua tirana", "Lorota boa", "Mangaratiba", "No meu pé de serra", "Paraíba", "Qui nem jiló", "Respeita Januário" e "Xanduzinha" são também composições da dupla, entre outras. A importância desta parceria de Gonzaga com o "Doutor do Baião" só é possível comparar com o de sua parceria com Zé Dantas, médico pernambucano, com o qual LG compôs: "A letra I", "A volta da asa branca", "ABC do sertão", "Acauã", "Cintura de pilão", "Paulo Afonso", "Riacho do Navio", "Sabiá", "Treze de dezembro", "Vozes da seca" e "Xote das meninas", entre outras.
José Clementino, cearense de Várzea Alegre:
"Apologia do jumento", "Capim novo", Contrastes de Várzea", "O jumento é nosso irmão", "Xeêm" e "Xote dos cabeludos". Luiz Gonzaga também gravou "Sou do banco", de José Clementino e Hildelito Parente e "Bandinha de Fé", do cratense Hildelito Parente.
José Jatahy, cearense de Fortaleza:
"Eu vou pro Crato" e "Desse jeito, sim".
Chico Anysio, cearense de Maranguape:
"Quadrilha chorona" (uma quadrilha junina com a marcação feita pelo Professor Raimundo, personagem do Chico).
Além disso, Luiz Gonzaga gravou a "Triste Partida" e "Vaca Estrela e boi Fubá", composições de Patativa do Assaré, e dois LPs com Raimundo Fagner. No disco "Veredas Nordestinas", de Dominguinhos, colocou sua voz em "O Juazeiro e a sombra", do cearense Fausto Nilo, a última gravação em estúdio de Luiz Gonzaga.
Webgrafia
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/metro/morre-jose-clementino-parceiro-de-luiz-gonzaga-1.267025
http://pcb.org.br/portal2/2888/um-personagem-comunista-do-pcb-no-ceara/
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/verso/parceiros-e-cidades-do-ceara-na-trajetoria-do-rei-do-baiao-1.2130505
http://sintoniahp.blogspot.com/2009/08/20-anos-sem-luiz-gonzaga-asa-branca.html

A CARNAUBEIRA

"Corria nos cavalos feitos de talos de carnaúba. De carnaúba era a cadeira, a mesa, as cordas da rede. A casa tinha travejamento, caibros e ripas de carnaúba. Esteiras de carnaúba substituíam os tapetes. Na cabeça, o chapéu de palha de carnaúba. De tarde, batia-me com outros batalhões de meninos, todos armados com facões de carnaúba." ~ Luís da Câmara Cascudo
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/04/exposicao-em-homenagem-carnauba-no.html
A carnaúba (Copernicia prunifera), também chamada de carnaubeira, é uma palmeira, da família Arecaceae, endêmica do semiárido da Região Nordeste do Brasil.
Da planta se aproveita tudo. O Brasil é o único exportador da cera que, depois de retirada do pó de suas folhas, é muito utilizada na fabricação de cosméticos, cápsulas de remédios e outros produtos. A carnaubeira é a árvore representativa do Estado do Ceará.
http://blogdopg.blogspot.com/2015/09/o-dia-da-arvore.html
NAS PALMAS DA CARNAÚBA (arranjo Orlando Leite)
Autores: Antonio Gondim – Pierre Luz
Álbum: Coral do Estado do Ceará – Cancioneiro do Ceará
Ano: 1981 (estúdio Rozenblit)

Vídeo postado no YouTube por Luciano Hortencio, um dos tenores do Coral à época da edição do disco.
http://jornalggn.com.br/memoria/o-coral-do-estado-do-ceara-e-seu-cancioneiro/

ARENINHA DO PARQUE DO COCÓ

O Parque Estadual do Cocó recebeu a mais nova Areninha de Fortaleza. A iniciativa resulta do projeto "Juntos por Fortaleza", que reúne esforços municipal e estadual em prol da implantação de melhorias nos espaços públicos da Capital. A inauguração ocorreu na noite de 16 de dezembro e contou com a presença do governador Camilo Santana, do prefeito Roberto Cláudio e do secretário do Meio Ambiente (Sema) Artur Bruno.
O equipamento, que fica próximo ao anfiteatro do Parque (av. Padre Antônio Tomás, S/N) teve investimento de R$ 1.218.952,19 do Tesouro estadual, com a contrapartida de R$ 794.934,31 da Prefeitura de Fortaleza.
"Trata-se de mais uma opção de esporte e lazer à disposição da população fortalezense", explicou o titular da Sema, Artur Bruno. "A área de intervenção da obra tomou 4.080m² com campo de futebol "society" (84m x 40m), grama sintética, arquibancada, alambrados, iluminação por torres de LED, além de reforma e adequação dos banheiros."
Foto: PGCS
Na ocasião, foi autorizada a construção de mais 30 Areninhas em Fortaleza, oito delas no Parque a serem distribuídas desde o Conjunto Palmeiras até a foz do rio Cocó, entre Caça e Pesca e Sabiaguaba. Ressaltou o prefeito Roberto Claudio que "essa iniciativa, mesclando educação e esporte, é uma das formas de prevenir a criminalidade".
Ao final da inauguração, o governador Camilo Santana anunciou que todos os 184 municípios do Estado do Ceará terão suas Areninhas.

CANAÃ DA LIBERDADE

O movimento abolicionista no Ceará inspirou um grupo de moradores de Redenção (na época Villa do Acarape) a se organizarem para libertar seus escravos. Foram então fundadas duas associações: a "Sociedade Libertadora Acarapense" e a "Sociedade Libertadora Artística Cearense".
A "Sociedade Libertadora Acarapense" era composta dos Srs. Presidente: Cel. Gil Ferreira Gomes de Maria; Vice-dito: Cel. Antonio Silva Matos; Tesoureiro: Padre Luis Bezerra da Rocha; 1.º Secretário: Tenente Henrique Pinheiro Teixeira; 2.º dito: Francisco Hermano Gomes Carneiro e Orador: Diocleciano Ribeiro de Menezes. A "Sociedade Artística Libertadora Acarapense" foi assim organizada: Presidente: José Raimundo Carvalho; Vice-dito: Procurador Benigno Gonçalves Glória; Tesoureiro: Luiz Martins; 1.º Secretário: João Alberto de Melo; 2.º dito: Joaquim Agostinho Fraga e Oradores: Diocleciano Ribeiro de Menezes e Aleixo Anastácio Gomes. Era, a bem dizer, a flor social do Acarape.
Em novembro de 1882, uma comissão formada por João Cordeiro, Almino Affonso, Antônio Martins, Frederico Borges e José Marrocos fez uma visita ao município com o propósito de apoiar o movimento abolicionista que aqui se formava. Eles foram recebidos pelo Pe. Luis Bezerra da Rocha e Deocleciano Ribeiro de Menezes, na residência do Sr. Antônio da Silva Matos, que para dar credibilidade ao movimento entregou a carta de alforria a um escravo.
No mês de dezembro, uma representação da Sociedade Redentora Acarapense viajou para Fortaleza a fim de solicitar apoio e colaboração monetária para a compra das alforrias , já que os fazendeiros aceitavam alforriar seus escravos, desde que fossem indenizados. Na época José do Patrocínio se encontrava no Ceará e junto com a Sociedade Libertadora Cearense participou do movimento para arrecadar o valor estipulado. O grande tribuno negro fez conferencias no teatro São Luís, as entradas eram pagas e a arrecadação se destinava às alforrias dos escravos da Villa do Acarape. O jornal Libertador fez campanha e abriu uma lista de arrecadação na capital em que houve contribuição. E a população da Villa do Acarape também contribuiu com 300$000.
Com a arrecadação concluída só faltava marcar o dia da celebração. Foi escolhido o dia 1.º de janeiro de 1883 para a grande festa. Uma comitiva saiu de Fortaleza nos vagões da locomotiva a vapor denominada Sinimbu. Aqui foram recebidos em festa, e a sessão foi presidida por Liberato Barroso. A multidão aplaudia os oradores, José do Patrocínio fez um discurso inflamado. Justiniano de Serpa assim se pronunciou: "Estamos na Canaã da Liberdade". A vibração dos oradores durou até a entrega das alforrias a todos os escravos. À tarde, a comitiva retornou a Fortaleza, sendo recebida com festa e levada à redação do "Jornal Libertador", onde as manifestações duraram até a meia-noite. (fonte: Raimundo Girão - A Abolição no Ceará e Museu Histórico e Memorial da Liberdade).
Por conta dessa história protagonizada e celebrada pelos redencionistas, o ex- presidente Luís Inácio da Silva, com o aval do Governador Cid Gomes, escolheu Redenção para sediar a 2.ª Universidade Federal do Ceará, a Unilab - Universidade Internacional da Integração Afro-Brasileira. O compromisso da Unilab é gerar conhecimentos científicos e tecnológicos necessários à prosperidade dos brasileiros como também dos países lusófonos. Assim como aqueles que promoveram a libertação dos escravos, todos que se empenharam pela implantação dessa universidade estão escrevendo uma nova página de sucesso, de libertação educacional, cultural, econômica e social, dando oportunidades não só aos moradores dessa região, também do Ceará e dos países envolvidos. As oportunidades estão surgindo, era quase impossível, por exemplo, o filho de um agricultor que mora na zona rural das diversas localidades do maciço de Baturité entrar numa universidade.
Webgrafia
http://museumemorialdaliberdade.blogspot.com.br/2011_03_01_archive.html
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ce/redencao/historico
http://historiaedidatica.blogspot.com/2012_12_20_archive.html

NATAL DE 2019

Entre gôndolas
No período natalino, a seção de frutas de um supermercado em Fortaleza decorou uma mesa com melões, melancias, mamões e abacaxis cortados artísticamente.
Favoritei o trabalho que está no centro da fotografia — dois graciosos pássaros da família das bromeliáceas!
Como foi o dia 24
Manhã,
com a família Macedo Soares, para participar do café organizado por Rosy Mary Macedo. Dentre os presentes que ganhei, destaco o de Maristane Fernandes: "João de A a Z", livro autobiográfico do pianista e maestro João Carlos Martins. Vindos de Belém do Pará, Rodrigo Almeida e sua esposa Natália Gurgel, grávida de Renan, sorriem na foto abaixo.
Noite,
com a família Gurgel Carlos, para a tradicional ceia de Natal. O apartamento de Marcelo Gurgel e Angelita, em Dionísio Torres, foi o local desta confraternização familiar.
===================== 31/12/2019 =====================
Como foi o dia 31
Tarde,
com a família Gurgel Carlos, para participar de um churrasco organizado por Meuris Gurgel, casada com Laerte. O engenheiro Fernando, esposo de Melissa, vestiu o avental de churrasqueiro. Residem os quatro em Campinas-SP.
Noite,
com Elba, em nosso apartamento. Menu: fatias de pão com patê de bacalhau e caponata de berinjela, castanhas do Ceará e vinho. O réveillon na Praia de Iracema visto pela TV. E o dia 31 se fez 1.º, dezembro mudou para janeiro e 1919 virou 2020, tudo junto. Simples assim.
9 x 8 x 7 x (6 - 5) x 4 + 3 + 2 - 1 = 2020, a matemática vai estar conosco.

MEMÓRIA. VIAGENS E PASSEIOS PELO NORTE DO BRASIL

► AMAZONAS
VOOS AMAZÔNICOS 1974-75
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/08/voos-amazonicos-1974-75.html
BENJAMIN, TABATINGA E LETÍCIA
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/09/benjamin-constant-tabatinga-e-leticia.html
A PÉROLA DO JAVARI (ATALAIA DO NORTE)
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/10/a-perola-do-javari.html
IQUITOS
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/03/iquitos.html
A ISLÂNDIA PERUANA
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/11/a-islandia-sulamericana.html
ESTIRÃO DO EQUADOR
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/07/pulmocilin.html
MANAUS: PRELIBANDO O PASSEIO
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2017/05/prelibando-o-passeio.html
PASSEIO EM MANAUS 19 a 21/05/2017
1 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2017/05/passeio-em-manaus-13.html
2 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2017/05/passeio-em-manaus-23.html
3 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2017/05/passeio-em-manaus-33.html
► PARÁ
OLÁ, BELÉM DO PARÁ
1984, Congresso de Pneumologia, Passeio na Ilha do Mosqueiro
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/03/ola-belem-do-para.html
CIDADE DAS MANGUEIRAS
29/03/2013 a 02/04/2013
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/04/cidade-das-mangueiras.html
BELÉM (a seguir MACAPÁ)
22 a 23/11/2014
Ananindeua, Ilha do Combu
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2014/11/belem-e-macapa-1.html
BELÉM E MOSQUEIRO (a seguir PARAMARIBO)
29 e 30/04/2016
Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara do Pará, Mosqueiro (distrito de Belém)
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2016/05/belem-e-paramaribo.html
A seguir: PARAMARIBO (SURINAME)
01 a 04/05/2016
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2016/05/paramaribo-e-belem.html
BELÉM E SALINÓPOLIS
21 a 23/09/2018
Ananindeua, Santa Isabel do Pará, Castanhal, Santa Maria do Pará, Salinópolis
1 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/09/belem-e-salinopolis-1.html
1 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/10/belem-e-salinopolis-2.html
MANGUEIROSA
13 a 16/02/2020
Belém e Ilha do Combu
1 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/02/mangueirosa-1.html
2 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/02/mangueirosa-2.html
BOAS-VINDAS A RENAN
22/05/2020, Belém
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/05/boas-vindas-renan.html
BELÉM E SOURE
11 a 15/11/2020 (17/11/2020 para Elba)
1 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/11/ilha-de-marajo.html
2 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/11/belem-e-soure.html
BELÉM, SALVATERRA E CACHOEIRA DO ARARI
18 a 22/05/2021 (16/05/2021 para Elba)
1 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/05/primeiro-aniversario-de-renan.html
2 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/05/salvaterra-e-cachoeira-do-arari.html
BELÉM E ANANINDEUA
17 a 20/05/2024 (27/05/2024 para Elba)
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2 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/05/boa-vista.html
STOPOVER EM BELÉM
26/05/2024
1 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/06/no-parque-dos-igarapes.html
2 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/05/belem-cidade-dos-parques.html
BELÉM, BRAGANÇA E BARCARENA
12 A 17/11/2024 (24/11/2024 para Elba)
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2 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/11/perola-do-caete.html
3 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/11/barcarena.html
BELÉM E CAPAREMA
14 A 19/04/2026
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3 - http://gurgel-carlos.blogspot.com/2026/04/o-legado-da-cop30-para-os-belenenses.html
► AMAPÁ
MACAPÁ
24 e 25/11/2014
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► TOCANTINS
PALMAS
25 a 27/10/2022
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► RORAIMA
BOA VISTA, BONFIM E PACARAIMA
21 a 25/05/2024
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BREVE HISTÓRIA DA SOBRAMES CEARÁ

por Celina Côrte Pinheiro (1949-2016), médica ortopedista
data da publicação original: 15 de abril de 2015
No dia 24 de agosto de 1982, na sala de reuniões do Centro Médico Cearense, sob a presidência do Dr. Juarez de Souza Carvalho, foi realizada a primeira reunião com a finalidade de criação da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, capítulo Ceará, conforme denominação no livro de atas. Neste consta que o mentor da ideia de criação da entidade foi o colega Dr. Francisco Dionísio Aguiar Viana que, após dois anos de tentativas e contatos com diversos médicos de vários pontos do Brasil, passou à troca de correspondências com o 11.º Presidente da Nacional, na gestão 1982/1984, Dr. Odívio Borba Duarte. Este enviou cópia do estatuto da entidade-mãe para ser submetido a adaptações condizentes com a realidade local. Para isto, criou-se uma comissão constituída pelos médicos José Borges Sales, Francisco Nóbrega Teixeira, Lucíola Santos Rabelo e Emanuel de Carvalho Melo. Ainda presentes à reunião encontravam-se os médicos escritores: Hamilton Santos Monteiro e Mariano Araújo de Freitas. O fato interessante é que próprio idealizador da regional Ceará, conforme declaração pessoal nessa primeira ata, considerava-se apenas médico e não um escritor. Sonhou um sonho por nós... Poucos dias depois, em primeiro de setembro, nova reunião com a mesma finalidade, observando-se a adesão de outros médicos escritores, além dos já citados. Dr. Dionísio Aguiar informou haver recebido amável carta do Dr. Pedro Nava declinando do convite, por motivo de doença, para vir a Fortaleza por ocasião da posse da diretoria da entidade. Em seguida, informou que Dr. Odívio Borba Duarte aceitara o convite para presidir a posse. O estatuto da regional já pronto foi entregue pelo colega Francisco Nóbrega Teixeira e a eleição para posse da 1.ª Diretoria marcada para o dia 15 de setembro. A única chapa inscrita e eleita foi assim constituída: Presidente – Dr. Emanuel de Carvalho Melo, Secretário – Dr. José Jackson Sampaio, Tesoureira – Dra. Lucíola Santos Rabelo. Como vogais: Dr. Francisco Nóbrega Teixeira, Dr. Francisco Sampaio Oliveira e Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva.
Aos quatro dias do mês de novembro daquele ano, no Centro Médico Cearense, na Rua Pedro I, nº 997, Centro, em Fortaleza, a primeira diretoria solenemente tomou posse, com a presença do presidente da Sobrames Nacional, Dr. Odívio, conforme fora planejado. Este sugeriu que o Dr. Francisco Dionísio Aguiar Viana ocupasse o cargo de vice-presidente, o que foi acatado sem qualquer restrição.
Após a posse, seguiram-se algumas reuniões, quando foram estabelecidas metas e decisões importantes para a consolidação da entidade. Uma delas, a merecer destaque, é que todos os autores das duas coletâneas, Verdeversos (publicada em 1981, anteriormente à criação da Sobrames-CE) e Encontram-se (1983), seriam considerados seus sócios fundadores.
No quarto dia de janeiro de 1984, foi eleita a segunda diretoria assim organizada: Presidente – Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva, Vice-presidente – Dr. Francisco Nóbrega Teixeira, Secretária – Dra. Maria Helena Pinheiro Cardoso, Tesoureira: Dra. Lucíola Santos Rabelo. Como vogais: Dr. Emanuel de Carvalho Melo, Ricardo Augusto Rocha Pinto e Dr. Francisco Barbosa Benevides. Esta permaneceu até 1987, quando foi eleita nova diretoria.
Após as duas diretorias citadas, seguiram-se as demais, sem qualquer hiato no que se refere às atividades da Sobrames-CE. Este fato confirma a operosidade de todos os envolvidos com a entidade nesses mais de 30 anos. Além dos dois primeiros presidentes já citados, seguiram-se: Dr. Geraldo Bezerra (1987-1989), Dr. Luiz Moura (1989-1991), Dr. Pedro Henrique Saraiva Leão (1991-1996), Dr. Wellington Alves (1996-2002), Dr. José Telles da Silva (2002-2006), Dr. José Maria Chaves (2006-2010), Dr. Flávio Leitão (2010-2012) e Dra. Celina Côrte Pinheiro que se encontra em sua segunda gestão, com conclusão prevista para 2016. (*)
[Membros da diretoria da SOBRAMES-CE, gestão 2014-2016. Reunião na nova sede. Da esquerda para a direita: Sebastião Diógenes, Ana Margarida e Celina Côrte. Ano: 2015]
Entre os nomeados, dois chegaram à presidência da Sobrames Nacional, o que muito nos orgulha: Dr. Pedro Henrique Saraiva Leão (1996-1998) e Dr. José Maria Chaves (2008-2010). Também de nossa regional saíram sobramistas que se tornaram imortais da Academia Cearense de Letras, da Academia Cearense de Medicina e da Academia Nacional de Medicina. Na área literária, além da imortalidade afiançada pelo título acadêmico, dois sobramistas, Prof. Dr. José Murilo de Carvalho Martins e Prof. Dr. Pedro Henrique Saraiva Leão, ocuparam também a presidência da respeitável Academia Cearense de Letras.
Fonte: http://blogdasobramesceara.blogspot.com/2015/04/por-celina-corte-sobrames-regional.html
N. do E. De 2016 até a presente data, a Sobrames-CE passou a ser presidida pelo Dr. Marcelo Gurgel.

LENHA NA FOGUEIRA - ORIGEM DO SOBRENOME GURGEL

André Garcia
29 de set de 2019 20:45, para mim
📧 Que a origem do sobrenome Gurgel (Grugel, na grafia original) não é latina, isso é inegável. Vale mencionar que, quando dita com rapidez a forma aportuguesada, nem todos compreendem direito.
Estava pesquisando na internet e achei isto: http://professorjoaquimdias.blogspot.com/2017/01/sobrenomes-pomeranos-parte-04.html
Grugel/Gruggel sobrenome de origem pomerana (uma região da Alemanha).
André Garcia
29 de set de 2019 21:42, para mim
📧 Gurgel seria uma versão curta para João.
http://professorjoaquimdias.blogspot.com/2015/12/significado-e-origem-de-sobrenomes_5.html
Paulo Gurgel
13 out 2019 08:04, para André
📧 Não localizei no site (cujo link você enviou) onde está escrito que "Gurgel" seria uma versão curta para "João".
(Não seria para Jorge?)
Mas, nos comentários da postagem de 03/12/2015, Joaquim Dias diz:
GURGEL - sobrenome muito comum em toda a Europa de língua alemã e significa "garganta". Etimologicamente provém do termo latino "gurgulio". A Onomástica compreende que o sobrenome surgiu para denominar "homem que tem o pomo-de-adão proeminente". Todavia, pode também estar associado a qualquer elemento envolvendo a garganta, como "alguém que tem problemas respiratórios", ou ainda "alguém que tem voz rouca". Em casos mais resolvidos pode estar vinculado a uma característica do relevo como uma "garganta montanhosa" - indicando assim um morador deste tipo de lugar etc.
Você leu isto?
A propósito:
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/05/gurgel-especulacoes-sobre-origem-do.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2010/11/familia-gourgel.html
Andre Garcia
13 out 2019 10:23, para mim
📧 Sim, eu li.
Minha intenção com o envio (do link) foi apenas evidenciar que a Pomerânia também pode ser a origem germânica do sobrenome, e não apenas a Baviera.
"Observação: há outras formas na língua alemã para o grego Georgios (Jorge) que variam conforme a região. Listamos abaixo algumas que também são patronímicos, embora com raízes semânticas ou fonéticas diferentes. (...)"
Gürgen - forma relacionada. Com o sufixo mann: Gurgenmann, Gurgemann. Outras: Gurgel, Gurchert."
http://professorjoaquimdias.blogspot.com/2015/12/significado-e-origem-de-sobrenomes_5.html
" 507. Gregel, Greger, Grieger, Griegier, Grugel, Gruggel, Grugiel, Grugl, Gruglik, Gryg, Gryga, Grygaer, Grygel, Gryggel, Grygiel - figurativamente frango, usado para denominar pessoa medrosa. Porém, pode tão somente designar um avicultor."
http://professorjoaquimdias.blogspot.com/2017/01/sobrenomes-pomeranos-parte-04.html
Grugel era a grafia original do sobrenome de Toussaint.

ALTO OESTE POTIGUAR

O Alto Oeste é uma região do Estado do Rio Grande do Norte formada por trinta municípios, dos quais o de maior destaque é Pau dos Ferros que conta com uma população de 30.000 pessoas. Correspondendo no mapa do Estado à "tromba do elefante", todo o seu território está na bacia hidrográfica do Rio Apodi/Mossoró.
Viagem: terrestre (automóvel). Período: 22 a 23/11/2019. Viageiros: Luciano Gurgel (irmão), Marina (sobrinha) e este escriba.
Roteiro: Fortaleza ⇛ Aracati (café da manhã)  ⇛ Mossoró ⇛ Pau dos Ferros (almoço) ⇛ Portalegre (jantar e café da manhã) ⇛ Martins (lanche) ⇛ Tibau ⇛ Icapuí (almoço) ⇛ Fortaleza
22/11/2019, sexta-feira
Pau dos Ferros
Minha sobrinha Marina Gurgel mostrou-me as instalações do Instituto Técnico-Pericial (ITEP), o qual fica logo na entrada da cidade. É o órgão em que ela trabalha como médica legista. Como já era meio-dia, fomos almoçar - ela, seu pai Luciano Gurgel (que é meu irmão), eu e duas funcionárias do ITEP - no restaurante e pizzaria "Água na Boca". Cerca de uma hora após, tendo deixado Marina no trabalho, prosseguimos nossa viagem para Portalegre.
Portalegre
Uma cidade serrana a 35 km de Pau dos Ferros. Altitude média: 650 m acima do nível do mar. População: 7.000 hab. Tendo ao fundo um dos pórticos da cidade, veem-me neste local fotografado por Luciano.
Pontos turísticos visitados:
✔️Praça Vicente Nunes do Rêgo (a família Nunes do Rego é um clã proeminente na política regional). A praça dá para a Igreja Matriz.
✔️Terminal Turístico da Bica. Foi construído para proteger a nascente da bica e as matas circunvizinhas.
✔️Mirante Boa Vista, com restaurante e uma pousada de mesmo nome, em frente.
✔️Mirante Encanto Alto da Serra, com restaurante e pousada. Foi o local em que nos hospedamos. Em seu restaurante, jantamos e tomamos o café da manhã. A temperatura esteva agradável e ventava muito.
23/11/2019, sábado
Acordei cedo. A tempo de ver o vale ainda com alguma névoa e ouvir o canto da passarinhada. O café da manhã foi servido numa grande mesa redonda
✔️Cachoeira do Pinga tem dois percursos possíveis para visitá-la: 1) uma "trilha pesada", começando no centro de Portalegre; 2) uma "trilha leve", começando na estrada RN-177, o percurso que escolhemos já que estávamos a caminho de Martins. Na entrada da trilha havia lixo e, até chegarmos à cachoeira (com pouca água), cruzamos o curso d'água por três pontes de madeira que precisam de reparos.
Em linha reta, Portalegre e Martins estão a 12 km de distância. Pelo percurso convencional (RN-177, RN-076, RN-117) estão a 45 km. Essa distância foi encurtada por uma estrada carroçável de 8 km que tomamos a partir de Viçosa.
Martins
Altitude média: 700 m acima do nível do mar. População: 8.000 hab. Estive aqui vários dias, em janeiro de 2007, num passeio de férias com Elba e Natália, nossa filha.
http://blogdopg.blogspot.com/2007/01/passeio-completo-1.html
http://blogdopg.blogspot.com/2007/01/passeio-completo-2.html
Pontos turísticos visitados:
✔️Mirante do Canto. A vista é bem ampla (sendo possível ver a "Casa de Pedra" e, à noite, as luzes de quinze cidades do Alto Oeste, segundo dizem). Pedimos uma jarra de suco de laranja, tiramos fotografias e colhemos informações do garçom (existem 5 mirantes em Martins)
✔️Mirante Penhasco
✔️Hotel Chalé Lagoa dos Ingás
Este hotel passou por uma forte ampliação e reforma, tendo acrescentado equipamentos para quem gosta de praticar o arvorismo. Em 2007, ocupei com familiares o chalé "Vem-Vem". Uma fruta do pomar do hotel foi coletada para um posterior "estudo botânico".
Retornamos por Riacho da Cruz, Apodi (o percurso teria sido menor por Umarizal e Caraúbas), Mossoró e, tendo passando por Tibau, por Icapuí onde almoçamos, no restaurante do Tobias, uma deliciosa carne do sol com baião de dois. Recomendamos esta casa de pasto.
Ao pararmos nas Tapioqueiras, o jogo estava Flamengo 0 x 1 River (aos 80 minutos). Quinze minutos após, quando entrei no lar, o Flamengo tinha virado para 2 x 1. Vê se aprende, meu Fluminense.

A BICA

Joel Beltrão Borba

Quando Deus resolveu fazer o mundo
Assim nos diz a velha, antiga lenda
Na Serra de Portalegre armou a tenda
E tudo se fazia num segundo.

Adão seria do barro oriundo
E Deus o fez para que o povo entenda
Sua obra-prima tal qual uma comenda
Feita de amor com esmero profundo.

Mas, para amassar o barro de Adão
Que Deus fez com sua própria mão,
Cantofa (*) humildemente até suplica:

"Senhor, não temos água nesta serra".
Deus então fez surgir água da terra
Bebeu dela, gostou... Surgiu a bica.

(*) Cantofa foi uma índia tapuia brutalmente assassinada em 3 de novembro de 1825. Segundo a tradição popular, o local da morte de Luíza Cantofa corresponde àquele local onde hoje existe a chamada Fonte da Bica, distante cerca de 400 metros do centro da cidade de Portalegre-RN.
Em passeio que fizemos nos dias 22 e 23, em Portalegre-RN, vimos este soneto em uma placa que a Prefeitura Municipal, em homenagem à família Borba, mandou afixar no Terminal Turístico da Bica. O passeio será descrito na nota ALTO OESTE POTIGUAR, a ser posteriormente publicada em "Linha do Tempo".

A ISLÂNDIA SULAMERICANA

Islândia, com 2.310 habitantes, é a capital do distrito de Yavari, departamento de Loreto, no Peru. É limítrofe com o município de Benjamin Constant-AM, onde trabalhei como médico militar nos idos de 1974/75.
Não cheguei a visitar esta pequena cidade (que os peruanos apelidam de "segunda Veneza"), apesar de estar localizada ao lado da sede de Benjamin Constant. Os moradores de Islândia, muitos deles índios da tribo Tikuna, eram frequentemente atendidos no Hospital de Guarnição de Tabatinga, que era o único hospital da região do Alto Solimões.
Certa vez, ao subir o rio Javari, numa lancha dirigida por um funcionário da Funai, que me convidou para um passeio em Atalaia do Norte, devo ter visto a city line de Islândia (sem ter a noção de que estava a ver a cidade peruana). Outra ocasião, a vista deu-se do alto. Quando voei no Cesna de um missionário para ir buscar um militar que se encontrava gravemente enfermo no pelotão de Ipiranga.
Islândia foi uma cidade que nasceu e inicialmente prosperou à margem esquerda do rio Javari, no interior de um meandro. Ontem como atualmente, sua ligação com outros núcleos urbanos do Peru e do Brasil era feita por meio de embarcações, em sua maioria canoas com motor de popa ou com rabetas.
Designa-se por "meandro" a curva acentuada de um rio que corre numa planície aluvial. O termo deriva do rio Meandro, na Turquia, caracterizado por apresentar um curso muito sinuoso.Como a velocidade do fluxo fluvial é maior na parte externa do que na parte interna do meandro, este apresenta tendência nítida e constante para ser erodido na margem externa e receber depósito de sedimentos na margem oposta, o que conduz ao pronunciamento do meandro. Por esta razão, o curso fluvial tem tendência permanente para se deslocar na direção da margem côncava do meandro. Por vezes, o meandro atinge, praticamente, os 360º, deixando a corrente fluvial de o utilizar, passando a fluir pela via mais fácil e direta. O meandro acaba, consequentemente, por ficar inativo. Origina-se, assim, um meandro abandonado, correspondente a um lago em forma de U. (J. Alveirinho Dias, Geologia Ambiental)
O rio Javari, afluente do rio Solimões, tem particularidades que vão além de sua fisiografia. Configura a fronteira do Brasil com o Peru e com a Bolívia, e isso passa a ser decisivo à medida que o rio ajusta e reajusta os limites.
Por volta de 1930, segundo depoimentos de pessoas mais antigas na região, o rio Javari, num processo comum para a geomorfologia fluvial da planície amazônica, isolou o meandro com relação ao Peru, deixando Islândia na margem direita do rio. Em períodos, o meandro reintegrava-se ao curso anterior do rio e a comunidade podia estar novamente na margem esquerda. Mas, aos poucos, a passagem da cidade peruana para a margem direita foi-se consolidando. É possível que o evento de Curuçá, que fez desparecer a histórica Remate de Males, tenha contribuído para esse desfecho.
Hoje, Islândia encontra-se definitivamente no "lado brasileiro" (imagem), entre o Javari e o Javarizinho, ainda que permaneça com a nacionalidade peruana. Aguiar, em seu livro "Rio Javari ..." cita os mutirões que os moradores de Islândia fazem em determinadas épocas para não deixar que sua cidade se transforme num meandro abandonado.
Fontes==============================================
Aguiar, Francisco Evandro. Rio Javari: o rio martirizante na bacia amazônica. Curitiba, Appris, 2018. 171p. ISBN: 978-85-473-1420-0
http://es.wikipedia.org/wiki/Distrito_del_Yavar%C3%AD
http://correiodaamazonia.com/veneza-amazonica-nas-lentes-de-moises-maciel-da-costa/
http://rpp.pe/peru/loreto/reportaje-islandia-esta-en-peru-tiene-selva-y-se-cree-venecia-noticia-1060026
http://encicloturismoperu.blogspot.com/2009/08/historia-del-valle-del-rio-yavari.html
http://www.researchgate.net/figure/Figura-9-Orla-da-cidade-de-Islandia-Peru_fig18_307511631
http://w3.ualg.pt/~jdias/GEOLAMB/GA3_cheias/GA33_SistFluviais/SistFluviais.html IMAGEM
http://blogdopg.blogspot.com/2019/08/o-evento-do-curuca.html
http://youtu.be/GLyWz1jNT64 (vídeo)
http://youtu.be/DzxXD1nONg8 (vídeo)