LUIZ SÉRGIO BEZERRA DE MORAIS

Conheci Luiz Sérgio em um sarau no gabinete odontológico do meu amigo Aquino. Não estou brincando, era em seu gabinete de trabalho que essas reuniões aconteciam. Nas noites das segundas-feiras, após retirar-se o último cliente, Aquino abria o consultório para receber os amigos. E nós - um pequeno grupo formado pelo anfitrião, que tocava uma sanfona de botão, os médicos Wilson Medeiros, Emanuel Melo, Lucíola Rabelo, Sônia Almeida e por mim, que comparecia com o violão-, ali nos reuníamos para cultivar a boa música brasileira.
Por vezes, tivemos convidados. Como o pianista e compositor cearense Petrúcio Maia, o matemático Oswald de Souza e o violonista e compositor Luiz Sergio. O Petrúcio havia sido meu colega no Colégio Batista, era irmão do LPM Maia, um consagrado autor de livros escolares de Física, e criara canções belíssimas como "Dorothy Lamour" (c/ Fausto Nilo), "Cebola Cortada" (c/ Clodo), "Lupiscínica" (c/ Augusto Pontes), entre outras. O Oswald de Souza era o celebérrimo Oswald de Souza do programa "Fantástico", o homem que calculava as probabilidades de acertos na loteria esportiva.
Na noite com Oswald, o grupo mudou o local da reunião para o "Anísio", na Beira-Mar. Tendo como cicerone em Fortaleza o colega Emanuel, o matemático foi logo declarando-se fã de Fagner e Belchior. Pena que o "Assum Preto" (cuja presença no "Anísio" era de alta probabilidade) não tivesse aparecido para reforçar a "canja" que foi dada.
Encantou-me, desde minha primeira escuta, Luiz Sérgio com a beleza de suas composições. Algum tempo depois, ao encontrar-me com ele no restaurante "Caminho â Saúde", falou-me que estava preparando um show e pediu-me sugestões sobre músicos que poderiam acompanhá-lo. Coloquei o violonista Claudio Costa na jogada. Em seu show, Luiz Sergio fez questão de dar um espaço para "estes dois grandes músicos da terra": Claudio Costa e Jorge Helder, baixista que acompanha Chico Buarque há muitos anos. Pensem na sessão de improviso que estas duas feras criaram no palco do Theatro José de Alencar.
Luiz Sérgio, que era apelidado de "Pato Rouco" devido ao timbre da voz, em data não identificada cantou o seu bem-humorado xote "Saúde de Ferro" no programa "Empório Brasileiro", de Rolando Boldrin (vídeo disponível no YouTube). 
No "III Festival Credimus da Canção", realizado no Ginásio Coberto do SESC, em julho de 1980, ele concorreu com "Rio Coração", "Noite Feliz" e "Flor da Idade"(2.º lugar). Também participei desse Festival com a música "Angra de Desejos", com letra de Airton Monte e Idalina Cordeiro. Acho que foi a última vez que estive com Luiz Sérgio.
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/09/memoria-o-parceiro-airton-monte.html
Ouviu-se uma história de que Luiz Sérgio foi prejudicado por uma flauta que desafinou em sua apresentação. Na hora que ouviu a flauta, o Alceu tirou o headphone e deu zero para música, que acabou ficando a um ponto de diferença do Quinteto Agreste, que ganhou o 1.º lugar (com "Seu doutô me conhece?", um poema de Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa de Assaré, musicado por Mesquita Neto). O Abel Silva, por exemplo, não se conformou com o que aconteceu. Quanto ao Fagner, que presidia o Festival, ele disse que a melhor música era "Flor da Idade".
Em 1981, sua canção "Rio Coração" foi gravada pela cantora potiguar Terezinha de Jesus (vídeo). 


Tenho no peito guardado / um lago fundo, imenso. / Tudo que eu sinto e que penso / some na escuridão / das águas que vem de um rio / que se chama coração.  / É um lugar encantado; / nada triste, nada feio. / O poço está quase cheio / de saudade e de paixão / que vêm nas águas de um rio / que se chama coração. / Tem dias de calmaria / e outros de grande enchente / que é quando o meu peito sente. / E sangram pelos meus olhos, / choram numa canção / as águas que vêm de um lago. / Um lago feito de um rio / que se chama coração.
Completando este breve perfil de Luiz Sérgio, transcrevo abaixo uma nota que Israel Batista postou em seu blogue:
Luis Sergio Bezerra de Morais, ou Sergio Piau como era conhecido, foi um dos grandes artistas que nossa terra já produziu pro mundo, tocava um violão com maestria que nos encantava de uma forma incrível. Filho de Pedro Alves de Morais (Pedro Piau) e Iracy Bezerra de Morais. Foi casado com a jovem Cleyre Menezes e com ela teve uma filha por nome Luciana. Eu no livreto que fiz em sua homenagem compus o seguinte poema [...] . http://artemisia-palavraspalavras.blogspot.com/2011/08/luiz-sergio-rio-coracao.html
Não resisto a uma comparação de Luiz Sérgio com Sidney Miller - na música e na vida. Ambos foram músicos/letristas inspirados e, no esplendor de suas existências, partiram deste mundo por decisões que tomaram.

A ÁRVORE SÍMBOLO DE FORTALEZA

O ipê-amarelo foi escolhido, através de uma consulta pública no ano passado, como a árvore símbolo da cidade de Fortaleza.
Esta árvore nativa, cujo nome científico é Tabebuia aurea, possui um porte de médio a alto, podendo alcançar uma altura de até 20 metros. 
Apresenta sua floração amarela nos meses de setembro e outubro. 
O ipê-amarelo é também a árvore símbolo do Estado de Alagoas desde 1985.

ABNER CAVALCANTE BRASIL

Com profundo pesar, informo o falecimento do médico pneumologista Abner Cavalcante Brasil (foto), no dia 14, ao meio-dia.
Dr, Abner atuava em Fortaleza e Maracanaú, tendo sido presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) entre 1980 e 1982.
Conheci-o em 1977, em seu segundo periodo de chefia da Documentação Científica do Hospital de Messejana. Sucedi-o nesse cargo, quando ele se afastou para assumir o de Secretário de Saude do Estado do Piauí.
No período de 1983 a 84, ele dirigiu com dinamismo o Sanatório de Maracanaú, que é hoje o Hospital Municipal João Elísio de Holanda. 
Posteriormente, Dr. Abner foi secretário de Saúde (1989 - 1993) e secretário de Desenvolvimento Social (1997 - 1998) do município de Fortaleza.
Ao longo de sua vida profissional, dedicou-se com afinco às ações de controle da tuberculose no Brasil. Destacou-se também, nos cursos e congressos da especialidade, como um notável conferencista.
Nossa cidade o homenageia pela escolha de seu nome para designar uma de suas unidades básicas: o Posto de Saúde Abner Cavalcante Brasil, no Bom Jardim.

O "CAUSEUR" MARCELO GURGEL (2)

Na língua de Victor Hugo, "causeur" é "qui sait causer agréablement et avec esprit" (quem sabe conversar agradavelmente e com sabedoria).
Em bom português, causeur é um contador de casos. Ou, melhor, um contador de causos, já que esta segunda acepção relaciona "etimologicamente" o "causer" com seus causos.
Mas afinal o que é causo?
Trata-se, no dizer de Juarez Leitão, "de um episódio supostamente verídico, que pode sofrer acréscimos ou supressões, dependendo de seu contador, em função de melhor efeito de humor que pode provocar. Assim como as três outras modalidades de situações hilariantes (piada, anedota e estória), é mister que a história seja rápida, contenha as palavras exatas para uma caprichada evolução e termine com um disparo que provoque o riso".
Seguindo os passos de Leota (Leonardo Mota), Eduardo Campos, Plautus Cunha (filho do poeta e repentista Quintino), Hilário Gaspar, Narcélio Limaverde e o maranhense Catulo da Paixão Cearense, Marcelo Gurgel tem levado a bom termo o empreendimento de transpor para a literatura os causos que ele, após garimpá-los árdua e prazeirosamente nos veios da oralidade, lapidou-os e expôs em nove bons livros.
1. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Contando causos: de médicos e de mestres. Fortaleza: Expressão, 2011. 112p.
2. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. (org.). Portal de memórias. Fortaleza: Expressão, 2011. 200p.
3. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. Fortaleza: Edição do autor, 2012. 120p.
4. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da (org.). Meia-volta, volver! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2014. 112p.
5. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da (org.). Ordinário, marche! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2015. 112p.
6. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da (org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p.
7. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Ridendo castigat mores! Contando causos. Fortaleza: Expressão, 2019. 112p.
8. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Contando causos da mídia. Fortaleza. Expressão,2020. 108p.
9. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da (org.). Fora de Forma Médicos contam causos da caserna. Fortaleza. Expressão,2020. 108p.
Caminhos cruzados
Fui informante de treze causos (dois do livro 1, 10 do livro 2 e um do livro 3). Estive entre os colaboradores dos livros 4, 5, 6 e 9 que compõem a "tetralogia da caserna" que ele organizou. E, no "Ridendo castigat mores!", três dos causos deste livro (7) foram inspirados em notas que publiquei no blog EntreMentes. A saber:
FURA ELE... AQUI NÂO É JERUSALÉM (p.38-40)
https://blogdopg.blogspot.com/2012/04/paixao-de-cristo-encenada-no-ceara.html
UM PILATOS AFETADO (p.40-41)
https://blogdopg.blogspot.com/2011/04/nova-jerusalem-no-ceara.html (do colaborador Fernando Gurgel Filho)
DE LAGARTIXA NO HAVAÍ A CALANGO NO CEARÁ (p.71-72)
https://blogdopg.blogspot.com/2019/02/chamadas-silenciosas.html
Atualizado em 15/12/2020

ONDE NASCE O RIO JAGUARIBE

O Rio Jaguaribe é o maior rio do Ceará. Trata-se de um rio efêmero, possivelmente o maior "oued" (rio efêmero) do globo. Nos documentos oficiais, consta que suas nascentes se situam no Município de Tauá, na Serra da Joaninha, mas essa localização ainda é motivo de controvérsias. Uma expedição científica foi realizada ao alto curso do rio, fazendo uso de computadores, geomática, modelos digitais de elevação e drenagem, instrumentos de exploração e realização de cálculos com precisão topográfica e geodésica através de técnicas de sensores remotos, aerofotogrametria com drones e sistemas de posicionamentos globais por satélites do tipo GPS e GLOSNAS, e precisaram que a nascente principal (isto é, a de maior distância até a foz) se situa na verdade na divisa entre os muncípios de Tauá, Pedra Branca e Independência, na Serra das Pipocas, a partir da nascente do Riacho Carrapateiras. Essa descoberta geográfica deve a partir de agora ser homologada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, Instituto de Pesquisas do Ceará – IPECE e publicações escolares.

NO TEMPO DO QUARADOR. Comentários

Paulo, bom dia!
Obrigada por me fazer ficar atenta, ocupando meu precioso tempo lendo todos estes inteligentes relatos.
Um abraço.
Maria Tereza Cerqueira
16 de setembro de 2013

Publicado como comentário de "Adeus, Ferro de Engomar", uma postagem do Luciano Hortencio no Jornal GGN:
Livre associação...
Essa interatividade é interessante! Lendo os comentários de todos e ao me deparar com o "QUARADOR" do Paulo - que eu também conheci; isto está ficando cada vez mais comprometedor!!! - me veio à lembrança uma cena do Primo Basílio em que Juliana reclama que só faz passar a roupa branca da patroa, apaixonada, ávida pelas visitas do primo ... De onde veio isso?
Luciano, tiras leite de pedra!!! Quando, de um ferro de engomar, eu chegaria à roupa branca da apaixonada Luisa???
Anna Dutra
9 de abril de 2015

NO TEMPO DO QUARADOR N.º 2
"Na bruma leve das paixões que vêm de dentro
Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
No teu cavalo, peito nu, cabelo ao vento
E o Sol quarando nossas roupas no varal
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais."
(Alceu Valença, em "Anunciação")
Paulo Gurgel
29 de julho de 2020

Não conhecia.
Viajo no tempo. Volto à infância, à rua Leonídia 88 fundos, em Olaria. Sinto o perfume da roupa ensaboada no caminho de cimento ou sobre a rama da aboboreira, no quintal. Depois, o balé no varal, ao vento.
O quaradouro passou. As fotos desbotaram ou foram comidas por mofo ou cupim.
A mãe passou.
Em não muito, chegará nossa vez.
Seremos todos arcaísmos.
Anônimo
22 de outubro de 2020

MARIA GRAMPINHO

"Viver é um rasgar-se e remendar-se."
Guimarães Rosa
Goiás Velho como toda cidade histórica possuía seus personagens folclóricos, aqueles que se destacavam de alguma forma diferente e criativa. Uma delas era Maria da Purificação, mais conhecida por Maria Grampinho, uma andarilha descendente de escravos que tinha o costume de agregar a sua roupa tudo o que encontrava pela frente como plásticos, retalhos e botões velhos. Também usava muitos grampos no cabelo e, por isso, ganhou este apelido.
Maria Grampinho morou durante o final da década de 40, no porão da casa de Cora Coralina, dormindo ao lado de uma bica d'água.
Visitando a casa em 2019, vi a famosa bica adespejar suas águas numa calha. Onde vi também a passar (como num pequeno letreiro em movimento) versos de Cora Coralina, que tinha a andrajosa Maria como amiga. A poetisa maior de Goiás Velho até lhe dedicou um poema: Coisas de Goiás: Maria. In: Vintém de cobre: meias confissões de Aninha. 3. ed. Goiânia, Ed. UFG, 1985, p. 49.
Hoje, Maria Grampinho virou boneca nas mãos das artesãs locais e ajuda a movimentar a economia da cidade. (vídeo)

Leitura
http://www.xapuri.info/cultura/mitoselendas/era-uma-vez-maria-grampinho/
http://escolasilenedeandrade.wordpress.com/tempo-integral/oficinas/contacao-de-historia/maria-grampinho/
http://www.bdm.unb.br/bitstream/10483/22304/1/2018_FlavioGomesDeOliveira_tcc.pdf
http://celiareginaoliveira.blogspot.com/2015/01/maria-grampinho.html
http://www.proec.ufg.br/up/694/o/11_artigos_cora_coralina.pdf

ZONA COSTEIRA DO CEARÁ

Na antiga Portaria Nº 461, de 13 de dezembro de 2018, somente os municípios localizados ao longo dos 573 Km da costa cearense integravam a Zona Costeira do Estado do Ceará.
Em ordem alfabética, eram 20 municípios: Acaraú, Amontada, Aquiraz, Aracati, Barroquinha, Beberibe, Camocim, Cascavel, Caucaia, Cruz, Fortaleza, Fortim, Icapuí, Itapipoca, Itarema, Jijoca de Jericoacoara, Paracuru, Paraipaba, São Gonçalo do Amarante e Trairi.
Agora, o Ceará registra 23 municípios, com a inclusão de Chaval, Eusébio e Pindoretama. Apesar de não terem ligação direta com a costa cearense, estes três municípios foram inseridos na nova listagem das cidades abrangidas pela faixa terrestre da Zona Costeira Brasileira, que foi divulgada na Portaria MMA Nº 34, de 2 de fevereiro de 2021.
Conforme o Secretário do Meio Ambiente do Ceará, Artur Bruno, essa inserção ocorreu por serem localidades fortemente influenciadas pela economia costeira. Como os exemplos de Chaval, que se liga ao mar pelo rio Timonha, e de Eusébio, que está localizado no estuário do Rio Pacoti. Além de, no caso de Eusébio, encontrar-se em tramitação na Assembleia Legislativa, o projeto de inclusão da Praia do Cofeco neste município.
Imagem: Anuário do Ceará, 2020-2021

PRIMEIRAS FAMÍLIAS DO RIO DE JANEIRO

Boa tarde primo Paulo, quanto tempo!
Espalhada nesta obra estão informações dos primeiros Amaral Gurgel lá no Rio de Janeiro.
http://marcopolo.pro.br/genealogia1/paginas/fontsec_rj.shtml
RHEINGANTZ, Carlos Grandmasson, Primeiras Famílias do Rio de Janeiro (Séculos XVI e XVII), 2 volumes e 4 apêndices, Livraria Brasiliana Editora, Rio de Janeiro, 1967
Volume I
Volume II
Volume III, fascículo 1
Volume III, fascículo 2
Volume III, fascículo 3
Volume III, fascículo 4
Atenciosamente,
André Garcia
Resposta - Meu primo André da Silva Garcia me envia os links através dos quais se tem acesso a esta obra histórica de Rheingantz. As informações relativas aos Amaral Gurgel estão nas páginas 324-340 do volume II.

TÚMULO DE DRAGÃO DO MAR

Foi notícia na Universidade da Flórida a descoberta do túmulo do herói cearense Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, mostrando que a fama do jangadeiro abolicionista (1839-1914) ultrapassa fronteiras e ganha espaço no mundo acadêmico no exterior.
Sob o título "Lost and found: The tomb of the Sea Dragon, Brazil's famous abolitionist" (Perdido e encontrado: o túmulo de Dragão do Mar, o famoso abolicionista do Brasil), o texto detalha a dissertação do historiador cearense Licínio Nunes de Miranda, cujo trabalho acadêmico resultou no fim de um mistério de mais de um século sobre o paradeiro do corpo do jangadeiro que, no ano de 1881, organizou uma greve contra o desembarque de escravos africanos nos portos do Ceará.
Miranda buscou pistas sobre a localização do túmulo em arquivos e procurou o jazigo no cemitério São João Batista, em Fortaleza.
"Era o único cemitério da capital quando Nascimento morreu em 1914", conta o historiador, que percorreu o labirinto de sepulturas do cemitério, até encontrar o túmulo da família de Dragão do Mar.
Legenda: Túmulo de Dragão do Mar no cemitério São João Batista.
Foto: Camila Lima
Fonte:
Descoberta do túmulo de Dragão do Mar vira destaque em universidade americana, escrita por Sérgio Ripardo. Diário do Nordeste (29/01/2021)
Notícias relacionadas:
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2016/05/dragao-do-mar.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/05/vinte-anos-do-centro-dragao-do-mar.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/10/herois-do-ceara.html

POR GRATIDÃO OU BENQUERER

Caríssimo amigo e confrade Eduilton Girão,
Acusamos o recebimento de dois exemplares do seu recente livro "Por Gratidão ou Benquerer".
Agradecemos, lisonjeados, a inclusão de nossos nomes entre os seus verbetados.
Muito nos honrou estarmos figurando em sua prestigiosa obra.
Abraços.
Marcelo Gurgel e Paulo Gurgel

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
fez-se médico na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, em 1977, sendo também graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará em 1986. Tem mestrado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo e doutorado em Saúde Pública pela mesma universidade. Atualmente é Professor Titular da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Médico Epidemiologista do Instituto do Câncer do Ceará. Foi Professor Titular da Faculdade de Medicina de Juazeiro. É Membro Titular da Academia Cearense de Medicina, do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), da Academia Cearense de Médicos Escritores e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores/Regional Ceará. Desta última instituição é o atual Presidente. Tem uma intensa produção científica em epidemiologia e literatura, com um sem número de publicações entre livros, artigos, crônicas, contos, romances e ensaios, com grande ênfase a aspectos socioculturais e históricos. Foi um dos principais responsáveis pela criação do Curso Médico da UECE, tendo sido o seu primeiro Coordenador. Tem participado de um grande número de mesas examinadoras em concursos para os vários níveis de magistério e costuma ser convidado para pronunciar conferências em vários locais, inclusive no exterior. São-lhe notáveis filhos: Felipe e André, fruto da união com a médica Fátima Bastos. Nas entidades de que participa dá o melhor da sua inteligência e dedicação. Goza do mais alto conceito e estima entre seus pares, discípulos e alunos.
Paulo Gurgel Carlos da Silva, irmão do citado Marcelo Gurgel, fez-se médico pela UFC em 1971. Especializou-se em Pneumologia e em Tisiologia Clínica e Sanitária, pela Fundação Osvaldo Cruz. Cumpriu Residência Médica/Estágio no Pavilhão de Isolamento no Hospital do Exército / Rio de Janeiro/RJ. Fez vários cursos de pós- graduação e participou de vários eventos e congressos médicos. Teve intensa atividade profissional, na área privada e, especialmente, no serviço público, com destaque para o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, onde laborou por 30 anos. Chefiou o Serviço de Pneumologia e a Secção de Documentação Científica, presidiu o Centro de Estudos, foi Preceptor de Médicos Residentes além de vários outros cargos e funções. Participou de vários programas médicos junto à SESA., atinentes à Tisiopneumologia. Foi Professor Colaborador da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Integrou por muitos anos o corpo médico do Exército Brasileiro onde exerceu a Direção do Hospital Militar de Tabatinga / Benjamim Constant/AM, e, em Fortaleza, serviu no Hospital Geral do Exército. Foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional, da qual foi presidente. Tem significativa obra literária, publicada em muitas coletâneas e na mídia impressa local e nacional. Aposentou-se do Ministério da Saúde, em 2007, após 36 anos de efetivo serviço. Casado com a médica Elba Macedo, tem filhos e netos. Mercê dos seus vários atributos, é alvo de grande apreço e admiração por todos que privam da sua convivência.
MARCELO GURGEL / PAULO GURGEL. Verbete In: GIRÃO, José Eduilton. Por gratidão ou benquerer. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.77-78. ISBN: 978-65-5556-013-8

A ESTAÇÃOZINHA DE TREM OCTÁVIO BONFIM, por Diogo Fontenelle

para Rejane Batista Vasconcelos
Nasci à beira dos trilhos da Estaçãozinha de Trem Octávio Bonfim,
Eu adormecia e acordava com os risonhos apitos do trem a partir.
Era uma carruagem de passageiros que saía para Sobral-Camocim,
Eram os feirantes, os singelos idosos e os festivos colegiais em folia.
Às vezes, eram lotes de cera de carnaúba vindos do Quixeramobim,
Cargas de caroços de mamona e de algodão em plumas da invernia.
Num sombrio dia, a Estação do Octávio Bonfim calou-se de repente,
Até parece que os trens partiram de vez para o encantado Shangri-lá.
Eu despertei triste feito gente grande sem plumas de algodão luzente,
Sem apito de trem, sem azul sonhar, sem poesia a dourar o meu olhar.

PESAR POR TRAJANO AUGUSTO DE ALMEIDA FILHO

Morreu na madrugada desta quarta-feira (13), por complicações da Covid-19, o médico radiologista Trajano Augusto de Almeida Filho, aos 71 anos. O falecimento foi confirmado em nota de pesar publicada pela clínica do empresário.
A nota ressalta o exemplo deixado pelo médico:
"Apaixonado pelo trabalho e pela medicina, deixa conosco um exemplo de vida, superação, força e humanismo, que o qualificam como alguém que, além de saudades, deixará um precioso legado."
Trajano Almeida era proprietário da clínica localizada no bairro Aldeota que leva o seu nome e do pai. 
Durante décadas fomos companheiros de trabalho no Hospital de Messejana. Um grande radiologista que, além dos conhecimentos técnicos, destacava-se pelo modo afável com que tratava a todos.
Siga em paz, nosso estimado Dr. Trajano Augusto de Almeida Filho.

BUSCAS EM DESENCANTO

Outro dia fui à Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel. Era meu propósito pesquisar se havia em seu acervo o "Porteiras e Currais".
Das mãos de seu autor, o Sr. Miguel Santiago Gurgel do Amaral, eu recebi um exemplar desse livro, ainda na década de 1960. E o mesmo extraviou-se sem que eu o houvesse lido.
Na Biblioteca Pública, a meu pedido, um funcionário pôs-se a pesquisar sobre o livro num computador - por título e por autor. Não, nada constava a respeito dessa obra na Biblioteca.
Já fazia menção de me retirar, quando o funcionário fez sinal para que eu esperasse mais um pouco. E continuou a teclar no computador, dando-me a impressão de que "daquele mato ia sair coelho".
Alguns minutos após, o semblante dele se iluminou. E ele, virando a tela do computador para mim, disse:
- Olhe, achei algo sobre o "Porteiras e Currais".
Essa internet...
Paulo Gurgel
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/05/uma-biblioteca-sem-porteiras.html
Nota - O que o funcionário da biblioteca tinha achado era uma postagem, PORTEIRAS E CURRAIS, na qual eu me queixava do extravio do meu exemplar do livro.
\o/ \o/ \o/ \o/ \o/ 
[...] Porém, independente desses resultados e sua eventual acolhida, nunca perdemos a esperança de obter um retrato original e autêntico do nosso procurador-geral. E foi assim que, numa visita ocasional ao Ceará, durante nossa presença na cidade nos animamos a ir até ao Ministério Público local para uma entrevista pessoal sobre a existência de algum retrato ou recorte ocasional que resgatasse a fisionomia de Bento Fernandes de Barros. E foi o que aconteceu. Depois de nos identificarmos, fomos recebidos pelo procurador-geral de Justiça e, no correr de um cordial diálogo, revelamos nosso interesse na procura e sobre a dificuldade de obtermos a imagem desejada. Então, o procurador se pôs de pé e disse:
– Ora, ora, esse retrato temos aqui, sim senhor!
E, ao dizer isso, levantou-se e foi aos seus arquivos, donde voltou logo com o retrato na mão.
– Está aqui, aqui, disse vitorioso, exibindo a reprodução da figura...
Foi então que olhei surpreso a foto e falei:
– Ora, seu procurador, esse retrato eu conheço. Fui eu mesmo que fiz! – e disse em desencanto…
Rui Cavallin Pinto
http://www.memorial.mppr.mp.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=220
Nota - Rui Cavallin encontrou no Ceará uma reprodução com todas as imperfeições técnicas de um retrato que fora reconstituído a partir da fisionomia do Barão de Sobral que, por ser parente de BENTO FERNANDES DE BARROS, havia sido adotado para ser a imagem do primeiro procurador-geral de Justiça do Paraná.

NATAL DE 2020

Passamos a véspera do Natal no apartamento de Érico e Aline.
Uma confraternização entre poucas pessoas, como manda o atual regramento sanitário. 
Na foto, da esquerda para a direita: Érico (que fez a selfie coletiva), Elba (segurando Benício), eu (segurando a mim mesmo), Natália (segurando Renan), Rodrigo (segurando Leon), a Sra. Fátima (mãe de Aline) e Aline (segurando Jacques).
O neto Matheus não aparece nesta fotografia, pois passava o Natal com a mãe. E o evento foi alegrado pela expansão em netos da família. Renan, nascido em maio, e Benício, nascido em dezembro (Aline, ainda se recuperava da operação cesariana).
Renan
Pensem num bebê sorridente
Benício
Na versão "Baby Claus"

BIOBIBLIOGRAFIA

PAULO GURGEL CARLOS DA SILVA – nasceu em Fortaleza–CE, no dia 6 de junho de 1948.
Filho de Luiz Carlos da Silva e Elda Gurgel e Silva.
Fez o Primário no Instituto Padre Anchieta, o Ginásio no Colégio Cearense do Sagrado Coração e o Científico no Colégio Batista Santos Dumont e no Liceu do Ceará.
Graduou-se em Medicina na Universidade Federal do Ceará.
Fez o Curso de Formação de Oficial Médico no Rio de Janeiro com Estágio no Pavilhão de Isolamento do Hospital Central do Exército e o Curso de Especialização em Tisiologia Clínica e Sanitária da Fiocruz. Possui o Registro de Qualificação de Especialista em Pneumologia.
É médico aposentado do Ministério da Saúde.
É membro fundador da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará e foi seu presidente no período de 1985-87.
Colaborou com "DN – Cultura", "Jornal do Leitor" de "O Povo", "Informativo A Ferragista", "Cooper News" e o "Jornal da Associação Médica Brasileira", entre outros.
Participou de 30 coletâneas literárias com crônicas, contos, poemas, biografias, memórias, causos e pensamentos. Possui produção científica inserida no Currículo Lattes, como autor de capítulos de livros (4), artigos publicados em revistas, pôsteres e anais de eventos e como revisor de manuais técnicos (3).
Em 2011, foi biografado em Portal de Memórias: Paulo Gurgel, um médico de letras, um livro organizado por Marcelo Gurgel Carlos da Silva. 200p. il. ISBN 978-85-901655-4-5.
Dentre as homenagens recebidas, constam: a comenda Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, do Hospital de Messejana; a placa da contribuição prestada à UTI Respiratória Prof. Mário Rigatto, do Hospital de Messejana; a placa da família Studart Gomes, em reconhecimento ao trabalho na construção do legado do Dr. Carlos Alberto; a de figurar na galeria dos presidentes do Centro de Estudos Prof. Manuel de Abreu (período 2003-07), do Hospital de Messejana; a de figurar na galeria dos diretores da Sobrames Ceará (período 1985-87); e o Diploma de Mérito Ético-Professional com que o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará reverencia os médicos com 50 anos de profissão sem qualquer sanção ética.
LIVROS como coautor
VerdeVersos* (1981); Encontram-se* (1983); MultiContos (1983); Temos um pouco* (1984); A Nova Literatura Brasileira (1984); Escritores Brasileiros (1985); Poetas do Brasil (1985); Criações* (1986); Sobre todas as coisas (1987); Letra de médico (1989); Efeitos Colaterais (1990); 1.º Concurso Nacional de Prosa e Poesia, da AMB (1991); Meditações (1991); Outras Criações (1992); Esmera(L)das (1993); Prescrições (1994); Antologia até agora (1996); Marcelo Gurgel em verso e anverso (2003); Dos canaviais aos tribunais: a vida de Luiz Carlos da Silva (2008); Otávio Bonfim, das dores e dos amores: sob o olhar de uma família (2008); Achado casual (2008); Ressonâncias literárias (2009); Receitas literárias (2010); Meia-volta, volver! (2013); Sessent'anos de caminhada: percurso e paradas obrigatórias de Marcelo Gurgel (2013); Ordinário, marche! (2015); Luiz, mais Luiz!* Centenário de nascimento de Luiz Carlos da Silva (2018); Ombro, arma! (2018); Poemas em prelúdio (2019); Fora de forma! (2020)
* também como organizador
LIVROS como apresentador/prefaciador
Prefácio de Em busca de poesia, de Dalgimar Menezes (1985); orelhas de A cor do fruto, de Fernando Novais (1986); orelha de Nossos momentos, de Wellington Alves (1988); orelhas de Otávio Bonfim, das dores e dos amores (2008); contracapa de Anos dourados em Otávio Bonfim, 2.ª edição, de Vicente Moraes (2017); prefácio e contracapa de Pontos de vista, de vários AA (2019); prefácio de Medicina, meu humor! Contando causos médicos, 2.ª edição, de Marcelo Gurgel (2022); orelha de Reencarnação da felicidade, de Edmilson Alves (no prelo).
OUTRAS PRODUÇÕES INTELECTUAIS
Em páginas próprias na internet: 
EntreMentes, desde 18/10/2006. End.: http://blogdopg.blogspot.com
Linha do Tempo, desde 09/10/2007. End.: http://gurgel-carlos.blogspot.com
Preblog, desde 22/11/2007. End.: http://preblog-pg.blogspot.com
Nova Acta, desde 05/02/2010. End.: http://airblog-pg.blogspot.com
Slideshows do PG, desde 13/04/2010. End.: http://slideshows-pg.blogspot.com
Em redes sociais e afins:
Twitter, desde 04/ 2009. http://twitter.com/EntreMentes
Quora, desde 11/2019. http://pt.quora.com/profile/Paulo-Gurgel-Carlos-da-Silva
Facebook, desde /11/2019. http://facebook.com/paulo.gurgel.54
Mastodon, desde 11/2022. http://mastodon.social/@dopaulosilva
Portal Luís Nassif, desde 04/2009. http://blogln.ning.com
Portal ELAM, desde 12/2021. http://elam.art.br/blog-do-paulo-gurgel
(para o Dicionário da Literatura Cearense; org.: Barros Alves)

PIRATA BAR

Criado em 1986 pelos sócios Júlio e Rodolphe Trindade, pai e filho, o Pirata Bar é um empreendimento cultural e turístico que incorpora, com ecletismo e irreverência, a festividade brasileira, tradições locais e a identidade cultural do Ceará.
A proposta, aliada à originalidade da casa, não demorou a chamar a atenção do público fortalezense, que elegeu o Pirata como um de seus locais preferidos no bairro boêmio da cidade, a Praia de Iracema. Em seu palco, apresentaram-se artistas como Leila Pinheiro, Belchior, Oswaldo Montenegro, Edson Cordeiro, Adriana Calcanhoto, Gonzaguinha e outros grandes nomes da música brasileira.
Numa das vezes a atração principal foi o "O Espírito da Coisa", e quão apreciada foi a performance daquele grupo de pop-rock da cidade do Rio de Janeiro. Em meados da década de 1980, "O Espírito da Coisa" seguia uma proposta musical semelhante à da banda Blitz, com canções leves e letras bem-humoradas.
A segunda-feira mais louca do mundo
Era 5 de janeiro de 1987. Uma senhora da sociedade local quis comemorar seu aniversário com as amigas no Pirata. Apesar de ser uma segunda-feira, Júlio Trindade abriu a casa com todo o staff e empolgação dos dias normais do Pirata.
Ao som de forró de LP, fita cassete e vitrola, o singelo aniversário – com direito a chapeuzinhos da Turma da Mônica e a presença de um casal de palhaços holandeses que estava pela Praia de Iracema – tomou ares de festa. No entanto, havia poucos homens entre os convidados. Não se tinha com quem dançar! Júlio Trindade não pensou duas vezes: chamou garçons, seguranças e até o cozinheiro para o salão e todos se fizeram pares de dança. Resultado? A noite foi um sucesso! Tanto que os convidados quiseram repetir o "aniversário" na semana seguinte. O encontro, com o tempo, foi batizado de Chá Dançante da 2ª-feira.
Em fevereiro do mesmo ano, a segunda-feira passou a contar com o forró pé-de-serra do sanfoneiro Azeitona e, em junho, para completar a festa, foi chamada uma segunda banda, a Alta Tensão. E assim, pouco a pouco, de boca-em-boca, se foi criando a tradição de ir ao Pirata Bar na segunda-feira. Com isso, a fama da casa correu o Brasil e o mundo, sendo notícia no jornal "The New York Times".
⟿ Fonte: http://www.pirata.com.br/
Em 2011, morreu em Fortaleza, Antônio Júlio de Jesus Trindade, vítima de câncer cerebral.  Nascera em Lisboa, Portugal, no dia 10 de março de 1946. Havia chegado ao Brasil em 1981, após ter estado em vários países (França, Estados Unidos e Canadá) e no Caribe. No Brasil, ele chegou pela Bahia, de onde veio ao Ceará em 1985, aqui criando o Pirata Bar em 1986. 
⟿ Fonte: Nirez
Em 2019, seu 33.º ano de funcionamento, o Pirata Bar recebeu o título de Patrimônio Turístico de Fortaleza.
Endereço: Rua dos Tabajaras, 325 - Praia de Iracema. (85) 4011 6161
O que aconteceu com meu bar? Por Rodolphe Andrade (Rodolphe Andrade é presidente da Abrasel no Ceará).

CONGRAÇAMENTO ANUAL DA SOBRAMES - CE

*Reunião virtual pelo Google Meet*
Data: 14/12/2020 (segunda-feira), às 19h30
Pauta:
1- Abertura da reunião;
2- Posse dos novos sobramistas: Dr. Jotabê Fortaleza; Dr. Fernando Melo; Dr. Jonas Marinho - Dr Arruda Bastos realiza a saudação em nome da Sobrames - CE;
3- Dr. Jotabê Fortaleza fala representando os novos sobramistas;
4- Lançamento do livro: "Fora de Forma" - Apresentação: Dr. Sebastião Diógenes; agradecimento: Dr. Marcelo Gurgel;
5- Homenagem póstuma da Sobrames - CE ao sobramista Dr. Francisco Pessoa - Dra Ana Margarida Rosemberg;
6- Homenagem póstuma da Sobrames - CE ao capitão e escritor Francisco Nunes, músico voluntário dedicado do HHJ e do HRU e da Sobrames - CE;
7- Saudação de Natal e Ano-Novo - Dr. José Maria Chaves;
8- Palavra facultada;
9- Encerramento da reunião.

A FELICIDADE ESTÁ NO AR





Nesta segunda-feira (14), às 7h30, nasceu Benício Viana Gurgel, filho de Aline Pessoa Viana Gurgel e Érico de Macedo Gurgel.
É nosso terceiro neto.
Nascido no Hospital Cura d'Ars (Rede São Camilo), o bebê vem saudável ao mundo.
Nossas boas-vindas a você, Benício. Tenha a certeza de que já é alguém muito amado.

- Elba e Paulo, seus avós paternos



LANÇAMENTO DO LIVRO "SOPRO DE lUZ"

Durante a abertura do III Encontro de Academias Literárias do Ceará, no dia 20/11/2020, às 20h, no Espaço de Convivência da Unichristus, no Campus do Parque Ecológico do Cocó, em Fortaleza, ocorreu o lançamento da 37ª Antologia da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE).
Trata-se de uma série que foi começada em 1981 pelos sobramistas pioneiros: Paulo Gurgel e Emanuel de Carvalho. Todos os anos a Sobrames- CE lançava no mês de outubro, mês em que se comemora o dia do Médico (18/10), sua antologia. No entanto, em virtude da pandemia de Covid-19, o lançamento anteriormente agendado foi adiado para novembro (20/11).
O grande número de participantes tem sido um ponto forte dessa coletânea anual. Neste ano, o total de autores bateu o recorde, alcançando a marca de 70, dos quais 66 médicos. O título da Antologia, "Sopro de Luz", escolhido por meio de votação democrática durante uma das reuniões mensais da nossa entidade, foi uma proposta da sobramista Alcinet Rocha.
Marcelo Gurgel, ex-presidente da Sobrames-CE, como tem feito nos últimos anos, foi o organizador desta coletânea. Contou com a colaboração da seretária Orlânia Dutra e, como de praxe, a capa foi uma criação do cirurgião e artista plástico Isaac Furtado. E o prefácio foi escrito pela professora e escritora Lourdinha Barbosa, integrante da Academia cearense de Letras.
http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com/2020/11/lancamento-da-37-antologia-da.html
http://servicos.cbl.org.br/isbn/ 978-65-5556-077-0 (Origem: CBL) Expressão Gráfica e Editora Marcelo Gurgel Carlos da Silva, SOBRAMES/CE - Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - CE Literatura brasileira Físico Publicado em 2020
✞ É com grande pesar que aqui registro a notícia do falecimento, em 03/12/2020, do médico Francisco José Pessoa de Andrade Reis, um dos autores do livro "Sopro de luz". Nascido em Fortaleza, em 21 de julho de 1949, Francisco Pessoa era médico oftalmologista, com mais de quarenta anos de atuação nessa especialidade, ao tempo em que também se dedicou à vida literária como poeta, cordelista e cronista.

É HORA DE PARTIR

Prezados amigos:
O tempo passou célere, ainda mantenho vívido na memória o dia 11 de fevereiro de 1980, quando adentrei as instalações da NITROFERTIL (posteriormente, teve modificada sua razão social para FAFEN-BA), unidade fabril da Petrobras ubicada no Polo Petroquímico de Camaçari.
Nessa ocasião, era recém-formado em Engenharia Química, estava com 22 anos – no início da vida adulta. A admissão empregatícia no Sistema Petrobras coroava um sonho que começara aos 14 anos, quando decidira pela minha futura profissão, sendo viabilizado em Janeiro de 1979, quando estava em fase final da graduação em Engenharia Química na UFC, tendo sido aprovado em concurso do CENPEQ (Curso de Engenharia de Processamento Petroquímico), peguei o matulão e a arataca, embarquei no primeiro "pau-de-arara", rumo a Salvador, pois a Bahia centenária esperava este cabeça-chata que ousava um lugar ao sol. Concluí o CENPEQ em concomitância com a Eng. Química na UFBA. Pois bem, combati o bom combate, aceitei desafios, desenvolvi minhas potencialidades, cultivei boas amizades e constituí família que alicerçou meu desenvolvimento profissional. Parodiando o grande compositor mineiro, Milton Nascimento, assevero aos amigos que lá deixei, que os trago guardados no lado esquerdo do peito, dentro do coração, um preito de infinita saudade.
Minha vida laboral teve 2 fases distintas: a Baiana e a Cearense.
Permaneci na FAFEN-BA, por período de 22 anos e 6 meses. Nesta tive a oportunidade de assumir diversas funções e tarefas, passando pelos Setores de Otimização, Coordenação de Turno (3 vezes), Setor de Movimentação no Terminal Marítimo de Aratu, Setor de Ureia e Setor de Amônia. Nesta estada profícua na FAFEN-BA, julgaram-me merecedor para assunção de funções de confiança, exercendo-as por aproximadamente 12 anos. Também participei do Grupo que coordenou o REVAMP, ocorrido no ano de 2.000, nas Unidades de Amônia e Ureia.
Exerci a presidência da CIPA na gestão 1999/2000, adicionalmente participamos como instrutor em vários Cursos de Formação de Operadores.
Atendendo a pleito pessoal, em agosto de 2002, efetivou-se a minha transferência para a LUBNOR, no Ceará, retornando assim para a terra natal. Na LUBNOR, inseri-me inicialmente na Gerência de Otimização, atuando como Eng.° de Processamento, posteriormente assumi a função de Gerente deste órgão. Na sequência, exerci a função de Gerente da Produção e depois Gerente de SMS (até 31/08 do ano corrente). Resumindo, fiquei na LUBNOR por 18 anos e 4 meses, sendo em função de confiança por 12 anos e 3 meses.
No próximo dia 7 de dezembro (Dia do Tora, Tora, Tora), estarei me despedindo de uma longa, frutuosa e quase sempre harmoniosa ligação laboral e, porque não dizer, afetiva relação com inúmeros colaboradores da nossa Petrobras. Foram 40 anos, 9 meses e 26 dias de convivência ou 14.912 dias de contrato de trabalho! Ressaltamos que a Petrobras foi a única empresa com que mantive relação trabalhista, caracterizando quase um casamento monogâmico (rsrs), sendo aquinhoado com a conquista e o respeito de grandes amigos.
Por conta de uma sólida formação familiar, onde o trabalho, a ética, a honestidade e o aprendizado constituíam pilares para toda a vida. Tais valores foram e são chancelados pela nossa empresa, que nos franqueou a participação em inúmeros treinamentos, seminários, estágios e visitas técnicas, facilitando a nossa caminhada nestas 4 décadas de muita dedicação, veemência, entrega e companheirismo.
Humildemente, procurei trabalhar sempre em sinergia com os nossos colaboradores e parceiros, valorizando os esforços e resultados. Posso dizer que nunca “briguei com o despertador” e no final de cada jornada perpassava se o que realizara, agregara conhecimento e valor pessoal, coletivo e para a Companhia. Cremos que a missão foi cumprida.
E o futuro, o que nos aguarda ? Obviamente, há uma margem de incerteza, mas temos apenas uma convicção: a de que não podemos parar! A vida flui inexoravelmente, pretendemos retornar aos estudos e leituras. Sempre fomos apaixonado por grandes obras da Literatura e pelas disciplinas História, Geografia e Geopolítica. Quem sabe, reviver o aprendizado do idioma de Shakespeare. Quando a pandemia arrefecer, pretendemos percorrer caminhos e veredas do nosso vasto mundo (aguarde, mano Luciano). E, sobretudo, interagir mais com meus filhos e a família, curtir o 1.º neto que a minha querida filha Marta aguarda e faço votos que meu filho Tiago não demore para dar início à sua prole.
Germano e os filhos Marta e Tiago
É com enorme gratidão, o coração transbordando de emoção e inolvidável recordação que me despeço de cada um de vocês. Sejam pelas oportunidades, ensinamentos, companheirismo e conquistas. Almejando que prossigam nessa caminhada venturosa. Estarei sempre ansiando pelos reencontros.
Terei o máximo prazer em manter o "cordão umbilical" com vocês, através dos contatos:
- telefônico: (85) 99973-1400 / 99686-7350
- e-mail: gmmtcgb@hotmail.com
Estarei ao dispor de vocês !
NOT GOODBYE, SO LONG (Frase receptiva no Aeroporto de Salvador)
Germano Gurgel Carlos da Silva

BELÉM E SOURE

Período: 12 a 15/11/20 (a 17/11/20 para Elba)
12/11, quinta-feira
Chegamos ao Val de Cans, o aeroporto de Belém, à primeira hora de hoje. Após algumas horas de dormida no apartamento de Rodrigo e Natália, no Umarizal, fomos despertados para o café da manhã. Na mesa: um bolo de aniversário e uma placa de "Mamys Poderosa", providenciados por Natália, indicava que Elba estava a mudar de idade.
Saímos para comprar passagens no Terminal Hidroviário para a ilha do Marajó, que visitaríamos no dia seguinte.
Por causa das eleições previstas para domingo, as passagens já estavam quase esgotadas. Compramos bilhetes de ida para Soure pela Expresso Campeão 5 e de volta para Belém pela Expresso Golfinho 1.
Localizado em frente ao Terminal, soube que fora inaugurado, em 13 de agosto, o Parque Urbano Belém Porto Futuro. Com um lago central, fonte luminosa, passarelas, ciclovia, playground, equipamentos de ginástica e um grande estacionamento, o parque é o novo espaço para práticas esportivas, culturais e de lazer da capital paraense. Neste espaço urbano, fiz uma longa caminhada e, quando a sede apertou, parei num de seus boxes para beber uma água de coco.
Em seguida, retornei para o apartamento de Umarizal pela Av. Visconde de Souza Franco (onde fica o Boulevard Shopping), Av. Boaventura da Silva e, por fim, pela Travessa 14 de Março.
Mais tarde, saí para dar uma volta nos arredores. No supermercado Nazaré, comprei umas mangas da variedade bacuri, castanhas do Pará e duas caixas de Linea (um adoçante à base de sucralose) que estava numa promoção.
À noite, fomos jantar peixes da amazônia na Casa do Saulo. Um restaurante há um ano instalado na turística Casa das Onze Janelas, um prédio erguido no século 18 às margens da baía do Guajará. Tinha música ao vivo, e Rodrigo me chamou a atenção para um dispositivo eletrônico de que o cantor se utilizava para produzir segunda e terceira vozes.
[http://www.teclacenter.com.br/blog/segunda-voz/]
13/11, sexta-feira
Embarcamos no Expresso Campeão para o passeio em Soure. Depois de atravessar a baía de Marajó, houve uma rápida parada da lancha na Vila do Caldeirão, em Salvaterra, que fica do outro lado do rio Paracauari. Esta viagem fluvial durou cerca de duas horas e meia com a embarcação encontrando-se lotada.

No trapiche de Soure
Na cidade de destino nos hospedamos na Suítes Soure, recomendada por Natália. E almoçamos filé de búfalo no Patu-Anu, um pequeno restaurante próximo da pousada.
Por falar em búfalo, vi alguns desses animais pela cidade, soltos ou então puxando carroça. As fazendas de búfalos juntamente com as praias são as grandes atrações dos municípios da ilha de Marajó.
Não encontramos uma agência de turismo receptivo que pudesse nos atender. Andando (em geral pelo centro), ou no táxi do Sr. Clérisson, que tomamos em três oportunidades, foi como fizemos o nosso turismo cultural..
A cidade é fácil de percorrer pois suas ruas e travessias são designadas por números.
Elba comprou queijo e doce de leite numa casa desses produtos. O próprio vendedor alertou que estavam mais caros por estar na entressafra do leite.
E fomos jantar no Solar do Bola (indicado pelo setor de turismo da prefeitura), no bairro Matinha, a 2 km da pousada. Um prato de camarões pequenos preparados com creme de pupunha e sucos de mangaba. Tudo muito saboroso, com bom atendimento e os preços justos.
14/11, sábado
Às 5 horas, estávamos no trapiche de Soure. O dia ainda não começara a clarear. Enquanto aguardávamos o horário de partida da lancha Golfinho, consumimos nosso desjejum em um quiosque local: café com tapiocas.
A Golfinho, além de mais moderna, espaçosa e confortável, é também mais rápida. Fez a viagem em que voltamos a Belém em menos de duas horas. Pena que tenha desperdiçado o tempo economizado com as dificuldades que encontrou para atracar no Terminal Hidroviário.
Hoje foi um dia monótono. Fiz uma caminhada pelas ruas de Umarizal e Nazaré, o que nem chegou a ser uma novidade.
Natália, aproveitando a nossa presença em Belém, antecipou a comemoração dos seis meses de vida de nosso neto Renan. Uma festa ao estilo petit comité em que estavam presentes uma criança, quatro adultos e um cão de nome Leon.

Festa para o Renan
Findo o evento, sentei-me ao sofá da sala para assistir a um jogo entre Fortaleza e São Paulo. Com o placar final de 3 x 2 em favor do time paulista, para o desgrado de Rodrigo que é fã declarado do Fortaleza e do Remo.
15/12, domingo
O primeiro turno das eleições municipais. Como aconteceu a muita gente no país, não consegui usar o E-título para justificar minha ausência na seção em que voto em Fortaleza. Tive que me deslocar até uma seção eleitoral que funcionava na rua José Malcher, onde preenchi um formulário de justificação.
(O Brasil faz parte do "seleto grupo" de países em que o voto é obrigatório.)
Almoço no Armazém 2 - Boulevard da Gastronomia da Estação das Docas em que saboreamos pratos diversos no Tio Armênio. O projeto Música no Ar está igual como o vimos em 2013. Havia alguém tocando e cantando MPB, mas o palco (que deveria ser uma atração à parte) continuava sem deslizar acima do público.
Às 18 horas, embarquei em meu voo de volta para Fortaleza. Elba permaneceu na capital paraense para retornar no dia 17. E, no Pinto Martins, tive que enfrentar uma longa espera até conseguir ser atendido pelo Uber.
Conclusivamente, hoje não foi um bom dia para os usuários de aplicativos.

ILHA DE MARAJÓ

É uma ilha costeira situada na Área de Proteção Ambiental do arquipélago de Marajó, no estado do Pará, Brasil. A ilha de Marajó está separada do continente pelo delta do Amazonas, pelo complexo estuário do rio Pará e pela baía do Marajó.
Com uma área de aproximadamente 40 mil km², é a maior ilha costeira do Brasil e,  por ser banhada tanto por águas fluviais quanto por oceânicas, é também a maior ilha fluviomarítima do mundo. 
A mesorregião geográfica do Marajó, além do arquipélago, abrange alguns municípios do entorno que somam cerca de 104 mil km2.
Clima equatorial com temperatura média anual de 26ºC. A precipitação anual é sempre maior que 2.000 mm. As estações são inexistentes ou pouco acentuadas. A amplitude térmica é muito fraca e os dias têm a mesma duração das noites. A umidade relativa do ar é alta (+ de 80%).
A ilha propriamente dita possui 12 municípios: Santa Cruz do Arari, Afuá, Anajás, Breves, Cachoeira do Arari, Chaves, Curralinho, Muaná, Ponta de Pedras, Salvaterra, São Sebastião da Boa Vista e Soure, que formam as Microrregiões do Arari e do Furo de Breves. Já a microrregião de Portel (+ 4 municípios) é formada em boa parte por territórios no continente.
Soure (25 mil habitantes), Salvaterra (17 mil habitantes) e Cachoeira do Arari (20 mil habitantes) são os principais municípios da parte oriental da ilha (mais perto de Belém). Na parte ocidental de Marajó, é Breves, sendo o município mais populoso (100 mil habitantes), que disputa o status de "capital". No entanto, Soure é o coração turístico da ilha.
Marajó é o lugar do maior rebanho de búfalos do Brasil, com cerca de 600 mil cabeças. Toda a carne, leite e derivados consumidos na região vêm deles. Outros destaques são suas belas praias, seus recursos arqueológicos e a arte marajoara, considerada a mais antiga arte cerâmica do Brasil e uma das mais antigas das Américas. E a economia da ilha também se apoia na pesca, extração de madeira, açaí e borracha, além de um ainda incipiente turismo.
O período mais recomendado para visitar Marajó é entre julho e dezembro, quando chove menos, os rios estão mais baixos e as praias surgem na paisagem. E a forma mais comum de visitar a região é utilizando-se de embarcações (navio, lancha rápida ou balsa) embora existam pequenos aviões para esta finalidade.
  • Barco rápido (Expresso Golfinho da Master Motors, por exemplo), que sai do Terminal Hidroviário de Belém (THB), ao lado da Estação das Docas, de segunda a sábado, às 8h15, com retorno às 5h30 (do dia seguinte). É confortável, tem ar condicionado e faz a travessia da baía de Marajó com destino a Salvaterra / Soure em duas horas. Em Soure, você pode pegar um táxi, mototáxi ou contratar uma agência de turismo receptivo local. Para ir a Cachoeira do Arari, há também uma linha de lancha rápida no THB, de segunda a sábado, às 12h30, e aos domingos e feriados, às 9h00, que chega a esta cidade pelo rio Arari. Tempo de viagem: duas horas e meia. Estando em Cachoeira do Arari, você pode ir para Salvaterra pela rodovia PA-154. Distância: 71 km, tendo que fazer uma travessia fluvial (200 m) por balsa.
  • Balsa para veículos, que sai do Terminal Hidroviário de Icoaraci a 20 km do centro de Belém . A viagem leva 3 horas, de Icoaraci até o porto de Camará, em Salvaterra. A partir do porto de Camará, você pode usar um ônibus, van ou táxi (caso você não esteja em carro próprio ou alugado) para ir até o centro de Salvaterra (25 km). 

A REPRESSÃO TRAÇA O PERFIL DE JATAHY

Após o desfecho dos dias 31 de março e 1.º de abril de 1964, a polícia militar abriu inquérito para apurar e punir os "subversivos": os militantes dos movimentos sindicais e populares. De caráter investigativo, o IPM/1964 traçou o perfil das principais lideranças cearenses, para o caso de confirmação de denúncias de atividades de comunização nacional. Dentre esses perfis, encontra-se o do músico José Jatahy: 184.º Relatório Periódico de Informações, período de 15 de fevereiro a 11 de março, assinado pelo Cel. Tácito T. Oliveira, em 11/03/1964. Documento do Ministério da Guerra/ IV Exército/ 10ª Região Militar/ 23º Batalhão de Caçadores. Juntado no 1º volume, às folhas 232 e 234, do Inquérito Policial Militar de 1964.
JOSÉ JATAHY, brasileiro, casado, com 53 anos de idade, músico, filho de Carlos Jatahy e Benvinda Costa Jatahy, natural de Fortaleza, onde reside no Palace Hotel, quarto 212. Prestou depoimento às fls. 151. Nota-se sua participação direta no movimento de comunização do Nordeste (fls. 151, 153, 172). Introduziu o comunismo em seu sindicato, na tentativa de mudança do nosso regime, fls.87, 152, 244, 323. Como dirigente do Pacto Sindical, integrou a Frente de Mobilização Popular (fls. 93, 153) trabalhando para a comunização da região, conforme anexos 2A-24, 2A-36 e 2A-7. Já não mais músico brasileiro. Era músico comunista. Empregava sua profissão, arte relevante em motivação psicológica, no aliciamento comunista. Às fls. 54, vamos que, numa organização brasileira, como é o Sindicato dos Ferroviários, não foi o hino nacional brasileiro que ensaiou. Foi a Internacional Comunista. Era este hino que José Jatahy contava reger na pretensa vitória do comunismo em nossa terra. Daí ao hino russo, a distância é muito pequena. Apesar de músico, presidiu na qualidade de presidente do Pacto Sindical a reunião subversiva realizada no sindicato dos ferroviários (fls. 172). 120. Ainda na sede desse sindicato, no dia 5 de março de 1964, fez pregação subversiva, incitando a greves e movimento para derribada do poder constituído. Às fls. 345, constata-se a ousadia deste denunciado, chegando a ameaçar o Ministro da Educação de tomar medidas drásticas. É preciso notar a desvinculação profissional de José Jatahy em todos esses meios. O denunciado Jatahy é músico. Penetrava no meio estudantil, no Sindicato dos Ferroviários e em outros centros profissionais tão somente para estimular a baderna, para desmantelar a disciplina e criar ambiente mais favorável à comunização, à mudanças dos princípios constitucionais brasileiros.
Fontes:
http://anovademocracia.com.br/no-71/3157-o-canto-subversivo-de-jose-jatahy
http://blogdoeliomar.com.br/2010/11/08/fortaleza-ganhara-avenida-jose-jatahy/
http://www.somosvos.com.br/linha-de-trem-abandonada-e-transformada-em-parque-publico-em-fortaleza/

JOSÉ JATAHY (1910-1983)

Nesta terça, 10/11, o cantor, compositor e sindicalista José Jatahy, completaria 110 anos de idade se vivo estivesse. Nascido em Fortaleza, José Pattápio da Costa Jatahy, é nome de uma importante avenida na capital cearense.
Saiba mais um pouco sobre Jatahy:
Quando João Dummar fundou a Ceará Rádio Clube, a PRE-9, em 1934, José Jatahy, possuidor de potente voz, já era conhecido como o grande seresteiro de Fortaleza. A primeira rádio do Ceará formava pouco a pouco sua equipe de profissionais e o cantor boêmio foi o primeiro contratado por esta emissora e, durante algum tempo, seria sua grande atração.
Após ser escolhido o melhor cantor do Ceará, em um festival realizado em 1942 no Theatro José de Alencar, passou a ser distinguido com a fama de "o pioneiro do rádio" e "o maioral". Jatahy, entretanto, já era visto pelas oligarquias locais como um elemento de ideias perigosas, e isso era expresso pelo próprio João Dummar, que buscava, sem sucesso, um substituto que o suplantasse em talento.
José Jatahy foi parceiro de Luiz Gonzaga, que gravou "Eu vou pro Crato" e "Desse jeito, sim". Graças a seus dotes artísticos, coube-lhe também elaborar o Hino do Ceará Sporting Club, dos Ferroviários, do Pacto Sindical e a Canção da Juventude
Presidiu o Sindicato dos Músicos Cearenses e, acusado de pregação subversiva e incitação a greves, foi preso em 1964. No dizer de Fausto Arruda, Jatahy soube, como poucos, colocar o seu canto e a sua arte a serviço do proletariado.
Faleceu aos 73 anos de idade, em 1983.
http://anovademocracia.com.br/no-71/3157-o-canto-subversivo-de-jose-jatahyy
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Jatahy
http://cearasc.com/noticia/jose-jatahy-completaria-100-anos-nesta-quarta
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/01/parceiros-cearenses-de-luiz-gonzaga.html

Onde anda Diassis Martins?

DIALETO NORDESTINO

"É melhor escrever errado a coisa certa
do que escrever certo a coisa errada."

— Patativa do Assaré
Se você tem orgulho de ser nordestino, de nossa cultura e do rico dialeto que possuímos, divulgue este vídeo do poeta cordelista Braulio Bessa.

LIDO

Construído na Praia de Iracema em 1955, inicialmente apenas um galpão à beira-mar, o Lido foi um marco da gastronomia cearense. Com o nome inspirado no do famoso Le Lido, de Paris, o restaurante de Fortaleza logo ganhou a predileção do público. Sendo um dos motivos ir lá para degustar o saboroso "peixe à delícia" (filé de peixe envolto em bananas fitas, gratinado com molho branco), um dos itens do seu cardápio. [http://www.fortalezanobre.com.br/2010/08/restaurante-lido.html, onde pode ver o arquivo fotográfico de Joanna Dell'Eva]
Acervo Fortaleza Antiga, FB
Em 1984, fechou suas portas na Praia de Iracema e foi para a Beira-Mar, ao lado do Alfredo. No lugar de origem do restaurante surgiria o Edifício Lido.
Frequentei o Lido do primeiro endereço. Correspondendo ao período em que o cantor Vitor Portela, que eu conhecera no restaurante Nilu's, fazia suas imitações vocais do Miltinho, Cauby Peixoto, Martinho da Vila e do menino Michael Jackson.
Portela dizia ser filho do cantor Miltinho (sua melhor imitação), o que não passava de uma brincadeira. Ele costumava me anunciar ao microfone como médico "cardiologista", mesmo depois de já ter sido corrigido quanto à citação da especialidade. Numa noite, acompanhei-o em uma sequência de shows que ele deu por clubes suburbanos de Fortaleza. Seu empresário era o comunicador Irapuan Lima. No Vila União, recordo-me, assisti ao show do Vítor, sentado à "mesa da diretoria".
Certa vez, um grupo de pessoas chegou ao Lido. O grupo era numeroso, e houve necessidade de juntar várias mesas para atender a todos. Um dos recém-chegados era o ortopedista Mario Mamede, meu colega de turma na Faculdade de Medicina da UFC e que atuava na política cearense. Outros eram pessoas que eu conhecia de vista, principalmente do Estoril, outro reduto da boemia local.
Mário então me apresentou a um homem de trinta e tantos anos, de estatura mediana e com uma barba cerrada, bem preta - o centro das atenções. A conversa que tive com ele foi rápida, e desejei-lhe boas vindas. Ao retornar para a mesa que eu ocupava com Elba, Vítor Portela me procurou para perguntar quem era aquele homem.
(Ele gostava de anunciar a presença das pessoas no Lido.)
Disse-lhe:
- É o Lula.
- O Lula... do PT?
- Sim, ele mesmo.
Naquela noite de 1984, Luiz Inácio da Silva, cercado de companheiros e admiradores, tinha ido distrair-se no bom e velho Lido. Longe de imaginar a perseguição midiatico-judicial que, no futuro, promoveriam contra ele, "lawfare" é como se designa tecnicamente o expediente.
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As táticas do lawfare:
Manipulação do sistema legal, com aparência de legalidade, para fins políticos
Instauração de processos judiciais sem qualquer mérito
Abuso de direito, com o intuito de prejudicar a reputação de um adversário
Promoção de ações judiciais para desacreditar o oponente
Tentativa de influenciar opinião pública com utilização da lei para obter publicidade negativa
Judicialização da política: a lei como instrumento para conectar meios e fins políticos
Promoção de desilusão popular
Crítica àqueles que usam o direito internacional e os processos judiciais para fazer reivindicações contra o Estado
Utilização do direito como forma de constranger o adversário
Bloqueio e retaliação das tentativas dos adversários de fazer uso de procedimentos e normas legais disponíveis para defender seus direitos

ESTAÇÃO D'AURORA. Uma saudade que não passa

"Cedo ou tarde nem que seja apenas navegando no rio da memória, as pessoas retornam ao lugar onde nasceram." 
Hermenegildo de Sá Cavalcante

Esta obra foi publicada sob o patrocínio cultural da Prefeitura Municipal de Aurora, por intermédio de sua Secretaria de Cultura e Turismo, em comemoração ao Centenário da Estação Ferroviária de Aurora. É um tributo à memória de todos aqueles que, direta ou indiretamente, construiram a história desse importante monumento ferroviário da cidade.
Reunindo uma plêiade de trinta autores, "aurorenses e aurorados", o livro "ESTAÇÃO D'AURORA. Uma saudade que não passa" foi organizado e editado por José Cícero da Silva e João Borges da Silva.
É, nos dizeres do secretário de Cultura de Aurora, Prof. José Cícero:
"Um livro que nos chegou pelos trilhos, como encomenda, no antigo trem da estação de Aurora."
Tendo sido a data em que foi recebida esta encomenda gráfica: 7 de setembro de 2020. Um século depois de sua remessa, mas como valeu a espera!
Foto: Antonio Rodrigues, DN

AURORA. O município, o trem e as estações ferroviárias

O município
Não se sabe ao certo o local onde Aurora se originou. O historiador Vicente Landim de Macêdo relaciona dúvidas e controvérsias a respeito. 
Teria sido próximo a uma capela construída por Benedito José dos Santos, um escravo alforriado vindo da Bahia? Ou será que Aurora se iniciou em torno de outra capela, dedicada ao Menino Deus (até hoje o padroeiro do município), construída em 1823 na Fazenda Logradouro, pelo Cel. Francisco Xavier de Souza, para atender ao pedido de sua mulher?
Ou será, ainda, que Aurora, antigamente chamada "Venda", iniciou-se no local hoje denominado "Aurora Velha". Havia ali uma taberna, ponto obrigatório de quantos vindos dos sertões centrais destinavam-se ao Crato. E essa taberna originou o povoado e, depois, a vila e a cidade. Então, quando se tornou município, pela Lei n.º 2407, de 10 de novembro de 1883, recebeu o nome de Aurora, uma denominação que se prendeu, talvez, ao fato de a proprietária da primeira venda existente na localidade chamar-se Aurora.
Como exprime o poeta Serra Azul:
"É a terra de meu berço essa que (embora
Tivesse o nome mercantil de Venda),
Tem-se hoje o nome fúlgido de Aurora."
É conhecida, também, a versão de que a cidade de Aurora recebeu essa desnominação por sugestão do jornalista Paulo Nogueira às autoridades estaduais, após ter presenciado o nascer do sol sobre o rio Salgado.
Criado pela Lei 2.047, de 10 de novembro de 1883 o município de Aurora é detentor de um dos mais ricos e significativos passados históricos da região sul caririense. É a terra natal de figuras notáveis e emblemáticas como a célebre matriarca Marica Macedo, o poeta Serra Azul, o pintor Aldemir Martins, o cantor Alcymar Monteiro, o literato Hermenegildo de Sá Cavalcante, os jornalistas Newton (Lúcio Brasileiro) e Neno Cavalcante, o escultor Nego Simplício e a própria Dona Aurora, a quem o município deve o topônimo.
O trem
A Linha Sul da Rede de Viação Cearense surgiu com a linha da Estrada de Ferro de Baturité, aberta em seu primeiro trecho em 1872, a partir de Fortaleza e prolongada nos anos seguintes. Quando a ferrovia estava na atual Acopiara, em 1909, a linha foi juntada com a E. F. de Sobral para criar a Rede de Viação Cearense (RVC), que foi arrendada à South American Railways. Em 1915, a RVC passou à administração federal, e a linha chegou a seu ponto mais distante em 1926, quando atingiu a cidade do Crato. Em 1957, passou a ser uma das subsidiárias formadoras da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e, em 1975, foi absorvida operacionalmente por esta. Em 1996, foi arrendada com a malha ferroviária do Nordeste para a Cia. Ferroviária do Nordeste (RFN). Trens de passageiros percorreram a linha Sul até o dia 16 de novembro de 1989, quando finalmente foram desativados.
As estações ferroviárias
No início da década de 1920, Aurora se notabilizou pela construção de sua estação ferroviária, cuja inauguração se deu em 7 de setembro de 1920 (foto). 
O município passou então a ter a primeira e mais importante estação ferroviária da região, uma vez que as estações do seu distrito de Ingazeiras (1922), de Missão Velha (1925), de Juazeiro (1926), do cratense distrito de Muriti (n/d) e do Crato (1926) só vieram a ser concluídas anos depois. Por conta de ser um entroncamento da RVC, Aurora acolhia os viajantes de parte da Paraíba e do Cariri cearense, que vinham pernoitar na cidade à espera do trem para a capital. A estação ainda está de pé, em uso pela Prefeitura de Aurora e tem recebido obras de restauro. 
http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/ceara/aurora.pdf
http://aurora.ce.gov.br/omunicipio.php
http://www.estacoesferroviarias.com.br/ce_crato/aurora.htm. Atualização 19/02/2018
"MARICA MACEDO. A brava sertaneja de Aurora", por Vicente Landim de Macêdo. Brasília: Petry Gráfica e Editora Ltda. 1998. 266p.
A postar: "ESTAÇÃO D'AURORA. Uma saudade que não passa", coletânea organizada por José Cícero

BATURITÉ, O MUNICÍPIO CEARENSE COM EXCLAVE

Baturité, no Ceará, é um dos oito municípios brasileiros que têm exclaves - isto é, que tem o território descontínuo. O exclave é essa parte inferior, que está geograficamente separada da porção principal do município.
Para mais informações, recomendo que assistam a este vídeo do Olavo Soares no Canal Exclave.

O BIZU DO SARJA

1.
Étienne Bézout (Nemours, 31 de março de 1730 — Avon, 27 de setembro de 1783) foi um matemático francês.
Em 1758 Bézout foi eleito adjunto em mecânica da Académie des Sciences. Dentre diversos outros trabalhos, escreveu "Théorie générale des équations algébriques", publicado em Paris, em 1779. Seu livro didático se tornou referência a ponto de os professores da época usarem a expressão "vou dar explicação como o Bézout". A expressão foi transformada, aos poucos, em "vou dar o Bézout". Especialmente em escolas militares, é comum usar-se o termo "bizu", que tem exatamente essa origem.
2.
Quando a Família Real veio para o Brasil, trouxe, em sua comitiva, diversos professores de Coimbra. Esses docentes foram colocados na Real Academia Militar.
As aulas de Matemática eram o terror dos alunos, até descobrirem que os mestres usavam, como base das aulas e provas, um livro de um autor francês chamado Etienne Bezout.
Assim, corria pelos alunos a informação de que ter o livro do Bezout era fundamental para ter sucesso na matéria.
Ter o Bezout era o diferencial e todos queriam o Bezout, que passava de mão em mão.
Essa é a origem do termo "bizu".
3.
Lembro-me do sargento Valdenor. "Bizu" e "bizurar" eram gírias que andavam na boca do saudoso colega. Na boca e... nos gestos. Pois, ao pronunciar essas palavras, ele fazia o gesto de juntar três polpas digitais da mão direita, esperando que o colega viesse de lá com o mesmo gesto. Trocados os "cumprimentos", ele explodia numa sonora gargalhada.
Francisco Valdenor Barbosa, nosso colega de turma na Faculdade de Medicina, a quem também chamávamos  de "Sarja", certamente foi o tipo mais popular de nossa turma. Por vezes, soltava umas bravatas, porém estas não incomodavam. Ao contrário, nos divertiam. 
A par de suas obrigações de sargento no Colégio Militar de Fortaleza (CMF), ele fez o curso de graduação conosco, tendo-o concluído em 1971.
Em 1972, fez também o Curso de Formação de Oficial Médico (CFOM) da Escola de Saúde do Exército no Rio de Janeiro. Estagiou no Hospital Miguel Couto, no serviço de ortopedia do Dr. Lídio Toledo, médico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e que parecia gostar muito dele.
Dividimos, por alguns meses, um quitinete alugado no Edifício Corumbá, em Copacabana. Gostava de se olhar no espelho interno de um guarda-roupa do quitinete. Com ele, quase sempre de cuecas, túnica verde-oliva 4A e quépi. Nesses momentos, prometia em voz alta o enquadramento de um certo sargento do CMF quando voltasse a Fortaleza (mentira, nunca faria isso).
E terminava a narcísica sessão com uma caprichada continência. Que o espelho simultaneamente respondia.
Ao concluir o CFOM, recebeu a patente de 1.º Tenente Médico e seguiu para Brasília. Nossos contatos se tornaram raros a partir de então. 
Por essa foto que eu encontrei na internet, descobri que ele entrou para a Maçonaria.
Legenda:
  • Grão-Mestre Francisco Valdenor Barbosa
  • Grande Loja Maçônica do Distrito Federal
  • 20/08/1981 a 20/08/1984
Hoje o bom e velho "Sarja" deve estar trocando bizus no Céu.

CEARÁ, SAÍ FICANDO LÁ

Fernando Gurgel Filho
(para mim)
Em relação à publicação de: Canção do Exílio
Quando era diretor da Casa do Ceará em Brasília escrevi estes versos:
CEARÁ, SAÍ FICANDO LÁ
Quando vim do Ceará
Não trouxe nada de lá,
Só a saudade do mar,
Um coração que partia,
Futuro que não existia,
Vontade de voltar um dia.
Pessoas amadas se foram
Outras com amor vieram
E a ficar me obrigaram.
Muitas coisas esqueci,
Outras tantas eu perdi,
Mas de lá nunca saí.
Um amigo musicou: HINO DA CASA DO CEARÁ (2012)

PESAR POR ELENITA MARIA PINHEIRO DA FONSECA

Consto aqui, neste momento de saudade, o meu voto de pesar pela falecimento da Dra. ELENITA MARIA PINHEIRO DA FONSECA, cujo fato (16) se deu em consequência da Covid-19.
Médica formada pela Universidade Federal do Ceará, no ano de 1971 (na Turma Andreas Vesalius / Carlos Chagas, da qual faço parte), Elenita tinha como especialidade médica a Pneumologia.
Era anima e cuore do Coral da Unimed Fortaleza.
Em vídeo que foi postado pela Sobrames Ceará, o colega Dr. Elias Boutala Salomão dedicou-lhe as seguintes palavras:
"Bela, altiva e elegante. Bondosa como só ela sabia ser. De repente, resolveu usar suas asas para alçar um longo voo rumo ao Paraíso. Fico imaginando a festa que foi preparada para sua chegada.
Tu eras tão útil aqui na Terra, mas o Criador achou que precisava de uma ajudante do teu naipe. Ficamos órfãos de tua presença sempre marcante e festejada. Foste uma amiga ímpar, uma serva de gestos grandiosos.
Quantos, através de tua bondade e amor ao próximo, conseguiram o que desejavam com tanta ansiedade. Amiga, meiga e bondosa, filha exemplar, mãe batalhadora, médica sempre disponível, ajudando os necessitados em coisas quase impossíveis. Sofreste muito. Deus te tenha. Tu não serás esquecida. Deixaste a marca da bondade e do amor ao próximo."

Dra. Elenita e Dr. Elias

A GRATIDÃO DO CAJUEIRO

Rogaciano Leite
Mais de setenta anos marcam hoje a distância do dia em que uma garotinha humilde plantou com a sua "mão ingênua e mansa" uma exuberante castanha de caju nas areias cálidas de Aracati. Naquele gesto havia beleza e carinho, mas nunca, talvez, a esperança de que em futuro muito remoto aquela semente se transformasse em fronde acolhedora, com folhas cariciosas, gordos e saborosos frutos para premiar com a sua gratidão vegetal a mão frágil e pobrezinha que a plantara.
Diferente da ingrata amendoeira de Raul de Leoni, que "ergueu os ramos pelo muro em frente e foi frutificar na vizinhança", o cajueiro plantado pela então garotinha de Aracati, soube reservar todas as suas energias criadoras para fazer com que a hoje velhinha que o plantou recebesse do sr. Ministro da Agricultura um prêmio de dois mil e quinhentos cruzeiros pelo maior caju produzido naquela cidade, por ocasião da festa que o dinâmico deputado Ernesto Gurgel Valente organizou e dirigiu.
E a velhinha, que jamais em toda a sua vida houvesse pegado em tão "volumosa" importância, mandou, com esse dinheirinho, substituir por paredes mais sólidas e telhas de barro a palhoça que vinha ameaçando ruir sobre uma atormentada e esquecida existência de 70 anos.
E talvez a velhinha morra numa estação do ano em que o cajueiro agradecido possa cobrir de flores a mão que o plantou.
Quanta gente, neste mundo, precisaria ter a gratidão do cajueiro de Aracati.
Fonte: Gazeta de Notícias (CE), 11 de janeiro de 1957. Esta crônica foi lida e transcrita nos Anais da Assembléia Legislativa.
Via: http://www.facebook.com/centenariorogaciano.leite.1

MANIFESTO PELA CULTURA NORDESTINA

Por Prof. André Bastos Gurgel
Docente de Análise e Produção de Textos da Faculdade Rodolfo Teófilo
O brasileiro, principalmente o nordestino, é portador de uma doença grave, uma enfermidade que maltrata o intelecto. Trata-se do ‘complexo de vira-lata’! Embora não tenha sido catalogado como uma doença grave, o complexo de vira-lata é altamente contagioso, mas seu conceito e seus sintomas nunca foram descritos na literatura médica. Se o leitor quiser aprofundar-se no tema, deverá primeiramente consultar os escritos do célebre escritor Nelson Rodrigues, que assim o definiu:
“Por ‘complexo de vira-lata’ entendo eu a inferioridade em que o brasileirose coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima.”
Agora que o leitor já está familiarizado com o conceito, deve ter percebido que todos nós sofremos desta enfermidade, e que Nelson Rodrigues, melhor que qualquer médico famoso, descreveu o mal de que padecemos. Afinal, será que valorizamos a nossa cultura nordestina? Qual foi a última vez que lemos uma obra de cordel? Será que somos familiarizados com a riquíssima tradição, com o folclore do nosso estado e dos nossos vizinhos? Será que podemos afirmar que valorizamos nossa cultura só pelo fato de nos vestirmos de ‘caipira’ durante as festas juninas e comermos comidas típicas?
Há países que valorizam suas culturas, pois tem ciência do legado de seu povo. A França divulga sua cultura pela Aliança Francesa; a Itália, pelos Institutos de Cultura Italiana (ICI); a Alemanha e a Espanha, pelo Instituto Goethe e Instituto Cervantes, respectivamente. Até mesmo aqui no Brasil temos os ‘Centros de Tradições Gaúchas’ (CTGs). Agora faço uma pergunta: por que não existe aqui um bem montado centro de tradições nordestinas aqui no Nordeste? A resposta está no nosso complexo de vira-lata!
Pensando nisso, a Faculdade Rodolfo Teófilo (FRT) decidiu criar o Espaço Ariano Suassuna para a preservação e disseminação da nossa cultura. O Espaço foi assim batizado porque não há escritor que tenha expressado melhor a alma do nordestino do que o autor das obras ‘Auto da Compadecida’, ‘Farsa da Boa Preguiça’ e ‘Santa e a Porca’. Ariano Suassuna foi um homem sem igual, que amava sua cultura. Embora respeitasse muito a cultura de outros países, dizia, citando suas próprias palavras, que não trocava seu oxente pelo okay de ninguém.
Dentre as atividades do Espaço Ariano Suassuna teremos:
Teatro: Serão estudadas várias peças de autores nordestinos. No semestre passado, os alunos interpretaram o ‘Auto da Compadecida’. O áudio produzido na ocasião será doado à Sociedade de Assistência aos Cegos.
Literatura de cordel: os alunos lerão obras-primas da literatura de cordel, como por exemplo ‘As Façanhas de João Grilo’.
Literatura e poesia: os participantes aprenderão mais sobre nossos grandes poetas.Além do próprio Rodolfo Teófilo, também vamos estudar Clarice Lispector, Castro Alves, Ariano Suassuna etc. Durante os encontros, os alunos terão oportunidade de aprimorar a arte de declamar e falar em público.
Música: Será estudada a tradição musical do nosso povo, com ênfase em cantores como Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Os alunos serão incentivados a estudar a música popular e folclórica. Também estudaremos as tradições musicais de outros estados nordestinos, incluindo o frevo e o coco.
Pesquisa científica: O ‘Espaço Ariano Suassuna’ também oferecerá subsídios ao aluno que quiser escrever ensaios e desenvolver pesquisas relevantes sobre o Nordeste.
Escrita criativa: Atenção especial será dada ao desenvolvimento de contos, romances e resenhas criativas.
Para participar desse projeto pioneiro, só há um pré-requisito: vontade de livrar-se do complexo de vira-lata e de aprender mais sobre nossa cultura. As aulas serão abertas ao público, podendo participar pessoas de todas as idades, quer sejam alunos da FRT ou não.
As palestras introdutórias ocorrerão remotamente nos dias 10/09/20, às 17h, e 12/09/20, às 14h30. Serão enviados os links para os interessados.
e-mail: andrebgurgel@gmail.com
telefone/whatsapp 99924 7878
site: http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com/2020/09/manifesto-pela-cultura-nordestina.html