MORRE SEU VAVÁ, O GUARDIÃO DOS CINES FAMILIAR E NAZARÉ

"Nesse tempo de grandes corporações e multinacionais dominando os circuitos de exibição no Brasil e em todo o mundo, pensar em seu Vavá, numa luta sem tréguas para manter o seu cinema de bairro, é como pensar em Dom Quixote lutando com os moinhos de vento. Ele nos alimentava com o sonho e o sonho, por pequeno que seja, nesses tempos distópicos, é fundamental para o espírito." ~ Rosemberg Cariry
(Seu Vavá, foto DN)
Faleceu às 15h da última segunda-feira (21), aos 91 anos, o cidadão Raimundo Carneiro de Araújo, Seu Vavá.
No bairro Otávio Bonfim, em Fortaleza, ele cultivou cada milímetro do sonho de manter vivo o seu cinema de bairro. Primeiro, como funcionário do Cine Familiar, dos franciscanos frades da Igreja de N. Sra. das Dores, e depois (1970) como proprietário do Cine Nazaré, um dos últimos cinemas de bairro em Fortaleza.
O Cine Nazaré do Parque Araxá que, entre fechamentos e reaberturas, agora perde seu guardião.
A jornalista Julia Ionele, autora do livro-reportagem "Cine Nazaré - Um cinema vivo" (Inesp, 2020) e vizinha do Vavá, relata:
"Nasci em 1930. Naquele tempo, o Getúlio estava em campanha. Então, nasce o Vavá, eu, primeiro filho do meu pai. Ele, que era político, coloca meu nome de Raimundo Getúlio Vargas. Com pouco, ficou Vavá. Quando eu cheguei na idade de servir ao Exército, fui me alistar. - Cadê sua certidão de nascimento? - Sei nem o que é isso! (risos) Quer dizer: meu pai nunca havia feito meu registro. Aí eu cheguei no cartório, ali na Floriano Peixoto, e me registrei. Morreu o Vavá e nasceu o Raimundo Carneiro de Araújo".
Seu Vavá era católico, responsável por consertar o sino da Igreja de Otávio Bonfim durante décadas. Inclusive foi nessa igreja que ele se casou com Dona Maricota -  o primeiro casamento da Igreja de N. Sra. das Dores.
Era viúvo e deixa três filhas, além de netos.
LINKS
http://www.opovo.com.br/jornal/vidaearte/2018/01/conheca-o-cine-nazare-o-ultimo-cinema-de-bairro-ativo-em-fortaleza.html
http://www.al.ce.gov.br/index.php/ultimas-noticias/item/90074-0807pe01-lancamento-inesp
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/morre-seu-vava-do-cine-nazare-cinema-de-rua-fundado-ha-mais-de-80-anos-em-fortaleza-1.3195477
VÁ PARA O VAVÁ EM LINHA DO TEMPO
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2009/09/no-escurinho-do-cinema.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/10/seu-vava-e-o-acervo-do-cine-nazare.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/10/mudou-o-nazare-ou-mudou-vava.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2015/04/o-vava-do-cine-nazare.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/08/fumaca-nos-olhos.html

CORRESPONDÊNCIA COM LÚCIA

🖹9 de fevereiro de 2022
Conheço o Tarcísio Garcia: pessoa maravilhosa, excelente artista plástico. [1] [2] [3] [4] Foi morador, durante muitos anos - desde menino - da Rua Justiniano de Serpa, no bairro Otávio Bonfim. Ele é tio materno da minha nora que é filha de Fátima Garcia, do blog Fortaleza em Fatos e Fotos, e que administra a página do facebook Fortaleza em fotos. Só agora encontrei esse blog, estando a seguir, cujas postagens estou gostando muito. Mantive o blog Da Cadeirinha de Arruar (Lúcia Bezerra de Paiva) de 2011 a 2016, quando dei uma pausa necessária, mas ele continua lá, com as postagens daquele período. Ontem, compartilhei a matéria "Pílula do Mato" na página do facebook Coisas que o tempo levou, da qual sou a moderadora.
Apareça por lá (blog e página), Dr. Paulo Gurgel.
Um abraço.
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🖹20 de fevereiro de 2022
Vou aparecer, Lúcia.
🖌De/sobre Tarcísio Garcia:
[3] Igreja de N. Sra. das Dores em Otávio Bonfim (pintura em óleo sobre tela)
[4] Torre do relógio da Igreja N. Sra. das Dores (desenho com bico de pena)

MEMÓRIA. PRAIA DE ARPOEIRAS

No período de 2000 a 2002 fui instrutor dos Cursos de Capacitação em Diagnóstico, Tratamento e Ações de Controle da Tuberculose promovidos pela Secretaria de Saúde do Ceará (SESA). Tendo como público-alvo os médicos e enfermeiros das Equipes de Saúde da Família das Microrregionais de Saúde, esses cursos eram organizados pela Enf.ª Joilda Pessoa Furtado, da Célula de Atenção à Saúde do Adulto e do Idoso, e contava com a colaboração da Dra. Creusa Lima Campelo, farmacêutica e bioquímica do Laboratório Central.
Tínhamos à disposição para os nossos deslocamentos aos locais dos cursos um carro oficial da SESA com motorista. Partíamos de madrugada e voltávamos ao entardecer do segundo dia. Para a realização de cada curso contávamos também com o apoio local de funcionários da microrregião e dos municípios. Levamos a termo 24 edições desses cursos que duravam em média dois dias.
No caso de microrregiões mais distantes (como o Cariri, por exemplo), utilizei-me de aviões comerciais para meu deslocamento.
Em Acaraú, município do litoral oeste do Ceará, que dista de Fortaleza 274 Km (por Itapipoca) e 244 (pela via estruturante), o curso foi realizado nos dias 10 e 11 dezembro de 2001. Com 89 participantes, um dos quais sendo um colega de turma, Emanuel Ponte, que prestava serviços médicos na região e há décadas não nos víamos.
Ficamos hospedados no Hotel Municipal.
Acaraú
É uma região de belezas naturais banhada pelo mar e pelo Rio Acaraú, o segundo maior rio do Ceará. Trata-se de um lugar com bastante história ao longo de sua existência como cidade, cuja data de fundação oficial é 31 de julho de 1849. porém sua origem como aldeamento remonta ao início do século 17, quando os portugueses usaram seu território como ponto de apoio contra a ocupação francesa no Maranhão. Acaraú é uma cidade de médio porte com 34 km de litoral. Suas praias principais são: Praia da Barrinha, da Volta do Rio, do Monteiro, de Arpoeiras, de Aranaú e do Espraiado.
Praia de Arpoeiras
Aproveitando um tempo livre (cerca de 2 horas) em que a programação do curso estaria sendo tocada por Joilda e Creusa, acertei uma corrida de mototáxi. E fui conhecer a Praia de Arpoeiras, considerada a segunda praia mais seca do mundo. Essa característica deve-se ao movimento das marés. Quando a maré baixa, deixa uma larga faixa de areia com 2 km de distância do mar e cheia de piscinas naturais. E, quando a maré sobe, a faixa de areia então se restringe ao trecho em que estão as barracas. Arpoeiras fica a 10 km do centro de Acaraú.
Vídeo postado há 5 anos sobre a Praia de Arpoeiras:

VAIA AO SOL EM FORTALEZA COMPLETOU 80 ANOS

O Ceará celebrou, no domingo passado (30/01/2022), os 80 anos do episódio da vaia ao Sol, "um dia registrado na história do Estado", como descreve o memorialista Miguel Ângelo Azevedo, o Nirez.
De acordo com Nirez, em 30 de janeiro de 1942 um grupo de cearenses reunidos na Praça do Ferreira, no centro de Fortaleza, esperavam ansiosamente o início de uma chuva enquanto observavam nuvens carregadas de água.
De repente, o sol apareceu e, como todo mundo esperava a chuva, o astro-rei levou aquela vaia, que ficou registrada entre os causos do Ceará, virou tema de peça de teatro e é contada até hoje em piadas pelos humoristas do Estado.
"iiêêêii"
Seja como protesto ou só para "frescar", a vaia cearense se tornou um patrimônio imaterial do Estado. Diferente das vaias comuns pelo Brasil afora, um "uuhh" que não tem o mesmo impacto e significado de um "iiêêêii". (Jornal O Povo)
http://g1.globo.com/ceara/noticia/2012/01/vaia-ao-sol-completa-70-anos-nesta-segunda-feira-no-ceara.html
http://twitter.com/opovo/status/1487821929058811906

MEDICINA CEARENSE DE LUTO. FALECIMENTO DO DR. ROBERTO MISICI (21/04/1947 - 01/02/2022)

É com profunda consternação que informo o falecimento, na tarde de hoje (1.º), do meu amigo e colega Roberto Misici.
Filho de Emidio Misici e Letizia Albertina Botelli Misici, Dr. Misici nasceu na cidade de Milão, na Itália, em 21/04/1947.
Veio para o Brasil com seus pais, aos 8 anos de idade, radicando-se em Fortaleza.
Fomos colegas no Colégio Cearense do Sagrado Coração (no ciclo ginasial)[1] e na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (na turma que ingressou em 1966 e concluiu em 1971).
Em 1970, Roberto Misici naturalizou-se cidadão brasileiro. Foi fundador do Instituto di Cultura Italiana di Fortaleza em 1998 e Vice-Cônsul Honorário da Itália, em Fortaleza-CE, de 1997 a 2015, e a partir deste ano até 1998 foi promovido pela Embaixada da Itália a Cônsul Honorário.
Especializou-se em coloproctologia, tendo exercido esta especialidade na Santa Casa de Misericórdia e na clínica privada. Também foi docente da Universidade de Fortaleza e da Faculdade Integrada do Ceará.
Em 2014, tomou posse na cadeira de n.º 2 da Academia Cearense de Medicina, que tem como patrono o médico Dr. Moura Brasil.[2] Ocupava o cargo de Diretor Científico deste sodalício.
Tive a honra de fazer a apresentação oral de "Da Milano a Fortaleza", seu livro de crônicas e ensaios sobre a ópera, a religiosidade e a medicina. Roberto Misici lançou esta obra em 16/10/2021, no encontro em que comemoramos os 50 anos de nossa formatura.[3]
Dr. Roberto Misici era casado com a Sra. Veula Misici com que teve os filhos Dra. Mirella Pinheiro Misici (fisioterapeuta) e Dr. Emidio Giuseppe Pinheiro Misici (psicólogo).
Riposa in pace, amico mio.
Webibliografia
http://jornaldomedico.com.br/2022/02/medicina-enlutada-roberto-misici
http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com/2022/02/pesar-pelo-falecimento-do-dr-roberto.html
[1] http://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/08/irmao-abdon.html
[2] http://gurgel-carlos.blogspot.com/2014/04/posse-de-roberto-misici-na-acm.html
[3] http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/10/da-milano-fortaleza.html
As exéquias do Dr. Roberto Misici, segundo informações do seu filho Emídio, acontecerão amanhã, dia 2/02/2022 (quarta-feira), na Funerária Ethernus, com velório das 8h30 às 14h. A missa de corpo presente será às 14h e, em seguida, se dará a saída do cortejo fúnebre para o sepultamento do corpo do ilustre companheiro.

CARTOGRAFIA MUSICAL DE FORTALEZA

Paulo Gurgel Carlos da Silva
Mucuripe
"Falta de luz" (1960) - Irapuan Lima e Mario Filho, gravada por José Lisboa
Falta de luz / É bom pra namorar / Mas depois disso / Nem é bom falar / A usina lá do Mucuripe Todo mês tem gripe / Não quer mais funcionar.
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/03/falta-de-luz.html
"Mucuripe" - Fagner e Belchior, gravada por Elis Regina, Roberto Carlos e pelo próprio Fagner
As velas do Mucuripe vão sair para pescar / Vou levar as minhas mágoas pras águas fundas do mar / Hoje à noite namorar / Sem ter medo da saudade / Sem vontade de casar.
http://youtu.be/Qs96sm4gV7E
"Vive seu Mané chorando" - Luiz Assunção, gravado pelo Trio Nagô (1955)
"Numa festa lá na Lapa / A Maria foi dançar / Arranjou um namorado / E dessa vez não quis voltar."
A letra sofreu uma alteração, talvez para ser mais divulgada no Sudeste. Onde há "numa festa lá na Lapa", leia-se: " numa festa em Mucuripe"  (Luciano Hortencio).
http://youtu.be/9Uq8pEBZh34
Praia de Iracema
"Adeus, Praia de Iracema" - Luiz Assunção
"Adeus, adeus / Só o nome ficou / Adeus, Praia de Iracema / Praia dos amores que o mar carregou."
"Praia de Iracema" - Waldemar Ressureição, gravada por Ari Lobo (1974)
"Nossa rainha da beleza, Fortaleza / O mar ficou devendo ao Ceará."
http://youtu.be/gqUQze8G5MQ
Praia do Futuro
"Maria do Futuro" - Taiguara, gravada por Fagner e pelo próprio Taiguara
Duna branca, lua imensa /Maria deita / Nua e branda como as nuvens / Que a lua enleita.
http://youtu.be/6HBdV5ih17U
"Terral" - Ednardo, gravada por Ednardo
A Praia do Futuro / Farol velho e o novo / Os olhos do mar / São os olhos do mar / São os olhos do mar / O velho - que apagado / O novo - que espantado / Vendo a vida, espalhou / Luzindo na madrugada / Nossos corpos suados / E à praia fazendo amor. 
(em construção)



MÚSICAS PARA FORTALEZA 
Projeto de um grupo de pesquisadores coordenado pela professora Sílvia Helena Belmino da Universidade Federal do Ceará. 
Mapeia cerca de 200 músicas inspiradas em lugares de Fortaleza e cria aplicativo (*), álbum de figurinhas e livro. 
Fonte: Diário do Nordeste, edição eletrônica de 25/01/2022. Reportagem de Roberta Souza. 
(*) O aplicativo está gratuitamente disponível na Play Store para a plataforma Android.

MENSAGEM DE PESAR PELO CONFRADE DR. PEDRO HENRIQUE SARAIVA LEÃO

Confrades e confreiras,
O Dr. Pedro Henrique Saraiva Leão foi meu professor na Faculdade de Medicina e, tempos depois, colega no Departamento de Cirurgia da UFC. Foi, porém, na Academia Cearense de Medicina que nos estreitamos a amizade. Tornamo-nos grandes amigos. Tive o privilégio de dar carona para as reuniões da Academia. Foi uma oportunidade de ouro para conversarmos, especialmente sobre literatura. Culto e erudito. Falava, lia e escrevia em várias línguas.
Gostava da palavra, brincava com elas. Leitor habitual desde jovem. Tinha o dom da sabedoria, via-se nele o pendor pelas coisas divinas. Quando caminhava na Praça das Flores, fazia uma pausa diante da cruz e rezava o Pai Nosso. Era temente filial a Deus!
Seu lavor médico viverá na memória daqueles que receberam a assistência através das suas mãos. Li quase toda a sua obra literária. Esta será imortal, que o diga a sua biobibliografia de altíssima qualidade. Perdemos um grande confrade em pleno exercício da presidência da nossa agremiação. Com o agravamento da doença, estava pressentido o desenlace, mas a gente sempre espera um milagre de Deus. O milagre não veio, e estou triste e com muita saudade do meu amigo Pedro Henrique Saraiva Leão.
Que Deus o receba em seu Reino de Glória e conforte a sua família.
Graça e Paz!
Sebastião Diógenes e Erineide

Pedro Henrique Saraiva Leão (Fortaleza, 25 de maio de 1938 - Fortaleza, 21 de janeiro de 2022), médico coloproctologista, professor universitário, poeta e ensaista. Criou o primeiro clube de ostomizados no Brasil (trazendo a ideia e o formato desse clube de Londres, onde cumpriu estágio). Sua obra "Câncer nos Cólons e no Reto: Mesmos e Outros Aspectos" foi escolhida o Livro do Ano de 1986, na área científica, pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Foi presidente da Academia Cearense de Letras (ACL), da Academia Cearense de Medicina (ACM) e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames). Escreveu "12 poemas em inglês". Fortaleza: Imprensa Universitária, 1960; "Ilha de Canção". Fortaleza: Edições UFC, 1983; "Concretemas". Fortaleza: Xisto Collona Editor, 1983; "Poeróticos". Fortaleza: Nação Cariri, 1984; "Meus Eus". Fortaleza: EDUFC, 1995; "Trivia". Fortaleza: EDUFC, 1996; "Dicas para um jovem poeta". Fortaleza: Poetaria, 1998; "Poesia concreta no Ceará". Fortaleza: Poetaria, 2001; "As plumas de João Cabral". Fortaleza: Poetaria, 2002;"Circunstâncias". Fortaleza: Poetaria, 2003.

BAIRROS DE FORTALEZA

Nascido em Teresina - PI, o cantor e compositor Carlinhos Palhano recebeu o título de Cidadão Fortalezense por tantas músicas que fez falando de nossa cidade.


A ESCRITURA POLIMORFA DE J.B. SERRA E GURGEL

por BARROS ALVES *
Nunca é demais repetir que o nosso Ceará é berço de nomes exponenciais da cultura brasileira, tendo doado ao cenário nacional e internacional nomes que ontem como hoje se alteiam nas lides das artes e das letras. Algumas dessas personalidades dão contribuição imensa ao fazer literário nacional e imortalizam-se não pelo fato de serem consagrados pela imortalidade acadêmica, que, na verdade, em não raros casos serve apenas para atiçar vaidades; mas, sobretudo, pela produção intelectual que se insere como registro imorredouro no corpus cultural do País. Quase sempre a comunicação de massa exercitada pelas grandes mídias, passa ao largo de importantes nomes do cenário literário, sobretudo quando suas preocupações prendem-se a aspectos regionais deste País continental. Mas, esse olhar regional é pleno de universalidade, porque jamais haveria o todo sem as partes, notadamente quando se trata de compreender da formação cultural de um povo.
J. B. Serra e Gurgel é um desses escritores preocupados com a perenização do "rio da sua aldeia", para lembrar o verso pessoano, exatamente porque o rio que corre em sua aldeia é o mais belo e contém um poder de permanência que transcende o tempo. Sertanejo nascido nos sertões de Acopiara bateu pernas por esse Brasil afora, e desde o Seminário do Crato, passando por Fortaleza até o Rio de Janeiro e Brasília, palmilhou caminhos adustos e tapetes palacianos, cavalgando os sonhares de sua gente e construindo uma obra múltipla e polimorfa não apenas na seara bibliográfica, mas na ação cotidiana que forja uma biografia assentada na solidariedade e na fidelidade aos valores que consolidam o sentido de cidadania sem adjetivações.
O jornalista, cronista, dicionarista e memorialista J. B. Serra e Gurgel, fincou raízes na capital federal, mercê das responsabilidades profissionais que assumiu e na rede de amizades que o jungiu a plagas distantes do seu Ceará. Todavia, o sentimento telúrico jamais o abandonou um só momento, refletindo-se de forma poderosa em suas obras, que têm jeito e cheiro de Brasil, mas, sobretudo, cheiro de Nordeste, de Ceará, de sertão. O seu "Dicionário de Gíria – Modismo Lingüístico, o Equipamento Falado do Brasileiro", já em 9ª edição, é uma obra extraordinária resultante de pesquisa beneditina e, certamente, de esforço hercúleo, porque para a consecução de tão pujante e completa obra sobre o falar do povo, necessário se faz não apenas felina capacidade de observação, dedicação, persistência, mas um verdadeiro esforço físico e intelectual que debilitaria qualquer um que não tivesse determinação, fortaleza, resiliência.
Mais recentemente, J. B. Serra e Gurgel, em suas lides como voluntário na Casa do Ceará em Brasília, não permite tréguas ao seu desiderato de pesquisador e escritor. Publicou registros biobibliográficos e memórias da maior importância para a história do Ceará e do seu torrão natal, em especial. Na obra "Nas Terras do Senhor Meu Rei", publicada em dois volumes, ele discorre com proficiência sobre a vida ilustres personagens que, igualmente o Ashaverus da tradição judaica, deixaram o Ceará para construir onde se assentaram na capital federal, com a argamassa do espírito e muito trabalho, verdadeiros edifícios de cearensidade, num exercício pleno e profícuo de adaptação sócio-cultural.
Em "Nas Terras do Senhor Meu Pai", um repositório de relembranças, desfilam pessoas, coisas, fatos, episódios da sua amada Acopiara, que o memorialista resgata com um grande sentido de pertencimento à gleba que o viu nascer. É como se aquela cidade ainda acanhada, aquele povo pouco citadino, com jeito de indisfarçável ruralidade onde perdura o acolhimento, aquele calor permanente que envolve terra e povo, seja a seiva com que J. B. Serra e Gurgel fala amorosamente de sua gente e dos seus primitivos pagos nos sertões da Acopiara, sempre bela e carinhosa para o olhar amante do poeta ausente de corpo, mas sempre conduzindo a amada no coração, na mente, na alma.
* Este artigo foi publicado em O ESTADO de 22/12/2021. O autor é jornalista, poeta e assessor parlamentar.
N. do E. José Sampaio de Lacerda Jr. e Fernando Gurgel Filho escreveram comentários.

CASAMENTO DE LARISSA E DAVID

A cerimônia de casamento de Larissa e David, ela - filha de Fernando Adeodato Junior e Márcia Gurgel Carlos Adeodato, e ele - filho de Durval Roberto Carvalho Ximenes de Aragão (em lembrança) e Maria Lucineide Gomes de Albuquerque, será realizada hoje (7), às 19h30, na Capela Christus Filius Dei, na Rua Silva Paulet, 1654, Meireles, Fortaleza - Ceará.
Após a cerimônia, os convidados serão recepcionados no Ilmar Gourmet, na Rua Luiza Miranda Coelho, 1111, Engenheiro Luciano Cavalcante, Fortaleza - Ceará.
Minha sobrinha Larissa é médica veterinária graduada pela UECE, com especialização em fisioterapia animal. David é neto do médico e escritor Caetano Ximenes Aragão. Tive a honra de privar da amizade deste inesquecível colega e de estar com ele em várias antologias de prosa e poesia que, na década de 1980, foram publicadas pela Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, seção do Ceará.
08/01/2022 - Atualizando a postagem com foto:
"Champagne, per brindare all'amore."

NATAL DE 2021 E ANO-NOVO

13/12/2021, às 19h - Confraternização natalina e posse dos novos membros da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames-CE), no Auditório térreo da Unichristus (Campus Parque Ecológico), na Rua João Adolfo Gurgel, 133 - Cocó, quando foram empossados os sócios titulares Drs. Charles Jean Gomes de Mesquita, Henrique Leal Cardoso, Margareth Amaral Medeiros, Melissa Soares Medeiros e Ronald Campos Teles da Silva, a sócia acadêmico Rita de Cássia Soares e o sócio benemérito Dr. André Bastos Gurgel.
Discursaram na ocasião Marcelo Gurgel, Arruda Bastos, José Maria Chaves, Walter Miranda e o Magnífico Reitor da Unichristus Prof. José Rocha e, em nome dos novos sobramistas, Margareth Amaral, Ronald Teles e André Gurgel. No final da solenidade, Paulo Ferreira interpretou a capella uma canção cristã.
No terraço do auditório foi servido um coquetel aos participantes. E o encontro foi uma excente oportunidade para revermos antigos colegas da Sobrames Ceará.

Da esquerda para a direita: Dr. André Bastos, Dr. Paulo Gurgel (eu), Dr. Marcelo Gurgel e Dr. Arruda Bastos, presidente da Sobrames Nacional e da Regional do Ceará. Dra. Angelita, esposa de meu irmão Marcelo Gurgel, fez o registo fotográfico acima.

24/12/2021 (manhã) - Encontro e sessão de fotografias com a matriarca Elda (91 anos) no apartamento de minha irmã Magna. Todos os irmãos estavam presentes, além de quase todos os cônjuges.

24/12/2021 (tarde) - Almoço da véspera de Natal no apartamento do cunhado Francisco Moacir. Sua esposa, Maristane Macedo, me presenteou com o livro "Redentor", de Rodrigo Alvarez, pela Globo Livros. Trata-se da biografia do Cristo de braços abertos, ilustre morador do Corcovado, orgulho do Brasil, maravilha do mundo.

26/12/2021 (noite) - Jantar com Elba, a filha Natália e a família de Rodrigo, seu esposo, no restaurante Depot Medieval (um lugar para imergir nas fantasias da Idade Média), na Cidade dos Funcionários. Encontrei com o sobrinho Leo acompanhado da família.

28/12/2021 (manhã) - Batizado do neto Renan Macedo Soares na Igreja N.S. do Líbano. Recepção dos convidados no Vivacité Bistrô.

31/12/2021 - Ano-Novo em casa (com a esposa e um neto). Outorgados os poderes de diversão a Natália e Rodrigo para o réveillon no Floresta Bar.

UMA PROVA ORAL DO BOÊMIO PAULA NEI

Falando sobre boemia, não se pode deixar de falar sobre Paula Nei, que foi seguramente maior boêmio que o Brasil conheceu, até os dias de hoje.
Nasceu em 1858 em Aracati, Ceará. Fez os estudos primários e secundário nos Educandários de Fortaleza e Recife, onde já começara a ficar conhecido como "blaguer" incomparável e orador primoroso.
Em 1876 embarcou para o Rio, para a Corte Imperial, trazendo pouco dinheiro, mas uma tremenda inteligência. Tinha 18 anos. Em 1877 requereu e obteve matrícula na Faculdade de Medicina.
Nos dois primeiros anos de Faculdade, ainda levava a sério os estudos, porém como a mesada enviada por seu pai era escassa, resolveu também dedicar-se ao jornalismo, para ganhar algum dinheiro extra que o ajudasse a manter-se. Conseguiu um lugar de repórter na GAZETA DE NOTÍCIAS, onde também trabalhava como redator José do Patrocínio, que mais tarde ficou conhecido como "O tigre da abolição".
Aqui começa praticamente a vida boemia de Paula Nei. Começou a frequentar as rodas boemias da época que se reuniam nos cafés e bares localizados na Rua do Ouvidor, como a "Pascoal,", "Castelões", "Deroche", isto de dia e à noite na "Maison Moderna" e "Coblentz", e mais tarde na Confeitaria Colombo, na Rua Gonçalves Dias.
Agora vejamos quem eram seus companheiros de boêmia do dia a dia e noite a noite! Olavo Bilac, o principe dos poetas brasileiros, Coelho Neto, Guimarães Passos, Artur da Azevedo, Aluizio de Azevedo, Luiz Murad, todos grandes escritores e teatrólogos, e ainda o fabuloso trocadilhista Emílio de Menezes e outros.
Com essa vida boêmia que levava, começou a relaxar nos estudos de medicina. Ia às aulas uma vez por semana e olhe lá. Na época de provas contava com sua inteligência fora do comum para safar-se. Vejam agora, para vocês terem ideia do que acabo de escrever, uma das grandes pilhérias de Paula Nei.
Visconde de Saboia (WIKI)
Época de provas. Como sempre a sala cheia, e as galerias também, pois quando Paula Nei ia fazer provas ninguém queria perder o espetáculo pois sabia-se que ia sair alguma "blague".
O professor, o Visconde de Saboia (cearense de Sobral), chamou Paula Nei, e mandou que ele retirasse o ponto, a fim de que ele dissertasse sobre a matéria. Paula Nei, levantou-se foi na banca examinadora e retirou o ponto. Abriu-o e viu logo que estava fraquíssimo naquela matéria. Verbo fácil, invejável dicção, começou: — "Nos mares procelosos da ciência humana, às vezes as mais lúcidas inteligências se debatem e vão ao fundo..."
Aí, o Visconde de Saboia, interrompeu-o e perguntou-lhe: — "Sr. Paula Nei, já que o Sr. quer fazer dissertação literária extra-ponto, diga-me uma coisa, e faça-me o favor de dizer o que seria da ignorância se a inteligência naufraga?"
Rápido como um relâmpago, Pauta Nei, fulminou o professor com essa resposta à queima-roupa:
—"ESSA BOIA, senhor Visconde!"
O professor, Visconde de Saboia, deu-lhe um tremendo ZERO, e mandou-o retirar-se da sala, enquanto explodia pela sala uma tremenda gargalhada de todos os presentes.
Fonte: “Estória de Boemios e Outras Estórias” - 1978
Autor: Helio de Oliveira Santos

ONDE ESTÃO OS BOTECOS DE FORTALEZA?

Dr. Paulo,
Cadê os botecos de Fortaleza tipo POMBO CHEIO, CIRANDINHA e, verdadeira panaceia para bebedeira, a sopa de peixe do ALFREDO etc? Confesso que um dos meus favoritos era a BOATE E CHURRASCARIA MADRUGADA (cabia no meu orçamento), um som muito louco, mulherada muito animada e fácil além da singularidade de ser um dos raros ambientes realmente democráticos à época em Fortaleza: encontrava-se de tudo (T U D O) de cidadãos de boa nomeada a trabalhadores braçais e reparem: nos anos 60/70, quando muita gente repudiava imiscuir-se (ou misturar-se como diziam) com pessoas mais humildes, um verdadeiro Templo do BENZETACIL para os mais afoitos. Achava mais divertido o bar do "seu" Chico, perto de casa onde após 22h a bebedeira estava no seu auge, portas trancadas e violões afinados, repertório e seresta programada até que um abestado colega de farra inventou de ganhar na Loto e comprou o boteco. Quebrou em 3 meses. Abaixo uma ODE AOS BOTECOS DE SÃO PAULO que meu amigo e vizinho de Bairro, Breno Augusto dos Santos, me enviou e uma belíssima "trinklied" (La Traviata) ou música de bebedeira.
Jaime Nogueira
1 - 'Rainha dos Aperitivos', A JURITI é boteco de verdade com petiscos-raiz desde 1957, por Marcos Nogueira (02/12/2021)
Estacionado no tempo, bar é instituição no Cambuci com batidas, linguiça na brasa e rã à milanesa.
Onde: R. Amarante, 31, Cambuci, região central
Contato: Tel. (11) 3207-3908
[...] Quem traz tudo isso à mesa (rã, ostra, mexilhão, pastel, chouriço, ovos de codorna, picles, torresmo, lula, manjuba, ricota defumada, gorgonzola, frango a passarinho, coxinha, azeitonas e roll mops, que são sardinhas em escabeche com cebola) é o Gibinha, é o Zé, são funcionários com história quase tão longa quanto o próprio bar. O garçom Bigode, querido pelos clientes, não resistiu à Covid: sua morte gerou justa comoção entre os frequentadores.
Também na pandemia, disseram que A Juriti tinha fechado de vez. Era fake news, felizmente.
A Juriti está aberta, mas não até muito tarde. É um bar velho, de velhos, com garçons velhos e comida antiquada, o aviso está dado. Vá cedo.
E não se ofenda quando começarem a empilhar as mesas e baixar a porta de enrolar enquanto você ainda tem o copo cheio. A noite pode ser uma criança, mas A Juriti não é.
2 - LA TRAVIATA
Jaime,
A noite em Fortaleza continua sendo uma criança, mas eu não. Ainda que eu vá escapando da sina de virar uma juriti de canto triste. "Libiamo ne lieti calici".
Paulo Gurgel

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DE BENÍCIO

Ontem à noite, meu neto Benício Viana Gurgel, filho de Érico e Aline, teve o seu primeiro ano de  existência comemorado no salão de festas do edifício em que eles moram.
Abaixo inseri duas fotos da sessão de smash the cake - - - uma prévia do aniversário.

MEMÓRIA. AÇUDE DO CEDRO E SERRA DO ESTÊVÃO

Em julho de 1997, viajamos a passeio para Quixadá. Após percorrermos a sede do município, fomos conhecer o Açude do Cedro, localizado a 6 quilômetros de distância.
É um belo reservatório de água, esta obra que resultou de uma ordem de construção dada por D. Pedro II, porém que só saiu do papel nos primeiros governos republicanos do Brasil, entre os anos de 1890 e 1906.
Um detalhe que desperta a curiosidade dos visitantes é a vista proporcionado pela pedra da Galinha Choca. Elba e nossos filhos Érico e Natália ficaram encantados com aquele imenso monólito que evoca a imagem de uma enorme galinha no choco.
No pequeno restaurante à beira do açude, saboreamos uma vistosa tilápia assada com baião de dois e  refrigerantes. E o calor já começava a ficar insuportável.
Foto de Fábio Barros (free for all use). Parede principal do Açude do Cedro e Pedra da Galinha Choca, Quixadá, Ceará, Brasil.
À tarde, nós tomamos o rumo da Serra do Estêvão. Uma pequena cadeia montanhosa, com aproximadamente 24 km de comprimento por 10 km de largura, que se distribui pelos territórios de Quixadá e Choró (principalmente no primeiro município). É nesta serra que se localiza o ponto culminante do município de Quixadá, com 755 m de altitude.
A 20 km de Quixadá, no distrito de Dom Maurício, estivemos visitando a Casa de Repouso São José. Funcionando anexo ao Mosteiro de Santa Cruz, a Casa de Repouso tinha um mobiliário modesto (com quartinhas no criado-mudo) e adotava rigorosas regras de silêncio.
Como o tempo não estava nem um pouco ameno por lá, nossa viagem prosseguiu em busca do frio de Guaramiranga.
(vídeo recente)


Atualização ...
Em dezembro de 2021 (18), a edição impressa do jornal "O Povo" publicou esta reportagem de capa:
Açude do Cedro: o primeiro reservatório do Brasil está seco
Sem água, o açude não sangra desde 1989. O chão rachado abriga um "cemitério de peixes", que morreram quando as águas do açude secaram. Há mais de 10 anos, o Açude do Cedro já não disponibiliza suas águas para o abastecimento de Quixadá. As águas que chegam ao município são transportadas do Açude Pedra Branca, localizado a 37 km da sede municipal. Apesar de sua importância histórica, o reservatório perdeu a relevância hídrica.
Foto: Julio Caesar

CASAMENTO DE ROBERTA E RENAN

A cerimônia de casamento de Roberta e Renan, ela - filha de Francisco Ronaldo de Albuquerque Lima Filho e Denise Maria Macedo Pinto, e ele - filho de Geraldo Lopes da Silva e Maria de Fátima Lopes da Silva, será realizada hoje (5), às 16 horas, no Buffet La Maison, Av. Eng. Luís Vieira, 555, Papicu, Fortaleza, Ceará.
Após a cerimônia, os convidados serão recepcionados no local.
06/12/2021 - Atualizando a postagem com a inserção desta fotografia:

O DIABO A QUATRO

Fazer o diabo a quatro significa fazer coisas espantosas, causar grande confusão, provocar balbúrdia etc. Origina-se essa locução dos autos medievais quando, para atemorizar ao máximo os espectadores, ao invés de um só personagem fazendo o papel do diabo, vinham quatro. Fiquemos acertados sobre o seguinte:
Se as diabruras eram pequenas, dois deles em cena já bastavam. Mas, para se criar um completo pandemônio, aí só com quatro diabos.

Em italiano: fare il diavolo a quattro; em francês: faisaient le diable à quatre.
Blog EM, 12/02/2010
Em 22/11/2021, Ana Margarida Arruda Rosemberg disse...
Parabéns, pela postagem!
Para ilustrar compartilho um depoimento oral do tio Ananias. Entrevista concedida ao papai, Miguel Edgy, no final da década de 1970.
Abro aspas para o tio Ananias:
"Eurico Arruda fundou um jornal com o Júlio Severiano - o jornal "O momento" . Tive a ideia de fundar um jornal católico. Fui ao monsenhor Manoel Cândido que falou da tipografia do Joaquim Matoso, do antigo jornal "O município". Disse que ia conseguir a tipografia emprestada. A VERDADE foi fundada em abril de 1917".
Obs: segundo outras fontes, o nome do Jornal de Eurico Arruda era: "O DIABO A QUATRO.

OS ARRUDAS DE BATURITÉ arquivo PDF (p.106)

A JANGADA ESMERALDA

Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros; Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas. Onde vai a afouta jangada, que deixa rápida a costa cearense, aberta ao fresco terral a grande vela? Onde vai como branca alcíone buscando o rochedo pátrio nas solidões do oceano?
(José de Alencar, in: "Iracema")

Minha jangada de vela
Que vento queres levar?
Tu queres vento de terra
Ou queres vento do mar?

(Juvenal Galeno, in: "A Jangada")


Descrição da jangada
Uma base em granito preto correspondendo às tábuas de uma jangada. Numa de suas bordas está escrito com letras brancas: FORTALEZA - FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (1).
Sobre a base da jangada, assentam-se:
- Um triângulo escaleno de acrílico na cor verde, o qual representa de um modo estilizado a vela de uma jangada. O triângulo ostenta as fotos em preto e branco de 95 dos formandos de medicina (2) do ano de 1971, vestidos de beca e com boina. No vértice mais elevado do triângulo há também uma imagem do bastão de Esculápio, o símbololo da medicina.(3)
- Uma estatueta em bronze, a qual reproduz a célebre cena do médico abraçado a um paciente a protegê-lo da ceifadora de vidas.
- Uma placa de cor grafite, na qual está escrito verticalmente com letras brancas vazadas: MÉDICOS DE 1971.
(1) algumas das palavras estão abreviadas;
(2) supõe-se que 2 colegas não providenciaram as fotografias a tempo;
(3) uma cobra enrolada a um bastão ou cajado é o símbolo da medicina, que nos remete ao semideus grego Asclépio (Esculápio, entre os romanos). Na Grécia antiga, ele tinha templos em sua homenagem onde os doentes eram levados para serem tratados. E cobras ficavam em torno desses templos por serem consideradas benéficas aos doentes.
Confeccionada em 1971 para a nossa colação de grau, a jangada acompanhou a turma de médicos em alguns de nossos encontros nos últimos 50 anos. Mas não esteve presente no encontro de 2021 devido à deterioração então alcançada pelo objeto. Foi nesse encontro, em palestra dedicada aos colegas inesquecíveis, que fiz uma comparação da nossa jangada com o navio de Teseu. 
Por séculos mantido como um troféu no porto de Atenas, o navio de Teseu fazia uma navegação anual para Creta a fim de reencenar a viagem vitoriosa. Quando o tempo começou a corroer a embarcação, seus componentes foram substituídos um por um - novas pranchas, remos, velas - até que nenhuma peça original permanecesse. A ponto de Plutarco perguntar se ainda era o mesmo navio.
E deste escriba também perguntar: se ainda é a mesma jangada? Com algumas tábuas a menos, por não haver como substituir aquelas que foram perdidas no enfrentamento às vagas impetuosas, ainda é mesma jangada da vela esmeralda que continua a singrar, não as águas do mediterrâneo Egeu, mas os verdes mares bravios da nossa terra natal, etecétera e tal.

MEDROSO DE AMOR

Na bela Paris, em algum dia do ano de 1894, o pianista cearense Alberto Nepomuceno (1864 -- 1920) musicou o poema "Medroso de Amor", de seu conterrâneo, o poeta e folclorista Juvenal Galeno (1836 --1931). Na união das competências de dois nacionalistas o resultado não poderia ser outro: a brasilidade da obra.
No poema aparentemente ingênuo, até brejeiro, Juvenal Galeno, realça as virtudes de um tipo genuinamente brasileiro - a moreninha - que habitava o imaginário popular da época com seu poder de seduzir, definitivamente, pelo sorriso meigo e olhar apaixonado. 
Embora fosse músico erudito, Nepomuceno defendia com unhas e dentes a língua portuguesa. Ficou famosa uma frase supostamente a ele atribuída - "Não tem pátria um povo que não canta em sua língua"."Medroso de Amor" se destaca na vasta obra de Nepomuceno por ser uma de suas primeiras incursões no universo popular.
Nesta obra o músico cearense parece ir buscar elementos rítmico-melódicos da modinha, estilo musical romântico bastante popular no Brasil na metade do século XVIII e que teve como grande nome Domingos Caldas Barbosa, um descendente de escravo que fez grande sucesso na corte portuguesa do século 18. A música chegou a merecer análise de Mário de Andrade em "Ensaio Sobre a Música Brasileira".
http://www.drzem.com.br/2013/02/belos-poemas-que-viraram-musicas.html
Em 1968, Nara Leão gravou "Medroso de Amor", apoiada em arranjos de Regis Duprat, uma versão modernizada, sem as impostações líricas da maioria das versões interpretadas por sopranos:

Em 2008, "Medroso de Amor" foi interpretada pela soprano Patrícia Endo com o aconpanhamento do pianista Dante Pignatari:

O VESTIBULAR EM QUE CAIU CECÍLIA MEIRELES

O vestibular que nos levou à admissão na Faculdade de Medicina da UFC constou de cinco provas aplicadas em dias separados: 
Física, Química, Biologia, Português e Inglês.
Cada candidato, portanto, teria que matar cinco leões. De olho no desempenho geral dos gladiadores, pois havia cerca de oitocentos candidatos para as cem vagas da Medicina.
Surpreendendo os candidatos com o poema SURPRESA, o processo seletivo de 1966 ficou conhecido como "O vestibular da Cecília Meireles". Não era frequente em competições do tipo a escolha de uma poeta da Segunda Geração do Modernismo (*) para a análise literária pelos candidatos.

SURPRESA

Trago os cabelos crespos de vento
e o cheiro das rosas nos meus vestidos.
O céu instala no meu pensamento
aos seus altos azuis estremecidos.

Águas borbulhantes, árvores tranqüilas
vão adormentando meus tempos chorados.
E a tarde oferece às minhas pupilas
nuvens de flores por todos os lados.

Ó verdes sombras, claridades verdes,
que esmeraldas sensíveis hei nutrido,
para sobre o meu coração verterdes
mirra de primaveras e de olvidos?

Ó céus, ó terra que de tal maneira
ardente e amarga tenho atravessado,
por que agora pensais com tão fino cuidado
vossa mansa,calada, ferida prisioneira?

Cecília Meireles
In: Mar absoluto (1945)

OU ISTO (a poeta-surpresa na prova de Português) OU AQUILO (o grau de dificuldade das questões formuladas no vestibular), digamos que os dois: os fatores concorrenciais para que apenas um terço das vagas disponíveis fossem inicialmente preenchidas. Seguiram-se: revisões de provas, um segundo certame e novas revisões a fim de que todas as vagas ofertadas fossem finalmente preenchidas.
As listas com os nomes dos aprovados foram afixadas num saguão da Reitoria. Na lista da Agronomia, um deles saiu com nome e apelido (Titico). Com o tempo, seríamos apresentados por um amigo comum, o violão.

(*) Destaques da 2.ª Geração: Carlos Drummond, Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Mario Quintana e Cecília Meireles.

COMPLEXO CULTURAL ESTAÇÃO DAS ARTES

No Twitter, em 26/10/2021:
Um dos maiores artistas da história do nosso Ceará e do país, o cantor e compositor Belchior completaria hoje 75 anos. Como homenagem a este ícone da MPB, sancionei a lei que batiza o Complexo Cultural Estação das Artes, no Centro de Fortaleza, de "Antônio Carlos Gomes Belchior".
Um justo reconhecimento a quem tanto contribuiu para a música do país. O Estação das Artes Belchior, que terá 67.000 m², está sendo construído na área da antiga Estação Ferroviária João Felipe e contará com o Mercado das Artes, a Pinacoteca do Estado, mercado gastronômico salas de exposição, biblioteca, museu, cinemas e as sedes da Secult e do Iphan.
O empreendimento vai garantir uma importante reocupação do Centro da Cidade, estimular a economia e tornar a arte mais acessível para a população.
Antiga Estação Central de Fortaleza, este prédio foi inaugurada em 1873 pela Estrada de Ferro de Baturité. Em 1946 passou a se chamar Professor João Felipe, nome de um engenheiro ferroviário cearense. Desta estação partiam duas linhas de trens: a linha sul até Crato e a linha norte (que passava por Sobral, a terra natal de Belchior) até Oiticica. PGCS

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No Twitter, em 30/03/22:
A noite desta quarta-feira foi histórica para a Cultura do nosso Estado. Inauguramos o Complexo Cultural Estação das Artes Belchior, na antiga Estação João Felipe, em Fortaleza. A área, de 67 mil m2, passou por restauração estrutural e modernização. O equipamento conta com Mercado das Artes, Pinacoteca do Estado, mercado gastronômico, salas de exposição, biblioteca, museu e as sedes da Secult e do Iphan, além de urbanização do entorno. Aproveitem esse belíssimo espaço cultural de nossa capital.

CALARAM-SE AS LÍNGUAS

Em outubro do corrente ano, a Turma Carlos Chagas (Andreas Vesalius) de médicos diplomados pela Universidade Federal do Ceará, em dezembro de 1971, celebrou o seu cinquentenário de formatura. No bojo da programação comemorativa traçada por essa turma, da qual fazem parte quatro ilustres membros da Academia Cearense de Medicina (ACM), os doutores Adriana Costa, Lúcia Alcântara, Roberto Bruno Filho e Roberto Misici, foi incluída uma sessão de fortes lembranças, quando o Dr. Paulo Gurgel, em nome dos colegas, prestou homenagem póstuma a 17 companheiros de jornada que partiram, antecipadamente, ao encontro do Pai.
Dentre os falecidos pranteados, está o Prof. Dr. Carlos Maurício de Castro Costa, o "Mauricinho", que deixou esse mundo menor ainda menor, com a sua inopinada partida, em 15/03/2010, minado por uma doença traiçoeira, contra a qual lutou, obstinadamente, durante um ano, sem demonstrar abatimento ou revolta, mas tocando, com denodo, os seus muitos afazeres acadêmicos, tanto na assistência, no Serviço de Neurologia do Hospital Universitário Walter Cantídio, como na pesquisa, no Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFC.
Dele, além das lembranças de um passado que remonta à minha meninice, como catecúmeno e membro da “Cruzadinha” da Igreja de Nossa Senhora das Dores, no bairro Otávio Bonfim, passando pelos trabalhos que em conjunto executamos na feitura de cursos, congressos e concursos, guardarei na memória os registros dos nossos dois últimos encontros, ocorridos em 26 e 27 de fevereiro de 2010, quando ele esteve hospitalizado no ICC. No dia 26/02/2010, sexta-feira, ao saber do seu internamento, fui visitá-lo, colocando-me à sua disposição, caso tivesse alguma necessidade, e entabulamos uma agradável conversa, sobre assuntos variados, o que dava a entender que, para ele, o internamento era uma mera intercorrência de sua enfermidade, a ser superada, à custa dos cuidados médicos, visto que perseguia o cumprimento de suas tarefas, tendo me indagado sobre a publicação de um livro que eu organizava, e para o qual contribuía com um texto. Notei que sobre o criado-mudo, junto ao leito, repousavam três livros que trouxera para leitura: eram dois de gramática árabe e um de gramática japonesa, todos escritos em francês. Aproveitei o momento, para brindá-lo com o livro "Smile: tributo à memória do Prof. Eilson Goes", lançado em outubro do pretérito ano de 2009.
Na manhã do sábado, dia 27/02/2010, voltei ao hospital do Instituto do Câncer do Ceará, para revê-lo e saber como passara a noite. Ele disse-me que tivera uma noite tranquila, e lera boa parte do "Smile", acusando ter feito isso com muito gosto. Os sinais de emaciação em seu corpo, frutos da doença consumptiva, eram já evidentes; porém, o seu espírito destemido e a sua vontade inquebrantável não pareciam fraquejar, aguardando a alta, para esse mesmo dia, enquanto confessava e planejava suas ações de trabalho para os meses vindouros.
Desse nosso encontro, que não esperava ser o último, saí esperançoso, porém preocupado, e até lembrando a "fase da barganha", de Elizabeth Kübler-Ross, imaginei, cá com os meus botões, o seguinte: Por que Deus não o deixa entre nós, até que ele aprenda o basco? Isso, por certo, seria uma boa negociação, porque há uma lenda que Deus, para castigar o diabo, determinou que o "anjo decaído" estudasse a língua basca durante sete longos anos; alguns dizem que o "demo", apesar do tempo despendido, não teria conseguido aprendê-la.
Para o Carlos Maurício, dada à sua extrema facilidade em aprender idiomas, talvez tivéssemos, com tal acordo vantajoso, a garantia de tê-lo conosco, quiçá, por mais uns três anos, enquanto perdurasse o aprendizado do "euskera".
Com efeito, Mauricinho era um dos maiores poliglotas do Ceará, sendo fluente em espanhol, francês, inglês, italiano, alemão, holandês, russo e sueco; o latim e o grego clássico, religiosamente estudados nos seus tempos de seminarista diocesano, lia e escrevia razoavelmente; e ainda compreendia o árabe e o japonês.
Munido desse arsenal linguístico, quem sabe não terá ele chegado aos páramos celestiais e, diante de Pedro, ter repetido as mesmas palavras atribuídas a Rui Barbosa, na II Conferência da Paz, ocorrida em Haia em 1907: Em que língua quereis que vos fale?
Como reconhecimento póstumo a tão excepcional figura humana, a ACM, em Sessão Solene acontecida em 14 de maio de 2010, conferiu ao Dr. Carlos Maurício de Castro Costa o título de Acadêmico Honorário in memoriam.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
(da Academia Cearense de Medicina)

DIPLOMA DE MÉRITO ÉTICO-PROFISSIONAL

Bom dia, Dr. PAULO GURGEL CARLOS DA SILVA,
Estamos enviando-lhe o convite formal para a homenagem DIPLOMA DE MÉRITO ÉTICO-PROFISSIONAL.
Segue o link de acesso ao evento, que pode ser compartilhado com os familiares, caso desejado.
Hora: 18/10/2021
Horário: 19h30
Plataforma Zoom:
https://us02web.zoom.us/j/82028847617?pwd=ZkZqbjVCQi8yUVZSekRrTG5ndkhPZz09
CREMEC
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O Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará realizará hoje (Dia do Médico), às 19h30, a outorga das Medalhas de Honra ao Mérito Profissional e dos Diplomas de Mérito Ético-Profissional, em solenidade pela web, com a transmissão aberta aos homenageados, seus familiares, à classe médica e demais interessados. O formato on-line decorre da necessidade de cumprir as medidas sanitárias relativas à pandemia.
O Diploma de Mérito Ético-Profissional foi instituído pela Resolução CREMECN.º 20/1999 com o propósito de reverenciar médicos com 50 anos de profissão sem qualquer sanção ética e, assim, estimular o exemplo entre aqueles que se iniciam ou estão na atividade.

DA MILANO A FORTALEZA

Obra de estreia do milanese-fortalezense Roberto Misici no mundo da arte literária.
No dizer do colega Pedro Henrique Saraiva Leão, o autor "sobre ser um excelente coloproctologista, possui dois corações, um na Itália e um no Brasil (e o daqui também pertence à Academia Cearense de Medicina)".
A apresentação oral deste livro por mim (Paulo Gurgel) acontecerá na tarde de sábado (16), logo após a minha exposição UMA HOMENAGEM EM 2021 AOS COLEGAS INESQUECÍVEIS, no XI Encontro da Turma Andreas Vesalius / Carlos Chagas, a realizar-se no Hotel Dom Pedro Laguna, em Aquiraz.
Conteúdo
Prefácio, por Marcelo Gurgel
Parte I - Ensaios (3)
Parte II - Discursos e Crônicas (4)
Parte III - Homenagens e Entrevistas (4) 
Ficha técnica
Título: Da Milano a Fortaleza (De Milão para Fortaleza)
Organização e revisão por Marcelo Gurgel
Capa: cores das bandeiras nacionais da Itália e do Brasil (modificadas); imagens desfocadas das catedrais de Milão (Duomo di Milano) e de Fortaleza; abas com depoimentos de amigos (6)
Diagramação, impressão e acabamento pela Expressão Gráfica, uma editora em Fortaleza
Tiragem: 400 exemplares
144 páginas, ilustrado
ISBN: 978-65-5556-258-3

UMA HOMENAGEM EM 2021 AOS COLEGAS INESQUECÍVEIS

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." Guimarães Rosa, in "Grande Sertão: Veredas"

"Nenhum homem é uma ilha, cada homem é uma partícula do continente, uma parte da Terra. Se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio. A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti." John Donne, 1624

"Saudade é um elogio ao passado." Mario Rigatto

MÉDICOS FORMADOS PELA UFC. ENCONTROS DA TURMA DE 1971

(n = 12)
Anos e locais
1981 (10 anos) - Jantar dançante no Ideal Clube, em Fortaleza. Churrasco em um sítio na AM de Fortaleza.
1986 (15 anos) - Jantar no restaurante do Náutico Atlético Clube, em Fortaleza.
1991 (20 anos) - Coquetel (quinta-feira) na residência de Roberto e Sônia Lôbo, em Fortaleza. Fim de semana no Hotel Praia das Fontes, em Beberibe-CE.
1996 (25 anos) - Fim de semana (13 a 15 de dezembro) no Ytacaranha Hotel de Serra, em Meruoca-CE.
2001 (30 anos) - Jantar dançante (13 de dezembro, quinta-feira) no Alice's Buffet, na Cidade dos Funcionários, em Fortaleza. Almoço na casa do colega Nilo Dourado, na Praia das Fontes, em Beberibe-CE.
2011 (40 anos) - Fim de semana (11 a 13 de novembro) no Porto d'Aldeia Resort, em Sabiaguaba, Fortaleza.
2013 (42 anos) - Fim de semana (15 a 17 de novembro) no Hotel Dom Pedro Laguna, em Aquiraz-CE.
2015 (44 anos) - Fim de semana (13 a 15 de novembro) no Carnaubinha Praia Resort, em Luís Correia-PI.
2016 (45 anos) - Fim de semana (20 a 23 de outubro) no Vila Galé, em Cumbuco, Caucaia-CE.
2018 (47 anos) - Fim de semana (11 a 14 de outubro) no Hotel Luzeiros, em São Luís-MA.
2021 (50 anos) - Fim de semana (15 a 17 de outubro) no Hotel Dom Pedro Laguna, em Aquiraz-CE. Homenagem prestada pelo CREMEC no Dia do Médico (18).
2024 (53 anos) - Fim de semana (22 a 24 de novembro) no Hotel Vale das Nuvens, em Guaramiranga-CE

RETROSPECTIVA DE MINHA PARTICIPAÇÃO EM "CAUSOS DA CASERNA"


Paulo Gurgel Carlos da Silva
Portal de Memórias, 2011
Parte II: "Causos do Paulo" (p.49-66).
Dez causos originalmente publicados no blog EM, depois de copidescados por Marcelo Gurgel para o livro "Portal de Memórias". Destes relatos, três se referem a fatos ocorridos em hospitais do Exército: "Recebendo a carga", "O Pai do Vento" e "A nova receita para uma vida saudável".
ISBN 978-85-901655-4-5

Meia-Volta Volver!, 2013
"O corneteiro de Pirajá" e "Pium e carapanã", juntamente com os três causos acima citados (depois de revertidos às formas originais). Além disso, constou do meu capítulo no livro a "Fraseologia militar", uma compilação de frases típicas da vida castrense (p.81-89)
ISBN 978-85-420-0289-8

Ordinário, Marche!, 2015
"O índio nu", "O índio e o português" e "Os índios mateiros" (p.92-94).
Três curtas histórias sobre a presença dos índios no Exército brasileiro, que me foram contadas pelo "Capitão Lima" (posto e nome de guerra colocados entre aspas, para fazer o tempo parar no tempo em que trabalhamos no Hospital Geral de Fortaleza). Estas histórias aconteceram na área do Comando de Fronteira do Solimões, no Amazonas, onde ambos prestamos serviços em épocas diferentes.
ISBN 978-85-420-0549-3

Ombro, Arma!, 2018
Nove cases militares (p.79-88). Marcelo Gurgel selecionou-os dentre as minhas postagens no blog EM. Não aconteceram no Brasil.
ISBN 978-85-420-1300-9

Fora de Forma!, 2020
Mais oito cases militares ocorridos fora do Brasil, anteriormente  postados no blog EM (p.74-84), e dois textos que constam do capítulo "Biografias"; "Antônio Sales e sua época" e "Wilson da Silva Bóia, o polímata" (p.106-110). Para finalizar, em "Memórias", estão cinco crônicas que remontam ao período que vivi na região do Alto Solimões/AM:  "Voos amazônicos 1974-75", "Benjamin Constant, Tabatinga e Letícia", "Iquitos", "A Pérola do Javari" e "A Islândia sulamericana" (p.111-125). Embora se desviem dos padrões geralmente aceitos para os causos, escrevi-os com o espírito de um "causeur".
ISBN 978-65-5556-107-4
Post scriptum
A partitura abaixo representa o toque de descansar pela corneta durante uma formatura (ou ordem unida). Há cerca de 35 toques da corneta no EB. Os favoritos (desde que Adão era cadete) são: "descansar", "à vontade", "fora de forma", "avançar rancho" e "término de expediente". Com a escolha da expressão "Fora de forma" para título do livro, o meu "Descansar" não pôde ir para a capa. Foi uma pena, pois a partitura está na íntegra.


Nota
Conheci na caserna muitos militares dignos, honrados e patriotas. Meu interesse pelo registro destes causos é um reconhecimento tardio à boa convivência que tive com eles. Não deve ser visto como um endosso àqueles que, nos momentos difíceis da vida nacional (1964, 2016), atuaram fora do Estado Democrático de Direito.

RAIMUNDO PEREIRA DE QUEIROZ FILHO

Conheci-o  quando iniciamos o curso de Medicina da UFC, no ano de 1966. Discreto, reservado, mais do que colegas, somos amigos.
Muitas vezes, geralmente às vésperas de provas importantes na Faculdade, reuníamo-nos para estudos em sua casa na Rua Lauro Maia. Era casado com a Sra. Adelaide Lima Queiroz.
Raimundo Queiroz teve uma vida de muita luta e sacrifícios quando precisou conciliar os estudos na Faculdade de Medicina com as obrigações de sargento da Aeronáutica e, como esposo e pai extremoso, dedicar-se também à família. Lembro-me de que acompanhava os filhos (Lídia Maria, Hermeto Luís, Herialdo e Helder) em seus deveres escolares, além de levá-los de casa para a escola e trazê-los de volta.
No segundo semestre do sexto ano de Medicina, fomos aprovados no concurso da Escola de Saúde do Exército. Concludentes da Faculdade de Medicina em 1971, fizemos parte da turma de 1972 da Escola de Saúde, juntamente com os colegas Valdenor e Ozildo. Findo o Curso de Formação de Oficial Médico, Queiroz veio servir em Fortaleza . Quanto a mim, permaneci na Guanabara, lotado no Hospital Central do Exército (onde havia realizado no ano anterior meu estágio técnico-profissional).
Em 1975, o destino nos reuniu no HGeF, o Hospital Geral de Fortaleza. Tínhamos concluído nossos períodos de serviço em áreas consideradas especiais: no meu caso, em Benjamin Constant-AM, por doze meses; e Queiroz, em Imperatriz-MA, por dezoito meses.
Fomos promovidos a capitães médicos no HGeF. Adiante, com o meu desligamento a pedido do Exército em 1977, nossos contatos tornaram-se escassos, sendo esta a última ocasião em que estivemos juntos:
Raimundo Queiroz (atrás: um de seus filhos) e Paulo Gurgel (atrás: Elba, minha esposa). Recorte de uma fotografia panorâmica realizada por Leocácio Ferreira, em 21 de dezembro de 1986, no Náutico, por ocasião da comemoração dos 15 anos de formatura dos médicos da turma de 1971 da Faculdade de Medicina da UFC.
Lembro-me também de Queiroz organizando seu consultório médico em Maracanaú, entusiasmado com a ideia de assistir as pessoas do município. Depois de sua passagem para a reserva do Exército, seria em Maracanaú onde ele daria continuidade à sua carreira profissional, prestando relevantes serviços na área da Saúde como médico, diretor e secretário.
Quando atuava à frente do Departamento Administrativo da Secretaria de Saúde, Raimundo Queiroz participou da implantação da Estratégia de Saúde da Família em Maracanaú (Revista Brasileira Saúde da Família, p. 23-37) e ajudou a organizar o atendimento nos postos durante a epidemia de cólera, ocorrida em 1993. Ele foi ainda um grande incentivador do Projeto Farmácia Viva.
Como reconhecimento de seus serviços profissionais e e de seu trabalho em prol da emancipação do município em 1983, foi-lhe outorgada em 2007 a Medalha Almir Dutra pela Câmara Municipal de Maracanaú.
P.S.
Atualmente sob assistência médica domiciliar, Raimundo Queiroz vive em seu antigo endereço no bairro de Fátima, em Fortaleza (estas últimas informações foram prestadas, em 22/09/2021, pelo filho Hermeto Luís).
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Linha do Tempo de RPQF
  • Sargento da Aeronáutica
  • FMUFC (1966-1971)
  • Escola de Saúde do Exército (1972 Guanabara-RJ)
  • GO Fortaleza
  • Imperatriz-MA (18 meses)
  • HGeF
  • Maracanaú (1977-2009)
  • Pernambuco (?)
  • Medalha Almir Dutra (2017)
  • Esposa: Adelaide († 2020). Filhos: Lídia Maria, Hermeto Luís, Heraldo e Hélder

A 19.ª TURMA DE MÉDICOS DA UFC (1971)

No início do ano letivo de 1966, após selecionados pelo Concurso de Habilitação da Universidade Federal do Ceará (UFC), (1) estávamos reunidos em um auditório da Faculdade de Medicina para a aula inaugural de nosso curso de graduação.
Éramos 100 alunos, em maior parte nascidos no Ceará, jovens e com a predominância numérica do gênero masculino. Começávamos ali a dar os primeiros passos de um projeto comum que nos conduziria à profissão médica.
Como estava previsto, escolhemos os representantes da turma para as várias cadeiras ou disciplinas do primeiro ano (Anatomia, Embriologia e Histologia, Bioquímica e Estatística) e também o nome pelo qual a nossa turma seria designada. Por aclamação, foi escolhido o nome Andreas Vesalius, que era o nome de Andries van Wezel em sua forma latinizada.
Vesalius, o médico belga que é considerado o "pai da anatomia moderna", foi o autor de "De Humani Corporis Fabrica", um atlas de anatomia humana publicado em 1543. Sobre a escolha de seu nome para a designação da turma, aparentemente pesou a circunstância de ser a Anatomia, dentre as cadeiras da grade do primeiro ano, justamente a que mais empolgava os novatos da Faculdade de Medicina. (2)
O médico de Bruxelas foi, sem dúvida, merecedor àquele momento de nossa homenagem. Seu nome contribuiu para manter a coesão da 19.ª Turma de Medicina da UFC, em torno de algumas propostas que foram surgindo. Como, por exemplo, fazer uma grande excursão em ônibus fretado, por seis Estados brasileiros até o Uruguai e a Argentina. (3)
Foram longos anos de estudos em que procuramos aprender com afinco as 39 disciplinas que os mestres nos ensinaram.
Quando chegamos ao internato, ao ensejo da preparação do convite de formatura, deliberou-se pela adoção do nome Prof. Carlos Chagas, como forma de prestigiar o renomado médico e cientista brasileiro.
Em dezembro de 1971, recebemos o grau de médico pela UFC. Devido a inclusões e exclusões de colegas por motivos diversos ao longo da graduação, contávamos 97 em nossa formatura. (4)
Notas ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
(1) O Concurso constou de cinco provas: Física, Química, Biologia, Português e Inglês. Surpreendendo os candidatos com o poema "Surpresa", o processo seletivo de 1966 ficou conhecido como o "Vestibular da Cecília Meireles".
(2) Outros "pais" como o histologista Malpighi, o bioquímico Krebs e o estatístico Gauss não eram páreos.
(3) A excursão foi realizada no término do quarto ano. Ao que parece, fomos a primeira turma da Faculdade "a passar ainda além de Taprobana".
(4) Data de colação de grau: 18/12/1971. Reitor: Dr. Walter de Moura Cantídio. Diretor: Dr. Walder Bezerra de Sá. Patrono: Prof. João Barbosa Pires de Paula Pessoa. Paraninfo: Prof. Raimundo Porfírio Sampaio Neto.
Web/Bibliografia---------------------------------------------------------------------------------------------------
http://www.ufc.br/memoria-da-ufc
http://www.ufc.br/noticias/noticias-de-2013/3587-historia-e-homenagens-abrem-comemoracoes-dos-65-anos-da-faculdade-de-medicina
http://www.medicina.ufc.br/wp-content/uploads/2019/10/alunos-egressos-1953-20171-min.pdf
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/07/medicos-formados-pela-ufc-em-1971-turma.html
Martins, JM. Faculdade de Medicina da UFC - Professores e Médicos Graduados. Edição do Cinquentenário (vol. III). Fortaleza: Imprensa Universitária, 2000. 304p.
Silva, MGCS (org.). Portal de memórias: Paulo Gurgel, um médico de letras. Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2011. 200p. il. ISBN978-85-901665-4-5

A PORTA ESTREITA

"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que por ela entram. E quão estreita é a porta, quão apertado é o caminho que leva à vida e quão poucos a encontram!" (Mateus 7: 13,14)
A porta do Mosteiro de Alcobaça, em Portugal, que abre para o refeitório tem 32 cm de largura por 2 m de altura. Por quê?
Diz a lenda que essa foi a maneira de controlar o peso dos monges. Quem não passasse pela porta ficava sem comer até atingir o peso ideal que lhe permitisse entrar no refeitório. A história é repetida pelos guias turísticos e diverte os visitantes desse belíssimo mosteiro do século XII. A verdade, porém, é que essa porta, que dava para a rua, era para entregar refeições aos pobres evitando que os monges saíssem ou que outras pessoas entrassem. André Luiz, no Face
Comentários
Para passar a comida para fora bastava um postigo.  A versão do controle do peso/volume dos monges faz todo o sentido! (Helena Fragôso)
A ideia foi boa, dava para os dois casos. (António Manuel Coelho)
Na ideia de que um moderno problema requer uma solução medieval, foi onde OSMAR DO CAMARÃO foi buscar inspiração? Ou foi só uma coincidência? (Paulo Gurgel)

PAREIDOLIAS E ASSUNTOS CORRELATOS

Miniconferência a ser proferida hoje, segunda-feira (6), às 8 horas, no XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores (Sobrames).

RESUMO (*)

SLIDESHOW

VÍDEO (online)

(*) Também nos Anais do Congresso

XXVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE MÉDICOS ESCRITORES (SOBRAMES)


Este ano o evento será realizado no formato 100% digital, de 4 a 7 de setembro. O congresso terá programação interativa com lançamento de livros, cursos, palestras, concurso literário e muitas outras atividades com grandes nomes da literatura e cultura nacional. O congresso conta com a presidência do médico e escritor Dr. Arruda Bastos, que preside ainda a gestão nacional e regional Ceará da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames).
SOBRAMES/CONGRESSO (inscrições)

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"LINHA DO TEMPO" ULTRAPASSOU A MARCA DAS 500 MIL VISUALIZAÇÕES

DESTRUIÇÃO E RESTAURAÇÃO DA "MULHER RENDEIRA"

Instalada desde 1966 no pequeno jardim da agência do Banco do Brasil, localizada na Praça do Carmo, Centro de Fortaleza, a escultura "Mulher Rendeira", obra do artista pernambucano Corbiniano Lins (1924-2018), foi reduzida a pedaços. Em 29 de maio de 2020, operários de uma empresa de engenharia contratada pelo Banco para uma reforma, desmembraram-na a golpes de marretas.
O fato foi inicialmente denunciado por Davi Lopes, leitor do Diário do Nordeste. Ao tomar conhecimento do caso, o educador de arte José Viana deslocou-se até o local onde os destroços da escultura se encontravam e impediu que virassem entulho.
José Hortencio fez um voto de louvor no Jornal GGN a este "cidadão fortalezense José Viana da Silva Neto, que, por esforço próprio, impediu fosse a estátua MULHER RENDEIRA perdida para sempre".
Com isso, a estátua feita de alumínio cozido foi enviada a Recife para restauração por Chico Lins, filho do escultor pernambucano. E, cerca de ano depois do episódio de destruição da escultura "Mulher Rendeira", a cidade de Fortaleza recebeu de volta o seu símbolo cultural restaurado.
Foto: PGCS, 25/08/2021
http://twitter.com/EntreMentes/status/1268030693310902272
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/quase-um-ano-apos-ser-destruida-escultura-da-mulher-rendeira-retorna-a-fortaleza-restaurada-1.3085306
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/05/a-renda-de-bilros.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/04/mulher-rendeira.html

VIOLONISTAS CEARENSES

(página em construção)
Allan Sales
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/11/celebrando.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2014/03/allan-sales-talento-e-criatividade.html
Amaro Penna (Peninha)
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/05/amaro-penna-peninha.html
Carlinhos Patriolino
http://blogdopg.blogspot.com/2009/01/rhuinas.html
Claudio Costa (Claudio Castro)
http://blogdopg.blogspot.com/2007/01/velho-palhao.html
http://blogdopg.blogspot.com/2007/04/um-show-que-no-acabou.html
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http://blogdopg.blogspot.com/2009/07/louco-de-dar-do.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2010/12/memoria-recitais-de-claudio-costa.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/06/o-pombo-cheio.html
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http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/10/violonistas-cearenses-vilamar-lucia-e.html
http://preblog-pg.blogspot.com/2010/11/o-violonista-maior-claudio-costa.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2023/04/caninha-seresteira.html
Claudio Costa: foto do Jornal Parque Araxá
Eugênio Leandro
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/08/canoa-quebrada.html
Evaldo Gouveia
http://blogdopg.blogspot.com/2011/03/tributo-evaldo-gouveia.html
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http://blogdopg.blogspot.com/2020/05/tributo-evaldo-gouveia-3.html
Índios Tabajaras
http://blogdopg.blogspot.com/2009/05/indios-tabajaras.html
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Joãozinho
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Jorge Helder
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/08/jorge-helder-bolero-blues.html
José Mário
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/07/violonista-jose-mario.html
José Menezes
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José Renato
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José Wilson Cirino
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2022/09/wilson-cirino-entre-velas-e-tubaroes.html
Lúcia Arruda
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Luiz Sérgio (Pato Rouco)
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Manassés
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Nonato Luís
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/07/paracuru-e-muito-mais-que-o-azul-de.html
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Sátiro Bilhar
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Stelio Valle
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Tarcísio Sardinha
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Tony
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Vilamar Damasceno
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/10/violonistas-cearenses-vilamar-lucia-e.html
Zivaldo
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2014/10/canhoto-da-paraiba-e-zivaldo-maia-no.html
Outros
Afonso Aires; Alberto Lima (médico); Alê Ferreira (Fuxiko Beer); Aleardo Freitas (criador do ritmo Balanceio); Calé; Ciribah Soares; Expedito (7 cordas); Francisco Gadelha (médico); Francisco Soares (erudito); Manoel Guerreiro; João Lima; José Carlos (médico); Luciano; Márcio Ramalho (7 cordas); Miranda Golignac (erudito); Nenem "Macaco"; Mamede, Wôlmer e Oscar Cirino (erudito); Moreira Filho; Pedro Ventura (7 cordas); Raimundinho; Ribamar (7 cordas); Rodger Rogério (ator); Silvio Duarte; Titico (agrônomo).

FUMAÇA NOS OLHOS

Marcava o início e o término das sessões do Cine Familiar, em Otávio Bonfim, a versão instrumental de "Smoke gets on your eyes", um fox standard da canção popular norte-americana. Acho que a única vez em que tal não aconteceu, foi quando Frei Hildebrando Kruthaup (foto) requisitou o cinema para dar uma demonstração para o bairro, mas não para o mundo, de suas finas habilidades na técnica da hipnose.
Inicialmente, Hildebrando comandou uma preliminar de hipnose coletiva. Não era ainda o filme principal do Guardião do Convento. Naquele momento, o hipnotizador cuidava de fazer a triagem que selecionava as pessoas mais sugestionáveis para a demonstração que viria.
Bem, nada que pudesse ajudá-lo aconteceu comigo.
Vi subirem ao palco algumas pessoas, em cujas mãos Hildebrando espetou longas agulhas sem que essas pessoas referissem qualquer dor. 
Um brouhaha percorreu o recinto.
Naquela noite, aprendi que a hipnose, ao contrário do que o menino suspeitava, não devia constar do Index Librorum Prohibitorum. E pude sem remorsos, uns dez anos depois na Guanabara, frequentar um curso e comprar um robusto livro sobre hipnose médica e odontológica. 
Nas noites em que não ocorria desvio de função, o cinema mantinha a programação normal. Aventuras do Tarzan, comédias protagonizadas por Zé Trindade, "Marcelino Pão e Vinho" e , na Sexta-feira Santa, a "Paixão de Cristo" passando de hora em hora.
Filmes que atentassem contra os princípios da tradicional família cristã não tinham vez no Familiar. Apenas os que respeitassem a moral e os bons costumes e, assim mesmo, depois de subtraídos das cenas picantes pela tesoura de quem o projetava, o Vavá. Além disso, caso o bom Vavá se mostrasse tolerante nos cortes, ainda podia entrar em ação a censura presencial de algum franciscano frade. Com este pondo a mão à frente do projetor pelo tempo que fosse necessário.
Mas um dia...
Que dia, meus leitores! A censura do Cine Familiar deixou passar um filme que o menino quase não acreditou. Com Cleópatra sendo entregue nua ao imperador romano embrulhada num tapete (o Sedex da época). Mas acho que isso só aconteceu por que era na cena final.
O bonequinho viu e aplaudiu. 
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2009/09/no-escurinho-do-cinema.html
htts://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/08/in-illo-tempore.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/10/mudou-o-nazare-ou-mudou-vava.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/11/o-muro-das-fornicacoes.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/02/o-muro-das-fornicacoes-2.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2017/12/o-cinema-de-arte-no-familiar.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/01/driblando-censura-do-familiar.html


Algumas palavras sobre a canção temática do Familiar a que nos reportamos no início desta crônica:
"Smoke gets on your eyes", assinada por Jerome Kern e Otto Harbach. No Brasil, a letra recebeu uma versão de Nazareno de Brito, cantada por Tito Madi  e que foi lançada pela "Continental" em junho de 1959.Há ainda outras letras brazucas de "Fumaça nos olhos", assinadas por Nélson Motta e Jayro Aguiar.

http://youtu.be/GPrhgp7LSDg