O CANTAR ALEGRE DE UM VIVEIRO

Na década de 1970 e anos anteriores, grupos de seresteiros notivagueavam por nossa cidade, detendo-se aqui e ali para cantar sob os balcões de suas amadas.
Fortaleza era uma Conservatória.
Eu fazia parte de um desses grupos com sede em Otávio Bonfim. Contando com o emérito violonista Claudio Costa para acompanhar, revezava-me nos vocais com outros companheiros da boêmia suburbana. Até hoje não me esqueço da homérica desafinação que eu dei ao cantar "Eu não existo sem você", de Tom e Vinicius. Para agravar a situação, isso foi acontecer numa serenata dedicada a uma certa senhorita Godiva, irmã da professora de piano Mércia Pinto.
Uma serenata tinha lá seus preparativos. Começava pelo encontro dos integrantes do "belo canto" em algum bar ou restaurante da região (Pombo Cheio, Real Drinks, Avenida...), onde se decidia: 1) o que cantar e 2) quais seriam as donzelas prestigiadas pelo evento. Esvaziadas algumas cervejas, o time saía com alguém levando a cola dos nomes das canções escolhidas no verso de um maço de cigarros.
Certa vez, fizemos uma serenata numa casa que ficava na Parquelândia. O grupo era formado na ocasião por Claudio Costa, Francisco Dário, Fernando Antônio e outros, além deste escriba.
O Fernando Antônio tinha sido meu colega de turma na Faculdade de Medicina. Integrou-se ao grupo naquela noite por um mero acaso, e acho que foi ele quem nos levou até aquela casa na Parquelândia.
Aberto o portão da residência, atravessamos o jardim e acomodamo-nos em sua varanda. Com as lâmpadas apagadas, a pouca iluminação da varanda limitava-se ao luar. Notei que havia por lá uma grande gaiola com pássaros.
Deu-se início à serenata.
Ao bater (não intencionalmente) com meu cotovelo na gaiola, o choque provocou uma barulhenta revoada dos pássaros em seu interior. Vi que podia fazer isso mais vezes, sem que os demais participantes da seresta desconfiassem de que alguém estava a provocar a balbúrdia. Assim, ao ouvir-se uma nota mais forte, ou um acorde mais vibrante, lá eu dava uma sorrateira cotovelada na gaiola.
Nisso, alguém começou a cantar o "Chão de Estrelas", de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa:
"Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro."
Foi nesse ponto ("captei a vossa mensagem, amado mestre") que eu apliquei "a mãe de todas as cotoveladas". Daí eclodiu um barulho tamanho naquele viveiro, que fez com que o nosso grupo saísse às carreiras e desse por encerrada a serenata.

FAMÍLIA GURGEL, por Marcus Guedes

Bom dia, Paulo.

Quem está lhe escrevendo é Marcus Corrêa Lopes Guedes, mais um membro do clã dos Gurgel. Sou bisneto de Antônio Gurgel do Amaral, neto de Helena Gurgel Guedes, sua filha, que foi casada com Jayme Fernandes Guedes e sobrinho neto de Raimundo Fernando de Oliveira Gurgel e de Sebastiana Brito Gurgel, todos mencionados na página 217 do livro Na Trilha do Passado.

Espero acrescentar alguns dados a este brilhante trabalho de pesquisa, dados estes referentes a meus parentes mais diretos:

1) Minha bisavó consta nos registros como Maria Amélia Oliveira Gurgel, segundo Yolanda Fernandes Guedes, sua neta e minha tia, não existia o sobrenome Oliveira, sendo seu nome correto Maria Amélia Gurgel, como consequência, seus filhos também não possuem Oliveira no sobrenome.
2) No que diz respeito a meus avós paternos, Jayme Fernandes Guedes, que foi casado com Helena Gurgel Guedes, além de gerente do Banco do Brasil em Mossoró, foi também presidente do Departamento Nacional do Café no governo do Presidente Getúlio Vargas. Durante a segunda grande guerra, foi nomeado presidente da U.N.R.R.A organização internacional para auxílio aos aliados no fornecimento de alimentos. Após a guerra, tendo renunciado ao cargo o Sr. Castro Filho, ele assume a presidência do Clube de Regatas Vasco da Gama, termina esse mandato e é reeleito. Por fim torna-se empresário comprando a fábrica de papelão São Geraldo S/A.
Ambos já faleceram, meu avô no dia 2 de novembro de 1974 e minha avó no dia 16 de novembro de 1987.

Dessa união nasceram 5 filhos:
- Yolanda Fernandes Guedes. Falecida em 22 de outubro de 2015.
- Milber Fernandes Guedes. Falecido em 6 de novembro de 2019, foi casado com Nedda Corrêa Lopes Guedes (falecida em 10 de março de 1994) e dessa união nasceram 4 filhos: Milber Fernandes Guedes Jr, Manon Corrêa Lopes Guedes, Magnus Corrêa Lopes Guedes e Marcus Corrêa Lopes Guedes.
- Wanda Gurgel Guedes.
- Kleber Gurgel Guedes, casado com Maria Aparecida Fernandes Guedes e dessa união nasceram 3 filhos: Márcio Fernandes Guedes, Glauco Fernandes Guedes e Rafael Fernandes Guedes.
- Marluce Guedes da Franca, foi casada com Otávio Guedes da Franca (falecido) e dessa união nasceram 4 filhos: João Guedes da Franca (falecido em 14 de setembro de 2019), Suzana Guedes da Franca, André Guedes da Franca e Daniela Guedes da Franca.

MEMÓRIA. VÁRZEA ALEGRE E CRATO

No início da década de 1980, conheci Edmilson Alves de Sousa, então diretor do grupo "A Ferragista". O colega Marcus Cunha tinha pedido que eu escrevesse um artigo para ser publicado no "Informativo A Ferragista" (o periódico mensal da empresa dirigida por Edmilson), o que eu prontamente atendi. Daí em diante, passei a enviar com regularidade minhas colaborações (em geral textos humorísticos) para o Informativo.
A amizade se consolidou depois que o conheci pessoalmente e também passei a atender um de seus filhos em meu consultório particular.
Quando eu ia ao centro de Fortaleza costumava visitá-lo em seu escritório para bater dois dedos de prosa. Algumas vezes me convidou para festas: em seu apartamento, em sua chácara e até mesmo para a inauguração de uma filial de sua empresa.
Outra vez, convidou-me para viajar com ele ao Cariri, onde passaríamos um fim de semana.
Em Várzea Alegre, terra natal do Padre Antônio Vieira (o de "O Jumento, nosso irmão"), do compositor Luiz Sérgio Bezerra, de Otacílio Correia e de Vilani, esposa de Edmilson, comparecemos na sexta-feira à noite numa festa em que ele foi homenageado.
No dia seguinte fomos para o Crato. Edmilson tratou de negócios particulares por lá. E, à noite, fomos espairecer no Crato Tênis Clube.
No domingo, voltamos para Fortaleza. Uma viagem de 600 km apenas interrompida para o almoço num restaurante à margem da estrada.
À época, eu dava plantões noturnos aos domingos no setor de Emergência do Hospital de Messejana. Era esta minha preocupação: emergindo de duas noites mal dormidas... como enfrentar aquele plantão noturno de logo mais?
Então, estirei-me no banco traseiro do carro em movimento e, ajudado por uma providencial sonolência pós-prandial, consegui dormir profundamente um par de horas. E, para minha sorte, o plantão foi excepcionalmente calmo.
https://blogdopg.blogspot.com/2008/10/informativo-ferragista.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2016/09/tres-periodicos-cearenses.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/03/lancamento-de-livros-de-edmilson-alves.html
VANNICK BELCHIOR
Em 2020, por ocasião de um lançamento de livros escritos por Edmilson Alves de Sousa, conheci sua neta Vannick. E soube que ela é filha de Vilédia com o inesquecível compositor/cantor Belchior. Assim como o pai, Vannick, com o talento que demonstra possuir (crédito pela descoberta a Tarcísio Sardinha, o violonista do grupo musical que a acompanha), aqui trilha a sua carreira de cantora.

A DESPEDIDA DA MATRIARCA ELDA GURGEL E SILVA

Elda Gurgel Coelho (foto, quando jovem) nasceu em 11 de setembro de 1930, em Senador Pompeu, no Ceará, sendo a segunda filha do casal Paulo Pimenta Coêlho e Almerinda Gurgel Coêlho.
Acompanhou os pais em sucessivas mudanças de residências, empregos e viagens da família. Por volta de 1936, a família veio residir em Fortaleza. Elda cursou o Primário no Grupo Escolar São Gerardo e o Ginasial no Colégio da Imaculada Conceição e no Colégio Santa Isabel.
No início de 1946, Elda começou a namorar o Prof. Luiz Carlos da Silva, o Silva, ficando noiva logo em setembro. Nessa ocasião, ela era da Guarda de Honra feminina da Igreja Nossa Senhora das Dores e ele, Filho de Maria, dessa igreja.
Em 8 de fevereiro de 1947, Paulo Pimenta Coêlho morreu. Sem a imagem e o apoio moral, emocional e financeiro do seu pai, Silva e Elda anteciparam o casamento para 14 de agosto desse mesmo ano, em uma cerimônia simples.
Os nubentes foram morar nas dependências do Instituto Padre Anchieta, uma casa situada à rua Justiniano de Serpa, nº 53, de frente para a Praça do Otávio Bonfim. Os primeiros anos de vida em comum foram bem difíceis, coincidindo a contenção de numerários com a sucessão de gestações, principiadas logo após a consumação nupcial, compondo uma prole de treze filhos.
A trajetória de vida de D. Elda, entretanto, não se restringe ao relato de seu "glorioso" passado reprodutivo. Ela foi o esteio para a criação e a educação de tantos filhos, hoje homens feitos, maduros, convertidos em cidadãos de bem e de largo crédito no seio social cearense.
No entremeio de muitos afazeres domésticos, D. Elda ainda achou tempo para voltar a cultivar seus dons artísticos e para assumir compromissos religiosos e comunitários na Paróquia de Nossa Senhora das Dores, participando de diferentes pastorais e exercendo o Ministério Extraordinário da Eucaristia, por anos a fio.
Em agosto de 1972, o casal Luiz e Elda comemorou as Bodas de Prata da união matrimonial. Naquele momento, Paulo já se formara em Medicina e os três filhos subsequentes (Marta, Márcia e Marcelo) eram universitários, prenunciando o caminho a ser trilhado pelo restante dos filhos.
As celebrações das Bodas de Ouro do casal, em agosto de 1997, reuniram toda a descendência do casal, constituída de filhos e netos, e revelaram, para júbilo dos progenitores, famílias bem constituídas e todos os filhos diplomados e profissionalmente bem estabelecidos.
Nos quinze anos seguintes ao desaparecimento de nosso pai, extraído do convívio familiar em 20 de novembro de 2000, Dona Elda passou a dedicar-se mais intensamente a seus trabalhos de tapeçaria, assumindo, na viuvez, a postura de "matriarca" da família, sendo festejada e cortejada por seus diletos filhos, a quem os acolhia, com alegria, nos encontros domingueiros da família.
Nos seus derradeiros anos, marcados por insidiosa enfermidade, que gradualmente comprometia a sua capacidade cognitiva, ela sofreu, com resignação e estoicamente, diferentes agravos que minaram progressivamente a sua saúde física; porém, encontrou no carinho dos filhos o alicerce para manter-se fiel ao cumprimento das virtudes teologais que pautaram a sua longa existência, finda na madrugada de 9 de abril de 2022, quando a linha isoelétrica do eletrocardiograma acusou a sua partida ao encontro do nosso Pai Eterno a ser por Ele recebida nos páramos celestiais.
Requiescat in pace, querida "matriarca".
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
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Os membros da família Gurgel Carlos convidam os demais familiares, admiradores e amigos da Sra. ELDA GURGEL E SILVA, para a missa de sétimo dia a ser oficiada em sufrágio de sua alma, na quinta-feira, dia 14/04/2022, às 16h, na Igreja de Santa Edwirges, situada na Av. Presidente Castelo Branco, 600 (Av. Leste-Oeste), no Bairro Moura Brasil, Fortaleza-CE. Agradecemos pelo apoio a esse ato de fé e piedade cristãs.

SAUDADES ETERNAS DE ELDA GURGEL E SILVA

É com profundo pesar que informamos o falecimento aos 91 anos, na madrugada deste sábado (09/04), de nossa genitora ELDA GURGEL E SILVA. 
Viúva do professor e advogado Luiz Carlos da Silva, Elda faleceu de causas naturais no Hospital São Matheus onde se encontrava sob tratamento paliativo.
Deixa dez filhos, dezenove netos e vinte e três bisnetos.
O velório acontecerá hoje a partir das 16h, no Complexo Velatório Ethernus (Rua Padre Valdevino, 1688 - Aldeota, Fortaleza), com a missa de corpo presente a ser celebrada amanhã às 9h. 
Seu corpo será sepultado em jazigo da família no Cemitério São João Batista.
Mas a vida, que inspirastes / por um sopro, permanece / como germe imperecível / dum viver que não fenece.

TIROS DE GUERRA

Em minha Folha de Alterações de capitão médico do Exército, emitida pela Guarnição de Fortaleza, constam estas mudanças de funções que me ocorreram no 2.º semestre de 1976:
O BI n.º 175 do Hospital Geral de Fortaleza publicou ter deixado, em 18 de agosto de 1976, o exercício da Chefia do Pavilhão de Isolamento do HGF, por ter sido designado para a Chefia da CSV/TG e seguir destino.
O BI n.º 201 publicou ter reassumido, em 29 de setembro, o exercício da Chefia do Pavilhão de Isolamento, por término dos trabalhos na CSV/TG.
Traduzindo:
BI: Boletim Interno. Era rodado em mimeógrafos diariamente pelas unidades militares (quartel, hospital etc.)
CSV/TG: Comissão de Seleção Volante (do Serviço Militar)/Tiro de Guerra.
Foram 40 dias que estive em municípios cearenses com a missão de examinar os conscritos para os Tiros de Guerra. Para isso, botei meu carango na estrada, contei com a ajuda de instrutores locais (sargentos), acolhimento de prefeitos e ganhei diárias.
No Ceará, existiam 11 Tiros de Guerra. Estive em oito deles: Aracati, Limoeiro do Norte e Russas; Crato e Juazeiro do Norte; Quixadá, Quixeramobim e Iguatu. Ficaram fora do meu roteiro: Acaraú, Camocim e Itapipoca. Acredito que estes últimos municípios foram visitados pelo capitão médico Raimundo Queiroz, a quem coube também realizar a seleção em Tiros de Guerra no Piauí e no Maranhão.
Leitura complementar
Uma das formas de prestar o serviço militar é por meio dos Tiros de Guerra (TG) – órgãos de formação de reserva que possibilitam aos convocados, mas não incorporados em organizações militares da ativa, prestar o serviço militar inicial nos municípios em que estão residindo. Desse modo, os jovens convocados recebem instrução, conciliando-a com o trabalho e o estudo. No Tiro de Guerra, o atirador deverá permanecer por um período de 6 a 10 meses participando de atividades específicas das Forças Armadas e, ao término desse período, sendo licenciado das fileiras do Exército.
A organização de um TG ocorre em acordo firmado com os Municípios e o Comando da Região Militar. O exército fornece os instrutores (normalmente sargentos ou subtenentes), fardamento e equipamentos, enquanto a administração municipal disponibiliza as instalações. Por isto, geralmente, o prefeito se torna o diretor do Tiro de Guerra.
Na década de 2010, existiam mais de 224 TGs distribuídos por quase todo o território brasileiro. Anualmente, ingressam aproximadamente 12.000 atiradores no Exército Brasileiro.
O objetivo dos TGs é formar reservistas de 2.ª categoria aptos ao desempenho de tarefas nos contextos da Defesa Territorial e Defesa Civil. A formação do atirador é realizada num período de 40 semanas, com uma carga horária semanal de 12 horas, totalizando 480 horas de instrução. Há um acréscimo de 36 horas destinadas às instruções específicas do Curso de Formação de Cabos, e um terço desse tempo é direcionado para matérias relacionadas com ações de saúde, ação comunitária, defesa civil e meio ambiente.
Por curiosidade, a etimologia da palavra vem do latim tiro, termo usado para descrever novato, jovem soldado e recruta.
www.eb.mil.br/web/ingresso/servico-militar
pt.wikipedia.org/wiki/Tiro_de_Guerra

"MEDICINA, MEU HUMOR!". PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO

Em 2012, o médico e escritor cearense Marcelo Gurgel Carlos da Silva publicou “Medicina, Meu Humor! Contando Causos Médicos” (ISBN 978-85-901655-7-6), um livro em que ele reuniu uma série de hilários instantâneos dos quais participou como testemunha ocular, ou escutou-as em narrativas orais de seus colegas.
Tendo o prefácio do médico Dr. José Murilo Martins, da Academia Cearense de Letras, a referida obra encontra-se dividida em quatro Partes: I – Historietas infantis, 2 – Da medicina da UFC (em que fui o informante de duas das histórias, "Os Bilhetes do Sombra" e "Decisão Sacramental"), III – Do ensino médico e IV – Dos serviços médicos, além de um Apêndice.
Esgotada a tiragem inicial (de mil exemplares), o autor retorna com a obra em Segunda Edição (ISBN 978-65-996963-0-5), a qual ganhou a Parte V e a inclusão em seu Apêndice" de seis "Gaiatices do Paulo Ferreira", anestesiologista e notável causeur no meio médico cearense.
Nesta quinta Parte, denominada "Dos nossos tempos discentes da Medicina na UFC", Marcelo Gurgel deu roupagem literária a divertidas situações por que passaram cinco colegas acadêmicos da Medicina da UFC, nos anos setenta do século passado, cujos nomes são inteiramente fictícios. Mas, os fatos aqui narrados são verdadeiros, ponto.
O traço comum dessas novas histórias é que foram protagonizadas por colegas transferidos de outras universidades do Brasil e do exterior. Alguns dos quais mercê da artimanha de ter ascendência lusitana e de contar com a intervenção de embaixadas ou consulados da "terrinha" para dar início a uma graduação médica em Portugal. E, na sequência, possuídos de uma incontrolável saudade da pátria que Glauber Rocha chorou no exílio, terem engendrado o retorno ao Brasil.
Aqui chegados, graças a um processo de "repatriamento" adubado pelos famosos "jeitinhos" brasileiros, esses nostálgicos acadêmicos, depois de soltos no verde campus de Porangabuçu, revelar-se-iam, em algum momento, A/A (autores/atores) de esquetes da vida real. Se vivo estivesse à época, o dramaturgo Molière aplaudiria de pé o desempenho de tão jeitosa trupe.
Hilaridades à parte, entre eles, "havia aqueles que mostravam um excelente rendimento acadêmico, expresso em notas altas, e que, depois da formatura seguiram a formação pós-graduada e converteram-se em profissionais dedicados e competentes e bem avaliados por seus pares. Alguns desses assumiram uma carreira acadêmica como docente da própria UFC", ressalva Marcelo Gurgel.
Nas lavras dos causos (médicos e de outros setores ocupacionais), estou certo de que Marcelo continua a bamburrar.
Paulo Gurgel Carlos da Silva
De "EntreMentes" (http://blogdopg.blogspot.com) e
"Linha do Tempo" (http://gurgel-carlos.blogspot.com)
O "CAUSEUR" MARCELO GURGEL

LANÇAMENTO DO LIVRO "MEDICINA, MEU HUMOR! Contando Causos Médicos - 2.ª edição"

A Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE) convida para a noite de autógrafos da 2.ª edição de "Medicina, meu humor! contando causos médicos", livro do médico e economista Marcelo Gurgel Carlos da Silva, cuja renda será revertida para as ações culturais da Sobrames-CE.
O livro e o autor serão apresentados pelo Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva, ex-presidente e sócio-fundador da Sobrames-CE.
Local: Espaço Cultural Dra. Nilza dos Reis Saraiva, na Av. Rui Barbosa, n.° 1.880 (altos) - Aldeota.
Data: 28 de março de 2022 (segunda-feira)
Horário: 20h.
Traje: Esporte Fino.
Dr. Raimundo José Arruda Bastos
Presidente da Sobrames-CE

Confirmar presença: 98616.8781 ou 3244-3807 (Sra. Orlania).
Uso obrigatório de máscara.

"O Ceará é celeiro de humoristas, bons ou maus, para todos os gostos, daí o trade turístico alardear, aos quatro ventos, estar aqui a "Terra do Humor", um território livre, onde impera a chacota, o chiste, o riso, mesmo a despeito de tantas mazelas que assolam o torrão cearense." (MGCS)
  1. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Contando causos: de médicos e de mestres. Fortaleza: Expressão, 2011. 112p.
  2. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. (org.). Portal de memórias. Fortaleza: Expressão, 2011. 200p.
  3. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. Fortaleza: Edição do autor, 2012. 120p.
  4. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da (org.). Meia-volta, volver! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2014. 112p.
  5. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da (org.). Ordinário, marche! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2015. 112p.
  6. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da (org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p.
  7. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Ridendo castigat mores! Contando causos. Fortaleza: Expressão, 2019. 112p.
  8. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Contando causos da mídia. Fortaleza. Expressão,2020. 108p.
  9. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da (org.). Fora de Forma Médicos contam causos da caserna. Fortaleza. Expressão,2020. 108p.
  10. SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos (2.ª edição). Fortaleza: Expressão, 2022. 144p.

BILHETE PARA O DR. EDUILTON GIRÃO

Estimado confrade Eduilton Girão, recebi o livro de sua autoria 1"Por Gratidão ou por Benquerer" (Expressão Gráfica e Editora, 2020). Muito obrigado! Estou encantado com o livro construído com biografias de parentes, colegas e amigos. Gentes da sua estima! Excelente ideia de homenagear as pessoas do seu Benquerer.
Você é um homem rico de amigos, os tem em todo lugar. Muitos deles fazem parte da Sobrames, ora prestigiados: 2Ana Margarida, Eurípedes Chaves Júnior, 1Marcelo Gurgel, Murilo Martins, 1Paulo Gurgel, Sebastião Diógenes e Vladimir Távora. Legal! Todavia, ouso dizer que a obra ficou devendo o verbete biográfico do próprio autor. Único senão do livro!
As "Palavras Introdutórias" da obra são a essência do seu ser, especialmente quando o notável Girão de Morada Nova ressalta a "importância de agradecer". Receba, pois, meus parabéns! A um só tempo, agradeço-lhe de coração ter sido contado entre os seus amigos. Uma homenagem que muito me cativa! Sei perfeitamente que essa homenagem é fruto do genuíno sentimento de gratidão ou benquerença que o nobre confrade tem por hábito consagrar às pessoas. Saiba meu prezado colega que estou muito agradecido com a distinguida deferência de o meu nome figurar como verbete em seu livro. Como se não bastasse tanta honraria, eis-me que a ordem alfabética dos verbetes fez a sua parte na minha fortuna. Pois, encontro-me ao lado do verbete do inesquecível 3Sérgio Gomes de Matos.
Por enquanto, um virtual abraço!
Sebastião Diógenes
Extraído de: "A Plenos Pulmões" (38.ª Antologia da Sobrames - Ceará). Marcelo Gurgel Carlos da Silva (org.). Fortaleza: Edições Sobrames. Expressão Gráfica e Editora, p. 293. ISBN 978-65-5556-286-6
1 http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/01/por-gratidao-ou-benquerer.html

MEMÓRIA. PETRÓPOLIS E TERESÓPOLIS

Trabalhei em Petrópolis neste hospital de psiquiatria, a Casa de Saúde Santa Mônica. Ainda existe (CNES 2275600). Um frenocômio de natureza privada, conveniado com a previdência social e que apresentava uma característica sui generis. O setor para pacientes femininos da instituição (foto recente) distava cerca de 9 km do setor para pacientes masculinos. O primeiro setor (onde funcionavam também a administração do hospital e o repouso do plantonista) ficava em uma colina do bairro Roseiral, na Estrada União Indústria, a caminho de Juiz de Fora. Já o segundo ficava em outro bairro mais próximo do centro de Petrópolis.
Meus plantões iam das 19 horas dos sábados às 19 horas dos domingos. E cumpri-os todos ao longo de um ano (de 1.º de março de 1973 a 28 de fevereiro de 1974). No horário das 19 às 24 horas é que aconteciam as admissões e as intercorrências Registrava as histórias clínicas e fazia as prescrições exclusivamente no setor feminino. Recolhia-me a seguir para o repouso. No dia seguinte, após o desjejum, deslocava-me em meu carro até o setor masculino, onde repetia as atividades anteriormente descritas. Um que me acompanhava na visita aos pacientes masculinos era o atendente Carolino (personagem de um dos causos do livro "Portal de Memórias").
Finda a visita médica voltava ao setor feminino. Almoçava. E passava a tarde numa sala a ler algum livro ou revista de medicina. Tentando, é verdade, não desviar minha atenção para o televisor que o Dudu deixava ligado no Sílvio Santos. Quase sempre um dos diretores do hospital, o Dr. Rodolpho Chauphaille, aparecia por lá e então batíamos um papo. Dentista por formação, era um administrador exigente e parecia gostar de mim.
Às 19 horas, concluído o plantão médico, logo mais eu baixava num dos points da cidade para me divertir. Um barzinho, um restaurante, um clube social... tendo como pano de fundo a tranquilidade e o clima serranos. Dormia num hotel modesto no centro de Petrópolis, onde o dono nunca acertava com o nome do meu posto no Exército. E, às 5 horas da segunda-feira, iniciava a descida da serra para uma nova semana de trabalho no Hospital Central do Exército.
Com a minha inesperada transferência para uma região de fronteira no Amazonas, não lamentei por ter deixado a Guanabara; Petrópolis, sim. Não cheguei a me hospedar no Palácio Quintadinha (ficou só na intenção), não visitei o Museu Imperial, o Palácio de Cristal nem a Casa de Santos Dumont. Comprei malhas em lojas da Rua Teresa. E, quando minha mãe visitou a Cidade Maravilhosa, acrescentei uma esticada a Petrópolis. Dona Elda adorou ter ido àquela casa de chá com roseiras no jardim.
Antes de partir para o Alto Solimões, me programei para uma despedida sentimental da serra fluminense. Não esquecendo de incluir no roteiro a vizinha Teresópolis (que eu ainda não tinha visitado). Viajando pela Estrada União Indústria, de Petrópolis até Itaipava, e deste distrito pela BR-495 até Teresópolis - um percurso de 53 km. Um agradável passeio em que me deixei maravilhar por cachoeiras, reservas da Mata Atlântica e montanhas sob uma manhã iluminada. E pelo Dedo de Deus*, com seus 1.692 metros de altitude, quase a me rogar para ser fotografado. 
Além de tudo, como entrava o país no reino da pagodeira, convidei minha irmã Marta e seu esposo João Cunha(do), meus companheiros de moradia no bairro da Glória, para irmos a um baile de carnaval no Clube Serrano de Petrópolis.
Tornei a ver Petrópolis mais uma vez. Na "quinta-feira de cinzas", em meu percurso para Fortaleza, onde passaria as férias antes de seguir para o Amazonas. E parei na Cidade Imperial por um motivo bem prosaico: sacar o FGTS e o último mês de salário que a Casa de Saúde Santa Mônica depositou em minha conta no Banco Real. Ia precisar de um reforço de caixa para a viagem que faria - por terra - a Fortaleza. Levando alguns pertences e o fusca cuja venda já estava apalavrada com meu genitor Luiz Carlos.
* na verdade, localiza-se no município de Guapimirim.
15/03/2022 - Esta crônica está sendo publicada quase um mês depois da tragédia que atingiu Petrópolis, quando fortes chuvas provocaram grandes deslizamentos de terras que deixaram muitas pessoas mortas, feridas e desaparecidas, pricipalmente na Rua Teresa, Alto da Serra e Morro da Oficina. Que a brava gente petropolitana consiga se recuperar desse período de dor e sofrimento.

A FLORAÇÃO DA PALMEIRA TALIPOT

Uma das três árvores plantadas em meados dos anos 1980, como parte de um projeto do paisagista Burle Marx, começou a dar flores no jardim do Centro Administrativo do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), no bairro Passaré, em Fortaleza. A florada, que tem chamado a atenção de moradores da região, só ocorre uma vez na vida e, depois disso, a palmeira morre.
A planta é a Corypha umbraculifera, chamada popularmente de talipot. Nativa do Sul da Índia e do Sri Lanka, ela pode chegar a 30 metros de altura. Mas é no topo que sua beleza se destaca, quando suas minúsculas  flores nascem. A palmeira exibe essas flores geralmente quando atinge entre 40 e 70 anos de idade.
Esta é a segunda árvore do tipo a florescer desde a chegada delas (a primeira floresceu em 2014). E a terceira árvore dessa leva de 1980 ainda não floresceu, mas a expectativa é que isso aconteça nos próximos cinco ou dez anos.
O processo de florescimento dura seis meses. Em um primeiro momento nascem as flores e, em seguida, ocorre a frutificação - o momento em que nascem os coquinhos. Como esse processo é o que antecede a morte da árvore, algumas novas mudas já foram plantadas no jardim do Centro Administrativo do BNB para garantir as próximas gerações.
Fonte: http://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2022/02/22/palmeira-de-quatro-decadas-tem-primeira-e-unica-floracao-no-ceara-video.ghtml
Meu filho Érico. que trabalha no BNB, enviou-me a foto da palmeira em floração (crédito: Fernando Cavalcante).

PUXANDO AS CAPIVARAS

Para Judson:
Toussaint Gurgel, que deu origem à família Gurgel no Brasil (1595), foi corsário, contrabandista de madeira e caçador de baleias.
Em 1716, o alferes José Gurgel do Amaral e amigos travaram um cruento duelo com gente do governador Francisco Xavier de Távora (RJ), no fim do qual os desafetos estavam mortos. José Gurgel homiziou-se em Cataguases-MG, onde foi preso, a seguir sentenciado e levado ao patíbulo em 1722.
Vicente Gurgel do Amaral, n. 1812, na Fazenda Porteiras, em Aracati-CE, que foi proprietário de terras e tenente-coronel da Guarda Nacional. Para vingar um irmão assassinado, Vicente reuniu alguns familiares, foram no encalço dos facínoras e praticaram a justiça com as próprias mãos. O fato ficou conhecido pelo nome de "esfola-vivos".
Antônio (Valeriano) Gurgel do Amaral, que foi proprietário rural no Oeste Potiguar, quando viajava de Mossoró para Caraúbas e Brejo do Apodi, foi aprisionado por Virgulino Lampião, em 12/06/1927, e mantido refém por 17 dias. Ao ser libertado, recebeu de Lampião três moedas de ouro para sua neta (corrupção passiva?).
E, para a hipótese de termos uma ancestralidade com o sobrenome Gourges, na Gasconha:
Em 1568, Dominique de Gourgues, liderou uma força francesa que atacou, capturou e queimou o Fort Caroline. Em seguida, ele matou os prisioneiros espanhóis para vingar um massacre sofrido pelos franceses em 1565.
Não se avexe, não. Toda família tem suas "capivaras".
Paulo Gurgel Carlos da Silva

MORRE SEU VAVÁ, O GUARDIÃO DOS CINES FAMILIAR E NAZARÉ

"Nesse tempo de grandes corporações e multinacionais dominando os circuitos de exibição no Brasil e em todo o mundo, pensar em seu Vavá, numa luta sem tréguas para manter o seu cinema de bairro, é como pensar em Dom Quixote lutando com os moinhos de vento. Ele nos alimentava com o sonho e o sonho, por pequeno que seja, nesses tempos distópicos, é fundamental para o espírito." ~ Rosemberg Cariry
(Seu Vavá, foto DN)
Faleceu às 15h da última segunda-feira (21), aos 91 anos, o cidadão Raimundo Carneiro de Araújo, Seu Vavá.
No bairro Otávio Bonfim, em Fortaleza, ele cultivou cada milímetro do sonho de manter vivo o seu cinema de bairro. Primeiro, como funcionário do Cine Familiar, dos franciscanos frades da Igreja de N. Sra. das Dores, e depois (1970) como proprietário do Cine Nazaré, um dos últimos cinemas de bairro em Fortaleza.
O Cine Nazaré do Parque Araxá que, entre fechamentos e reaberturas, agora perde seu guardião.
A jornalista Julia Ionele, autora do livro-reportagem "Cine Nazaré - Um cinema vivo" (Inesp, 2020) e vizinha do Vavá, relata:
"Nasci em 1930. Naquele tempo, o Getúlio estava em campanha. Então, nasce o Vavá, eu, primeiro filho do meu pai. Ele, que era político, coloca meu nome de Raimundo Getúlio Vargas. Com pouco, ficou Vavá. Quando eu cheguei na idade de servir ao Exército, fui me alistar. - Cadê sua certidão de nascimento? - Sei nem o que é isso! (risos) Quer dizer: meu pai nunca havia feito meu registro. Aí eu cheguei no cartório, ali na Floriano Peixoto, e me registrei. Morreu o Vavá e nasceu o Raimundo Carneiro de Araújo".
Seu Vavá era católico, responsável por consertar o sino da Igreja de Otávio Bonfim durante décadas. Inclusive foi nessa igreja que ele se casou com Dona Maricota -  o primeiro casamento da Igreja de N. Sra. das Dores.
Era viúvo e deixa três filhas, além de netos.
LINKS
http://www.opovo.com.br/jornal/vidaearte/2018/01/conheca-o-cine-nazare-o-ultimo-cinema-de-bairro-ativo-em-fortaleza.html
http://www.al.ce.gov.br/index.php/ultimas-noticias/item/90074-0807pe01-lancamento-inesp
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/morre-seu-vava-do-cine-nazare-cinema-de-rua-fundado-ha-mais-de-80-anos-em-fortaleza-1.3195477
VÁ PARA O VAVÁ EM LINHA DO TEMPO
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2009/09/no-escurinho-do-cinema.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/10/seu-vava-e-o-acervo-do-cine-nazare.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/10/mudou-o-nazare-ou-mudou-vava.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2015/04/o-vava-do-cine-nazare.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/08/fumaca-nos-olhos.html

CORRESPONDÊNCIA COM LÚCIA

🖹9 de fevereiro de 2022
Conheço o Tarcísio Garcia: pessoa maravilhosa, excelente artista plástico. [1] [2] [3] [4] Foi morador, durante muitos anos - desde menino - da Rua Justiniano de Serpa, no bairro Otávio Bonfim. Ele é tio materno da minha nora que é filha de Fátima Garcia, do blog Fortaleza em Fatos e Fotos, e que administra a página do facebook Fortaleza em fotos. Só agora encontrei esse blog, estando a seguir, cujas postagens estou gostando muito. Mantive o blog Da Cadeirinha de Arruar (Lúcia Bezerra de Paiva) de 2011 a 2016, quando dei uma pausa necessária, mas ele continua lá, com as postagens daquele período. Ontem, compartilhei a matéria "Pílula do Mato" na página do facebook Coisas que o tempo levou, da qual sou a moderadora.
Apareça por lá (blog e página), Dr. Paulo Gurgel.
Um abraço.
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🖹20 de fevereiro de 2022
Vou aparecer, Lúcia.
🖌De/sobre Tarcísio Garcia:
[3] Igreja de N. Sra. das Dores em Otávio Bonfim (pintura em óleo sobre tela)
[4] Torre do relógio da Igreja N. Sra. das Dores (desenho com bico de pena)

MEMÓRIA. PRAIA DE ARPOEIRAS

No período de 2000 a 2002 fui instrutor dos Cursos de Capacitação em Diagnóstico, Tratamento e Ações de Controle da Tuberculose promovidos pela Secretaria de Saúde do Ceará (SESA). Tendo como público-alvo os médicos e enfermeiros das Equipes de Saúde da Família das Microrregionais de Saúde, esses cursos eram organizados pela Enf.ª Joilda Pessoa Furtado, da Célula de Atenção à Saúde do Adulto e do Idoso, e contava com a colaboração da Dra. Creusa Lima Campelo, farmacêutica e bioquímica do Laboratório Central.
Tínhamos à disposição para os nossos deslocamentos aos locais dos cursos um carro oficial da SESA com motorista. Partíamos de madrugada e voltávamos ao entardecer do segundo dia. Para a realização de cada curso contávamos também com o apoio local de funcionários da microrregião e dos municípios. Levamos a termo 24 edições desses cursos que duravam em média dois dias.
No caso de microrregiões mais distantes (como o Cariri, por exemplo), utilizei-me de aviões comerciais para meu deslocamento.
Em Acaraú, município do litoral oeste do Ceará, que dista de Fortaleza 274 Km (por Itapipoca) e 244 (pela via estruturante), o curso foi realizado nos dias 10 e 11 dezembro de 2001. Com 89 participantes, um dos quais sendo um colega de turma, Emanuel Ponte, que prestava serviços médicos na região e há décadas não nos víamos.
Ficamos hospedados no Hotel Municipal.
Acaraú
É uma região de belezas naturais banhada pelo mar e pelo Rio Acaraú, o segundo maior rio do Ceará. Trata-se de um lugar com bastante história ao longo de sua existência como cidade, cuja data de fundação oficial é 31 de julho de 1849. porém sua origem como aldeamento remonta ao início do século 17, quando os portugueses usaram seu território como ponto de apoio contra a ocupação francesa no Maranhão. Acaraú é uma cidade de médio porte com 34 km de litoral. Suas praias principais são: Praia da Barrinha, da Volta do Rio, do Monteiro, de Arpoeiras, de Aranaú e do Espraiado.
Praia de Arpoeiras
Aproveitando um tempo livre (cerca de 2 horas) em que a programação do curso estaria sendo tocada por Joilda e Creusa, acertei uma corrida de mototáxi. E fui conhecer a Praia de Arpoeiras, considerada a segunda praia mais seca do mundo. Essa característica deve-se ao movimento das marés. Quando a maré baixa, deixa uma larga faixa de areia com 2 km de distância do mar e cheia de piscinas naturais. E, quando a maré sobe, a faixa de areia então se restringe ao trecho em que estão as barracas. Arpoeiras fica a 10 km do centro de Acaraú.
Vídeo postado há 5 anos sobre a Praia de Arpoeiras:

VAIA AO SOL EM FORTALEZA COMPLETOU 80 ANOS

O Ceará celebrou, no domingo passado (30/01/2022), os 80 anos do episódio da vaia ao Sol, "um dia registrado na história do Estado", como descreve o memorialista Miguel Ângelo Azevedo, o Nirez.
De acordo com Nirez, em 30 de janeiro de 1942 um grupo de cearenses reunidos na Praça do Ferreira, no centro de Fortaleza, esperavam ansiosamente o início de uma chuva enquanto observavam nuvens carregadas de água.
De repente, o sol apareceu e, como todo mundo esperava a chuva, o astro-rei levou aquela vaia, que ficou registrada entre os causos do Ceará, virou tema de peça de teatro e é contada até hoje em piadas pelos humoristas do Estado.
"iiêêêii"
Seja como protesto ou só para "frescar", a vaia cearense se tornou um patrimônio imaterial do Estado. Diferente das vaias comuns pelo Brasil afora, um "uuhh" que não tem o mesmo impacto e significado de um "iiêêêii". (Jornal O Povo)
http://g1.globo.com/ceara/noticia/2012/01/vaia-ao-sol-completa-70-anos-nesta-segunda-feira-no-ceara.html
http://twitter.com/opovo/status/1487821929058811906

MEDICINA CEARENSE DE LUTO. FALECIMENTO DO DR. ROBERTO MISICI (21/04/1947 - 01/02/2022)

É com profunda consternação que informo o falecimento, na tarde de hoje (1.º), do meu amigo e colega Roberto Misici.
Filho de Emidio Misici e Letizia Albertina Botelli Misici, Dr. Misici nasceu na cidade de Milão, na Itália, em 21/04/1947.
Veio para o Brasil com seus pais, aos 8 anos de idade, radicando-se em Fortaleza.
Fomos colegas no Colégio Cearense do Sagrado Coração (no ciclo ginasial)[1] e na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (na turma que ingressou em 1966 e concluiu em 1971).
Em 1970, Roberto Misici naturalizou-se cidadão brasileiro. Foi fundador do Instituto di Cultura Italiana di Fortaleza em 1998 e Vice-Cônsul Honorário da Itália, em Fortaleza-CE, de 1997 a 2015, e a partir deste ano até 1998 foi promovido pela Embaixada da Itália a Cônsul Honorário.
Especializou-se em coloproctologia, tendo exercido esta especialidade na Santa Casa de Misericórdia e na clínica privada. Também foi docente da Universidade de Fortaleza e da Faculdade Integrada do Ceará.
Em 2014, tomou posse na cadeira de n.º 2 da Academia Cearense de Medicina, que tem como patrono o médico Dr. Moura Brasil.[2] Ocupava o cargo de Diretor Científico deste sodalício.
Tive a honra de fazer a apresentação oral de "Da Milano a Fortaleza", seu livro de crônicas e ensaios sobre a ópera, a religiosidade e a medicina. Roberto Misici lançou esta obra em 16/10/2021, no encontro em que comemoramos os 50 anos de nossa formatura.[3]
Dr. Roberto Misici era casado com a Sra. Veula Misici com que teve os filhos Dra. Mirella Pinheiro Misici (fisioterapeuta) e Dr. Emidio Giuseppe Pinheiro Misici (psicólogo).
Riposa in pace, amico mio.
Webibliografia
http://jornaldomedico.com.br/2022/02/medicina-enlutada-roberto-misici
http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com/2022/02/pesar-pelo-falecimento-do-dr-roberto.html
[1] http://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/08/irmao-abdon.html
[2] http://gurgel-carlos.blogspot.com/2014/04/posse-de-roberto-misici-na-acm.html
[3] http://gurgel-carlos.blogspot.com/2021/10/da-milano-fortaleza.html
As exéquias do Dr. Roberto Misici, segundo informações do seu filho Emídio, acontecerão amanhã, dia 2/02/2022 (quarta-feira), na Funerária Ethernus, com velório das 8h30 às 14h. A missa de corpo presente será às 14h e, em seguida, se dará a saída do cortejo fúnebre para o sepultamento do corpo do ilustre companheiro.

CARTOGRAFIA MUSICAL DE FORTALEZA

Paulo Gurgel Carlos da Silva
Mucuripe
"Falta de luz" (1960) - Irapuan Lima e Mario Filho, gravada por José Lisboa
Falta de luz / É bom pra namorar / Mas depois disso / Nem é bom falar / A usina lá do Mucuripe Todo mês tem gripe / Não quer mais funcionar.
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/03/falta-de-luz.html
"Mucuripe" - Fagner e Belchior, gravada por Elis Regina, Roberto Carlos e pelo próprio Fagner
As velas do Mucuripe vão sair para pescar / Vou levar as minhas mágoas pras águas fundas do mar / Hoje à noite namorar / Sem ter medo da saudade / Sem vontade de casar.
http://youtu.be/Qs96sm4gV7E
"Vive seu Mané chorando" - Luiz Assunção, gravado pelo Trio Nagô (1955)
"Numa festa lá na Lapa / A Maria foi dançar / Arranjou um namorado / E dessa vez não quis voltar."
A letra sofreu uma alteração, talvez para ser mais divulgada no Sudeste. Onde há "numa festa lá na Lapa", leia-se: " numa festa em Mucuripe"  (Luciano Hortencio).
http://youtu.be/9Uq8pEBZh34
Praia de Iracema
"Adeus, Praia de Iracema" - Luiz Assunção
"Adeus, adeus / Só o nome ficou / Adeus, Praia de Iracema / Praia dos amores que o mar carregou."
"Praia de Iracema" - Waldemar Ressureição, gravada por Ari Lobo (1974)
"Nossa rainha da beleza, Fortaleza / O mar ficou devendo ao Ceará."
http://youtu.be/gqUQze8G5MQ
Praia do Futuro
"Maria do Futuro" - Taiguara, gravada por Fagner e pelo próprio Taiguara
Duna branca, lua imensa /Maria deita / Nua e branda como as nuvens / Que a lua enleita.
http://youtu.be/6HBdV5ih17U
"Terral" - Ednardo, gravada por Ednardo
A Praia do Futuro / Farol velho e o novo / Os olhos do mar / São os olhos do mar / São os olhos do mar / O velho - que apagado / O novo - que espantado / Vendo a vida, espalhou / Luzindo na madrugada / Nossos corpos suados / E à praia fazendo amor. 
(em construção)



MÚSICAS PARA FORTALEZA 
Projeto de um grupo de pesquisadores coordenado pela professora Sílvia Helena Belmino da Universidade Federal do Ceará. 
Mapeia cerca de 200 músicas inspiradas em lugares de Fortaleza e cria aplicativo (*), álbum de figurinhas e livro. 
Fonte: Diário do Nordeste, edição eletrônica de 25/01/2022. Reportagem de Roberta Souza. 
(*) O aplicativo está gratuitamente disponível na Play Store para a plataforma Android.

MENSAGEM DE PESAR PELO CONFRADE DR. PEDRO HENRIQUE SARAIVA LEÃO

Confrades e confreiras,
O Dr. Pedro Henrique Saraiva Leão foi meu professor na Faculdade de Medicina e, tempos depois, colega no Departamento de Cirurgia da UFC. Foi, porém, na Academia Cearense de Medicina que nos estreitamos a amizade. Tornamo-nos grandes amigos. Tive o privilégio de dar carona para as reuniões da Academia. Foi uma oportunidade de ouro para conversarmos, especialmente sobre literatura. Culto e erudito. Falava, lia e escrevia em várias línguas.
Gostava da palavra, brincava com elas. Leitor habitual desde jovem. Tinha o dom da sabedoria, via-se nele o pendor pelas coisas divinas. Quando caminhava na Praça das Flores, fazia uma pausa diante da cruz e rezava o Pai Nosso. Era temente filial a Deus!
Seu lavor médico viverá na memória daqueles que receberam a assistência através das suas mãos. Li quase toda a sua obra literária. Esta será imortal, que o diga a sua biobibliografia de altíssima qualidade. Perdemos um grande confrade em pleno exercício da presidência da nossa agremiação. Com o agravamento da doença, estava pressentido o desenlace, mas a gente sempre espera um milagre de Deus. O milagre não veio, e estou triste e com muita saudade do meu amigo Pedro Henrique Saraiva Leão.
Que Deus o receba em seu Reino de Glória e conforte a sua família.
Graça e Paz!
Sebastião Diógenes e Erineide

Pedro Henrique Saraiva Leão (Fortaleza, 25 de maio de 1938 - Fortaleza, 21 de janeiro de 2022), médico coloproctologista, professor universitário, poeta e ensaista. Criou o primeiro clube de ostomizados no Brasil (trazendo a ideia e o formato desse clube de Londres, onde cumpriu estágio). Sua obra "Câncer nos Cólons e no Reto: Mesmos e Outros Aspectos" foi escolhida o Livro do Ano de 1986, na área científica, pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Foi presidente da Academia Cearense de Letras (ACL), da Academia Cearense de Medicina (ACM) e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames). Escreveu "12 poemas em inglês". Fortaleza: Imprensa Universitária, 1960; "Ilha de Canção". Fortaleza: Edições UFC, 1983; "Concretemas". Fortaleza: Xisto Collona Editor, 1983; "Poeróticos". Fortaleza: Nação Cariri, 1984; "Meus Eus". Fortaleza: EDUFC, 1995; "Trivia". Fortaleza: EDUFC, 1996; "Dicas para um jovem poeta". Fortaleza: Poetaria, 1998; "Poesia concreta no Ceará". Fortaleza: Poetaria, 2001; "As plumas de João Cabral". Fortaleza: Poetaria, 2002;"Circunstâncias". Fortaleza: Poetaria, 2003.

BAIRROS DE FORTALEZA

Nascido em Teresina - PI, o cantor e compositor Carlinhos Palhano recebeu o título de Cidadão Fortalezense por tantas músicas que fez falando de nossa cidade.


A ESCRITURA POLIMORFA DE J.B. SERRA E GURGEL

por BARROS ALVES *
Nunca é demais repetir que o nosso Ceará é berço de nomes exponenciais da cultura brasileira, tendo doado ao cenário nacional e internacional nomes que ontem como hoje se alteiam nas lides das artes e das letras. Algumas dessas personalidades dão contribuição imensa ao fazer literário nacional e imortalizam-se não pelo fato de serem consagrados pela imortalidade acadêmica, que, na verdade, em não raros casos serve apenas para atiçar vaidades; mas, sobretudo, pela produção intelectual que se insere como registro imorredouro no corpus cultural do País. Quase sempre a comunicação de massa exercitada pelas grandes mídias, passa ao largo de importantes nomes do cenário literário, sobretudo quando suas preocupações prendem-se a aspectos regionais deste País continental. Mas, esse olhar regional é pleno de universalidade, porque jamais haveria o todo sem as partes, notadamente quando se trata de compreender da formação cultural de um povo.
J. B. Serra e Gurgel é um desses escritores preocupados com a perenização do "rio da sua aldeia", para lembrar o verso pessoano, exatamente porque o rio que corre em sua aldeia é o mais belo e contém um poder de permanência que transcende o tempo. Sertanejo nascido nos sertões de Acopiara bateu pernas por esse Brasil afora, e desde o Seminário do Crato, passando por Fortaleza até o Rio de Janeiro e Brasília, palmilhou caminhos adustos e tapetes palacianos, cavalgando os sonhares de sua gente e construindo uma obra múltipla e polimorfa não apenas na seara bibliográfica, mas na ação cotidiana que forja uma biografia assentada na solidariedade e na fidelidade aos valores que consolidam o sentido de cidadania sem adjetivações.
O jornalista, cronista, dicionarista e memorialista J. B. Serra e Gurgel, fincou raízes na capital federal, mercê das responsabilidades profissionais que assumiu e na rede de amizades que o jungiu a plagas distantes do seu Ceará. Todavia, o sentimento telúrico jamais o abandonou um só momento, refletindo-se de forma poderosa em suas obras, que têm jeito e cheiro de Brasil, mas, sobretudo, cheiro de Nordeste, de Ceará, de sertão. O seu "Dicionário de Gíria – Modismo Lingüístico, o Equipamento Falado do Brasileiro", já em 9ª edição, é uma obra extraordinária resultante de pesquisa beneditina e, certamente, de esforço hercúleo, porque para a consecução de tão pujante e completa obra sobre o falar do povo, necessário se faz não apenas felina capacidade de observação, dedicação, persistência, mas um verdadeiro esforço físico e intelectual que debilitaria qualquer um que não tivesse determinação, fortaleza, resiliência.
Mais recentemente, J. B. Serra e Gurgel, em suas lides como voluntário na Casa do Ceará em Brasília, não permite tréguas ao seu desiderato de pesquisador e escritor. Publicou registros biobibliográficos e memórias da maior importância para a história do Ceará e do seu torrão natal, em especial. Na obra "Nas Terras do Senhor Meu Rei", publicada em dois volumes, ele discorre com proficiência sobre a vida ilustres personagens que, igualmente o Ashaverus da tradição judaica, deixaram o Ceará para construir onde se assentaram na capital federal, com a argamassa do espírito e muito trabalho, verdadeiros edifícios de cearensidade, num exercício pleno e profícuo de adaptação sócio-cultural.
Em "Nas Terras do Senhor Meu Pai", um repositório de relembranças, desfilam pessoas, coisas, fatos, episódios da sua amada Acopiara, que o memorialista resgata com um grande sentido de pertencimento à gleba que o viu nascer. É como se aquela cidade ainda acanhada, aquele povo pouco citadino, com jeito de indisfarçável ruralidade onde perdura o acolhimento, aquele calor permanente que envolve terra e povo, seja a seiva com que J. B. Serra e Gurgel fala amorosamente de sua gente e dos seus primitivos pagos nos sertões da Acopiara, sempre bela e carinhosa para o olhar amante do poeta ausente de corpo, mas sempre conduzindo a amada no coração, na mente, na alma.
* Este artigo foi publicado em O ESTADO de 22/12/2021. O autor é jornalista, poeta e assessor parlamentar.
N. do E. José Sampaio de Lacerda Jr. e Fernando Gurgel Filho escreveram comentários.

CASAMENTO DE LARISSA E DAVID

A cerimônia de casamento de Larissa e David, ela - filha de Fernando Adeodato Junior e Márcia Gurgel Carlos Adeodato, e ele - filho de Durval Roberto Carvalho Ximenes de Aragão (em lembrança) e Maria Lucineide Gomes de Albuquerque, será realizada hoje (7), às 19h30, na Capela Christus Filius Dei, na Rua Silva Paulet, 1654, Meireles, Fortaleza - Ceará.
Após a cerimônia, os convidados serão recepcionados no Ilmar Gourmet, na Rua Luiza Miranda Coelho, 1111, Engenheiro Luciano Cavalcante, Fortaleza - Ceará.
Minha sobrinha Larissa é médica veterinária graduada pela UECE, com especialização em fisioterapia animal. David é neto do médico e escritor Caetano Ximenes Aragão. Tive a honra de privar da amizade deste inesquecível colega e de estar com ele em várias antologias de prosa e poesia que, na década de 1980, foram publicadas pela Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, seção do Ceará.
08/01/2022 - Atualizando a postagem com foto:
"Champagne, per brindare all'amore."

NATAL DE 2021 E ANO-NOVO

13/12/2021, às 19h - Confraternização natalina e posse dos novos membros da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames-CE), no Auditório térreo da Unichristus (Campus Parque Ecológico), na Rua João Adolfo Gurgel, 133 - Cocó, quando foram empossados os sócios titulares Drs. Charles Jean Gomes de Mesquita, Henrique Leal Cardoso, Margareth Amaral Medeiros, Melissa Soares Medeiros e Ronald Campos Teles da Silva, a sócia acadêmico Rita de Cássia Soares e o sócio benemérito Dr. André Bastos Gurgel.
Discursaram na ocasião Marcelo Gurgel, Arruda Bastos, José Maria Chaves, Walter Miranda e o Magnífico Reitor da Unichristus Prof. José Rocha e, em nome dos novos sobramistas, Margareth Amaral, Ronald Teles e André Gurgel. No final da solenidade, Paulo Ferreira interpretou a capella uma canção cristã.
No terraço do auditório foi servido um coquetel aos participantes. E o encontro foi uma excente oportunidade para revermos antigos colegas da Sobrames Ceará.

Da esquerda para a direita: Dr. André Bastos, Dr. Paulo Gurgel (eu), Dr. Marcelo Gurgel e Dr. Arruda Bastos, presidente da Sobrames Nacional e da Regional do Ceará. Dra. Angelita, esposa de meu irmão Marcelo Gurgel, fez o registo fotográfico acima.

24/12/2021 (manhã) - Encontro e sessão de fotografias com a matriarca Elda (91 anos) no apartamento de minha irmã Magna. Todos os irmãos estavam presentes, além de quase todos os cônjuges.

24/12/2021 (tarde) - Almoço da véspera de Natal no apartamento do cunhado Francisco Moacir. Sua esposa, Maristane Macedo, me presenteou com o livro "Redentor", de Rodrigo Alvarez, pela Globo Livros. Trata-se da biografia do Cristo de braços abertos, ilustre morador do Corcovado, orgulho do Brasil, maravilha do mundo.

26/12/2021 (noite) - Jantar com Elba, a filha Natália e a família de Rodrigo, seu esposo, no restaurante Depot Medieval (um lugar para imergir nas fantasias da Idade Média), na Cidade dos Funcionários. Encontrei com o sobrinho Leo acompanhado da família.

28/12/2021 (manhã) - Batizado do neto Renan Macedo Soares na Igreja N.S. do Líbano. Recepção dos convidados no Vivacité Bistrô.

31/12/2021 - Ano-Novo em casa (com a esposa e um neto). Outorgados os poderes de diversão a Natália e Rodrigo para o réveillon no Floresta Bar.

UMA PROVA ORAL DO BOÊMIO PAULA NEI

Falando sobre boemia, não se pode deixar de falar sobre Paula Nei, que foi seguramente maior boêmio que o Brasil conheceu, até os dias de hoje.
Nasceu em 1858 em Aracati, Ceará. Fez os estudos primários e secundário nos Educandários de Fortaleza e Recife, onde já começara a ficar conhecido como "blaguer" incomparável e orador primoroso.
Em 1876 embarcou para o Rio, para a Corte Imperial, trazendo pouco dinheiro, mas uma tremenda inteligência. Tinha 18 anos. Em 1877 requereu e obteve matrícula na Faculdade de Medicina.
Nos dois primeiros anos de Faculdade, ainda levava a sério os estudos, porém como a mesada enviada por seu pai era escassa, resolveu também dedicar-se ao jornalismo, para ganhar algum dinheiro extra que o ajudasse a manter-se. Conseguiu um lugar de repórter na GAZETA DE NOTÍCIAS, onde também trabalhava como redator José do Patrocínio, que mais tarde ficou conhecido como "O tigre da abolição".
Aqui começa praticamente a vida boemia de Paula Nei. Começou a frequentar as rodas boemias da época que se reuniam nos cafés e bares localizados na Rua do Ouvidor, como a "Pascoal,", "Castelões", "Deroche", isto de dia e à noite na "Maison Moderna" e "Coblentz", e mais tarde na Confeitaria Colombo, na Rua Gonçalves Dias.
Agora vejamos quem eram seus companheiros de boêmia do dia a dia e noite a noite! Olavo Bilac, o principe dos poetas brasileiros, Coelho Neto, Guimarães Passos, Artur da Azevedo, Aluizio de Azevedo, Luiz Murad, todos grandes escritores e teatrólogos, e ainda o fabuloso trocadilhista Emílio de Menezes e outros.
Com essa vida boêmia que levava, começou a relaxar nos estudos de medicina. Ia às aulas uma vez por semana e olhe lá. Na época de provas contava com sua inteligência fora do comum para safar-se. Vejam agora, para vocês terem ideia do que acabo de escrever, uma das grandes pilhérias de Paula Nei.
Visconde de Saboia (WIKI)
Época de provas. Como sempre a sala cheia, e as galerias também, pois quando Paula Nei ia fazer provas ninguém queria perder o espetáculo pois sabia-se que ia sair alguma "blague".
O professor, o Visconde de Saboia (cearense de Sobral), chamou Paula Nei, e mandou que ele retirasse o ponto, a fim de que ele dissertasse sobre a matéria. Paula Nei, levantou-se foi na banca examinadora e retirou o ponto. Abriu-o e viu logo que estava fraquíssimo naquela matéria. Verbo fácil, invejável dicção, começou: — "Nos mares procelosos da ciência humana, às vezes as mais lúcidas inteligências se debatem e vão ao fundo..."
Aí, o Visconde de Saboia, interrompeu-o e perguntou-lhe: — "Sr. Paula Nei, já que o Sr. quer fazer dissertação literária extra-ponto, diga-me uma coisa, e faça-me o favor de dizer o que seria da ignorância se a inteligência naufraga?"
Rápido como um relâmpago, Pauta Nei, fulminou o professor com essa resposta à queima-roupa:
—"ESSA BOIA, senhor Visconde!"
O professor, Visconde de Saboia, deu-lhe um tremendo ZERO, e mandou-o retirar-se da sala, enquanto explodia pela sala uma tremenda gargalhada de todos os presentes.
Fonte: “Estória de Boemios e Outras Estórias” - 1978
Autor: Helio de Oliveira Santos

ONDE ESTÃO OS BOTECOS DE FORTALEZA?

Dr. Paulo,
Cadê os botecos de Fortaleza tipo POMBO CHEIO, CIRANDINHA e, verdadeira panaceia para bebedeira, a sopa de peixe do ALFREDO etc? Confesso que um dos meus favoritos era a BOATE E CHURRASCARIA MADRUGADA (cabia no meu orçamento), um som muito louco, mulherada muito animada e fácil além da singularidade de ser um dos raros ambientes realmente democráticos à época em Fortaleza: encontrava-se de tudo (T U D O) de cidadãos de boa nomeada a trabalhadores braçais e reparem: nos anos 60/70, quando muita gente repudiava imiscuir-se (ou misturar-se como diziam) com pessoas mais humildes, um verdadeiro Templo do BENZETACIL para os mais afoitos. Achava mais divertido o bar do "seu" Chico, perto de casa onde após 22h a bebedeira estava no seu auge, portas trancadas e violões afinados, repertório e seresta programada até que um abestado colega de farra inventou de ganhar na Loto e comprou o boteco. Quebrou em 3 meses. Abaixo uma ODE AOS BOTECOS DE SÃO PAULO que meu amigo e vizinho de Bairro, Breno Augusto dos Santos, me enviou e uma belíssima "trinklied" (La Traviata) ou música de bebedeira.
Jaime Nogueira
1 - 'Rainha dos Aperitivos', A JURITI é boteco de verdade com petiscos-raiz desde 1957, por Marcos Nogueira (02/12/2021)
Estacionado no tempo, bar é instituição no Cambuci com batidas, linguiça na brasa e rã à milanesa.
Onde: R. Amarante, 31, Cambuci, região central
Contato: Tel. (11) 3207-3908
[...] Quem traz tudo isso à mesa (rã, ostra, mexilhão, pastel, chouriço, ovos de codorna, picles, torresmo, lula, manjuba, ricota defumada, gorgonzola, frango a passarinho, coxinha, azeitonas e roll mops, que são sardinhas em escabeche com cebola) é o Gibinha, é o Zé, são funcionários com história quase tão longa quanto o próprio bar. O garçom Bigode, querido pelos clientes, não resistiu à Covid: sua morte gerou justa comoção entre os frequentadores.
Também na pandemia, disseram que A Juriti tinha fechado de vez. Era fake news, felizmente.
A Juriti está aberta, mas não até muito tarde. É um bar velho, de velhos, com garçons velhos e comida antiquada, o aviso está dado. Vá cedo.
E não se ofenda quando começarem a empilhar as mesas e baixar a porta de enrolar enquanto você ainda tem o copo cheio. A noite pode ser uma criança, mas A Juriti não é.
2 - LA TRAVIATA
Jaime,
A noite em Fortaleza continua sendo uma criança, mas eu não. Ainda que eu vá escapando da sina de virar uma juriti de canto triste. "Libiamo ne lieti calici".
Paulo Gurgel

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DE BENÍCIO

Ontem à noite, meu neto Benício Viana Gurgel, filho de Érico e Aline, teve o seu primeiro ano de  existência comemorado no salão de festas do edifício em que eles moram.
Abaixo inseri duas fotos da sessão de smash the cake - - - uma prévia do aniversário.

MEMÓRIA. AÇUDE DO CEDRO E SERRA DO ESTÊVÃO

Em julho de 1997, viajamos a passeio para Quixadá. Após percorrermos a sede do município, fomos conhecer o Açude do Cedro, localizado a 6 quilômetros de distância.
É um belo reservatório de água, esta obra que resultou de uma ordem de construção dada por D. Pedro II, porém que só saiu do papel nos primeiros governos republicanos do Brasil, entre os anos de 1890 e 1906.
Um detalhe que desperta a curiosidade dos visitantes é a vista proporcionado pela pedra da Galinha Choca. Elba e nossos filhos Érico e Natália ficaram encantados com aquele imenso monólito que evoca a imagem de uma enorme galinha no choco.
No pequeno restaurante à beira do açude, saboreamos uma vistosa tilápia assada com baião de dois e  refrigerantes. E o calor já começava a ficar insuportável.
Foto de Fábio Barros (free for all use). Parede principal do Açude do Cedro e Pedra da Galinha Choca, Quixadá, Ceará, Brasil.
À tarde, nós tomamos o rumo da Serra do Estêvão. Uma pequena cadeia montanhosa, com aproximadamente 24 km de comprimento por 10 km de largura, que se distribui pelos territórios de Quixadá e Choró (principalmente no primeiro município). É nesta serra que se localiza o ponto culminante do município de Quixadá, com 755 m de altitude.
A 20 km de Quixadá, no distrito de Dom Maurício, estivemos visitando a Casa de Repouso São José. Funcionando anexo ao Mosteiro de Santa Cruz, a Casa de Repouso tinha um mobiliário modesto (com quartinhas no criado-mudo) e adotava rigorosas regras de silêncio.
Como o tempo não estava nem um pouco ameno por lá, nossa viagem prosseguiu em busca do frio de Guaramiranga.
(vídeo recente)


Atualização ...
Em dezembro de 2021 (18), a edição impressa do jornal "O Povo" publicou esta reportagem de capa:
Açude do Cedro: o primeiro reservatório do Brasil está seco
Sem água, o açude não sangra desde 1989. O chão rachado abriga um "cemitério de peixes", que morreram quando as águas do açude secaram. Há mais de 10 anos, o Açude do Cedro já não disponibiliza suas águas para o abastecimento de Quixadá. As águas que chegam ao município são transportadas do Açude Pedra Branca, localizado a 37 km da sede municipal. Apesar de sua importância histórica, o reservatório perdeu a relevância hídrica.
Foto: Julio Caesar

CASAMENTO DE ROBERTA E RENAN

A cerimônia de casamento de Roberta e Renan, ela - filha de Francisco Ronaldo de Albuquerque Lima Filho e Denise Maria Macedo Pinto, e ele - filho de Geraldo Lopes da Silva e Maria de Fátima Lopes da Silva, será realizada hoje (5), às 16 horas, no Buffet La Maison, Av. Eng. Luís Vieira, 555, Papicu, Fortaleza, Ceará.
Após a cerimônia, os convidados serão recepcionados no local.
06/12/2021 - Atualizando a postagem com a inserção desta fotografia:

O DIABO A QUATRO

Fazer o diabo a quatro significa fazer coisas espantosas, causar grande confusão, provocar balbúrdia etc. Origina-se essa locução dos autos medievais quando, para atemorizar ao máximo os espectadores, ao invés de um só personagem fazendo o papel do diabo, vinham quatro. Fiquemos acertados sobre o seguinte:
Se as diabruras eram pequenas, dois deles em cena já bastavam. Mas, para se criar um completo pandemônio, aí só com quatro diabos.

Em italiano: fare il diavolo a quattro; em francês: faisaient le diable à quatre.
Blog EM, 12/02/2010
Em 22/11/2021, Ana Margarida Arruda Rosemberg disse...
Parabéns, pela postagem!
Para ilustrar compartilho um depoimento oral do tio Ananias. Entrevista concedida ao papai, Miguel Edgy, no final da década de 1970.
Abro aspas para o tio Ananias:
"Eurico Arruda fundou um jornal com o Júlio Severiano - o jornal "O momento" . Tive a ideia de fundar um jornal católico. Fui ao monsenhor Manoel Cândido que falou da tipografia do Joaquim Matoso, do antigo jornal "O município". Disse que ia conseguir a tipografia emprestada. A VERDADE foi fundada em abril de 1917".
Obs: segundo outras fontes, o nome do Jornal de Eurico Arruda era: "O DIABO A QUATRO.

OS ARRUDAS DE BATURITÉ arquivo PDF (p.106)

A JANGADA ESMERALDA

Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros; Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas. Onde vai a afouta jangada, que deixa rápida a costa cearense, aberta ao fresco terral a grande vela? Onde vai como branca alcíone buscando o rochedo pátrio nas solidões do oceano?
(José de Alencar, in: "Iracema")

Minha jangada de vela
Que vento queres levar?
Tu queres vento de terra
Ou queres vento do mar?

(Juvenal Galeno, in: "A Jangada")


Descrição da jangada
Uma base em granito preto correspondendo às tábuas de uma jangada. Numa de suas bordas está escrito com letras brancas: FORTALEZA - FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (1).
Sobre a base da jangada, assentam-se:
- Um triângulo escaleno de acrílico na cor verde, o qual representa de um modo estilizado a vela de uma jangada. O triângulo ostenta as fotos em preto e branco de 95 dos formandos de medicina (2) do ano de 1971, vestidos de beca e com boina. No vértice mais elevado do triângulo há também uma imagem do bastão de Esculápio, o símbololo da medicina.(3)
- Uma estatueta em bronze, a qual reproduz a célebre cena do médico abraçado a um paciente a protegê-lo da ceifadora de vidas.
- Uma placa de cor grafite, na qual está escrito verticalmente com letras brancas vazadas: MÉDICOS DE 1971.
(1) algumas das palavras estão abreviadas;
(2) supõe-se que 2 colegas não providenciaram as fotografias a tempo;
(3) uma cobra enrolada a um bastão ou cajado é o símbolo da medicina, que nos remete ao semideus grego Asclépio (Esculápio, entre os romanos). Na Grécia antiga, ele tinha templos em sua homenagem onde os doentes eram levados para serem tratados. E cobras ficavam em torno desses templos por serem consideradas benéficas aos doentes.
Confeccionada em 1971 para a nossa colação de grau, a jangada acompanhou a turma de médicos em alguns de nossos encontros nos últimos 50 anos. Mas não esteve presente no encontro de 2021 devido à deterioração então alcançada pelo objeto. Foi nesse encontro, em palestra dedicada aos colegas inesquecíveis, que fiz uma comparação da nossa jangada com o navio de Teseu. 
Por séculos mantido como um troféu no porto de Atenas, o navio de Teseu fazia uma navegação anual para Creta a fim de reencenar a viagem vitoriosa. Quando o tempo começou a corroer a embarcação, seus componentes foram substituídos um por um - novas pranchas, remos, velas - até que nenhuma peça original permanecesse. A ponto de Plutarco perguntar se ainda era o mesmo navio.
E deste escriba também perguntar: se ainda é a mesma jangada? Com algumas tábuas a menos, por não haver como substituir aquelas que foram perdidas no enfrentamento às vagas impetuosas, ainda é mesma jangada da vela esmeralda que continua a singrar, não as águas do mediterrâneo Egeu, mas os verdes mares bravios da nossa terra natal, etecétera e tal.

MEDROSO DE AMOR

Na bela Paris, em algum dia do ano de 1894, o pianista cearense Alberto Nepomuceno (1864 -- 1920) musicou o poema "Medroso de Amor", de seu conterrâneo, o poeta e folclorista Juvenal Galeno (1836 --1931). Na união das competências de dois nacionalistas o resultado não poderia ser outro: a brasilidade da obra.
No poema aparentemente ingênuo, até brejeiro, Juvenal Galeno, realça as virtudes de um tipo genuinamente brasileiro - a moreninha - que habitava o imaginário popular da época com seu poder de seduzir, definitivamente, pelo sorriso meigo e olhar apaixonado. 
Embora fosse músico erudito, Nepomuceno defendia com unhas e dentes a língua portuguesa. Ficou famosa uma frase supostamente a ele atribuída - "Não tem pátria um povo que não canta em sua língua"."Medroso de Amor" se destaca na vasta obra de Nepomuceno por ser uma de suas primeiras incursões no universo popular.
Nesta obra o músico cearense parece ir buscar elementos rítmico-melódicos da modinha, estilo musical romântico bastante popular no Brasil na metade do século XVIII e que teve como grande nome Domingos Caldas Barbosa, um descendente de escravo que fez grande sucesso na corte portuguesa do século 18. A música chegou a merecer análise de Mário de Andrade em "Ensaio Sobre a Música Brasileira".
http://www.drzem.com.br/2013/02/belos-poemas-que-viraram-musicas.html
Em 1968, Nara Leão gravou "Medroso de Amor", apoiada em arranjos de Regis Duprat, uma versão modernizada, sem as impostações líricas da maioria das versões interpretadas por sopranos:

Em 2008, "Medroso de Amor" foi interpretada pela soprano Patrícia Endo com o aconpanhamento do pianista Dante Pignatari:

O VESTIBULAR EM QUE CAIU CECÍLIA MEIRELES

O vestibular que nos levou à admissão na Faculdade de Medicina da UFC constou de cinco provas aplicadas em dias separados: 
Física, Química, Biologia, Português e Inglês.
Cada candidato, portanto, teria que matar cinco leões. De olho no desempenho geral dos gladiadores, pois havia cerca de oitocentos candidatos para as cem vagas da Medicina.
Surpreendendo os candidatos com o poema SURPRESA, o processo seletivo de 1966 ficou conhecido como "O vestibular da Cecília Meireles". Não era frequente em competições do tipo a escolha de uma poeta da Segunda Geração do Modernismo (*) para a análise literária pelos candidatos.

SURPRESA

Trago os cabelos crespos de vento
e o cheiro das rosas nos meus vestidos.
O céu instala no meu pensamento
aos seus altos azuis estremecidos.

Águas borbulhantes, árvores tranqüilas
vão adormentando meus tempos chorados.
E a tarde oferece às minhas pupilas
nuvens de flores por todos os lados.

Ó verdes sombras, claridades verdes,
que esmeraldas sensíveis hei nutrido,
para sobre o meu coração verterdes
mirra de primaveras e de olvidos?

Ó céus, ó terra que de tal maneira
ardente e amarga tenho atravessado,
por que agora pensais com tão fino cuidado
vossa mansa,calada, ferida prisioneira?

Cecília Meireles
In: Mar absoluto (1945)

OU ISTO (a poeta-surpresa na prova de Português) OU AQUILO (o grau de dificuldade das questões formuladas no vestibular), digamos que os dois: os fatores concorrenciais para que apenas um terço das vagas disponíveis fossem inicialmente preenchidas. Seguiram-se: revisões de provas, um segundo certame e novas revisões a fim de que todas as vagas ofertadas fossem finalmente preenchidas.
As listas com os nomes dos aprovados foram afixadas num saguão da Reitoria. Na lista da Agronomia, um deles saiu com nome e apelido (Titico). Com o tempo, seríamos apresentados por um amigo comum, o violão.

(*) Destaques da 2.ª Geração: Carlos Drummond, Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Mario Quintana e Cecília Meireles.

COMPLEXO CULTURAL ESTAÇÃO DAS ARTES

No Twitter, em 26/10/2021:
Um dos maiores artistas da história do nosso Ceará e do país, o cantor e compositor Belchior completaria hoje 75 anos. Como homenagem a este ícone da MPB, sancionei a lei que batiza o Complexo Cultural Estação das Artes, no Centro de Fortaleza, de "Antônio Carlos Gomes Belchior".
Um justo reconhecimento a quem tanto contribuiu para a música do país. O Estação das Artes Belchior, que terá 67.000 m², está sendo construído na área da antiga Estação Ferroviária João Felipe e contará com o Mercado das Artes, a Pinacoteca do Estado, mercado gastronômico salas de exposição, biblioteca, museu, cinemas e as sedes da Secult e do Iphan.
O empreendimento vai garantir uma importante reocupação do Centro da Cidade, estimular a economia e tornar a arte mais acessível para a população.
Antiga Estação Central de Fortaleza, este prédio foi inaugurada em 1873 pela Estrada de Ferro de Baturité. Em 1946 passou a se chamar Professor João Felipe, nome de um engenheiro ferroviário cearense. Desta estação partiam duas linhas de trens: a linha sul até Crato e a linha norte (que passava por Sobral, a terra natal de Belchior) até Oiticica. PGCS

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No Twitter, em 30/03/22:
A noite desta quarta-feira foi histórica para a Cultura do nosso Estado. Inauguramos o Complexo Cultural Estação das Artes Belchior, na antiga Estação João Felipe, em Fortaleza. A área, de 67 mil m2, passou por restauração estrutural e modernização. O equipamento conta com Mercado das Artes, Pinacoteca do Estado, mercado gastronômico, salas de exposição, biblioteca, museu e as sedes da Secult e do Iphan, além de urbanização do entorno. Aproveitem esse belíssimo espaço cultural de nossa capital.

CALARAM-SE AS LÍNGUAS

Em outubro do corrente ano, a Turma Carlos Chagas (Andreas Vesalius) de médicos diplomados pela Universidade Federal do Ceará, em dezembro de 1971, celebrou o seu cinquentenário de formatura. No bojo da programação comemorativa traçada por essa turma, da qual fazem parte quatro ilustres membros da Academia Cearense de Medicina (ACM), os doutores Adriana Costa, Lúcia Alcântara, Roberto Bruno Filho e Roberto Misici, foi incluída uma sessão de fortes lembranças, quando o Dr. Paulo Gurgel, em nome dos colegas, prestou homenagem póstuma a 17 companheiros de jornada que partiram, antecipadamente, ao encontro do Pai.
Dentre os falecidos pranteados, está o Prof. Dr. Carlos Maurício de Castro Costa, o "Mauricinho", que deixou esse mundo menor ainda menor, com a sua inopinada partida, em 15/03/2010, minado por uma doença traiçoeira, contra a qual lutou, obstinadamente, durante um ano, sem demonstrar abatimento ou revolta, mas tocando, com denodo, os seus muitos afazeres acadêmicos, tanto na assistência, no Serviço de Neurologia do Hospital Universitário Walter Cantídio, como na pesquisa, no Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFC.
Dele, além das lembranças de um passado que remonta à minha meninice, como catecúmeno e membro da “Cruzadinha” da Igreja de Nossa Senhora das Dores, no bairro Otávio Bonfim, passando pelos trabalhos que em conjunto executamos na feitura de cursos, congressos e concursos, guardarei na memória os registros dos nossos dois últimos encontros, ocorridos em 26 e 27 de fevereiro de 2010, quando ele esteve hospitalizado no ICC. No dia 26/02/2010, sexta-feira, ao saber do seu internamento, fui visitá-lo, colocando-me à sua disposição, caso tivesse alguma necessidade, e entabulamos uma agradável conversa, sobre assuntos variados, o que dava a entender que, para ele, o internamento era uma mera intercorrência de sua enfermidade, a ser superada, à custa dos cuidados médicos, visto que perseguia o cumprimento de suas tarefas, tendo me indagado sobre a publicação de um livro que eu organizava, e para o qual contribuía com um texto. Notei que sobre o criado-mudo, junto ao leito, repousavam três livros que trouxera para leitura: eram dois de gramática árabe e um de gramática japonesa, todos escritos em francês. Aproveitei o momento, para brindá-lo com o livro "Smile: tributo à memória do Prof. Eilson Goes", lançado em outubro do pretérito ano de 2009.
Na manhã do sábado, dia 27/02/2010, voltei ao hospital do Instituto do Câncer do Ceará, para revê-lo e saber como passara a noite. Ele disse-me que tivera uma noite tranquila, e lera boa parte do "Smile", acusando ter feito isso com muito gosto. Os sinais de emaciação em seu corpo, frutos da doença consumptiva, eram já evidentes; porém, o seu espírito destemido e a sua vontade inquebrantável não pareciam fraquejar, aguardando a alta, para esse mesmo dia, enquanto confessava e planejava suas ações de trabalho para os meses vindouros.
Desse nosso encontro, que não esperava ser o último, saí esperançoso, porém preocupado, e até lembrando a "fase da barganha", de Elizabeth Kübler-Ross, imaginei, cá com os meus botões, o seguinte: Por que Deus não o deixa entre nós, até que ele aprenda o basco? Isso, por certo, seria uma boa negociação, porque há uma lenda que Deus, para castigar o diabo, determinou que o "anjo decaído" estudasse a língua basca durante sete longos anos; alguns dizem que o "demo", apesar do tempo despendido, não teria conseguido aprendê-la.
Para o Carlos Maurício, dada à sua extrema facilidade em aprender idiomas, talvez tivéssemos, com tal acordo vantajoso, a garantia de tê-lo conosco, quiçá, por mais uns três anos, enquanto perdurasse o aprendizado do "euskera".
Com efeito, Mauricinho era um dos maiores poliglotas do Ceará, sendo fluente em espanhol, francês, inglês, italiano, alemão, holandês, russo e sueco; o latim e o grego clássico, religiosamente estudados nos seus tempos de seminarista diocesano, lia e escrevia razoavelmente; e ainda compreendia o árabe e o japonês.
Munido desse arsenal linguístico, quem sabe não terá ele chegado aos páramos celestiais e, diante de Pedro, ter repetido as mesmas palavras atribuídas a Rui Barbosa, na II Conferência da Paz, ocorrida em Haia em 1907: Em que língua quereis que vos fale?
Como reconhecimento póstumo a tão excepcional figura humana, a ACM, em Sessão Solene acontecida em 14 de maio de 2010, conferiu ao Dr. Carlos Maurício de Castro Costa o título de Acadêmico Honorário in memoriam.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
(da Academia Cearense de Medicina)