IQUITOS

Iquitos é uma cidade do Peru com mais de 400 mil habitantes, situada no meio da floresta amazônica, sendo a maior cidade do mundo não conectada por estradas. Quando a conheci, em 1975, devia ter cerca de 120 mil habitantes.
Cheguei a Iquitos na última etapa de um périplo em que, partindo do aeroporto de Letícia, Colômbia, eu havia voado para Bogotá, Quito e Lima. Em Bogotá fiquei cinco dias, um dos quais reservado para ir conhecer a cidade de Villavicêncio, no sopé da Cordilheira dos Andes. Em Quito, fiquei três dias. E no Peru: sete dias, sendo três em Lima e quatro em Iquitos.
O que faz alguém num passeio turístico permanecer mais tempo em Iquitos do que na capital peruana?
Falta de dinheiro na moeda do país, respondo. Saí de Benjamim Constant, Amazonas, com uma boa quantidade de pesos colombianos, que o cônsul brasileiro em Letícia me trocara por cruzeiros. Numa casa de câmbio em Quito, troquei uma parte dos pesos que me restaram da temporada colombiana por sucres. E pensava em trocar os sucres por soles assim que chegasse a Lima.
A sorte foi que, ao sair de Quito, eu troquei os sucres que me restaram por dólares. Não eram muitos, mas tiveram um papel preponderante na minha sobrevivência em Lima.
Com estes poucos dólares pude pagar um táxi que peguei no aeroporto de Lima, hospedar-me em um hotel do centro da cidade e almoçar. O Peru estava sob um regime autoritário que proibia o câmbio do sol, a moeda peruana, pelas "moedas fracas". Cruzeiro e pesos colombianos eram moedas fracas.
Era sábado, e os telefones da Embaixada do Brasil em Lima não atendiam. A solução que me ocorreu foi perambular pelos hotéis em busca de brasileiros que, estando de retorno, pudessem trocar soles por cruzeiros. Consegui muito pouco. Eles receavam que, com a troca, pudessem estar infringindo alguma lei peruana.
O que eu reuni em soles deu para curtir o domingo (indo inclusive visitar El Callao), a segunda-feira e... comprar uma passagem de avião para Iquitos, uma rota de volta para Letícia.
Em Iquitos, no hotel em que me hospedei, fiz saber a minha intenção de trocar cruzeiros e pesos por soles. Formou-se, na recepção do hotel, uma fila de interessados a ponto de eu ter que dispensar os excedentes. Ficando próximo das "Trés Fronteras" (Brasil, Peru e Colômbia), onde as moedas dos três países circulavam livremente, as leis monetárias de Lima não valiam de fato para Iquitos.
A época de opulência de Iquitos podia ser apreciada por construções como a Casa de Ferro. Projeto do arquiteto francês Gustave Eiffel (construtor da torre que leva o seu nome), a casa foi comprada pelo barão da borracha Anselmo del Aguila, quando ele esteve na Exposição Internacional de Paris, em 1889. Transportada pelos rios da região amazônica, a casa foi remontada em Iquitos.
As excentricidades dos barões da borracha da região foram também imortalizadas pelo cineasta alemão Werner Herzog no filme "Fitzcarraldo". A história de Brian Fitzgerald, o fã do tenor Enrico Caruso que sonhou em construir uma casa de ópera na remota Iquitos.
Fontes para consulta
Assis Ribeiro, blog A Procura
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fitzcarraldo
"Fitzcarraldo" - Filme completo, YouTube

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