PESAR PELO FALECIMENTO DE ZAÍRA MACEDO

Faleceu na manhã do domingo (12), aos 93 anos, de causas naturais, a Sr.ª ZAÍRA MACEDO PINTO, matriarca da família Macedo Soares no Ceará.
Nascida Zaíra Teixeira de Macêdo em 21 de abril de 1927, em Aurora-CE, era filha de Antonio Landim de Macêdo e Rosa Teixeira Leite. Em 6 de março de 1948, contraiu matrimônio com o Sr. Moacir Soares Pinto, [1] também natural de Aurora-CE, filho de Antonio Pinto e Josefa Soares.
Residiu por muitos anos com a filha Rosy Mary (Meirinha), em Fortaleza, de onde orientava os rumos de sua família enquanto a saúde o permitiu.
Com o agravamento de uma enfermidade, foi internada no Hospital São Carlos, local em que permaneceu até o último alento.
Do consórcio com Moacir, gerou uma descendência de 7 filhos (Antonio, Lúcia, Rosy Mary, Moacir Filho, Elba, Márcia e Denise), com 14 netos e 13 bisnetos. [2]
Seus restos mortais repousam no Jardim Metropolitano.
Foto: ▶️ Minha sogra Zaíra com a filha Elba e os netos Érico e Natália. Recordação de uma de nossas viagens por serras nordestinas.
Meu profundo pesar pela partida desta mulher admirável. Ao longo de sua vida, minha sogra Zaíra soube ser uma esposa dedicada, mãe prudencial e avó amorosa.
Deixa eternas saudades a todos nós.
[1] A BIOGRAFIA DE MOACIR SOARES PINTO
[2] A DESCENDÊNCIA DE MOACIR SOARES PINTO E ZAÍRA TEIXEIRA DE MACEDO
Mensagem recebida:
Nossos pêsames, de Angelita e meus, ao Paulo e Elba e aos membros da Família Macedo pelo falecimento de D. Zaíra. Que Deus a acolha em Seus braços misericordiosos. ~ Marcelo Gurgel, por e-mail

NETO EM TEMPOS DE PANDEMIA

20/05/2020 8:00
Nasce na Maternidade Saúde da Criança, em Belém-PA, Renan Macedo Soares, filho do casal Natália–Rodrigo e segundo neto deste avô escriba. O bebê pesou 3,4 kg, mediu 51 cm e pontuou 10 na contagem de Apgar.
22/05/2020
Natália recebe alta hospitalar e retorna para casa com Renan. Ela está bem, mas terá de enfrentar alguns dias de cuidados especiais (por ter se submetido a uma operação cesariana).
Nos últimos dois meses, tínhamos enfrentado uma série de dificuldades para estarmos em Belém, no período de nascimento do neto. A começar pelos voos que foram cancelados "para realizar ajustes na malha aérea" (nos termos do comunicado da Gol). Depois, pelos ônibus interestaduais que deixaram de rodar. Cogitamos então em fazer essa viagem no carro dos consogros Henrique e Eveline. Seria uma viagem de 1.500 quilômetros, com previsão de pernoites em Caxias-MA e Capanema-PA, e igual quilometragem para voltar. Mas encontraríamos pousadas e restaurantes abertos ao longo do percurso? E oficina mecânica para o caso de alguma avaria no veículo?
Além disso, havia o risco aumentado de sofrermos assaltos naquelas rodovias com pouca circulação de carros. E de sermos impedidos de prosseguirmos no itinerário pelas barreiras sanitárias nas cidades e divisas de Estados. Mas o golpe final em nossos planos de viagens por terra veio mesmo dos lockdowns decretados em Fortaleza e Belém.
Felizmente, o empresário Francisco Moacir Pinto Filho, irmão de Elba, nos franqueou o seu jato executivo para que pudéssemos ir conhecer o neto paraense.
Chegamos às onze. E fomos a Umarizal para abraçar Natália e conhecer Renan (em um quarto amorosamente arrumado). Conversamos, almoçamos, tiramos fotos e só regressamos depois que a habitual chuva de Belém à tarde havia passado.
Elba ficou na capital paraense com a nobre missão de ajudar nos cuidados com Natália e Renan.
Nenhuma descrição disponível.
20/06/2020
Natália e Rodrigo decoram o apartamento para comemorar à petit comité o 1.º mês de existência do Renan.
22/06/2020
Elba retorna a Fortaleza. Sua estada em Belém, que estava prevista prolongar-se até 2 de julho (o dia em que seriam reiniciados os voos diretos entre as duas cidades), teve de ser abreviada. Devido a um agravamento no estado de saúde de sua mãe, Dona Zaíra, que precisou ser internada no Hospital São Carlos, em Fortaleza. Para voltar de Belém, ela teve de voar a São Paulo, onde (após um layover de duas horas em Guarulhos) embarcou em outro avião para Fortaleza.. A viagem toda durou cerca de dez horas (em vez das duas horas de duração de um voos direto entre Belém e Fortaleza).
O esforço foi necessário. Afinal, com a situação em Belém sob controle, a sua presença se tornou indispensável em Fortaleza.

WILSON DA SILVA BÓIA, O POLÍMATA

Wilson da Silva Bóia nasceu no bairro da Glória, no Rio de Ja­neiro, então Distrito Federal, em 15 de junho de 1927. Após o curso primário em várias escolas, cursou o ginasial no Ex­ternato São José e o científico no Colégio Vera Cruz. Formou-se em Medicina em dezembro de 1950. Como orador da tur­ma, pronunciou na solenidade de formatura a oração "Ciência e Arte" em Medicina, mais tarde publicada em livro.
Durante o período acadêmico trabalhou como copy-writer de "A Exposição", escrevendo um programa diário para a Rádio Jornal do Brasil. Frequentou o Curso de Teatro da Prefeitura do Distrito Federal sob a direção de Renato Viana, par­ticipando como galã do elenco de teatro das rádios Tupi e Tamoio, da cadeia Emissoras Associadas. Publicou seu livro de estreia, "A Lira Selvagem", diplomando-se em seguida em Química Orgânica e Higiene Industrial. Como médico, ingressou nos quadros da Po­lícia Militar e, depois, já como oficial-médico do Exército, (1) exerceu as funções de chefe do Pavilhão de Clínica Médica do Hospital Central do Exército, subdiretor da Policlínica Central do Exército e diretor do Hospital Geral de Fortaleza.(2) No Ceará, escreveu para os jornais locais, fez conferências na Academia Cearense de Letras, na Casa de Juvenal Galeno e no Instituto Histórico. Lançou também três livros: "Antonio Sales e sua época", "Ao redor de Juvenal Galeno" e "Associações Literárias de Fortaleza". Em 1987, mudou-se para Curitiba. Logo ao chegar, viu-se premiado com o 1.º lugar no concurso Gralha Azul de Literatura, com "David, o Gigante". Em sequência, outros trabalhos seus foram contemplados pela Secretaria de Cultura, como "Rodrigo Júnior, o Poeta", "Alceu Chichorro, o Chargista", "Newton Sampaio, o Escritor" e "Plácido e Silva".
Pesquisador incansável, foi membro do Centro de Letras do Paraná, do Círculo de Es­tudos Bandeirantes, da Academia Brasileira de Médicos Escritores e do Instituto de História da Medicina do Paraná.
Escreveu ainda as crônicas que compõem o volume "Do Fundo do Baú", editado postu­mamente. Permanecem inéditos os perfis biográficos de Raul Gomes, Percival Charquetti, "Padre Cícero, ingênuo ou mistificador?", "Maupassant, um gênio atormentado", "Dicio­nário de Pseudônimos", "Cadilhe" e a "História da Academia Paranaense de Letras", na qual foi recebido pelo acadêmico Túlio Vargas, em sessão solene, no dia 16 de maio de 1994, para ser o primeiro ocupante da cadeira de n.º 26. (3)
Faleceu em Curitiba, em 11 de junho de 2005. (3)
Texto: Academia Paranaense de Letras. Cadeira 26 - 1.º Ocupante
http://academiaparanaensedeletras.com.br/cadeira-26/cadeira-26-1o-ocupante
Foto: Hospital Geral de Fortaleza (HGeF). Galeria de Ex-Diretores. http://www.hgef.eb.mil.br/
N. do E.
(1) Como oficial do Exército, Wilson serviu em Guaíra em 1955, passando depois por Ponta Grossa e Marialva, onde conheceu sua esposa Ana, e a eles nasceriam dois filhos: Wilson Roberto e Ana Lúcia. Esteve ainda em Juiz de Fora, Santos Dumont, Rio de Janeiro e, finalmente, a partir de 1977, em Fortaleza.
(2) Na capital cearense, chefiou o Serviço de Saúde da 10.ª Região Militar e, no período de 01/02/1978 a 06/01/1983, dirigiu o Hospital Geral de Fortaleza (HGeF).
(3) Curitiba o homenageou postumamente em Ganchinho, onde é nome de uma das ruas do bairro.

ANTÔNIO SALES, O PRIMEIRO "FORNEIRO" DA PADARIA ESPIRITUAL

"Na porta de uma livraria de Tebas lia-se: Remédios para a alma." 
Diodorus Siculus - do livro "Vivências" - Ed. Vozes
Em 30 de maio de 1892, 30 anos antes da Semana de Arte Moderna, um grupo de intelectuais cearenses criou a Padaria Espiritual.
Mais do que uma agremiação literária, a Padaria Espiritual foi um breve, mas produtivo, movimento cultural que destacava o nacionalismo, a irreverência e a criatividade de uma parcela de intelectuais que, através do humor e da crítica social, produziu "um movimento literário modernista que antecedeu em muitos anos a Semana de Arte Moderna. Fariam história."
Na Padaria Espiritual, a única coisa que não se via era algo parecido com antropofagia, pois na capitania de Siará Grande não se admitia essas coisas entre os curumins. Estes buscavam a convivência lúdica, saudável e civilizada das cunhãs e cunhatãs, nos lugares apropriados, ou seja, nas alcovas, praças, cinemas, praias, pé de serra, caatinga, ribeirões, açudes e Cine São Luiz.
Em suma, em qualquer lugar onde havia uma cabrita saltitando de paixão, quase implorando para ser o prato principal das canetas antropófagas dos curupiras transformados em Padeiros.
Os Padeiros da Padaria Espiritual eram modernistas muito tempo antes de 1922 e os modernistas de 1922 foram Padeiros de um pão meio dormido, mas a fornada de seus pães foi muito mais abrangente e cosmopolita.
Sem ufanismos tolos, o Ceará é pioneiro em tanta coisa que um dia, algum historiador mais sério vai acabar provando que o Brasil somente foi descoberto quando os invasores portugueses avistaram os "verdes mares bravios onde canta a jandaia na fronde do carnaubal", ainda que existam registros históricos sobre os tais invasores aportarem - mesmo sem ter porto - em Porto Seguro e Cabrália.
Maiores informações sobre a Padaria Espiritual podem ser obtidas no livro BREVE HISTÓRIA DA PADARIA ESPIRITUAL, do escritor Sânzio de Azevedo, professor da Universidade Federal do Ceará e membro da Academia Cearense de Letras – ACL. Este livro pode ser obtido na Editora da Universidade Federal do Ceará.
Comentário do colaborador Fernando Gurgel Filho a ANTÔNIO SALES E SUA ÉPOCA, a nota que antecedeu esta em "Linha do Tempo".

ANTÔNIO SALES E SUA ÉPOCA

Em 1973, quando eu atendia no Pavilhão de Isolamento do Hospital Central do Exército, em uma roda de conversação (dessas que se formam no local de trabalho), ouvi um colega se referir ao Coronel Bóia. Com um certo ar de mofa, o que percebi na continuidade da conversa. Quando ficou explícito que o oficial citado, além de dedicar-se à carreira de médico militar, tinha interesses em outras áreas como a literatura, a música, o jornalismo, o teatro e a radiofonia.
Wilson da Silva Bóia - o seu nome completo. Mas só vim a conhecê-lo alguns anos depois quando eu tinha voltado a morar em Fortaleza.
Na função de capitão médico do Hospital Geral de Fortaleza, e também respondendo pela Chefia do Serviço de Saúde da 10.ª RM, um dia fui comunicado que o Coronel Bóia encontrava-se em trânsito por ter sido designado para a função que eu estava interinamente exercendo.
No tempo aprazado, o coronel apresenta-se pronto para o serviço no Quartel General da 10.ª RM. Em nosso primeiro encontro, passei-lhe a situação do Serviço de Saúde Regional e terminamos conversando sobre amenidades.
Bóia, um aficionado pela música brasileira, quis conhecer os músicos da terra. Numa noite, levei-o ao Nick Bar, na Praia de Iracema. A cantora e proprietária da casa, Iara, identificou-o imediatamente como sendo alguém que tinha visto na televisão. Coronel Bóia, de fato, se tornara conhecido em todo o Brasil por sua participação no programa do Paulo Gracindo (o "8 ou 800?", que esteve no ar entre 1976 e 1977), respondendo sobre a vida e a obra de Oswaldo Cruz.
No Nick Bar, além de Iara, Bóia conheceu os violonistas Joãozinho, Luciano, Neném "Macaco", Pedro Ventura (7 cordas) e o Macaúba do Bandolim.
Adiante, e sem necessidade de minha intermediação, ele fez amizades com integrantes de um grupo de choro liderado por um militar da Aeronáutica, exímio flautista e amigo do Altamiro Carrilho. O que pude confirmar na noite em que Altamiro, apresentando-se no Theatro José de Alencar, fez questão de que o militar flautista subisse ao palco para tocar com ele.
Numa de nossas conversas, Bóia me disse que, em sua temporada no Ceará, iria dar prosseguimento a umas pesquisas que iniciara no Rio de Janeiro sobre Antonio Sales. Ao estudar a vida do higienista Oswaldo Cruz, foi que ele chegara a Antônio Sales, cujas trovas satíricas no Correio da Manhã,  ajudaram a afastar Nuno de Andrade da chefia da Saúde Pública e a beneficiar, indiretamente, aquele que erradicaria a febre amarela do Rio de Janeiro, no começo do século XX.
E, sendo Wilson Bóia, como foi dito, médico e militar, fez questão de frisar sua grande admiração pelo autor de "Aves de Arribação", que escreveu estes versos:
"Vi um médico fardado;
Que completo matador.'
Quem escapar do soldado
Não escapa do doutor. "
Trazendo consigo anotações de episódios pitorescos , poemas, conferências, artigos, em suma, textos onde se documenta a estada de Antônio Sales no Rio, Wilson Bóia se lançou à tarefa de, com esses subsídios e mais o que iria colher nos arquivos cearenses, traçar o perfil biogáfico desse que é um dos maiores nomes da cultura de nossa terra.
Lançado em 1984, "Antônio Sales e sua época" foi elaborado para ficar. Prefaciando a obra, escreveu Claudio Martins (então presidente da Academia Cearense de Letras): "Até aqui o mestre de "Aves de Arribação" era um nome nacional reconhecido e consagrado por avaliações esparsas, às vezes de difícil acesso. Conhecia-se o prosador, admirava-se o poeta e compositor, festejava-se o jornalista intimorato. Todavia , só agora, graças a esta paciente lucubração nos domínios da pesquisa acurada, tem-se um retrato de corpo inteiro do polígrafo cearense, que conquistou lugar de excepcional relevo no cenário cultural da Nação."
BÓIA, WS. Antônio Sales e sua época. Fortaleza, BNB, 1984. 684p.
AZEVEDO, Sânzio. Lembrando Wilson Bóia. Academia Cearense de Letras, 2005. Disponível em: http://www.academiacearensedeletras.org.br/revista/revistas/2005/ACL_2005_006_Lembrando_Wilson_Boia_-_Sanzio_de_Azevedo.pdf. Acesso em: 1º jun. 2020.
MILLARCH, Aramis. Wilson Bóia, o amor pela MPB e história. Tabloide Digital, 1990. Disponível em: http://www.millarch.org/artigo/wilson-boia-o-amor-pela-mpb-historia. Acesso em: 1º jun. 2020.
PINTO, José Alcides. Wilson Bóia, Antônio Sales e sua época. Fortaleza, Banco do Nordeste do Brasil, 1984. Rev de letras, 7 (1/2) - jan./dez. 1984. Disponível em: http://docplayer.com.br/56458910-Boia-wilson-antonio-sales-e-sua-epoca-fortaleza-banco-do-nordeste-do-brasil-jose-alcides-pinto.html. Acesso em: 1º jun. 2020.
A seguir: WILSON DA SILVA BÓIA, O POLÍMATA

PINGA EM MIM

Nonato Albuquerque (*)
Pinga, birita, bicada. Não importa a marca, tudo é uma mesma bebida: cachaça. Lapada, caninha, catiripapo ou branquinha. Na hora de encerrar a conta o que se vê é gente tomando uma, melando o bico, queimando o dente com uma boa dose da mais popular de nossas bebidas. A cachaça é a preferência nacional não apenas do João Canabrava (personagem do humorista Tom Cavalcante, na Escolinha) e de outros papudinhos, como são aqueles que a elegeram aos pés do balcão das bodegas e mercearias, mas também por um público mais requintado. Pois é, com a exportação de algumas marcas como a Ypioca, ela ganhou o mundo e o paladar de gente acostumada a outro tipo de bebida. Bastou isso para que as agências dessem um melhor tratamento às peças anunciando esse tipo de bebida. Afinal, aqui mesmo no Brasil, muita gente boa não almoça ou janta sem antes "tomar uma" para abrir o apetite.
Na praça da Gentilândia há uma verdadeira confraria da cachaça. São os diaristas do "seu Chagas" e do bar do Luiz, pontos de encontro de prefeitos do interior, de funcionários públicos e gente que adotou a pinga como "desculpa" para um encontro. Ao lado da Secretaria de Segurança, o comerciante Zeca Araújo não dá conta atendendo a juízes, advogados, velhos políticos e jornalistas que sempre circulam ali para "umas e outras", em torno de um bom papo. A cachaça tem essa vantagem: quebra o gelo do silêncio, dá um tiro na timidez, aproxima pessoas de níveis diferentes sem criar nenhuma medida restritiva. Na Praia de Iracema, o bar do Getúlio é a confirmação disso. Até hoje é o ponto de encontro de gente bem, "tudo de paletó e gravata", que corta o caminho do trabalho para casa para uma lapada. No Batecaverna, situado na Pinto Madeira, quase início da Torres Câmara, médicos o elegeram como seu espaço para virar um copo. E todos só bebem cachaça.
Há verdadeiros santuários dos pinguços em Fortaleza. Os intelectuais, como Luciano Maia e Gervásio de Paula, preferem o encontro na Padaria Espiritual, na rua 25 de Março com Pero Coelho, um dos locais mais antigos na tradição dos que bebem uma cachacinha. Mas um dos bares mais antigos ainda em atividade é o Pirajá, situado na Guilherme Rocha. Ali, o ar das pessoas e dos móveis rescende a cana.
Havia um local no centro de Fortaleza, que era cana pura, o Bar Frixtil, localizado na Pedro Pereira. Pinguços famosos da vida cultural desta cidade firmaram muitos encontros, sempre ao lado de umas boas doses em dias de chuva.
Em dias coloniais como os desse cinzento fevereiro, aumenta a rotatividade nos bares e bodegas onde a cachaça reina, indiferente à invasão de outras bebidas mais nobres, como a vodca que chegou a ganhar a admiração da intelligentzia cearense nas duas últimas décadas. Ela tem ido à luta, sofisticando-se na caipirinha e ganhando novos consumidores, além de uma preocupação com o ítem qualidade a fim de quebrar um pouco o velho preconceito que a acompanha vida afora, o que a levou ser desprezada pela maioria dos brasileiros.
Hoje em dia, a coisa mudou. Há várias marcas da cachaça nacional, inclusive fabricadas aqui mesmo no Ceará, que detêm premiações internacionais como o da Associazone di Controllo de Qualitá, concedido à Chave de Ouro e entregue pelo príncipe Rainier de Mônaco. Nada mais chique, embora o preconceito para se assumir como um admirador da pinga ainda seja muito alto.Muita gente boa se negou a dar testemunho dizendo ser um bebedor de cana. Puro preconceito.
Na verdade, a origem de tudo isso é fácil de ser identificada. Por ter surgido entre os escravos que trabalhavam nas casas de moagem, a cachaça sempre foi olhada de banda pela chamada granfinagem brasileira. Isso não quer dizer que rico nunca tenha provado da bebida no Brasil colonial, muito pelo contrário. Carraspanas de senhores de engenho sempre foram escandalosas e acabaram mal para os cativos. Para compensar todo o banzo, os escravos iam à desforra com a cana. Ela, a exemplo do que ainda hoje acontece em relação às dores de esquina (sic) dos amantes, funcionava como uma ótima fuga para os escravos. E não era apenas fuga no sentido subjetivo da palavra, não. Literalmente, a coisa funcionava.
Historiadores costumam situar em torno de 1540 o início do cultivo da cana-de-açúcar no Brasil. O aparecimento da cachaça é contemporâneo a essa cultura. Em 1664, quem diria, a cachaça subia à cabeça dos escravos e fazia o sonho da libertação se tornar realidade para muitos. Aqueles escravos que não tinham coragem de engrossar as filas de fujões, tomavam umas "calibrinas" e o "santo" baixava lhes dando ânimo para enfrentar a arriscada aventura. Muita gente assinou carta de alforria por conta própria, depois de um porre homérico antecipando o que a História nunca irá reconhecer: a pinga brasileira foi a Lei Áurea de muito negro. Verdade, depois de uma rodada de aguardente e a fuga, muitos senhores de escravos é que ficaram na maior ressaca.
Por conta desse "auê calibrino", os donos do mundo escravocrata de Santos e de São Vicente resolveram abrir os olhos. Vetaram por decreto o consumo da cachaça "como sendo altamente prejudicial à capitania". Isso foi no ano de 1664, iniciando o regime de clandestinidade da bebida nas tendas da colônia. O mais curioso é de que esse decreto nunca foi revogado, o que leva alguns ensaistas famosos a a garantirem - veja só - que a cachaça continua no Brasil em regime de semiclandestinidade, sem estatuto legalizado.
(*) Nonato Albuquerque é jornalista, blogueiro e apresentador de TV. Publicou esta matéria no Jornal O Povo, edição de 23 de fevereiro de 1992, com ilustração de Klevisson. Eu, Paulo Gurgel, digitei-a para publicação em meio eletrônico.

VISITADORAS DE ALIMENTAÇÃO

Quem ensina a comer ensina a viver. Llotzky
Uma pesquisa sobre a constituição do campo do saber em alimentação e nutrição, com enfoque no espaço formativo e nas práticas curriculares intervencionistas das Visitadoras de Alimentação no cenário político e institucional do SAPS-CE, no período de 1944 a 1966, foi a tese apresentada em 2010 por Marlene Lopes Cidrack ao Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará, como exigência para a obtenção do Título de Doutor. Para a análise da formação dessas profissionais, a pesquisadora estudou a experiência da Escola de Visitadoras de Alimentação Agnes Junes Leith - EVA, que funcionou no Estado do Ceará neste período, com foco nas vivências cotidianas e práticas curriculares do curso, centrando a investigação nas ações de educação alimentar junto à classe trabalhadora, escolares e população em geral. 
Destaco nesta tese de Doutorado as referências à saudosa Francica Carlos da Silva (Tia Fransquinha), bem como à disciplina que ela lecionava na Escola.
No período em que funcionou a Escola, de 1944 a 1966, eles (os professores) se sucederam ministrando as diversas disciplinas como está posto a seguir:
(...) Corte e Costura - professora Francisca Carlos da Silva. (...) p.80-81
Na disciplina Corte e Costura, as alunas aprendiam como confeccionar roupas para adultos e crianças e, também, a fazer pequenos consertos - bainhas, pregar botões e fecho eclair. O contato com trabalhos manuais proporcionava às alunas segurança para conversar com as donas de casa, porque, ao falarem a mesma linguagem, a linguagem da trabalhadora do lar, as alunas mais se aproximavam das pessoas visitadas. p.96
A tese da Doutora Marlene Lopes Cidrack traz também, na página 78, a reprodução de uma fotografia de uma "aula de Corte e Costura" em 1950.
Fontes
http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/3641
http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/3641/1/2010_TESE_MLCIDRACK.pdf
http://www.editora.ufc.br/catalogo/63-nutricao/508-visitadoras-de-alimentacao-legado-da-escola-agnes-june-leith (Visitadoras de alimentação: legado da escola Agnes June Leith)

PADARIA ESPIRITUAL

Fernando Gurgel Filho
Em 30 de maio de 1892, 30 anos antes da Semana de Arte Moderna, um grupo de intelectuais cearenses criou a Padaria Espiritual.
Mais do que uma agremiação literária, a Padaria Espiritual foi um breve, mas produtivo, movimento cultural que destacava o nacionalismo, a irreverência e a criatividade de uma parcela de intelectuais que, através do humor e da crítica social, produziu "um movimento literário modernista que antecedeu em muitos anos a Semana de Arte Moderna. Fariam história." (In: "Breve História da Padaria Intelectual")
Na Padaria Espiritual, não se via algo parecido com a antropofagia, pois na capitania de Siará Grande não se admitia essas coisas entre os curumins. Estes buscavam a convivência lúdica, saudável e civilizada das cunhãs e cunhatãs, nos lugares apropriados, ou seja, nas alcovas, praças, cinemas, praias, pé de serra, caatinga, ribeirões, açudes e Cine São Luiz (sic).
Em suma, em qualquer lugar onde havia uma cabrita saltitando de paixão, quase implorando para ser o prato principal das canetas antropófagas dos curupiras transformados em Padeiros.
Os Padeiros da Padaria Espiritual eram modernistas muito tempo antes de 1922 e os modernistas de 1922 foram Padeiros de um pão meio dormido, mas a fornada de seus pães foi muito mais abrangente e cosmopolita.
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Interregno: O PÃO
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Sem ufanismos tolos, o Ceará é pioneiro em tanta coisa que, um dia, algum historiador mais sério vai acabar provando que o Brasil somente foi descoberto quando os invasores portugueses avistaram os "verdes mares bravios onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba", ainda que existam registros históricos sobre os tais invasores aportarem - mesmo sem ter porto - em Porto Seguro e Cabrália.
Maiores informações sobre a Padaria Espiritual podem ser obtidas no livro "Breve História da Padaria Espiritual", do escritor Sânzio de Azevedo, professor da Universidade Federal do Ceará e membro da Academia Cearense de Letras – ACL. Este livro foi publicado pela Editora da Universidade Federal do Ceará. FGF
(blog EM, 02/06/2012)

A CIDADANIA AFETIVA DO PARQUE ARAXÁ

Diogo Fontenelle
À beira dos dez anos, vivo no bairro Meireles à Beira Mar. Mas de fato, eu sobrevivo no bairro Parque Araxá a sonhar fardado do Ginásio Agapito dos Santos e do Colégio Julia Jorge a reluzirem o meu olhar-menino aprendiz de pequeno poeta.
Obviamente sou grato aos quase dez anos de Meireles-Beira Mar, seria injusto e antipoético não me comover todos os dias com o azul-sereno do céu do Meireles a beijar o azul-revolto do mar. Contudo, é o Parque Araxá que doura de poesia maior o meu caminho-caminhar.
O Parque Araxá tinha três outros nomes a escolher feito mudança de estação, ou seja: Octávio Bonfim, São Gerardo e Parquelândia que foi o batismo mais recente dos quatro nomes. Eu escolhi como nome o Parque Araxá por me lembrar os casarios ajardinados com biqueira em forma de jacaré a jorrar chuva tão desejada. Realmente, o Parque Araxá era mesmo assim com casarios ajardinados e poços da melhor água de Fortaleza, todos queriam beber água do Parque Araxá. Lá, só faltava a Dona Beja, a Feiticeira do Araxá das Minas Gerais.
Assim, rolaram as águas do Meu Parque Araxá entre as divisas das avenidas Bezerra de Menezes e Jovita Feitosa. Foram tantos carnavais, festas juninas, desfiles de Sete de Setembro e Quermesses das Igrejas Senhora das dores e São Gerardo. Tudo era folia familiar, tudo era alegria em sinfonia!
Com a avassaladora partida da minha mãezinha Carmelita Fontenelle para o Azul Mais Alto tão longe de mim, eu voltei de vez para o Parque Araxá adoçado por lembrares azuis vividos e revividos em sonhares. Uma vez, a médica perguntou a mãezinha já meio desmemoriada: Onde a senhora mora? E a mãezinha olhando para o mar do Meireles disse: Mas a senhora não vê da janela que eu moro no Parque Araxá? A médica sorriu encantada, mãezinha via com o coração o Parque Araxá amado e não o Meireles.
Com licença do Meireles, é com a minha cidadania afetiva Parque Araxaense a transbordar que eu digo o mesmo da janela no Meireles-Beira Mar: Eu moro no Parque Araxá que não saiu de mim a empinar arraias de sonho no meu olhar de sempre-menino aprendiz de poeta.

BOAS-VINDAS A RENAN


"Um bebê nasce com a necessidade de ser amado - e nunca supera isso." - Frank A. Clark
20/05/2020 8:00
Nasceu hoje na Maternidade Saúde da Criança, em Belém-PA, Renan Macedo Soares, filho do casal Natália–Rodrigo e nosso 2.º neto.
Mensagem dos avós maternos:
Este pequenino junta-se a vocês dois, e o que era ótimo será melhor. Estamos em júbilo pela chegada do Renan.
– Elba e Paulo Gurgel, de Fortaleza
22/05/2020 - O voo dos avoengos
O acesso à aeronave que nos levou a Belém se deu pelo Terminal de Táxi Aéreo (o Pinto Martins antigo), na Praça do Vaqueiro. Esta é uma das fotos de quando estávamos prestes a embarcar no Embraer Phenom 300, do empresário Francisco Moacir Pinto Filho, a quem agradecemos por nos ter franqueado este jatinho de sua propriedade.
Elba, Paulo, Eveline e Henrique
Pilotada pelos prestimosos José Marcelo e Rafael, a aeronave aterrissou no Val-de-Cãs uma hora e quarenta minutos depois. No aeroporto de Belém, Rodrigo já esperava para nos levar ao apartamento do casal, no bairro Umarizal.
Outros registros desta viagem de curta permanência na cidade de destino:
 O quarto do bebê ficou muito bem mobiliado e decorado, traduzindo o bom-gosto de Natália.
Circulou um retrato de quando Rodrigo era recém-nascido. Renan, de fato, puxou ao pai.
 Natália amamenta o filho com as dificuldades inerentes a quem, apenas dois dias atrás, submeteu-se a uma operação cesariana.
 Almoçamos no próprio apartamento. Comida boa solicitada por aplicativo.
 Acertamos o voo de volta para "depois da chuva das quinze horas".
 Elba ficou na capital paraense com a nobre missão de ajudar nos cuidados com Natália e Renan.

GUIA DE BOAS MANEIRAS

Recordo-me de que, na década de 1960, havia um exemplar do "Guia de Boas Maneiras" na casa em que minhas tias Francisca, Eugênia, Maria e Rita moravam em Jacarecanga. Talvez aquele livro pertencesse a tia Fransquinha, que lecionava Corte e Costura na Escola Agnes Junes Leith.
Muitas vezes, por mera curiosidade, percorri as páginas daquele exemplar que me trazia informações de um mundo distante. Obtida na internet, eis uma reprodução da imagem da 1.ª capa do livro (ao lado).
Antônio Marcelino de Carvalho (São Paulo, 1905 – 1978), o autor do livro (e de outros do gênero), foi jornalista, escritor, cronista e um mestre de etiqueta na década de 1950, tendo seus livros permanecido clássicos nas décadas seguintes.
Era filho de Antonio Marcelino de Carvalho e Brasília Machado de Carvalho. Criador da crônica social no Brasil. Apresentava na TV Record, à época emissora de sua família, o programa "Domingo com Marcelino". Residiu no emblemático Edifício Esther, na Praça da República, zona central da capital de São Paulo, em um apartamento de cobertura, e chegou a morar na Avenida Paulista. Foi sepultado no Cemitério da Consolação, em São Paulo.
Seu "Guia de boas maneiras" aborda "as boas e corretas normas de conduta na vida em sociedade". Dividido em capítulos que se subdividem em apresentação, saudação, convites, recepções e tudo o que se refere à mesa (etiqueta, maneira de convidar, arrumação da mesa, entre outros), passando pelo casamento, nascimento, primeira comunhão, presentes e conversas.
A Escola Agnes Junes Leith, também designada de Escola de Visitação Alimentar do Ceará e que funcionou em Fortaleza entre 1944 e 1966, formava visitadoras de alimentação, profissionais cujo trabalho era voltado à educação alimentar de trabalhadores, escolares e da população em geral.
Webgrafia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelino_de_Carvalho
http://www.editora.ufc.br/catalogo/63-nutricao/508-visitadoras-de-alimentacao-legado-da-escola-agnes-june-leith
Link futuro para Código do Bom-Tom, no blog EM.

CAATINGA: BIOMA QUE SÓ EXISTE NO NORDESTE

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a caatinga ocupa uma área de cerca de 844.453 quilômetros quadrados, cerca de 11% do território nacional. Os estados Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais fazem parte do bioma.
A caatinga é lar de 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 de abelhas.
"Ao longo do tempo, a ocupação humana começou a degradar a vegetação da caatinga, ou seja, as pessoas usavam a madeira para fazer cercados, para ter energia em seu fogão caseiro. E isso foi destruindo a vegetação que estava adaptada para a região. Como ela não tem uma capacidade de reprodução e espalhamento muito grande, a velocidade com que o homem foi utilizando esse material e, principalmente, o crescimento do rebanho de caprinos, das cabras, promoveu a destruição das folhagens novas", afirma o engenheiro ambiental e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) David Zeeprofessor, ao site Sputnik Brasil.
O processo de desertificação, acrescenta o professor da UERJ, pode representar uma "quebra no ciclo natural" do bioma e causar o desaparecimento de espécies. "A preservação é extremamente importante para a viabilidade não só ambiental da região, mas principalmente social".

Ler também:
AS CAATINGAS por Nilo Bernardes

PINDORAMA

Assim os índios chamavam essas terras quando Cabral chegou. Segundo Theodoro Sampaio, autor dos livros "História da Fundação da Cidade da Bahia" e o "Tupy na Geografia Nacional", obras que, ainda hoje, são referências bibliográficas importantes em ciências humanas, o termo "Pindorama" é da língua tupi, podendo ser traduzido como o país das palmeiras. Essa denominação continuou sendo usada pelos nativos, por muito tempo. Provavelmente, designava apenas parte do litoral do Nordeste.
"Pindorama",  de Belchior
Antônio Carlos Belchior (26/10/1946 - 30/04/2017) entrou para a Faculdade de Medicina da UFC em 1968. Conheci-o pessoalmente, não na Faculdade de Medicina, mas na casa de um amigo em comum, o engenheiro Francisco Osterne Brandão. Depois disso, nos encontramos em outras oportunidades: no Bar do Anísio, em minha casa no bairro Otávio Bonfim, (por ocasião de meu aniversário de 21 anos), de onde saímos para esticar a noite no "Pombo Cheio", levando conosco o Claudio (do Violão) e o Miguel (da Flauta).
Em 1972, quando morava no Rio de Janeiro, deparei-me com uma placa na fachada de um teatro em Botafogo com o nome BELCHIOR, em letras garrafais. À noite, fui rever o amigo que começava a fazer sucesso no Sul Maravilha. O teatro era pequeno, tinha poucos espectadores. Dentre as canções apresentadas, Belchior cantou uma de fossa (que não era dele). Ao terminá-la, alguém deu uma forte descarga em um vaso sanitário dos bastidores. Era tudo combinado para que o público risse.
Entabulamos uma conversa inicialmente de camarim. Depois, atravessando o Aterro do Botafogo, fomos prossegui-la na Praia do Botafogo, sob um luar com jeito de Paquetá. Belchior, eu e uma terceira pessoa (salvo equívoco, o compositor Pretextato Melo).
Nos anos seguintes, assisti a shows do Belchior no Ceará. A última vez que nos vimos foi num restaurante que ficava próximo à Praça Portugal. Eu tinha chegado muito cedo, entornado algumas cervejas, e já me encontrava de retirada. Quando alguém me detém na calçada, abraçando-me. Era Belchior. Mudei de ideia e recomecei a beber. Passei da conta, dormi no carro e acordei com o sol me batendo no rosto. Simplesmente me esqueci de ir para casa depois de entrar no veículo.
Agora descubro um vídeo do "Domingo Espetacular" com a cantora cearense Lúcia Menezes, que foi amiga de Belchior, em que ela  apresenta trechos de canções do começo da carreira de Belchior: "Paralelas" (com seu início original), "Espacial" e "Rosa dos ventos", recuperada parcialmente em "Depois das seis" (Quando a fábrica apitou / E o trabalho terminou / Todo mudo se mandou / Sem desejos de voltar), as quais não são inéditas; além de "Cateretê", o frevo "Caravelle", uma canção sem título (Sou candidato a médico e doutor / Mas o que eu sei de fato / É samba, meu senhor) e "Pindorama" (Pindorama / Que panorama é o teu?), que são inéditas, acho.

Neste vídeo, também dão seus depoimentos o médico patologista e professor emérito da UFC, Dalgimar Beserra de Menezes, irmão de Lúcia, e o cantor e compositor piauiense Jorge Mello, parceiro de Belchior em diversas canções.
http://www.cljornal.com.br/cultura/amiga-de-belchior-lucia-menezes-apresenta-ineditas-do-cantor/
http://www.itarget.com.br/clients/raimundofagner.com.br/festival_do_ceara1968.htm
"Pindorama Brasil", de Toquinho
Originalmente lançado em 2005, o CD Mosaico revela a parceria entre Toquinho e o compositor Paulo Cesar Pinheiro. Parceria que fora ensaiada em várias situações, mas que só frutificou em função de um texto de Millôr Fernandes para o teatro, baseado nos quinhentos anos do descobrimento do Brasil. A peça chamava-se "Outros Quinhentos" e foi encenada em 2000, em São Paulo. Além das oito músicas que integraram a trilha da peça teatral, Toquinho e Paulo Cesar Pinheiro criaram mais quatro canções que completam as doze componentes do CD Mosaico, lançado em novembro de 2005. Sete anos depois, a Biscoito Fino resgata essa jóia rara da MPB.
http://youtu.be/92DHCdH_J6k

PORTEIRAS E CURRAIS. GRAN FINALE

CORRESPONDÊNCIA
7 de março de 2020 19:25
Caro Paulo
Boa noite.
Sou da familia Ramalho de Alarcon e Santiago, de Russas. Procurando informações sobre o livro "Porteiras e Currais" encontrei seu nome num artigo do "Linha do Tempo". Sabe de algum site que tenha o livro em PDF?
Sem mais para o momento,
Atenciosamente

Mauricio Jorge Ramalho
mjramalho600@gmail.com
mjramalho010@hotmail.com
8 de março de 2020 9:20
Olá, Maurício.
Tive alguns percalços com o "Porteiras e Currais", de Miguel Santiago Gurgel do Amaral.
Siga o fio:
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/01/porteiras-e-currais.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/05/uma-biblioteca-sem-porteiras.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2016/07/miguel-santiago-gurgel-do-amaral.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2017/12/a-busca-de-andre-garcia-por-livros-de.html
Gran finale: Porteiras e Currais (livro) - digitado. PDF (por André Garcia)
Um abraço.
Paulo Gurgel
8 de março de 2020 10:48
Caro Paulo,
Obrigado pela ajuda. Baixei o arquivo PDF.
Maurício Ramalho

TRÍPLICES FRONTEIRAS

Uma tríplice fronteira ou tripla fronteira é o lugar comum que une os limites territoriais e políticos de três países diferentes. Entre os 195 países do mundo geralmente reconhecidos, 134 têm pelo menos uma tripla fronteira. Os outros são países insulares (como o Japão), ou fazem fronteira com apenas um país (como Portugal), ou fazem fronteira com dois que não são adjacentes (como os Estados Unidos).
O Brasil, este país continental que divide as fronteiras com dez países, possui nove tríplices fronteiras:
🔼Brasil-Uruguai-Argentina
A Ilha Brasileira é uma pequena ilha fluvial localizada na foz do rio Quaraí (que desemboca no rio Uruguai), entre os municípios de Barra do Quaraí, no Brasil, Monte Caseros, na Argentina, e Bella Unión, no Uruguai.
Situada em região de tríplice fronteira, a ilha tem, aproximadamente, 2 quilômetros de extensão por 0,5 quilômetro de largura. Em 2009, foi atingida por um incêndio que consumiu quase metade de sua vegetação.
Entre 1964 e 2011, a Ilha Brasileira tinha apenas uma casa (que não foi atingida pelo incêndio) e um morador, um fazendeiro brasileiro chamado José Jorge Daniel, que faleceu em 2011. Pouco tempo antes de sua morte, o mesmo abandonou o local devido a seu estado de saúde, indo para a casa de uma filha em Uruguaiana - RS.
"Seu Zeca - o guardião da Ilha Brasileira", como era conhecido por todo o Estado do Rio Grande do Sul, foi o último habitante da ilha.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_Brasileira
http://blogdopg.blogspot.com/2020/01/ilha-brasileira.html
🔼Brasil-Argentina-Paraguai
O ponto de encontro destas três nações acontece entre os Rios Iguaçu e Paraná. Do lado argentino, Puerto Iguazu, que, segundo o Instituto Nacional de Estadística y Censos, contava com 82.227 habitantes em 2110. Do lado paraguaio, Ciudad del Este, Presidente Franco, Hernandárias e Minga Guazu, que formam uma região metropolitana com 563.851 habitantes. Do lado brasileiro, Foz do Iguaçu, que conta com 256.088 habitantes. Ao todo, a Tríplice Fronteira é habitada por mais de 902 mil pessoas. Mais de 82 mil pessoas circulam pela Ponte da Amizade (Brasil-Paraguai) e mais de 19 mil pessoas circulam pela Ponte Tancredo Neves (Argentina-Brasil), totalizando mais de 102 mil nos dois sentidos, diariamente. A maior parte destas pessoas trafegam nos mais de 39 mil veículos que cruzam as três fronteiras todos os dias. WIKI
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2014/03/brasilia-e-foz-de-iguacu.html
http://blogdopg.blogspot.com/2014/03/da-passagem-de-santos-dumont-por-foz-de.html
🔼Brasil-Paraguai-Bolívia
🔼Brasil-Bolívia-Peru
🔼Brasil-Peru-Colômbia
(Tabatinga-Isla Santa Rosa-Letícia)
Tabatinga-AM, que teve sua emancipação política de Benjamin Constant-AM, em 1981. Isla Santa Rosa, uma ilha aluvial com assentamento humano, que pertence ao departamento de Loreto-Peru. Letícia, a capital do departamento de Amazonas- Colômbia.
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/09/benjamin-constant-tabatinga-e-leticia.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabatinga_(Amazonas)
http://es.wikipedia.org/wiki/Isla_Santa_Rosa_(Loreto)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leticia_(Col%C3%B4mbia)
🔼Brasil-Colômbia-Venezuela
🔼Brasil-Venezuela-Guiana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Roraima
🔼Brasil-Guiana-Suriname
🔼Brasil-Suriname-Guiana Francesa
http://www.irregular.com.br/cronicas/serie-triplice-fronteiras-o-brasil-encontra-a-franca-230

MULHER RENDEIRA

Mulher Rendeira é um xaxado (com origem do termo em "xaxar" ou arranhar). Um gênero de música e dança que traduz o ruído peculiar das alpercatas (alpargatas) no chão seco e pedregoso do sertão nordestino.
Em 1927, ao som desta cantiga, o bando de Virgulino Lampião atacou a cidade de Mossoró (RN). Mas sem vencer a resistência da polícia e do povo que reagiram juntos.
Apresento o tema em duas versões:
A mais conhecida, de 1953, interpretada por Alfredo Ricardo do Nascimento, o Zé do Norte, esta é a versão que faz parte da trilha sonora do filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto.
Olê, mulher rendeira
Olê, mulher rendá
Tu me ensina a fazer renda
Eu te ensino a namorar. (refrão)
http://youtu.be/GvcnD_QA5vY (arr. de Alfredo Ricardo Nascimento, o Zé do Norte)
Na trilha do filme "O cangaceiro", uma produção Vera Cruz de 1953, essa música (de origem folclórica, mas que dizem ser do próprio Lampião) é interpretada pelos Demônios da Garoa. Eles, por sinal, a gravaram na mesma época, junto com o cantor Homero Marques. "Mulher rendeira" teve inúmeras gravações e divulgação internacional por conta do filme. Entretanto, quem mais se beneficiou com o sucesso mundial da película foi sua distribuidora, a multinacional Columbia Pictures, e a Vera Cruz acabou falindo. (Fonte: musicólogo Samuel Machado Filho)
É provável que Lampião tenha-se inspirado em sua avó materna, a sra. Maria Jacosa Vieira Lopes, a Tia Jacosa, que era dedicada a fazer rendas.

Quanto à segunda versão, a "autêntica", no dizer de Volta Seca, que foi cangaceiro do bando de Lampião, sabe-se que, em 1957, Volta Seca gravou um LP com oito músicas: "As cantigas de Lampião", com instrumentação do maestro Guio de Moraes. Em 2000, a InterCD relançou em CD o disco "As cantigas de Lampião", com narração do locutor Paulo Roberto. As composições levam a assinatura de Volta Seca, mesmo as clássicas "Mulher rendeira" e "Maria Bonita" (ler A poesia em estado puro), tidas como de domínio público.
Olê, mulher rendeira
Olê, mulher rendá
A pequena vai no bolso
A maior vai no emborná
Se chorar por mim não fica
Só se eu não puder levar.
O fuzil de Lampião
Tem cinco laços de fita
No lugar que ele habita
Não falta mulher bonita.
http://youtu.be/yxjWPUJmVvA (versão do Volta Seca)
Há também uma versão peruana de "Mulher Rendeira": "Mujer Hilandera", que muitos no Peru julgam erroneamente se tratar de uma canção local. Gravada por Juaneco y su Combo, no álbum Leyenda Amazónica, a música tem uma levada diferente (que lembra uma cumbia) e a seguinte letra:
Ole, mujer hilandera... ole, ole, ole
Ole, mujer hilandera... ole, ole, ole
Tú me enseñas a hacer hilo
Yo te enseño a enamorar.
O internauta Luís Alberto Espinoza Bazán tem a explicação para "Mulher Rendeira" haver ressurgido como "Mujer Hilandera" no Peru:
"La primera versión que conocimos de este tema, la trajeron los Indios Tabajaras del Brasil que visitaron Lima en 1954, y actuaron en Radio El Sol en Amplitud Modulada, presentados por los grandes locutores Gaston Guido, y Alberto Sorogastua Leiva. Los Tabajaras eran además de buenos cantantes, extraordinarios guitarristas, y hablaban muy bien el español e inglés. En 1955, el sello Rca Victor de New York los contrata y desde entonces se vuelven famosisimos."
Leitura complementar: A RENDA DE BILROS

GENEALOGIA CEARENSE; CATÁLOGO DE FONTES

Na Sessão Solene de 4 de março do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), em que foi comemorado o 133.º aniversário de fundação da entidade, aconteceu também o lançamento do livro "Genealogia Cearense: catálogo de fontes", de autoria do sócio Geová Lemos Cavalcante, uma obra minuciosa e de grande valia aos que se interessam pelos estudos genealógicos em nosso meio.
Meu irmão Marcelo, sócio efetivo do Instituto do Ceará e fonte desta notícia, passou-me a informação de que há duas entradas no catálogo relacionadas com a família Gurgel no Ceará.
SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da (org.). ADEODATO, Márcia Gurgel Carlos. Dos canaviais aos tribunais: a vida de Luiz Carlos da Silva. Fortaleza: Edições UECE / Expressão, 2008. 192p. ISBN: 978-85-7826-003-3
SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Refazendo o caminho: passado e presente de uma família. Fortaleza: Edição do Autor, 2012. 144p. ISBN: 978-85-901655-8-3
http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com/2020/03/comemoracao-dos-133-anos-do-instituto.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/04/livros-inclusive-ficcionais-que-fazem.html

PESAR PELO FALECIMENTO DE HERMES ROBERTO RADTKE

Faleceu na Otoclínica, hospital privado de Fortaleza, o médico radiologista Hermes Roberto Radtke, de 43 anos.
O médico (foto) encontrava-se internado desde a última segunda-feira, acometido de encefalite pelo novo coronavírus. Seu quadro clínico agravou-se muito rapidamente e, na tarde desta quinta-feira (02/04), ele veio a falecer.
Divulgou-se que ele não tinha comorbidades.
Dr. Hermes Roberto Radtke integrava o corpo clínico da Omnimagem RioMar Fortaleza (onde me atendeu com polidez e eficiência em novembro passado) e da Clínica Trajano Almeida.
Expressamos condolências e solidariedade a todos que o estimaram e partilham a dor de sua perda.

ONLINE: ROGACIANO LEITE FILHO

O jornalista e escritor Rogaciano Leite Filho (1954 - 1992) foi um profissional brilhante, que assinava com talento e fina ironia a coluna "Em Off", do jornal "O Povo". Nesse diário, foi também durante algum tempo editor do respectivo "Caderno de Cultura".
Filho do poeta e jornalista Rogaciano Leite, herdou deste o dom da palavra verbal e escrita.
Atuou também como assessor de imprensa do Banco Nordeste do Brasil e, nos anos de 1970 e 80, agitou os círculos culturais da cidade de Fortaleza. Ao lado de Adriano Espínola, Airton Monte, Batista de Lima, Eugênio Leandro, Jackson Sampaio, Márcio Catunda, Oswald Barroso, Rosemberg Cariry e outros intelectuais e artistas, fundou o Grupo Siriará de Literatura.
Escreveu o livro "Pão Mofado" (1975), em parceria  com Alberto Eduardo de Castelo Branco, o poema "Canoa Quebrada" que, musicado por Eugênio Leandro, classificou-se em 4.º lugar no Festival Universitário de 1979, e o prefácio de "Um anistiado nordestino" (1989), publicado pela Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto do Ceará.
Em 2002, a Fundação Demócrito Rocha publicou uma coletânea de seus artigos no jornal "O Povo", sob o título de "A história do Ceará passa por esta rua". No mesmo ano, o inseparável amigo e escritor Airton Monte escreveu o ensaio biográfico "Rogaciano Leite Filho" (imagem da capa), o qual integra a coleção "Terra Bárbara".
Assíduo frequentador das noites da Praia de Iracema, os pósteros o homenagearam escolhendo seu nome para designar o Espaço Rogaciano Leite Filho do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
Link para ter uma vista de 360 graus do local.
N. do E.
Estive em muitas ocasiões com ele - em rodas boêmias desta cidade (no "Estoril," por excelência), shows musicais, sessões do cinema de arte, lançamentos de livros etc. Destacava-se por sua altura, perspicácia e grande cordialidade, o querido "Roga". Entrevistou-me certa vez para o jornal "O Povo".
Webgrafia
http://blogdoeliomar.com.br/2012/03/11/rogaciano-leite-filho-20-anos-de-saudade/
http://laprovitera.blogspot.com/2012/08/rogaciano-leite-filho.html
http://www.escritas.org/pt/estante/rogaciano-leite-filho
http://www.facebook.com/patriotanenen/posts/204201439782916/
http://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/19469/1/2015_dis_aqsoares.pdf
http://www20.opovo.com.br/app/colunas/airtonmonte/2012/05/14/noticiasairtonmonte,2838276/houve-um-dia.shtml
http://www.dragaodomar.org.br/360/espaco-rogaciano-leite-filho/

MEMÓRIA. VIAGENS E PASSEIOS PELO SUDESTE DO BRASIL

► RIO DE JANEIRO
Rio de Janeiro (verão de 1970), Estado da Guanabara. Excursão da Turma Andreas Vesalius da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.
[pôr links]
Rio de Janeiro (inverno de 1970), Estado da Guanabara, para participar do Projeto Rondon em Cidade de Deus (em julho por 30 dias).
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2009/01/cidade-de-deus.html
Rio de Janeiro (1972 - 1974), Estado da Guanabara, com residência de 6 meses em Copacabana e de 18 meses na Glória, inicialmente como aluno do Curso de Formação de Oficial Médico da Escola de Saúde do Exército e, após a conclusão do curso, como médico do Hospital Central do Exército, em Triagem, e da Casa de Saúde Santa Mônica, em Petrópolis. IV Colóquio de Tisiologia, em Petrópolis, 1973. Passeios em Niterói, Nova Iguaçu e Teresópolis.
Rio de Janeiro (2002), para participar do III Curso Nacional de Atualização em Pneumologia, no Rio Othon Palace. Praias da Zona Sul. Metrô. Edifícios Corumbá (Copacabana) e Torres (Glória). Bar Vinicius (show de Claudia Telles). Restaurante Garota de Ipanema (ex Veloso). Sambódromo. Rodoviária Novo Rio. Ponte Rio-Niterói. C. do Macacu. Nova Friburgo (para o fim de semana): Praça Getúlio Vargas (com busto e carta-testamento, além de uma  homenagem a Eliseth Cardoso). Rio Bengalas. Praça do Suspiro. Teleférico de 2 estágios.
http://blogdopg.blogspot.com/2020/02/claudia-telles-26081957-21022020.html
Resende (2003), Estado do RJ, vindo de São Paulo (rodoviária Tietê) pela Nova Dutra até Resende (para estada de dois dias). Show da banda da AMAN em logradouro público. Trutas em molho de alho.Visitas a Itatiaia (a 15 km de Resende; o Paço Municipal no antigo Hospital de Convalescentes de Itatiaia) e a Penedo (distrito de Itatiaia; "A Pequena Finlândia"). Retorno a SP para uma jornada científica.
► MINAS GERAIS
Juiz de Fora (1972), na Zona da Mata-MG, convidado por Cabral, meu colega na Escola de Saúde do Exército, para passar um fim de semana prolongado em sua cidade natal
Teófilo Otoni (1974), onde me hospedei por uma noite, ao viajar em carro próprio (fusca) do Rio de Janeiro para Fortaleza
Belo Horizonte (1996), para participar do XXVIII Congresso Brasileiro de Pneumologia e Tisiologia, realizado no Minas Centro, no período de 21 a 25 de setembro. Um dia livre foi utilizado em um passeio a Ouro Preto, Mariana (Mina de Passagem), Sabará etc. (cidades históricas mineiras do Circuito do Ouro). Grupo: Amaury Brasil, Nilo Mendonça, Paulo Brito, Werlames e outros.
Monte Sião (2003), na microrregião de Poços de Caldas-MG, a partir de Campinas (Meuris e Laerte como anfitriões), Pedreira, Amparo, Serra Negra, Lindoia, Águas de Lindoia (rota turística do Circuito das Águas de SP)
Belo Horizonte (2003), para participar do Curso Avançado de Função Pulmonar, promovido pela SBPT (Prof. Pereira), nos dias 28 de 29 de novembro. Aulas teóricas na Associação Médica de MG. Aulas práticas no Hospital das Clínicas (espirometria, broncoprovocação e pressões respiratórias máximas) e no Hospital Madre Teresa (pletismografia, ergoespirometria e teste de caminhada). Hospedagem no Serrano Palace. Viagem a Barbacena (distância: 171 km, Serra do Currais e do Rola-Moça) para estada de 2 dias. Hospedagem no Hotel Lucape. No domingo, a cidade parou para acompanhar uma final de futebol (Cruzeiro 2 x 1 Paissandu)
Uberlândia (2015), no Triângulo Mineiro, nos dias 24 e 25 de julho.
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2015/07/brasilia-e-uberlandia-mg.html
► SÃO PAULO
São Paulo (verão de 1970), Estado de São Paulo. Excursão da Turma Andreas Vesalius da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Passeio em Santos e Guarujá.
[pôr link]
São Paulo (1973), para visitar Áfio, um conterrâneo então residindo na Mooca, que foi meu cicerone pela cidade. Ponto alto: Terraço Itália, na avenida Ipiranga.
São Paulo (1997), para participar nos dias 6 e 7 (manhã) de junho de um curso sobre  Antagonistas dos Leucotrienos (Montelukast), patrocinado pelo Merck-Sharp-Dohme. Hospedagem e local do curso no Hotel Intercontinental. Jantar de confraternização no Massimo. Nos dia 7 (tarde) e 8, com Elba, em Campinas (residência de Laerte e Meuris). Lagoa do Taquaral. Unicamp (onde minha irmã Meuris trabalha). Circuito das Águas. Retorno (quase perdendo o Caprioli até o aeroporto de Cumbica) para Fortaleza, no dia 9.
São Paulo (2001),  para participar do Curso de Espirometria da SBPT, realizado no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), nos dias 28 e 29 de setembro. No dia 26, antes do curso, Elba e eu fomos para Campinas. No dia 27, deixando Elba em Campinas, hospedei-me no Waldorf Flat, em Vila Clementino. No dia 29, pegando uma providencial carona de uma colega que conheci no curso (Heloísa), fui para Guaratinguetá, onde Elba já se encontrava. Em Guaratinguetá, fomos hóspedes do brigadeiro Antônio Pinto (irmão de Elba) e sua esposa Eliana. No dia 30, fomos conhecer Campos do Jordão e, à noite, nossos anfitriões mandaram nos deixar em Guarulhos para pegar o voo de volta para Fortaleza.
São Paulo (2003), para participar da Jornada Paulista de Doenças Ambientais e Ocupacionais, da SBPT, realizada no Blue Tree Convention Plaza, no dia 16 de agosto. Nos dias 13 e 14, estive em Resende e Itatiaia. No dia 15, de volta a São Paulo, hospedei-me no Hotel Excelsior. Antes e depois da jornada, aproveitei para ver: Santa Ifigênia, Largos Paissandu e do Arouche, Parque Ibirapuera, Anhangabaú, Viaduto do Chá, Theatro Municipal e... onde cruza a Ipiranga com a avenida São João.
► ESPÍRITO SANTO
Vitória, Vila Velha, Domingos Martins, Anchieta e Guarapari (2019)
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/03/vitoria-e-vila-velha_6.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/03/passeios-panoramicos-em-vitoria-vila.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/03/domingos-martins-es.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/03/anchieta-e-guarapari-es.html

ELEIÇÃO DA DIRETORIA DA SOBRAMES CEARÁ

Na Sessão de 9 de março de 2020, foi eleita por aclamação a Chapa Dr. Sérgio Gomes de Matos para dirigir a Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional do Ceará.
A nova diretoria, empossada para o biênio que ora se inicia, está assim constituída:
PRESIDENTE – Raimundo José Arruda Bastos
VICE-PRESIDENTE – Ana Margarida Arruda Rosemberg
1.º SECRETÁRIO – Maria Alcinet Rocha Soares
2.º SECRETÁRIO – Lineu Ferreira Jucá
1.º TESOUREIRO – Sebastião Diógenes Pinheiro
2.º TESOUREIRO – Walter Gomes Miranda Filho
DIRETOR DE CULTURA – Manoel Dias Fonseca Neto
CONSELHO FISCAL – Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Maria Dione Mota Rola e José Eduiton Girão (efetivos); José Fábio Bastos Santana, José Mauro Mendes Gifoni e José Cavalcante Fonteles (suplentes).
Em seu Blog, o sobramista Marcelo Gurgel escreveu:
[...] O Dr. Arruda Bastos foi um vice-presidente bastante presente e efetivo na gestão que findou agora e está integralmente engajado na condução do nosso próximo congresso nacional da Sobrames.
Como ex-secretário estadual de Saúde que exerceu e sendo ele detentor de uma vasta experiência de gestor público, tenho plena convicção de que o nosso amigo e colega fará uma profícua gestão na Sobrames-CE.
Sigo, na gestão ora inaugurada, como membro efetivo do Conselho Fiscal e responsável pela organização da Antologia, bem como integrando a Comissão Organizadora do evento retroaludido.
Agradeço a todos pelo apoio que recebi nas duas gestões da nossa sociedade sob a minha limitada batuta.
Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Ex-Presidente da Sobrames-CE
http://blogdasobramesceara.blogspot.com/2020/03/reuniao-da-sobrames-ce-932020.html
http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com/2020/03/eleicao-da-diretoria-da-sobramesce-para.html

LANÇAMENTO DE LIVROS DE EDMILSON ALVES

Edmilson Alves convida para o lançamento simultâneo de três livros de sua autoria:
Eu e meus extremos opostos
Poemas para amar
O desafio de ser humano
Local: Ideal Clube
Data: 11 de março de 2020
Horário: 19h
Nascido em Crato-CE, Edmilson Alves de Sousa é formado em Contabilidade, Economia, expertise na área de Administração de Empresas, além de estudioso em Filosofia, Literatura e Língua Portuguesa. Foi fundador e proprietário da cadeia de lojas "A Ferragista", uma importante empresa dedicada ao ramo de ferragens e material de construção no Ceará. No período de outubro de 1976 a outubro de 1983, publicou um periódico mensal da empresa, o "Informativo A Ferragista", de circulação dirigida e distribuição gratuita, e com ênfase nos assuntos de saúde, educação, economia, cultura e humor. Por seu trabalho à frente do citado periódico, Edmilson foi merecidamente agraciado, em 1982, com a comenda "Amigo da Cultura", da Secretaria da Cultura e do Desporto do Estado do Ceará.
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Webgrafia
http://blogdopg.blogspot.com/2008/10/informativo-ferragista.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2016/09/tres-periodicos-cearenses.html
http://preblog-pg.blogspot.com/2019/04/humberto-gomes-magalhaes.html

A ANTIGA PRAÇA DO OCTÁVIO BONFIM

Diogo Fontenelle
http://www.facebook.com/diogo.fontenelle
Para Obemar Pinho e Paulo Gurgel Carlos da Silva, os sempre-meninos do Octávio Bonfim.

Aquela antiga e risonha Praça do Octávio Bonfim
Veio abrir janelas e portas do meu pobre coração
Só para lembrar que ainda guarda muito de mim.
Ouço sorrisos, sinos e o apitar do trem em refrão:
“Bem-mequer, mal-mequer”, o que ficou de mim?

Aquela antiga e risonha Praça do Octávio Bonfim,
Plena de vozes: cantigas de roda e doces orações,
Traz meninas com laço de fita da cor rosa-carmim
E meninos marinheiros com sonhos feito canções.
“Bem-mequer, mal-mequer”, o que será de mim?

MANGUEIROSA - 2

15/02, sábado
Tendo desistido de ir à ilha do Marajó (fica este passeio para maio, talvez), juntei-me aos meus que iriam para a ilha de Combu. A travessia para esta ilha se dá por embarcações que saem de um porto na Praça Princesa Isabel (atualmente sob reformas), em Belém.
A ilha do Combu é a quarta maior de Belém, entre as 39 que circundam a capital paraense, e um dos destinos turísticos mais procurados pelos belenenses e turistas. Um paraíso de mata virgem que fica a pouco mais de um quilômetro da capital paraense, em uma viagem de 15 minutos pelas águas turvas do rio Guamá. O local oferece diversos bares e restaurantes localizados de frente para Belém e ao longo do igarapé do Combu, que corta a ilha. São cerca de 25 estabelecimentos funcionando na ilha, e oss cardápios dos restaurantes privilegiam os peixes da região amazônica, açaí e sucos de frutas regionais.  Há locais que contam, ainda, com atrativos como piscinas naturais, trilhas, música ao vivo, playground para crianças e redários.
https://redepara.com.br/Noticia/199824/ilha-do-combu-os-sabores-que-encantam-do-outro-lado-do-rio
O restaurante mais conhecido da ilha do Combu, o "Saldosa Maloca" (com L mesmo), foi onde estive em 2014. Saboreando a culinária local e maravilhando-me com a visão de uma gigantesca sumaúma que sombreava ao lado.
Desta vez, o local escolhido pelo casal anfitrião Rodrigo e Natália, foi o "Solar da Ilha" (foto). Um restaurante rústico à maneira de outros que são frequentados no lugar.
O sol abriu. Natália e Matheus foram chapinhar nas águas da piscina do restaurante. E todos (menos Leon, que tem uma comida específica) almoçamos.
De volta a Belém, demos uma breve parada na arborizada Batista Campos para comprar brownies numa doceria da praça. Tive de ensaiar uma caminhada no lobby do Angra dos Reis, porque uma chuva renitente não me deixou sair. Teria voltado à Batista Campos, mas o tempo não melhorou.
À noite, continuei em recesso. Os demais saíram com destino a um shopping e uma pizzaria.
16/02, domingo
Iniciamos o passeio deste domingo pelo Mangal das Garças, na Cidade Velha. Com lagos, fonte, viveiros, borboletário, passarelas, mirante do rio e outros atrativos como o Farol de Belém e o Museu da Navegação, o Mangal é um parque naturalístico belíssimo.
Vide Mapa do Mangal.
Com acesso por elevador, o Farol de Belém (foto) é uma torre em estrutura metálica de 47 metros de altura e dois níveis de observação,  de onde se descortina a cidade de Belém, a Baía do Guajará (rio Guamá) e o Mangal das Garças.
Memorial Amazônico da Navegação, integrado ao Mangal das Garças
Detalhes transformam o Memorial Amazônico da Navegação num ambiente atrativo e diferente. Toda a estrutura do local é feita em ipê. O telhado do prédio é todo revestido de palha, já o piso da parte interna é de pedra-sabão, e os painéis com os textos históricos são feitos de ferro. Os visitantes encontram também os três aspectos da evolução dos meios de transporte de navegação na Amazônia: o aspecto militar, (representado pela Marinha do Brasil); o comercial representado por um breve histórico da Enasa; e o regional, revelado na exposição de barcos que são muitos utilizados na região Norte.
Vide Calafate no Blog EM.
Outros espaços visitados  na Cidade Velha:
Museu de Arte Sacra, integrado à Igreja de Santo Alexandre, originalmente Igreja de São Francisco Xavier, construída pelos padres jesuítas com participação do trabalho indígena entre o fim do século XVII e início do século XVIII.
Casa das Onze Janelas, palacete que abriga um museu de arte contemporânea e restaurante.
Forte do Presépio, a primeira construção de Belém (1616). Após os vários usos militares, essa fortificação foi revitalizada em 2002 para uso museológico.
Almoçamos no Tio Armênio, no armazém gastronômico da Estação das Docas, um complexo cultural e turístico que já foi parte do porto da cidade de Belém. E, mais tarde, houve tempo para darmos uma passada no Boulevard Shopping, que fica no Reduto.
Às 23h25, estávamos no Aeroporto Val-de-Cães embarcando em nosso voo de volta para Fortaleza.
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MANGUEIROSA - 1

Esta foi a nossa sexta estada na cidade de Belém, onde nossa filha Natália, formada em Direito e investigadora da Polícia Civil do Estado do Pará, mora com seu esposo Rodrigo Soares.
Período: 13 a 16/02/2020
Visitantes: Paulo, Elba e o neto Matheus
Caso o leitor queira ler sobre as visitas anteriores que fizemos à capital paraense (com Macapá, Paramaribo e Salinópolis nos roteiros), disponibilizo os links abaixo:
OLÁ, BELÉM
CIDADE DAS MANGUEIRAS
BELÉM E MACAPÁ - 1
BELÉM E MACAPÁ - 2
PARAMARIBO E BELÉM
BELÉM E SALINÓPOLIS - 1
BELÉM E SALINÓPOLIS - 2
13/02, quinta-feira
Partindo com atraso de Fortaleza (devido a uma passageira que teve de desembarcar por problema de doença), e tendo voado em áreas de turbulência, chegamos a Belém às 16 horas. Natália e Rodrigo nos esperavam no aeroporto. O casal reside num apartamento adquirido em 2019, no bairro de Umarizal, e o tem decorado com muito bom gosto, faltando apenas concluir o quarto do futuro herdeiro Renan.
Aproveitei o fim da tarde para dar uma caminhada pelas ruas de Umarizal e Nazaré. Comprei laranjas, refrigerantes sem açúcar e castanhas do Pará, no supermercado Nazaré da Travessa 14 de Março.
(No linguajar de Belém, "travessa" não é uma rua estreita, secundária e transversal a duas ruas importantes, é também uma rua tão importante quanto.)
À noite, fomos jantar no Bar do Parque, ao lado do Teatro da Paz. Um tornedor de filé mignon, um T-bone com baião e fritas, e um filé de peixe gratinado foram os pratos que pedimos, além de sucos diversos.
No Bar do Parque
14/02, sexta-feira
Visita ao Espaço São José Liberto e ao Museu Paraense Emilio Goeldi, o jardim zoobotânico da cidade.
O São José Liberto é o antigo presídio de Belém, que, em 2002 (Governo Almir Gabriel), depois de uma ampla reforma deu lugar ao Polo Joalheiro - Casa do Artesão - Museu de Gemas do Pará - Capela (onde se realizam concertos de música sacra).
Situado no centro de Belém, o Museu Emílio Goeldi é uma amostra da floresta amazônica em meio urbano. Dispõe de pavilhões com aquário, terrário, museu de arte e com utensílios de povos indígenas, e os visitantes podem ver a exuberância das plantas, além de animais presos (onças, jacarés, gaviões, macacos, antas, tartarugas, ariranhas, jabotis etc) e bichos que circulam livremente como cotias e preguiças. Por diversas vezes, tivemos de interromper o passeio nas trilhas do parque por causa da chuva que recrudescia. Numa dessas paradas, fomos nos abrigar no "Castelinho".
No Museu Emilio Goeldi
Inaugurado em 1901 como uma das principais atrações do Parque Zoobotânico, o conhecido "Castelinho" era, na verdade, uma caixa d'água disfarçada. O próprio Emilio Goeldi concebeu a edificação, aproveitando a estrutura elevada para ciar um mirante que permitisse a vista do parque e da rua. A construção simula as ruínas de um castelo, com catacumbas de teto abobadado. O conjunto incluía ainda um lago com vitórias-régias. A visita a esse local logo se tornou um hábito para muitos moradores de Belém, que ali permaneciam até à noite para testemunhar a aberturadas flores da planta aquática.
No período da tarde, após almoçarmos no self service do "Boi Novo", fomos conhecer ao lado o Parque da Residência. Antiga residência dos governadores do Pará, e onde hoje funciona a Secretaria da Cultura, o parque apresenta amplos jardins, coreto, orquidário, uma antiga estação do gasômetro (transformada em teatro), na qual é exibido um vistoso automóvel Cadillac que o governador usava em duas datas específicas do ano. Inteiramente reformado, o modelo em exposição é exemplar único no país.
No Parque da Residência
Antes do dia escurecer, caminhei por mais de uma hora pela Quatorze de Março, até os limites do bairro de Cremação.
E fomos jantar no tradicional "Remanso do Peixe" (que já conhecíamos), ao qual chegamos por um complicado percurso traçado pelo Waze.
(1 de 2)

O VENTO ARACATI

O vento pontual
Se não estivesse retratando uma cena diurna, uma certa pintura a óleo de Edward Hopper viria a calhar. Mostrando como eram aqueles momentos em que a gente, no Sítio Catolé, em Senador Pompeu-CE, esperava a passagem do vento Aracati para depois ir dormir.
O vento passava às 20 horas.
http://blogdopg.blogspot.com/2010/05/o-vento-pontual.html

Compondo o real e o imaginário do sertanejo
Antes de o sol se pôr, e mesmo depois dele, um grande sopro que vem do mar corta o Ceará ao meio, levanta poeira, vestido de moça, roda cata-vento, espalha o cabelo da mulher sentada na calçada, despede do calor com sua brisa marítima fresca no sertão. É o "vento Aracati", que todos os dias percorre mais de 300 quilômetros. Canalizado pelo Rio Jaguaribe, o vento compõe o real e o imaginário dos sertanejos, desde bem antes de ser retratado no romance "Iracema", de José de Alencar, e de ser objeto de estudos científicos na Universidade Estadual do Ceará (Uece). Patrimônio imaterial do Estado, o vento virou versos, depois documentário, que soprou a história do fenômeno para outros países e está prestes a virar um longa metragem. ~ Melquíades Júnior
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/vento-aracati-compoe-real-e-imaginario-dos-sertanejos-1.216432

Estudo para o vento
Curta-metragem de Aline Portugal e Julia de Simone
Sinopse - É fim de tarde quando o vento passa.
http://www.miradafilmes.com.br/filme/estudo

Seguindo a rota do vento, Aline e Júlia depois dirigiram o longa-metragem "Aracati".

Bônus: A PRAÇA E O VENTO
Houve um tempo na mui leal e heróica cidade de Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção em que os rapazes ficavam na Praça do Ferreira à espera do vento que levantava as saias das moças.
http://slideshows-pg.blogspot.com/2011/08/praca-e-o-vento.html

O CASTIGO DO COLAR DE CACOS

A poetisa Cora Coralina nasceu em 20 de agosto de 1889, na casa por ela chamada carinhosamente de Casa Velha da Ponte, na antiga capital do Estado de Goiás, hoje cidade de Goiás. Ali viveu por vinte e dois anos, quando em 11 de dezembro 1911, parte "em busca de seu destino", ao lado do seu companheiro de "vida toda", Cantidio Tolentino Figueiredo Bretas, e vive no interior de São Paulo e na própria capital por quarenta e cinco anos. Viúva e já "vestida de cabelos brancos" (Coralina, 1994) contando com 67 anos, retorna à terra natal, obedecendo ao chamado de suas raízes, de sua ancestralidade. Dá-se o seu reencontro com a casa natal em l956.
Em 2014, tendo como objeto de pesquisa uma estatueta conhecida como "menina do caco" (foto), que está no Cemitério da Cidade de Goiás, Samuel Campos Vaz desenvolveu sua dissertação de mestrado A "MENINA DO CACO": IMAGEM, IMAGINÁRIO E RELIGIOSIDADE NO CEMITÉRIO SÃO MIGUEL DA CIDADE DE GOIÁS - GO. Protegida por grades, a estatueta corresponde a uma figura de criança, de cabeça baixa (como se estivesse chorando), enquanto segura na mão esquerda um objeto quebrado. Ela representa uma menina que, por deixar cair uma xícara de porcelana, foi submetida a um castigo, reconhecido como exemplar, para que outras crianças não cometessem o mesmo erro de quebrar uma louça.
Esta narrativa popular se encontra com os contos e uma nota de Cora Coralina, que estão no livro "Poemas dos becos de Goiás e estórias mais", de 1988. Em sua obra, a autora apresenta uma série de razões para o valor que era dado à porcelana. "O castigo do colar de cacos pode ser tomado como referência: foi um costume criado para diminuir, inibir, coibir, ameaçar e prevenir os incidentes com as louças." (Coralina, 1988, p. 86)
 Em "Nota: De como acabou, em Goiás, o castigo dos cacos quebrados no pescoço", Cora Coralina conta a estória da menina Jesuína, filha de escrava forra e órfã, criada pela madrinha de mesmo nome, senhora "apatacada, dona de Teres-Haveres". A menina Jesuina, um dia, por azar, quebra a tampa de uma terrina, e recebe como castigo, um colar de cacos quebrados no pescoço. Numa noite, uma das pontas do caco corta-lhe uma veia do pescoço, ficando ela a noite inteira a esvair-se em sangue e quando a madrinha acorda, encontra-a morta.
Com o sacrifício da menina Jesuína, acaba-se em Goiás o castigo do colar de cacos no pescoço.
Webgrafia
http://toleranciaecontentamento.blogspot.com/2012/07/nota-de-como-acabou-em-goias-o-castigo.html
http://www.uesc.br/seminariomulher/anais/PDF/MARLENE%20GOMES%20DE%20VELLASCO.pdf
http://tede2.pucgoias.edu.br:8080/bitstream/tede/884/1/SAMUEL%20CAMPOS%20VAZ.pdf
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/06/mochileiro-do-cerrado-1.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/06/mochileiro-do-cerrado-2.html

ESTORIL RESTAURANTE

Construída pelo pernambucano José Magalhães Porto e sua esposa, Francisca Frota Porto, apelidada "Morena", às vésperas dos anos 20, na Praia do Peixe, a Vila Morena serviu de residência durante muitos anos, conservando em redor lindo jardim onde também eram criadas algumas aves. Localiza-se na Rua dos Tabajaras nº 406, na Praia de Iracema.
Veio a Segunda Guerra Mundial e com ela os estrangeiros que aqui aportaram, principalmente os soldados americanos que tinham base no Pará, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte e alugaram a Vila Morena para ser o United States Office - USO, em 1943, quando a Praia do Peixe já era Praia de Iracema, nome dado pela cronista Adília de Albuquerque, esposa do jornalista Tancredo Moraes.
Após a Guerra, dois portugueses alugaram a casa e colocaram um restaurante com especialidade em pratos portugueses. Em 1952, Zé Pequeno assumiu a direção da casa que passou a receber a boêmia de Fortaleza composta principalmente por intelectuais. Surgia assim o "Estoril".
Apesar de várias crônicas alertaram à municipalidade do perigo que corria a casa que aos poucos se deteriorava, nada foi feito pela Prefeitura que simplesmente deixou que ele ruísse em 1992, para depois reconstruí-la em concreto armado, quando a casa original era de taipa.
A casa era de taipa - paredes armadas de madeira (varas) com barro e pedaços de tijolos e pedras - tinha portas e janelas com vidros importados, duas escadas "caracol", "frades de pedra" na frente, calçadas em pedra cristal em preto e branco tendo no centro as iniciais JMP que também eram usadas nos portais, vitrais coloridos com a inscrição "Vila Morena" no alto da torre.
A primeira foto é do tempo do United States Office - USO e a segunda é do primeiro Estoril.
A partir da administração do prefeito Antônio Cambraia, em 1994, a casa foi reconstruída e passou a ser administrada pela municipalidade, sendo hoje, além do Estoril Restaurante, a Vila Morena, um local de encontros culturais, com exposições de fotografias, pinturas, esculturas, lançamento de livros etc. Grande pé de castanhola à sua frente, cobre parcialmente sua fachada na foto atual colhida por Osmar Onofre.
http://www.ceara.pro.br/fortaleza ⮞ Curiosidades
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Estoril, nas décadas de 1970/80
Habituées: Airton Monte, Rodger Rogério, Chico Pio, Diassis Martins, Francis Vale, Claudio Castro, Antonio Girão, Bisão, Alano Freitas, Rogaciano Leite Filho, Carlos Augusto Viana, Lucíola Rabelo, Maurício (da Física), Luciano Maia, Diogo Fontenelle, Mário Mamede, Hélio Rola, Rosemberg Cariry e outros, muitos outros.
Garçons: Sitônio (irmão do Zé Pequeno), Alemão e Baleia, recordo-me destes três.
Luisinho fotografava. Juarez Leitão escreveria um livro sobre o Estoril.
Neste local,  conheci Carlos Vaz, O CARIMBADOR POETA. Que as musas o tenham!

PARCEIROS CEARENSES DE LUIZ GONZAGA

Nascido em Exu, município pernambucano limítrofe com Crato, Luiz Gonzaga guardava muitas recordações das coisas do Ceará. Nos tempos de menino, acompanhava o pai Januário na famosa feira de Crato, onde Januário fazia pequenos negócios. Na adolescência, fugindo de casa, pegou um trem, rumo à Fortaleza, na antiga estação ferroviária do Crato. Entre 1930 e 1931, morou em Fortaleza, servindo o exército (era o corneteiro do quartel) no 23.º Batalhão de Caçadores.
São frequentes as citações de pessoas ("padim" Padre Cícero, Padre Vieira) e lugares (Crato, Juazeiro, Canindé, Várzea Alegre) do Ceará em suas canções. E vários de seus parceiros são cearenses.
Humberto Teixeira, cearense de Iguatu:
A procura por um letrista levou Gonzaga a Lauro Maia, que recusou o convite e encaminhou-o ao cunhado Humberto Teixeira. Em agosto de 1945, cruzavam-se os caminhos destes dois. Juntos (foto), trabalhariam em 133 canções, incluindo "Asa Branca", que era uma canção de trabalho. Luiz levou o tema para Humberto, que criou a letra. Num novo encontro, nasceria "Baião", com a intenção didática de ensinar o público a dançar esse gênero musical. "Assum preto", "Baião de dois", "Estrada de Canindé", "Juazeiro", "Légua tirana", "Lorota boa", "Mangaratiba", "No meu pé de serra", "Paraíba", "Qui nem jiló", "Respeita Januário" e "Xanduzinha" são também composições da dupla, entre outras. A importância desta parceria de Gonzaga com o "Doutor do Baião" só é possível comparar com o de sua parceria com Zé Dantas, médico pernambucano, com o qual LG compôs: "A letra I", "A volta da asa branca", "ABC do sertão", "Acauã", "Cintura de pilão", "Paulo Afonso", "Riacho do Navio", "Sabiá", "Treze de dezembro", "Vozes da seca" e "Xote das meninas", entre outras.
José Clementino, cearense de Várzea Alegre:
"Apologia do jumento", "Capim novo", Contrastes de Várzea", "O jumento é nosso irmão", "Xeêm" e "Xote dos cabeludos". Luiz Gonzaga também gravou "Sou do banco", de José Clementino e Hildelito Parente e "Bandinha de Fé", do cratense Hildelito Parente.
José Jatahy, cearense de Fortaleza:
"Eu vou pro Crato" e "Desse jeito, sim".
Chico Anysio, cearense de Maranguape:
"Quadrilha chorona" (uma quadrilha junina com a marcação feita pelo Professor Raimundo, personagem do Chico).
Além disso, Luiz Gonzaga gravou a "Triste Partida" e "Vaca Estrela e boi Fubá", composições de Patativa do Assaré, e dois LPs com Raimundo Fagner. No disco "Veredas Nordestinas", de Dominguinhos, colocou sua voz em "O Juazeiro e a sombra", do cearense Fausto Nilo, a última gravação em estúdio de Luiz Gonzaga.
Webgrafia
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/metro/morre-jose-clementino-parceiro-de-luiz-gonzaga-1.267025
http://pcb.org.br/portal2/2888/um-personagem-comunista-do-pcb-no-ceara/
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/verso/parceiros-e-cidades-do-ceara-na-trajetoria-do-rei-do-baiao-1.2130505
http://sintoniahp.blogspot.com/2009/08/20-anos-sem-luiz-gonzaga-asa-branca.html