MONSENHOR ÁGIO E SUA SOLIBEL

Morreu em casa, na madrugada desta quarta-feira, 12, o monsenhor Ágio Augusto Moreira, aos 101 anos. A causa da morte não foi divulgada.
Natural de Farias Brito (CE), em terras à época pertencentes a Assaré, Padre Ágio era o mais antigo clérigo da Diocese do Crato. Fez história ao fundar a Sociedade Lírica do Belmonte (Solibel), dentre outros projetos envolvendo a música. No último dia 18 de dezembro, padre Ágio havia completado 75 anos de vida sacerdotal.
Sacerdote simples e piedoso, escritor e músico, foi também professor de canto gregoriano, italiano, grego e francês no Seminário São José, em Crato. Aos 100 anos, lançou o livro "Padre Cícero Romão Batista: O maior líder espiritual do Nordeste Brasileiro".
O velório será na Vila da Música (avenida José Horácio Pequeno, nº 1366 - Novo Lameiro, Crato) e o sepultamento nesta quinta, 13, às 16 horas, na Capela Nossa Senhora das Graças, no bairro Belmonte.
Solibel
Em Missão Velha (CE), padre Ágio certa vez foi surpreendido por um grupo de trabalhadores rurais, entoando os chamados "Cânticos de Trabalho" enquanto colhiam arroz e café. O coro se dividia em vozes masculina e feminina, dentro de uma harmonia e afinação quase perfeitas, segundo o padre Ágio. Ali, surgiu a ideia de fundar uma escola de música para trabalhadores rurais. Certo de que a música poderia se transformar num instrumento de desenvolvimento humano, padre Ágio levou os trabalhadores para cantar na igreja durante as missas.
Por volta de 1965, ele continuou seu projeto no distrito de Belmonte, no Crato, com a Escola de Música Heitor Villa Lobos. Adiante, a Escola foi transformada na Sociedade Lírica do Belmonte (vídeo CETV). Ela possui hoje um auditório, escolinha de alfabetização para crianças, corais (adulto e infantil), salas de ensaios e de informática, estúdios, capela, banda, camerata etc. Possui também uma orquestra formada por 65 músicos distribuídos em instrumentos de corda (violões, violinos, violoncelos e baixos), de sopro (de madeira e de metal) e de percussão, além de teclados. Muitos de seus alunos hoje são professores de música na Solibel. Outros se espalharam pelo Brasil e, com seus talentos, abrilhantam orquestras sinfônicas. WIKI, com modificações.

DOMINGOS MARTINS, HERÓI CAPIXABA

Busto de DJM em Domingos Martins
Há 202 anos morria Domingos José Martins, o herói capixaba homenageado com a renomeação do município de Santa Isabel para Domingos Martins, em 1921. Nesta data (12/06), acontecem diversas atividades comemorativas no município que leva o seu nome e também em Marataízes, cidade natal de Domingos Martins.
Ele representa para o Espírito Santo o que Tiradentes representa para Minas Gerais. Viveu na Europa e, ao retornar ao Brasil, incorporou-se às lutas pela independência do país.
Domingos Martins participou como líder da Revolução Pernambucana, também conhecida como Revolução dos Padres, movimento emancipacionista que eclodiu em 6 de março de 1817, na então Província de Pernambuco.
Em 1817, foi preso em Recife onde acabou sendo condenado à morte. Morreu fuzilado em 12 de junho do mesmo ano no Campo da Pólvora, conhecido como Campo dos Mártires, no Estado da Bahia.
Suas últimas palavras, ante o pelotão de fuzilamento, foram "Viva a Liber...".

BRASÍLIA E GOIÁS VELHO

De 30 de maio a 4 de junho, estivemos em Brasília acompanhando Natália durante a recuperação de uma operação. Foi uma cirurgia refrativa (PRK) em AO, a que ela se submeteu, realizada pela Dra. Larissa Paiva no Hospital Pacini, com as consultas de controle no Centro Brasileiro da Visão.
Nesse período, Elba ficou o tempo todo em Brasília. Quanto a mim, responsável pelo acompanhamento da filha em segundo plano, reservei dois dias para ir conhecer a Cidade de Goiás, em Goiás.
Em Brasília, fomos hóspedes de Rodrigo e Natália, no Lago Norte. Minhas atividades, além de estar a postos para eventuais dengos de uma recém-operada, consistiram de caminhadas diárias nesta região administrativa do Distrito Federal. Nestas escapulidas, ia-se também a uma lan house, ao Big Box (para comprar água e frutas) e ao restaurante Mariah (para comprar as "quentinhas" do almoço).
Enquanto estive ausente de Brasília, Elba foi a uma feijoada dos Macedo Pinto radicados no Distrito Federal. E chegou a levar o pequeno Leon para um passeio em que foi chamada de "mãe". A que ponto estão chegando esses criadores de animais de estimação.
Bem, se você é do tipo que se interessa em saber de tudo sobre todos, isto ficou ticado em minha agenda da viagem:
✓Shopping centers: Conjunto Nacional, Iguatemi, Deck Norte.
✓Jantar com Henrique Klein e Maria Lúcia (Maninha), irmã de Elba, no apartamento do casal na Asa Norte.
✓Almoço com Eliane e o brigadeiro Antonio Pinto, irmão de Elba, no restaurante Mangai (de culinária nordestina) no iD shopping.
De uma varanda do Hotel Casa da Ponte, eu tirei esta foto do Museu Cora Coralina com o rio Vermelho em seu percurso para o Araguaia. Deixo a narração do que foi meu passeio até Goiás Velho para o próximo domingo.

EM MEMÓRIA DE MAUREEN SCHWARTZ

Será celebrada hoje (5), às 18h30, na Igreja Nossa Senhora da Glória, na Cidade dos Funcionários, em Fortaleza, uma missa em memória de Maureen Schwartz. Ela faleceu em 29 de maio, aos 72 anos, vítima de infarto do miocárdio, em São Paulo, cidade em que residia e exercia a profissão de médica ginecologista/obstetra.
Fomos colegas na 19.ª Turma  de Médicos da Universidade Federal do Ceará (1971). Recém-formada, Maureen fixou residência em São Paulo, onde se especializou em ginecologia/obstetrícia e passou a atuar nestas especialidades.
Não tive mais contato com ela desde a nossa formatura. Nos encontros da nossa turma de médicos, ocorridos sempre no Ceará, Piauí ou Maranhão, Maureen não pôde estar conosco.
Lembro-me dela como uma pessoa séria, algo tímida e dedicada aos estudos. Participou do grupo que, no início de 1970, realizou em ônibus fretado uma longa excursão através do Brasil, visitando o Uruguai e a Argentina.
Recordo-me também que Maureen, antes de cursar Medicina, destacou-se como tenista. No Náutico Clube existia um pôster em que ela aparecia vestida em trajes de tenista, empunhando uma raquete.
Em 13/10/2017, a coluna Circuito A de "O Povo" registrou:
"Impossível falar de tênis, no Ceará, sem citar Maureen Schwartz. Especialistas no esporte branco descrevem seus atributos no saibro: saque perfeito, batida, angulação, intensidade da bola, velocidade, estatura e preparo físico. Venceu Lucy Maia, tricampeã brasileira, e Maria Luzia Amorim, campeã sul-americana. Jogando pelo Náutico, foi ouro no campeonato brasileiro, na categoria sub-18, e prata, em dupla com Maria Esther Bueno (a maior tenista brasileira de todos os tempos), no Pan-Americano de São Paulo, No ano de 1966, Maureen seguia no circuito mundial de tênis, quando uma lesão (no menisco) a afastou das quadras. Além das inúmeras medalhas que conquistou, o Náutico, seu clube, homenageou-a com uma herma."
Maureen, no Náutico Clube. Foto: Reprodução

MEMÓRIA. VIAGENS E PASSEIOS PELO CENTRO-OESTE DO BRASIL

1- Brasília e Formosa - Goiás
(--/--/--) c/ Elba
Plano Piloto - Praça dos Três Poderes. Esplanada dos Ministérios. Catedral, Memorial JK. Conjunto Nacional (1.º shopping center de Brasília)
Feira Permanente do Guará
Sítio de Henrique e Lúcia no município de Formosa - Goiás, a 80 km de Brasília
2 - Brasília e Goiânia
(--/--/--) c/ Elba
Plano Piloto - Outros pontos
Passeio em Goiânia (esquema "bate e volta") - Centro da capital e 2 shopping centers
3 - Brasília e Goiânia
03 a 07/10/2005
03 - Viagem a Brasília. Apartamento de Henrique e Lúcia, na Asa Norte.
04 (terça-feira) - Visita agendada pela Micromed (Sr. Fábio) ao Laboratório de Avaliação Física e Treinamento (LAFIT), em Águas Claras, DF. No LAFIT, que faz parte da Universidade Católica de Brasília, acompanhei o médico cardiologista Dr. Ronaldo Esch Benford na aplicação de alguns testes de esforço cardiopulmonar. Fui o paciente do último teste do dia, o qual revelou uma curva de pressão arterial hipertensiva. Nos anos seguintes, conforme o prognóstico do teste, tornei-me um hipertenso.
05 (quarta-feira) - Visita a dois hospitais de Brasília para conhecer rotinas de seus serviços de pneumologia: 1) Hospital das Forças Armadas (HFA), em Cruzeiro Novo - DF, onde tive a oportunidade de conhecer e conversar sobre protocolos de exames (pHmetria, oximetria noturna e  broncospasmo induzido pelo exercício) com o Dr. Laercio Valença, um dos expoentes na especialidade, o médico Eduardo e a fisioterapeuta Alice. 2) Anexo II do Hospital das Clínicas da Universidade de Brasília, onde acompanhei a realização de espirometrias no Laboratório de Função Pulmonar e conversei com o médico Dr. Viegas. Para minha locomoção nesse dia meu cunhado Antonio Pinto disponibilizou um carro com motorista (Sr. Caetano).
06 - Viagem de ônibus a Goiânia. Hospedagem no "Plaza Inn Flat". Almoço no restaurante "Brasil", no centro de Goiânia, e jantar na cervejaria "Cerrado", no setor Bueno. À noite, quando deitado para dormir, passei a sentir forte dor no abdome, o que me deixou muito preocupado por temer uma consequência tardia de um forte traumatismo abdominal que eu havia sofrido numa queda em Brasília.
07 - Felizmente, consegui ser atendido nessa manhã em uma clínica de imagem na Avenida Anhanguera 789, em Jardim Novo Mundo. Dr. Whickham Cesar, que me fez a ultrassonografia, tranquilizou-me quanto ao exame e, à tarde, pude pegar um ônibus de volta para Brasília. À noite, voei para Fortaleza.
4 - Brasília e Pirenópolis
23/08/2012, em Brasília
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/08/brasilia-e-pirenopolis.html
23 e 24/08/2012, em Pirenópolis, GO
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2012/09/pirenopolis-go.html
25 e 26/08/2012 em Brasília (após retorno de Pirenópolis)
https://blogdopg.blogspot.com/2012/08/caminhando-e-aprendendo-14.html
5 - Brasília e Foz do Iguaçu
21 e 22/02/2014, em Brasília
23 a 27/02/2014, em Foz do Iguaçu
24, passeio em Ciudad del Este - Paraguai
26, passeio em Puerto Iguazú - Argentina
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2014/03/brasilia-e-foz-de-iguacu.html
https://blogdopg.blogspot.com/2014/03/da-passagem-de-santos-dumont-por-foz-de.html
6 - Brasília, Uberlândia e Caldas Novas
23 a 25/07/2015, em Brasília e Uberlândia
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2015/07/brasilia-e-uberlandia-mg.html
Caldas Novas e Brasília
25 a 28/07/2015, em Caldas Novas e Brasília
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2015/07/caldas-novas-go-e-brasilia.html
7 - Brasília e Goiás Velho
30/05 a 04/06/2019
Viagem atual. Será o assunto da postagem de Linha do Tempo no próximo domingo.

SÉRGIO GOMES E A MODERNIDADE DOS ANOS PASSADOS

Estreou no dia 24 deste mês (outubro de 2015), com reprise no dia 25, o documentário "Máquina de um Tempo", da TV Assembleia Ceará, entrevistando pessoas que utilizaram ou que ainda utilizam máquinas de escrever.
Elas contam as memórias e as histórias vividas com este importante instrumento de escrita.
São entrevistados o médico pneumologista Sergio Gomes de Matos, o cronista esportivo Silvio Carlos, a jornalista Márcia Gurgel (irmã deste blogueiro), o colunista social Lúcio Brasileiro e o radialista e escritor Narcélio Limaverde, entre outros. ~ Paulo Gurgel

Transcrição do depoimento que Sérgio Gomes de Matos gravou neste vídeo (acima) roteirizado por Ângela Gurgel e Marcelo Alves, e produzido por Ana Célia de Oliveira para o Núcleo de Documentário da TV Assembleia do Ceará, em 2015.
1:05 O uso da máquina (de escrever) tem algo aí de um fetiche que me ficou desde muito tempo.
6:44 Pra mim, isso aqui (aponta para a máquina) é de uma utilidade extrema. Porque eu escrevo muito, escrevo algumas coisas aí, alguns artigos etc. O meu trabalho no hospital é calcado nas observações, nas evoluções e nas prescrições que eu faço.
7:03 (perguntando) Isso vem ocorrendo há quantos dias, Iracema? (ela responde) Pois é, você fuma? (ela responde) Não tem esse pecado, né? (ela responde) Tá certo.
7:20 (dirigindo-se ao repórter) A minha letra não é das mais legíveis, não é absolutamente incompreensível. Mas isso me deixou com uma inclinação maior para deixar, digamos, as receitas, as prescrições que faço para os doentes internados bem claras, bem legíveis para a enfermeira e o paciente. No caso de um paciente de consultório, para que ele não se confunda e tenha uma noção exata daquilo que está sendo prescrito. Isso passa a ser também um dos motivos (de usar a máquina de escrever). O Woody Allen, cineasta famoso, é adepto da máquina de escrever. Imagine dois outros atores famosos, o Tom Hanks, reconhecido em todo o mundo, e o Jerry Lewis (já falecido), incondicionalmente afeitos à magia do teclado.
13:21 A meu ver, é uma tecnologia que ficou... pelo menos pra mim. Ela atende as minhas necessidades.
19:45 Eu sinto uma empatia muito grande por esta modernidade dos anos passados. Ela me serve a contento.
20:09 A máquina de escrever em breve vai desaparecer.
21:54 (Sérgio termina de datilografar a receita)
Os grifos são nossos. ~ PGCS

ENCONTRO COM JOÃO BOSCO

No sábado passado, apanhei João Bosco Serra e Gurgel no Hotel Mercure para irmos ao Carneiro do Ordones, no Parque Araxá.
Nesse restaurante estivemos a conversar por algumas horas.
João Bosco é jornalista e escritor, sendo autor de 150 biografias de cearenses "de todos os andares". Além de ser um exímio contador dos acontecidos em Acopiara, cidade em que foram fincadas suas raízes.
Ele costuma me enviar exemplares dos livros que escreve e já tem transcrito algumas postagens minhas no jornal "Ceará em Brasília", do qual é um dos editores. Recentemente, subsidiei-o com informações para um artigo de reminiscências sobre o Usina Ceará.
Também é um girólogo porreta, e seu alentado "Dicionário de Gíria" já se encontra na 9.ª edição.
Uma de suas preocupações: ver publicada a obra que José Jarbas Studart Gurgel deixou inacabada, porém em fase final. Para tanto, rastreou o genealogista uns quatrocentos anos da família Gurgel no Brasil.
No final do encontro, convidou-me para visitá-lo em Niterói, onde reside quando não está em Brasília.
[ele e eu]

ÍNDIOS TABAJARAS

Há 10 anos no blog EM:
Muçaperê (Tianguá - CE) e Erundi (1918, Crato - CE) eram índios da tribo Tabajara. Em 1933, esses dois irmãos cearenses migraram a pé para o Rio de Janeiro. E, numa caminhada que durou três anos, a dupla entrou em contato com violeiros e cantadores das regiões pelas quais passaram. No Rio de Janeiro, onde a seguir fixaram residência, eles se registraram com os nomes de Antenor e Natalício, respectivamente. Mantiveram, porém, o nome de "Índios Tabajaras" para suas apresentações e gravações de discos.
O repertório da dupla ia do gênero popular (apresentado em trajes indígenas) ao erudito (apresentado de smokings). Os "Índios Tabajaras" residiram por alguns anos nos Estados Unidos, onde alcançaram grande sucesso, e fizeram excursões musicais em diversos países da América Latina, da Europa e Japão.
Ouvidos pelo violonista espanhol Andrés Segovia (1893 - 1987), receberam do pai do violão erudito moderno o seguinte elogio:
"Os Índios Tabajaras tocam vertiginosamente com dedos ligeiros e obedientes."
Vídeo: os irmãos "Índios Tabajaras" em "Hora Staccato", do violinista romeno Grigoras Dinicu
O assunto entrou na pauta de EntreMentes assim que recebi um CD com 24 músicas gravadas pelos "Irmãos Tabajaras". Enviou-me o CD o colega Nelson José, um mineiro que é filho de pai cearense. E, ao publicar esta nota, eu rendo minha homenagem a seu pai (que nasceu na mesma região do índio Muçaperê), o Sr. Cunha, o inesquecível pai do colega Nelson.

POEMAS EM PRELÚDIO

No dia 12 de maio, no ensejo da comemoração do Dia das Mães pela família Gurgel Carlos, foi apresentado aos integrantes de nossa família o livro POEMAS EM PRELÚDIO, uma obra póstuma do engenheiro químico e advogado João Evangelista Cunha Pires (1947-2015).
Este livro, que foi organizado pelo Promotor de Justiça do MPCE Leonardo Gurgel Carlos Pires (filho de João Evangelista e Marta Gurgel) e por Leonardo Gurgel Carlos Pires Filho, com a revisão editorial de Marcelo Gurgel Carlos da Silva, que também fez a apresentação oral, contou com a colaboração de Maria do Carmo Cunha Pires Okada, Paulo Gurgel Carlos da Silva (texto A NOITE DO CHÁ), Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Raphael Pires de Souza.
POEMAS EM PRELÚDIO. ISBN: 978-85-420-1378-8
Marcelo, Leonardo (org.) e eu (Paulo)
A matriarca Elda Gurgel cercada do carinho de netos e binetos.

SOBRE A ENTREVISTA DE EDMAR GURGEL COELHO

Edmar Gurgel Coelho foi jogador do time de aspirantes do Usina Ceará, chegando a atuar algumas vezes no quadro principal da equipe do Usina Ceará, durante os anos de 1955 a 1959, além de ter trabalhado na fábrica Siqueira Gurgel, de início como contínuo e chegando até a função de chefe do almoxarifado.
Em 24 de outubro de 2015, ele foi entrevistado em sua residência por Pedro Paulo da Silva Martins. Trechos de sua entrevista (com os comentários do entrevistador) fazem parte da dissertação MÁQUINAS PARADAS E PÉS À OBRA: FUTEBOL E LAZER FABRIL EM FORTALEZA (1949-1965) que Pedro Paulo da Silva Martins escreveu para o Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em História.

1 - Em entrevista, o senhor Edmar Gurgel Coelho, ex-funcionário da Siqueira Gurgel e ex-jogador do Usina Ceará entre os anos de 1955 e 1959, nos conta sobre o zagueiro e tecelão Viana de Melo.
Eu até citei pra você o caso do Viana que era um center-half. O Viana era um sujeito forte. Ele passava o dia todinho fazendo rede. Aquele onde ele fica em cima de duas tábuas, perna direita, perna esquerda, (fazendo pá, pá), e a mão aqui puxando a corda do lado direito e do lado esquerdo. Cadenciando pra fazer a rede (COELHO, Fortaleza, 24 out. 2015). 
A partir do depoimento do senhor Edmar Gurgel, podemos perceber que os atributos físicos de um operário-jogador contribuem para atender as necessidades específicas indispensáveis para o bom desempenho nos gramados e no chão da fábrica. O trabalho numa máquina de fiar não exige muito da habilidade técnica do trabalhador e limita suas possibilidades criativas, assim como a posição ocupada pelo “zagueiro proletário” no clube, uma vez que movimentos repetitivos e ordenados dão a tônica de seu ofício na fábrica ou no campo de futebol. p.30

2 - Ao ser questionado sobre as diferenças existentes entre o clube da Siqueira Gurgel e as equipes mais tradicionais da capital, Fortaleza, Ferroviário e Ceará, o ex-jogador, trabalhador da fábrica e morador do bairro Otávio Bonfim, Edmar Gurgel, nos fala:
Porque quando o Usina começou, vindo da segunda divisão, era tido como um time de subúrbio de Otávio Bonfim, um time fabril e que foi galgando o seu espaço. É tanto que no final os jogos do Usina já passaram a ser considerados clássicos. “Hoje Usina contra Fortaleza, Ceará contra Usina, contra Ferrim”. Já no final! (COELHO, Fortaleza, 24 out. 2015) 
Ao acompanhar a trajetória de uma equipe gestada entre operários para disputar partidas amistosas e campeonatos interfábricas e que passa a participar do principal campeonato da Federação Cearense de Desportos, senhor Edmar – mesmo que não tenha participado efetivamente dessa transformação, pois o profissionalismo não permitiu – mostra orgulho em contar e ter participado da história do clube fabril e de bairro que conseguiu fazer frente aos grandes clubes de futebol do Estado. Para ele, tal reconhecimento se materializava nas páginas esportivas dos jornais ao anunciarem os jogos do Usina como clássicos. p.51

3 - Por mais que o clube do Usina Ceará estivesse enquadrado entre os suburbanos, havia uma seleção entre aqueles que almejavam integrar seus quadros. Sobre a dinâmica deste equipamento, senhor Edmar Gurgel, ex-trabalhador da fábrica, nos responde:
(...) os operários, devido as suas condições financeiras, pouco frequentava. Só os empregados mais graduados, de escritório, os de venda, os chefes de seções. Os que frequentavam eram os que tinham melhores condições financeiras. O operário em si, era pouco. Quem mais frequentava era o pessoal do bairro. Congregava muito assim, o pessoal da Paróquia da Nossa Senhora das Dores, todo aquele pessoal da vizinhança frequentava lá (COELHO, Fortaleza, 24 out. 2015).
Percebemos na fala de senhor Edmar que o clube social era um espaço de distinção naquele microcosmo. Os operários, por não poderem contribuir com as taxas associativas mensais, não participavam dos eventos realizados nas dependências do clube. Apenas os funcionários que tinham um melhor cargo – consequentemente, um melhor salário – na fábrica, como os que trabalhavam no escritório, os vendedores e os chefes de seção, tinham as condições materiais necessárias de integrar esse espaço privado de lazer. p.57-58

4 - Ao ser questionado sobre os componentes da torcida do Usina Ceará, EdmarGurgel nos conta que:
Era o pessoal do Otávio Bonfim e aquelas adjacências, pegando o mercado São Sebastião, Vila Gurgel, São Gerardo. Era um pessoal que gostava muito do Usina. (COELHO, Fortaleza, 24 out. 2015). p.61
5 - Algumas dessas equipes eram organizadas pelos párocos da Igreja do bairro – Nossa Senhora das Dores – e eram ordenadas por faixa etária. Sobre os times de futebol dobairro Otávio Bonfim, Edmar Gurgel nos conta que:
E a própria Igreja, que congregava aqueles jovens com o esporte. Eles faziam, muito assim, essa irmandade funcionar bem. É tanto que veja aí: Otávio Bonfim, no tempo do frei Teodoro, desde eu menino velho, criancinha, já tinha um timezinho do São Tarcísio, quando aumentava a idade passava para o time Montese, quando já ficava adulto era o Montreal. E essa turma já jogava também no Usina, havia um intercâmbio (COELHO, Fortaleza, 24 out. 2015).
6 - Ao cruzarmos o depoimento de Edmar Gurgel com os escritos memorialísticos de Vicente Moraes, percebemos que jogadores que se destacavam nas equipes do bairro ganhavam espaço na equipe profissional da região. Assim como no caso de Bronzeado. Engraxate do bairro Otávio Bonfim, Bronzeado passa a integrar a equipe do Usina Ceará no ano de 1952, após se destacar na equipe do Estrelinha. É importante frisar que nem só o “clube fabril” se valia dessa relação estabelecida com os times do bairro. Os jovens jogadores também usufruíam da oportunidade de ter um clube federado à FCD nas proximidades para tentar a profissionalização, seja pelo Usina, seja por outro clube. O próprio Bronzeado, após atuar pelo “clube proletário”, consegue a profissionalização pelo Fortaleza. p.85

7 - No que concerne aos operários-jogadores do Usina Ceará, também existia, para alguns, o desejo de ascensão social por meio do futebol profissional. Entretanto, de acordo com o senhor Edmar Gurgel Coelho, poucos eram os que tinham sonho de investir no profissionalismo.
Olha, é claro que muitos atletas do Usina aspiravam ir para um time de mais nome. Nós tínhamos um, que eu não vou citar o nome, que quando ele saiu do Usina Ceará, como profissional já, ele foi contratado pelo Ceará. Ele disse que era um grande passo que ele tava dando pra ir jogar no Vasco. Que era o sonho dele ir jogar no Vasco. Então, aspirava a isso. (...) A pessoa se tornar um grande atleta aqui era muito difícil. Não podia ter esse sonho, não. Sabia que depois de poucos anos eleestaria não mais rendendo como jogador e desempregado. Isso acontecia muito. Era sempre uma preocupação. (COELHO, Fortaleza, 24 out. 2015).
O sonho de viver exclusivamente do futebol existia para alguns jogadores. Mas, nas palavras de Edmar Gurgel, essa ascensão não viria num time da cidade de Fortaleza e sim nos grandes centros à época – Rio de Janeiro e São Paulo – onde se encontravam os clubes com maiores recursos. p.88-89

8 - Os profissionais que ingressavam no “clube proletário” traçavam estratégias em campos bem diferentes das propostas pelo técnico da equipe, para se sobressaírem frente aos indivíduos que integravam há mais tempo os quadros do Usina. Senhor Edmar Gurgel Coelho, que fora atleta aspirante do “clube proletário” e contínuo da Siqueira Gurgel, nos relata como era essa relação entre essas categorias.
Olha, é claro que eu sentia que as pessoas como profissionais, não podiam, assim, se achar bem entre um elemento simplesmente amador. Como no meu caso, um amador. E pessoalmente quando se joga com uma certa determinação, eles se sentem assim: “o cara é amador, não tá ganhando e tá correndo mais do que eu? Como é que fica”? Aí, fica sendo uma situação meio constrangedora e eu sentia isso. Até boicote, a gente sofria. Por exemplo, você se deslocar pra receber a bola livre eles não davam. Mas na hora que você tava arrodeado de adversários ele te entregava, “toma, te vira”. E ainda saia de perto pra não receber. É isso acontecia. (COELHO,Fortaleza, 24 out. 2015).
Com a intenção de completar dois times para realizar treinamentos coletivos,muitas vezes eram convocados jogadores amadores da equipe aspirante para completar os quadros. Segundo senhor Edmar Gurgel, “eles” – os profissionais – boicotavam os amadores, que jogavam com determinação mesmo sem nada receber, para evitar concorrência, uma vez que estes viam nessas oportunidades a chance de mostrar serviço e quem sabe conseguir uma vaga no quadro principal, que era almejada por muitos. Portanto, o boicote em campo ao qual se refere o senhor Edmar pode ser encarado como uma forma que os profissionais encontravam de se perpetuarem no elenco em detrimento das outras categorias, inclusive os operários-jogadores. p.109-110

Martins, Pedro Paulo da Silva. MÁQUINAS PARADAS E PÉS À OBRA: FUTEBOL E LAZER FABRIL EM FORTALEZA (1949-1965) / Pedro Paulo da Silva Martins. – 2017. 159 f. : il. color.

VINTE ANOS DO CENTRO DRAGÃO DO MAR

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), completou vinte anos de história no dia 28 de abril.
Inaugurado oficialmente em 1999 pelo Governo do Estado do Ceará, o CDMAC tem uma trajetória de luta crescente que o alçou ao posto de um dos principais agentes articuladores do campo cultural e artístico cearenses, tendo conquistado relevância e reconhecimento nacional pelos esforços inéditos em difusão, criação e formação em arte, com o objetivo de promover o acesso democrático aos direitos culturais.
Sob o tema "Dragão da Liberdade – 20 anos de arte e conhecimento", o Centro Dragão do Mar deu início, no dia 27 abril de 2019 às 20 horas, a uma série de ações que celebram essa trajetória com o show "Esquina do Brasil", do compositor Fausto Nilo, em que este homenageia a Praia de Iracema e seu parceiro Evaldo Gouveia.
Fausto Nilo – que, além de compositor (de "Dorothy Lamour", "Meninas do Brasil", e "Pedras que Cantam", entre muitas outras canções), é arquiteto – desenhou, junto com o também arquiteto Delberg Ponce de Leon, as linhas arrojadas e hoje tão famosas do Centro Dragão do Mar.
(vista externa parcial do CDMAC)
Quem foi DRAGÃO DO MAR (Chico da Matilde)

ANIVERSÁRIO DE ZAÍRA - 92 ANOS

Nascida em Aurora-CE, em 21 de abril de 1927, Zaíra Teixeira de Macedo teve o aniversário natalício festejado no último domingo.
O local em que a família Macedo Pinto se reuniu para comemorar o evento foi o restaurante Dallas Grill, em Fortaleza.
Viúva de Moacir Soares Pinto, Zaíra é mãe de 7 filhos (Antonio, Lúcia, Rosy Mary, Moacir Filho, Elba, Márcia e Denise), avó de 14 netos e bisavó de 12 bisnetos.
Foto: Dona Zaíra, com a filha Elba e o genro Paulo. ▶️
https://docs.google.com/document/d/1zl3HywqEBvPW-92Ac6EZMrpaowgtcRWtCeiCzJyhehI/edit

PESAR POR DR. SÉRGIO GOMES DE MATOS

Faleceu subitamente hoje (24/04/2019), o médico Dr. SÉRGIO GOMES DE MATOS.
Formado em 1970 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceara (UFC), cumpriu Residência em Clínica Médica no Hospital dos Servidores do Estado (HSE), no Rio de Janeiro.
Em Fortaleza, vinha exercendo intensa atividade clínica no âmbito privado, em seu consultório e assistindo pacientes internados, especialmente na Casa de Saúde São Raimundo.
Encontrava-se aposentado do serviço público:  do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (em que aplicou grande parte de sua competência em Pneumologia) e do Instituto Dr. José Frota.
Carismático e culto, Sérgio Gomes emprestou sua privilegiada inteligência às academias Cearense de Medicina (ACM) e de Médicos Escritores (ACEMES), das quais era membro titular.
Fonte: SÉRGIO GOMES DE MATOS. In: GIRÃO, J.E. Clínica médica no Ceará – passado e presente. 2.ed. Fortaleza: Expressão, 2017. 312p. p.204. [Via Blog do Marcelo Gurgel]
A saudade e o legado deixados pelo Dr. Sérgio Gomes de Matos ficarão para sempre na memória daqueles que tiveram o privilégio de conviver com ele.
Velório: Funerária Ethernus (3388-4374), a partir das 17 horas, com missa de corpo presente, amanhã (25), às 9 horas.
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TRÊS DISCURSOS DO AC. SÉRGIO GOMES DE MATOS
SESSÃO REMÊMORA DA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA - ACM
FORTALEZA - 02/12/2015
HOMENAGEM DO AC. SERGIO GOMES DE MATOS AO DR. JOSÉ PONTES NETO NO ANO DE SEU CENTENÁRIO DE NASCIMENTO
VÍDEO 1
SESSÃO DA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA - ACM
FORTALEZA - 04/05/2016
HOMENAGEM DO AC. SÉRGIO GOMES DE MATOS AO DR. JOSÉ EDÍSIO TAVARES
VÍDEO 2
SESSÃO REMÊMORA DA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA - ACM
FORTALEZA - 06/12/2017
HOMENAGEM DO AC. SÉRGIO GOMES DE MATOS AO DR. NEWTON TEÓFILO GONÇALVES NO ANO DE SEU CENTENÁRIO DE NASCIMENTO
VÍDEO 3

A CRESTOMATIA DE RADAGASIO TABORDA

A palavra crestomatia é uma palavra composta, registada no início do século XVII. É composta de dois elementos, ambos gregos, de chrêstos, que significa "útil", e de máthesis, "aprendizagem", do verbo manthanein que significa “aprender”. O significado do substantivo crestomatia seria portanto "aquilo que é útil para a aprendizagem, que é útil no processo educativo" e refere-se a coletânea de textos escolhidos em função do ensino: recolha de fragmentos de prosa tirados de autores clássicos, célebres, que escrevem "bem" e são "bons" para o ensino.
Diz Vasco Arruda:
O que popularizou o vocábulo (crestomatia) no Brasil foi a publicação, em 1931, do livro Crestomatia: excertos escolhidos em prosa e verso dos melhores escritores brasileiros e portugueses, pelo professor gaúcho Radagasio Taborda. Como o próprio título sugere, trata-se de uma antologia com textos em prosa e verso que abordam uma grande diversidade de assuntos tais como literatura, geografia, história, religião etc.
A Crestomatia do professor Radagasio Taborda foi amplamente utilizada nas escolas durante décadas, e suas edições são hoje objeto de disputa entre colecionadores e bibliófilos.
[http://blogs.opovo.com.br/sincronicidade/2011/09/29/no-tempo-da-crestomatia/]
Exemplos de outras crestomatias no Brasil e no mundo:
Inocêncio Francisco da Silva, Crestomatia portuguesa oferecida à mocidade estudiosa, Typ. de José Manuel Mendes, Lisboa, 1850
Bernhard Dorn, A Chrestomathy of the Pushtu or Afghan language, St. Petersburg, 1847
Gustavo Adolfo Otero, Crestomatía Boliviana, Arnó Hermanos Libreros - Editores, La Paz, 1925
Eduardo del Palacio Fontán, Crestomatía Francesa, Imprenta Torrent, Madrid, 1929
F. Viching, Crestomatía Latina, Librería Bastinos de José Bosch, Barcelona, 1932
José Joaquim Nunes, Crestomatia Arcaica, Editora Livraria Clássica, Caxias do Sul, 1970
Takamitsu Muraoka, Siríaco Clásico. Gramática Básica Con Crestomatía, Verbo Divino, Navarra, 2007

PALESTRA NA ACEMES. INTRODUÇÃO À DIVINA COMÉDIA

O Presidente da Academia Cearense de Médicos Escritores (ACEMES), o médico e professor José Maria Chaves, convida para a palestra "Introdução à Divina Comédia", a ser proferida pelo advogado e tradutor André Bastos Gurgel.
André é professor efetivo da Faculdade Rodolfo Teófilo, intérprete e tradutor de línguas modernas e estudioso de idiomas clássicos. Coordena o grupo Amici di Dante, do Istituto di Cultura Italiana di Fortaleza (ICIF), dedicado ao estudo das obras de Dante Alighieri.
Data: 22 de abril de 2019 (segunda-feira).
Horário: 20 horas.
Local: Auditório do Núcleo do Obeso do Ceará – Avenida Antônio Sales, 1.540, em frente ao Carrefour, em Fortaleza-CE.

NA GAFIEIRA ELITE

Em 1973, quando morava na Glória com minha irmã Marta e seu esposo João Evangelista, recebi certa noite a visita inesperada de um amigo: o compositor Paulo Gomes. Conhecíamos-nos do bairro Otávio Bonfim, em Fortaleza, principalmente pelos interesses musicais em comum.
Com algumas detalhes diferenciais: Paulo Gomes tocava instrumentos de percussão e compunha marchinhas e sambas tradicionais; quanto a mim, tocava violão e incursionava no gênero da bossa-nova.
Ao me procurar, Paulo Gomes certamente imaginava que eu estivesse por dentro dos redutos do samba tradicional no Rio de Janeiro. Na verdade, eu estava mais para frequentador dos points da Zona Sul da Cidade Maravilhosa. O Bar Zeppelin, por exemplo, onde depois de alguns chopes mesclados com Steinhaeger (aguardente alemã), eu já me sentia um dos Chopnics do Jaguar.
Afora isso, eu conhecia um pouco da vida noturna de Petrópolis. Por causa dos meus deslocamentos para esta cidade serrana nos fins de semana. Dava plantões médicos na Casa de Saúde Santa Mônica e, quando estas obrigações terminavam, fazia minhas rondas boêmias na cidade.
No entanto, eu sabia da existência de uma certa "Gafieira Elite", no centro do Rio Janeiro, próximo ao Campo de Santana. Após feita a ressalva de que não conhecia o local, convidei Paulo Gomes para irmos até lá.
Ao deixarmos a casa pela madrugada, Paulo Gomes agradeceu-me pelo acerto da escolha da Gafieira Elite para se ouvir um samba autêntico. De raiz, como se diz atualmente.
Felizmente, eu não decepcionei o amigo em meu papel de cicerone.
Arquivo
"VELHO PALHAÇO" (postagem do blog "Linha do Tempo" em 2009)
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2009/06/velho-palhaco.html
A "Gafieira Elite" ainda funciona. Extraí do site oficial do estabelecimento as seguintes informações:
Construída para ser sua residência oficial, Duque de Caxias supervisionou a construção desse imóvel. Das sacadas do casarão, dizem que ele ficava a observar o movimento das tropas no Campo de Santana.
Em seu baile de inauguração, no dia 17 de julho de 1930, o então proprietário Sr. Júlio Simões, de naturalidade portuguesa, contratou a Orquestra Carioca. Dentre seus frequentadores, o ator Grande Otelo tinha um destaque especial por ser considerado um filho adotivo do Sr. Júlio Simões que o ajudava sistematicamente. Outros frequentadores foram Madame Satã, Braguinha, Oswaldo Nunes, Pixinguinha, Mário Lago, Ciro Monteiro, Cartola, Jamelão, Moreira da Silva, Nelson Sargento, Blecaute, Zé Keti, Carmem Costa, Elizeth Cardoso, Marlene, Emilinha Borba, Elza Soares, Núbia Lafayete e Dóris Monteiro - onde tudo era uma grande festa.
A atriz Zezé Macedo, a brasileira que mais realizou filmes no Brasil e no exterior (105), esteve lá para conhecer a casa como convidada do Presidente da Republica Getúlio Vargas, em 1945. O pé de valsa Juscelino Kubitscheck também chegou a conhecer a tão falada Gafieira Elite, mas isso em 1957.
O porquê da palavra gafieira
Quando um jornalista chegou a portaria para ter acesso a mesma, foi abordado pelo fiscal que questionou a sua conduta por estar alcoolizado e vestido de maneira "largada ", portanto não adequada ao recinto.
Aborrecido e mal humorado, o jornalista retrucou que "aquilo era um lugar de gafe e não um clube de dança", texto que foi citado em nota no jornal Tribuna da Imprensa.
Com essa citação no jornal o proprietário Júlio Simões teve a brilhante ideia de rebatizar o Elite Clube que passou a se chamar Gafieira Elite.
Grandes orquestras destacaram-se a partir de suas apresentações na Gafieira Elite, tais como Orquestra Raul de Barros, Orquestra Maestro Cipó, Orquestra Tabajara e outras, acompanhando grandes talentos da MPB como Aracy de Almeida, Angela Maria, Elizeth Cardoso, Ademilde Fonseca, Jamelão, Moreira da Silva, Carmem Costa, Dalva de Oliveira, Caetano Veloso, João Bosco, Beth Carvalho,Os Cariocas, Carlos Lira, Marisa Gata Mansa, Leila Pinheiro, Léo Gandelman, Olivia Brighton, Billy Blanco, Elymar Santos, Vanda Sá, Alcione, Golden Boys, Amelinha, Wagner Tiso, Raimundo Fagner, Zeca Pagodinho, Elba Ramalho, Paulo Moura, Os Morenos, Grupo Molejo, Danilo Caymi, MPB4, e Marlene, dentre outros que já fazem parte da galeria da fama desta gafieira.
A Gafieira Elite continua recebendo muitas presenças ilustres. Tem Alcione como madrinha da casa e batizou em seu espaço o Palco João Nogueira.
Como a dança de salão não ocupa mais o espaço que tinha na cultura carioca, a casa mantém seu funcionamento de uma maneira diversificada.

LANÇAMENTO DE LIVRO DE ORMUZ BARBALHO SIMONETTI

CONVITE
O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) convida para o lançamento do livro "MEU AMIGO BARTOLOMEU CORREIA DE MELO", biografia escrita pelo jornalista Ormuz Barbalho Simonetti, seu presidente.
A renda será revertida em benefício do IHGRN.

USINA CEARÁ, MEU PRIMEIRO E ÚNICO CLUBE NO CEARÁ

por JB Serra e Gurgel (*)
Paulo Gurgel resgatou a história do Usina Ceará e publicou em capítulos no seu blog Linha do Tempo, um excelente blog, com o seu perfeccionismo, talento, cultura, cearensidade e gurgelidade, que é compromisso com a família Gurgel, no qual estamos entranhados.
Em agosto de 2013 publicou um post informando:
"Usina Ceará Atlético Clube
Este time foi fundado em 1º de setembro de 1949 pelos funcionários da Indústria Têxtil Siqueira Gurgel Companhia Limitada, que ficava no Bairro de Otávio Bonfim, Fortaleza/CE, e tinha como cores oficiais o azul e o branco.
A sua função era promover atividades desportivas entre os funcionários da Siqueira Gurgel, em especial o futebol.
O time disputou o Campeonato Cearense, entre os anos de 1953 e 1964, sempre com boas campanhas. Por pouco não conquistou um título - foi vice-campeão em quatro ocasiões (1956,1957, 1961 e 1962)."
Em outubro de 2013 lhe mandei mensagem que postou:
"O jornalista e escritor JB Serra e Gurgel escreve que a sede social do Usina Ceará, cujo presidente eterno foi Adelmir Gurgel de Souza, era na Bezerra de Menezes, ao lado da casa de Zequinha (José) Gurgel. E o local em que os seus jogadores treinavam era o Estádio Theophilo Gurgel, no começo da Duque de Caxias. O Usina Ceará, junto com Ceará, Fortaleza, Ferroviário, Nacional, Calouros do Ar, América, Gentilândia e Maguary, fazia parte da Primeira Divisão do futebol cearense."
Publicou mais quatro posts contando histórias, resgatando fatos.
Mais tarde lhe mandei outra mensagem que postou:
"Caro Paulo,
Atualizei-me com sua Linha do Tempo hoje, com seus escritos, com os do Marcelo, com os do Fernando e de tantos outros.
As histórias do Usina Ceará acolho-as com atenção.
Explico porquê:
Em Fortaleza, só torci pelo Usina Ceará.
Não tenho nenhuma afeição pelo Ceará e pelo Fortaleza, clubes das multidões cearenses. Não gosto da forma como o futebol é conduzido pelos cearenses.
Técnicos e jogadores não têm nenhuma identidade com os dois clubes, daí a agonia que estes padecem nos campeonatos nacionais.
Além do que geralmente param nos clubes de Fortaleza técnicos vencidos (no prazo, no tempo, sem história, sem ter bagagem) e jogadores rodados que acabam se envolvendo com cachaça e rapariga, dois infortúnios dos jogadores de futebol.
No passado, tinha o campeonato de seleções e eu torcia pela seleção do Ceará.
Há 52 anos fora do Ceará, só torço pelo América, do Rio de Janeiro, clube das pequenas multidões, que tem o melhor hino de autoria do Lamartine Babo, que também escreveu hinos de outros clubes.
O do América é o mais bonito.
Sofro muito por ser americano, clube sempre roubado pela corja de apitadores do futebol inclusive ***  que é torcedor fanático do Fluminense e que já roubou o América em diversas partidas."
Acredito que está claro o fundamento da minha ligação afetiva com o Usina Ceará.
Frequentei a sede, lá brinquei o carnaval de 1962, assisti muitos treinos e jogos no Estádio Theófilo Gurgel Valente, que ficava na José Bastos com a Duque de Caxias, em frente ao Conjunto Gurgel. Muitas vezes fui ao Estádio Presidente Vargas no caminhão que levava o time de futebol, convivendo com os jogadores Adir, Luis Garapeiro, Doca, Cicero, Viana, Veras, Franciné. Se não me engano o técnico era o Dengoso. Ganhando ou perdendo voltávamos no mesmo caminhão. A gloria do Usina coincidiu com minha presença em Fortaleza tendo se sagrado vice-campeao cearense em 1961 e 1962.
Indo para o Rio de Janeiro em 1963, abracei no Rio de Janeiro definitivamente o América, tornando-me sócio e frequentador da sede da Rua Campos Sales, na Tijuca. Não vi jogos em Campos Sales mas assisti muitos jogos no Andaraí, muito depois do Dandon.
Minha opção pelo America nasceu em Acopiara; Meu pai comprava a revista "Sport Ilustrado" e eu acompanhava o América que tinha então um goleiro chamado Pompeia, o voador.
Voltando ao Ceará, desliguei-me do futebol, Não vi o Gentilândia e o Maguary jogarem. Vi o America, o Nacional e o Calouros do Ar. Ceará, Fortaleza e Ferroviário seguem vivos, mas é um futebol difícil, cheio de rolos, de paixões, de negócios. No passado, tudo isso existia mas era abafado. Para mim, pode parecer estranho, o futebol do Ceará acabou, quando acabou o Usina # falei.
(*) JB Serra e Gurgel (Acopiara), jornalista e escritor.
Artigo originalmente publicado no jornal "Ceará em Brasília", ano XXX - Ed. 320 de fevereiro de 2019. Disponível em www.casadoceara.org.br
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USINA DE POSTS
[1] [2] [3] [4] [5] e O gol de mão de Honorato

NOTA DE FALECIMENTO DE ANTÔNIO DE PÁDUA FRANCO RAMOS

É com profundo pesar que informo o falecimento de ANTÔNIO DE PÁDUA FRANCO RAMOS.
Filho de Raymundo Ramos Vieira e Hermila Franco Ramos, ele nasceu em 5 de fevereiro de 1935, em Parnaíba - PI.
Bancário, administrador, bacharel em Ciências Jurídicas, professor da UECE e autor de livros sobre políticas públicas e planejamento social, Pádua Ramos foi também secretário de governo dos Estados do Ceará e do Piauí e, nos últimos tempos, consultor de empresas e governos.
Ele faleceu hoje (2) à noite, de causas naturais, no Hospital Monte Klinikum, em Fortaleza - CE, após sucessivas hospitalizações.
Neste difícil momento, exprimo meus sentimentos de condolências à esposa Lys de Maria Adeodato Ramos (Lila) e às filhas Christiane, Lysiane, Fernanda e Juliana.
Pádua Ramos, um grande ser humano com o qual tive a ventura de conviver. Guardo para sempre a recordação deste homem bom, afetuoso e gentil.
O velório será amanhã (3), a partir de 7 horas, no Ethernus (Rua Padre Valdevino, 1688 - Aldeota, Fortaleza), com missa de corpo presente às 11 horas. O sepultamento ocorrerá no cemitério Parque da Paz às 16 horas.

BASTOS TIGRE E O "CHOPP EM GARRAFA"

Manuel Bastos Tigre (Recife, 12 de março de 1882 — Rio de Janeiro, 1.º de agosto de 1957) foi um homem de múltiplos talentos, pois foi jornalista, poeta, compositor, teatrólogo, humorista, engenheiro, publicitário e bibliotecário. Em várias dessas áreas, Bastos Tigre obteve sucesso, especialmente como publicitário. É dele, por exemplo, este slogan da Bayer que correu o mundo: "Se é Bayer é bom". Foi ele ainda quem fez a letra para Ary Barroso musicar e Orlando Silva cantar, em 1934, o "Chopp em Garrafa", inspirado no produto que a Brahma passou a engarrafar naquele ano.

O jingle tem mais de 3 minutos de duração. Nesta pressa de hoje não teria chance de ser veiculado pela mídia. Em tempo de gravação o "Chopp em Garrafa" (3:12) ultrapassa o "Tão bom que foi o Natal" (2:05), que Chico Buarque compôs em 1967 para a Imobiliária Clineu Rocha. Na verdade, "Tão bom que foi o Natal" não faz qualquer referência à empresa anunciante. É a canção que ocupava um dos lados de um disco que a Clineu Rocha distribuiu entre seus clientes; do outro lado, estavam os jingles da imobiliária.
https://blogdopg.blogspot.com/2012/12/tao-bom-que-foi-o-natal.html
Bastos Tigre estudou no Colégio Diocesano de Olinda, onde compôs os primeiros versos e criou o jornalzinho humorístico "O Vigia". Diplomou-se pela Escola Politécnica, em 1906. Trabalhou como engenheiro da General Electric e depois foi ajudante de geólogo nas Obras Contra as Secas, no Ceará.
Prestou concurso para Bibliotecário do Museu Nacional (1915) com tese sobre a Classificação Decimal. Mais tarde, transferiu-se para a Biblioteca Central da Universidade do Brasil, onde serviu por mais de 20 anos. Exerceu a profissão de bibliotecário por 40 anos, é considerado o primeiro bibliotecário por concurso, no Brasil.
No dia 12 de março é comemorado o Dia do Bibliotecário, que foi instituído em sua homenagem. WIKI
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Ver também em "Linha do Tempo":
SABÃO PAVÃO
ÓLEO PAJEÚ
PÍLULAS DO DR. MATTOS
FIMATOSAN
GETS-IT
GUARANÁ JESUS
A CAJUÍNA

JOSÉ DE ANCHIETA

"Santo: requestes a cruz na selva escura;
herói: plantaste nossa velha aldeia;
mestre: ensinaste a doutrina pura;
poeta: escrevestes versos sobre a areia."
Guilherme de Almeida
São José de Anchieta (San Cristóbal de La Laguna, na ilha de Tenerife, arquipélago das Canárias, 19 de março de 1534 — Reritiba, 9 de junho de 1597) foi um padre jesuíta espanhol, santo da Igreja Católica e um dos fundadores da cidade brasileira de São Paulo.
Canonizado em 2014 pelo papa Francisco, é conhecido como o Apóstolo do Brasil, por ter sido um dos pioneiros na introdução do cristianismo no país.
Missões
Desde jovem, Anchieta padecia de tuberculose óssea, que lhe causou uma escoliose, agravada durante o noviciado na Companhia de Jesus. Este fato foi determinante para que deixasse os estudos religiosos e viajasse para o Brasil. Aportou em Salvador, na Capitania da Baía de Todos os Santos em 13 de Julho de 1553, com menos de vinte anos de idade. Anchieta ficou menos de três meses em Salvador, partindo em outubro para a Capitania de São Vicente, onde conheceria Manuel da Nóbrega e permaneceria por doze anos. Anchieta abriu os caminhos do sertão, aprendendo a língua tupi e catequizando os índios.
Sabe-se que a data da fundação de São Paulo é o dia 25 de Janeiro, por causa de uma carta de Anchieta a seus superiores da Companhia de Jesus, com a citação:
"A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo, e, por isso, a ele dedicamos nossa casa!"
O religioso cuidava não apenas de educar e catequizar os indígenas, como também de defendê-los dos abusos dos colonizadores portugueses que queriam não raro escravizá-los. Esteve em Itanhaém e Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, em missão de preparo para o Armistício com os Tupinambás de Ubatuba (Armistício de Iperoig). Nesse período, em 1563, intermediou as negociações entre os portugueses e os indígenas reunidos na Confederação dos Tamoios, oferecendo-se Anchieta como refém dos tamoios em Iperoig.
Lutou contra os franceses estabelecidos na França Antártica, na baía da Guanabara. Foi companheiro de Estácio de Sá, a quem assistiu em seus últimos momentos. Em 1566, foi enviado à Capitania da Bahia com o encargo de informar ao governador Mem de Sá sobre o andamento da guerra contra os franceses, possibilitando o envio de reforços portugueses ao Rio de Janeiro. Por esta época, foi ordenado sacerdote aos 32 anos de idade.
Dirigiu o Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro por três anos, de 1570 a 1573. Em 1569, fundou a povoação de Reritiba, atual Anchieta, no Espírito Santo. Em 1577, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu por dez anos, sendo substituído em 1587 a seu próprio pedido. Retirou-se para Reritiba, mas teve ainda de dirigir o Colégio do Jesuítas em Vitória, no Espírito Santo. Em 1595, obteve dispensa dessas funções e conseguiu retirar-se definitivamente para Reritiba onde veio a falecer, sendo sepultado em Vitória.
Obras escritas
Segundo a "Brasiliana da Biblioteca Nacional" (2001), o Apóstolo do Brasil, missionário e fundador de cidades, foi gramático, poeta, teatrólogo e historiador, que compunha seus textos em quatro línguas: português, castelhano, latim e tupi.
Duas das suas principais obras foram publicadas ainda durante sua vida:
"De gestis Mendi de Saa" ("Os feitos de Mem de Sá"), impressa em Coimbra em 1563, que retrata a luta dos portugueses, chefiados pelo governador-geral Mem de Sá, para expulsar os franceses da baía da Guanabara onde Nicolas Durand de Villegagnon fundara a França Antártica. Esta epopeia renascentista, escrita em latim e anterior à edição de "Os Lusíadas", de Luís de Camões, é o primeiro poema épico da América.
"Arte de Gramática da Língua mais Usada na Costa do Brasil", impressa em Coimbra em 1595 por Antonio de Mariz. É a primeira gramática contendo os fundamentos da língua tupi. Constituindo-se em sua segunda obra publicada, é, ainda, a segunda obra dedicada a línguas indígenas, uma vez que, em 1571, já surgira, no México, a "Arte de la lengua mexicana y castellana" de frei Alonso de Molina.
Durante o tempo em que passou entre os gentios, compôs também o "Poema à Virgem". Segundo uma tradição, teria escrito o poema nas areias da praia de Iperoig, memorizado-o  e, apenas mais tarde, em São Vicente, o teria trasladado para o papel.
"O Poema de Anchieta", Benedito Calixto (1910)
Homenagens a Anchieta
- Rodovia Anchieta, que liga São Paulo a Santos. Foi inaugurada na década de 1940.
- Palácio Anchieta, o nome da sede do governo do Estado do Espírito Santo, no centro de Vitória.
- Cidade de Anchieta (ES), o nome atual da antiga Reritiba onde Anchieta viveu seus últimos anos.
- Santuário Nacional de São José de Anchieta, na cidade de Anchieta (ES).
- Passos de Anchieta. A sua disposição em caminhar levava a que percorresse, duas vezes por mês, a trilha litorânea entre a então Reritiba (atual Anchieta) e a ilha de Vitória, com pequenas paradas para pregação e repouso em Guarapari e outras localidades. Modernamente, esse percurso, com cerca de 105 quilômetros, vem sendo percorrido a pé por turistas e peregrinos, à semelhança do Caminho de Santiago, na Espanha.
- Monumento ao Padre José de Anchieta, na cidade de San Cristóbal de La Laguna, em Tenerife. Uma imponente estátua de bronze em sua homenagem, trabalho do artista brasileiro Bruno Giorgi.
- Instituto Padre Anchieta, [1] [2] educandário em Fortaleza, nas décadas de 1940 e 1950, fundado e dirigido pelo Prof. Luiz Carlos da Silva.
Referências
José de Anchieta, Wiki
Por que Anchieta é retratado escrevendo na areia?, Editora Cleofas
O Poema de Anchieta, Enciclopédia Itaú Cultural

ANIVERSÁRIO DE HENRIQUE SOARES

Marcos Henrique Siqueira Soares, auditor aposentado da Sefaz-CE, teve o aniversário natalício comemorado em sua residência, no penúltimo sábado (10).
O evento, que consistiu de uma feijoada e outras iguarias, foi organizado pela esposa Eveline.
Na decoração geral, no bolo de aniversário e nos cupkakes, estavam presentes as cores e o distintivo do Fortaleza Esporte Clube. Nas camisas da maioria dos convidados, idem. Henrique Soares, que foi jogador profissional do Ferroviário nos idos de 70, é fã ardoroso do Fortaleza.
Estive lá, acompanhado de Elba e do neto Matheus, para dar um caloroso abraço neste amigo e consogro.
Na foto: o filho Marcos, o neto Eduardo e o aniversariante Henrique.
Enquanto isso, no Castelão...
Fortaleza 0 x 0 Ceará

ANCHIETA E GUARAPARI - ES

05/03, terça-feira
Por rodovia, Guarapari e Anchieta distam de Vitória 53 km e 82 km, respectivamente. Ao comprar as passagens no guichê da Planeta, escolhemos começar a visita por Anchieta.
Situada na microrregião de Guarapari e com 28 mil habitantes, Anchieta tem como uma de suas principais referências o Santuário Nacional de São José de Anchieta (foto), que homenageia o padre jesuíta que fundou a cidade. O santuário fica numa encosta do rio Benevente, no núcleo histórico de Reritiba, atual Anchieta, uma cidade situada no litoral sul do Espírito Santo. Do ponto de vista arquitetônica o templo é uma obra modesta, construída no tempo do Brasil Colônia. Em seu interior, há vários painéis que relatam a vida e a obra do Padre Anchieta. Ao fundo, tem-se a belíssima vista do rio Benevente.
O Museu Padre Anchieta estava fechado, e nós visitamos apenas a igreja do complexo dedicado ao santo.
Na volta da visita ao santuário, paramos em uma mercearia para tomar água de coco. O dono do ponto de venda, um senhor muito prestativo, nos deu algumas informações sobre a cidade.
Anchieta tem 20 praias, sendo a mais procurada a Praia dos Castelhanos. Concluída a visita, numa parada de ônibus da avenida à beira-mar da cidade, tomamos um coletivo com destino a Guarapari.
http://www.litoralsulcapixaba.com.br/santuario/santuario.htm
Guarapari, assim como Anchieta, são municípios em que as sedes ficam à beira-mar (situação pouco comum no Ceará). Na alta temporada, Guarapari recebe centenas de milhares de turistas. A expectativa é de que, até o final do verão, 1,5 milhão de pessoas passe pela cidade. O município tem 51 praias.
Guarapari é um dos principais destinos turísticos do Espírito Santo. A cidade foi fundada em 1891, mas suas origens remontam ao século 16, com uma aldeia fundada pelo Padre Anchieta no local. O crescimento acentuado ocorreu a partir dos anos 1960 e, atualmente, possui 123 mil habitantes (2018). Guarapari tem 52 praias, que estão entre as mais concorridas do Espírito Santo.
Percorremos o seu centro comercial, a Praça Ciríaco Ramalhete, onde um grupo de foliões entoava "A Turma do Funil" (acho que estavam se aquecendo para o baile no Siribeira Iate Clube) e o calçadão da  Praia da Areia Preta (foto), que tem esta designação devido à ocorrência da areia monazítica. Algumas pessoas acreditam que essas areias escuras sejam medicinais e possam trazer benefícios para os portadores de doenças reumáticas,o que não é um fato científico. Na verdade, elas apresentam um alto nível de radioatividade natural proveniente de dois elementos químicos: urânio e tório.
Em alguns pontos das praias foram registradas leituras de até 20μSv/h (175 mSv por ano), uma dose equivalente à que seria recebida ao se tirar uma radiografia de tórax a cada cinco horas.
Ao lado do Siribeira, há um restaurante (foto), o Aquários, em que almoçamos uma moqueca capixaba. Com música ao vivo (roda de samba) e o melhor dos panoramas: de um lado a Praia da Areia Preta, e do outro, a Praia do Meio e a Praia das Castanheiras. Afinal, o clube e o restaurante foram edificados em uma península natural.
A 7 quilômetros do centro da cidade, próximo ao trevo da BR 101, está o Rodoshopping de Guarapari, mas as paradas lá são rápidas.
Para viabilizar o dia de passeio em Anchieta e Guarapari, utilizamo-nos do late check out. Um sistema praticado pelo Ibis que acrescenta seis horas de hospedagem mediante o pagamento de meia diária. Eles também disponibilizam o early check in.
Quanto à sequência final de nosso passeio por terras espírito-santenses, consistiu de uma pizza no refeitório do hotel, uma corrida de Uber para o aeroporto e o embarque no voo 3045 da Latam para Fortaleza, onde chegamos na madrugada da quarta-feira de cinzas.
(4 de 4)
Leitura interessante: https://especiais.gazetaonline.com.br/bomba/
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Capixabas famosos (em ordem alfabética):
Carlos Imperial (produtor artístico), Jair Amorim (compositor), Fernando Torres (ator), Luz del Fuego (dançarina), Nara Leão (cantora), Roberto Carlos (cantor), Roberto Menescal (compositor), Robson Miguel (violonista), Rubem Braga (cronista), Stênio Garcia (ator) ...
Originalmente, capixaba era somente aquele que nascia em Vitória-ES, sendo que o uso popular acabou estendendo esta designação a todos os espírito-santenses.

DOMINGOS MARTINS - ES

04/03, segunda-feira
Após o café-da-manhã, pelo aplicativo do celular pedimos um carro para uma corrida com destino ao Terminal Rodoviário de Vitória. Este terminal dos ônibus interurbanos fica próximo da zona portuária da cidade. Tínhamos como objetivo fazer um passeio em Domingos Martins, uma cidade com 35 mil habitantes nas montanhas capixabas, a cerca de 50 quilômetros de Vitória.
Um ônibus da Águia Branca, saindo pela Ponte Florentino Avidos (a Cinco Pontes) e tomando a rota da BR 262 que passa por Cariacica e Viana, levou-nos até Domingos Martins. O tempo de viagem foi pouco mais de uma hora.
Domingos Martins está situada na região montanhosa do Espírito Santo. É promovida como "Cidade do Verde", por contar com bastante mata atlântica,. O município possui muitos rios, picos e tem fazendas históricas. A sede tem a altitude de 542 metros, mas, no município, há picos acima de 1 800 metros. O município, que foi fortemente colonizado por pomeranos, tem 335 mil habitantesCom quedas altas e piscinas naturais, a Cascata do Galo é a mais famosa de Domingos Martins. O município tem sua alta temporada nos meses de inverno, quando as temperaturas estão mais amenas.
A Praça Dr. Arthur Gerhardt, como é chamada a praça principal da cidade, encanta a todos por seus canteiros, monumentos, fonte de água jorrante e a miniatura de um quitungo (uma casa de farinha) sobre um pequeno lago de carpas.
Vídeo 0:37 - 0:43
QUITUNGO (significado: casebre; choupana) - A farinha de mandioca já era utilizada pelo povos nativos deste país, porém a produção era um trabalho braçal muito fatigante. Colonos imigrantes que aqui chegaram no século 19 substituíram o trabalho braçal pela força d'água para mover suas engrenagens, criando assim o quitungo que, além de facilitar a produção da farinha, também realizava outras funções como: pilar café e arroz, moer fubá e canjica, gerar eletricidade etc.
O passeio deu-nos uma boa impressão de Domingos Martins. A cidade foi colonizada principalmente por imigrantes pomeranos, como deixa claro o monumento em homenagem a eles em sua praça principal, e percebe-se em toda parte uma forte influência luterana.
Fomos ter numa certa Rua de Lazer. Uma rua no estilo calçadão para pedestres, com lojas de doces, cafés e restaurantes. No "Caminho do Imigrante" tomamos chopes e almoçamos. Numa loja de doces Elba comprou bombons artesanais para trazê-los para a família.
Retornamos para a Praça Dr. Arthur Gerhardt, onde o termômetro da placa estava a indicar 35 graus. Enquanto descansávamos num banco da praça começou a soprar uma brisa agradável. Mas tudo que ela conseguiu foi reduzir em 2 graus a temperatura local.
#AMOR❤️ES 
Na Rodoviária pegamos o ônibus de volta para Vitória. Eram discretos em Domingos Martins os sinais de que estávamos numa segunda-feira de carnaval.
À noite, fomos ao Shopping Vitória.
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PASSEIOS PANORÂMICOS EM VITÓRIA / VILA VELHA

03/03, domingo
O Pier Iemanjá, na Praia de Camburi, fica a menos de um quilômetro da Praia do Canto. É um local muito frequentado por pescadores amadores. De um deles, enquanto tirava do anzol um robalinho que havia pescado, ouvi a má notícia de que não tinha mais escunas no Pier.
- Para ser franco, não sei nem se ainda existem essas escunas para turistas, completou ele.
Quem não tem barco embarca no ônibus. O plano B foi comprar na Capixaba Receptivo duas passagens para um passeio terrestre pelas cidades de Vitória e Vila Velha, com duração de 8 horas. Afinal, muitas atrações turísticas nessas duas cidades não tinham sido por nós visitadas no dia de ontem.
Trajeto - Orla de Camburi, Basílica de Santo Antônio, Museu da Vale, Catedral de Vitória, Hortomercado, Terceira Ponte, Orla das Praias de Vila Velha, Farol de Santa Luzia, Igreja do Rosário e Curva da Jurema.
Alguns comentários - Camburi, uma praia revitalizada. Com 6 km de extensão é a única praia que fica na área continental de Vitória. Tem ciclovias, pistas de caminhada, bancos para descanso e áreas para realização de esportes ao ar livre. A Basílica de Santo Antônio, projetada e construída a partir de 1956, e concluída na década de 1970, envolvendo em mutirão os moradores do bairro de mesmo nome, tornou-se um dos cartões postais de Vitória. O Museu da Vale (em cujo restaurante almoçamos no dia anterior) tem como destaque a antiga estação Pedro Nolasco, que abriga em seus três pavimentos um rico acervo ferroviário. Em termos de maquete projetada para simular uma ferrovia, a maquete que lá se encontra em funcionamento é a maior do Brasil, com 34 m2 de área construída. No Hortomercado, que fica na Enseada de Suá, uma pausa para o almoço. Em seguida, pela Terceira Ponte, o ônibus prosseguiu a viagem para o Farol Santa Luzia, em Vila Velha, um local que nos brindou com uma vista deslumbrante.
A orla de Vila Velha é formada pelas praias de Itaparica, de Itapoã, da Costa e da Sereia, que lotam de banhistas aos domingos e na alta estação. Finalmente: o retorno para Vitória pela Terceira Ponte, a Curva da Jurema, a Praça dos Namorados e o Triângulo das Bermudas, na Praia do Canto, onde aproveitamos para desembarcar do ônibus.
Curiosidades (repassadas pela guia turística da Capixaba Receptivo):
(1) Houve muito apoio da comunidade para que a construção da Basílica se concretizasse. Havia inclusive uma senhora que vendia mingau para juntar dinheiro para a construção, O "mingau do Santuário" ficou famoso e existe até hoje, sendo feito com a mesma receita.
(2) A Rodoviária de Vitória vista do alto lembra o mapa do Estado do Espírito Santo. Seu arquiteto, Bebeto Vivácqua (que deu o nome à rodoviária), teve essa intenção.
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VITÓRIA E VILA VELHA

02/03, sábado
Chegamos a Vitória, às cinco e meia da manhã, pelo voo 3555 da Latam. Tomamos um café expresso com pão de queijo em um dos quiosques do aeroporto e pegamos o táxi que nos levaria ao Hotel Ibis de Praia do Canto.
De lá fomos ao Centro Histórico de Vitória. Havia pouca gente nas ruas, talvez por ser ainda muito cedo. Algumas pessoas estavam trabalhando na montagem de um palco na Praça Costa Pereira, onde aconteceria à tarde uma festa de carnaval. Nesta praça fica o Theatro Carlos Gomes, que se encontrava fechado para reformas.
Subindo os lances de uma escadaria fomos conhecer a Catedral (foto ao lado) e, próximo a esta, o Palácio Anchieta, que é a sede do governo estadual. A Catedral estava aberta e podemos admirá-la por dentro (o que não foi possível fazer com relação ao Palácio Anchieta).
Em seguida, fomos até o Parque Moscoso. Este parque é a mais antiga área de lazer da cidade. Além do lago serpenteante com pontes, do monumento central e das alamedas com árvores típicas da Mata Atlântica, o parque dispõe de uma concha acústica com um pequeno anfiteatro.
Vitória, a capital do Estado, foi construída numa ilha montanhosa. É ligada ao continente pela Ponte Florentino Avidos (a Cinco Pontes), pela Ponte do Príncipe (Segunda Ponte) e pela Terceira Ponte ao sul, e pelas pontes da Passagem, Ayrton Senna e de Camburi ao norte. Vitória é a capital e o mais importante município capixaba. Ela forma com os municípios de Vila Velha, Cariacica, Serra, Viana, Guarapari, e Fundão a Região Metropolitana de Vitória, conhecida como Grande Vitória, que abriga cerca de 1,8 milhão de habitantes.
Numa rua ao lado do Moscoso, pegamos um ônibus da Linha 503, que nos levou ao vizinho município de Vila Velha. Por um erro de informação, descemos no bairro da Glória. No entanto, corrigimos o engano, ao prosseguirmos a pé nossa viagem até o centro de Vila Velha.
Vila Velha é uma cidade industrial, portuária (foto abaixo) e também apresenta um comércio pujante. É a sede da conhecida fábrica de chocolates "Garoto".
Numa das praças de VV, por acaso nos deparamos com a Biblioteca Municipal "Titanic" (este apelido se deve à forma em navio do prédio que a abriga). Ali, fiz o que já tenho feito em outras bibliotecas pelo país. Doei um exemplar do "Portal de Memórias" para o acervo da "Titanic".
Já era quase meio-dia quando solicitamos por aplicativo (Uber) um carro com destino ao Museu Vale. Sabíamos que, dedicado ao tema da ferrovia, o museu adaptou há tempos um antigo vagão de trem para a função de restaurante. Sua comida é ótima. Almocei um talharim com molho de queijo, rúculas e bacon. Elba comeu um filé com risoto de fungos.
Voltamos ao hotel. Cansados da noite mal dormida e da caminhada por terras capixabas, reservamos a tarde para descansar. Embora, ao fim da tarde, eu tenha saído para conhecer um pouco da região do hotel, a Praia do Canto. Cognominada de "Triângulo das Bermudas", a região é um polo de alimentação, ao qual retornei com Elba no período noturno.
Jantamos no Bully's, um restaurante que fica exatamente ao lado do hotel.
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FALTA DE LUZ

Radialista, apresentador de programas de TV e ícone da publicidade, Irapuan Lima (01/08/1927 - 04/05/2002) foi durante muitos anos um dos grandes comunicadores do Ceará, fazendo jus ao apelido de "Chacrinha do Norte". Deve-se a ele a invenção das "Irapuetes" e a "bolação" de reclames como o "Cadê Cacá".
Irapuan Lima foi Rei Momo do Carnaval de Fortaleza de 1961 a 1963.
Em 1960, e ele e Mario Filho criaram a marchinha "Falta de Luz", em que criticavam os frequentes "apagões" da termelétrica de Mucuripe.
Luciano Hortencio postou esta música no YouTube. Intérprete: José Lisboa

Falta de luz / É bom pra namorar / Mas depois disso / Nem é bom falar / A usina lá do Mucuripe Todo mês tem gripe / Não quer mais funcionar.
Em duas oportunidades estive com Irapuan Lima. Numa noite, acompanhando o cantor e imitador Vitor Portela (que ele aparentemente empresariava), em dois clubes suburbanos em que Vitor se apresentou. E, num fim de semana, em sua propriedade no Aquiraz. Lembro-me de que o imóvel consistia de uma casa maior, no centro de um terreno, e de quatro casas menores. Irapuan e sua esposa Dona Áustria ocupavam a casa principal, ficando as casas menores à disposição de seus filhos. Convidados por Carlos, um dos filhos do casal, eu e minha mulher fomos hóspedes da família Lima em um fim de semana.
Irapuan Lima faleceu aos 74 anos de idade, depois de 50 anos de carreira, com muito bom humor e irreverência.

ILHAS-CAPITAIS DO BRASIL

São Luís, capital do estado do Maranhão. Das três ilhas-capitais, São Luís é a mais populosa, com 1.011.098 habitantes, e possui uma área de 827 km². É a única cidade brasileira colonizada por franceses (França Equinocial), sendo fundada no dia 8 de Setembro de 1612 por Daniel de la Touche. Inicialmente chamada de "Saint Louis" pelos franceses, teve o nome aportuguesado em 1615 para São Luís, quando os portugueses comandados por Jerônimo de Albuquerque tomaram o controle da cidade. É a cidade natal de vários escritores e poetas brasileiros como Aluísio Azevedo, Ferreira Gullar, Josué Montello e outros.
Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina e segundo município mais populoso do estado (depois de Joinville), fica quase inteiramente (97,23%) localizada na ilha de mesmo nome. É a segunda maior ilha-capital das três em tamanho e população, com 408.161 habitantes e 433 km². Foi fundada em 23 de março de 1726. É a capital brasileira com o melhor IDH, além de ser o quarto município com mais alto IDH (incluindo capitais e não capitais) do Brasil.
Vitória, situada na ilha de mesmo nome, ocupa área de 104 km². Foi fundada em 8 de Setembro de 1551 e é formada por várias ilhas, inclusive algumas a mais de 1.100 km da costa. Capital do estado do Espírito Santo e o município capixaba com maior PIB, Vitória é a quarta cidade mais populosa do estado (com 327.801 habitantes), ficando em número de habitantes depois de Vila Velha, Serra e Cariacica, municípios de sua região metropolitana e que fazem fronteira com a capital.
Com destino a Vitória, embarcamos hoje (2) de madrugada em avião da Latam. Elba e eu vamos aproveitar o período carnavalesco para conhecer Vitória e outras cidades espírito-santenses.

OS CASTIGOS CORPORAIS NA ESCOLA ANTIGA

O Decreto Imperial de 15 de outubro de 1827 foi o documento que criou o ensino público no país. Em seus 17 artigos, o imperador Dom Pedro I (1798-1834) mandou "criar escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império".
O artigo quarto definia que o método adotado era o "ensino mútuo", também chamado de Lancaster. Criado pelo pedagogo e quaker inglês Joseph Lancaster (1778-1838), destacava-se por otimizar a transmissão do conhecimento, ao conseguir passar as aulas a um grande número de alunos, com poucos recursos, em pouco tempo, e com relativa qualidade.
De acordo com o decreto, em seu artigo sexto, os professores "ensinarão a ler, escrever, as quatro operações de aritmética, a prática de quebrados, decimais e proporções, as noções mais gerais de geometria prática, a gramática da língua nacional, e os princípios de moral cristã e da doutrina da religião católica apostólica romana" - na época, o Estado ainda não era laico, vale ressaltar.
O mesmo artigo também trazia esta recomendação: "preferindo para as leituras a Constituição do Império e a História do Brasil".
Já a didática era baseada em repetição e memorização. E muita disciplina. E isto incluía as reprimendas, conforme dizia o artigo décimo-quinto da lei imperial: "os castigos serão praticados pelo método de Lancaster".
Em texto publicado em 15 de outubro de 1927, na "Revista do Ensino", edição comemorativa ao primeiro centenário da legislação, o professor Leopoldo Pereira descreve como era a "escola antiga", ou seja, o ensino do século 19.
"Não se compreendia então a escola sem o castigo corporal: a férula (palmatória) era para o mestre como o cetro para o rei ou o cajado para o pastor. Até nas aulas de latim e francês, que nossas principais cidades possuíram durante muitos anos, corria bem aceito o axioma que o latim, quando não entrava pelos olhos e ouvidos, devia entrar pelas unhas. Na escola primária a palmatória chamava-se santa luzia. Por que esse nome? Como se sabe, a crença popular venera Santa Luzia como advogada da vista, e nossos pais entendiam que a férula é que devia dar vista aos cegos", escreveu ele.
A palmatória, como se sabe, é um artefato geralmente de madeira formado por um círculo e uma haste. Foi muito utilizada no passado nas escolas pelos professores a fim de castigar alunos, golpeando-a na palma da mão do aluno castigado. Algumas palmatórias podiam conter furos no círculo, a fim de aumentar a sensação dolorosa. Os furos serviam para vencer a resistência do ar e aumentar a velocidade do golpe, aumentando assim a dor e vestígio deixado na pele por cada golpe.
Atualmente, seu uso é considerado crime na maioria dos países ocidentais, entre eles Portugal e Brasil (onde foi transformada em crime no final dos anos 70), bem como qualquer castigo físico infligido a estudantes.
O último país ocidental a abolir o uso da palmatória foi a Inglaterra, em 1989. Recentemente, contudo, o parlamento inglês voltou a debater a legitimidade do uso dos castigos físicos como medida educacional corretiva em crianças, gerando grandes discussões.
Antigamente, nas festas de formatura no Brasil, foi costume os alunos presentearem seus professores com palmatórias, como sinal de submissão à autoridade.
Fontes
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45837273
http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei_sn/1824-1899/lei-38398-15-outubro-1827-566692-publicacaooriginal-90222-pl.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_Lancaster

A RODILHA

Do espanhol: rodilla.
Para aqueles que nasceram no século XX, não será difícil lembrar o que é uma rodilha (ou "sogra", como também é conhecida em Portugal). É uma pequena almofada em forma circular, aberta no centro, ou um simples pano enroscado em que assentam os objetos que se levam à cabeça. Por exemplo: caixas, latas, bacias, tabuleiros e potes.
"Quem não pode com o pote não pega na rodilha." 
Então, como pensam vocês que surgiu este provérbio?
Da forma como se faz a rodilha depende a sua eficácia. Uma rodilha mal feita se deslaça e se a lavadeira não for muito ladina deixa cair a bacia com roupas ao chão. Ao mesmo tempo que ajuda a equilibrar, a rodilha torna mais suportável o peso do recipiente sobre a cabeça.
Antigamente, as rodilhas mais elaboradas eram feitas de trapos e linhas de bordar, entrançadas e bordadas. Com o passar dos anos, este pequeno objeto deixou de ter uma tarefa funcional, e passou a ser utilizado como peça decorativa.
Isilda Duarte, costureira "há 39 anos", decidiu elevar o patamar, e encontra-se a produzir uma "rodilha gigante", que a pode levar a entrar para o desejado Livro Guinness dos Recordes.
Com dois metros de diâmetro, e 6,3 metros de perímetro, esta rodilha foi projetada em 2012. Naquela altura, "atravessava uma fase complicada na minha vida, e estava a lutar contra uma doença, precisava de alguma coisa que me distraísse e que me desse alguma motivação", revela a costureira ao site Pombal Jornal. Fez e desfez o molde "pelo menos seis vezes".
Nas primeiras "quatro vezes não acertava com o tecido que suporta a estrutura: algumas ficavam tortas, outros tecidos não lhe davam a consistência necessária, e ficava toda deformada". Depois de encontrar o material mais adequado, ainda teve que "refazer tudo mais duas vezes, porque não ficava mesmo redonda".
Quando ultrapassou esta etapa, começou a idealizar os "desenhos" decorativos, em papel quadriculado, e à escala, posteriormente foi a vez de escolher as cores e os tecidos que lhe vão dar alegria, num entrelaçado entre fitas coloridas e pretas, num design "pouco habitual". No total são mais de 200 metros de tiras pretas, e 80 de fitas coloridas, cada uma com cerca de 5 centímetros de largura.
Aqui estamos também a torcer pelo reconhecimento do recorde de Isilda por parte do Guinness.
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Nelson Cunha, médico oftalmologista em João Monlevade (MG), enviou esta mensagem:
"Rodilla" em espanhol é joelho. Refere-se de modo especial a seu disco ósseo, a patela. Também pode ser pano de chão que, ao ser torcido para expulsar água, transforma-se no "donut" de pano ou rodilha.
Acho que nosso idioma pescou a palavra além-fronteiras e mudou seu sentido: trapo de chão torcido que serve de suporte para cargas sobre a cabeça.
Conchita (nascida na Espanha e esposa de Nelson) não se lembra do nome da coisa em espanhol.