O TIGRE DA ABOLIÇÃO

Foto: PGCS, 08/11/2017
No saguão da antiga estação ferroviária de Acarape-CE, atual sede do Paço Municipal da cidade, encontra-se uma placa com os seguintes dizeres:
Nossa homenagem ao passageiro mais ilustre da Estação de Acarape,
José Carlos do Patrocínio
José do Patrocínio era filho de uma escrava alforriada e, aos 14 anos, deixou a fazenda da família para tentar a vida na cidade do Rio de Janeiro. Em 1877, ingressou na redação de "A Gazeta de Notícias', onde intensificou os ataques à política escravocrata. Na capital do império, o Tigre da Abolição", como era conhecido por sua luta pela abolição da escravatura, veio de trem até pequena Vila de Acarape, acompanhado da Sociedade Libertadora Cearense, onde desembarcou nesta estação para dar o primeiro passo rumo a uma sociedade livre e fraterna, sem distinção de raça e cor.
Nossa cidade, nas palavras de Joaquim Nabuco em carta da Inglaterra afirma: "O Ceará é maravilhoso. Parece incrível que essa província faça parte do império. Acarape é mais do que um farol para todo o país: é o começo de uma pátria livre". Neste momento, Acarape foi destinada por seus filhos a fincar no solo da pátria a semente que germina um sonho de liberdade plantada pelos aguerridos abolicionistas.
A alforria dos escravos tornou-se uma grande festa cívica em que foram libertados 116 escravos. Há menos de um ano antes da província do Ceará, em março de 1884, Acarape aboliu a escravatura em 1º de janeiro  de 1883.
Raul Pompéia, o grande romancista, derrama-se em louvores. "O Acarape começa. Vai nascer o futuro". De volta ao Rio de Janeiro, José do Patrocínio denomina o Ceará "Terra da Luz".
Acarape, 29 de novembro de 2013
Em comemoração dos 140 anos do início da operação da linha férrea que trouxe o Grito da Liberdade.

GIROS FINAIS EM SANTIAGO

15/11 - quarta-feira
Foi o nosso último dia em Santiago do Chile. Quando seguimos um roteiro que poderíamos chamar de "nosso" (fora do pacote turístico).
Iniciando-o, por volta das 8 horas da manhã, com uma "caminhada de reconhecimento" da avenida Apoquindo. Nesse horário, muita gente já estava a andar apressadamente em suas largas calçadas. Em toda a sua extensão, a avenida recebe os passageiros de seis estações do metrô de Santiago.
Havia chovido um pouco antes de sairmos do hotel e fazia frio.
Em certo momento, paramos para apreciar um espetáculo inusitado. O edifício central do Costanera Center, que tem uma altura de 300 metros, o que faz dele o arranha-céu mais alto do Chile e da América Latina, como que "brincava de esconder" o seu topo nas nuvens (à maneira de alguns edifícios de Dubai).
No meio de tanta modernidade, vimos um pouco adiante uma farmácia mapuche. Sabe-se que há várias delas na cidade. No Chile, curandeiros mapuches são autorizados a trabalhar no atendimento de pacientes da etnia indígena, inclusive em hospitais.
A Apoquindo começa na avenida Tobalaba, como uma continuação da avenida Providencia, e termina no setor de Los Dominicos, quando se bifurca em duas ruas. Ela segue o antigo traçado de um caminho colonial para a Cordilheira. Ela passa por vários bairros da classe sócio-econômica alta, inclusive Las Condes. As sedes de importantes empresas e várias embaixadas estão localizadas na avenida Apoquindo. É onde está o coração do setor financeiro da cidade, conhecido popularmente como "Sanhattan".
Ao meio-dia, pegamos o trecho Alcántaras - Leones da Linha 1 do metrô e fomos ao restaurante Giratório. O Giratório fica no 18º andar de um edifício na rua Nueva Providencia, próximo a Los Leones. O restaurante é assim chamado porque faz um giro de 360 graus a cada hora, o que propicia a seus frequentadores uma visão panorâmica de todos os lados da cidade. A comida é muito boa e os pratos são individuais. O restaurante tem um cardápio normal e um cardápio executivo para o horário das 12 às 16 horas. O cardápio executivo só é apresentado quando o cliente o solicita. Consta de entrada, prato principal, sobremesa e bebida, sempre em duas opções. Restringindo-se a ele, duas pessoas almoçam por 33 mil pesos chilenos (cerca de 240 reais) com a propina incluída.
No Giratório
(No 16º andar do mesmo edifício, há outro restaurante com visão panorâmica, mas que não gira.)
Na avenida Andrés Bello, a poucas quadras de onde estávamos, fica o Costanera Center, ao qual fomos a pé para "facilitar a digestão". O Costanera Center - um complexo com quatro prédios ocupados por um shopping, escritórios, hotéis e centro de convenções. em que o shopping ocupa os 6 andares inferiores da torre principal, conhecida como Gran Torre de Santiago.
Desde 2014, o shopping Costanera Center passou a atrair ainda mais os visitantes com a inauguração do Sky Costanera. Um mirante situado no 62º andar da Gran Torre Santiago que oferece uma vista de 360 graus de toda a cidade. Os ingressos para o mirante apresentam preços que variam conforme a idade do adquirente e o dia da semana.
Após Elba ter feito compras (mas não todas), saímos do Costanera para um segundo shopping, o Parque Arauco. Menor do que o primeiro, o Arauco (que estava em obras) apresenta um aspecto mais simpático. Tem lojas, quiosques, salas de cinema e uma praça de alimentação, assim como qualquer shopping. Mas o Arauco, na entrada que dá para a avenida Kennedy, tem o seu Boulevard del Parque, com muitos bares e restaurantes. Lamentamos não termos estado no tal Boulevard anteriormente.
Os dois shoppings dispõem de uma modalidade de serviço de táxi, o táxi seguro, em que as corridas são previamente acertadas com os clientes para evitar que estes sejam ludibriados por taxistas desonestos.
Costanera
Arauco










Às 21h30, uma van da CVC nos transportou do Hotel Leonardo da Vinci ao aeroporto internacional de Santiago (distância: 27 km) para a nossa viagem de volta ao Brasil. O avião da Avianca decolou na hora prevista (0h55, do dia 16) e chegou pontualmente a Guarulhos, onde a companhia aérea nos ofereceu a opção de embarque num voo mais cedo para Fortaleza, o que imediatamente aceitamos.
Links internos:
http://blogdopg.blogspot.com.br/2015/12/um-dia-inesquecivel.html (FGF)
https://blogdopg.blogspot.com.br/2017/11/chile-tem-dois-ganhadores-do-nobel-de.html
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CORDILHEIRA DOS ANDES

14/11 - terça-feira
Em 1975, passei cinco dias em Bogotá, um dos quais reservei para conhecer a cidade de Villavicêncio, capital do departamento de Meta. Situada no sopé da Cordilheira dos Andes, a 90 quilômetros da capital colombiana, ir a Villavicêncio foi um agradável passeio feito em ônibus de linha, a partir de Bogotá. No estilo bate-pronto, indo e voltando no mesmo dia. Com a continuidade da excursão, ainda me aconteceu de sobrevoar os cumes nevados dos Andes em duas oportunidades: indo de Bogotá a Quito, onde passei três dias, e ao prosseguir a viagem de Quito para Lima.
Agora, retorno à Cordilheira, desta vez acompanhado de Elba, para a realização de um novo passeio andino. Um passeio panorâmico nos Andes Centrais chilenos, margeando o Rio Mapocho e com paradas previstas em Valle Nevado e Farellones.
Em linha reta, a distância entre o centro histórico de Santiago e o Valle Nevado é 32 quilômetros. No entanto, a subida de um local com 500 metros de altitude para outro situado na montanha, com 3.100 metros de altitude, faz com que a distância e o tempo de viagem se tornem bem maiores.  E a estrada de acesso, mesmo estando sem neve no atual período, requer boa experiência de quem dirige o veículo. É estreita e tem um total de 62 curvas íngremes e fechadas até chegar ao centro de esqui de Valle Nevado. E quem dirige também precisa tomar cuidado com os outros veículos que trafegam em sentido contrário e com os ciclistas de alta performance que pedalam pelo caminho. 
Elba, en el Valle Nevado (no muy cubierto de nieve) 
Por não estar no inverno, os equipamentos da estação de esqui de Valle Nevado não estavam funcionando. Apenas uma loja que vende roupas de inverno e acessórios para neve estava aberta a eventuais compradores. E seus hotéis também estavam fechados, embora os visitantes possam circular livremente pelas áreas comuns da estação. Condores foram vistos pousados em telhados de onde decolavam para os voos que eles fazem aproveitando as correntes aéreas. Parecem urubus crescidos, com os machos podendo ser identificados pelo anel de penas brancas que ostentam no pescoço, além de serem mais corpulentos do que as fêmeas.
No começo da tarde, conforme a hora combinada, retornamos à van que nos levaria a Farellones. Além de uma estação de esqui (também temporariamente fechada), existe no lugar um vilarejo. Com casas, escola e um pequeno comércio. No único restaurante de Farellones, almoçamos. Ou, pelo menos, tentamos fazê-lo. Pensem na qualidade da comida. Diante das minhas justas reclamações, a dona do estabelecimento aquiesceu em que eu não pagasse a propina (ora, esta é só sugerida no Chile).
Farellones e sua vizinha El Colorado são duas estações de neve perto da capital chilena. Muito antigas, foram desde sempre uma área de lazer para os amantes da natureza e dos esportes de inverno que viviam em Santiago – e que passaram a construir casas de fim de semana, e assim fizeram surgir estes dois vilarejos de montanha.
E a volta para Santiago, principalmente para o desespero de uma turista em pânico, pareceu mais demorada. Restou-me continuar vendo as florzinhas amarelas típicas da região que, contrastando com a cor cinza das  montanhas, chegavam a formar tapetes nas encostas, tal a quantidade delas; as minicachoeiras produzidas pelo degelo dos glaciares (que preparam o Rio Mapocho para sua passagem por Santiago, a caminho do Pacífico); e, à beira da estrada, uma raposa da tarde, hesitante entre fugir e se aproximar de nós (teríamos algum petisco para ela?).
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VIÑA DEL MAR E VALPARAÍSO

13/11 - segunda-feira
Partindo de Santiago, a principal via de acesso a Viña del Mar e Valparaíso é a Ruta 68, a qual também  passa pela comuna de Casablanca. Mas antes de chegarmos a esta rodovia, tivemos de percorrer algumas avenidas de Santiago do Chile, como a Los Conquistadores, e de passar pelo túnel de San Cristóbal, um sistema de dois túneis que cruzam no sentido norte-sul o Parque Metropolitano da cidade.
A construção da Ruta 68 teve um grande impacto na forma de viver de grande parte dos chilenos. Esta rodovia liga duas das três áreas urbanas mas populosas do país: a Grande Santiago e a Grande Valparaíso, sendo a rota terrestre mais transitada do Chile.
Em certa altura da viagem vimos uma massa de névoa a se deslocar no rumo de Santiago. A guia turística Miriam explicou que esse tipo de névoa surge no oceano, passa por sobre a Cordilheira da Costa e, sem trazer algum benefício direto à poluída Santiago, vai esfriar a Cordilheira dos Andes.
Entre os quilômetros 69 e 72 da Ruta 68 fica Casablanca, uma região de vinhedos. Em alguns deles, a gente vê cultivos de rosas brancas e vermelhas. Os rosais, que costumam ser atacados por parasitas antes das parreiras, servem para alertar os vinicultores da iminência de uma praga nas parreiras. As rosas brancas sinalizam as parreiras de uvas brancas e as rosas vermelhas, as parreiras de uvas para vinhos tintos. Faz sentido.
No Rio Tinto, uma tienda de vinos, o nosso grupo parou para uma sessão de degustação de produtos da casa.
Elba, fotografada no Rio Tinto, no Valle Casablanca
Viña del Mar
Conhecida como a "cidade jardim", Viña del Mar encanta por suas belezas naturais, o que inclui a sua longa orla no Oceano Pacífico. Sua estética urbana mistura prédios modernos com mansões e castelos que adornam a cidade. Pertenceram a ricas famílias de antanho e alguns destes foram transformados em museus e centros de diversão. Como o glamoroso Casino Municipal, imperdível para quem gosta de jogos de azar (não é o meu caso).
O blogueiro, fotografado em frente ao relógio das flores de Viña del Mar
Em frente ao Museo Fonck há uma estátua da Ilha de Páscoa. É o único moai que existe fora do local em que foi esculpido.
A gastronomia da cidade é baseada em peixes e frutos do mar. Fomos conferi-la no restaurante Chez Gerald.
Viña del Mar é, por excelência, a comuna chilena que aloca mais recursos para o turismo em termos de hotéis, festivais, embelezamento urbano etc. Seja graças à sua proximidade com Santiago (120 km) ou por sua localização privilegiada dentro do Grande Valparaíso e da área portuária, é um dos locais mais importantes para a economia chilena. Em fevereiro, acontece anualmente o Festival Internacional da Canção de Viña del Mar, um dos mais importantes da América Latina.
Valparaíso
Após o almoço, fomos a Valparaíso.  A cidade se caracteriza por morros (42) com vistas para o Oceano Pacífico. Tivemos a impressão de que ali estávamos num imenso anfiteatro A distribuição geográfica peculiar de Valparaíso, em que as colinas invadem a costa, possibilita que de uma colina se consiga visualizar as demais. E a cidade possui diversos funiculares, um dos quais (o da foto ao lado) foi por nós utilizado para o desfrute de uma visão panorâmica de Valparaíso, inclusive de sua área portuária.
A Joia do Pacífico, como também é conhecida a cidade, é a capital da V Região do Chile. Também é sede do Poder Legislativo da nação (Congresso), do Ministério da Cultura, do Serviço Nacional de Pesca e do Comando da Armada Chilena. Tem uma população de cerca de 300 mil habitantes. Boêmia e multicolorida, Valparaíso foi declarada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, em 2003. La Sebastiana, uma das três casas transformadas em museus do poeta e diplomata Pablo Neruda está em Valparaíso (as outras duas, La  Chascona e Isla Negra estão em Santiago e El Quisco, respectivamente).
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CITY TOUR EM SANTIAGO DO CHILE

12/11 - domingo
Por volta das 8 horas, a guia turística Miriam nos apanhou no lobby do Hotel Leonardo da Vinci. Tendo passado por outros hotéis, o ônibus em que embarcamos para um city tour em Santiago já estava com a maioria dos assentos ocupados por turistas, todos eles brasileiros. O passeio turístico teve como sua primeira parada o Parque Metropolitano. Um local ótimo para caminhar, tirar fotos (com flamingos brigões ao fundo) e ver "panoramicamente" o Cerro San Cristóbal de onde se tem, no dizer da guia, uma vista privilegiada da cidade.
Após percorrermos a Costanera, fizemos outra parada em "Piedras Australes", onde cada turista foi recebido com um drinque de pisco sour, o equivalente chileno da brasileiríssima caipirinha. O drinque é feito de pisco, uma aguardente de uva, ao qual são acrescentados limão, açúcar, gelo e clara de ovo. Ao degustá-lo, me lembrei de que no passado andei comprando, por curiosidade, uma garrafa de pisco peruano. Era uma garrafa preta, com a forma de uma figura inca, cujo conteúdo jamais experimentei. Já o pisco sour chileno, este pelo menos tive a satisfação de prová-lo, e confesso que gostei.
Existe uma diferença histórica entre o Peru e o Chile sobre a exclusividade de se usar o nome "pisco". Enquanto o Peru defende que "pisco" é uma denominação de origem (similar a Champagne, por exemplo) e que somente pode usar o termo "pisco" aquele produzido no Peru, o Chile defende que "pisco" é um nome genérico (como vinho ou uísque).
Quanto à "Piedras Australes", é uma loja especializada em produtos artisticamente elaborados de prata, cobre e lápis-lazúli. O cobre é a maior fonte de divisas do Chile e o lápis-lazúli (também extraído no Afeganistão e Minas Gerais) é a pedra nacional do país.
Acima, apareço numa fotografia tirada na loja, junto a uma estátua de cobre que representa um mineiro do cobre, obviamente.
Elba, observando um mostruário da "Piedras Australes"
Em seguida, fomos levados ao centro histórico de Santiago, onde podemos apreciar importantes pontos da arquitetura colonial e da história do Chile: Plaza de Armas, Catedral, Museo Histórico Nacional, Correo Central e o Palácio de La Moneda, ou simplesmente La Moneda, que fica entre duas praças. Projetado para cunhar moedas (daí o nome), em 1845 o palácio foi convertido em sede da Presidência da República do Chile.
Durante o golpe de estado de 1973, em que foi deposto e morto o presidente Salvador Allende, o Palácio de La Moneda foi duramente bombardeado. Depois de três horas de bombardeio do edifício com aviões da força aérea, foi este tomado pelo exercito comandado por Pinochet. O efeito dos explosivos, adicionados ao incêndio que se propagou a seguir, destruíram não só parte do prédio como documentos e tesouros inestimáveis. Por exemplo, a Ata de Independência do Chile, de 1818, foi irremediavelmente perdida.
Almoçamos no restaurante El Galeón, no Mercado Central de Santiago. O mercado é reconhecido por vender peixes, mariscos e produtos de artesanato, e também por abrigar um polo gastronômico. E o restaurante foi-nos indicado principalmente por servir centollas, uns caranguejos gigantes pescados na Patagônia. No entanto, com poucas chances de que eu viesse a pedi-las, porque no me gustan los cangrejos. Além disso, lia-se no cardápio que as centollas não tinham preços amigáveis. Uma "jumbo" (para quatro pessoas), por exemplo, custava 159 mil pesos chilenos (cerca de 1.100 reais) afora a propina. Decidimos pedir salmão frito, lasanha bolonhesa e água mineral.
A centolla é um crustáceo que habita o leito marinho das águas frias do sul da América do Sul. A captura deste animal é um recurso lucrativo para as cidades de terra do arquipélago de fogo. Isto levou a um incidente, em agosto de 1967, quando a escuna argentina Cruz del Sur pescava a uns quatrocentos metros da ilha de Gable (hoje sob a soberania da Argentina), foi ordenada  a afastar-se pela patrulha chilena Marinero Fuentealba. Este evento, juntamente com vários outros, levou à tensão do conflito de Beagle, na década de 1970.
Findo o city tour, voltamos ao hotel pelo metrô, seguindo um roteiro construído por informantes anônimos: Linha 2, no sentido de La Cisterna, da estação de Puente Cal y Canto até Los Heroes, em combinação com a Linha 1, no sentido de Los Domínicos, de Los Heroes até a estação Escuela Militar. Desta última, caminhamos cerca de meio quilômetro em que tivemos de passar por um túnel sob a avenida Apoquindo.
À noite, fomos ao restaurante Giratório: não sabíamos que fechava aos domingos. A solução para que comemorássemos o aniversário de Elba estava nas proximidades com o nome de La Piccola Itália, onde comemos pasteis e risotos. Fomos de Uber (2500 pesos) e retornamos de táxi (5500 pesos). O restaurante não tinha como o hotel o wi-fi para acessarmos o Uber.
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PARTIU CHILE!

Período: 11 a 16/11/2017
Voos: Avianca
-----Ida: Fortaleza - São Paulo (Guarulhos) - Santiago
-----Volta: Santiago - São Paulo (Guarulhos) - Fortaleza
Hotel Leonardo da Vinci, Malaga 194. Localizado no tranquilo bairro de Las Condes, a poucas quadras das estações de metrô de Alcántara e Escuela Militar.
Passeios programados
1 - City Tour (3h)
2 - Valparaíso e Viña del Mar (8h)
3 - Cordilheira dos Andes (8h)
4 - Outros
Agência de viagem: CVC Parque Mall Shopping (Milton Xavier)
Previsão do tempo pelo Meteoblue para o dia 12 (domingo) em Santiago: 15º a 28º com 0% de probabilidade para precipitação.
Sobre o Chile
É um país da América do Sul, que ocupa uma longa e estreita faixa costeira encravada entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico. Faz fronteira ao norte com o Peru, a nordeste com a Bolívia e a leste com a Argentina. O Chile possui um território incomum, com 4 300 quilômetros de comprimento e, em média, 175 quilômetros de largura (430 quilômetros em sua parte mais larga), o que dá ao país um clima muito variado, indo do deserto mais seco do mundo — o Atacama — no norte do país, a um clima mediterrâneo no centro, até um clima frio e propenso à neve ao sul, com geleiras, fiordes e lagos. O país está localizado no Círculo de Fogo do Pacífico, região no entorno da placa de Nazca, que concentra 90% da sismicidade e vulcanismo do planeta. Sua extensão territorial é 756.102 km2 (não incluindo a reivindicação do país sobre o Território Antártico)
Atualmente, o Chile é um dos mais estáveis e prósperos países da América do Sul. No contexto da América Latina, é um dos melhores em termos de desenvolvimento humano, competitividade, qualidade de vida, estabilidade política, globalização, liberdade econômica e percepção de corrupção, além de índices comparativamente baixos de pobreza.
O Chile mantém doze estações científicas e concentra 40% da observação astronômica mundial.

Si vas para Chile, antiga canção chilena
"Campesinos y gentes del pueblo / te saldran al encuentro, viajero / y verás como quieren en Chile / al amigo, cuando es forastero." 
Conhecer Santiago
Fundada em 1541 por Pedro de Valdivia, Santiago é a cidade mais antiga do país.
Dos mais de 18 milhões de habitantes do país cerca de 7,4 milhões vivem na Região Metropolitana de Santiago, a capital do Chile desde 1810.
Com uma arquitetura que mistura a tradição com a modernidade, Santiago tem as melhores instalações urbanas e as principais sedes cívicas do país, como o Palacio de La Moneda, sede do governo nacional.
O Metrô de Santiago é o segundo maior da América Latina, atrás apenas do Metrô da Cidade do México. Contando com cinco linhas, 108 estações e uma extensão de 103 km, por ele são transportados diariamente em torno de 2 300 000 passageiros.
Santiago (UTC -4) fica uma hora atrás de Brasília (UTC -3) e tem horário de verão mais ou menos na mesma época que o Brasil.
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CENTENÁRIO DR. CARLOS ALBERTO STUDART GOMES (2)

Discurso de Dr. Gilmário Mourão Teixeira (foto) pronunciado no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, em 22/09/2017. Transcrito do Blog MEMÓRIAS de Dra. Ana Margarida Arruda Furtado Rosemberg.
--- Ao agradecer a homenagem que, generosamente, me é prestada, nesta festa de exaltação à memória de Carlos Alberto Studart Gomes, realce de seu centenário de nascimento, deixem-me que converta a minha condição de homenageado na de testemunha presencial da história, pois, contemporâneo – acerco-me dos 100 anos – e companheiro de lutas, vivemos juntos, Carlos Alberto e eu, muitas das refregas que nos desafiavam como chefes de serviços de saúde, não raramente posicionados em campos opostos, mas, sem um arranhão, sequer, nas fraternas relações que cultivamos.
Feliz a ideia de realizar este encontro de saudosa evocação, neste espaço que abrigou não só o campo de suas lutas vitoriosas, mas, também as vivências da essência da vida, pois aqui, neste mesmo rincão, Carlos Alberto viveu, por anos, ao lado da sólida e bela família que constituiu, indubitavelmente, o ente maior de sua escala de valores.
Reconheçamos o quanto é sábio aquele que dedica a vida profissional à grandeza de uma instituição, notadamente uma entidade cujo escopo é o alívio da carga de sofrimento humano que a doença determina, forma transcendental de concorrer para o restabelecimento do bem estar, ente essencial à qualidade de vida e condicionante de um dos propósitos maiores das aspirações humanas - o estado de saúde. E este desiderato Carlos Alberto cumpriu por vocação.
Quando os avanços da ciência e da tecnologia, colocaram nas mãos dos que promovem a saúde, os agentes específicos que curavam a tuberculose, prescindindo, na maioria dos casos, do acolhimento hospitalar, discutimos, por vezes neste mesmo ambiente, o destino que estaria reservado às instituições que dirigíamos, Carlos Alberto aqui, à frente do então Sanatório de Messejana e eu ali adiante, à cabeça do, à época, Sanatório de Maracanaú.
Frente às vertentes que despontavam da perspectiva de novos caminhos, o reverenciado desta tarde, homem de ampla visão, acurado auscultador do labirinto da saga das políticas de saúde, vislumbrou e combateu, arduamente, a transformação daquele modesto sanatório – a joia da coroa - criado nos anos trinta graças aos ideais do Dr. João Otávio Lobo, neste hospital agora denominado “Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes” que, sem negligenciar a tuberculose, pois cuida, atualmente, dos casos que exigem tecnologia fina, fez-se uma unidade avançada de doenças cardiovasculares e torácicas e é, hoje, um acreditado centro de referência nacional em transplantes cardiopulmonares.
Nosso homenageado é parte de uma constelação de médicos que contraíram a tuberculose quando ainda cursando a Faculdade de Medicina – condição que Carlos Alberto jamais ocultou – e, curados, dedicaram-se à especialidade voltada para a prevenção, o tratamento e o controle dessa doença, uma das calamidades que mais vítimas fez, através da história da humanidade e, nos dias atuais, dominada pelas conquistas da medicina, mas, ainda não erradicada devido aos agravos do subdesenvolvimento e à inépcia dos que doutrinam e conduzem a saúde do povo.
Não seria demasiado admitir que algo do caráter de visionário, de defensor inarredável de suas causas e de romântico, qualidades que integravam a personalidade de Carlos Alberto, tenham origem no misticismo que, então, envolvia o drama dos que padeceram de tuberculose.
José Rosemberg, um dos expoentes de nossa cultura médica, em trabalho magistral, levantou aspectos da vida de 364 tuberculosos célebres – reis, rainhas, escritores, cientistas, médicos, pintores, músicos – que viveram em épocas em que a tuberculose dizimava não só os estratos sociais que abarcam a miséria, mas também as elites, figuras que, ainda no dizer de Rosemberg, amalgamaram a tuberculose à história cultural das manifestações criativas e à dramaticidade da doença.
Não foi só por acaso, que Thomas Mann, a maior expressão da literatura alemã da era contemporânea, tenha concebido sua obra prima, a “Montanha Mágica”, enquanto paciente de um Sanatório dos Alpes suíços – o Sanatório Berghof em Davos, hoje, Waldhotel-Bellevue – numa atitude romântica, o visitei em 1998; nesse ambiente plural, Thomas Mann, também um dos mais lúcidos humanistas de seu tempo, encontra inspiração para moldar seus múltiplos personagens que, no dizer de um de seus apreciadores, arrastavam ao debate, as correntes vigentes do pensamento filosófico que envolviam o materialismo científico, o racionalismo, o iluminismo, a democracia, para alcançar os grandes temas da Fé, da Morte, da Ciência, da Filosofia, do Amor e do Tempo.
Permitam-me agora, ao encerrar este sucinto elogio, com que reverenciamos a memória de um cidadão íntegro, um médico empreendedor, que aplicou todo seu conhecimento das ciências médicas e saberes advindos da experiência de vida, na prática do bem e no desenvolvimento de entidades dedicados à recuperação da saúde, permitam-me, renovo, por apropriado, fazer um chamamento à consciência de cada um de nós, considerando a crise moral e política que ora nos desonra como nação e frente aos deveres da cidadania, para que, democraticamente, quando as urnas nos forem apresentadas, entreguemos a compatriotas dignos, e somente a eles, a condução das instituições que nos asseguram a governabilidade, a lei, a justiça, a ordem, o progresso e, acima de tudo, a liberdade e a paz.
Que a memória de Carlos Alberto nos ajude.
Dr. Gilmário Mourão Teixeira
médico pneumologista e professor aposentado da FMUFC
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