BOSSA SEMPRE NOVA

Imagine você assistir a um concerto musical com um dos fundadores da Bossa Nova? E ele convidar o filho de Dorival Caymmi, que é afilhado de Jorge Amado, para participar? E também uma cantora internacional, já indicada ao Grammy, e que veio de Las Vegas especialmente para esse concerto musical?
Pois esse show aconteceu ontem, em 28 março de 2026, no Teatro RioMar Fortaleza. Com a Bossa Nova, de volta aos palcos em uma noite inesquecível de BOSSA SEMPRE NOVA, reunindo três grandes nomes da música brasileira: Roberto Menescal, um dos fundadores do movimento musical, a cantora Patty Ascher, dona de uma voz sofisticada e presença marcante, e Danilo Caymmi, um dos herdeiros do legado Caymmi.
Foi uma viagem sonora pelas canções eternas da Bossa Nova.
Iniciada com "Chega de Saudade", "Desafinado", "Samba de Uma Nota Só" (tendo "Night and Day" como música incidental), "Wave", "Triste" e outros clássicos do repertório jobiniano, na interpretação da cantora Patty Ascher (brasileira, radicada há 14 anos nos EUA). No acompanhamento, um quarteto constituído por teclados (maestro Marcos Pontes), violão, baixo e bateria. Em seguida, Danilo Caymmi, com canto e flauta, que subiu ao palco para apresentar canções de Carlos Lyra ("Lobo Bobo" e outras), novamente Jobim ("Samba do Avião" e "Dindi"). Além de três números autorais: "Andança", "Casaco Marrom" (que ele pediu para não ser confundida com "Casar com o Marrom") e "O Bem e o Mal" (da novela global "Riacho Doce", estrelada por Vera Fischer). Na terceira parte, as canções de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli ("Nós e o Mar", "Telefone", "Vagamente", "Ah, Se Eu Pudesse", "Rio", "Você" e... "O Barquinho"), pelo próprio Menescal ao violão, o conjunto musical da turnê e pela cantora Patty que retornou ao palco. E, por fim, as carioquíssimas "Garota de Ipanema" e "Só Danço Samba".
Roberto Menescal no Teatro RioMar Fortaleza. Foto Paulo Gurgel
Nascido em Vitória, ES (25/10/1937) e criado em Copacabana, RJ, o compositor, violonista, arranjador e produtor musical Roberto Batalha Menescal é um dos fundadores do movimento da Bossa Nova. Autor de canções inesquecíveis, em que teve como parceiro mais constante o jornalista Ronaldo Bôscoli, Menescal encontra-se até hoje "na batalha". E, para 2027, projetos já estão sendo articulados para a celebração de seus 90 anos de idade. Um deles será a edição de um álbum, em estilo songbook, que conterá gravações de vários intérpretes, além de um documentário a seu respeito, intitulado "Dia de Luz, Festa de Sol".

CHIQUINHA GONZAGA, PRIMEIRA MAESTRINA DO BRASIL

A grande artista Chiquinha Gonzaga nasceu Francisca Edwiges Neves Gonzaga, em 17 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro. Era octaneta do capitão Toussaint Gurgel e de Domingas de Arão do Amaral e bisneta de Anna Joaquina Gurgel do Amaral. Seu pai, José Basileu Neves Gonzaga, era militar, um marechal de campo do Exército Imperial Brasileiro e sua mãe, Rosa Maria Gurgel, era filha de uma escrava alforriada. Contrariando a família, José Basileu casou-se com Rosa Maria Gurgel após o nascimento da filha Francisca.
Foi educada dentro de padrões muito rígidos por parte da família paterna, para cumprir os ofícios do lar e ser uma dama da sociedade carioca. E estudou piano com o maestro Elias Álvares Lobo.
Desde cedo, ela começou a contrariar a família do lado paterno, ao frequentar as rodas de lundu, umbigada e outros ritmos oriundos da África. Aos 11 anos, compôs ao piano a sua primeira melodia, intitulada "Canção dos Pastores", feita especialmente para a noite de Natal de 1858 em família.
Chiquinha Gonzaga não foi apenas uma pianista e maestrina, mas também uma inspirada compositora e boêmia das noites cariocas. Ela é considerada uma das maiores influências da música popular brasileira e foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.
Sua vida ficou marcada pelo sucesso na música, mesmo tendo que enfrentar preconceitos por ser mulher, e teve participação destacada na luta pela causa abolicionista.
Também lutou pela causa republicana, defendendo o fim da monarquia no país. Ela chamava a atenção nas rodas boêmias do Rio de Janeiro por ser independente e por fumar em público, algo que não era considerado de bom-tom para as mulheres da sociedade daquela época.
Após casamentos e separações, a partir de 1877, ela passou a fazer da música uma profissão, sendo a primeira mulher a assumir essa condição, ainda inédita para a figura feminina no Brasil.
Sua primeira composição de sucesso foi "Atraente", no ano de 1877. Em seguida, vieram outras composições, tais como: "Sultana", de 1878, e "Camila", de 1879.
Em 1885, lançou-se no teatro de variedades e revista, ao compor a trilha sonora da opereta "A Cor na Roça". No ano seguinte, compôs o choro "Sabiá na Mata" e montou um concerto para 100 violões no Teatro São Pedro.
A sua consagração como musicista e compositora chegou em 1899, quando compôs a marcha "Ô Abre Alas", fazendo alusão ao cordão da Rosa de Ouro, uma agremiação carnavalesca do Andaraí, o bairro onde Chiquinha Gonzaga morava.
Ô abre alas, que eu quero passar
Ô abre alas, que eu quero passar
Eu sou da Lira, não posso negar
Rosa de Ouro é que vai ganhar.
Esta marcha entrou para a história da música brasileira, como a primeira composição criada especificamente para o carnaval.
Outra música de Chiquinha Gonzaga que ficou muito conhecida é "Casa de Caboclo", que relata o grande amor de um caboclo por Sinhá Rita, que acaba em tragédia.
Numa casa de caboclo
Um é pouco
Dois é bom
Três é demais!
Todavia, o grande sucesso de Chiquinha Gonzaga até hoje é sem dúvida a modinha "Lua Branca", que também figura entre as mais conhecidas dentro do grande acervo musical da artista.
Ela partiu, me abandonou assim,
Ó lua branca, por quem és, tem dó de mim.
Por volta de 1900, Chiquinha Gonzaga conheceu Nair de Teffé, um artista irreverente como ela, que era pintora, cantora, atriz e pianista. Embora fosse brasileira de nascimento (em Petrópolis - RJ), Nair de Teffé foi criada e educada em Paris, na França. Talvez por compartilharem ideias avançadas para a época aqui no Brasil e por possuírem visões do mundo semelhantes, logo se tornaram grandes amigas.
Em 1911, Chiquinha Gonzaga estreou a opereta "Forrobodó", com um estrondoso sucesso, chegando a fazer 1.500 apresentações seguidas, tornando uma recordista deste gênero no Brasil.
Sua amiga, Nair de Teffé, casou-se em 1913 com o então presidente da República Hermes Rodrigues da Fonseca, que ficara viúvo logo início de seu mandato. E, durante esse período de primeira-dama, Nair, que era amante da música popular, promovia saraus no Palácio do Catete com a participação do violonista Catulo da Paixão Cearense. Esses saraus se tornaram famosos por introduzir o violão, considerado um instrumento menos nobre, nas festas palacianas.
Sendo muito amiga da primeira-dama, Chiquinha Gonzaga era convidada de honra dos saraus. Num desses, Nair de Teffé resolveu organizar um recital de lançamento de uma música composta por sua amiga Chiquinha Gonzaga. Era um maxixe intitulado "Corta-Jaca", cuja letra começava assim:
Neste mundo de misérias
Quem impera
É quem é mais folgazão,
É quem sabe cortar jaca.
Essa apresentação de Chiquinha Gonzaga no Palácio do Catete teve uma repercussão extremamente negativa nos meios políticos e nas elites sociais da Capital Federal. Em grande parte, motivada pelo preconceito devido à reputação que ela tinha por sua coleção de escândalos. A repercussão desse evento foi tanta, nos meios políticos da oposição, que originou um pronunciamento do então senador da República, Rui Barbosa, do qual uma parte é transcrita a seguir:
Mas, o "Corta-Jaca" de que eu ouvira falar há muito tempo, o que vem a ser ele? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba.

Em 1914, Hermes da Fonseca foi sucedido na presidência da República por Venceslau Brás e, em seguida, viajou para a França com sua esposa, Nair de Teffé, onde permaneceram por seis anos em Paris, perdendo contato com Chiquinha Gonzaga.
A artista deu seguimento a sua carreira de sucesso, compondo várias músicas, entre elas a da opereta "Juriti", de Viriato Corrêa. Em 1934, já com 87 anos, a maestrina Chiquinha Gonzaga escreveu sua última composição intitulada "Maria". Ela faleceu em fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro, sendo o seu corpo sepultado no cemitério do Catumbi. Chiquinha Gonzaga compôs, ao todo, 2.000 músicas, incluindo trilhas sonoras para 77 peças teatrais.
Em 2012, foi criada a Lei 12.624, que institui a data de nascimento de Chiquinha Gonzaga, 17 de outubro, a ser comemorada como o Dia da Música Popular Brasileira.

Extraída de: Primeira Maestrina do Brasil (321 - 340), in: FERNANDES, José Veríssimo. Os Amaral Gurgel. Fragmentos da história de uma família ao longo dos séculos. Natal: Sebo Vermelho, 2022. 599 p. ISBN 978-65-89712-16-9
Webgrafia
https://blogdopg.blogspot.com/2023/10/a-noite-do-corta-jaca.html
https://blogdopg.blogspot.com/2017/10/homenagem-chiquinha-gonzaga-1847-1935.html (c/ vídeo)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12624.htm

BOAS-VINDAS A PAULO HENRIQUE

Natália e Rodrigo em Fortaleza (retornando da Grécia):
"Tu vens, tu vens. Eu já escuto teus sinais."

20/08/2025 - Chá revelação (é uma festa em que pais, familiares e amigos tomam conhecimento do sexo do futuro bebê através de uma surpresa criativa):
Cromossomas XY. Será chamado de Paulo Henrique, reunindo os prenomes dos avôs.
Natália envia fotos e vídeo do chá em Umarizal, Belém.

09/01/2026, das 17 às 20h - Chá de fralda no Noélia Salgados Sul (na Rua Lígia Brígido, 390, em Fortaleza-CE):
Natália e Rodrigo reúnem 35 pessoas no "Noélia" do Parque Manibura.

10/03/2026 - Avó Elba viaja para Belém. Fará companhia ao binômio filha-neto.
 
15/03/2026 - Nasce, nesta manhã, na Maternidade Saúde da Criança, Paulo Henrique Macedo Soares, filho do casal Natália Macedo e Rodrigo Soares e nosso 4.º neto. Estamos em júbilo por sua chegada, garoto. 

ALTURA x ALTITUDE

Altura é a medida vertical de um objeto de sua base ao topo (ex: altura de um prédio), enquanto altitude é a distância vertical de um ponto na superfície terrestre em relação ao nível médio do mar (ex: altitude de uma cidade). A altura é relativa ao objeto, enquanto a altitude usa o nível do mar como uma referência fixa.

HENRIQUE 70

 



Entre familiares e amigos, meu consogro Marcos Henrique Siqueira Soares comemora hoje (10), à noite, o aniversário natalício dos  70 anos.

Local: no "Parrileiro Aldeota", às 19 horas.

Felicidades e muito sucesso, Henrique!

PS. Em sintonia com o time de futebol do seu coração.

EXISTE CAJUÍNA EM BH?

O dia hoje amanheceu diferente, com gosto de esperança.
Dona Lindaura melhorou um pouco - acho que já namora os 101 - e, como se o mundo quisesse confirmar a notícia, existe cajuína em Belo Horizonte.
Minha Julia apareceu com uma garrafa (1) e um sorriso.
Para isto também fizeram as filhas.
A alegria só se turvou ao saber que não vinha do Ceará, berço de seu pretenso inventor. (2)
Desta vez, o Piauí atravessou o mapa e chegou primeiro. Espero que não copiem agora a cor verde do nosso mar.
Ainda faltam a bundinha do caju, mordido à sombra e o sapoti aberto na palma da mão com aquele caldo de tanino escorrendo pelo braço e pingando infância.
A alegria precisa vir em pedaços pequenos e esporádicos; caso contrário, deixa de ser reconhecida e se esvanece.
Quando vira costume, já não sabemos se chegou ou se sempre esteve ali, feito o ar que a gente inspira rico e devolve pobre.
Fomos feitos dessa matéria - para nos encantar com o raro; do contrário, a vida perderia o brilho.
Não pode mesmo haver cajuína em Minas, nem jabuticaba no Ceará.
Ficaríamos ambos indiferentes.
O que nos atinge é o que nos falta.
Essa é a tristeza da abundância:
Cajuína! (3)
Que seja rara.
Que seja pouca.
Que não seja daqui.
Nelson Cunha
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N. do E.
(1) O rótulo desta cajuína confirma de onde veio. Foi produzida pela "Lili Doces", empresa que se orgulha de ser a principal produtora de cajuína no Piauí.
(2) A cajuína tem suas raízes indígenas no cauim, uma beberagem historicamente preparada pelas mulheres das tribos para os rituais de passagem, guerras e celebrações em geral. Com a quebra do amido (da mandioca, milho ou batata-doce) em açúcares pela mastigação, dando início pela ação da ptialina um processo de fermentação alcoólica de teor variável. Ao farmacêutico Rodolpho Theophilo, cearense nascido na Bahia e do qual se dizia antipatizar o álcool, devemos: a utilização da maçã do caju como matéria-prima; a clarificação do suco do caju pela resina do próprio cajueiro; a filtragem e o engarrafamento; o longo tempo de cozimento em banho-maria para a caramelização e a esterilização; e, por fim, o registro em Junta Comercial dessa bebida saborosa e não álcoólica, que ele chamou de cajuína.
(3) Segue um vídeo do acervo da ALECE TV, com direção geral de Ângela Gurgel, em que foram ouvidos dois depoentes de alto nível de conhecimento - histórico e técnico - sobre a cajuína: o engenheiro químico Renato Casimiro e o jornalista e escritor Lira Neto.
Paulo Gurgel