TELMA 70

Estivemos na noite de sexta-feira, 28, na festa de aniversário da Sra. Telma, esposa do Sr. Airton Lobo.
A comemoração aconteceu no aconchegante "Mango Casa de Eventos", um buffet localizado no bairro Guararapes, em Fortaleza.
Antes de ouvir o tradicional canto de "Parabéns a Você", a aniversariante Telma recebeu as emotivas saudações do esposo Airton e dos filhos Guilherme, Fernando e Bárbara.
Telma e Airton
Vibrante conjunto musical contribuiu para animar os convidados com o seu repertório "retrô".
Cover de Waldick Soriano e Sidney Magal

O RAIMUNDINHO

Lembro-me de Raimundinho cantando e tocando violão em bares de Fortaleza ou apresentando-se em algum programa da TV local. O apresentador Augusto Borges gostava de anunciá-lo como "o Raimundinho da Casinha de Praia".
É que ele havia transformado uma pequena casa da rua Tabajaras (perto do Estoril), na Praia de Iracema, em seu bar/restaurante. Com varanda, corredor, outras dependências e um quintal, de modo que "O Raimundinho" contava com vários ambientes.
Sem ostentação, aliás, tudo muito modesto. 
No quintal, certa vez um gato da vizinhança saltou do muro para a mesa em que eu estava. De onde subtraiu uma bela posta de peixe, que eu nem tinha começado a "traçar". E que foi prontamente reposta (por outra posta, claro).
Foi lá onde eu conheci pessoalmente o violonista Vilamar Damasceno, autor de "Meu lamento", "Continua meu lamento" e "Jezebel" (entre outros sucessos musicais), e o destacado boêmio Claudio Marinho.
Adiante, Raimundinho transferiu o bar para a Praia do Futuro, instalando-o no local em que anteriormente funcionou  o "Chez Pierre".
Alguém tem notícia do Raimundinho do Violão?

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Trechos

"Meu lamento"
(Vilamar, 1964)
E só a ti
Que não sabes mentir
É que pergunto
Não deixes que o vento responda
Traduza errado 
Tudo o que sinto. (mp3)

"Continua meu lamento"
(Vilamar, 1968)
Já perguntei ao mar
Já desmenti ao vento
E nos acordes do meu violão
Continua o meu lamento. (mp3)

AS MAIORES SECAS NO ESTADO DO CEARÁ

O Estado do Ceará tem um histórico de secas recorrentes e severas, sendo a "Grande Seca" de 1877-1879 o maior desastre natural já registrado no país em número de vítimas.
Abaixo, os principais períodos de seca que mais assolaram o Estado, incluindo os anos mais recentes.
1877 - 1879. A mais devastadora da história do Brasil. Causou entre 400 mil e 500 mil mortes em todo o Nordeste, sendo o Ceará a província mais afetada. A seca durou três anos e ficou conhecida como "Grande Seca" ou "Seca dos Mil Dias". (1)
1915. Conhecida como a "Seca de 1915", imortalizada no romance "O Quinze", de Rachel de Queiroz. Foi responsável por dezenas de milhares de mortes e resultou na criação do primeiro campo de concentração para flagelados, o "Campo do Alagadiço", com o objetivo de isolar os retirantes que fugiam da seca, impedindo-os de perambular por Fortaleza. (2)
1932. Marcada pela construção de sete campos de concentração no interior do Estado para conter os retirantes (Buriti, no Crato; Cariús, em Jucás; Quixeramobim; Ipu; Otávio Bonfim, conhecido como "Campo do Matadouro", em Fortaleza; Urubu, no bairro do Pirambu; e Patu, em Senador Pompeu). Estima-se que, durante esta seca, mais de 70 mil pessoas foram confinadas em condições insalubres, resultando em milhares de mortes por fome e doenças. No cenário de agruras do Campo do Patu, o escritor cearense Rafael Caneca integrou o personagem Tomás Alves, em seu romance de estreia, "Não Volte Sem Ele". (3)
1979 - 1983. Um longo período de estiagem que secou grandes açudes e levou a uma severa crise hídrica, impulsionando a criação das primeiras políticas estaduais de recursos hídricos no Ceará.
2012 - 2016. Considerada a pior seca dos últimos 100 anos do ponto de vista hidrológico, superando em severidade a de 1979 -1983. Teve médias de chuva historicamente baixas e levou os reservatórios do Estado a níveis críticos.
Contexto e curiosidades históricas:
(1) A Grande Seca de 1877 - 1879 foi um evento tão extremo que alterou drasticamente a demografia do Estado do Ceará. A seca coincidiu com um surto de varíola, agravando ainda mais a mortalidade. Estima-se que o Ceará tenha perdido cerca de um terço de sua população na época, entre mortos e retirantes que fugiram para outras regiões como a Amazônia.
(2) Durante as secas de 1915 e 1932, o poder público implantou uma política de "isolamento" dos retirantes para evitar que chegassem a Fortaleza. Esses locais, apelidados de "Currais do Governo", confinavam famílias inteiras em áreas afastadas, onde a fome e as doenças se alastravam rapidamente.
(3) A memória das vítimas da seca de 1932 ainda é preservada pela população. Em Senador Pompeu, município que abrigou um dos maiores campos de concentração, é realizada anualmente a "Caminhada da Seca", um evento religioso em que os fiéis homenageiam os mortos sepultados no Cemitério da Barragem do Patu. Em 27/11/2023, atendendo às demandas da sociedade civil, o Governador Elmano de Freitas assinou o decreto de tombamento defitivo do Sítio Histórico do Patu. Este local é o único, dos sete espaços desta natureza instalados no Ceará, que ainda permanece com as ruínas de pé. Ao que tudo indica, por ter sido feito de sólida alvenaria na década de 1920 (Vila dos Ingleses), em contraste com os demais campos de concentração apressadamente construídos de taipa e palha.

UM PAINEL DE SERGEI

Obra do pintor Sergei foi descoberta durante a reforma de um imóvel 
A pintura, datada de 1975, estava oculta por paredes de gesso em um imóvel localizado no bairro Cocó, em Fortaleza. Foi encontrada, por acaso, durante a reforma de um imóvel para receber uma nova unidade do restaurante "Sr. Feijão". 
 A descoberta aconteceu quando o espaço, que passava por adaptações para se tornar uma unidade gastronômica, precisou remover algumas divisórias. Durante o processo de remoção, segundo o empresário Tom Sancho, um dos trabalhadores percebeu a existência do painel por trás das paredes. Após identificar a obra, os responsáveis pela reforma decidiram preservar o painel, realizando apenas uma limpeza do mesmo com o devido cuidado. 
De acordo com o empresário, a antiga ocupante do imóvel, que funcionava como um salão de estética, não tinha conhecimento da existência da pintura. Com a descoberta, o projeto arquitetônico do restaurante foi ajustado para manter a obra visível ao público. 
Mesmo antes de sua inauguração (que já aconteceu), o local tem atraído visitantes interessados em conhecer o painel, que agora passa a integrar o espaço como parte de sua identidade. 
N.B. Estive neste restaurante em 25/04/2026.
Sergei Correia de Castro nasceu em Itapiúna (CE), em 1967. Desenhista, pintor, gravador e designer, ele participou de coletivas em diversas cidades brasileiras e no exterior. Tem trabalhos expostos em diversas cidades do Brasil, em Nova Iorque e Miami.

VIOLONISTA WILSON CIRINO

"Violão, pedaço / do meu paraíso / que me estende o braço / sempre que eu preciso."
(Joyce - Paulo César Pinheiro)
Haroldo e Cirino
Conheci Cirino num sarau na casa de Haroldo Ribeiro, meu colega na 19.ª Turma de Médicos da UFC. Há quanto tempo não nos vemos, hein, Haroldo?! Pois bem, estive no lançamento do livro "Wilson Cirino entre velas e tubarões", escrito por sua companheira, Solange Benevides. Uma agradável festa lítero-musical, na Praia de Iracema, que teve como gran finale uma mostra do virtuosismo de Cirino.
Meus sentimentos, Solange.
Perdemos em nossa dimensão a presença de um grande ser humano, Wilson Cirino - a figurar para sempre na plêiade dos grandes violonistas do Brasil.

CLAVES

04/04/2026 - Esta foto foi postada por Ivan Meira no FB, em 2021:
Comentário:
A foto do Coral foi publicada há 5 anos. Mas eu não resisto a dar palpites sobre as camisas: com Clave de Sol para as mulheres (como já estão) e com Clave de Fá para os homens. Elas se complementam, conectadas pelo Dó Central. ~ Paulo Gurgel
Resposta:
O coral sempre foi o meu norte desde a universidade, com o maestro Orlando Leite, até recentemente no TSI (trabalho social com idosos, no Sesc do São Sebastião) para não me afastar das origens, e minhas irmãs ainda moram na mesma rua. Infelizmente, por condições adversas já não posso mais participar, porém guardo todas as partituras. Acompanho com muito carinho o seu trabalho diuturno. Um forte abraço. ~ Ivan Meira