ABELARDO SOARES DE AGUIAR (1937-2017)

O precursor do processo de transformação do Sanatório de Maracanaú
por Maria Abreu Barbosa
Nascido em Baturité, Ceará, no ano de 1937, Abelardo Soares de Aguiar graduou-se em medicina, em 1963, pela Universidade Federal do Ceará. Participou do Curso de Especialização em Pneumologia Sanitária no Sanatório de Maracanaú em 1965, tornando-se médico residente dessa Instituição no período de 15.1.1964 a 28.2.1965. Foi contratado em 1.º de março de 1965, pelo Ministério da Saúde, lotado na Secretaria Nacional de Programas Especiais de Saúde, em exercício no Sanatório de Maracanaú, onde permaneceu até setembro de 1984.
Reconhecido por seus amigos e colegas de trabalho como uma pessoa generosa, humanitária, estudiosa e tranquila, foi considerado o precursor do processo de transformação do Sanatório em Hospital Geral, evitando, assim, o seu fechamento anunciado no final da década de 70.
Antes de tornar-se diretor do Sanatório, em 1978, ocupou as funções de médico assistente em Unidades de Internamento de Tuberculose e de Pneumopatias não Tuberculosas (1965 a 1968); foi chefe da Divisão Médica (1969); chefe da Unidade de Pneumologia (1974); assistente-diretor (1975 a 1978); além das funções anteriormente especificadas, participou ainda, na qualidade de auxiliar de Ensino, do Curso de Residência em Pneumologia realizado no Sanatório de Maracanaú (convênio celebrado entre a Divisão Nacional de Tuberculose e a Universidade Federal do Ceará), no período compreendido entre janeiro de 1967 à data de sua extinção em 1975.
Dois fatos que marcaram sua gestão como Diretor do Sanatório de Maracanaú são motivos de orgulho: o primeiro foi a elaboração do projeto intitulado “Transformação do Sanatório de Maracanaú em Hospital Geral” (1981), na ocasião em que o Ministério da Saúde já havia julgado o referido nosocômio, prescindível, apesar da sua magnitude à luta contra a tuberculose. O segundo, também 1981, intitulado “Processo de Co-Gestão Hospital de Maracanaú-Inamps” (observando-se que a esta altura a mudança de Sanatório para Hospital Geral já havia sido efetivada), permitindo que o Inamps alocasse recursos financeiros para o Hospital de Maracanaú, o que garantiu a sobrevivência do Hospital. Esse fato tornou exequível a concretização do processo de transformação em Hospital Geral, possibilitando a realização de obras, reformas, aquisição de materiais e equipamentos, além da contratação de pessoal.
Considerando haver cumprido sua importante missão, nosso brilhante guerreiro solicitou transferência para o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social, em 17 de setembro de 1984, encerrando assim a sua participação na construção da história do Hospital de Maracanaú.
Fonte:
Hospital Municipal de Maracanaú: reflexos das políticas nacionais de saúde em meio século de história / [Maria Abreu Barbosa (Coord.) et al.]. – Brasília: Ministério da Saúde, 2004. 298 p.:il. color. – (Série I. História da Saúde no Brasil) ISBN 85-334-0844-7
Conheci Abelardo Soares de Aguiar no Sanatório de Maracanaú em 1972. Ela era médico pneumologista do Sanatório e, na época, eu dava início a um estágio em Pneumologia na instituição. o qual tive de interromper para seguir (temporariamente) a carreira de médico militar. Em 1977, quando ingressei no INAMPS e fui lotado no Hospital de Messejana, onde Abelardo já trabalhava, tornamos a nos encontrar. Neste hospital, vim a sucedê-lo na chefia do Serviço de Pneumologia, à época em que ele também me sucedia na chefia do Serviço de Arquivo Médico e Estatística. Foram três décadas de intensa convivência no trabalho e na vida social, em que aprendi a admirá-lo por seus muitos predicados técnicos e humanitários. Esta nota, aqui postada pouco tempo depois de sua partida, é uma homenagem que presto ao inesquecível colega e amigo. ~ Paulo Gurgel

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