TREZENTOS ANOS DA FAMÍLIA GURGEL NO NORDESTE (1716-2016)

por JB Serra e Gurgel (*)
Este era o título do livro que José Jarbas Studart Gurgel (Acaraú, 20.07.1935 – Fortaleza, 29.01.2015) pretendia publicar para marcar a História de uma das mais tradicionais famílias do Brasil, não tivesse sido surpreendido pela morte em seus 80 anos intensamente vividos. Antes, pensara em titular "De Geração em Geração".
Guardo comigo a última edição quase definitiva, de 2014, editada e montada. Certamente pretendia convocar a "Gurgelândia" do Nordeste, especialmente do Ceará e do Rio Grande do Norte, com sua "apresentação", a 6ª, de 16.09.2014. (Jarbas mandou-me também a 2ª, além de cartas de 10.11.13 e de 11.02, 16.07 e 10.11.14 e inúmeros e-mails, dando-me ciência das pesquisas, investigações, consultas sobre sua obra, que tinha como referência "o cumprimento da verdade e o resgate histórico e genealógico de nossa família".)
Seus estudos complementam os de Heitor Luiz do Amaral Gurgel , "Uma Família Carioca do Século XVI", de Miguel Santiago Gurgel, "Porteiras e Currais", com as fazendas de Santa Cruz do Aracati, e de Aldysio Gurgel do Amaral, "Na Trilha do Passado, Genealogia da Família Gurgel". Claro que há lacunas a serem preenchidas por outros pesquisadores.
Sua convicção era muito forte indicando que, "em face de problemas políticos", a família Gurgel migrou de seu habitat inicial, no Rio de Janeiro, onde se estabeleceu no inicio do século XVII,  mais precisamente em 1606 com o casamento de Toussaint Gurgel, de 30 anos, e Domingas Arão Amaral, de 20. O corsário Toussaint Gurgel, de Havre de Grace, da Alsácia, França, de mãe francesa e pai alemão da Baviera, chegou a Cabo Frio em 1595, no comboio que visava a implantação da França Antártica.
Em 410 anos, e com 16 gerações, com os entrelaçamentos de Gurgel do Amaral, Gurgel Valente, Gurgel Costa Lima, Studart Gurgel, Gurgel Barbosa, Nogueira Gurgel, Santos Gurgel, Gurgel Carlos Silva, Oliveira Gurgel, Holanda Gurgel, estimam-se em mais de 15 mil os seus descendentes .
A migração dos Gurgel para o Nordeste iniciou- se em 1716, quando Claudio Gurgel do Amaral, grande proprietário de terras no Rio de Janeiro (Morros do Castelo e de Santa Teresa, Outeiro da Gloria, Campo Grande, entre outros), após ter afrontado o governador do Rio de Janeiro Francisco Xavier de Távora, fugiu para Cataguazes em Minas Gerais, onde vivia seu primo Francisco do Amaral Gurgel. Seu filho, o alferes José Gurgel do Amaral, ofendido por João Manoel de Melo e apaniguados, travou uma acirrada luta política e matou seus desafetos, sendo os Gurgel declarados "réus de morte" pelo governador Távora. José acabou preso em Minas, cumpriu pena no Rio e em Salvador onde foi levado ao patíbulo.
Maria Gurgel do Amaral, nascida no Rio de Janeiro, em 1712, chegou com seus pais à região de Penedo ou São Miguel dos Campos, em Alagoas, em 1716, acompanhada de seu marido Davi Lopes de Barros (nome disfarçado).
Um de sues filhos, José Gurgel do Amaral, nascido em 1712, em Penedo, foi casado com Cosma Nunes Nogueira, é o 1º Patriarca da família Gurgel do Aracati. José Gurgel do Amaral Filho, nasceu na fazenda Porteiras, na vila de Santa Cruz do Aracati, e é considerado 2º Patriarca da Família Gurgel de Aracati, nascido no ano de 1784. Casou-se duas vezes e teve 20 filhos.
A versão "De Geração em Geração", a 2ª., de 10.10.2013, continha os seguintes capítulos: Sumário, Apresentação, Introdução, O Patriarca do Brasil, O Patriarca do Nordeste, O Patriarca de Aracati, O Patriarca de Acaraú, O Patriarca do Recife, Justiça e Justiceiros, Um Gurgel Presidente da República, Do Quinto ao Oitavo filho, A Matriarca de Caraúbas, Um Gurgel Governador de Estado, A Matriarca de Maranguape, O Ramo dos Gurgel Nogueira, Descendentes de Philomena e de Olímpia Gurgel do Amaral, 14ª e 15ª filhas do Patriarca do Aracati, Os Patriarcas de Apodi e da Paraíba, Amantes das Artes e da Cultura, O Patriarca de Acopiara, Descendência de d.Felismina, O Patriarca de Fortaleza, Uma Comunidade de Vocacionados, descendentes de Jesumira Gurgel do Amaral, a 20ª filha do Patriarca de Aracati; um Gurgel Patrono do Exército Nacional, Exploradores de Ouro nas Minas Gerais, Um Gurgel Inconfidente Mineiro, Conclusão e Bibliografia Consultada.
A versão "Trezentos Anos da Familia Gurgel no Nordeste (1716-2016), a 6ª. de 16.09.2014, que me foi entregue em seu apartamento da Visconde de Mauá, e que seria quase definitiva, constam os capítulos: Apresentação, Prefácio, Introdução; o Genearca do Brasil, Toussaint Gurgel; o Patriarca do Nordeste, José Gurgel do Amaral, o Patriarca de Aracati, José Gurgel do Amaral Filho; os Studart Gurgel, o Patriarca de Acaraú, Benjamin Studart Gurgel; os Barros Leal e outros, os outros filhos de Delfino; um Gurgel Presidente da Republica, Humberto de Alencar Castello Branco; Os Gurgel Valente e outros; A Matriarca de Caraubas (RN), Quitéria Gurgel do Amaral; Um Gurgel Governador de Estado Monsenhor Valfredo Gurgel (RN); a Matriarca de Maranguape, Matilde Maria Gurgel do Amaral; Um Gurgel Nogueira e outros; os Carlos da Silva e outros; Patriarcas do Apodi, Tiburcio Valeriano Gurgel do Amaral e da Paraíba, Paulo de Brito Guerra; os Monteiro Gurgel e outros, o Patriarca de Acopiara, Henrique Gurgel do Amaral Valente (Vovô do Rio), Descendentes de d. Felismina Gurgel do Amaral; O Patriarca de Fortaleza, José Gurgel do Amaral; os Guedes e Outros, Heróis da Guerra do Paraguai, entre eles, o Duque de Caxias, Luis Alves De Lima e Silva, descendente da 5ª. filha de Toussaint Gurgel, Méssia do Amaral Gurgel; Bibliografia Consultada e Índice Remissivo.
(Comparando com a 2ª. versão, sobraram: o inconfidente "mineiro", que por sinal é fluminense, Salvador Carvalho da Cunha do Amaral Gurgel, bisneto de Toussaint Gurgel; o Patriarca do Recife, Henrique Gurgel do Amaral; Exploradores de Ouro nas Minas Gerais; Justiça e justiceiros, descendente de Vicente Gurgel do Amaral.)
Os 300 anos da família Gurgel no Nordeste não foram comemorados. Foi-se com o Jarbas, a quem rendo homenagem, um Gurgel como tantos outros, inclusive eu, que teve acendrado amor pela causa da família, como instrumento do desenvolvimento humano e da história da humanidade.
(*) JB Serra e Gurgel (Acopiara) jornalista e escritor serraegurgel@gmail.com

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