MEMÓRIA. VIAGENS E PASSEIOS PELA AMÉRICA DO SUL

Verão de 1970. Excursão da Turma Andreas Vesalius da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.
A parte estangeira da excursão:
► URUGUAI
Montevidéu
Punta del Este (bate e volta)
Colônia (ferry boat para Buenos Aires)
http://preblog-pg.blogspot.com/2025/08/memoria-grande-excursao.html
► ARGENTINA
Buenos Aires
http://preblog-pg.blogspot.com/2025/08/memoria-grande-excursao.html

► COLÔMBIA
1974 -1975. Período que morei em Benjamin Constant-AM, na tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru. 
Passeios nos fins de semana em Letícia, capital da amazônia colombiana..
Périplo de 15 dias nas férias:
Bogotá (5 dias)
Villavicêncio, capital de Meta (bate e volta)
► EQUADOR
Quito (3 dias)
► PERU
Lima (3 dias)
El Callao, cidade portuária do Peru conurbada com Lima
Iquitos-AM peruana (4 dias)
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2013/03/iquitos.html
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/11/a-islandia-sulamericana.html

23 a 27 de fevereiro de 2014. Brasília e Foz do Iguaçu
► PARAGUAI
24/02 - Ciudad del Este (bate e volta)

11 a 16/11/2017
► CHILE
Santiago

17 a 26 de maio de 2024. Quarto aniversário do neto Renan em Belém. Estadia de cinco dias em Boa Vista-RR
► GUIANA
22/05 - Lethem (e Bonfim-RR)
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/06/lethem-guiana.html
► VENEZUELA
25/05 - Santa Elena de Uiaren (e Pacaraima-RR)

O CORDÃO DA MENTIRA


Em 1.º de abril de 1964, o Brasil amanheceu sob o som dos tanques das tropas militares que tomaram as ruas, invadiram ministérios e depuseram o presidente João Goulart. O país nergulhou em um regime autoritário que duraria mais de duas décadas, justificado em nome da "ordem" e da "segurança nacional'. Setores empresariais, parte da imprensa e o Governo dos EUA apoiaram o golpe, alimentando o medo de uma suposta ameaça comunista. Como resultado, o Congresso foi fechado, partidos foram dissolvidos e mandatos foram cassados. Artistas, estudantes, professores, jornalistas e trabalhadores foram perseguidos, presos, torturados e mortos. O dia que nasceu com a mentira de uma "salvação nacional" marcou o início de 21 anos de censura, violência e resistência.
(Explicação sobre o significado do estandarte do Cordão da Mentira, em exposição permanente na Galeria da Liberdade, na sede do Governo do Estado do Ceará.)
http://soundcloud.com/cordao-da-mentira-2014/frevo-da-falha (áudio)

BOSSA SEMPRE NOVA

Imagine você assistir a um concerto musical com um dos fundadores da Bossa Nova? E ele convidar o filho de Dorival Caymmi, que é afilhado de Jorge Amado, para participar? E também uma cantora internacional, já indicada ao Grammy, e que veio de Las Vegas especialmente para esse concerto musical?
Pois esse show aconteceu ontem, em 28 março de 2026, no Teatro RioMar Fortaleza. Com a Bossa Nova, de volta aos palcos em uma noite inesquecível de BOSSA SEMPRE NOVA, reunindo três grandes nomes da música brasileira: Roberto Menescal, um dos fundadores do movimento musical, a cantora Patty Ascher, dona de uma voz sofisticada e presença marcante, e Danilo Caymmi, um dos herdeiros do legado Caymmi.
Foi uma viagem sonora pelas canções eternas da Bossa Nova.
Iniciada com "Chega de Saudade", "Desafinado", "Samba de Uma Nota Só" (tendo "Night and Day" como música incidental), "Wave", "Triste" e outros clássicos do repertório jobiniano, na interpretação da cantora Patty Ascher (brasileira, radicada há 14 anos nos EUA). No acompanhamento, um quarteto constituído por teclados (maestro Marcos Pontes), violão, baixo e bateria. Em seguida, Danilo Caymmi, com canto e flauta, que subiu ao palco para apresentar canções de Carlos Lyra ("Lobo Bobo" e outras), novamente Jobim ("Samba do Avião" e "Dindi"). Além de três números autorais: "Andança", "Casaco Marrom" (que ele pediu para não ser confundida com "Casar com o Marrom") e "O Bem e o Mal" (da novela global "Riacho Doce", estrelada por Vera Fischer). Na terceira parte, as canções de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli ("Nós e o Mar", "Telefone", "Vagamente", "Ah, Se Eu Pudesse", "Rio", "Você" e... "O Barquinho"), pelo próprio Menescal ao violão, o conjunto musical da turnê e pela cantora Patty que retornou ao palco. E, por fim, as carioquíssimas "Garota de Ipanema" e "Só Danço Samba".
Roberto Menescal no Teatro RioMar Fortaleza. Foto Paulo Gurgel
Nascido em Vitória, ES (25/10/1937) e criado em Copacabana, RJ, o compositor, violonista, arranjador e produtor musical Roberto Batalha Menescal é um dos fundadores do movimento da Bossa Nova. Autor de canções inesquecíveis, em que teve como parceiro mais constante o jornalista Ronaldo Bôscoli, Menescal encontra-se até hoje "na batalha". E, para 2027, projetos já estão sendo articulados para a celebração de seus 90 anos de idade. Um deles será a edição de um álbum, em estilo songbook, que conterá gravações de vários intérpretes, além de um documentário a seu respeito, intitulado "Dia de Luz, Festa de Sol".

CHIQUINHA GONZAGA, PRIMEIRA MAESTRINA DO BRASIL

A grande artista Chiquinha Gonzaga nasceu Francisca Edwiges Neves Gonzaga, em 17 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro. Era octaneta do capitão Toussaint Gurgel e de Domingas de Arão do Amaral e bisneta de Anna Joaquina Gurgel do Amaral. Seu pai, José Basileu Neves Gonzaga, era militar, um marechal de campo do Exército Imperial Brasileiro e sua mãe, Rosa Maria Gurgel, era filha de uma escrava alforriada. Contrariando a família, José Basileu casou-se com Rosa Maria Gurgel após o nascimento da filha Francisca.
Foi educada dentro de padrões muito rígidos por parte da família paterna, para cumprir os ofícios do lar e ser uma dama da sociedade carioca. E estudou piano com o maestro Elias Álvares Lobo.
Desde cedo, ela começou a contrariar a família do lado paterno, ao frequentar as rodas de lundu, umbigada e outros ritmos oriundos da África. Aos 11 anos, compôs ao piano a sua primeira melodia, intitulada "Canção dos Pastores", feita especialmente para a noite de Natal de 1858 em família.
Chiquinha Gonzaga não foi apenas uma pianista e maestrina, mas também uma inspirada compositora e boêmia das noites cariocas. Ela é considerada uma das maiores influências da música popular brasileira e foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.
Sua vida ficou marcada pelo sucesso na música, mesmo tendo que enfrentar preconceitos por ser mulher, e teve participação destacada na luta pela causa abolicionista.
Também lutou pela causa republicana, defendendo o fim da monarquia no país. Ela chamava a atenção nas rodas boêmias do Rio de Janeiro por ser independente e por fumar em público, algo que não era considerado de bom-tom para as mulheres da sociedade daquela época.
Após casamentos e separações, a partir de 1877, ela passou a fazer da música uma profissão, sendo a primeira mulher a assumir essa condição, ainda inédita para a figura feminina no Brasil.
Sua primeira composição de sucesso foi "Atraente", no ano de 1877. Em seguida, vieram outras composições, tais como: "Sultana", de 1878, e "Camila", de 1879.
Em 1885, lançou-se no teatro de variedades e revista, ao compor a trilha sonora da opereta "A Cor na Roça". No ano seguinte, compôs o choro "Sabiá na Mata" e montou um concerto para 100 violões no Teatro São Pedro.
A sua consagração como musicista e compositora chegou em 1899, quando compôs a marcha "Ô Abre Alas", fazendo alusão ao cordão da Rosa de Ouro, uma agremiação carnavalesca do Andaraí, o bairro onde Chiquinha Gonzaga morava.
Ô abre alas, que eu quero passar
Ô abre alas, que eu quero passar
Eu sou da Lira, não posso negar
Rosa de Ouro é que vai ganhar.
Esta marcha entrou para a história da música brasileira, como a primeira composição criada especificamente para o carnaval.
Outra música de Chiquinha Gonzaga que ficou muito conhecida é "Casa de Caboclo", que relata o grande amor de um caboclo por Sinhá Rita, que acaba em tragédia.
Numa casa de caboclo
Um é pouco
Dois é bom
Três é demais!
Todavia, o grande sucesso de Chiquinha Gonzaga até hoje é sem dúvida a modinha "Lua Branca", que também figura entre as mais conhecidas dentro do grande acervo musical da artista.
Ela partiu, me abandonou assim,
Ó lua branca, por quem és, tem dó de mim.
Por volta de 1900, Chiquinha Gonzaga conheceu Nair de Teffé, um artista irreverente como ela, que era pintora, cantora, atriz e pianista. Embora fosse brasileira de nascimento (em Petrópolis - RJ), Nair de Teffé foi criada e educada em Paris, na França. Talvez por compartilharem ideias avançadas para a época aqui no Brasil e por possuírem visões do mundo semelhantes, logo se tornaram grandes amigas.
Em 1911, Chiquinha Gonzaga estreou a opereta "Forrobodó", com um estrondoso sucesso, chegando a fazer 1.500 apresentações seguidas, tornando uma recordista deste gênero no Brasil.
Sua amiga, Nair de Teffé, casou-se em 1913 com o então presidente da República Hermes Rodrigues da Fonseca, que ficara viúvo logo início de seu mandato. E, durante esse período de primeira-dama, Nair, que era amante da música popular, promovia saraus no Palácio do Catete com a participação do violonista Catulo da Paixão Cearense. Esses saraus se tornaram famosos por introduzir o violão, considerado um instrumento menos nobre, nas festas palacianas.
Sendo muito amiga da primeira-dama, Chiquinha Gonzaga era convidada de honra dos saraus. Num desses, Nair de Teffé resolveu organizar um recital de lançamento de uma música composta por sua amiga Chiquinha Gonzaga. Era um maxixe intitulado "Corta-Jaca", cuja letra começava assim:
Neste mundo de misérias
Quem impera
É quem é mais folgazão,
É quem sabe cortar jaca.
Essa apresentação de Chiquinha Gonzaga no Palácio do Catete teve uma repercussão extremamente negativa nos meios políticos e nas elites sociais da Capital Federal. Em grande parte, motivada pelo preconceito devido à reputação que ela tinha por sua coleção de escândalos. A repercussão desse evento foi tanta, nos meios políticos da oposição, que originou um pronunciamento do então senador da República, Rui Barbosa, do qual uma parte é transcrita a seguir:
Mas, o "Corta-Jaca" de que eu ouvira falar há muito tempo, o que vem a ser ele? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba.

Em 1914, Hermes da Fonseca foi sucedido na presidência da República por Venceslau Brás e, em seguida, viajou para a França com sua esposa, Nair de Teffé, onde permaneceram por seis anos em Paris, perdendo contato com Chiquinha Gonzaga.
A artista deu seguimento a sua carreira de sucesso, compondo várias músicas, entre elas a da opereta "Juriti", de Viriato Corrêa. Em 1934, já com 87 anos, a maestrina Chiquinha Gonzaga escreveu sua última composição intitulada "Maria". Ela faleceu em fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro, sendo o seu corpo sepultado no cemitério do Catumbi. Chiquinha Gonzaga compôs, ao todo, 2.000 músicas, incluindo trilhas sonoras para 77 peças teatrais.
Em 2012, foi criada a Lei 12.624, que institui a data de nascimento de Chiquinha Gonzaga, 17 de outubro, a ser comemorada como o Dia da Música Popular Brasileira.

Extraída de: Primeira Maestrina do Brasil (321 - 340), in: FERNANDES, José Veríssimo. Os Amaral Gurgel. Fragmentos da história de uma família ao longo dos séculos. Natal: Sebo Vermelho, 2022. 599 p. ISBN 978-65-89712-16-9
Webgrafia
https://blogdopg.blogspot.com/2023/10/a-noite-do-corta-jaca.html
https://blogdopg.blogspot.com/2017/10/homenagem-chiquinha-gonzaga-1847-1935.html (c/ vídeo)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12624.htm

BOAS-VINDAS A PAULO HENRIQUE

Natália e Rodrigo em Fortaleza (retornando da Grécia):
"Tu vens, tu vens. Eu já escuto teus sinais."

20/08/2025 - Chá revelação (é uma festa em que pais, familiares e amigos tomam conhecimento do sexo do futuro bebê através de uma surpresa criativa):
Cromossomas XY. Será chamado de Paulo Henrique, reunindo os prenomes dos avôs.
Natália envia fotos e vídeo do chá em Umarizal, Belém.

09/01/2026, das 17 às 20h - Chá de fralda no Noélia Salgados Sul (na Rua Lígia Brígido, 390, em Fortaleza-CE):
Natália e Rodrigo reúnem 35 pessoas no "Noélia" do Parque Manibura.

10/03/2026 - Avó Elba viaja para Belém. Fará companhia ao binômio filha-neto.
 
15/03/2026 - Nasce, nesta manhã, na Maternidade Saúde da Criança, Paulo Henrique Macedo Soares, filho do casal Natália Macedo e Rodrigo Soares e nosso 4.º neto. Estamos em júbilo por sua chegada, garoto. 

ALTURA x ALTITUDE

Altura é a medida vertical de um objeto de sua base ao topo (ex: altura de um prédio), enquanto altitude é a distância vertical de um ponto na superfície terrestre em relação ao nível médio do mar (ex: altitude de uma cidade). A altura é relativa ao objeto, enquanto a altitude usa o nível do mar como uma referência fixa.

HENRIQUE 70

 



Entre familiares e amigos, meu consogro Marcos Henrique Siqueira Soares comemora hoje (10), à noite, o aniversário natalício dos  70 anos.

Local: no "Parrileiro Aldeota", às 19 horas.

Felicidades e muito sucesso, Henrique!

PS. Em sintonia com o time de futebol do seu coração.

EXISTE CAJUÍNA EM BH?

O dia hoje amanheceu diferente, com gosto de esperança.
Dona Lindaura melhorou um pouco - acho que já namora os 101 - e, como se o mundo quisesse confirmar a notícia, existe cajuína em Belo Horizonte.
Minha Julia apareceu com uma garrafa (1) e um sorriso.
Para isto também fizeram as filhas.
A alegria só se turvou ao saber que não vinha do Ceará, berço de seu pretenso inventor. (2)
Desta vez, o Piauí atravessou o mapa e chegou primeiro. Espero que não copiem agora a cor verde do nosso mar.
Ainda faltam a bundinha do caju, mordido à sombra e o sapoti aberto na palma da mão com aquele caldo de tanino escorrendo pelo braço e pingando infância.
A alegria precisa vir em pedaços pequenos e esporádicos; caso contrário, deixa de ser reconhecida e se esvanece.
Quando vira costume, já não sabemos se chegou ou se sempre esteve ali, feito o ar que a gente inspira rico e devolve pobre.
Fomos feitos dessa matéria - para nos encantar com o raro; do contrário, a vida perderia o brilho.
Não pode mesmo haver cajuína em Minas, nem jabuticaba no Ceará.
Ficaríamos ambos indiferentes.
O que nos atinge é o que nos falta.
Essa é a tristeza da abundância:
Cajuína! (3)
Que seja rara.
Que seja pouca.
Que não seja daqui.
Nelson Cunha
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N. do E.
(1) O rótulo desta cajuína confirma de onde veio. Foi produzida pela "Lili Doces", empresa que se orgulha de ser a principal produtora de cajuína no Piauí.
(2) A cajuína tem suas raízes indígenas no cauim, uma beberagem historicamente preparada pelas mulheres das tribos para os rituais de passagem, guerras e celebrações em geral. Com a quebra do amido (da mandioca, milho ou batata-doce) em açúcares pela mastigação, dando início pela ação da ptialina um processo de fermentação alcoólica de teor variável. Ao farmacêutico Rodolpho Theophilo, cearense nascido na Bahia e do qual se dizia antipatizar o álcool, devemos: a utilização da maçã do caju como matéria-prima; a clarificação do suco do caju pela resina do próprio cajueiro; a filtragem e o engarrafamento; o longo tempo de cozimento em banho-maria para a caramelização e a esterilização; e, por fim, o registro em Junta Comercial dessa bebida saborosa e não álcoólica, que ele chamou de cajuína.
(3) Segue um vídeo do acervo da ALECE TV, com direção geral de Ângela Gurgel, em que foram ouvidos dois depoentes de alto nível de conhecimento - histórico e técnico - sobre a cajuína: o engenheiro químico Renato Casimiro e o jornalista e escritor Lira Neto.
Paulo Gurgel

DESPEDIDA DE FRANCISCO SISVILAN DE MORAIS COIMBRA

Faleceu aos 84 anos, na manhã de ontem, 25, o DR. FRANCISCO SISVILAN DE MORAIS COIMBRA. Ele estava hospitalizado, em tratamento contra o câncer, e afastado de suas atividades desde setembro do ano passado.
Graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1971, e tinha como especialidade a cardiologia.
Em 2021, foi um dos sete médicos de Maringá-PR a receber o Diploma de Mérito Ético-Profissional pelos 50 anos de formação. A prova de que ele não apenas exerceu a medicina, mas a praticou com retidão, ética e dedicação.
Era casado com a Dra. Maria Tereza de Melo Cerqueira, também médica. Sisvilan, sua esposa e eu fomos companheiros de viagem em nossa travessia de seis anos na UFC.
Neste momento de despedida, envio meus pêsames à Dra. Maria Tereza pela perda do ente querido.

BRANCA BILHAR

Branca Lopes de Alcântara Bilhar nasceu no Crato-CE, filha de Joaquim Lopes de Alcântara Bilhar e de Cândida de Alcântara Bilhar. Há divergências sobre a data do seu nascimento (28/11/1886, segundo J Flavio P Vieira, em comentário escrito a Nirez).
Depois da morte do pai, Branca foi morar com as tias Ana e Epifânia, transferindo-se com elas para o Rio de Janeiro (1911), onde fez sua formaçào musical.
Era sobrinha do violonista Satyro Bilhar, um conhecido personagem da boemia carioca do começo do século XX. Dado o cenário do momento, Branca teve contato com diversos grandes nomes da música brasileira da época.
Estudou piano e, por duas vezes, obteve medalha de ouro no Instituto Nacional de Música. Também ministrava aulas de música e consta que Eunice Katunda foi sua aluna.
Ela faleceu em 22/12/2028, no Rio de Janeiro.
Suas obras, majoritariamente compostas para piano, têm como características marcante um “sotaque” bem brasileiro. Há registros de que Branca Bilhar compôs ao menos 16 obras:
Alayde. Valsa de salão
Allegro de concerto
Ao violão
Bailado indígena. Peça característica
Dedicação. Valsa lenta
Ensaio de composição
Estudo de concerto
Improviso (1916)
No sertão,
Cateretê da noite (1927)
Os heroes de Copacabana. Hymno heroico (1922)
Perpetuum mobile
Primeira valsa
Recordação sertaneja
Reminiscência...
Serenata espanhola (1926)
Samba sertanejo. Peça característica VÍDEO

PARA ONDE VAI A MEMÓRIA DE UMA CIDADE?

Por Mário Mamede (*) 
A identidade de um povo tem como pilares fundamentais suas características étnicas, sua língua, sua cultura e a capacidade de ser guardião de suas memórias, preservando-as e transmitindo-as às gerações vindouras. A partir destes pilares, estão firmadas as condições para nos reconhecermos e sermos reconhecidos como um grupo identitário e fortalecermos num projeto de nação com uma visão de futuro.
Essa identidade estabelece a coesão necessária para termos consciência do que somos e do que desejamos para nós e para os nossos descendentes.
E esta percepção nos impulsiona para firmarmos um sentimento de pertencimento, alimentarmos a nossa autoestima e construirmos uma cidade que seja um lugar bom de viver para todas as pessoas.
A partir dessas breves reflexões, vamos ao que julgo mais importante e urgente, do que sinto necessidade de comentar.
Em Fortaleza, temos um acervo importante da memória de nossa cidade do ponto urbanístico, fotográfico, social, e um arquivo musical organizado por um funcionário público de nome Miguel Ãngelo de Azevedo, mais conhecido por Nirez, hoje uma importante referência e fonte de pesquisa sobre a nossa Capital.
Com a felicidade de viver seus 91 em plena lucidez e uma invejável memória para fatos recentes e passados, Nirez organizou e alimentou o seu acervo, acumulado ao longo de toda uma vida, com muita dedicação. Muitas e muitas histórias de Fortaleza estão guardadas em seu computador, em documentos físicos e em fotos.
Nirez é o guardião da maior e mais bem conservada coleção de discos de cera do Brasil, desde os primeiros gravados no Rio de Janeiro, nos anos 30 do século passado. Mais do que uma coleção, um tesouro!
Ocorre que todo esse patrimônio está hoje guardado em sua própria casa, e chega a um momento de vida em que já não tem mais como dar conta de mantê-lo.
Em comum entendimento com o Nirez, procurei o diretor do Museu da Imagem e do Som, que demostrou vivo interesse, levantando a possibilidade de sua incorporação ao acervo do MIS. Avançamos animados para uma agenda com uma relevante expressão política do Governo Estadual, acontecida no mesmo local no 6 de junho do ano passado.
As ideias convergiram e, pela sua importância, o assunto seria levado para análise do Governador. Adentramos 2026 e, até hoje, a resposta tem sido o silêncio, um silêncio que incomoda. Por isso faço publicamente um apelo às nossas autoridades, instituições acadêmicas e setor empresarial para não deixarmos que esse pedaço da nossa memória vire poeira.
O que se tornou antigo não pode continuar sendo traduzido equivocadamente como obsoleto, sem valor, isso é história que forma a identidade de uma cidade e de um povo.
(*) Médico ortopedista
Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/01/2026. Opinião. p.15
Comentário
28/03/2008 - Levado pelo clínico Eduilton Girão, um dia fui conhecer o Arquivo Nirez. Estimo que possa ter sido há uns vinte anos; numa manhã de sábado, certamente. O jornalista Blanchard Girão e o Sr. Ferrer, de Oeiras - Piauí, foram as outras agradáveis companhias do grupo formado para visitar este museu no bairro Rodolfo Teófilo. O próprio Nirez, como é conhecido Miguel Ângelo de Azevedo, foi quem nos ciceroneou na inesquecível incursão que fizemos àquele mundo de sons, imagens e objetos da comunicação. Pensar que tudo começou por volta de 1958. Quando Nirez passou a colecionar  seus primeiros discos de cera, os quais constituem a base do acervo que reúne na casa de n° 560 da rua Prof. João Bosco (onde ele até hoje reside). E que, com o passar do tempo, foi este acervo expandido para outros campos como fotografias, rótulos, revistas e objetos diversos. ~ Paulo Gurgel

CIDADES XARÁS

O Brasil tem 5.569 municípios. Na designação deles, o nome mais utilizado é "Bom Jesus". Há "Bom Jesus" no Piauí, no Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Se considerados os complementos como "da Penha", "da Lapa", "do Tocantins", "da Serra" etc. o Brasil tem 20 registros com esse nome.
Na lista dos municípios homônimos no Brasil, o Estado do Ceará apresenta 19 deles com nomes iguais em outros Estados. Um deles, Nova Olinda, é o município do Ceará que tem mais xarás: o nome se repete em dois outros Estados (na Paraíba e em Tocantins),.
Em ordem alfabética, eis a relação destes municípios:
Aurora: no Ceará e em Santa Catarina; além de Aurora do Pará e Aurora do Tocantins.
Cascavel: no Ceará e no Paraná.
Cedro: no Ceará e em Pernambuco;além de Cedro do Abaeté (MG) e Cedro de São João (SE).
Hidrolândia: em Goiás e no Ceará.
Iguatu: no Ceará e no Paraná.
Independência: no Ceará e no Rio Grande do Sul.
Ipueiras: no Ceará e em Tocantins.
Iracema: no Ceará e em Roraima.
Jardim: no Ceará e em Mato Grosso do Sul.
Juazeiro do Norte, no Ceará, e Juazeiro da Bahia apresentam complementos diferentes. 
Milagres: no Ceará e na Bahia; além de São Miguel dos Milagres (AL).
Morrinhos: em Goiás e no Ceará.
Mulungu: no Ceará e na Paraíba; há também Mulungu do Morro (BA).
Nova Olinda: no Ceará, na Paraíba e em Tocantins; há também Nova Olinda do Maranhão e Nova Olinda do Norte (AM).
Pacatuba: no Ceará e em Sergipe.
Pedra Branca: no Ceará e na Paraíba.
Redenção: no Ceará e no Pará. há também Redenção da Serra (SP), Redenção do Gurgueia (PI) e Nova Redenção, na Chapada Diamantina (BA).
São Gonçalo do Amarante: no Ceará e no Rio Grande do Norte.

GALERIA DA LIBERDADE

A Galeria da Liberdade foi aberta no dia 18 de junho de 2025. O espaço faz parte do conjunto arquitetônico do Palácio da Abolição e é gerido pelo Museu da Imagem e do Som do Ceará. A Galeria da Liberdade se estabelece como um espaço de difusão, com mostras que têm como eixo a luta pelos direitos humanos no Ceará, no Brasil e no mundo, evidenciando as tramas políticas, geográficas e afetivas da História.
Endereço: Avenida Barão de Studart, 505, em Fortaleza.
Entrada gratuita.
Ressignificação do espaço
Humberto Castelo Branco foi originalmente sepultado no Rio de Janeiro, mas seus restos foram transladados para o Ceará em 1972, sendo colocados no mausoléu em Fortaleza. Em 2023/2024, o Governo do Ceará decidiu ressignificar o espaço, criando a Galeria da Liberdade, um local focado na democracia e nos direitos humanos, em linha com o orgulho dos cearenses pela abolição da escravatura. Contactada, a família do ex-presidente concordou com o retorno de seus restos mortais para o Rio de Janeiro. E novo translado ocorreu em 2025, com os restos sendo levados de volta ao Rio de Janeiro para o Cemitério São João Batista.

ELANO DE PAULA (1923 - 2015)

Elano de Paula, o irmão mais velho de Chico Anysio, nasceu no dia 1.° de fevereiro de 1923, em Maranguape, área metropolitana de Fortaleza, mas passou boa parte de sua vida dividido entre o Rio de Janeiro e o Ceará. Fez parte do Exército entre 1943 e 45, no fim da Segunda Guerra. Depois, ingressou na Rádio Guanabara, no Rio de Janeiro, passou pela Rádio Mayrink Veiga e pela Rádio Club do Brasil.
Formou-se em engenharia civil pela Escola Nacional de Engenharia do Rio de Janeiro. Um dos seus primeiros trabalhos como engenheiro no Ceará foi a construção da ponte de Aquiraz; também fez a construção dos conjuntos Luciano Carneiro e José Walter e, entre seus muitos trabalhos, foi diretor da Indústria e Comércio Incosa.
Na área dos entretenimentos, passou pela Televisão Excelsior no Rio de Janeiro, onde foi diretor. Produziu o programa "O Homem e o Riso!", da TV Record em São Paulo, e o Chico Anysio Show, na TV RIO. Foi sócio gerente da Master Engenharia, presidente da Credimus - Cia de Crédito Imobiliário, presidente da Iplac do Brasil, em João Pessoa, e vicepresidente da Indústria Plástica Cearense S/A.
Foi o primeiro a trazer o sistema de financiamento da habitação para o Ceará.
Elano compôs as letras de "Canção de amor”, com o comediante Chocolate, e de "Me empresta teu lenço", com Mansueto e Nicolau Durso. Lançada por Elizeth Cardoso, “Canção de amor” (vídeo), projetou a cantora em todo o Brasil, a ponto de tornar-se seu prefixo musical;. E "Me empresta teu lenço", que foi um samba gravado em 1955 para o carnaval do ano seguinte.

"HINO DA FACULDADE DE MEDICINA"

Composto por Belchior nos anos 1960s e, informalmente, reconhecido como "hino" por seus contemporâneos na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Eis um trecho:
"Sou candidato a médico e doutor
Mas o que eu sei de fato é samba, meu senhor
Como estudante eu não entro bem
Porque na minha estante tem Chopp Chopin."
A letra completa, enviada por Estêvão Zizzi, de Vila Velha - Espírito Santo, é encontrada no site "Recanto das Letras". 
https://www.recantodasletras.com.br/letras/7822696
E o "hino" pode ser ouvido (com outras canções inéditas do Belchior) no vídeo de uma  entrevista que a cantora Lucia Menezes deu a "O Globo Cultura", em 05/06/2017. https://oglobo.globo.com/cultura/musica/amiga-de-belchior-lucia-menezes-apresenta-ineditas-do-cantor-21435308
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TAUHA PÁTRIA DE MUITAS VIDAS

CONVITE

Lançamento amanhã de livro do médico obstetra e escritor Mariano Freitas, autor de NÓS, OS ESTUDANTES (2002), DONDON FEITOSA (2019) e CINQUENTA MIL MULHERES (2022).

A FUGA DO CAVALETE

Paulo,
Teu comentário me despertou uma ideia que acabou virando um pequeno conto. Achei justo te enviar antes de qualquer outra coisa, já que a faísca veio de ti.
Abraço,

Nelson

A Fuga do Cavalete 
O cavalete incomodava-se com o silêncio.
Preso ao tampo de um violão esquecido no fundo de um armário do escritório, escutava apenas o pó assentando, o ranger distante da casa e o tempo passando sem música. Até que, certa tarde, vindo de alguma sala próxima, ouviu um som majestoso: outro violão tocava. Reconheceu de imediato -era uma valsa vienense, cheia de giros, salas amplas e aplausos imaginados.
A inveja veio primeiro. Depois, a fúria.
Tomado por esse duplo impulso, o cavalete decidiu libertar-se das cordas que o sujeitavam ao tampo. Já não suportava sustentar um silêncio que não era escolha, mas abandono.
O tampo, por sua vez, também se ressentia da longa inatividade. Suas fibras ressecadas, seu lenho esquecido, tudo nele clamava por vibração. Como se compartilhasse o mesmo descontentamento, reuniu forças que julgava perdidas. Num esforço inaudito, moveu-se. Estufou o peito de madeira com coragem nunca antes exigida e, num estalo seco, libertou-se do pobre cavalete.
-Vai, meu cavalete - disse o tampo, numa voz que só os objetos conhecem. Segue o teu caminho. És feito de madeira nobre. Algum luthier há de te encontrar e usar-te, quem sabe, num Stradivarius. Conhecerás o mundo, as grandes plateias, os mais belos teatros.
O cavalete hesitou. Nunca imaginara existir fora dali.
-Eu não posso ir - continuou o tampo. - Muitas peças ainda me prendem. Parafusos, trastes, hábito. Mas tu, não. Vai. E não demores.
Houve uma pausa breve, carregada de tudo o que não se diz entre coisas condenadas a durar.
-Porque o dono deste violão pode se lembrar dele - completou o tampo - e voltar. E, se isso acontecer, morrerás comigo, novamente aparafusado.
Nelson José Cunha
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O CAVALETE DO VIOLÃO

Paulo,
Seu texto (UM PRESENTE DE NATAL) me inspirou a fazer uma homenagem a todos os cavaletes do mundo (melhor seria chamá-los como os ianques - bridge). Segue o meu texto.
Nelson Cunha
Peça inerte que suporta sobre os ombros o peso tenso das cordas. É o carteiro injustiçado: entrega as notas ao bojo que acolhe, alimenta e as devolve ao vento. Os olhos da plateia buscam as mãos que ferem o aço - o malabarismo, o ritmo, a coreografia vistosa dos dedos. Os aplausos pertencem à destreza que se exibe.
Enquanto isso, o cavalete (bridge), humilde e anônimo, permanece imóvel, cravado no tampo como um osso discreto. Não cria o som, torna-o possível. Recebe as vibrações e as conduz adiante, fiel e necessário como uma ponte, que liga o pouco ao muito. Sustenta a tensão, traduz o golpe em ressonância e faz chegar a mensagem às entranhas do instrumento. Nunca se apropria do que conduz. Resiste, estoico, à tentação de reter para si algum brilho, alguma nota, algum quinhão de glória. Sem ele, a música sepulta-se no fosso do silêncio.
Lá está ele:o risco essencial que ninguém nota. Dorme sem o eco dos aplausos. Sonha, talvez, em ser corda e vibrar, mas amanhece traço - firme, mudo e soberano naquilo que entrega, enquanto o som que ajudou a nascer já voa longe.

Nelson,
O cavalete do violão (do bandolim, do violino e de outros instrumentos musicais de corda) é feito principalmente de madeiras nobres e densas, como jacarandá, pau-ferro, caviúna e ébano, escolhidas por sua dureza e ressonância para transmitir as vibrações das cordas. Materiais como o osso e material sintético também são usados para o rastilho (a peça onde as cordas se apoiam) e a madeira do cavalete pode ser reaproveitada das sobras de outros instrumentos, sendo moldada com precisão e colada com adesivos específicos para marcenaria.
Já tive um violão cujo cavalete tinha o péssimo costume de desprender-se do tampo. Por duas vezes, levei o a um "luthier" (estas aspas são necessárias) para recolocar o cavalete no devido lugar.  Inutilmente, pois o cavalete tornava a se soltar. Foi quando eu tive uma ideia (de jerico), a de sugerir que ele reforçasse as propriedades adesivas da cola com a inclusão de dois parafusos. Aí morreu a voz do violão.
Paulo Gurgel

A publicar: A FUGA DO CAVALETE

UM PRESENTE DE NATAL (parte 2)

Enquanto mostrava este bandolim ao ChatGPT, o genro Rodrigo Soares manteve a meu pedido uma proveitosa conversação com a inteligência artificial. Na sequência, transcrevo as respostas do ChatGPT.

Esse aí é um instrumento bem clássico, na verdade, é uma mandolina (ou bandolim, como a gente também chama por aqui). É um tipo de instrumento musical.

É, a essência da mandolina ou do bandolim continua basicamente a mesma. Claro, um instrumento com 80 anos tem um charme e talvez um som um pouco mais encorpado ou uma madeira mais envelhecida, mas não muda muito do conceito do bandolim atual. É só manter afinadinho e aproveitar o som!

Olha, se você já toca violão, você já tem uma boa vantagem. A mandolina tem cordas duplas e uma afinação diferente, mas a lógica de apertar as notas com os dedos é um pouco parecida. Então, com um pouquinho de prática, você se adapta e logo está tirando um som legal também.

Então, geralmente isso é a marca do luthier ou do fabricante, que gravava o nome ou as iniciais no instrumento. Pode ser que "Omi" seja a marca mesmo de quem fez essa mandolina, então provavelmente é a assinatura do fabricante original e não de algum dono anterior.

Exatamente, você acertou! Essa parte aí onde ficam as tarraxas se chama mesmo cravelha. É onde você ajusta a afinação das cordas, então pode chamar de cravelha sem medo.

Ah, então, essa partezinha de metal ali embaixo é chamada de tailpiece ou, em português, a gente também pode chamar de cordal. É basicamente o suporte onde as cordas ficam presas na parte de baixo do instrumento.

Isso mesmo! Essa pecinha aí no meio, onde as cordas ficam apoiadas, a gente chama de cavalete. É ele que mantém a altura das cordas e transmite a vibração para o corpo do bandolim.